quinta-feira, 1 de junho de 2023

Maconha pode causar depressão em adolescentes?

A atitude global em relação à cannabis vem mudando, direcionando-se mais para explorar seus potenciais usos medicinais e para legalizá-la.

Oito países, incluindo Canadá, Uruguai, México e Tailândia, e 22 estados dos EUA legalizaram a maconha recreativa. Cerca de 50 países a legalizaram para uso medicinal. Muitos outros estão pressionando suas leis nessa direção.

Mas, assim como o tabaco e o álcool, a legalização não significa que a droga não seja prejudicial.

A maconha é uma das substâncias mais usadas entre os adolescentes em todo o mundo. Nos EUA, mais de 2,5 milhões de adolescentes usam maconha casualmente, de acordo com pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, e o uso de maconha entre os jovens aumentou nas últimas décadas.

É por isso que a tendência à legalização e ao uso medicinal tem despertado alertas, principalmente sobre os riscos potenciais à saúde dos adolescentes.

·         Um cérebro em desenvolvimento

Embora seja complicado dizer quando termina a adolescência, está claro que é um período que vem acompanhado de muitas mudanças biológicas, incluindo mudanças no cérebro.

Essas mudanças tornam ainda mais difícil entender como a maconha pode afetar a mente dos adolescentes.

O cérebro está em desenvolvimento até meados dos 20 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA.

Nesse período, há um grande desenvolvimento e ajuste em áreas do cérebro relacionadas ao manuseio de emoções, enfrentamento do estresse, recompensas e motivação, tomada de decisões, pensamento antes de agir, controle de impulsos e raciocínio, por exemplo. Há também um aumento da massa branca e uma diminuição da massa cinzenta durante a adolescência, o que faz com que diferentes regiões do cérebro se comuniquem de maneira mais rápida e eficiente.

É um momento complicado para adolescentes. Não apenas seus corpos passam por mudanças drásticas, mas eles também enfrentam questões como identidade, pressão social, cobrança por boas notas e dinâmica familiar.

Todas essas mudanças e pressões podem tornar os adolescentes mais propensos a ter problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, e podem levá-los a usar substâncias como a maconha para lidar com isso, segundo a Administração de Serviços de Saúde Mental e Abuso de Substâncias dos EUA. O problema é que o uso de maconha também pode piorar as condições de saúde mental a longo prazo.

Como o cérebro está se desenvolvendo nesse estágio, também é particularmente vulnerável a substâncias como álcool, tabaco, maconha e outras drogas que atuam sobre ele. Essas substâncias demonstraram alterar ou atrasar alguns dos desenvolvimentos que geralmente ocorrem durante a adolescência, de acordo com a Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente.

No caso da cannabis, há evidências de que ela modifica o cérebro dos adolescentes.

·         As evidências sobre cannabis e depressão

uso de maconha tem sido associado a dificuldades de raciocínio e resolução de problemas, memória e aprendizado, e com coordenação e concentração reduzidas, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. Ainda não está claro se esses problemas persistem após a interrupção do uso de cannabis.

A pesquisa também mostrou associações entre o uso de maconha e problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Também é mais provável que as pessoas que usam cannabis tenham episódios psicóticos.

Um estudo, publicado no JAMA, o Journal of the American Medical Association, no início deste mês, analisou adolescentes que ocasionalmente usaram cannabis nos últimos 12 meses por meio das respostas de quase 70.000 adolescentes à Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde de 2019.

O que se constatou é que, em comparação com os não usuários, aqueles que usavam maconha, mas não atendiam aos critérios para dependência, relataram de duas a quatro vezes mais problemas de saúde mental, como depressão, pensamentos suicidas, pensamento mais lento e dificuldade de concentração.

Isso sugere haver uma associação entre o uso de maconha e os problemas de saúde mental, mas não é possível dizer que há relação de causa e efeito.

Outro estudo recente publicado no JAMA Psychiatry descobriu que o uso de maconha em adolescentes também foi associado a um risco aumentado de desenvolver depressão e pensamentos suicidas mais tarde na vida.

No entanto, um estudo de 2022 publicado no Journal of Psychopharmacology mostrou que os adolescentes que usavam maconha não eram mais propensos a desenvolver problemas de saúde mental, como depressão ou ansiedade, em comparação com adultos que que também usavam cannabis.

Apenas os adolescentes viciados em maconha tiveram pior saúde mental.

·         A maconha é a causa?

A correlação não é igual à causalidade e, como no caso do ovo e da galinha, é difícil dizer se o uso de cannabis em adolescentes é a causa da maior associação com depressão e outros problemas de saúde mental, ou se os adolescentes com esses problemas são mais propensos a usar maconha.

Um estudo de 2020 publicado na Frontiers in Psychiatry revisou as evidências sobre a cannabis e o cérebro adolescente e concluiu que, devido à maneira como muitos dos estudos disponíveis, os chamados estudos transversais, foram projetados, não sabemos muito sobre a natureza da relação entre uso de maconha e saúde mental.

