André
Barroso: Trump ladra mas não morde
Por que
o mundo não pode trazer momentos como trazidos pela sonda Artemis 2? Estamos
vendo pela primeira vez, imagens impressionantes em ultra-mega- alta definição,
trazendo cores, crateras e com precisão nunca vistas. Passaram-se 65 anos em
que Yuri Gagarin disse que a Terra era azul e a tripulação da Artemis 2 que
declarou: 'Vocês são lindos aqui de cima!'. Seria uma frase perfeita se não
fosse os tons de cinza que a guerra do Irã está manchando nosso planeta. E
agora temos um novo ingrediente com a declaração chocante de Trump: "uma
civilização inteira vai morrer esta noite".
Tal
qual a "Profecia" de 1939, onde o discurso de Hitler ao Reichstag em
30 de janeiro de 1939, onde afirmou que causaria o "extermínio da raça
judaica na Europa", o presidente americano deu um ultimato ao Irã em
resposta aos contínuos fracassos de sua ofensiva ao país persa. Mas ao
contrário de Adolf Hitler que declarou explicitamente em diversas ocasiões que
iria exterminar um povo, Trump muitas vezes fala e pode recuar. Temos que
lembrar que o racismo nazista e o antissemitismo fascista levaram ao assassinato
em massa e ao genocídio. Temos no momento um presidente americano que é uma
representação supremacista do racismo. Tudo começa com a criação desde da sua
infância com um pai que participou da Ku Klux Klan, passando por acusações nos
anos 80 por funcionários de seus cassinos mostrando que funcionários negros
eram afastados da área principal para evitar que fossem vistos.
O único
país que detonou uma bomba atômica na história foi os Estados Unidos. Para
mostrar superioridade, os americanos mataram entre 110 mil e mais de 210 mil
pessoas em Hiroshima e Nagasaki. Até agora, as forças militares atacaram a Ilha
Kharg, que é um polo estratégico de escoamento de petróleo do Irã. E sabemos
também que Trump deixa claro para o mundo que não precisa de nenhum apoio e que
pode fazer o que quiser mesmo atacar pontes e centrais de energia que é
considerado pela OTAN, crime de guerra internacional. Por outro lado, o
Irã convocou a população para formar correntes humanas para proteger usinas de
energia, que tem resposta imediata de todos onde “milhões estão prontos para se
sacrificar”.
E todos
sabem onde esse genocídio a partir de uma bomba atômica pode levar, para além
dos efeitos imediatos e destruição local e extermínio de uma civilização. Com a
capacidade elevada das bombas atuais, teríamos o inverno nuclear causando uma
queda drástica na temperatura global por até uma década. Destruição da camada
de ozônio e queda na produção de alimentos e água.
Como
seria o dia depois do extermínio? , Trump vê sua popularidade caindo a níveis
mais baixos já registrados, manifestações na maioria dos Estados, e a nota do
Tesouro Americano falando que o país está insolvente, com checagem do U.S.
Government Accountability Office (U.S. GAO). Os Estados Unidos tem ativos
de seis trilhões de dólares com dívida de 47,8 trilhões de dólares. A ameaça
dos arquivos Epstein paira sobre o presidente americano, eleitores americanos
insatisfeitos com o governo, inflação acachapante e a real possibilidade da
extrema direita perder de forma vexatória as cadeiras que apoiam as diretrizes
imperialistas. Se de um lado a ameaça for vazia, Trump se afunda cada vez mais
e nenhuma narrativa irá ajuda-lo e cumprindo a promessa obliterando uma
civilização, a ONU convocaria uma reunião de emergência condenando a ação e
isolando o país do mundo. Provavelmente Rússia e China entrariam no conflito,
todos os países correriam para desenvolver sua própria arma atômica, colapsando
a economia mundial de vez. Fora a tensão anti-americana que é grande no
oriente, se tornaria muito maior com uma consequência desse porte.
A
verdade é que mesmo sendo louco e inconsequente, Trump dificilmente acabaria
com o planeta por vaidade, pois assessores militares seriam mais inteligentes.
