Rede
de vice dos EUA planejou financiar mídia e iniciativas conservadoras no Brasil,
diz jornal
A
Rockbridge Network, organização privada norte-americana fundada em 2019 pelo
atual vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, iniciou articulações para
estabelecer uma estrutura de atuação no Brasil. Documentos obtidos pela Folha
de S.Paulo mostram que o projeto previa apoio a veículos de comunicação
conservadores, financiamento de iniciativas de formação de jovens e
fornecimento de pesquisas e dados a parlamentares de direita. A organização
afirma que a iniciativa brasileira não avançou e que a entidade registrada para
viabilizá-la nunca entrou em operação.
A
aproximação ocorreu em meio às articulações de grupos conservadores dos Estados
Unidos com empresários e políticos brasileiros, às vésperas das eleições de
2026. A Rockbridge ganhou destaque no debate público após acusações de que
integrantes da rede estariam ligados à campanha presidencial de Flávio
Bolsonaro (PL). Os envolvidos negam o financiamento estrangeiro da candidatura,
e não há confirmação pública de que recursos da organização tenham sido
destinados à campanha.
Segundo
a reportagem publicada pela Folha nesta sexta-feira (25/09), representantes da
Rockbridge mantiveram contatos com empresários e políticos brasileiros. Entre
os nomes que teriam conhecido integrantes da rede estão Flávio Bolsonaro e
Romeu Zema, além dos empresários Joesley Batista, da J&F, e André Esteves,
do BTG Pactual. Os dois empresários e os políticos citados não comentaram o
assunto à publicação.
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Projeto previa financiamento de iniciativas conservadoras
Em sua
apresentação, a Rockbridge Brasil descrevia a sua iniciativa como uma estrutura
de investimento na infraestrutura política e social do país. O material
afirmava que havia espaço para organizar e financiar setores nos quais, segundo
seus autores, os conservadores tinham menor presença.
A
proposta previa três frentes de atuação. Mídia, com apoio e organização de
veículos de comunicação conservadores; formação de jovens, com financiamento de
movimentos e iniciativas em ambientes universitários e atuação legislativa a
partir da produção e fornecimento de dados e pesquisas para parlamentares de
direita.
Os
documentos obtidos pela Folha também previam encontros reservados entre
integrantes, reuniões periódicas e participação de investidores na definição de
prioridades. Uma das modalidades de adesão, aponta a apuração do jornal,
denominada Keystone, previa contribuição anual de US$ 500 mil (cerca de R$
2,585 milhões). Outra, chamada Visionary, estabelecia contribuição de US$ 1
milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) e acesso a um conselho estratégico.
A
documentação também menciona a criação de um conselho de tecnologia para reunir
empresários, investidores e executivos brasileiros e estrangeiros. Um dos
objetivos apresentados era ampliar a participação de empresas norte-americanas
em setores estratégicos da economia brasileira, incluindo tecnologia, energia e
mineração, em um contexto de disputa econômica e tecnológica entre os Estados
Unidos e a China.
O
material estima que a iniciativa poderia gerar mais de US$ 100 bilhões (cerca
de R$ 517 bilhões) em impactos econômicos ao longo de dez anos e mais de 500
mil empregos. Esses números eram projeções apresentadas no documento, e não
resultados de investimentos realizados.
A
Rockbridge informou à Folha que o projeto empresarial foi rejeitado e que a
organização nunca recebeu recursos nem realizou atividades no Brasil. Também
afirmou que documentos que atribuíam à entidade objetivos de atuação política
foram produzidos sem seu conhecimento.
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Relação com J.D. Vance e investidores conservadores dos EUA
A
Rockbridge Network foi criada por J.D. Vance e pelo empresário e investidor
Chris Buskirk. A rede reúne empresários, investidores, doadores e integrantes
do meio político conservador norte-americano. Sua formação está associada à
aproximação entre setores do Vale do Silício, grandes fortunas e o movimento
político alinhado ao presidente Donald Trump.
Vance,
que assumiu a vice-Presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025, mantém
vínculos com esse círculo político e empresarial. Reportagem da Reuters
publicada em agosto de 2024 descreveu a Rockbridge como uma rede de
financiamento de iniciativas políticas conservadoras, com atuação em
mobilização eleitoral, comunicação, pesquisas e organizações religiosas. A
agência informou que a estrutura reunia diferentes grupos e recebia apoio de
investidores ligados ao setor de tecnologia.
Entre
os nomes associados ao ambiente de investidores da Rockbridge está Peter Thiel,
empresário e cofundador do PayPal e Palantir, que também investiu na trajetória
política de Vance. Thiel participou da aproximação entre Vance e Buskirk,
segundo reportagem da Folha. A rede também mantém conexões com empresários e
investidores conservadores interessados em ampliar a influência de suas
posições na política e nas instituições norte-americanas.
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Conselho de tecnologia e aproximação com Flávio Bolsonaro
Entre
os documentos relacionados ao projeto brasileiro está uma apresentação
intitulada “Conselho de Tecnologia — O Atalho para a Prosperidade e Soberania
Nacional”, datada de abril de 2026 e dirigida ao então pré-candidato à
Presidência Flávio Bolsonaro, conforme a apuração do jornal.
