Julinho
Bittencourt: Ypê, a nova cloroquina - por que o gado toma banho e até bebe o
detergente
A
maluquice se espalhou pelas redes mais uma vez e de maneira insana. Em uma
crise de sanidade que lembra a campanha pelo uso da cloroquina durante a
pandemia do coronavírus, vários vídeos inacreditáveis têm sido postados nas
redes. Neles, bolsonaristas aparecem defendendo os produtos da Ypê, tomando
banho e até mesmo bebendo o detergente (veja abaixo).
A
fábrica, conforme noticiado por esta Fórum, teve 25 produtos, das linhas de
detergentes, sabão em pó e desinfetante, suspensos pela Agência Nacional de
Vigilância (Anvisa) e pela Vigilância Sanitária de São Paulo na última
quinta-feira.
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Risco sanitário elevado
Segundo
a agência, foram identificados “descumprimentos relevantes em etapas críticas
do processo produtivo”, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade,
produção e controle de qualidade.
O
relatório afirma ainda que os problemas encontrados comprometem as boas
práticas de fabricação de saneantes e indicam risco sanitário, com
possibilidade de contaminação microbiológica e presença de micro-organismos
patogênicos nos produtos.
A
inspeção concluiu que o conjunto das irregularidades configura “um quadro
crítico, caracterizado como de risco sanitário elevado”, exigindo medidas
corretivas imediatas para evitar riscos à saúde dos consumidores e o
agravamento de sanções sanitárias.
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Vice-prefeito de São Paulo
Mesmo
assim, uma quantidade significativa de pessoas de extrema direita se atirou de
corpo e alma na defesa da fábrica. Entre elas, até mesmo o vice-prefeito de São
Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL), aparece em um vídeo afirmando que na
sua casa todos usam o produto. As imagens foram compartilhadas pela
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
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Doador de campanha
Tudo
isso tem uma simples e única razão. Conforme revelado pelo editor desta Fórum
Renato Rovai, em seu blog “Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da
empresa, fez uma contribuição de R$ 500 mil para o Bozo pai na eleição de
2022”.
O texto
lembra ainda que “Waldir Beira Júnior, presidente do conselho da Ypê, e Ana
Maria Beira, integrante dos conselhos de sócios e administração, destinaram R$
250 mil cada um”.
“Ou
seja, o Ypê deu 1 milhão por dentro para a campanha do Bolsonaro em nome dos
sócios. Porque empresa não pode mais doar”, conclui Rovai.
• Quais os riscos de usar produtos Ypê
proibidos pela Anvisa, segundo infectologista
onsumidores
brasileiros foram surpreendidos, na quinta-feira (7), com a informação de que a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia determinado o
recolhimento de produtos da marca Ypê.
A ação
incluiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes de todos os
lotes com numeração final 1. Os itens foram fabricados pela empresa Química
Amparo, na unidade localizada no município de Amparo, interior de São Paulo.
Além do
recolhimento, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização,
distribuição e uso dos produtos atingidos pela medida.
De
acordo com a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas
Práticas de Fabricação (BPF) para saneantes e representam risco à segurança
sanitária, incluindo a possibilidade de contaminação microbiológica, com
presença indesejada de microrganismos patogênicos.
Marcos
Caseiro, infectologista e vereador de Santos pelo PT, comentou o risco que
esses produtos oferecem à população.
“A
primeira questão a ser analisada é que se trata de um problema de saúde
pública. Esses produtos, atualmente, são os mais vendidos no Brasil, até porque
são muito baratos. E, agora, surgiu essa informação de uma contaminação com
material biológico, contaminação com germes”, disse.
Caseiro
orientou que a conduta inicial é para as pessoas averiguarem se o produto
pertence a algum lote com a terminação 1. Em caso positivo, procurar o Serviço
de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa e solicitar a troca por outro
adequado.
“As
pessoas não devem usar esses produtos, pois há risco de contaminação, inclusive
de toxinfecção alimentar. Então, esse produto que a gente usa para lavar a
louça, na verdade, está contaminado por bactérias. Isso é um absurdo e as
pessoas precisam ficar atentas”, prosseguiu o médico.
