sábado, 30 de agosto de 2014

Artigo: “Uma imagem desgastada e enganosa”


Talvez o que estamos assistindo nessa campanha eleitoral só ocorra em um Estado como a Bahia, onde os candidatos sem qualquer pudor tentam passar uma imagem distorcida de sua prática. O pior é que tem a quem acredite e o mais incrível é  ter quem saia jurando ser verdade as mentiras preconizadas, mesmo que, depois ao chegar em casa, se tranque no quarto e comece a pedir perdão pelas inverdades apregoadas.
E assim tem sido a campanha eleitoral na Bahia.
Começa a soar de forma estranha, levando muitos a duvidar, das afirmativas da propaganda eleitoral do candidato pelo PT à sucessão na Bahia, o deputado Rui Costa, de que senão todas, pelo menos as principais obras nos últimos 08 anos na Bahia, foram realizações ou tiveram sua participação direta.
O material divulgado não passa de mais uma apelação eleitoral, coisa que o eleitorado já não engole e, principalmente, tendo o conhecimento de que o Estado foi e está sendo governado por Jaques Wagner, seu criador. Pelo menos nas peças oficiais, sua Secretaria de Comunicação assim tem divulgado.
Ao se utilizar da mentira para passar a imagem de “competente”, o candidato imposto pelo então governador baiano, coloca o seu mentor em posição nada agradável, se não ridícula, pois ao posar  como o grande gestor (que não é) e responsável pelas principais realizações do governo, dá a entender que o seu tutor político tem no governo no máximo o papel da “rainha da Inglaterra”, governa mais não manda.
Se esta estratégia utilizada pelos marqueteiros do partido, que se acredita deva ser do conhecimento e autorizada pelo governador, dará certo aí é outra conversa, mais ao querer atribuir a Rui a realização das principais obras feitas ao longo destes dois mandatos consecutivos de Wagner, demonstra uma completa forçação de barra e passa claramente a intenção do governo em querer "inflar" o seu candidato, mesmo que não passem de factoides ridículos e mentirosos, acreditando, que  a população ainda continua ignorante e que talvez, a tecnologia e as redes sociais são modernidades que o homem do interior ainda não tem acesso. Se assim estão acreditando, estarão dando um tiro no pé. Tudo que começa recheado de mentiras, nunca termina bem. Imagine o que não será capaz de fazer após eleito?
Este modelo de fazer política que o PT baiano fez renascer, é um modelo antigo, até arcaico, bastante utilizado na época mais aguda do coronelismo em que o curral eleitoral era visível e ainda não havia chegado no interior o rádio e a televisão, de forma que os candidatos se apresentavam para o eleitor, de posse de uma listagem de obras feitas ou realizadas durante um certo período, executadas pelo conjunto dos governos e creditava artificialmente a ele como o autor.
Ora, ao que se sabe, apesar de ter sido um homem forte no governo baiano do PT, Rui foi titular de duas secretarias no governo Wagner, a das Relações Institucionais (Serin) e Casa Civil, e pelo que se tem conhecimento, são órgãos da estrutura governamental que não participam de nenhuma obra diretamente sim, tratam mais da interlocução governamental com outras secretarias, órgão e com os outros poderes ou segmentos sociais.
Inclusive a passagem de Rui pela Casa Civil, secretaria que havia assumido até sair candidato, não deixou boas marcas, principalmente se considerarmos os critérios utilizados pelo titular para aprovar nomes para assumir cargos no executivo, onde nomes totalmente desqualificados ou suspeitos e até punidos pela Lei da Ficha Limpa, foram aprovados sem qualquer questionamento ou restrição para assumir cargos e órgãos.
Quanta ao material eleitoral publicitário, utilizam Rui Costa e sua equipe "da velha forma e de antigos métodos de fazer campanha, com os marqueteiros querendo passar uma imagem que sabem não ser verdadeira, sem discutir propostas ou projetos. Se apegam na máxima de que “uma mentira repetida várias vezes, passa a ser verdade”. Na realidade continuam com campanhas milionárias, apresentado efeitos cinematográficos, vivendo o candidato do faz de conta e imaginando está enganado a tudo e a todos. Inclusive a si mesmo.



