terça-feira, 12 de maio de 2026

Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master

investigação da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a influência de Daniel Vorcaro no Congresso Nacional revelou que, além da chamada “Emenda Master” apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também apresentou uma proposta legislativa que beneficiou setores ligados aos negócios do ex-banqueiro.

Ciro Nogueira virou alvo da Operação Compliance Zero por suspeita de atuar em favor dos interesses de Vorcaro no Senado e a PF menciona na investigação, também, uma emenda apresentada por Hugo Motta, em dezembro de 2023, ao projeto que regulamentou o mercado de carbono no Brasil.

O dispositivo, incorporado à versão final da lei, obrigou entidades de previdência privada, sociedades de capitalização e resseguradoras a investirem parte de suas reservas em créditos de carbono ou fundos ligados a esses ativos.

Na prática, a medida criou um mercado cativo para empresas do setor.

Segundo a investigação, uma das companhias potencialmente beneficiadas era a Golden Green Participações, empresa do mercado de carbono conectada à rede de fundos abastecida com recursos ligados ao Banco Master.

Outra empresa citada pela PF é a Global Carbon, que também possuía investimentos de fundos vinculados à estrutura financeira de Vorcaro.

<><> Emenda de Motta virou alvo de questionamento no STF

A alteração apresentada por Hugo Motta foi contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).

A entidade afirma que a obrigação criada pela emenda poderá injetar até R$ 9 bilhões anuais em um mercado que não teria capacidade de absorver esse volume.

Especialistas do setor ambiental também criticaram a medida. O pesquisador Shigueo Watanabe Jr., do Climainfo, afirmou que o texto criou um “mercado cativo” para empresas de crédito de carbono.

Hugo Motta negou irregularidades e afirmou que a proposta foi resultado de um “acordo partidário”. O presidente da Câmara declarou ainda que “o ato de legislar não é crime”.

<><> A “Emenda Master” de Ciro Nogueira

As investigações indicam que Daniel Vorcaro acompanhava diretamente projetos de interesse do Banco Master no Congresso, incluindo propostas relacionadas ao mercado de carbono, à transição energética e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo a PF, o empresário chegou a determinar a retirada de envelopes com minutas de projetos de lei na residência de Ciro Nogueira para revisão posterior.

No centro da investigação está a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador do PP para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC por investidor.

De acordo com decisão do ministro André Mendonça, a PF afirma que o texto da proposta foi elaborado pela assessoria do Banco Master e reproduzido integralmente por Ciro Nogueira no Senado.

Mensagens obtidas pela investigação mostram Vorcaro comemorando a apresentação da proposta.

“Saiu exatamente como mandei”, escreveu o empresário, segundo os autos.

<><> Propina a Ciro Nogueira

Na decisão que autorizou buscas e apreensões contra Ciro Nogueira, André Mendonça afirma que o senador, segundo as investigações,  seria o “destinatário central” de supostas vantagens indevidas relacionadas ao esquema investigado.

A PF aponta que Ciro Nogueira teria recebido propina de Vorcaro em  pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de viagens internacionais, voos privados, hospedagens, restaurantes, uso de imóvel de alto padrão e possível recebimento de dinheiro em espécie. O objetivo seria que o senador defendesse os interesses do Banco Master no Congresso.

A quinta fase da Operação Compliance Zero teve mandados cumpridos em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Piauí.

A PF investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

•        Além de viagem a paraíso fiscal, Ciro Nogueira passou carnaval na Indonésia com empresário do Tigrinho

senador Ciro Nogueira (PP-PI) está no epicentro de uma série de escândalos que envolvem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Além de ser investigado por suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master, de quem teria recebido propina e ganhado viagens, Nogueira também se vê no centro de um novo escândalo, envolvendo uma viagem de luxo a um paraíso fiscal.

O caso, que veio à tona nas últimas semanas, envolve o transporte irregular de malas em um voo privado para uma ilha conhecida por ser um ponto de lavagem de dinheiro. A denúncia de que as malas de Nogueira e outros passageiros, entre eles o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não passaram pelo raio-X da fiscalização no aeroporto fizeram a Polícia Federal (PF) abrir uma investigação por possíveis crimes de contrabando, descaminho e prevaricação.

