Por
que Flávio Bolsonaro não cai?
A
pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada em 21 de setembro colocou Lula com 40% e
Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. Numa simulação de segundo turno, os
dois aparecem com 46% e 45%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos
percentuais. Poucos dias antes, o Datafolha havia encontrado um quadro
parecido, com 39% a 36% no primeiro turno e 46% a 44% no segundo. Depois de
cair durante a crise do Banco Master e do caso Dark Horse, o senador recuperou
terreno e voltou à faixa em que a disputa com Lula aparece tecnicamente
empatada em vários levantamentos.
Marta
Arretche formulou a questão como o mistério da resiliência de Flávio Bolsonaro
nas pesquisas. A pergunta é boa porque parte de uma expectativa intuitiva, já
que um candidato aparece ligado a um banqueiro preso, admite ter solicitado
dinheiro para um filme sobre o próprio pai, enfrenta novas reportagens e
investigações e, apesar disso, não sofre uma deserção eleitoral duradoura.
Entretanto, a ciência política acumulou, nas últimas décadas, literatura
suficiente para desconfiar dessa expectativa. Há, ao menos, sete mecanismos que
ajudam a entender por que a resposta pode ser menos surpreendente do que
parece.
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A barreira que protege o bolsonarismo
O
primeiro argumento já foi bem construído pela professora Marta Arretche. O
Brasil passou a organizar boa parte de sua competição presidencial em torno de
identidades políticas muito fortes. Felipe Nunes e Thomas Traumann usam a
expressão “calcificação” para descrever esse processo. A partir de cerca de 99
mil entrevistas realizadas entre 2021 e 2023, os autores mostram que lulismo e
bolsonarismo deixaram de ser apenas preferências eleitorais circunstanciais e
passaram a se aproximar de identidades sociais, com menor disposição para
desertar do próprio grupo diante de fatos novos. Em linguagem simples, parte do
eleitorado muda de avaliação antes de mudar de lado.
Anna
Petherick e seus coautores acompanharam eleitores em cinco ondas de survey em
torno da eleição de 2022 e encontraram polarização afetiva especialmente
intensa entre apoiadores de Lula e Jair Bolsonaro antes da campanha, com
estabilidade durante a eleição. A polarização diminuiu depois do pleito, o que
recomenda cautela diante da ideia de identidades absolutamente fixas, mas o
achado é compatível com a tese de que, durante uma disputa presidencial, a
informação nova é processada dentro de vínculos prévios. Petherick e
colaboradores ajudam a entender por que notícias negativas podem afetar a
imagem de um candidato sem mudar o voto.
Flávio
Bolsonaro também herdou algo maior que um sobrenome. Lucio Rennó identifica o
bolsonarismo como um alinhamento eleitoral de direita relacionado a posições
relativamente coerentes sobre segurança pública, costumes, políticas de
inclusão, economia e, posteriormente, teorias conspiratórias e atitudes
antidemocráticas.
Oswaldo
Amaral encontrou antipetismo, identificação com a direita e outras formas de
identificação política entre os determinantes do voto em Jair Bolsonaro em
2018. David Samuels e Cesar Zucco já haviam mostrado que o antipartidarismo tem
efeitos próprios sobre o comportamento eleitoral brasileiro. Rennó, Amaral e
Samuels e Zucco indicam, por caminhos diferentes, que o voto pode ser
sustentado tanto por identificação positiva com o bolsonarismo quanto pela
rejeição ao PT.
Isso
ajuda a entender por que Flávio Bolsonaro conseguiu ocupar o lugar de principal
herdeiro eleitoral do pai. Em fevereiro, a Quaest encontrou intenção de voto
nele entre 92% dos eleitores classificados como bolsonaristas, enquanto o apoio
caía para 65% na direita não bolsonarista. Felipe Nunes interpretou isso como
consolidação de Flávio no núcleo mais ideológico. Os mecanismos que explicam um
piso eleitoral alto não são necessariamente os mesmos que explicam crescimento
fora desse núcleo.