domingo, 24 de agosto de 2014

“Cuspe e promessa são os que mais se perdem”


Acompanhando diariamente a movimentação dos principais candidatos ao governo da Bahia, chegamos à conclusão, diante das promessas  feitas a cada visita a uma região, que o Estado na fase atual se encontra em tal situação de miséria, em termos organizacionais e administrativos, que ousaria até afirmar que o barco está a deriva, tamanho o volume de críticas, as quais não tem partido apenas da oposição, as quais teriam até sentido,  pois para eles, quanto pior melhor, mais, e principalmente, tomando por base as propostas apresentadas pelo candidato da situação, onde afirma claramente que na Bahia tudo está por fazer e por acontecer, dando a entender que nada existe em relação a projetos estruturantes no atual governo.
E olha que estamos falando de um candidato que passou quase os 08 anos em cargos de relevo e de tomada de decisões, sendo considerado se não o mais forte, mais um dos mais fortes assessores do atual governo baiano.
Pelas promessas que temos ouvido e lido, os candidatos dão a entender que dinheiro na sua gestão não será problema, apesar de reconhecerem que o Estado, na atual gestão passa por dificuldades financeiras, fruto de uma administração que cometeu erros primários, os quais por certo eles não cometerão e a grana irá jorrar as fartas.
Agora, como irão transformar o estado atual de penúria em um novo eldorado, isto eles não dizem, talvez possuam uma varinha de condão às escondidas, ou por certo, estarão a espera de passar as eleições e depois de empossado o vencedor, aí começará o chororô e as mesmas desculpas de sempre pelas promessas mão cumpridas, engavetadas e ou esquecidas. De repente ficarão com amnésia.
As propostas até agora apresentadas sobre forma de promessas, todas, tanto da oposição como situação, nada mais são do que críticas veladas a inoperância do Governo Wagner, um gestor que muito prometeu, que levou sonhos à população e pouco realizou, fruto da incompetência como administrador e pelas escolhas erradas de profissionais para assessorá-lo, cuja escolha primou por optar por pessoas do seu círculo de amizade ou partidária, mesmo que não tivessem méritos para exercer a função determinada. E o pior, que as burradas continuam se sucedendo até os dias atuais.
Isto ocorreu nas indicações para secretárias e órgãos vitais, como na  Fazenda, por exemplo, onde está localizado o coração do funcionamento da máquina administrativa, que teve por quase sete anos um dos piores profissionais que já assumiram aquela secretaria, cujo mérito maior, foi desmontar toda estrutura fazendária, levando o Estado quase a falência. Como ela, outras enfrentaram os mesmos problemas em relação a escolha do gestor, com nomes sem qualquer conhecimento técnico da área. Em outras, as dificuldades criadas em razão das constantes substituições do seu titular, como no caso do Planejamento, outro órgão vital para a estrutura administrativa.
Aliado a escolhas de nomes sem méritos para os cargos, os desmandos da gestão se acumularam ao promover o inchaço da máquina estatal, criando inúmeras secretarias e órgão, com um único objetivo, o de atender aos partidos aliados e ou para cooptar novos partidos e ou políticos fisiologistas que não sabem viver sem se servir dos cargos públicos, e logicamente sempre próximos ao Poder.
Transformaram a máquina pública em um monstrengo difícil de gerir e cujas secretarias e órgãos criados que até hoje a sociedade, que é quem financia, sequer sabe que existem e que por certo funcionariam  muito melhor se fosse um departamento ou até mesmo uma gerencia subordinada a uma secretaria.