O caso é apenas mais um episódio que amplia o alcance das suspeitas que envolvem o senador. A revista Piauí, em reportagem de março, já havia revelado que Ciro Nogueira passou o carnaval em uma viagem luxuosa à Indonésia, com o empresário Fernando Oliveira Lima, mais conhecido como Fernandin OIG, apontado como o responsável por introduzir o Fortune Tiger, conhecido como Jogo do Tigrinho, que é ilegal, no país. O empresário foi um dos principais alvos da CPI das Bets, que investiga o setor de apostas ilegais, e também é proprietário de várias plataformas de apostas online.

<><> Ciro Nogueira nas asas do Tigrinho ao paraíso fisca

Mais recentemente, revelou-se que, além de passar o carnaval na Indonésia com Fernandin OIG, o senador foi com o empresário do Tigrinho a um paraíso fiscal no Caribe. O senador embarcou em um jato particular de OIG com destino a São Martinho, uma ilha caribenha famosa por ser um paraíso fiscal e por abrigar atividades ilícitas de lavagem de dinheiro.

A viagem, que ocorreu em abril de 2024, levantou suspeitas imediatamente após o ocorrido no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP): durante o desembarque da aeronave, as malas dos passageiros – que incluíam Ciro Nogueira e Hugo Motta – passaram sem ser inspecionadas pelo raio-X. O fato gerou uma investigação da Polícia Federal, que agora apura as responsabilidades de um servidor da Receita Federal envolvido no caso.

<><> Ciro Nogueira e o escândalo Master

A viagem ao paraíso fiscal de São Martinho não é o único escândalo que envolve Ciro Nogueira e sua relação com o setor financeiro. O senador também está sendo investigado por suas ligações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que atualmente está preso e é investigado por fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelou que Vorcaro pagou ao menos três viagens de luxo a Nogueira, entre 2024 e 2025, incluindo destinos como Paris, Nova York e Courchevel, nos Alpes Franceses. Essas viagens, que ocorreram no mesmo período em que o senador estava ativamente envolvido na CPI das Bets, levantam sérias suspeitas sobre a relação entre o banco de Vorcaro e as emendas que Nogueira apresentou no Congresso.

Além disso, investigações indicam que, em troca desses favores, Nogueira teria recebido pagamentos mensais de até R$ 500 mil de Vorcaro, com a promessa de que o senador favoreceria os interesses do banco nas discussões legislativas. A proposta mais polêmica foi a “Emenda Master”, que visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que beneficiaria diretamente os negócios do Banco Master.

•        Paris, Nova York, Alpes: as viagens de Ciro Nogueira bancadas por Vorcaro, segundo a PF

Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Partido Progressistas, teve ao menos três viagens internacionais bancadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso. A operação Compliance Zero, cuja a nova fase, deflagrada na última quinta-feira (7), mirou o envolvimento de Nogueira com o escândalo do Master, revelou que as viagens de luxo ocorreram entre 2024 e 2025, com destinos exclusivos como Paris, Nova York e Courchevel, nos Alpes Franceses.

A primeira viagem, para Paris, aconteceu em abril de 2024. Durante a viagem, Ciro Nogueira foi fotografado em imagens publicadas por sua filha. O segundo destino foi Nova York, em maio de 2024, onde o senador ficou hospedado em um hotel de luxo e frequentou restaurantes sofisticados, sempre com as despesas pagas por Vorcaro. Em janeiro de 2025, a viagem foi para Courchevel, nos Alpes Franceses, onde, além dos voos privados, Vorcaro arcou até com a compra das roupas de frio de Ciro Nogueira.