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O bolsonarismo tem uma eficiente infraestrutura comunicacional
Aqui
discordo mais diretamente da leitura de Marta Arretche que reduz a
desinformação a uma variável secundária. O problema não está em imaginar que
uma fake news isolada convence milhões de pessoas a votar em Flávio Bolsonaro.
A desinformação pode proteger identidades já formadas, dar interpretações
convenientes para acontecimentos negativos, deslocar responsabilidades e
reduzir a disposição de aceitar informações produzidas por fontes vistas como
adversárias.
A
hipótese do Partido Digital Bolsonarista, desenvolvida por Ana Claudia Chaves
Teixeira e colaboradores a partir de três anos de monitoramento no CCI/Cebrap,
é útil porque desloca a análise do conteúdo individual para a organização que o
produz e distribui. O grupo descreve uma estrutura que opera em paralelo ao
partido formal e articula políticos, influenciadores, produtores de conteúdo,
financiamento e redes digitais em atividade contínua. Flávio Bolsonaro não
entra na eleição apenas com a máquina oficial da campanha; recebe redes que já
estavam mobilizadas, códigos compartilhados e canais próprios de interpretação.
Outros
trabalhos mostram a continuidade de estruturas semelhantes. João Ozawa e seus
coautores documentaram, a partir do estudo do chamado “Gabinete do Ódio”, como
o WhatsApp, central na campanha de 2018, continuou sendo usado durante o
governo de Jair Bolsonaro para propaganda política e circulação de informação
falsa ou enganosa.
Frederico
Pereira, Natália Bueno, Felipe Nunes e Nara Pavão encontraram, em experimento
realizado durante a eleição de 2018, que correções produzidas por agências de
checagem foram pouco eficazes para reduzir crenças falsas. Predisposições
partidárias contribuíam para explicar quem acreditava nos rumores, mas não eram
suficientes para explicar a resistência às correções. Patrícia Rossini, Antonis
Kalogeropoulos e Camila Mont’Alverne, em pesquisa longitudinal sobre 2022,
mostraram que acreditar em alegações falsas de fraude eleitoral antecedeu
aumento de intolerância contra adversários políticos. Ozawa e colaboradores,
Pereira e colaboradores e Rossini e colaboradores permitem tratar desinformação
como sistema de reforço e, neste caso, provavelmente de proteção.
As
redes religiosas acrescentam outro circuito de confiança. Matheus Ferreira e
Mario Fuks encontraram que a exposição a mensagens de apoio de lideranças
religiosas esteve associada ao voto em Jair Bolsonaro em 2022 entre evangélicos
e católicos. Em 17 de setembro de 2026, o Datafolha registrou Flávio Bolsonaro
com 48% e Lula com 26% entre evangélicos, diferença fora da margem de erro
desse grupo. Ferreira e Fuks não demonstram que lideranças religiosas
determinem o voto, mas que podem mediar mensagens políticas. O Datafolha mostra
que essa clivagem persiste em 2026.
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Escândalo e mudança de voto são coisas diferentes
O
terceiro argumento trata da corrupção, em especial do caso Banco Master. A
literatura brasileira mostra que informação sobre corrupção pode produzir
punição eleitoral, mas esse efeito depende de quem recebe a informação, de quem
é acusado, das alternativas disponíveis e das predisposições anteriores do
eleitor.
Miguel
de Figueiredo, F. Daniel Hidalgo e Yuri Kasahara mostraram, em experimento de
campo e survey realizado no Brasil, que informações sobre corrupção podem
produzir respostas eleitorais diferentes entre as bases dos candidatos, em
parte porque esses grupos atribuem pesos distintos ao tema da corrupção.
Barbosa e Turgeon mostram experimentalmente que, à medida que alternativas
eleitorais honestas se tornam menos disponíveis, diminui tanto o peso atribuído
à corrupção na escolha do voto quanto o engajamento eleitoral. Figueiredo,
Hidalgo e Kasahara e Barbosa e Turgeon ajudam a separar dano reputacional de
mudança efetiva de voto.