A realidade é que vão estender as conversas. De longe, todas as conversas são
mais interessantes nesse momento. Claro, até chegarmos perto, quando então
passam a não ser. Enfim, pequenas considerações desencantadas sobre nada, um
futuro negro, o fim. Ou apenas, o fim dos Estados Unidos como conhecemos. No
fim, o Irã mais uma vez, tem a melhor estratégia e vence mais um round.
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Trump: o narcisista que ameaça e recua. Por Renata
Medeiros
Donald
Trump volta e meia ensaia falar como imperador, mas governa como alguém que
precisa recuar antes que a própria encenação o engula. Quando ameaça “acabar
com a civilização persa”, não estamos diante de uma frase qualquer. Trata-se de
uma enunciação que rompe o campo mínimo da legalidade internacional e desloca o
conflito do plano político para o da aniquilação simbólica.
Não é
força — é estrutura. Trump não “flerta” com o crime de guerra: ele o enuncia
com a naturalidade de quem não reconhece limite simbólico algum. Ao eleger uma
civilização inteira como alvo, abandona qualquer racionalidade estratégica e
passa a operar num registro em que o outro deixa de ser adversário para se
tornar um bloco a ser eliminado. Isso já não é geopolítica no sentido clássico;
é sua distorção.
É aqui
que a leitura psicanalítica ilumina o movimento. No registro lacaniano, a
paranoia não se define pelo medo, mas pela certeza. O sujeito paranoico não
hesita, não negocia, não relativiza: ele sabe. E é essa certeza que sustenta a
construção de um inimigo absoluto, sem fissura, sem mediação possível. A
ameaça, portanto, não é tática — é expressão de uma posição subjetiva que
prescinde do simbólico e autoriza, no limite, a violência total.
O
narcisismo, nesse contexto, não é traço superficial, mas fechamento estrutural.
O presidente norte-americano fala como quem ocupa o lugar da verdade, não como
quem disputa sentido no campo político. Quando esse lugar se articula ao poder
de Estado, o discurso deixa de ser apenas performático: passa a tensionar,
ainda que de forma instável, os próprios limites da ordem internacional.
E, no
entanto, como já virou padrão, o gesto não se sustenta. Trump ameaça como quem
testa limites — internos e externos — e recua quando esses limites respondem.
Não por prudência ética, mas por cálculo, pressão institucional ou risco
político.
Mas o
recuo não apaga o que foi dito. Ao contrário, deixa um rastro: desloca o
aceitável, banaliza o extremo e introduz, no campo geopolítico, a possibilidade
discursiva da eliminação total como se fosse apenas mais uma carta na mesa.
No fim,
o “César” que se anuncia na retórica não se confirma na ação. Fica o teatro de
poder — grandioso na fala, vacilante na execução — e um mundo que precisa
absorver, mais uma vez, o impacto dessas investidas. Não como exceção, mas como
sintoma.
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Farinazzo: Trump está tentando “sair de fininho” da
guerra contra o Irã
Na
noite de terça-feira, 7 de maio, em meio a tensões crescentes no Oriente Médio
e após ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de dizimar a civilização
iraniana, o comandante Robson Farinazzo, atualmente na reserva da Marinha,
concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Luís Nassif, no programa TVGGN
20 Horas, no Youtube [assista abaixo]. A entrevista ocorreu no mesmo dia em que
Trump recuou de suas ameaças e um cessar-fogo de duas semanas foi anunciado.
Farinazzo ofereceu uma análise contundente sobre o andamento da guerra,
destacando a capacidade de engenharia do Irã e a percepção de um erro de
cálculo por parte dos Estados Unidos.
Farinazzo
elogiou a capacidade de engenharia do Irã, afirmando que o país forma mais
engenheiros que o Brasil e possui uma “pujança de engenharia” que remonta à
antiguidade, com a invenção de sistemas de ar-condicionado e técnicas de
engenharia que utilizavam a diversidade ambiental para aquecer ou resfriar
ambientes. Ele ressaltou que essa tradição se reflete na atual produção de
drones e mísseis, classificando o poderio iraniano neste setor como a melhor do
Oriente Médio, comparável ao da Rússia e da China em muitos aspectos.