O
material propunha reunir 23 integrantes, dos quais 19 seriam estrangeiros
ligados à tecnologia, aos investimentos e a outros setores empresariais. Entre
os brasileiros mencionados estavam Talles Gomes, fundador da Easy Taxi e da G4
Educação; Mario Araripe, fundador da Casa dos Ventos; David Peixoto, fundador
da Pax AI; e Pedro Sang, apresentado no documento como CEO da Rockbridge
Brasil.
A
assessoria da Pax AI afirmou à Folha que Peixoto não recebeu convite para
integrar o conselho e nunca participou de iniciativa ligada à Rockbridge
Network Brasil. Gomes declarou que a proposta do conselho de tecnologia não
avançou e que o grupo nunca chegou a ser constituído ou reunido. Pedro Sang,
por sua vez, afirmou que não teve vínculo formal com a organização.
André
Marinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo Novo, também aparece nas
articulações. Ele afirmou que o projeto não evoluiu, mas negou ter produzido os
documentos com as metas de atuação e os termos de adesão. Também declarou que o
material não foi apresentado por ele à campanha de Flávio Bolsonaro nem a
autoridades ou organizações norte-americanas.
A
Rockbridge sustentou que a proposta era criar um fórum empresarial e que não
havia intenção de participar da política brasileira. A organização afirmou
ainda que brasileiros fizeram declarações falsas sobre sua relação com o grupo
e produziram documentos sem autorização.
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Pedido de investigação no STF
A
possível relação entre a Rockbridge e a campanha de Flávio Bolsonaro motivou
iniciativas no Supremo Tribunal Federal (STF). Neste mês de setembro, o
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia de fato à
Corte. Na sequência, o Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou um pedido para
que fosse aberto inquérito policial para apurar a suspeita de financiamento
estrangeiro da campanha presidencial.
As
iniciativas foram motivadas por declarações do candidato à Presidência Renan
Santos (Missão), que acusou pessoas ligadas à rede de atuar em favor da
campanha de Flávio Bolsonaro. Santos também mencionou possíveis interesses
empresariais relacionados à exploração de terras raras no Brasil. Os citados
contestaram as acusações.
A
legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento de recursos de origem
estrangeira por partidos e candidaturas. As regras do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) também estabelecem exigências para a arrecadação, a
movimentação financeira e a prestação de contas das campanhas.
• Exército simula defesa cibernética no
Brasil às vésperas da eleição
O
Exército brasileiro coordenou, entre os dias 21 e 25 de setembro, a oitava
edição do evento Guardião Cibernético às vésperas da eleição presidencial. A
ação veio em meio aos alertas, tanto de especialistas, quanto da Agência
Brasileira de Inteligência (Abin), para possíveis interferências estrangeiras
no pleito brasileiro.
O
evento do Exército reuniu 1,3 mil participantes em Brasília e outras seis
capitais do país, como São Paulo, Recife, Curitiba e Manaus. A simulação contou
com cerca de 300 organizações e representantes de 14 países.
Classificado
como “um dos mais abrangentes treinamentos de defesa cibernética do Hemisfério
Sul”, o encontro simulou ameaças digitais com objetivo de treinar a cooperação
entre instituições públicas e privadas para casos de ataques cibernéticos que
possam afetar serviços essenciais à população.
“Durante
o exercício, foram reproduzidos cenários de ataques cibernéticos complexos e
coordenados, permitindo testar procedimentos, aperfeiçoar planos de
contingência e identificar soluções para ampliar a resiliência nacional”,
afirmou o Exército, em nota.
A
iniciativa reuniu, além das Forças Armadas, órgãos governamentais, entidades
reguladoras e operadores de infraestruturas críticas dos setores de energia,
abastecimento de água, telecomunicações, finanças, entre outros.
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Riscos de ciberataques
Na
semana passada, um relatório da Abin divulgado pela Folha de São Paulo, e
confirmado pela TV Brasil, alertou para risco de influência ou interferência
dos Estados Unidos (EUA) nas eleições brasileiras de 2026.
Elaborado
em agosto deste ano, o documento classifica a possibilidade de interferência
externa com um “nível de criticidade” e contextualiza o problema dizendo que “a
reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina” é prioridade do segundo
governo do presidente norte-americano Donald Trump.
Analistas
consultados pela Agência Brasil têm alertado para o risco de ação cibernética
dos EUA ou de bigtechs com objetivo de influenciar as eleições gerais de
outubro, o que poderia desestabilizar sistemas informáticos e computacionais.
No dia
12 de agosto, a Casa Branca publicou memorando prevendo parceria com empresas
privadas para ações que envolvem “acesso a tais sistemas de informação sem
autorização do proprietário ou operador ou excedendo o acesso autorizado”.
Nesta
semana, a Austrália denunciou uma invasão em site com estatísticas de saúde
pública do país pela Open IA, dona do ChatGPT, uma das principais companhias de
Inteligência Artificial do mundo.
Fonte:
Opera Mundi

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