Diante desse de quadro de ineficiência até se entenderia as críticas da oposição, mais não se compreende, pelo menos até o momento, que a situação não apresente à sociedade, propostas de continuidade de um governo o qual eles dizem ser exitoso, mas que nas suas andanças pela Bahia, pelo menos nas promessas, demonstra que tudo que aí está deve ser modificado e muita coisa deve ser criada e ou projetada.
Prometem no sertão construir barragens e buscar soluções para a seca, prometem no sul regionalizar a saúde, prometem no recôncavo construir hospitais, prometem no Oeste vias de escoamento da produção. E vão por ai prometendo. Por onde passam é só promessas, dando a entender que a Bahia será outra sobre o seu controle. Não se vê a continuidade ou conclusão de qualquer projeto do governo atual. Estranho não? Será que nada está sendo feito ou o que foi feito não presta?
Diante de tantas promessas, o eleitor fica sem entender qual a sua participação, pois tentam confudi-lo com propostas miraculosas e encherem sua cabeça de sonhos, que sabem que jamais tornarão em realidade. Querem apenas o voto. Isto é certo.
Não entendem os candidatos que a população já está cansada de sonhos e fantasias e o que ela deseja na realidade, são coisas simples, sem muitas promessas.
O que a sociedade quer são hospitais públicos, postos e outros serviços da área de saúde funcionando e bem, onde se estirpe do seu dia a dia o câncer maldito da ingerência política, onde para ser atendido tem que ter um bilhete de um político e os cargos loteados por nomes indicados por deputados, prefeitos e ou financiadores de campanha. Que o dinheiro seja aplicado de forma planejada e correta, sem o vício da corrupção e sem roubalheira ou desvio de finalidades.
O que a população quer é ver a escola pública funcionando e bem, com professores bem remunerados, motivados, sendo lhes dada as condições de trabalho ideias para que possam bem executar sua tarefa. O que se deseja são escolas com o mínimo de conforto, climatizadas bem equipadas que tragam ao aluno o desejo e a vontade de nela ficar ou permanecer, com boas bibliotecas e área para a prática esportiva.
O que a população deseja, é ter a certeza que vai sair de casa para trabalhar, ir ao comércio ou sair para o lazer e ter a certeza que voltará para o seu lar sem ter sofrido agressões, seja por marginais ou pela própria polícia, que esconde na violência contra o cidadão a sua incompetência em não saber combater eficientemente o crime. O que cidadão quer é segurança para si, familiares, seu patrimônio e para toda sociedade.
O que a população quer, são políticas publicas voltadas para o atendimento ao homem do campo, de enfrentamento da seca de forma que o sertanejo possa viver e conviver harmoniosamente com os longos períodos de estiagem, acabando de vez  o famigerado ‘carro pipa’, que só serve para enriquecer uma minoria de políticos mal intencionados e acoloiados pelo Poder, fazendo dessa necessidade moeda de troca eleitoral, transformando o homem do campo em eleitor encabrestado.
O que a população quer, é uma política pública voltada para facilitar e baratear o custo da produção, seja agrícola ou industrial, implantando um modal de transporte onde se utilize não apenas as rodovias para o seu escoamento, mais incluir neste modal o transporte ferroviário, fluvial e marítimo. O que se quer é que se monte uma infraestrutura eficiente e eficaz de mobilidade urbana e rural.

