quarta-feira, 31 de maio de 2023

Canibalismo dos Tupinambás: prática peculiar utilizada em seus rituais

Entre as tribos indígenas que viviam no Brasil na época do início da colonização portuguesa, no século XVI, os tupinambás ficaram conhecidos amplamente por uma característica peculiar: a antropofagia, isto é, o ato de comer carne humana, também denominado canibalismo. É certo que os tupinambás não eram os únicos a exercer tal prática, mas em razão sobretudo dos relatos de alguns viajantes europeus que presenciaram os rituais de canibalismo dessa tribo, sua fama correu o mundo.

O principal relato escrito sobre o canibalismo dos tupinambás é de autoria do aventureiro alemão Hans Staden (1525-1579) e está registrado na obra Duas Viagens para o Brasil, publicada em 1557. Esse relato circulou amplamente entre os círculos letrados da Europa por várias décadas, o que contribuiu para a composição de um imaginário exótico do chamado “Novo Mundo”.

Outro europeu que se dedicou a refletir sobre o canibalismo dos índios brasileiros foi o filósofo francês Michel de Montaigne (1533-1592), inventor do gênero de escrita chamado ensaio. Montaigne escreveu o ensaio intitulado “Dos Canibais” para pensar a própria forma de organização da civilização europeia de sua época (século XVI) em contraste com a tribo primitiva dos tupinambás. Sem contar que tanto Montaigne quanto várias multidões de pessoas do século XVI tiveram a oportunidade de ver índios tupinambás em cidades como Lisboa e Paris. Eles haviam sido capturados no Brasil e para lá conduzidos a fim de acrescentar uma “mostra exótica” à corte dos monarcas europeus.

A prática do canibalismo entre as tribos indígenas brasileiras é interpretada por antropólogos e historiadores sobre vários ângulos. Primeiramente, deve-se destacar que o canibalismo tupinambá é caracterizado como “exocanibalismo”, isto é, essa tribo não devorava membros de sua própria comunidade, mas buscava em outras tribos rivais o seu “alimento”. Geralmente os homens canibalizados eram guerreiros capturados em batalhas. O corpo desses rivais era comido em cerimônias com presença de dança e outros elementos ritualísticos. O canibalismo, na maioria dos casos, possuía algum fundamento mítico que o legitimava, como a necessidade de espantar a violência do grupo, da comunidade, através do sacrifício de membros de fora dela.

Na década de 1920, vale acrescentar que o poeta, polemista e filósofo Oswald de Andrade, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, publicou o “Manifesto Antropófago”, um dos textos-base do Modernismo artístico brasileiro, no qual evocou a ideia dos índios canibais brasileiros, dando a ela um sentido estético que serviu como marca da capacidade da cultura brasileira de absorver outras culturas e tradições e imprimir nelas sua própria marca.

 

Fonte: Por Cláudio Fernandes, em História do Mundo

 

Tratamento com sanguessugas: para que serve?

O tratamento com sanguessugas, também conhecido como hirudoterapia, é uma técnica médica que foi comumente utilizada na Idade Média. Ele consiste no uso de sanguessugas para a extração de sangue de uma área específica do organismo do paciente. 

Datada de 1500 a.C., a prática era usada para tratar anormalidades do sistema nervoso, problemas dentários, doenças de pele e infecções. No entanto, em dias atuais, é usado, principalmente, em cirurgias plásticas e outras microcirurgias, uma vez que as sanguessugas possuem uma propriedade que impede a formação de coágulos no sangue. 

Em geral, o tratamento com sanguessugas é feito porque esses animais ajudam a melhorar o fluxo sanguíneo para regiões onde ele diminuiu ou parou, evitando a morte do tecido.

·         Como funciona o tratamento com sanguessugas?

A espécie de sanguessuga usada na área medicinal (Hirudo medicinalis) possui três mandíbulas com pequenas fileiras de dentes. No tratamento, ela é posicionada na área a ser tratada e fura a pele do paciente, administrando anticoagulantes através da saliva. Isso melhora a circulação e previne a morte dos tecidos.

Assim, os animais são capazes de chupar o sangue da pessoa em tratamento por cerca de 20 a 45 minutos por vez. Esse tipo de verme é capaz de inchar cinco a dez vezes o seu peso corporal quando cheias de sangue. Porém, durante a terapia, o volume retirado contabiliza apenas uma pequena porção de sangue extraído, até 15 mililitros por sanguessuga.

