Dez
propostas para pensar a segurança pública nas eleições
Viver
em uma democracia é uma conquista. E, toda vez que ela parece estar em risco,
somos lembrados da importância de defendê-la. Mas há uma pergunta que também
precisa fazer parte dessa discussão: de que democracia estamos falando quando
os direitos garantidos pela Constituição ainda não chegam a todos os
brasileiros?
O
direito à vida, à segurança, à educação, à saúde e à dignidade não deveria
depender da cor da pele, do CEP ou da renda. No entanto, para uma parcela da
população, esses direitos continuam distantes da realidade. São pessoas que
convivem diariamente com a violência, a ausência de serviços públicos e, em
muitos casos, com a ameaça representada pelo próprio Estado.
Em um
ano eleitoral, discutir segurança pública exige olhar para além das promessas
de mais policiamento, prisões e penas mais duras. Exige perguntar como os
candidatos pretendem garantir os direitos de quem historicamente ficou à margem
deles e quais políticas são necessárias para impedir que a violência continue
interrompendo vidas.
Foi com
esse propósito que a Ponte Jornalismo produziu a série Ponte nas Eleições,
composta por seis reportagens e republicada por 13 veículos parceiros de todas
as regiões do país — Amazônia Real, Conquista Repórter, Sargento Perifa, Mídia
Étnica, Correio Nagô, Marco Zero, Revista Afirmativa, Eh Fonte, #Colabora,
Agência Mural, O Catarinão, Plural e Portal Catarinas.
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Ao
longo dos últimos meses, ouvimos pesquisadores, especialistas, movimentos
sociais e pessoas diretamente afetadas pela violência para discutir o que
deveria estar nos planos de governo dos candidatos à Presidência, aos governos
estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas.
A
partir dessas conversas, reunimos dez propostas que sintetizam os caminhos
apontados nas seis reportagens. Algumas exigem mudanças profundas na maneira
como o país enfrenta a violência. Outras partem de algo que deveria ser
elementar, como cumprir as leis e garantir que os direitos já conquistados
sejam, de fato, direitos de todos.
1.
Investir em inteligência e investigação criminal
Priorizar
o esclarecimento de homicídios, o combate ao tráfico de armas, o rastreamento
de armamentos e a investigação das lideranças e estruturas financeiras do crime
organizado.
2.
Reduzir a letalidade policial e fortalecer o controle das polícias
Estabelecer
metas de redução das mortes, condicionar repasses federais ao cumprimento
dessas metas, ampliar a transparência e responsabilizar agentes e integrantes
da cadeia de comando por violações.
3.
Reorientar os investimentos em segurança pública
Submeter
os orçamentos a maior fiscalização, avaliar os resultados dos gastos, ampliar a
participação das comunidades nas decisões e direcionar recursos também para
políticas sociais e prevenção da violência.
4.
Reduzir o encarceramento e reformular a política de drogas
Combater
o uso excessivo da prisão provisória, garantir os direitos das pessoas presas,
desenvolver alternativas comunitárias de resolução de conflitos e discutir a
legalização e a regulamentação das drogas.
5.
Enfrentar as estruturas econômicas do crime organizado
Investigar
a lavagem de dinheiro e as conexões das facções com diferentes mercados, além
de oferecer alternativas de emprego e renda às populações que dependem de
atividades econômicas apropriadas por grupos criminosos.
6.
Prevenir a violência contra as mulheres antes que ela se agrave
Garantir
autonomia financeira, educação para a igualdade de gênero, assistência jurídica
e psicológica, abrigos e redes de proteção acessíveis, inclusive em municípios
pequenos e territórios tradicionais.
7.
Integrar segurança pública, saúde, educação e assistência social
Compartilhar
informações entre os serviços, identificar precocemente situações de violência
e garantir atendimento especializado e acolhimento às vítimas.
8.
Garantir educação, saúde e oportunidades para crianças e adolescentes
Investir
em escolas, universidades, formação profissional, esporte, lazer, cultura,
saúde mental e segurança alimentar, com atenção às desigualdades raciais e
territoriais.
9.
Transformar o sistema socioeducativo e apoiar os adolescentes egressos
Priorizar
a responsabilização com garantia de direitos, combater a tortura, oferecer
acompanhamento após o cumprimento das medidas e apoiar as famílias.
10.
Fortalecer a participação das comunidades na construção das políticas públicas
Incluir
moradores de periferias, mulheres, jovens, povos indígenas, comunidades
quilombolas e pessoas afetadas pelo encarceramento nas decisões, além de
investir em infraestrutura e serviços públicos nos territórios
vulnerabilizados.
Fonte:
Ponte Jornalismo

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