segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Vício em 'bet': quando as apostas esportivas viraram um problema de saúde?

As apostas esportivas se tornaram acessíveis como nunca antes. Com aplicativos disponíveis em qualquer celular, é possível arriscar um palpite a qualquer hora e em qualquer lugar. Essa facilidade, combinada com a emoção do esporte, cria um ambiente propício para o desenvolvimento do jogo compulsivo, também conhecido como ludomania.

O que começa como uma aposta pequena em um jogo do time do coração pode evoluir para uma necessidade constante de sentir a adrenalina da vitória. A pessoa passa a apostar quantias cada vez maiores, muitas vezes na tentativa de recuperar perdas anteriores, criando um ciclo vicioso e perigoso para a saúde financeira e mental.

<><> Como identificar os sinais de alerta

Reconhecer que uma prática de lazer está se tornando um vício é o primeiro passo. Alguns comportamentos são indicativos de que a situação está saindo do controle e exigem atenção. Fique atento se a pessoa:

•        Passa a maior parte do tempo pensando em apostas, planejando a próxima ou revivendo vitórias passadas.

•        Mente para familiares e amigos sobre a quantidade de tempo e dinheiro que gasta com jogos.

•        Sente irritabilidade ou ansiedade ao tentar reduzir ou parar de apostar.

•        Aposta para fugir de problemas ou aliviar sentimentos de tristeza e culpa.

•        Pede dinheiro emprestado ou vende bens para continuar jogando.

•        Negligencia o trabalho, os estudos ou as relações sociais por causa das apostas.

<><> Onde buscar ajuda profissional

O vício em jogo é uma doença e precisa de tratamento. A rede pública de saúde oferece apoio gratuito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Essas unidades contam com equipes multidisciplinares preparadas para oferecer o suporte necessário para lidar com a compulsão.

Outra alternativa eficaz são os grupos de apoio. Organizações como os Jogadores Anônimos (JA) promovem reuniões, presenciais ou online, que conectam pessoas que enfrentam o mesmo problema. O compartilhamento de experiências em um ambiente seguro e sem julgamentos é uma ferramenta poderosa para a recuperação.

•        Bets: quatro sinais de que o jogo pode ter virado compulsão

O debate sobre a regulamentação das apostas online, conhecidas como bets, tem gerado discussões em todo o país, colocando em evidência não apenas o impacto econômico, mas também os riscos associados ao vício, tema abordado inclusive na Lei 14.790/2023, que regulamenta o setor. Com a popularização dessas plataformas, cresce a preocupação sobre como identificar quando o que era para ser um entretenimento se transforma em uma compulsão financeira grave, com potencial para destruir vidas e famílias.

A transição de um apostador casual para um jogador compulsivo é sutil, mas marcada por mudanças comportamentais claras. O primeiro sinal costuma ser a preocupação constante com o jogo. A pessoa passa a pensar em apostas a maior parte do dia, planejando a próxima jogada e revivendo experiências passadas, sejam elas de ganho ou de perda. Essa obsessão interfere diretamente na rotina e nas responsabilidades diárias.

Outro indicador crítico é a necessidade de apostar quantias cada vez maiores de dinheiro para sentir a mesma emoção. O que antes era satisfatório com valores pequenos, agora exige um risco financeiro maior. Esse comportamento leva a um ciclo perigoso de perdas crescentes e tentativas desesperadas de recuperar o dinheiro, muitas vezes com novas apostas ainda mais arriscadas.

Principais sinais de alerta

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Identificar a compulsão exige atenção a padrões que vão além do simples ato de apostar. Ficar atento a esses sinais é fundamental para buscar ajuda antes que as consequências se tornem irreversíveis.

•        Esconder o comportamento: mentir para familiares e amigos sobre a frequência e os valores gastos com as apostas é um forte indício de que a pessoa reconhece que há algo errado.

•        Consequências financeiras: recorrer a empréstimos, vender bens pessoais, atrasar o pagamento de contas ou usar dinheiro destinado a despesas essenciais para financiar o jogo.

•        Perda de controle: tentar parar ou diminuir o ritmo das apostas sem sucesso, sentindo-se irritado ou ansioso durante as tentativas.

•        Negligenciar responsabilidades: colocar as apostas à frente do trabalho, dos estudos e das relações sociais e familiares, resultando em queda de desempenho e isolamento.

Onde encontrar ajuda gratuita

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para a compulsão por jogos. O caminho principal é buscar um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo o tipo mais indicado o CAPS AD (Álcool e Drogas), que também atende dependências comportamentais. Essas unidades contam com equipes multidisciplinares para oferecer suporte psicológico e psiquiátrico.

O atendimento nos CAPS é gratuito. Para acessar o tratamento, recomenda-se procurar primeiro uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que fará a avaliação inicial e o encaminhamento ao CAPS mais adequado. Em alguns municípios, também é possível buscar diretamente o CAPS, que funciona com porta aberta.

Além do SUS, algumas universidades públicas com cursos de psicologia oferecem clínicas-escola com atendimento à comunidade a preços simbólicos ou de forma gratuita. Outra alternativa são os grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos (JA), que promovem reuniões gratuitas baseadas na troca de experiências.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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