Durante a extração, os animais liberam uma gama de compostos ativos, incluindo: 

  • Anestesia local: reduz a dor durante o tratamento; 
  • Vasodilatador local: estimula a circulação sanguínea entre os tecidos;
  • Substâncias anticoagulantes: certifica-se de que o sangue não coagula enquanto a sanguessuga se alimenta. Isso é uma resposta de uma enzima presente no organismo desses vermes chamada hirudina;
  • Inibidores da agregação plaquetária: impedem que as plaquetas grudem umas nas outras, como acontece durante a cicatrização de feridas.

<<<< Para que serve o tratamento com sanguessugas?

A terapia com sanguessugas pode ser feito como parte do tratamento de diversas condições de saúde, como: 

  • Pessoas que correm o risco de amputação de membros devido aos efeitos colaterais do diabetes;
  • Indivíduos diagnosticados com doenças cardiovasculares
  • Pacientes de cirurgias plásticas que correm o risco de perder alguns de seus tecidos moles no período pós-operatório;
  • Tratamento de coágulos sanguíneos e veias varicosas.

Além disso, acredita-se que o tratamento com sanguessugas pode oferecer benefícios em casos de: 

  • Enxaqueca;
  • Aterosclerose;
  • Alzheimer;
  • Infertilidade; 
  • Hepatite;
  • Cistite;
  • Sinusite;
  • Glaucoma; 
  • Insuficiência renal crônica;
  • Eczema;
  • Artrite;
  • Hipertensão;
  • Varizes;
  • Hemorroidas.

Seu uso foi iniciado na Idade Média, porém, as sanguessugas voltaram a ser utilizadas no contexto médico durante a década de 70. E, embora não seja comumente utilizado em dias atuais, o tratamento com sanguessugas ainda é indicado para diversas condições. 

“Apesar de todos os avanços técnicos da medicina moderna, em certas situações pós-cirúrgicas, ainda contamos com um dos organismos mais primitivos da natureza – a sanguessuga – para nos ajudar a alcançar um bom resultado”, disse o doutor Rod Rezaee, diretor de oncologia cirúrgica de cabeça e pescoço nos Hospitais Universitários em Shaker Heights, Ohio, em relato ao Daily Mail

Atualmente, esse tipo de terapia também é comumente utilizado em centros holísticos de saúde. Veja um vídeo (em inglês) sobre a prática:

·         Possíveis benefícios 

De acordo com uma pesquisa de 2004, existem diversas substâncias presentes na saliva das sanguessugas, incluindo cerca de 60 proteínas distintas que podem ser benéficas à saúde humana. De fato, um estudo descobriu que as sanguessugas podem melhorar a função arterial entre os idosos.

Adicionalmente, outras pesquisas pequenas sugerem que a saliva desses animais pode ser utilizada na prevenção de metástase de câncer e aliviar a dor relacionada ao câncer.

·         Efeitos colaterais e contraindicações

Ao todo, o tratamento com sanguessugas possui poucos efeitos colaterais. No entanto, existe um risco de infecção bacteriana. Portanto, pessoas imunocomprometidas por doenças autoimunes e fatores ambientais não são candidatas à terapia.

Além disso, é importante notar que a terapia não é uma prática vegana. Após o tratamento, as sanguessugas são mortas para evitar uma possível contaminação.

 

Fonte: ecycle

 

O que é a Unasul, que Lula quer 'reconstruir'

No discurso de abertura da reunião com os representantes dos países da América do Sul nesta terça-feira (30/5) em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou em "voltar a olhar coletivamente para a nossa região".

"Entendemos que a integração sul-americana é essencial para o fortalecimento da unidade da América Latina e do Caribe. Uma América do Sul forte, confiante e politicamente organizada amplia as possibilidades de afirmar, no plano internacional, uma verdadeira identidade latino-americana e caribenha", afirmou ele.

Lula também lembrou da criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em 2008 e disse que o órgão "permitiu que nos conhecêssemos melhor".

Após criticar a postura diplomática brasileira em anos mais recentes, afirmando que o país "optou pelo isolamento do mundo e do seu entorno", o presidente falou em "reavivar o compromisso com a integração sul-americana".

"A Unasul é um patrimônio coletivo. Lembremos que ela está em vigor. Sete países ainda são membros plenos. É importante retomar seu processo de construção", disse Lula.

O governo federal já havia anunciado em 7 de abril o retorno do Brasil à Unasul.

Na prática, Lula reverteu uma decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que em 2019, retirou o Brasil, oficialmente, da instituição.

Mas, afinal, o que é a Unasul e o que ela representa para a região?

•        Uma cúpula regional

A criação de um grupo que reunisse países da América do Sul começou a ser debatida em 2004, quando Lula estava em seu primeiro mandato. A Unasul só foi estabelecida, porém, quatro anos mais tarde, em 2008.

O grupo foi inicialmente formado por doze países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Sua sede fica em Quito, no Equador.