Enfim o que a sociedade quer e esperar é um serviço público eficiente e voltado para atender aos interesses de todos e não um Estado onde as ações são voltadas para atender os interesses de uma minoria que sempre vive à sombra do Poder.

sábado, 9 de agosto de 2014

Artigo: “Israel tem o direito de “se defender”? Hipocrisia!”


Incrível como a direita capitalista, interessada em manter o Estado Policial Burguês de Israel como polícia dos negócios capitalistas no Oriente Médio, coloca-se no lugar de vítima para justificar os ataques brutais e assassinatos de centenas de inocentes na Faixa de Gaza. Barack Obama, governo capitalista dos Estados Unidos, apoiado pela imprensa burguesa internacional, faz o discurso de que “Israel tem o direito de se defender”. A imprensa burguesa brasileira, a exemplo da Revista Veja, também faz o discurso de que Israel está exercendo o direito de “se defender” dos “terroristas” da Faixa de Gaza. Ora, mas quem mesmo está sofrendo um pesado ataque? Israelenses ou os palestinos?
Em outros termos, a linguagem usada é para, discursivamente, criar a imagem de que o Estado Policial Burguês de Israel é “vítima” dos “terroristas” palestinos, logo, assassinatos de centenas de palestinos na Faixa de Gaza deveriam ser vistos como “legítimos”, “normais”, consequência de um direito de autodefesa realizada pelo Estado Policial Burguês de Israel. Entretanto, a grande pergunta é: quem aterroriza mais aquela região? Os mísseis não teleguiados lançados do território palestino, a maioria interceptados pela artilharia israelense, ou os bombardeios aéreos lançados pelo poderoso exército de Israel que sempre mata muitas pessoas?
O que temos visto nessa guerra estúpida, estupidez que é própria de todas as guerras, é que os palestinos mal conseguem se defender com seus foguetes frágeis comparados com o poderio das armas israelenses. Portanto, é bastante hipócrita o suposto “direito de defesa” atribuído à Israel pelos governos da direita capitalista e da imprensa burguesa. Quem está sob pesado ataque e quem está sendo assassinado brutalmente são os palestinos, logo, parece-nos que se o “direito de se defender” caberia a alguém nesse conflito, tal direito caberia à parte que literalmente está sendo esmagada. E quem está sendo esmagado? Os palestinos.
Mas a hipocrisia é uma das essências do capitalismo, pois, no fundo, o grande objetivo do Estado Policial de Israel no Oriente Médio, tendo sua fundação apoiada diretamente pelos governos capitalistas dos EUA, não é ser um fomentador da paz e guardião do povo judeu, ao contrário, esse Estado Policial foi criado ali para ajudar a controlar-administrar-garantir os altos lucros dos negócios capitalistas naquela região. Ou alguém acha que é casual que Israel tenha um dos exércitos mais poderosos do mundo? Esse exército poderoso foi criado para proteger o povo trabalhador judeu? Claro que não. Esse é só o faz de conta. Tal Estado Policial foi criado para proteger os negócios da burguesia capitalista-imperialista no Oriente Médio.
Como sair dessa longa e estúpida guerra entre judeus e palestinos? É preciso que os trabalhadores judeus e os trabalhadores palestinos parem com essa mortandade e se unam, em uma única luta, para construir o Estado Socialista Livre Único dos Trabalhadores do Oriente Médio, vivendo em paz e harmonia uns com os outros. Essa é a única e verdadeira luta política que faria sentido naquela região. A verdadeira defesa dos trabalhadores palestinos e a verdadeira defesa dos trabalhadores judeus está em se unir em um Estado Socialista Livre Único, sem exploração do ser pelo ser, sem opressão do ser pelo ser, sem guerras, massacres e terror entre os mesmos. Entretanto, enquanto perdurarem os ditames das burguesias capitalistas da região, esse sonho está distante.


Por: Gílber Martins Duarte – Militante Socialista Livre do CSL/CAEP – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS.


Artigo: “O discurso político da acusação sem averiguação!"


