terça-feira, 12 de maio de 2026

Como ataques dos EUA no Caribe estão mudando as rotas do narcotráfico na região

Os ataques dos Estados Unidos contra barcos no Caribe começam a trazer efeitos visíveis, mas não necessariamente os desejados. Aparentemente, a quantidade de droga que sai diretamente da Venezuela teria diminuído. Mas especialistas alertam que o tráfico não está se reduzindo, mas sim sendo levado por outras rotas e métodos de mais difícil detecção. A Venezuela é um dos principais pontos de saída de cocaína da América do Sul há décadas. Isso se deve à sua posição geográfica estratégica e à sua proximidade, tanto dos países produtores como a Colômbia e o Peru, quanto dos grandes mercados consumidores nos Estados Unidos e na Europa.

Mas a recente intensificação das operações americanas no Caribe, com interceptações e até ataques a embarcações suspeitas de narcotráfico, aumentou significativamente o risco de operação no litoral venezuelano. E esta mudança está levando o tráfico para outros países da região, segundo os especialistas.

Em setembro de 2025, Washington reforçou sua presença naval no Caribe, sob o pretexto de lançar uma nova campanha contra o narcotráfico, liderada pelo Comando Sul dos Estados Unidos. Desde então, o exército americano realizou dezenas de ataques contra embarcações suspeitas, no mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Foram cerca de 45 operações registradas até março de 2026, que deixaram mais de 150 mortos.Os funcionários americanos apresentam estas ações como parte da luta antidrogas, mas alguns analistas destacam que elas também tiveram objetivos políticos.

As operações militares coincidiram com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o governo da Venezuela, que culminou em janeiro de 2026 com a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele foi deposto e levado para Nova York, nos EUA, para responder a acusações de prática de narcotráfico. Especialistas legais e organismos internacionais questionaram a legalidade destas operações. Eles destacam que as ações americanas podem ter violado normas do direito internacional e constituir uso extrajudicial da força.

Mesmo com esta campanha agressiva, o diretor do programa de supervisão de defesa do Escritório de Washington para a América Latina, Adam Isacson, afirma que o fluxo de drogas para os Estados Unidos não diminuiu. Na verdade, ele declarou que os dados fornecidos pelas autoridades de fronteira americanas demonstram que, nos sete meses que se passaram desde o início dos ataques às lanchas, foi detectada uma quantidade ligeiramente maior de cocaína que nos sete meses anteriores. "Isso significa que a cocaína está chegando aos Estados Unidos, independentemente dos ataques", afirmou ele à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC). "O fato de que o Comando Sul tenha destruído diversas embarcações nos últimos meses parece indicar que eles continuam observando quase o mesmo nível de tráfico por esta via do que antes. Não estamos observando uma redução real, mas sim, provavelmente, menos visibilidade, devido à mudança de táticas", explica Isacson.

<><> Outras rotas

O pesquisador Alex Papadovassilakis, jornalista da organização InSight Crime, afirma que, no momento, não há evidências de que o fluxo de cocaína no Caribe tenha sido reduzido. "Não observamos nenhuma prova de redução sustentada do transporte de cocaína através da região como um todo", declarou ele à BBC.

A equipe da InSight Crime consultou fontes em países importantes de trânsito da droga, como a Venezuela, República Dominicana, Trinidad e Tobago e várias ilhas do Caribe, para analisar o impacto das operações americanas. A partir deste trabalho, iniciado após o primeiro ataque americano no início de setembro, eles concluíram que o impacto existe, mas é limitado e muito localizado.

Os ataques se concentraram principalmente em lanchas rápidas, que operam no corredor marítimo entre a Venezuela e as ilhas próximas. E a possibilidade de um ataque letal, sem dúvida, representa um novo fator de dissuasão para os traficantes, aumentando o risco de uso deste método naquela rota específica. Mas Papadovassilakis alerta que o narcotráfico não depende de uma única via e afirma que há indícios que apontam mais para um deslocamento do que para uma interrupção do tráfico. "Uma das coisas que vimos desde que começaram os ataques é que houve um aumento de voos não registrados se dirigindo para leste, através do espaço aéreo da Guiana", explica ele. "Isso poderia indicar um aumento dos voos com drogas que saem da Venezuela e se dirigem para a Guiana, Suriname ou Brasil, que é uma rota de saída comum para os carregamentos de cocaína com destino à Europa."

Papadovassilakis afirma que outro foco no qual se observou aumento do tráfico é a Amazônia, entre a Colômbia e a Venezuela. Trata-se de uma região com extensa rede de rios e densa vegetação, o que transforma a floresta em um corredor ideal para o transporte de drogas de forma discreta. "Se atacarmos uma única forma de transporte em uma rota específica, é possível fechar uma porta", afirma ele. "Mas ficam abertas muitas outras portas, que as redes criminosas podem explorar simplesmente desviando as remessas por outros caminhos."