De acordo com o seu tratado de criação, a Unasul tem como objetivos criar um espaço de "integração e união no âmbito cultural, social, econômico e político" entre seus países-membros e "com com vistas a eliminar a desigualdade socioeconômica" existente na região.

A presidência do grupo é exercida por nomes indicados por seus países-membros em mandatos de um ano e trocados de forma rotativa seguindo a ordem alfabética dos nomes dos países.

Entre as atribuições do grupo está a realização de reuniões entre chefes-de-Estado para debater questões que possam afetar a estabilidade da região e criar mecanismos que aumentem a integração econômica, financeira, política e social dos países-membros.

Críticos, no entanto, argumentam que a Unasul tinha pouca efetividade e suas funções seriam pouco concretas e que alguns dos temas debatidos pelo grupo poderiam ser discutidos em outros fóruns já existentes.

Nos últimos anos, diversos países suspenderam suas participações na Unasul ou deixaram a instituição. Até o anúncio do retorno do Brasil, a Unasul contava com apenas cinco dos 12 integrantes originais: Bolívia, Guiana, Suriname, Venezuela e Peru, que está suspenso.

Em 2017, o grupo viveu um impasse depois que a Venezuela, com apoio da Bolívia, vetou o nome indicado pela Argentina para assumir a secretaria-geral da Unasul, paralisando, em parte, as atividades do organismo.

Em meio à controvérsia, Brasil, Peru, Paraguai, Colômbia e Chile anunciaram a suspensão de suas participações na Unasul em meio a disputas sobre os rumos da instituição, em abril de 2018.

O esvaziamento da Unasul aconteceu no mesmo momento em que houve uma mudança no perfil dos líderes de alguns dos países que compõem o grupo.

À época em que foi criado, parte significativa dos países que compunham o órgão era comandada por políticos de esquerda ou centro-esquerda como Lula (Brasil), Michelle Bachellet (Chile), Hugo Chávez (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador).

A partir de segunda metade da década do século 20, líderes de centro-esquerda foram substituídos por políticos de direita ou centro-direita.

Foi o caso, por exemplo, de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro, no Brasil, Maurício Macri, na Argentina e Sebastian Piñera, no Chile, em 2018.

Em 2019, foi a vez do Equador se retirar do grupo. A situação ficou ainda mais sensível depois que o então presidente do país, Lenín Moreno, pediu a devolução do prédio onde funcionava a sede da Unasul e anunciou que não faria mais nenhuma contribuição financeira à instituição.

Moreno era um político de centro-esquerda, mas era adversário político de seu antecessor, Rafael Correa, um dos fundadores da Unasul.

A saída oficial do Brasil da Unasul aconteceu em 2019, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro. Ele retirou o país do grupo e endossou a adesão do Brasil a um outro organismo, o Fórum para o Progresso da América do Sul (Prosul).

Ainda não está claro se, sob o governo Lula, o Brasil continuará a fazer parte do Prosul ou não.

•        Por que Lula decidiu colocar o Brasil de novo na Unasul?

O retorno do Brasil à Unasul segue a mesma linha da política externa dos dois primeiros governos do presidente Lula.

Nas últimas décadas, o petista frequentemente defendeu uma maior integração dos países sul-americanos como uma forma de trazer uma suposta autonomia da região em áreas como a economia, infraestrutura e estabilidade política.

Em seu discurso de posse no Congresso Nacional, em janeiro deste ano, Lula já havia dado indicações de que o Brasil poderia retornar à Unasul.

"Nosso protagonismo se concretizará pela retomada da integração sul-americana, a partir do Mercosul, da revitalização da Unasul e demais instâncias de articulação soberana da região", disse.

Durante seus dois primeiros mandatos, por exemplo, o Brasil e outros países da região lançaram projetos para intensificar a criação de projetos de infraestrutura na região como a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IRSAA).

No artigo "Autonomia, integração regional e política externa brasileira: Mercosul e Unasul", publicado em 2014, os professores e pesquisadores de Relações Internacionais Tullo Vigenani e Haroldo Ramanzini Júnior argumentam que o empenho do Brasil na formação da Unasul teria como um dos focos a criação de uma "polaridade sul-americana" que seja autônoma em relação a potências como os Estados Unidos.

"O forte interesse brasileiro na formação da Unasul indica uma nova forma de compreender o que seja autonomia na política externa. No período 1986-1999 prevalecia a ideia de que a integração alavancaria a projeção conjunta, no mundo, da Argentina e do Brasil. Hoje, anos 2010, alguns objetivos estratégicos do país conectam-se com a cooperação na América do Sul, entre eles o de uma polaridade sul-americana, não subalterna, autônoma mas não antagônica aos países centrais, particularmente aos Estados Unidos", escreveram os pesquisadores.