Os estudos transversais analisam diferentes grupos de pessoas em um ponto específico no tempo. O objetivo é reunir informações sobre um determinado tópico, coletando dados de um grupo diversificado de indivíduos de uma só vez. Em seguida, os pesquisadores analisam os dados e tentam encontrar padrões ou relações, mas não conseguem estabelecer o que causa o quê.

O estudo Frontiers of Psychology também enfatizou que é possível que tanto o uso de cannabis quanto os problemas de saúde mental possam ser causados por outra coisa, como a suscetibilidade dos adolescentes ao estresse e à ansiedade.

Em suma, ainda é necessário mais pesquisas para avaliar se a maconha pode causar problemas de saúde mental em adolescentes.

 

Fonte: Deutsche Welle

 

Coletivo de jovens Munduruku vai a Brasília e entrevista sua liderança Maria Leusa: “Nossa luta é grande”

No fim de abril, cerca de 60 indígenas Munduruku de várias aldeias do Pará viajaram mais de 2.800 km para participar do 19o Acampamento Terra Livre (ATL), o maior encontro de povos originários do Brasil, realizado em Brasília.

Entre o grupo, estavam os jovens do Coletivo Audiovisual Wakoborũn com suas câmeras, microfones e tripés. Além de documentar o evento, tinham como missão produzir uma entrevista em vídeo com uma das principais lideranças de seu povo, Maria Leusa Munduruku, coordenadora da Associação das Mulheres Wakoborũn e também estudante de Direito na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Tanto o coletivo quanto a associação levam o nome de uma mulher: uma antiga guerreira Munduruku que resgatou a cabeça de seu irmão, que era usada como troféu pelos oponentes.

O estúdio improvisado para a entrevista foi montado em meio às barracas onde os indígenas se instalaram, rodeado de caixas de som barulhentas, sob uma lona preta que amenizava o calor implacável do Cerrado e na mira de olhares curiosos de integrantes de ONGs internacionais.

Sentada em um banquinho de madeira, durante pouco mais de uma hora, Maria Leusa abriu uma folga na sua agenda lotada de compromissos estratégicos e conversou com os jovens sobre luta indígena, demarcação de território, a retomada de políticas indigenistas e a invasão do garimpo ilegal. Falou também sobre um tema delicado, que evita lembrar: o ataque que sofreu em 2021, quando garimpeiros invadiram e incendiaram sua casa.

No final do ATL, os indígenas testemunharam o presidente Lula assinando a homologação de seis Terras Indígenas no Brasil. Foi um alívio depois do jejum forçado de quatro anos, quando o último governo interrompeu de forma criminosa todos os processos de novas demarcações.

Na edição de 2023, a delegação Munduruku deixou o ATL com esperanças reais: foram recebidos pela presidenta da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Joenia Wapichana, pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e por outras autoridades. Desta vez, ouviram pessoalmente promessas de demarcação definitiva do seu território, que há anos aguarda a homologação enquanto luta contra o avanço de hidrelétricasgarimpeiros e cultivo de soja.

LEIA A ENTREVISTA:

·         Quais são os objetivos da delegação dos Munduruku no Acampamento Terra Livre 2023?

Maria Leusa: Kabia, bom dia. Primeiramente, agradeço ao nosso Deus Karosakaybu. Estamos aqui, junto com outros povos, no ano de 2023, mais uma vez participando do Acampamento Terra Livre. A delegação Munduruku veio com gente de várias aldeias do Rio Tapajós, Rio das Tropas, Cabitutu, Cururu, Teles Pires. Nosso objetivo é exigir a demarcação do nosso território, principalmente Sawre Muybu, que está no processo declaratório, além de Sawre Bapin e demais territórios. Exigimos a fiscalização, que é obrigação do governo, garantir a segurança, proteger os povos indígenas. Atualmente a situação no nosso território é muito difícil, trazemos para o ATL a resistência e a voz do povo Munduruku, compartilhando também experiências com os parentes de outros povos, que estão sofrendo também a mesma situação difícil.

·         Qual a importância do ATL para os povos indígenas?

Maria Leusa: É um momento de encontrar, compartilhar a energia do nosso povo com outros parentes que estão na mesma luta pelo território, pela educação, pela saúde e tudo mais. A gente está aqui ouvindo várias vozes e essa união nos fortalece. É um espaço de oportunidade, um momento muito especial para a gente, estar aqui em Brasília ocupando, mostrando a resistência de todos os povos indígenas. Para mostrar para o governo que nunca mais mais um Brasil sem nós, pra mostrar que o indígena tem que ter seu espaço e lugar no mundo.

·         Quais foram os momentos mais importantes do ATL para a delegação Munduruku?

Maria Leusa: Foi muito emocionante quando fomos recebidos pela presidenta Joenia [Wapichana], da Funai. A gente não acreditou que mais de 60 Munduruku, crianças, mulheres e caciques, iam conseguir entrar, porque várias vezes fomos barrados. Muitas vezes a gente vinha até Brasília e era barrado na própria Funai tentando entrar para dialogar com o presidente. Dessa vez, a presidenta nos recebeu no auditório da Funai. Ela escutou nossa demanda, de que só faltava assinar uma declaração no processo da demarcação do território Sawre Muybu. E assinou, ali na frente de todos.Foi um avanço com grande resultado, foi uma vitória, uma conquista nossa.