A sociedade política capitalista, tendo a imprensa burguesa como aliada, cria diariamente o espetáculo discursivo das acusações em averiguação, acentuando cada vez mais a sua falta de escrúpulo político. Acusar discursivamente políticos ou lideranças populares sem averiguações, simplesmente para tentar desgastá-los, puni-los, pública e politicamente, tem sido uma arma discursiva inescrupulosa largamente utilizada.
Vamos a alguns exemplos: a oposição de direita brasileira (PSDB/DEM) e admiradores, assim que descobriu prejuízos em negócios feitos na Petrobrás, sem qualquer averiguação profunda, fazendo politicagem eleitoreira, já tentou incriminar a Presidente Dilma Rousseff que, em 2006, era Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, aprovando a realização da compra da refinaria de Pasadena na ocasião, confiando nos relatórios dos membros responsáveis pelo negócio. Qual o intuito dessa acusação sem averiguaçãoem relação à Dilma Rousseff? Desgastar, pública e politicamente, a imagem da Presidente.
Mais recentemente, para que não se venha aqui nos acusar de unilaterais nessa nossa reflexão, o candidato da oposição de direita, Aécio Neves, provou do próprio veneno, ou seja, é acusado de beneficiar sua família, ao construir, supostamente com dinheiro público, um aeroporto privado na fazenda do tio-avô. Já foi feita toda a averiguação para que julguemos Aécio Neves como culpado? Sinceramente, nesse caso específico, ainda tenho minhas dúvidas, se não se trata do discurso da acusação sem averiguação para, em época de eleições, tentar desgastar a imagem do candidato. É preciso investigar melhor, para que possamos tecer uma opinião mais alicerçada sobre o tema.
A militante do PSOL, popularmente chamada de Sininho, e outros manifestantes no Rio de Janeiro, foram acusados sem averiguação e, como são pessoas do povo, sem poder político institucional, frutos dessa acusação politicamente montada, foram sumariamente condenados, julgados pela mídia burguesa e até presos como “quase terroristas”, supostamente acusados de preparação de “protestos violentos”. Conseguiram agora habeas corpus de soltura, para se fazer investigação com direito pelo menos à defesa, claro, depois de muita pressão política dos lutadores sociais e, inclusive, depois do escândalo diplomático causado, quando a advogada militante Eloísa Samy, defensora desses manifestantes, chegou a pedir asilo político à embaixada do Uruguai no Brasil, trazendo à tona a prática ditatorial que tem sido imposta pelo governo PMDBista no Rio de Janeiro.
Por outro lado, metroviários em São Paulo foram demitidos sumariamente pelo governo do PSDB, acusados de “vandalismo” sem averiguação, execrados pela mídia burguesa, supostamente por terem cometido o “crime” de lutar por melhores salários, desobedecendo às ordens judiciárias patronais de volta ao trabalho naquele Estado. Fazer greve não é um direito constitucional? Como pode o PSDB demitir trabalhadores grevistas assim, passando por cima da Constituição Federal? Trata-se de uma acusação sem averiguaçãosimplesmente para punir lutadores da classe trabalhadora.
No plano internacional, assim que o Boeing da Malaysia Airlines foi derrubado, uma tragédia, diga-se de passagem, choveram discursos da acusação sem averiguação, colocando a Rússia como responsável direta pelo atentado e a Revista Veja brasileira, inclusive, foi taxativa em dizer que “A culpa é de Putin”. Mas até agora não há provas internacionais de quem cometeu o atentado, tudo se resume a troca de acusações políticas. Qual o objetivo? Parece-nos que é dar razão ao imperialismo norte-americano, que tem interesse em se beneficiar com a exploração das riquezas produzidas pelos trabalhadores da Ucrânia.
Em outras palavras, acusação sem averiguação é um discurso sem escrúpulos, próprio da moral do vale-tudo do capitalismo, largamente praticado na política, cujo objetivo é queimar e desgastar a imagem de pessoas que possui algum poder de interferir na realidade sócio-histórica-econômica. Grupos políticos, partindo do pressuposto inescrupuloso de que vale-tudo para estar no poder ou para derrubar quem está no poder, fazem acusações graves sem averiguação sem o mínimo constrangimento. Isso, para dizer pouco, é muito feio.
Seria prudente, antes de sair por aí acusando gravemente os outros sem averiguação séria, que investigássemos melhor os fatos. Isso causaria menos erros e menos julgamentos levianos no mundo.


Por: Gílber Martins Duarte – Militante Socialista Livre do CSL/CAEP – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS.


Artigo: “Pesquisas eleitorais: um jeito político de fazer políticos!