Os críticos da política externa do petista, no entanto, argumentam que a política externa do Brasil na época era marcada por um forte viés ideológico, uma vez que parte dos países da região eram comandados por líderes de esquerda.

"Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que foram submetidos nos últimos anos. O Brasil deixará de estar apartado das nações mais desenvolvidas", disse Bolsonaro em um dos seus pronunciamentos logo após sua vitória no segundo turno das eleições de 2018.

Além disso, há críticas sobre uma agenda marcada pela criação de fóruns multilaterais em um momento em que diversos países do mundo tentam dinamizar a integração regional a partir de acordos bilaterais.

A política externa de Bolsonaro, no entanto, também foi criticada justamente pelo seu suposto componente ideológico. Durante sua gestão, o presidente mostrou um alinhamento forte com os Estados Unidos enquanto o país era comandado pelo republicano Donald Trump, além de demonstrar e receber apoio de líderes de direita europeus como o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbn.

A expectativa nos meios diplomáticos, agora, é de que a eleição de novas lideranças alinhadas à centro-esquerda em países como o Brasil, Colômbia (com Gustavo Petro) e Chile (com Gabriel Boric) possa dar um novo impulso a iniciativas como a Unasul.

Antes de o Brasil anunciar o seu retorno, a Argentina, no final de março deste ano, já havia anunciado que tomaria providências para regressar ao grupo.

 

       Lula diz que Unasul é “patrimônio coletivo” e defende retomada

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 3ª feira (30.mai.2023) que a Unasul (União das Nações Sul-americanas) é um “patrimônio coletivo” e defendeu a retomada do bloco.

A declaração foi dada durante a abertura da reunião com os chefes de Estado de 11 dos 12 países sul-americanos. O encontro é realizado ao longo do dia no Palácio Itamaraty, em Brasília.

Segundo o petista, a Unasul permitiu que os países sul-americanos se conhecessem melhor por mais de 10 anos e contribuiu para ganhos comerciais.

“Consolidamos nossos laços por meio de amplo diálogo político que acomodava diferenças e permitia identificar denominadores comuns. Implementamos iniciativas de cooperação em áreas como saúde, infraestrutura e defesa”, disse Lula no discurso.

O presidente ponderou, no entanto, que a saída do Brasil do bloco em 2019 interrompeu os avanços alcançados.

“No Brasil, um governo negacionista atentou contra os direitos da sua própria população, rompeu com os princípios que regem a nossa política externa e fechou nossas portas a parceiros históricos. Nosso país optou pelo isolamento do mundo e do seu entorno”, afirmou.

Para Lula, a retomada da Unasul é importante, mas também deve-se avaliar “criticamente” o que não funcionou antes.

“Precisamos de mecanismos de coordenação flexíveis, que confiram agilidade e eficácia na execução de iniciativas. Nossas decisões só terão legitimidade se tomadas e implementadas democraticamente. […] Seria um erro restringir as atividades às esferas de governo. Envolver a sociedade civil, sindicatos, empresários, acadêmicos e parlamentares dará consistência ao nosso esforço”, disse.

Mais cedo, o ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), Paulo Pimenta, afirmou que a reunião com os chefes de Estados sul-americanos desta 3ª feira (30.mai) “marca o retorno do Brasil à Unasul”.

“O mundo mudou e temos novos desafios pela frente. Algumas das pautas da nova Unasul será a proteção da Amazônia, o combate ao crime organizado e a criação de moedas comerciais que permitam importar e exportar dos nossos vizinhos sem depender do dólar”, escreveu Pimenta em seu perfil no Twitter.

A Unasul foi criada em 2008 como um projeto do então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em um período em que a maioria dos países sul-americanos era governada por políticos de centro e de centro-esquerda.

O bloco visa a promover a integração dos países para ajudar na redução da desigualdade socioeconômica, aumentar a inclusão social e a participação popular, além de fortalecer a democracia e promover a independência dos Estados-membros.

Logo no início do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Brasil deixou a Unasul depois que a Bolívia informou que passaria temporariamente a presidência do bloco. A saída também ocorreu dias depois que a Argentina e o Paraguai comunicaram que também deixariam o bloco.

Os primeiros países que formalizaram a saída do grupo foram Colômbia e Peru. O Equador seguiu os passos dos vizinhos pouco depois.

Em abril, Lula promulgou o Tratado Constitutivo da Unasul. A medida marcou o retorno do Brasil ao bloco.

•        Na cúpula com chefes de Estado, Lula defende mercado sul-americano de energia

Um dia depois de se comprometer com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a retomar a compra de energia do país vizinho, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu um mercado energético que integre toda a América do Sul.