Em outra agenda, nossa comitiva foi recebida no Ministério dos Povos Indígenas pela ministra Sonia Guajajara. Ouvimos boas notícias sobre nosso processo de demarcação. Eles estão dando sua palavra de demarcar, proteger e fiscalizar o território. Sentimos diferença. Hoje a gente está conseguindo dialogar com o governo.

·         Como você começou a atuar como liderança, e por que fez isso?

Maria Leusa: Comecei a atuar durante o Ibaorebu [projeto de ensino médio integrado em território Munduruku], onde a gente teve uma formação durante oito anos. Hoje eu tenho orgulho de dizer que fui formada com a troca de experiência e participação de sábios, pajés, cantores, pintores, rezadeiros. A partir daí, coordenei o movimento Ipereg Ayu, que lutou contra a construção de hidrelétricas na bacia dos rios Teles Pires e Tapajós. Depois que construíram as hidréletricas e destruíram nossos locais sagrados, vimos que a gente teria que colaborar, porque os homens não iam conseguir sozinhos. Inspirada pela história da nossa guerreira Wakoborũn, percebi que as mulheres tinham que participar da luta. Fizemos a organização da Associação das Mulheres Wakoborũn e continuamos na luta. A gente já conseguiu barrar um empreendimento de hidrelétrica em São Luiz do Tapajós, conseguimos o resgate das nossas urnas funerárias e impedimos novas entradas de garimpo na região do Rio Cururu. Nossa luta é grande.

·         Qual o papel de uma liderança indígena?

Maria Leusa: Nosso principal papel é cuidar e defender nosso território. Ajudar o nosso cacique, né? Não sou só eu, tem outras mulheres que estão na ali na luta, na base. Hoje nos tornamos mães, então a gente está aqui para defender a vida dos nossos filhos. Para fazer formação de futuras gerações, garantir a nossa autonomia, o nosso direito, que está na Constituição.

·         Como conciliar o fato de ser mãe e avó com a luta de uma liderança?

Maria Leusa: Hoje eu tenho cinco filhos, me dedicar à luta não é fácil. Tive que deixar a casa, deixar a roça, deixar a família e dividir os trabalhos com o meu marido. Eu falo para ele que é nossa obrigação cuidar, então a gente divide esse trabalho de cuidar das crianças. Às vezes eu levo meus bebês nos compromissos, carrego filho pequeno, como agora aqui no ATL. Vitória, minha filha de 6 anos, veio me acompanhar. Ela sempre me acompanha na luta internacional, na base, na fiscalização. Tenho que me dividir e isso também me fortalece. Se a gente não lutar pelo nossos filhos e netos, se a gente ficar calada, a gente não vai conseguir nada. Eu também tive que deixar minha aldeia e ir para universidade, porque a gente precisa compartilhar e fortalecer a luta dentro da universidade também.

·         Como é ser uma liderança feminina, sofreu preconceito?

Maria Leusa: Hoje somos muito respeitadas pelos nossos caciques e autoridades, mas a gente sofreu muito preconceito. Antes os homens achavam que a mulher só tinha interesse em sair, passear. Achavam que as autoridades só atenderiam uma liderança homem. Hoje nós somos prioridade: quando veem a mulher chegar com sua demanda, os homens têm muito respeito. Ainda existe preconceito, mas é difícil os homens falarem na nossa cara, então hoje eles falam escondido.

·         Você já sofreu ataques, sua casa foi incendiada por garimpeiros, e até hoje sofre perseguição e violência. Como é ser ameaçada de morte no seu território, isso te intimida?

Maria Leusa: A gente sempre sofreu isso junto, mas não desistiu de lutar. Estamos defendendo o nosso território e não o que é do pariwat [não indígena]. Quando me atacaram, a gente já tinha sofrido a depredação da nossa organização em Jacareacanga. Sabemos que não há segurança no município de Jacareacanga; o Estado nunca nunca pensou e eu acho que nem pensa colocar uma questão na segurança. Até fizemos uma ação contra a própria delegacia.

O ataque da minha aldeia foi logo depois da operação da Polícia Federal [Operação Mundurukânia, feita em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, o Ibama e a Força Nacional]. Eu até pensei que tinham matado os meus pais. Ver aquela casa pegando fogo foi um momento desesperador para mim, minha mãe, minha irmã. As pessoas [garimpeiros] estavam atirando nos nossos pés, jogando combustível para pegar fogo, um terror. No momento do ataque, eu estava cuidando da minha filha, que estava doente com malária. Eu não consegui agir contra os parentes que atacavam [indígenas favoráveis à mineração ilegal, cooptados pelo garimpo]. Eu só falei: “Se quiser me matar, me mate, mas eu não vou sair da minha casa”. Estou na minha aldeia e eu não vou sair. Segundo minha mãe relatou, foi ela que me tirou de casa quando estava pegando fogo. Ela me falou que eu não podia morrer, que a nossa luta era muito longa e o nosso povo precisava da gente. Ela, que é cacica, deixou o recado de que não iria calar a boca.