Esse
mecanismo importa para o Master porque a crise deixou de ser percebida apenas
como um problema de Flávio Bolsonaro. O material tornado público em setembro
passou a envolver o próprio senador, que nega irregularidades, e também
relações, contratos, mensagens ou contatos associados a integrantes do Supremo.
Há indícios de que o ministro do Supremo, André Mendonça, tratou de forma
seletiva os vazamentos e as investigações que ocorreram no processo que
relatou, priorizando agentes ligados à esquerda, como Lulinha, filho do
presidente, mesmo sem indicações fortes de seu envolvimento, enquanto
preservava Flávio Bolsonaro e aliados.
Somam-se
a isso ministros do STF associados a Daniel Vorcaro e a possíveis ganhos, como
Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, André Mendonça e especialmente
Alexandre de Moraes.
Ora,
por mais que não tenha sido indicado pelo PT, Alexandre de Moraes foi figura
central em manter Jair Bolsonaro sob controle da Constituição brasileira e foi
exatamente o relator do processo que condenou e prendeu o ex-presidente. Assim,
os indícios de corrupção do STF vão ao encontro do discurso bolsonarista de
ataques a tal instituição, enquanto a perda de imagem de Moraes acaba sendo
sentida também por Lula. Em outras palavras, a relação de Flávio Bolsonaro com
Daniel Vorcaro pode ser anulada no ambiente comunicacional em que boa parte do
STF também aparece como envolvido.
Para o
eleitor já identificado com o bolsonarismo, esse tipo de ambiente permite uma
neutralização comparativa. A pergunta deixa de ser apenas “Flávio Bolsonaro
está envolvido?” e passa a incluir “quem não está?”, “por que investigam este e
não aquele?” ou “qual instituição merece confiança?”. A crise do STF torna esse
processamento mais provável porque o bolsonarismo já cultivava hostilidade à
Corte. Pesquisa Quaest divulgada em setembro registrou 56% de desconfiança no
Supremo. O dado mede percepção, mas mostra uma instituição já desgastada. A
Quaest ajuda a entender por que acusações contra Flávio Bolsonaro podem
disputar atenção com acusações e suspeitas dirigidas a outros atores.
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A economia objetiva e a economia sentida não são a mesma coisa
O
governo Lula chega ao fim do mandato com indicadores macroeconômicos que,
isoladamente, poderiam favorecer um presidente candidato à reeleição, mas sem
uma percepção social equivalente de melhora material. A diferença entre
indicador e percepção é antiga na literatura sobre voto econômico.
Peixoto
e Rennó mostraram, ao estudar 2010, que a avaliação positiva do governo e,
especialmente, a percepção de mobilidade social ascendente estiveram associadas
ao voto em Dilma. Oswaldo Amaral e Pedro Ribeiro mostraram que, em 2014, a
avaliação do governo foi um forte preditor do voto em Dilma Rousseff, mas não
se reduzia à economia. Luciana Veiga e Steven Ross chegaram a outro resultado.
Conhecer indicadores econômicos objetivos explicava pouco a avaliação da
economia, enquanto a afetividade partidária tinha peso considerável. Peixoto e
Rennó, Pereira, Amaral e Ribeiro e Veiga e Ross convergem num ponto. Eleitores
não votam olhando uma planilha de indicadores nacionais.
Em
2026, o problema aparece de forma muito concreta. Reportagem do jornal Nexo
publicada em 18 de setembro reuniu dados de endividamento, apostas online,
insatisfação com o trabalho e custo de vida para explicar o mal-estar econômico
mesmo com bons indicadores macroeconômicos. O texto registra que 82% das
famílias estavam endividadas em agosto, sétimo recorde mensal consecutivo, e
mostra que o governo chegou à reta final tentando responder a essa percepção
com reajuste do Bolsa Família, medidas sobre dívidas e restrições às bets.
Mesmo
políticas de transferência de renda não produzem votos de forma automática.