“Precisamos lançar a discussão sobre a constituição de um mercado sul-americano de energia, que assegure o suprimento, a eficiência do uso de nossos recursos, a estabilidade jurídica, preços justos e a sustentabilidade social e ambiental”, declarou o presidente do Brasil, na cúpula com todos os chefes de Estado da América do Sul.

Lula reconheceu os efeitos desafiadores da guerra da Ucrânia sobre o mercado de energia e alimentos, fator que, para ele, deve motivar ainda mais a cooperação regional.

“Possuímos o maior e mais variado potencial energético do mundo, se levarmos em conta as reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis, energia nuclear, eólica e solar e o hidrogênio verde”, acrescentou o presidente brasileiro no encontro promovido pelo governo brasileiro em Brasília.

 

       De moeda comum a mobilidade estudantil: as 10 propostas de Lula em fórum com presidentes da América do Sul

 

O presidente Lula propôs 10 temas para discussão entre os presidentes e representantes que participam da reunião da cúpula dos países da América do Sul, em Brasília, nesta terça-feira (30).

Entre as questões para análise, estão medidas para ampliar a integração dos países da região na área energética, em acordos comerciais e na mobilidade de estudantes e pesquisadores.

Lula também reforçou o desejo de estabelecer uma moeda local para o comércio na América do Sul, em vez do dólar (veja lista abaixo).

Antes de sugerir as medidas, o presidente deixou claro que as iniciativas eram apenas sugestões e que os temas ainda seriam discutidos ao longo do dia pelos mandatários sul-americanos.

<<<< Veja abaixo a lista de propostas do presidente:

1.       "Moeda comum": criação de uma "unidade de referência comum para o comércio, reduzindo a dependência de moedas extrarregionais" e mecanismos de compensação mais eficientes. Entenda melhor o projeto encabeçado pelo Brasil.

2.       Economia: colocar a poupança regional a serviço do desenvolvimento econômico e social, mobilizando os bancos de desenvolvimento como a CAF, o Fonplata, o Banco do Sul e o BNDES;

3.       Regulação: implementar iniciativas de convergência regulatória, facilitando trâmites e desburocratizando procedimentos de exportação e importação de bens;

4.       Atualização da cooperação: ampliar os mecanismos de cooperação de última geração, que envolva serviços, investimentos, comércio eletrônico e política de concorrência;

5.       Infraestrutura: atualizar a carteira de projetos do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN), reforçando a multimodalidade e priorizando propostas de alto impacto para a integração física e digital, especialmente nas regiões de fronteira;

6.       Meio ambiente: desenvolver ações coordenadas para o enfrentamento da mudança do clima;

7.       Saúde: reativar o Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, a fim de permitir adotar medidas para ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o complexo industrial da saúde na região e expandir o atendimento a populações carentes e povos indígenas;

8.       Energia: lançar a discussão sobre a constituição de um mercado sul-americano de energia, que assegure o suprimento, a eficiência do uso dos recursos da região, a estabilidade jurídica, preços justos e a sustentabilidade social e ambiental;

9.       Educação: criar programa de mobilidade regional para estudantes, pesquisadores e professores no ensino superior, algo que foi tão importante na consolidação da União Europeia;

10.     Defesa: retomar a cooperação na área de defesa com vistas a dotar a região de maior capacidade de formação e treinamento, intercâmbio de experiências e conhecimentos em matéria de indústria militar, de doutrina e políticas de defesa.

•        Reforço à integração

Lula discursou na abertura do evento, no Palácio do Itamaraty, nesta manhã. Na fala, o presidente sugeriu a criação de um grupo formado por representantes pessoais de cada presidente, para aprofundar o debate sobre as questões.

A proposta é que, com base nas decisões tomadas na reunião desta terça, o grupo tenha 120 dias para apresentar propostas de integração para a América do Sul.

Durante o discurso, Lula ressaltou o desejo de aproximação entre os países da região para fortalecimento local.

"Enquanto estivermos desunidos, não faremos da América do Sul um continente desenvolvido em todo o seu potencial. A integração deve ser objetivo permanente de todos nós. Precisamos deixar raízes fortes para as próximas gerações", disse.

•        Divergências ideológicas

Segundo o presidente brasileiro, a gestão anterior permitiu que diferenças ideológicas afastassem o Brasil dos fóruns regionais de integração.

"Na região, deixamos que as ideologias nos dividissem e interrompessem o esforço de integração. Abandonamos canais de diálogos e mecanismos de cooperação e, com isso, todos perdemos", disse Lula.