Em
relação ao perigo para os consumidores, o infectologista foi claro: “Há risco
de infecções, principalmente a que chamamos de paroníquia, na região do leito
ungueal, ou seja, na junção da unha com a pele, infecção bacteriana de pele e,
até mesmo, toxinfecção alimentar, se o indivíduo ingerir alimentos que estavam
em pratos lavados com esse produto. Sem saber, a pessoa pode estar contaminando
com germes em vez de limpando, e causar, principalmente, problemas de
toxinfecção, diarreia, vômito e coisas do tipo”, completou Caseiro.
• Diretor da Anvisa responsável por
gerência que suspendeu produtos da Ypê foi indicado por Bolsonaro
Após a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter anunciado, na
quinta-feira (7), medidas relacionadas a produtos da Ypê, depois de identificar
risco de contaminação microbiológica em itens fabricados pela empresa,
bolsonaristas têm divulgado nas redes sociais uma narrativa de que a empresa
dona da marca estaria sofrendo “perseguição”.
Postagens
também indicam um suposto uso da “máquina do Estado” contra a empresa por conta
de integrantes da família Beira, controladora da Química Amparo, detentora da
marca, terem feito doações que somaram R$ 1 milhão à campanha de reeleição de
Jair Bolsonaro, em 2022.
O
problema da narrativa esbarra no fato de que o diretor que comanda atualmente a
quarta diretoria da Anvisa, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, que abriga a
Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária (GGFIS), responsável pela
Resolução-RE nº 1.834/2026 que determina as medidas relativas aos produtos Ypê,
foi indicado em 2022 pelo então presidente Jair Bolsonaro.
O
Regimento Interno da Anvisa (RDC nº 255, de 10 de dezembro de 2018) estabelece
que a Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária atua sob a supervisão
direta da Quarta Diretoria, responsável por guiar as ações fiscais e
representar a área técnica nas decisões colegiadas da Agência.
Ou
seja, a gerência que determinou as medidas no caso dos produtos Ypê é
supervisionada e tem uma relação de subordinação hierárquica e vinculação
administrativa e estratégica ao diretor indicado por Bolsonaro.
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Quem é o diretor da Anvisa indicado por Bolsonaro
Daniel
Meirelles Fernandes Pereira foi indicado em abril de 2022 para ocupar a vaga de
diretor na Anvisa. Ele ocupou o lugar deixado por Cristiane Jourdan, cujo
mandato terminou em 24 de julho daquele ano.
Formado
em direito e especialista em regulação de saúde suplementar, antes da indicação
ele havia sido diretor-adjunto da Agência de Saúde Suplementar (ANS), também no
governo Bolsonaro. Ali, se envolveu em uma polêmica quando, em julho de 2020,
indicou Isabella Braga Netto, filha do então ministro da Casa Civil, general
Braga Netto, hoje preso por tentativa de golpe de Estado, a uma vaga de
gerência no órgão.
Isabella
desistiu de assumir o cargo após o sindicato da agência pedir explicações sobre
um possível caso caracterizado de nepotismo cruzado, já que Pereira é também
irmão de Thiago Meirelles Fernandes Pereira, que era um dos principais
auxiliares de Braga Netto na Casa Civil, segundo matéria do Uol.
À época
de sua indicação, o hoje diretor da Anvisa era assessor especial do ministro da
Saúde, Marcelo Queiroga. Seu nome foi aprovado pelo Senado por 38 votos a favor
e cinco contrários, além de uma abstenção.
• Como está o caso Ypê
A Ypê,
por meio de um comunicado, declarou que a fabricação e a venda de seus produtos
foram liberadas após apresentar recurso à Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa). No entanto, a Agência mantém o alerta e pede às pessoas que
evitem o uso dos produtos da marca.
Por que
a venda e a produção dos produtos da Ypê foram liberadas? Isso se deu por conta
de uma legislação da própria Anvisa, instituída em 2019, a Resolução 266, que
estabelece o seguinte: quando um recurso é apresentado à Agência, a suspensão
perde valor imediatamente até novo pronunciamento do órgão sanitário. Ou seja,
isso não significa que o produto em questão deixou de apresentar perigo à saúde
pública.