O
comandante criticou a postura dos Estados Unidos, afirmando que “os Estados
Unidos achou que estava estava guerreando com os cabeça de trapo e não é nada
disso. Eles [militares iranianos] deram um baile, deram uma surra nos Estados
Unidos”. Ele atribuiu o que considera um “erro de informação tão brutal” ao
“orgulho americano”, sua “mania de enxergar o mundo como inferior”, que,
segundo ele, levou os EUA ao desastre. Farinazzo lembrou que Trump acreditava
em uma campanha de dois dias, que durou 40, e que, se ele aceitar as condições
do Irã, o Irã terá “ganho essa guerra”.
Farinazzo
traçou um paralelo histórico com uma frase de Adolf Hitler antes da invasão da
União Soviética em 1941, onde ele acreditava que “basta um pontapé na porta que
todo o resto do edifício podre vai ruir”, mas que, de fato, “ruiu em cima
dele”. Ele sugeriu que Trump está “saindo de fininho” da situação, pois aceitar
os termos impostos pelo Irã significaria o controle iraniano do Estreito de
Ormuz, a manutenção do programa nuclear e o apoio a grupos como o Hezbollah e
os Houthis.
A
INCÓGNITA
Diante
do potencial desastre do papel americano na guerra contra o Irã, o comandante
expressou preocupação com a situação de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro
de Israel, que, segundo ele, ficará com a “bomba na mão”, atolado no Líbano e
incapaz de colocar o Irã de joelhos, caso perca o apoio dos EUA. Ele descreveu
o sistema de defesa aérea israelense como em “pré-colapso”, afirmando que o
Iron Dome, projetado para conter foguetes do Hezbollah e do Hamas, não estava
preparado para a “enxurrada de mísseis que o Irã criou”.
Sobre a
capacidade de reposição de mísseis do Irã, Farinazzo destacou o grande estoque
de perclorato de sódio, essencial para combustível de foguetes, e a chegada de
mais navios com o material para abastecer o Irã. Ele também mencionou a
existência de uma fábrica de drones no Irã, que produz drones no padrão
desejado pelo país, e outra fábrica na Belarus. Embora a Coreia do Sul negue,
Farinazzo expressou dúvidas sobre a ausência de fornecimento de drones pela
Coreia do Norte. Ele concluiu com a frase “enquanto tiver bambu, tem flecha”,
sugerindo a resiliência e a capacidade de produção do Irã.
Robinson
Farinazzo Casal (nascido em 26 de abril de 1966 em Catanduva, São Paulo) é
capitão de fragata (fuzileiro naval) da reserva da Marinha do Brasil, Youtuber,
político e comentarista geopolítico. Como militar, especializou-se em cursos
técnicos de aeronáutica, foi piloto de aviões e Chefe do Departamento de
Aviação da Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha por 8 anos consecutivos.
Atualmente, atua na reserva da Marinha do Brasil como consultor, palestrante,
seminarista e escritor de textos. É autor do livro “As Leis de Sucesso
dos Pilotos de Guerra”, publicado na editora da Amazon, em 2016.
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"Guerra do fim do mundo", Trump e a estética do
caos. Por Gustavo Tapioca
A
diplomacia global atravessa o seu momento mais dramático desde o fim da Segunda
Guerra Mundial, e o palco não poderia ser mais simbólico: as salas de reuniões
do Pentágono. Relatos recentes revelam que o governo de Donald Trump teria
ameaçado o Papa Leão XIV durante uma reunião de altíssima tensão com o enviado
do Vaticano, o cardeal Christophe Pierre.
A
mensagem foi direta e brutal: "Os Estados Unidos têm o poder militar para
fazer o que quiserem no mundo. É melhor a Igreja Católica estar do nosso
lado".
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O
episódio é a síntese perfeita do que William Shakespeare imortalizou em Hamlet:
"Ainda que seja loucura, há nela um método". O que o mundo testemunha
na chamada "Guerra do Fim do Mundo" — o conflito direto entre
Washington, Tel Aviv e Teerã que ameaça incendiar o Oriente Médio neste abril
de 2026 — não é apenas um surto de impulsividade.
É a
aplicação definitiva da "Teoria do Louco" (Madman Theory) como
ferramenta de coerção absoluta, voltada agora não apenas contra adversários
geopolíticos, mas contra a própria autoridade moral da Santa Sé.