"Tenho firme convicção de que precisamos reavivar nosso compromisso com a integração sul-americana. Quando assumi a presidência, em 1º de janeiro deste ano, a América do Sul voltou ao centro da atuação diplomática brasileira", seguiu.

•        Quem participou da reunião?

Estiveram presentes no encontro os seguintes presidentes:

1.       Alberto Fernández, da Argentina;

2.       Luís Arce, da Bolívia;

3.       Gabriel Boric, do Chile;

4.       Gustavo Petro, da Colômbia;

5.       Guillermo Lasso, do Equador;

6.       Irfaan Ali, da Guiana;

7.       Mário Abdo Benítez, do Paraguai;

8.       Chan Santokhi, do Suriname;

9.       Luís Lacalle Pou, do Uruguai; e

10.     Nicolás Maduro, da Venezuela.

 

Fonte: BBC News Brasil/Poder 360/IstoÉ/g1

 

Claudia Abreu: Não dá para enaltecer ditador

Não dá para passar batido diante da visita de Nicolas Maduro ao Brasil. Muito se tem dito sobre a importância de retomar as relações, principalmente as econômicas, com a Venezuela. É um país vizinho, com quem dividimos longa fronteira e, por consequência, temos muitas questões em comum a resolver.

Não estou sendo original ao afirmar que devemos manter relações diplomáticas independentemente do regime e da orientação ideológica de cada país, afinal temos negócios a fazer com o mundo todo. Nenhum comerciante que quer vender seus produtos pede atestado de idoneidade ao comprador, desde que ele demonstre condições de arcar com a despesa.

Dito isto, e continuando absolutamente sem originalidade, questiono o excesso de deferência pública de Lula a Maduro. Que eles tenham uma relação além da protocolar que seja celebrada em momentos de intimidade.

Em seu discurso que precedeu a entrevista coletiva, Lula afirmou que Maduro foi eleito em um pleito livre e democrático e que a Venezuela tem imprensa livre. Maduro, em seu breve discurso, enalteceu a importância de ser tolerante com quem pensa diferente, apesar de seu governo claramente não permitir que a oposição avance.

Maduro é um ditador. A Venezuela não vive uma democracia. A imprensa, o judiciário e o legislativo são controlados pelo poder central. Os direitos humanos não são respeitados naquele país. Criticar os embargos que os nossos vizinho sofrem é legítimo, uma vez que sacrificam o povo muito mais do que o governo, mas não dá para dourar a pílula.

Lula foi eleito por uma frente ampla que englobou uma grande parcela de eleitores mais ao centro, que certamente são críticos do atual governo venezuelano, e sem os quais não sairia vencedor. Além disso, muitas pessoas, talvez a maioria, que se alinham ideologicamente com a esquerda não defendem o regime imposto por Maduro à Venezuela. Afinal, quem gosta de defender a ditadura e maltratar a imprensa é Bolsonaro e seus discípulos.

Ao enaltecer Nicolas Maduro, Lula corre o risco de diminuir sua própria história e a do PT.

Seus opositores e a famigerada extrema direita gostam de dizer que Lula quer fazer do Brasil uma ditadura, apesar de nunca termos chegado perto disso durante os governos petistas.

Lula sofreu críticas e processos durante o mensalão e a operação Lava Jato, chegando a ser preso e a perder seus direitos políticos. Dilma sofreu impeachment. Um opositor se elegeu e governou por quatro anos. Lula voltou através de eleições livres e democráticas. Em todo esse período, a imprensa fez seu trabalho livremente e os poderes legislativo e judiciário funcionaram com independência.

Tomara que Maduro aprenda alguma coisa com Lula, principalmente a ser democrático de verdade. E que Lula pare de passar pano para ele.

 

Ø  Homenagem patética de Lula a Maduro tem péssima repercussão aqui e lá fora

 

Lula escolheu destacar, homenagear e cortejar o ditador venezuelano Nicolás Maduro entre a dezena de governantes eleitos da América do Sul que convidou para uma reunião, nesta terça-feira em Brasília. “Momento histórico”, qualificou, ao indicar o resgate de uma “política externa séria”.

Acrescentou: “Tenho ido a países que nem sabem onde fica a Venezuela, mas dizem que a Venezuela tem uma ditadura. Eu sei muito bem a narrativa que construíram contra a Venezuela durante esses anos. Maduro, vocês têm que desconstruir essa narrativa.”

No realismo mágico de Lula, a ditadura de Maduro é mera versão, invencionice esculpida pelo “preconceito” nos Estados Unidos e na Europa, visível em “900 sanções” econômicas, para ele responsáveis pela catástrofe humanitária venezuelana.