Dessa
maneira, a Anvisa, por meio de uma nota, manteve o alerta e pediu aos cidadãos
que não usem os produtos da Ypê:
“Mesmo
com o efeito suspensivo, a Anvisa recomenda que os consumidores não usem os
produtos indicados, por segurança. Os problemas identificados comprometem o
atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação de
saneantes e indicam risco à segurança sanitária, com possibilidade de
ocorrência de contaminação microbiológica.”
Por sua
vez, a Ypê declarou que a sua prioridade é a segurança dos clientes:
“Ainda
que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da
medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e
sempre será — sua maior prioridade.”
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Anvisa determina recolhimento de famosa marca Ypê
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta
quinta-feira (7), o recolhimento de produtos da marca Ypê, incluindo
lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes de todos os lotes com
numeração final 1. Os itens foram fabricados pela empresa Química Amparo, na
unidade localizada em Amparo.
Além do
recolhimento, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização,
distribuição e uso dos produtos atingidos pela medida.
Segundo
a agência, a decisão foi tomada após uma avaliação técnica de risco sanitário
realizada em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). A
análise ocorreu depois de uma inspeção conduzida na última semana em parceria
com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância
Sanitária de Amparo.
Durante
a fiscalização, foram identificados descumprimentos considerados relevantes em
etapas críticas do processo de produção. Entre os problemas apontados estão
falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle de
qualidade dos produtos.
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Boas Práticas de Fabricação
De
acordo com a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas
Práticas de Fabricação (BPF) para saneantes e representam risco à segurança
sanitária, incluindo a possibilidade de contaminação microbiológica, com
presença indesejada de microrganismos patogênicos.
A
agência afirmou que a medida foi adotada com base no princípio da proteção à
saúde da população, por meio da identificação, avaliação e gerenciamento dos
riscos sanitários relacionados aos produtos.
A
orientação da Anvisa é para que consumidores que possuam em casa produtos dos
lotes especificados na Resolução 1.834/2026 interrompam imediatamente o uso e
entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa
para receber orientações sobre o recolhimento.
O órgão
também determinou que vigilâncias sanitárias estaduais e municipais
intensifiquem a fiscalização para impedir a circulação dos lotes afetados, em
articulação com as ações coordenadas pelo SNVS.
A lista
completa dos produtos e lotes atingidos pela decisão está disponível na edição
desta quinta-feira (7) do Diário Oficial da União (DOU).
Somente
os lotes que terminam com o número 1, dos produtos abaixo estão afetados.
• LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE
• LAVA LOUÇAS COM ENZIMAS ATIVAS YPÊ
• LAVA LOUÇAS YPÊ
• LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE
• LAVA LOUÇAS YPÊ TOQUE SUAVE
• LAVA-LOUÇAS CONCENTRADO YPÊ GREEN
• LAVA-LOUÇAS YPÊ CLEAR
• LAVA-LOUÇAS YPÊ GREEN
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COMBATE
MAU ODOR
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO
• TIXAN YPÊ CUIDA DAS ROUPAS
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ ANTIBAC
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COCO E
BAUNILHA
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ GREEN
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ EXPRESS
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ POWER ACT
• LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ PREMIUM
• LAVA ROUPAS TIXAN MACIEZ
• LAVA ROUPAS TIXAN PRIMAVERA
• DESINFETANTE BAK YPÊ
• DESINFETANTE DE USO GERAL ATOL
• DESINFETANTE PERFUMADO ATOL
• DESINFETANTE PINHO YPE
• LAVA ROUPAS TIXAN POWER ACT
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Posicionamento da Ypê
Em
nota, a Ypê afirma que “possui fundamentação científica robusta, baseada em
testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das
categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e
desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”.
“A
empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a
apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente
na reversão da decisão no menor prazo possível. A Ypê reafirma seu compromisso
com a qualidade, a segurança e a transparência e permanece à disposição da
autoridade sanitária, da imprensa e dos consumidores para quaisquer
esclarecimentos. Em caso de dúvidas adicionais, os consumidores podem entrar em
contato via canais oficiais de atendimento: sac@ype.ind.br ou pelo telefone
0800 1300 544″, diz a empresa.
Fonte:
Fórum

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