terça-feira, 12 de maio de 2026

Julinho Bittencourt: Ypê, a nova cloroquina - por que o gado toma banho e até bebe o detergente

A maluquice se espalhou pelas redes mais uma vez e de maneira insana. Em uma crise de sanidade que lembra a campanha pelo uso da cloroquina durante a pandemia do coronavírus, vários vídeos inacreditáveis têm sido postados nas redes. Neles, bolsonaristas aparecem defendendo os produtos da Ypê, tomando banho e até mesmo bebendo o detergente (veja abaixo).

A fábrica, conforme noticiado por esta Fórum, teve 25 produtos, das linhas de detergentes, sabão em pó e desinfetante, suspensos pela Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) e pela Vigilância Sanitária de São Paulo na última quinta-feira.

<><> Risco sanitário elevado

Segundo a agência, foram identificados “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

O relatório afirma ainda que os problemas encontrados comprometem as boas práticas de fabricação de saneantes e indicam risco sanitário, com possibilidade de contaminação microbiológica e presença de micro-organismos patogênicos nos produtos.

A inspeção concluiu que o conjunto das irregularidades configura “um quadro crítico, caracterizado como de risco sanitário elevado”, exigindo medidas corretivas imediatas para evitar riscos à saúde dos consumidores e o agravamento de sanções sanitárias.

<><> Vice-prefeito de São Paulo

Mesmo assim, uma quantidade significativa de pessoas de extrema direita se atirou de corpo e alma na defesa da fábrica. Entre elas, até mesmo o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL), aparece em um vídeo afirmando que na sua casa todos usam o produto. As imagens foram compartilhadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

<><> Doador de campanha

Tudo isso tem uma simples e única razão. Conforme revelado pelo editor desta Fórum Renato Rovai, em seu blog “Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da empresa, fez uma contribuição de R$ 500 mil para o Bozo pai na eleição de 2022”.

O texto lembra ainda que “Waldir Beira Júnior, presidente do conselho da Ypê, e Ana Maria Beira, integrante dos conselhos de sócios e administração, destinaram R$ 250 mil cada um”.

“Ou seja, o Ypê deu 1 milhão por dentro para a campanha do Bolsonaro em nome dos sócios. Porque empresa não pode mais doar”, conclui Rovai.

        Quais os riscos de usar produtos Ypê proibidos pela Anvisa, segundo infectologista

onsumidores brasileiros foram surpreendidos, na quinta-feira (7), com a informação de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia determinado o recolhimento de produtos da marca Ypê.

A ação incluiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes de todos os lotes com numeração final 1. Os itens foram fabricados pela empresa Química Amparo, na unidade localizada no município de Amparo, interior de São Paulo.

Além do recolhimento, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos atingidos pela medida.

De acordo com a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) para saneantes e representam risco à segurança sanitária, incluindo a possibilidade de contaminação microbiológica, com presença indesejada de microrganismos patogênicos.

Marcos Caseiro, infectologista e vereador de Santos pelo PT, comentou o risco que esses produtos oferecem à população.

“A primeira questão a ser analisada é que se trata de um problema de saúde pública. Esses produtos, atualmente, são os mais vendidos no Brasil, até porque são muito baratos. E, agora, surgiu essa informação de uma contaminação com material biológico, contaminação com germes”, disse.

Caseiro orientou que a conduta inicial é para as pessoas averiguarem se o produto pertence a algum lote com a terminação 1. Em caso positivo, procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa e solicitar a troca por outro adequado.

“As pessoas não devem usar esses produtos, pois há risco de contaminação, inclusive de toxinfecção alimentar. Então, esse produto que a gente usa para lavar a louça, na verdade, está contaminado por bactérias. Isso é um absurdo e as pessoas precisam ficar atentas”, prosseguiu o médico.

Em relação ao perigo para os consumidores, o infectologista foi claro: “Há risco de infecções, principalmente a que chamamos de paroníquia, na região do leito ungueal, ou seja, na junção da unha com a pele, infecção bacteriana de pele e, até mesmo, toxinfecção alimentar, se o indivíduo ingerir alimentos que estavam em pratos lavados com esse produto. Sem saber, a pessoa pode estar contaminando com germes em vez de limpando, e causar, principalmente, problemas de toxinfecção, diarreia, vômito e coisas do tipo”, completou Caseiro.

        Diretor da Anvisa responsável por gerência que suspendeu produtos da Ypê foi indicado por Bolsonaro

Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter anunciado, na quinta-feira (7), medidas relacionadas a produtos da Ypê, depois de identificar risco de contaminação microbiológica em itens fabricados pela empresa, bolsonaristas têm divulgado nas redes sociais uma narrativa de que a empresa dona da marca estaria sofrendo “perseguição”.

Postagens também indicam um suposto uso da “máquina do Estado” contra a empresa por conta de integrantes da família Beira, controladora da Química Amparo, detentora da marca, terem feito doações que somaram R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro, em 2022.

O problema da narrativa esbarra no fato de que o diretor que comanda atualmente a quarta diretoria da Anvisa, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, que abriga a Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária (GGFIS), responsável pela Resolução-RE nº 1.834/2026 que determina as medidas relativas aos produtos Ypê, foi indicado em 2022 pelo então presidente Jair Bolsonaro.

O Regimento Interno da Anvisa (RDC nº 255, de 10 de dezembro de 2018) estabelece que a Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária atua sob a supervisão direta da Quarta Diretoria, responsável por guiar as ações fiscais e representar a área técnica nas decisões colegiadas da Agência.

Ou seja, a gerência que determinou as medidas no caso dos produtos Ypê é supervisionada e tem uma relação de subordinação hierárquica e vinculação administrativa e estratégica ao diretor indicado por Bolsonaro.