O pesquisador também destaca que, mesmo antes do início dos ataques americanos no Caribe, a maior parte da droga que chegava aos Estados Unidos já transitava pelo Pacífico, não pelo Caribe. E grande parte desse tráfico é transportado em contêineres dentro de navios comerciais, um método que não foi afetado pelas operações americanas.

<><> Diversificação de táticas

Mas a mudança não é apenas geográfica. Foi preciso também diversificar as táticas.

Adam Isacson, do Escritório de Washington para a América Latina, afirma que os narcotraficantes possivelmente estão empregando uma quantidade maior de pequenas embarcações, fazendo paradas ao longo da costa em países centro-americanos, como a Costa Rica. "Eles também podem ter aumentado o uso de contêineres de carga, como os utilizados para transportar a droga em direção à Europa, bem como de rotas terrestres", explica Isacson. "Eles podem estar usando mais narcossubmarinos semissubmersíveis, torpedos operados por drones e até aeronaves."

Os narcossubmarinos são veículos semissubmersíveis que ficam pouco abaixo da superfície da água e permitem o transporte de toneladas de drogas a longa distância, com menos risco de interceptação. Este tipo de embarcação costuma ser utilizado para tentar transportar cocaína através do Oceano Atlântico, a partir da América do Sul. Ela se consolidou como alternativa às lanchas rápidas.

Mas Isacson destaca que o método mais comum ainda é o conhecido em inglês como rip-on/rip-off. Nele, a cocaína é colocada nos contêineres depois de passar pelos controles de segurança dos portos e retirada pouco antes de chegar ao seu destino. Isso permite que as redes criminosas evitem a detecção da droga, sem precisar recorrer a técnicas mais complexas. Ainda assim, ele explica que os grupos criminosos estão fazendo cada vez mais experiências com métodos químicos avançados, como cocaína camuflada em carregamentos legais, dissolvida em líquidos ou misturada com cimentos ou metais, que são de mais difícil detecção.

Para o analista do centro de estudos Atlantic Council, Geoff Ramsey, uma das principais dificuldades para avaliar o impacto das operações dos Estados Unidos no Caribe é a falta de dados sólidos. Mas ele concorda que a maior parte do narcotráfico continua se movendo através de carregamentos maiores e menos visíveis. "É difícil ter uma imagem completa do impacto destas operações, sem entender quanta cocaína está sendo transportada fora destas pequenas embarcações, especialmente no comércio marítimo tradicional", explica ele.

<><> 'Aplica pressão, mas não é a solução'

Os especialistas concordam que as operações no Caribe não estão atingindo o núcleo do narcotráfico. "Em última análise, trata-se mais de enviar uma mensagem do que deter totalmente o fluxo de drogas", destaca Ramsey.

Isacson vai mais além e descreve as operações americanas como "um incômodo menor" para as redes criminosas, que contam com margens suficientes para se adaptar, assumir maiores riscos e redirecionar seus embarques. A ênfase no Caribe também pode fazer com que rotas mais importantes sejam ignoradas.

Antes mesmo do início da campanha, apenas cerca de 20% da cocaína com destino aos Estados Unidos transitavam por aquela região, enquanto a maior parte seguia pelo Pacífico. "Isso aplica pressão, mas não é a solução", resume Isacson, citando autoridades militares americanas. A longo prazo, ambos concordam que o problema é estrutural e exige outro tipo de resposta.

Ramsey indica a necessidade de reforçar os controles sobre o comércio marítimo e a cooperação internacional, enquanto Isacson situa o foco na corrupção. Para ele, "o narcotráfico prospera graças à cumplicidade não investigada, nem punida, entre os funcionários [públicos] e as redes criminosas". Ele destaca ainda que, em países como a Venezuela, existem pontos fundamentais, como estradas, rios e zonas de trânsito, que poderiam ser controlados, mas o conluio entre funcionários e as redes criminosas facilita a passagem da droga. Sem abordar estes fatores, as rotas poderão mudar, mas o fluxo dificilmente será detido, segundo os especialistas.

¨      Por onde viaja a droga da América Latina para os EUA

"Se as pessoas quiserem deixar de ver as narcolanchas explodirem, elas devem deixar de enviar drogas para os Estados Unidos."

Esta foi a mensagem do secretário de Estado americano e assessor de segurança nacional, Marco Rubio,  quando as forças americanas estenderam para o Pacífico suas operações contra embarcações supostamente carregadas de narcóticos.

Trump e funcionários do seu governo justificam os ataques como uma medida necessária para combater os cartéis, considerados por eles como "organizações terroristas", com quem afirmam travar um "conflito armado".