Cesar Zucco mostrou que programas de transferência condicionada estiveram
associados a melhor desempenho eleitoral de candidatos governistas em eleições
anteriores, mas não produziram realinhamento partidário duradouro. Zucco ajuda
a explicar por que reajustar o Bolsa Família pode ter efeito eleitoral e, ao
mesmo tempo, ser insuficiente para alterar uma disputa calcificada. Lula recebe
crédito por resultados do governo, mas também concentra a responsabilização por
preços, endividamento, segurança, serviços públicos e qualquer sensação de
estagnação que o eleitor atribua à administração federal.
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A campanha de Flávio Bolsonaro fez uma comunicação política melhor
Meu
quinto argumento é que a comunicação política eleitoral de Flávio foi, em
vários momentos, mais ajustada aos temas que dominam a preocupação cotidiana do
eleitor. Essa é uma avaliação de campanha, e não uma afirmação de que suas
propostas sejam melhores. O contraste está na escolha de temas e na
simplicidade da mensagem. Flavio Bolsonaro foi construído como o “Bolsonaro
moderado”, aquele que é pai de duas mulheres, respeitando-as e as colocando em
posição central em seu futuro governo.
Assim,
Flávio Bolsonaro herda o espólio político do pai, figura central da identidade
bolsonarista discutida no primeiro ponto, e se protege onde o pai vai mal, como
na avaliação das mulheres. Isso é notadamente importante em um momento em que
mulheres se sentem particularmente desprotegidas diante do aumento de
feminicídios e outras ameaças. Como o bolsonarismo já tem proximidade com a
segurança pública, Flávio Bolsonaro facilita a conexão com o combate à
violência contra mulheres.
Enquanto
a campanha petista derrapava em defesa da “soberania”, um tema distante do
cotidiano da maioria, a campanha de Flávio Bolsonaro apostou em temas próximos
aos cidadãos e em propostas simples e claras, como um “tesouraço” de impostos,
a diminuição do preço dos alimentos, a redução da maioridade penal, o
endurecimento de penas contra o crime e a classificação de PCC e Comando
Vermelho como organizações terroristas. Mais simplórias que simples, essas
propostas se tornaram palatáveis ao eleitor comum.
Além
disso, Lula ocupa o centro da política brasileira há décadas, presidiu o país
entre 2003 e 2010, voltou ao Planalto em 2023 e chega a 2026 como incumbente.
Muitas pessoas mal se lembram dos governos antes do PT (Lula I e II, Dilma I e
II e mesmo Michel Temer, que é considerado parte do PT por boa parte da
população), então Lula acaba sendo visto como “mais do mesmo” e como “velho”.
Entra aí tanto o etarismo, com a comparação óbvia com Joe Biden, quanto a ideia
simbólica de que Lula representa o antigo e Flávio, o “novo”.
Mais
jovem e “moderado”, Flávio Bolsonaro pode representar o novo para parte da
população. O Datafolha colocou Lula muito à frente no quesito ligado à vivência
política, mas Flávio Bolsonaro numericamente à frente na associação a
modernidade e inovação, 31% a 26%. O Datafolha mostra que a oposição entre
continuidade e mudança já estava na percepção dos eleitores.
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Os Estados Unidos entraram na eleição brasileira
Em
sexto lugar, num ponto frequentemente ignorado por cientistas políticos, as
eleições brasileiras sofrem forte influência dos Estados Unidos, cujos
tarifaços do último ano ajudam a manter elevados os preços de alimentos e
combustíveis. Inicialmente, as tarifas impostas pelo governo Donald Trump a
produtos brasileiros colocaram Washington no centro da disputa e deram a Lula
uma oportunidade de usar a defesa da soberania nacional.
Em
julho, pesquisa citada pela Reuters indicava que a controvérsia favorecia Lula
mais que Flávio Bolsonaro, enquanto integrantes da família Bolsonaro eram
responsabilizados por parte do eleitorado pela escalada do conflito comercial.
Isso justificaria a ênfase inicial da campanha petista na soberania, mas o tema
parece ter perdido força.