Depois do ataque a gente teve que sair do território, porque não tinha segurança. Tivemos que sair e buscar apoio em outro município, exigir o direito, denunciar tudo que estava acontecendo com a gente. Mesmo perdendo a casa a gente não desanimou. Agradecemos o nosso deus Karosakaybu por não perder a vida ali. Tivemos muito apoio dos nosso guerreiros e da mulherada, que ficaram juntos com a gente. Foi uma força muito grande para a gente seguir nessa luta.

·         Qual o maior desafio dentro do território Munduruku?

Maria Leusa: É a questão do garimpo ilegal. As doenças vêm aumentando com essas invasões.

Os Munduruku, os Kayapó, os Yanomami e outros povos enfrentam essa situação triste, porque os invasores estão em todo lugar. No território Munduruku, os garimpeiros não conseguiram mais avançar do lado onde a gente não permite mais. Antes eles atacavam de todo jeito, de todos os lados. Hoje a gente não tem isso porque eles viram que a resistência dos guerreiros e guerreiras é forte.

Sobre a contaminação pelo garimpo, fomos surpreendidos ao saber que recebemos um nível muito alto de mercúrio, depois que a Fiocruz começou a fazer exames no povo Munduruku para medir a contaminação. A gente não sabe como são os sintomas dessa contaminação de mercúrio, mas hoje a gente sente. Tem várias crianças com deficiência, pessoas perdendo movimento das pernas e dos braços. Principalmente as mulheres grávidas, que sentem isso hoje no corpo. Ver os nossos filhos sofrerem é uma coisa muito triste e revoltante. Pedimos que continuem a fazer esses exames e achem uma solução, isso não pode acontecer. Que mostrem isso para o mundo, para não se repetir contra os povos indígenas. A gente tem que começar a alertar nossos parentes, mostrar que isso é real, que é verdade, que está acontecendo.

·         Qual a importância do Coletivo Audiovisual Wakoborũn?

Maria Leusa: É um trabalho muito importante desses jovens do coletivo. Foi uma vitória colocar os jovens aí, porque não é fácil quando a gente está na fase de jovem. Falamos pra eles que a luta não é só nossa, das mães, que é por eles que a gente luta, que continuem. A gente ajuda muito orientando e acompanhando eles. Quando a gente vê um jovem, uma mulher ali filmando, registrando, divulgando a luta, a gente fala para eles que isso é uma arma para a gente. Então eles têm que aprender a usar isso. Com esse trabalho, a consegue fortalecer a nossa luta.

Hoje o povo Munduruku tem três coletivos: Daje Kapap Eypi, Da’uk e Wakoborũn. A gente precisa trazer mais jovens para esses coletivos, tem que continuar fazendo formação, esse trabalho é muito importante. Para mostrar para os pariwat [não indígenas] que pensam que só eles podem fazer [documentação audiovisual], que nós podemos fazer, sim. Hoje os jovens dos coletivos conseguem fazer, registrar, filmar tudo e divulgar a luta.

·         Quer deixar uma última mensagem?

Maria Leusa: A coisa mais importante é que a gente vai continuar lutando, mesmo depois de demarcar o território Sawre Muybu. E a gente não vai permitir mais invasões. Vamos continuar falando para os parentes não cairem nessa ganância, que isso é uma doença quando cai no povo. Vamos continuar na nossa luta firmes, e com muita força. Por nossa terra, água, educação e saúde. Essa mensagem é para as minhas amigas, mulheres, jovens e caciques. A luta vai continuar. Existem vários territórios em processo de demarcação, como Sawre Bapin e outros. Vamos continuar lutando pela demarcação, proteção e autodemarcação do território. Continuar a fiscalização autônoma e nossas lutas nas bases. Desde os nossos antepassados, nada foi de graça, sempre foi luta para conseguir. Essas invasões e empreendimento não vão parar, por isso a nossa resistência também continua. 

 

Ø  “Vou continuar lutando”, diz Alessandra Munduruku, ativista indígena e vencedora do Prêmio Goldman

 

Quando Alessandra Korap Munduruku percebeu que garimpeiros ilegais em busca de ouro estavam contaminando o território de sua comunidade, coberto de floresta tropical, desencadeou-se uma intensa campanha contra a mineração ilegal. Essa missão a levou de sua aldeia, no Pará, ao cenário mundial, como ativista de direitos humanos. Oito anos depois, durante os quais Alessandra também enfrentou a gigante da mineração Anglo American, a líder indígena recebeu o Prêmio Ambiental Goldman 2023, um reconhecimento a pessoas que se destacam no ativismo ambiental de base.

“Esse prêmio reflete a importância do trabalho da Alessandra enquanto liderança, por representar o povo de relevância altíssima para a conservação da biodiversidade e por estar também sob um ataque feroz de interesses privados na mineração”, disse à Mongabay, por telefone, Kenzo Jucá, consultor socioambiental que trabalhou com legislação ambiental no Congresso Nacional por mais de 20 anos.

Alessandra estava em São Francisco, nos Estados Unidos, para receber o prêmio. De lá, conversou com a Mongabay por videochamada, sobre uma série de temas: o que o prêmio significa para ela, mudanças nas políticas ambientais do Brasil e dos povos indígenas, e os desafios a ser enfrentados. Embora os holofotes estejam voltados para ela, Alessandra usou o coletivo “nós” ao falar sobre suas campanhas, como forma de reconhecer as outras pessoas e organizações que trabalham com ela: “A gente sempre fala em coletivo, porque a gente está junto na luta”.