<><> Quem é o diretor da Anvisa indicado por Bolsonaro

Daniel Meirelles Fernandes Pereira foi indicado em abril de 2022 para ocupar a vaga de diretor na Anvisa. Ele ocupou o lugar deixado por Cristiane Jourdan, cujo mandato terminou em 24 de julho daquele ano.

Formado em direito e especialista em regulação de saúde suplementar, antes da indicação ele havia sido diretor-adjunto da Agência de Saúde Suplementar (ANS), também no governo Bolsonaro. Ali, se envolveu em uma polêmica quando, em julho de 2020, indicou Isabella Braga Netto, filha do então ministro da Casa Civil, general Braga Netto, hoje preso por tentativa de golpe de Estado, a uma vaga de gerência no órgão.

Isabella desistiu de assumir o cargo após o sindicato da agência pedir explicações sobre um possível caso caracterizado de nepotismo cruzado, já que Pereira é também irmão de Thiago Meirelles Fernandes Pereira, que era um dos principais auxiliares de Braga Netto na Casa Civil, segundo matéria do Uol.

À época de sua indicação, o hoje diretor da Anvisa era assessor especial do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Seu nome foi aprovado pelo Senado por 38 votos a favor e cinco contrários, além de uma abstenção.

        Como está o caso Ypê

A Ypê, por meio de um comunicado, declarou que a fabricação e a venda de seus produtos foram liberadas após apresentar recurso à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, a Agência mantém o alerta e pede às pessoas que evitem o uso dos produtos da marca.

Por que a venda e a produção dos produtos da Ypê foram liberadas? Isso se deu por conta de uma legislação da própria Anvisa, instituída em 2019, a Resolução 266, que estabelece o seguinte: quando um recurso é apresentado à Agência, a suspensão perde valor imediatamente até novo pronunciamento do órgão sanitário. Ou seja, isso não significa que o produto em questão deixou de apresentar perigo à saúde pública.

Dessa maneira, a Anvisa, por meio de uma nota, manteve o alerta e pediu aos cidadãos que não usem os produtos da Ypê:

“Mesmo com o efeito suspensivo, a Anvisa recomenda que os consumidores não usem os produtos indicados, por segurança. Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária, com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica.”

Por sua vez, a Ypê declarou que a sua prioridade é a segurança dos clientes:

“Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e sempre será — sua maior prioridade.”

<><> Anvisa determina recolhimento de famosa marca Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (7), o recolhimento de produtos da marca Ypê, incluindo lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes de todos os lotes com numeração final 1. Os itens foram fabricados pela empresa Química Amparo, na unidade localizada em Amparo.

Além do recolhimento, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos atingidos pela medida.

Segundo a agência, a decisão foi tomada após uma avaliação técnica de risco sanitário realizada em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). A análise ocorreu depois de uma inspeção conduzida na última semana em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo.

Durante a fiscalização, foram identificados descumprimentos considerados relevantes em etapas críticas do processo de produção. Entre os problemas apontados estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle de qualidade dos produtos.

<><> Boas Práticas de Fabricação

De acordo com a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) para saneantes e representam risco à segurança sanitária, incluindo a possibilidade de contaminação microbiológica, com presença indesejada de microrganismos patogênicos.

A agência afirmou que a medida foi adotada com base no princípio da proteção à saúde da população, por meio da identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos sanitários relacionados aos produtos.

A orientação da Anvisa é para que consumidores que possuam em casa produtos dos lotes especificados na Resolução 1.834/2026 interrompam imediatamente o uso e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para receber orientações sobre o recolhimento.

O órgão também determinou que vigilâncias sanitárias estaduais e municipais intensifiquem a fiscalização para impedir a circulação dos lotes afetados, em articulação com as ações coordenadas pelo SNVS.

A lista completa dos produtos e lotes atingidos pela decisão está disponível na edição desta quinta-feira (7) do Diário Oficial da União (DOU).

Somente os lotes que terminam com o número 1, dos produtos abaixo estão afetados.

        LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE

        LAVA LOUÇAS COM ENZIMAS ATIVAS YPÊ

        LAVA LOUÇAS YPÊ

        LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE

        LAVA LOUÇAS YPÊ TOQUE SUAVE

        LAVA-LOUÇAS CONCENTRADO YPÊ GREEN

        LAVA-LOUÇAS YPÊ CLEAR

        LAVA-LOUÇAS YPÊ GREEN

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COMBATE MAU ODOR

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO

        TIXAN YPÊ CUIDA DAS ROUPAS

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ ANTIBAC

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COCO E BAUNILHA

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ GREEN

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ EXPRESS

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ POWER ACT

        LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ PREMIUM

        LAVA ROUPAS TIXAN MACIEZ

        LAVA ROUPAS TIXAN PRIMAVERA

        DESINFETANTE BAK YPÊ

        DESINFETANTE DE USO GERAL ATOL

        DESINFETANTE PERFUMADO ATOL

        DESINFETANTE PINHO YPE

        LAVA ROUPAS TIXAN POWER ACT

<><> Posicionamento da Ypê

Em nota, a Ypê afirma que “possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”.

“A empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível. A Ypê reafirma seu compromisso com a qualidade, a segurança e a transparência e permanece à disposição da autoridade sanitária, da imprensa e dos consumidores para quaisquer esclarecimentos. Em caso de dúvidas adicionais, os consumidores podem entrar em contato via canais oficiais de atendimento: sac@ype.ind.br ou pelo telefone 0800 1300 544″, diz a empresa.

 

Fonte: Fórum


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