Preferiu abstrair o desastre que começou no Palácio Miraflores, em Caracas, no governo do coronel Hugo Chávez, na época admirado tanto por ele quanto pelo então deputado federal Jair Bolsonaro.

Chávez morreu em março de 2013, e deixou um país com a moeda (bolívar) desvalorizada em nada menos que 992%. Maduro assumiu como “presidente encarregado” e conduziu 80% da população às estatísticas de pobreza, fez a inflação superar 400% ao ano e provocou êxodo de cinco milhões na última década.

Lula sabe o que é uma ditadura. Tem todo o direito de apreciar governantes autoritários que, de alguma forma, retribuíram objetivamente a sua afeição, como foi o caso de Maduro, Chávez, Vladimir Putin, Mahmoud Ahmadinejad, Teodoro Obiang ou Muammar Kadafi, entre outros.

O problema é que no século XXI já não consegue reluzir na vitrine política com enredos negacionistas. A reação social ao elogio da ditadura Maduro foi imediata e dura.

Organizações de defesa dos direitos humanos responderam com vigor. Foi o caso da Human Rights Watch (HRW): “Como no caso da Ucrânia, Lula deveria entender que, se quer que o Brasil tenha um papel de liderança diante da Venezuela, deve começar por um diagnóstico acertado – e não falseado – da realidade. O autoritarismo na Venezuela não é uma ‘narrativa construída’. É uma realidade inquestionável.”

Em comunicado, a venezuelana Provea, de educação em direitos humanos, lembrou a Lula que, neste ano, cerca de 8.900 vítimas da repressão cobraram do Tribunal Penal Internacional celeridade na investigação de Maduro por crimes contra a humanidade.

Parte dessas pessoas são sobreviventes das salas de tortura que o Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) mantém em sua sede no monumental Helicoide, antigo shopping center de Caracas, desenhado em forma de hélice e construído no boom petroleiro dos anos 50. A Provea catalogou e apresentou ao TPI milhares de denúncias.

“Não é uma ‘narrativa construída’, é parte de um plano sistemático contra a população civil e dissidente, já alertado pela ONU”, protestou, acrescentando: “Pedimos respeito a todas as vítimas, que merecem justiça e reparação que o Estado venezuelano não dá.”

Misturar preferências pessoais com interesses de Estado costuma custar caro. Há exatos 14 anos, na terça-feira 26 de maio de 2009, Lula assinou uma “carta de intenções” com o coronel-presidente Hugo Chávez garantindo financiamento das exportações de bens e serviços para obras consideradas prioritárias pelo governo venezuelano.

Lula preparava a sucessão, com Dilma Rousseff, amparado na generosidade de empreiteiras amigas. Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez foram regularmente financiadas pelo BNDES. A Odebrecht levou 75%, e todos os riscos de calote ficaram para o Tesouro Nacional.

Foram 1,6 bilhão de dólares em crédito ao governo Chávez, segundo a calculadora do Tribunal de Contas da União — equivalentes a 8,2 bilhões de reais no câmbio atual.

 

Ø  Lula e líderes da América do Sul lançam Consenso de Brasília: paz, integração e progresso

 

Os líderes sul-americanos reuniram-se na capital brasileira para trocar pontos de vista e perspectivas sobre a cooperação e a integração na América do Sul. O encontro foi realizado a convite do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), buscando fortalecer os laços entre os países vizinhos e promover a paz, a integração e o progresso na região.

Durante o encontro, os líderes reafirmaram a visão comum de que a América do Sul é uma região de paz e cooperação, baseada no diálogo e no respeito à diversidade dos povos. Comprometeram-se com a defesa da democracia, dos direitos humanos, do desenvolvimento sustentável, da justiça social, do Estado de direito, da estabilidade institucional, da soberania e da não interferência em assuntos internos.

Os líderes concordaram que o mundo enfrenta diversos desafios, como a crise climática, ameaças à paz e à segurança internacional, pressões sobre as cadeias de alimentos e energia, riscos de novas pandemias, aumento das desigualdades sociais e ameaças à estabilidade institucional e democrática. Diante disso, destacaram que a integração regional deve fazer parte das soluções para enfrentar esses desafios compartilhados e construir um mundo pacífico.

A promoção do desenvolvimento econômico e social, o combate à pobreza, à fome, à desigualdade e à discriminação, a igualdade de gênero, a gestão ordenada das migrações, o enfrentamento das mudanças climáticas, a transição ecológica e energética, o fortalecimento das capacidades sanitárias e o combate ao crime organizado transnacional foram alguns dos temas abordados pelos líderes.

Os líderes se comprometeram a trabalhar para aumentar o comércio e os investimentos entre os países da região, melhorar a infraestrutura e logística, fortalecer as cadeias de valor regionais, facilitar o comércio e a integração financeira, superar as assimetrias e eliminar medidas unilaterais. Uma das metas é alcançar uma área de livre comércio sul-americana efetiva.