Os ataques foram realizados sem aprovação do Congresso americano. Eles geraram condenação na região, e especialistas em direitos humanos designados pelas Nações Unidas (ONU) questionaram sua legalidade. Eles chegaram a qualificar os ataques como "execuções extrajudiciais". Mas o governo americano já adiantou que não pretende mudar sua estratégia.

"Os ataques continuarão, dia após dia, pois eles não são simplesmente narcotraficantes. São narcoterroristas que trazem a morte e a destruição para nossas cidades", declarou Hegseth, após um dos bombardeios mais recentes. Ele não ofereceu evidências nem detalhes a respeito.

Analistas afirmam que a droga mais letal presente nos Estados Unidos — o fentanil, um potente opioide sintético — é produzida no México e contrabandeada pela fronteira terrestre entre os dois países. Por isso, muitos se questionam sobre qual seria o real objetivo das operações dos Estados Unidos em alto-mar.

De qualquer forma, de quais países da América Latina e por quais rotas chegam as drogas aos Estados Unidos?

<><> Cocaína da América do Sul

Os especialistas afirmam que os itinerários e as modalidades de transporte dependem de cada narcótico.

As diversas substâncias variam desde o fentanil, as metanfetaminas e a maconha, passando pela heroína, até a cocaína. Elas se originam em diversos países e seguem rotas diferentes. Mas a maioria acaba ingressando nos Estados Unidos através da sua fronteira com o México.

Em relação ao tráfico de drogas provenientes da América do Sul para o mercado americano, é particularmente preocupante a cocaína, destacou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o pesquisador Antoine Vella, do Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC, na sigla em inglês).

Mas ele destaca que, além da cocaína, existem outras substâncias que não podem ser totalmente excluídas. Vella também trabalha como diretor da Seção de Dados, Análises e Estatística do UNODC.

Quase toda a cocaína consumida não só nos Estados Unidos, mas também no resto do mundo, é produzida em três países andinos, onde é cultivada a folha de coca: Colômbia, Peru e Bolívia.

"A folha de coca é predominantemente processada em laboratórios nesses três países, para ser transformada no produto de consumo (principalmente cloridrato de cocaína) ou, às vezes, em produtos intermediários, já que algumas partes do processo também podem ser realizadas em uma etapa posterior da cadeia de tráfico internacional", explica ele. Dali, ela se dirige para diversos mercados, geralmente de forma indireta, depois de transitar por um ou mais países.

Das nações produtoras, a droga pode cruzar primeiramente os países limítrofes, como o Equador ou a Venezuela, e depois ser transportada por algum tipo de embarcação (como lanchas rápidas, botes pesqueiros ou semissubmersíveis) para o litoral da América Central ou diretamente para o México, seja pelo Pacífico ou pelo Caribe. De lá, ela segue por terra em direção ao norte. O banco de dados do governo americano inclui as apreensões e o contrabando detectado.

Estimativas da DEA indicam que a grande maioria da cocaína dirigida aos Estados Unidos passa pelo Pacífico.

  • Por ali, transitaram cerca de 74% dos embarques dirigidos aos EUA em 2019.
  • E apenas 16% seguiram pelo Caribe ocidental, onde foi registrada a maior parte dos ataques americanos às supostas narcolanchas, segundo a Avaliação Nacional das Ameaças de Droga 2020.

A BBC News Mundo entrou em contato com a DEA para solicitar dados atualizados. Mas uma mensagem automática indicou que, enquanto durar a atual interrupção das dotações orçamentárias (o fechamento do governo americano), as funções da agência antidrogas estarão limitadas à segurança nacional, às violações às leis federais e às tarefas essenciais da segurança pública. A solicitação de informações recentes enviada pela BBC à Força-Tarefa Interagências Conjunta do Comando Sul (um dos 10 comandos do Departamento de Defesa americano, cuja jurisdição compreende os países latino-americanos, exceto o México) recebeu resposta similar.

Mas as especialistas consultadas pela BBC News Mundo concordam que os percentuais mencionados acima ainda estariam vigentes.

"Estamos falando de mercados ilícitos e, por isso, tudo o que temos são estimativas com base nos confiscos", declarou a analista Elizabeth Dickinson, do International Crisis Group. "Mas, com base no número de apreensões, dados oficiais e conversas com forças de segurança regionais, tudo indica que o Pacífico seja a rota dominante."

O Centro Internacional de Pesquisa e Análises contra o Narcotráfico Marítimo (CIMCON, na sigla em espanhol) chegou a uma conclusão similar. "Nos últimos cinco anos, o Pacífico se consolidou como uma das principais rotas de saída da cocaína produzida na Colômbia, no Peru e na Bolívia", destaca a organização.