Terminado o espetáculo da Copa do Mundo, o Brasil entra agora no espetáculo midiático do processo eleitoral. Dentre a série de variantes desse espetáculo, é dada extrema relevância às pesquisas eleitorais. Toda semana é encomendada uma dada pesquisa eleitoral a um dado instituto para que a população engaje, de alguma forma, em alguma das candidaturas preferencialmente fabricadas pela grande mídia burguesa. Isso não é casual. As pesquisas eleitorais funcionam também como um jeito político de promover-legitimar-fabricar políticos dentro do processo.
Sabendo-se da cultura popular acrítica que vota em candidatos favoritos para não “desperdiçar” o voto, a mídia burguesa joga bem com as pesquisas eleitorais no intuito de induzir-inculcar-promover-construir, via repetição exaustiva, os nomes dos políticos preferidos para disputar um provável segundo turno. No Brasil, o grande esforço da mídia burguesa, com suas pesquisas eleitorais encomendadas, passa, por exemplo, por construir o favoritismo das candidaturas presidenciais alinhadas com a manutenção do sistema capitalista, como Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).
Ao mesmo tempo em que a mídia burguesa, através das pesquisas eleitorais, no caso das eleições para Presidente, constrói as candidaturas supostamente confiáveis ao sistema capitalista, a mesma mídia também tenta potencializar simulacros de possível segundo turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves ou entre Dilma Rousseff e Eduardo Campos, buscando, ao agir com essas simulações de segundo turno, polarizar o país entre o atual governo petista e as oposições supostamente “viáveis” e “confiáveis” que, segundo olhar da burguesia capitalista brasileira e internacional, são as únicas legítimas, afora o atual governo, que poderiam governar.
Cabe lembrar, entretanto, que existem outros candidatos inscritos na disputa do processo eleitoral, como os partidos da esquerda socialista, a quem, criticamente, apoiamos, como PCB , PCO, PSOL, PSTU, mas, dadas as regras das eleições republicano-burguesas, estas candidaturas serão escondidas pela grande mídia até que o espetáculo das pesquisas eleitorais semanais já tenham pavimentado o caminho para não haver nenhuma surpresa indesejável ao sistema capitalista de plantão.
Portanto, não há pesquisa eleitoral inocente, a serviço do esclarecimento do povo: trata-se de um jeito político de fazer políticos.


Por: Gílber Martins Duarte – Militante Socialista Livre do CSL/CAEP – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS.