Ela diz que a conquista não lhe tirou o foco do objetivo maior: “A gente nunca entrou na luta para ganhar prêmio. A gente entrou na luta para expulsar os invasores que estão dentro do nosso território”. Mas o prêmio é importante como indicação positiva de que seus esforços estão no caminho certo. “O mundo inteiro vai reconhecer a nossa luta”, disse ela. “Esse prêmio me veio dizer que em toda essa luta a gente é capaz de expulsar qualquer empresa que quer negociar, que quer nossa morte.”

Sua eloquente campanha resultou no cancelamento de 27 solicitações de licença para prospecção em Terras Indígenas apresentadas pela Anglo American em 2021 – uma grande vitória para o movimento indígena. No entanto, os problemas persistem dentro da Terra Indígena Munduruku, uma área de 2,4 milhões de hectares de Floresta Amazônica na bacia do Alto Tapajós. Com a terra invadida por garimpeiros ilegais desde a década de 1980, um estudo constatou que todos os Munduruku têm algum nível de contaminação por mercúrio, que agora está afetando crianças nascidas com defeitos que afetam suas vidas, de acordo com um novo relatório da Repórter Brasil.

A reação de Alessandra a esses eventos em seu território foi de ação e busca por responsabilização. “É a responsabilidade do governo e das empresas que fornecem esse mercúrio”, disse ela. “A gente não vai parar de lutar, até tirar esses invasores da terra e parar de ter o garimpo.”

Enquanto ela recebia o prêmio Goldman, em 24 de abril, milhares de pessoas se manifestavam em Brasília pelos direitos constitucionais e pela demarcação de terras indígenas, durante o Acampamento Terra Livre 2023, indicando uma tendência crescente de líderes e ativistas indígenas reivindicarem mudanças nas políticas. “Esse crescimento de processos de resistência, na verdade, é um reflexo da crescente pressão de interesses econômicos sobre esses territórios”, disse o assessor parlamentar Jucá. “Esse tipo de denúncia é importantíssima, por um lado, para controlar os ataques no território, e, por outro lado, para estruturar uma série de políticas públicas.”

Protestar e conquistar reconhecimento por meio de prêmios importantes também ajuda a conscientizar o mercado global de ouro sobre os problemas internacionais, dizem os especialistas. “É muito importante que os países consumidores desse ouro saibam a origem desse ouro”, disse à Mongabay, por telefone, José Augusto Sampaio, antropólogo e membro da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí). “É ouro garimpado ilegalmente, comercializado ilegalmente, exportado ilegalmente. Mas quando chega no exterior, vira ouro legal.”

Sampaio disse que dar mais destaque ao trabalho de Alessandra por meio desse prêmio pode ajudar a mantê-la a salvo dos riscos que ela enfrenta em seu ativismo. “Ela tem sido vítima de ameaças de morte. Ela precisa ser protegida”, afirmou. “Toda visibilidade que ela possa ter pode também ajudar a protegê-la.”

·         Mudando as políticas ambientais do Brasil

Quando Alessandra falou pela última vez com a Mongabay, em 2019, já haviam transcorrido nove meses do governo de Jair Bolsonaro e começava uma longa série de ações destrutivas contra o meio ambiente. Na época, suas maiores preocupações eram o agronegócio, a exploração madeireira e a construção de infraestrutura, como portos, hidrelétricas e ferrovias, impulsionada pela demanda mundial por commodities que poderiam ser extraídas da floresta tropical. Três anos e meio depois, os mesmos problemas persistem.

“Todos eles são responsáveis”, disse Alessandra, relacionando o atual desmatamento na Amazônia ao apetite que os países desenvolvidos têm por soja, ouro e ferro. “Essa responsabilidade não é só nossa, não só do governo brasileiro e todo mundo.”

Embora persistam os mesmos problemas, muita coisa mudou no Brasil desde 2019, principalmente a posse de um novo governo no início deste ano. “Eu fiz passo para derrotar o Bolsonaro. Com muito orgulho, disse Alessandra. “Eu fiz parte, porque a gente não aguentava mais sofrer.” As políticas ambientais hostis implementadas por Bolsonaro nos últimos quatro anos fizeram com que nenhuma Terra Indígena fosse demarcada e o garimpo ilegal em áreas protegidas atingisse níveis jamais vistos. Alessandra enfrentou constantemente as políticas e a retórica de Bolsonaro, falando em eventos internacionais e participando de protestos locais.

Agora, com Luiz Inácio Lula da Silva no governo, ela vê como um avanço a criação do Ministério dos Povos Indígenas e o aumento do número de representantes indígenas no Congresso. No entanto, “não é suficiente”, disse Alessandra. “A gente quer muito mais. A gente quer a demarcação do nosso território. A gente quer que o governo nos consulte em toda decisão que seja tomada que possa nos afetar.”