<><> Propina em troca de apoio e blindagem do Master

Além das viagens de luxo, as investigações apontam que o senador recebeu pagamentos mensais de Daniel Vorcaro, variando entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, como parte de um esquema de propina. Esses repasses estariam ligados ao favorecimento de interesses do Banco Master no Congresso. Em troca dos benefícios, Ciro Nogueira teria atuado em favor de Vorcaro ao apresentar projetos de lei favoráveis ao banco, incluindo a famosa “Emenda Master”, que propunha a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A emenda buscava aumentar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, um movimento estratégico para beneficiar os negócios do Banco Master. De acordo com a PF, o texto foi redigido por assessores do banco e entregue diretamente na residência de Ciro Nogueira, que apresentou a proposta no Congresso.

A operação da Polícia Federal também revelou um esquema complexo envolvendo a CNLF Empreendimentos, empresa administrada pelo irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Neto, e pela filha do senador, Maria Eduarda Nogueira. A PF identificou depósitos suspeitos em dinheiro vivo, realizados por um funcionário de Ciro, que totalizaram R$ 3,5 milhões em um período de menos de quatro anos.

Além disso, a CNLF foi usada para receber grandes quantias de dinheiro de empresas ligadas a Vorcaro, configurando um possível esquema de lavagem de dinheiro. Investigadores afirmam que a empresa foi criada com o propósito de lavar dinheiro e disfarçar os repasses mensais que chegavam a Ciro Nogueira.

<><> O que diz Ciro Nogueira

A defesa de Ciro Nogueira refuta as acusações e nega que as viagens tenham sido financiadas por Daniel Vorcaro. O advogado do senador afirmou que o encontro entre Ciro e Vorcaro em Nova York foi legítimo e que as despesas foram custeadas por Nogueira. Em relação aos depósitos feitos por Bernardo Filho, funcionário de Nogueira, a defesa alega que os valores se referem a transações legais de vendas de uma loja de motos e não têm relação com qualquer esquema de corrupção.

No entanto, o contexto das investigações levanta sérias questões sobre os vínculos de Ciro Nogueira com Vorcaro, especialmente em um momento de crescente desconfiança sobre a atuação do senador no Congresso. A insistência da defesa em negar as acusações, sem detalhar suficientemente as transações financeiras investigadas, só reforça as dúvidas sobre os interesses ocultos por trás dessas relações.

<><> Delações premiadas e a pressão sobre Daniel Vorcaro

Enquanto as investigações avançam, a pressão sobre Daniel Vorcaro aumenta. A proposta de delação premiada do banqueiro está sendo analisada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, de acordo com fontes da PF, a proposta de Vorcaro não trouxe informações novas ou relevantes sobre o envolvimento de Ciro Nogueira. Investigadores acreditam que o banqueiro tenta minimizar seu envolvimento em um esquema de corrupção, tentando se proteger de maiores consequências legais.

Diante da gravidade das acusações, a Polícia Federal mantém as investigações focadas nas transações financeiras, nos repasses de dinheiro e nos interesses de Vorcaro no Congresso. A continuidade do inquérito pode trazer à tona mais informações, complicando ainda mais a situação de Ciro Nogueira e sua proximidade com o setor bancário.

•        Rogério Correia cobra Nikolas sobre caso Ciro Nogueira: “Calado e sumido”

deputado federal Rogério Correia (PT-MG) foi às redes sociais, nesta sexta-feira (8), para cobrar posicionamento de Nikolas Ferreira (PL-MG), depois da operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Em publicação no X, Correia afirmou que o bolsonarista está “calado e sumido” diante das investigações envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

“Nikolas Ferreira já falou algo sobre a corrupção de Ciro Nogueira com Vorcaro? Está calado e sumido, ‘cuspindo leite condensado’, depois de voar com Valadão nas asas da corrupção do Master. Ciro Nogueira também participou das viagens com Nikolas pelo Nordeste. Vem coisa por aí!”, publicou Correia.

O deputado ainda compartilhou postagem de Nikolas, feito em 2022, quando viajou, em um jatinho de Vorcaro junto do pastor bolsonarista André Valadão, para um evento em Brasília com lideranças religiosas.

 

Fonte: Fórum

 

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