Artigo: “Um apelo à Cidadania”, por Valmir Fonseca


O povo brasileiro é reconhecido mundialmente por possuir uma série de qualidades e ser assolado por um elenco de defeitos.
Um amigo nos alertou que possuímos como indivíduos, virtudes e maus hábitos, entre os últimos, alguns que nem percebemos.
No momento, não pretendemos discorrer sobre as qualificações do povo nem sobre os seus vícios, ou maus costumes, exceto, apenas um, o egocentrismo arraigado.
O nome parece extravagante, contudo, como logo votaremos, este é um bom momento para rogar ao povo brasileiro que ao exercer a sua cidadania, por favor, esqueça por um segundo os seus interesses e pense no seu Brasil.
Talvez o elemento mais contundente do egocentrismo do homem nativo seja o abominável jeitinho brasileiro.
As suas consequências para o Brasil são tremendas e desmoralizantes, basta que vejamos as pesquisas internacionais, onde despontamos como o País de maior número de homicídios por ano, idem em acidentes de trabalho,  automobilísticos, de estupros  e outros atos desabonadores.
O jeitinho é um velho e carcomido hábito que em geral sublinha a falta de cidadania e, por osmose, a falta de responsabilidade.
Estamos certos que ao tentar de alguma forma obter vantagem em tudo, furando filas, entrando em festa sem ser convidado, rodando com carro no acostamento e uma infinidade de jeitinhos para se dar bem, o agente do golpe, pode estar buscando alguma vantagem para si, pecuniária ou a satisfação imoral de ser mais vivaldino que os outros.
Às vezes consegue, e julga que o macete é ser desleal e malicioso, e assim, considerar - se melhor do que os demais.
Será que por isso, não se importa quem governe o País? Quanto mais golpista é melhor?
Ou seja, o péssimo cidadão busca obter alguma vantagem, pagar menos, não pagar, ganhar algo sem fazer nada, e assim por diante. É o individuo do QI elevado em esperteza.
Este jeitoso individuo é vidrado nos seus direitos, mesmo que atropele os direitos dos outros, que julga são um bando de trouxas e imbecis.
O tal de dever é aquela obrigação que só serve para os idiotas. Como muitos pensam e agem assim, é fácil entender por que estamos à matroca. 
Hoje, próximos à votação, o nosso apelo é muito pequeno, apenas imploramos ao esperto nativo, que por um segundo, se esqueça das vantagens peculiares que a sua votação poderá trazer para si, e por uma boa ação no ato, vote em benefício da Pátria.
Acorda moleque inzoneiro, malandro de esquina, comedor de gilete e de outras guloseimas. Desperta, abra os olhos e veja que o País afunda pela sua omissão, ou melhor, submissão e falta de patriotismo.
Na prática, estamos implorando a você, que por um breve momento, seja um cidadão. Simples assim.
Pense na Pátria, no bem comum, vote consciente, num ato que se transforme em beneficio da Pátria e, portanto, no seu futuro e dos demais.
Sabemos que é difícil alguém pensar nos outros, ainda mais que cercados por cretinos, parece que o restante não vale nada. Ledo engano, a maioria é aquela que cumpre as suas obrigações.
Os patifes, os corruptos e corruptores são poucos em relação aos 200 milhões de brasileiros, e, portanto ao alijá - los de seu voto, você estará praticando a cidadania.
Não estamos citando em quem você deverá votar, pois a escolha é sua, mas mire a nossa ideológica educação, a nossa moribunda saúde, a nossa insegurança pública, a nossa ultrapassada infraestrutura, o bacanal de orgia das greves, e veja como estamos à beira de um profundo abismo.
Você que votará, deve ter capacidade para realizar uma boa escolha e por certo é lúcido o suficiente para avaliar como vamos mal, após mais de uma década de irresponsabilidades, um período em que grassou a impunidade, a corrupção e o desmando institucionalizado.
Acordar disposto a ser um cidadão brasileiro, votando pelo futuro desta maravilhosa terra é tudo que pedimos, ou melhor, imploramos, para o seu e para o nosso bem, e para os futuros cidadãos brasileiros.
Acorda, desligado, despreocupado e desinteressado e entra na nossa imensa fila para expurgar a virulenta praga que corre nas veias da Pátria e tem prostrado uma Nação, em coma econômico - financeiro e moral.



Autor: Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada, reformado.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

“Ano 64: ditadura militar; 2014: ditadura Petista”