Isso é especialmente relevante dada a lista de projetos de infraestrutura que parecem iminentes à medida que o Brasil aumenta suas relações com a China, o que representa uma ameaça ao meio ambiente e às comunidades tradicionais, diz Alessandra. “[Lula] já está negociando na China, e eles têm interesse em infraestrutura de TI [tecnologia da informação] e no agronegócio”, disse ela. “A gente fica preocupado, porque é o nosso território que está em cima disso, e eles vão querer passar por cima da nossa terra.”

Durante a visita de Lula à China, em abril, os dois países incentivaram investimentos recíprocos em infraestrutura, energia, mineração e agricultura. Entre eles, estão os planos de construção de novas ferrovias e portos – empreendimentos de infraestrutura que historicamente prejudicam o meio ambiente e os habitantes da região, principalmente as comunidades indígenas e ribeirinhas.

Para Alessandra, sua luta pelos direitos indígenas rendeu várias conquistas nos últimos anos, mas ainda há trabalho por ser feito e ela ainda não pretende parar. “Eu tenho muito orgulho de ter lutado, e vou continuar lutando, contra qualquer genocídio que aconteça, e qualquer tentativa de fazer decisões sem consultar os povos indígenas”, disse ela.

 

Fonte: Mongabay

 

OTAN está criando outro campo de batalha no continente europeu, diz jornal chinês

À medida que a crise russo-ucraniana se arrasta, a OTAN se tornou sinônimo de desestabilizadora da segurança regional, observa o jornal chinês Global Times.

A situação nos Bálcãs está agora em um ponto explosivo. As forças da KFOR (missão da OTAN no Kosovo) entraram em duro confronto com sérvios no norte kosovar, na segunda-feira (29).

O confronto, ocorrido na cidade de Zvecan, no norte do Kosovo, começou quando sérvios protestavam em frente à administração da cidade. A reclamação deles é o resultado das últimas eleições locais boicotadas por sérvios em mais um capítulo de tensões com os albaneses-kosovares.

Kosovo e Sérvia têm tensões de longa duração. Kosovo era originalmente uma província autônoma da Sérvia na ex-Iugoslávia.

Além disso, o autor do artigo aponta que como apoio dos EUA e do Ocidente, o Kosovo tem procurado avançar no caminho da "independência estatal" e adotou uma atitude de linha dura em relação à Sérvia.

O envolvimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte agravou ainda mais a divisão entre Kosovo e Sérvia, levando a conflitos militares entre os dois lados e minando a paz e a unidade dos Bálcãs Ocidentais.

O autor salienta, com razão, que, por um lado, a Aliança Atlântica pede para aliviar as tensões, mas, por outro lado, aumenta a presença militar. O que pode significar que as promessas feitas pela OTAN e outros países ocidentais para proteger os sérvios no Kosovo simplesmente não podem ser cumpridas.

Assim, Song Zhongping, um especialista militar chinês e comentarista de TV, disse ao Global Times que as forças da OTAN não se engajaram verdadeiramente na manutenção da paz na Sérvia e no Kosovo, mas que tinham como objetivo manter o fato básico da "independência do Kosovo" e ajudar o Kosovo a oprimir os sérvios. A soberania da Sérvia e a segurança nacional não são prioridade para a OTAN.

"O conflito russo-ucraniano não produziu quaisquer resultados para a paz, e há uma possibilidade de escalada. A possibilidade de um novo conflito nos Bálcãs também existe. Como o conflito ucraniano não alcançou o efeito desejado para os EUA, Washington precisa criar uma guerra no continente europeu", disse Song.

O jornal chinês também salienta que Washington realmente espera ver o caos na Europa, bem como a desordem da economia europeia e a dependência da Europa dos Estados Unidos, e como objetivo final os EUA não querem uma Europa unida e forte.

Enquanto isso, os EUA provavelmente verão o agravamento da divisão entre a Sérvia e o Kosovo como uma oportunidade que pode aproveitar para enfraquecer a influência da Rússia na Sérvia e nos Bálcãs.

"O objetivo final dos EUA é que tanto a Europa quanto a Rússia sofram perdas, o que está mais de acordo com sua estratégia global e interesses hegemônicos. Agora os EUA veem a Europa como dois barris de pólvora, um em uma guerra quente e um prestes a explodir", enfatizando.

·         China insta EUA a corrigirem seus erros e serem sinceros em diálogo militar

A agência de notícias Xinhua afirmou que a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, instou os EUA a corrigirem imediatamente seus erros e mostrarem sinceridade no diálogo e na comunicação militar.

Mao ainda afirmou que os norte-americanos sabem muito bem o motivo pelo qual o diálogo militar entre os dois países segue enfrentando dificuldades.

Segundo o porta-voz chinês, os EUA devem mostrar um respeito sincero com relação a soberania, segurança e interesses da China.

Além disso, os norte-americanos devem corrigir suas práticas errôneas, criando atmosfera e condições necessárias para um diálogo civilizado e racional entre seus militares.

 

       Casa Branca: não encorajamos ataques à Rússia porque 'não queremos ver a escalada' do conflito

 

Os Estados Unidos não encorajam a Ucrânia a atacar a Rússia e não querem ver o conflito militar escalar, disse o coordenador de comunicações estratégicas da Casa Branca, John Kirby, nesta quarta-feira (31), após os recentes ataques de drones a Moscou.