Com sede em Cartagena, na Colômbia, o CIMCON faz parte da marinha colombiana, mas conta com pesquisadores e autoridades navais de outras nações, como Brasil, México, Equador e Holanda.

As apreensões de cocaína informadas pelo organismo na região do Pacífico entre 2020 e 2024 somam cerca de 1,5 mil toneladas. "A apreensão de drogas na região aumentou significativamente, especialmente no Equador, onde se registrou um crescimento de 380% das apreensões marítimas. Este aumento indica aumento do tráfico de drogas e maior eficácia das operações de interdição", segundo um relatório recente do organismo.

<><> O Caribe e o 'efeito bexiga'

Atualmente, o Caribe não é a mesma rota predominante da década de 1980, quando os cartéis colombianos traficavam a droga para o sul da Flórida.

Mas sua relevância não deve ser subestimada, segundo a professora Lilian Bobea, da Universidade Estadual de Fitchburg, no Estado americano de Massachusetts. Suas linhas de investigação incluem a indústria da droga, especialmente na região do Caribe. "A República Dominicana sempre foi um ponto importante do narcotráfico, através da região caribenha, bem como Porto Rico", explica ela. "E, na última década ou nos últimos 15 anos, os países insulares menores, como Trinidad e Tobago ou Curaçao, também se incorporaram à rota europeia e para os Estados Unidos."

Hoje, a maior pressão dos Estados Unidos sobre o México para combater o narcotráfico na fronteira, ao lado do aumento da produção e do consumo, "está revitalizando o Caribe", explica a professora.

Bobea chama o fenômeno de "efeito bexiga", ou balão: "Você aperta por um lado e o ar vai para o outro. Isso descreve muito bem o mecanismo das rotas."

  • Com mais de 3.708 toneladas, a produção estimada de cocaína em todo o mundo atingiu novo recorde em 2023.
  • Os dados mais recentes, incluídos no Relatório Mundial de Drogas 2025, publicado pelo UNDOC, indicam que os níveis cresceram em pouco mais de um terço (34%) em relação ao ano anterior.

Segundo a mesma fonte, o número de consumidores de cocaína no planeta também continua aumentando.

Estima-se que 25 milhões de pessoas tenham consumido a droga em 2023, contra 17 milhões em 2013. A América do Norte, a Europa ocidental e a América Central e do Sul continuam sendo os maiores mercados.

Tendo em vista o consumidor americano, os traficantes também transportam cocaína, embora em menor quantidade, por meio de voos clandestinos, principalmente para o México e a América Central.

Com sua fronteira com a Colômbia, o maior produtor de cocaína do mundo, a Venezuela é um ponto de partida para estes voos, segundo dados coletados pelo UNODC no seu Relatório Mundial de Drogas 2025.

Como ocorre com outras modalidades, quando a cocaína chega ao México ou à América Central por via aérea, a maior parte da droga é transportada para o norte por terra e entra nos Estados Unidos pela fronteira terrestre. E, em muitos casos, pelos portões de entrada oficiais.

<><> Fentanil, do México

Os especialistas concordam que o fentanil (relacionado a uma "epidemia de overdose" nos Estados Unidos) não viaja por nenhuma dessas rotas da cocaína.

Este tipo de morte diminuiu em 27% entre 2023 e 2024, atingindo o menor nível em cinco anos. E a queda foi de 37% nos casos relacionados especificamente ao consumo do opioide sintético. Mas o fentanil continua sendo o principal causador deste tipo de morte.

Em 2024, o fentanil levou 48,4 mil pessoas à morte por overdose nos EUA. Este número representa cerca de 60% do total, segundo dados recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). "Não temos evidência de que a cadeia de fornecimento do fentanil ilícito envolva significativamente a América do Sul", segundo Vella.

Utilizado também na medicina e na veterinária, existe um percentual muito menor de fentanil nos mercados ilegítimos, desviado da cadeia de abastecimento legal.

A DEA, o Departamento de Justiça e o serviço de Investigação do Congresso indicam que o fentanil ilícito é produzido quase totalmente no México, com matéria-prima importada de países da Ásia, incluindo a China. E os cartéis mexicanos controlam tanto a matéria-prima quanto o tráfico da droga.

Mas, ao anunciar o ataque no Caribe contra um submarino no qual morreram duas pessoas, Trump escreveu na sua rede TruthSocial que "a inteligência americana confirmou que o navio era carregado principalmente com fentanil e outras drogas ilegais". O presidente americano acrescentou que a operação "evitou a morte por overdose de 25 mil americanos". "Eles deveriam oferecer as evidências, se é que as têm. Nós nunca as vimos", declarou Elizabeth Dickinson a respeito.

 

Fonte: BBC News Mundo

 

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