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O estelionato da trégua: sangue no Líbano
O
limite entre a estratégia de choque e a barbárie gratuita foi rompido de forma
trágica nesta semana. Após aceitar publicamente uma trégua de duas semanas — um
acordo que trouxe um breve respiro ao mercado de energia e às populações civis
— o governo Trump recuou em menos de 24 horas.
O
"sinal verde" implícito de Washington resultou em um bombardeio
devastador de Israel contra o Líbano, vitimando cerca de 300 pessoas em um
único dia.
Esse
recuo vergonhoso levanta uma questão central para a estabilidade global: existe
realmente um "método" ou estamos diante de uma presidência que sabota
a própria palavra em nome do caos perpétuo?
Para as
famílias das vítimas em Beirute e no sul do Líbano, a imprevisibilidade
americana não é uma tática de negociação brilhante; é uma sentença de morte
executada sob o manto do estelionato diplomático.
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O diagnóstico de Jeffrey Sachs: o abismo econômico
O
renomado economista Jeffrey Sachs tem sido uma das vozes mais contundentes ao
desconstruir a aura de "estrategista" que alguns tentam atribuir a
Trump. Para Sachs, não há método benéfico no que está ocorrendo, apenas
"insanidade econômica e geopolítica".
Ele
alerta que jogar com o "fim do mundo" em uma região que controla 20%
do fluxo de petróleo mundial é um convite ao colapso do sistema financeiro
ocidental.
Sachs,
em sintonia com especialistas em saúde mental como a Dra. Bandy X. Lee, sugere
que o sistema internacional está cometendo o erro de "sanewashing"
— tentando encontrar lógica em comportamentos que seriam clinicamente descritos
como narcisismo maligno.
Para
esses analistas, a ameaça ao Papa e a traição da trégua libanesa são sintomas
de uma mente que não processa consequências históricas, focando apenas na
gratificação imediata de projetar poder bruto.
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Trump pode sofrer impeachment?
Diante
da quebra de acordos e das ameaças a Estados soberanos, a pergunta ecoa nos
corredores do Capitólio: há espaço para o impeachment? Juridicamente, o cenário
é complexo. A Constituição dos EUA exige "crimes e contravenções
graves", e a política externa costuma ser protegida pela
discricionariedade presidencial.
No
entanto, o uso do aparato militar para coagir líderes religiosos e o incentivo
a massacres após a promessa de cessar-fogo abrem flancos para acusações de
abuso de autoridade e violação de leis internacionais incorporadas ao direito
doméstico. O entrave, como sempre, é o cálculo político de um Congresso
polarizado.
Para
muitos em Washington, apenas um choque econômico derivado da guerra teria o
poder de transformar a "loucura" em um passaporte para a destituição.
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O Itamaraty e o grito pela racionalidade
Nesse
cenário de "métodos" sanguinários, a posição do governo brasileiro
surge como um raro porto de sanidade. Em nota oficial, o Itamaraty saudou o
cessar-fogo, mas cobrou sua ampliação imediata para o Líbano e o fim das
declarações incendiárias.
Para o
Brasil, a estabilidade do Estreito de Ormuz não é apenas uma preocupação
geopolítica, mas uma questão de segurança alimentar e social.
A
diplomacia nacional, fiel à sua tradição, defende que o único método viável
para a sobrevivência da civilização é o diálogo soberano e o respeito à
integridade dos povos, contrastando frontalmente com a política de traições
vinda da Casa Branca.
<><>O
palco de sangue em 2026
Na
tragédia de Shakespeare, a loucura de Hamlet termina com o palco repleto de
corpos e o reino de Elsinore em ruínas. Em 2026, o risco é de que a história se
repita em escala global.
O
impacto desta era será medido pela nossa capacidade de distinguir entre a
estratégia de um estadista e os delírios de quem usa a guerra como espetáculo.
O
desfecho da "Guerra do Fim do Mundo" definirá se o sistema
internacional sobreviverá a este modelo de governança pelo choque ou se seremos
todos figurantes em uma peça que não conhece o momento de baixar as cortinas.
Fonte:
Brasil 247/Jornal GGN

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