"Não queremos encorajar ataques dentro da Rússia porque não queremos ver a escalada da guerra", disse Kirby.

Ao mesmo tempo, Kirby afirmou que Kiev tem o direito de legítima defesa e apontou que cabe aos ucranianos decidir o que fazer com as armas fabricadas nos Estados Unidos que estão recebendo.

"Eles nos deram garantias de que não usarão nosso equipamento para atacar dentro da Rússia, mas uma vez que chegue a eles, pertence a eles", acrescentou.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que a Ucrânia lançou na terça-feira (30) um ataque terrorista de drones em Moscou. Ele disse que oito veículos aéreos não tripulados (UAV, na sigla em inglês) do tipo aeronave estavam envolvidos. Cinco foram abatidos por um sistema de armas antiaéreas na região de Moscou, três foram suprimidos por sistemas de guerra eletrônica e desviaram de seus alvos pretendidos.

"Nós temos tido contato com nossos colegas ucranianos desde que eles começaram a planejar esta contraofensiva. Continuamos o contato com eles", disse Kirby.

A Ucrânia vai lançar uma ofensiva neste verão (do Hemisfério Norte), e os Estados Unidos estão preparando novas entregas de armas para Kiev, disse John Kirby.

Os países ocidentais têm fornecido a Kiev vários tipos de sistemas de armas, incluindo mísseis de defesa aérea, sistemas de foguetes de lançamento múltiplo, tanques, artilharia autopropulsada e canhões antiaéreos, desde que a Rússia lançou sua operação militar especial na Ucrânia há mais de um ano. O Kremlin tem alertado contra novas entregas de armas a Kiev.

•        Reguladores americanos notificam governo dos EUA para impedir experimento com urânio para bombas

Ex-funcionários do Departamento de Estado dos Estados e reguladores nucleares pediram ontem (30) que o Departamento de Energia do país reconsidere um plano de usar urânio para bombas em um experimento de energia nuclear.

O Departamento de Energia e duas empresas pretendem dividir os custos do Experimento de Reator de Cloreto Derretido (MCRE, na sigla em inglês) no Laboratório Nacional de Idaho e usar mais 600 quilos de combustível contendo 93% de urânio enriquecido, segundo a Reuters.

Entretanto, na visão dos ex-funcionários, a ação poderia dar a outros países uma desculpa para enriquecer urânio ao nível de bomba em busca de novos reatores.

Em uma carta enviada ao departamento, os especialistas afirmam que "o dano à segurança nacional pode ultrapassar qualquer benefício potencial dessa tecnologia energética altamente especulativa".

A mídia afirma que os ex-funcionários temem que um aumento em tais experimentos eleve os riscos de que militantes, os quais buscam criar uma arma nuclear, possam se apossar do urânio.

"É chocante que o Departamento de Energia, mesmo sem notificar o público, possa minar uma política bipartidária dos EUA de décadas para impedir a disseminação de armas nucleares", disse Alan Kuperman, professor da Escola LBJ de Assuntos Públicos da Universidade do Texas e um dos organizadores da carta.

Como alternativa, os especialistas indicaram que o projeto do MCRE pode ser convertido para operar com urânio de baixo enriquecimento, incorrendo em um atraso e aumentando alguns custos, mas outros custos podem ser economizados em segurança, disseram os ex-funcionários no documento.

O Departamento de Energia disse que o urânio altamente enriquecido é necessário para manter pequeno o tamanho do reator experimental. Se fosse usado urânio com até 20% de pureza, o núcleo do reator precisaria ser cerca de três vezes mais alto, três vezes mais largo e conter 40 vezes o volume de sal combustível, afirmou. Assim que o experimento terminar, o reator será desativado e removido, afirmou.

Enquanto isso, no âmbito do acordo nuclear e das declarações da chancelaria americana, Washington pressiona o Irã para interromper seu programa nuclear.

Mesmo tendo se retirado do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) em 2018 sob o governo Trump, e das consecutivas tentativas de revivá-lo agora sob o governo Biden, Washington e Teerã não conseguiram chegar a um ponto comum.

 

Ø  EUA dão à Ucrânia espécie de permissão para a guerra contra a Rússia, diz embaixador

 

Os EUA dão a Kiev uma espécie de permissão para continuar lutando com a Rússia, ignorando publicamente os últimos ataques de drones em Moscou, declarou Anatoly Antonov, embaixador russo em Washington.

"A única coisa que os pseudopolíticos na Ucrânia levam em conta é a posição do Ocidente liderado pelos EUA. O silêncio e a ignorância das atrocidades dos bandidos com galões amarelos e azuis é uma espécie de permissão para os nazistas continuarem o confronto inútil contra as Forças Armadas da Rússia", disse Antonov respondendo a uma pergunta da mídia.

De acordo com ele, as declarações de Washington sobre o ataque terrorista em Moscou com uso de drones estão, de fato, incentivando as ações dos terroristas.

"O que valem as tentativas de se esconder por trás da frase que estão 'coletando informações'? Imediatamente as autoridades [dos EUA] mudam para um ataque informacional contra o nosso país. Será que a administração não entende que ninguém acredita em slogans americanos sobre não apoiarem ataques das forças ucranianas contra o território russo?", indagou o diplomata russo.