Hoje,
Lula parece sentir mais o efeito negativo da pressão norte-americana. Os
sucessivos tarifaços criaram uma fonte adicional e permanente de pressão sobre
a economia e sobre o próprio governo. Setores atingidos perdem mercado,
empresários cobram compensações e novas negociações, enquanto o governo precisa
mobilizar bilhões de reais em linhas de crédito e outras medidas para socorrer
empresas afetadas. Lula permanece, assim, obrigado a dedicar atenção política a
uma crise que não controla. Ao mesmo tempo, parte da indústria cobra mais
negociação e concessões aos Estados Unidos, enquanto setores empresariais
criticam a estratégia adotada pelo governo e atribuem a ela motivações
eleitorais.
Desse
modo, os próprios efeitos da pressão americana podem se transformar em
argumento contra Lula. Mesmo quando o tarifaço abre espaço para o discurso
governista de soberania nacional, ele mantém a economia sob tensão e alimenta
um ambiente de insatisfação que recai, em alguma medida, sobre quem ocupa a
Presidência.
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Os democratas dormem em berço esplêndido
O
sétimo argumento retoma uma preocupação que apresentei em “Democratas,
acordem!”, mas exige uma qualificação. Em suma, em 2022, houve um levante e uma
união de diversas forças democráticas contra o golpe que se desenhava por Jair
Bolsonaro e aliados.
No
segundo turno, Simone Tebet declarou apoio dizendo reconhecer em Lula
compromisso com a democracia e a Constituição. Fernando Henrique Cardoso
declarou voto no antigo adversário. Marina Silva participou da campanha. Outros
nomes da centro-direita e partidos que não integravam a coligação original
também aderiram. Agência Brasil e Folha de S. Paulo documentaram essa
ampliação.
Nas
redes e no setor cultural, 2022 também teve manifestações públicas de artistas
e influenciadores como Anitta, Felipe Neto e Xuxa. Isso ampliou visibilidade,
circulação de mensagens e ativação de públicos já predispostos. Folha de S.
Paulo e Datafolha permitem dimensionar esse fenômeno.
Em
2026, é notória a percepção de uma campanha parada, que não empolga. A campanha
de Lula voltou a acionar artistas, fã-clubes e militância na reta final, e suas
redes registraram crescimento recente. Mas esse movimento parece tardio e
concentrado em públicos já próximos, segundo a cobertura da própria Folha. Em
2026, o bolsonarismo chega novamente competitivo, agora representado por outro
Bolsonaro e inserido numa disputa em que a crise do STF, o Banco Master, a
economia e a pressão dos Estados Unidos dividem a atenção pública. A defesa da
democracia continua presente, mas disputa espaço com outras urgências. Por
isso, iniciativas de influenciadores, como de a Fabio Porchat, são tão
importantes.
Há,
enfim, bons motivos para Flávio Bolsonaro ter recuperado apoio depois de crises
que pareciam capazes de derrubá-lo. Nenhum desses fatores, isoladamente,
explica a eleição. Juntos, eles ajudam a retirar a discussão do terreno do
espanto moral e colocá-la onde a ciência política costuma ser mais útil, na
análise dos mecanismos que tornam certos eleitores pouco sensíveis a
acontecimentos que parecem devastadores para quem está fora daquele grupo.
Já
indecisos, independentes e “nem-nem” (nem Lula, nem Flávio Bolsonaro) podem
desconhecer os escândalos ou não valorizá-los diante de problemas mais
imediatos, enquanto as forças democráticas não têm a força e a organização da
campanha passada.
Portanto,
há bons motivos para Flávio Bolsonaro não estar caindo e em alguns cenários
estar em um viés de alta. O objetivo aqui não é sugerir caminhos à campanha
petista, mas organizar o cenário eleitoral. Diante disso, repito o último
ponto. As forças democráticas brasileiras precisam urgentemente acordar e se
mobilizar diretamente nas eleições ou a chance de derrota se mostra maior que o
desejado.
Fonte:
Por Rafael Cardoso Sampaio, em A Terra é Redonda

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