Além disso, reconheceram a importância de manter um diálogo regular para impulsionar o processo de integração da América do Sul e projetar a voz da região no mundo. Para isso, foi decidido estabelecer um grupo de contato liderado pelos chanceleres, responsável por avaliar as experiências dos mecanismos de integração sul-americanos e elaborar um mapa do caminho para a integração da região. Esse mapa será submetido à consideração dos Chefes de Estado.

Para promover iniciativas de cooperação sul-americana imediatamente, os líderes concordaram em focar em áreas que atendam às necessidades dos cidadãos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, incluindo os povos indígenas. Essas áreas incluem saúde, segurança alimentar, meio ambiente, recursos hídricos, desastres naturais, infraestrutura, interconexão energética, transformação digital, defesa, segurança de fronteiras, combate ao crime organizado transnacional e segurança cibernética.

Os líderes sul-americanos também planejam se reunir novamente em uma data e local a serem determinados para acompanhar o progresso das iniciativas de cooperação sul-americana e definir os próximos passos a serem tomados. A intenção é manter o compromisso com a paz, integração e progresso da região.

>>>> Confira na íntegra

1.  A convite do Presidente do Brasil, os líderes dos países sul-americanos reuniram-se em Brasília, em 30 de maio de 2023, para intercambiar pontos de vista e perspectivas para a cooperação e a integração da América do Sul.

2.  Reafirmaram a visão comum de que a América do Sul constitui uma região de paz e cooperação, baseada no diálogo e no respeito à diversidade dos nossos povos, comprometida com a democracia e os direitos humanos, o desenvolvimento sustentável e a justiça social, o Estado de direito e a estabilidade institucional, a defesa da soberania e a não interferência em assuntos internos.

3.  Coincidiram em que o mundo enfrenta múltiplos desafios, em um cenário de crise climática, ameaças à paz e à segurança internacional, pressões sobre as cadeias de alimentos e energia, riscos de novas pandemias, aumento de desigualdades sociais e ameaças à estabilidade institucional e democrática.

4.  Concordaram que a integração regional deve ser parte das soluções para enfrentar os desafios compartilhados da construção de um mundo pacífico; do fortalecimento da democracia; da promoção do desenvolvimento econômico e social; do combate à pobreza, à fome e a todas as formas de desigualdade e discriminação; da promoção da igualdade de gênero; da gestão ordenada, segura e regular das migrações; do enfrentamento da mudança do clima, inclusive por meio de mecanismos inovadores de financiamento da ação climática, entre os quais poderia ser considerado o ‘swap’, por parte de países desenvolvidos, de dívida por ação climática; da promoção da transição ecológica e energética, a partir de energias limpas; do fortalecimento das capacidades sanitárias; e do enfrentamento ao crime organizado transnacional.

5.  Comprometeram-se a trabalhar para o incremento do comércio e dos investimentos entre os países da região; a melhoria da infraestrutura e logística; o fortalecimento das cadeias de valor regionais; a aplicação de medidas de facilitação do comércio e de integração financeira; a superação das assimetrias; a eliminação de medidas unilaterais; e o acesso a mercados por meio de uma rede de acordos de complementação econômica, inclusive no marco da ALADI, tendo como meta uma efetiva área de livre comércio sul-americana.

6.  Reconheceram a importância de manter um diálogo regular, com o propósito de impulsionar o processo de integração da América do Sul e projetar a voz da região no mundo.

7.  Decidiram estabelecer um grupo de contato, liderado pelos Chanceleres, para avaliação das experiências dos mecanismos sul-americanos de integração e a elaboração de um mapa do caminho para a integração da América do Sul, a ser submetido à consideração dos Chefes de Estado.  

8.  Acordaram promover, desde já, iniciativas de cooperação sul-americana, com um enfoque social e de gênero, em áreas que dizem respeito às necessidades imediatas dos cidadãos, em particular as pessoas em situação de vulnerabilidade, inclusive os povos indígenas, tais como saúde, segurança alimentar, sistemas alimentares baseados na agricultura tradicional, meio ambiente, recursos hídricos, desastres naturais, infraestrutura e logística, interconexão energética e energias limpas, transformação digital, defesa, segurança e integração de fronteiras, combate ao crime organizado transnacional e segurança cibernética.

9.  Concordaram em voltar a reunir-se, em data e local a serem determinados, para repassar o andamento das iniciativas de cooperação sul-americana e determinar os próximos passos a serem tomados.

 

Fonte: Outras Palavras/Veja/Brasil 247