O embaixador disse que os EUA estão deliberadamente resvalando para o abismo das hostilidades na Europa.

Nesta terça-feira (30), de acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, a Ucrânia lançou um ataque terrorista com uso de drones contra Moscou.

 

       Ocidente pensa que Ucrânia está por trás da série de ataques na Rússia, apesar das negações de Kiev

 

As autoridades ocidentais acreditam que Kiev está por trás de uma série de ataques na Rússia, apesar do fato de as autoridades ucranianas negarem seu envolvimento, diz o Financial Times.

"Mas apesar das negações públicas das autoridades ucranianas sobre os ataques ao território russo, as autoridades ocidentais estão convencidas que Kiev esteve por atrás de várias operações em solo do inimigo", escreve o jornal em um artigo que, em particular, é dedicado ao ataque de drones a Moscou e ao ataque de um grupo de inteligência de sabotagem na região de Belgorod em 22 de maio.

Como observa o Financial Times, os recentes ataques ao território da Federação da Rússia causaram preocupação entre os partidários ocidentais da Ucrânia, que insistiram repetidamente que Kiev não usasse armas da OTAN fornecidas à Ucrânia para quaisquer ataques ao território da Rússia.

"Eles [os ucranianos] veem os alvos no território ocupado pela Rússia e dentro da Rússia como um objetivo igualmente legítimo", declarou um funcionário ocidental não identificado à publicação, acrescentando que isso foi visto como "para fins defensivos".

Nesta terça-feira (30) o Exército ucraniano atacou a capital da Rússia com oito drones, todos foram destruídos, informou o Ministério da Defesa da Rússia. No início da manhã na terça-feira, vários prédios residenciais em Moscou foram danificados na sequência de um ataque de drones, informou o prefeito da cidade, Sergei Sobyanin. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou se tratar de um ataque terrorista.

Além disso, a região de Belgorod foi repetidamente bombardeada pela Ucrânia a partir de 24 de fevereiro de 2022. Desde 11 de abril, em toda a região de Belgorod está em vigor o nível elevado (amarelo) de perigo terrorista.

•        Embaixada russa: declarações de Londres incentivam Kiev a cometer ataques terroristas na Rússia

As observações do secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, James Cleverly, sobre o direito de Kiev de "projetar força" além de suas fronteiras incentivam a Ucrânia a realizar ataques terroristas na Rússia, declarou a embaixada russa em Londres.

Ontem (30), o secretário britânico das Relações Exteriores, James Cleverly, evitou uma pergunta sobre o envolvimento de Kiev nos ataques com drones na Rússia, dizendo que a Ucrânia tem o direito de "projetar força" além de suas fronteiras.

O ministro acrescentou que os ataques a "alvos militares legítimos" fora da Ucrânia fazem parte de sua autodefesa.

"As declarações belicosas do chefe da 'diplomacia' britânica não podem ser vistas de outra forma senão como um incentivo para que o regime de Kiev realize novos ataques terroristas contra alvos civis e cidadãos em nosso país", disse o comentário.

A missão diplomática russa observou que tais declarações caracterizam a disposição de Cleverly de assumir a responsabilidade pelos danos e sofrimentos infligidos aos russos, bem como pela escalada perigosa do conflito.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, a Ucrânia lançou um ataque terrorista com veículos aéreos não tripulados (VANT) contra alvos em Moscou na manhã da terça-feira (30).

Dos oito VANT do tipo avião identificados, cinco foram abatidos por um sistema de armas antiaéreas na região de Moscou, três foram suprimidos por guerra eletrônica e desviados de seus alvos.

•        Ocidente deve fornecer garantias de segurança tangíveis e confiáveis à Ucrânia, afirma Macron

Os países ocidentais devem fornecer à Ucrânia garantias de segurança "tangíveis e confiáveis", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira (31).

"Estamos armando maciçamente a Ucrânia, mas não a incluímos em nenhum diálogo estratégico. Devemos fornecer à Ucrânia garantias de segurança tangíveis e confiáveis", disse Macron em uma sessão do Fórum Globsec 2023, na Bratislava.

Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da França disse que Paris estava pronta para concluir acordos com a Ucrânia para fornecer garantias de segurança junto com os parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O governo francês deve continuar as discussões junto com seus parceiros sobre a melhor forma de apoio à Ucrânia em todos os setores da economia a longo prazo, acrescentou o ministério.

No dia 15 de maio, Macron e o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, anunciaram em um comunicado conjunto que a França treinaria e equiparia vários batalhões com dezenas de veículos blindados e tanques leves, incluindo AMX-10RC. Além disso, Paris disse que concentraria seus esforços no apoio às capacidades de defesa aérea da Ucrânia.

Os países ocidentais aumentaram seu apoio militar à Ucrânia fornecendo vários tipos de armas a Kiev depois que a Rússia lançou sua operação militar especial no país vizinho. O Kremlin alertou repetidamente contra uma nova escalada que leve ao envolvimento direto da OTAN no conflito.

 

Fonte: Sputnik Brasil