Ano: 1964. Cidade Aracaju. Horário:12:30 horas.
De repente, dentro de um ônibus coletivo que nos transportava para assistir aula no Ginásio Jackson de Figueiredo, me vejo cercado por alguns militares do exército, que em nome de um golpe militar e contra o comunismo (pois naquela época comunista comia criancinha. Hoje quem come são os religiosos), se achavam no direito de vasculhar de forma intimidatória a tudo e a todos.
Alvo principal: confiscar o livro de História Geral, de Victor Mussumeci, simplesmente porque o autor incluiu um capítulo onde abordava o tema socialismo e discutia as ideias marxistas.
O golpe contra o Brasil
Em pleno século XX, a elite brasileira se unia ao que existia de mais retrogrado, de podridão e de torturadores para derrubar um governo, que tinha como único crime, efetuar uma reforma agrária, gerar bem estar a sua população, oferecer um teto para cada brasileiro.
Que deseja realizar o sonho de Brizola e de Darci Ribeiro, oferecendo para os jovens, princilmente aos pobres educação pública de qualidade e em tempo integral. Uma saúde pública voltada para a prevenção em lugar da curativa, que é a que interessa aos empresários da saúde.
Enfim, dá dignidade ao seu povo, coisa que até hoje não alcançamos.
Se, em lugar de golpear as instituições democráticas os nossos militares tivessem apoiado as medidas de justiça social que Jango desejava implantar, hoje o povo brasileiro, com plena convicção, não estaria precisando sobreviver com o famigerado Bolsa Família.
Brasil: década de 1970.
Jovem, como muitos brasileiros e já cursando a universidade, como aluno da UFBA, assistimos e vivemos os momentos mais negros da ditadura militar.  Os anos de chumbo do governo Médici, onde matar opositor e ou sumir com seu cadáver, virara rotina.
Mesmo diante de toda essa ameaça, nunca arredamos o pé dos nossos ideais e resolvemos, correndo o risco de sumir a qualquer momento, enfrentar com outros bravos e valorosos companheiros, a mais sangrenta e odiosa ditadura civil militar que o povo brasileiro já conviveu.
Muitos ainda estão vivos para dá o seu testemunho, outros desistiram ou abandonaram seus sonhos, alguns por não ter suportado as torturas a que foram submetidos outros por terem perdidos os ideais e milhares já não estão entre nós, assassinados pela Polícia do Exército ou por membros da Polícia Federal, à época a serviço da ilegalidade e praticando todos os desmandos que os ditadores de plantão permitiam, para alimentarem os seus egos.
Quantas vezes fomos retirados de salas de aula, acordados no meia noite, aprisionados em mesas de bares, com a desculpa de prestar esclarecimentos, que depois de horas e horas na sala de espera da PF - que em Salvador ficava próxima ao Mercado Modelo -, para depois de longa e torturante espera, ser mandado embora, altas horas da noite para casa, sem qualquer justificativa ou motivo da presença ali. E isto tudo sem direito a  advogado.
Apenas fora convocado ou levado para satisfazer o ego do torturador de plantão.
Quem não se lembra da delegada da PF, aquela morena muito bonita por sinal, que se esbaldava de felicidade a assistir sentada de frente para nós, com um sorriso no canto da boca, satisfeita por ver o nosso sofrimento e curtir a nossa dor com as torturas praticadas?
Quantos não sofreram na sala, que denominavamos de ‘calabouço’, cheia de fios elétricos descapados próximos ao chão, no porão do prédio da PF, quando ficávamos nus, torcendo para que a maré não enchesse, pois se assim ocorresse a agua chegava até os joelhos.
Quantos não sucubiram as dores e aos paus de araras e tiveram que ‘entregar’ colegas de ideais diante de um sofrimento que nos deixava a beira da loucura.
Muitos pegaram nas armas, outros enfrentaram com as palavras e com a prática política do convencimento, tentando atrair seguidores que ousasse enfrentar os ditadores de plantão.
Só sente saudade daquele terrível período, quem por ele não passou ou dele se locupletou.
Brasil 2014
Hoje o Brasil deveria está respirando um clima de plena democracia e poder da vivas e agradecer principalmente a muitos que sucubiram e foram perseguidos, torturados e até mortos para que um dia pudéssemos experimentar conviver em um ambiente democrático.
Deveríamos, em lugar de se preocupar em quem será o próximo corrupto, está redendo homenagens a Lamarca, Santa Bárbara, Rubens Paiva, Francisco Pinto, Seixas Dórea, Miguel Arraes, Maurício Grabois, Carlos Marighella e a milhares de outros brasileiros que ficaram no anonimato.
Mais infelizmente, esta não é a imagem que o governo Dilma está passando para nós.
O País que tem no Poder o PT, partido forjado das lutas populares e sindicais, hoje não passa de uma caricatura daquilo que fora no passado. Se transformou em um partido igual aos demais, ou pior, jogou a honestidade, a moralidade e a ética na lata do lixo. Se transformou na reunião de um grupo que é capaz de tudo pelo Poder, inclusive assaltar os cofres públicos.
O País que tem sob sua administração uma ex-guerrilheira, Dilma Rousseff, que como ninguém sabe o que é a tortura e o mal que esta faz - tanto física como psicologicamente -, e o que é ser presa injustamente, apenas por lutar por seus ideais, por justiça social e pelos direitos constitucionais do seu povo, não merece passar pelos momentos repressivos e torturantes que estamos passando.
Decepção
Extranhamente, o Brasil governado por uma ex-guerrilheira e militante de um partido, o PT, que surgiu nas lutas operárias contra a ditadura, é este governo que em pleno período ‘democrático’, cometeu contra o seu povo, as mesmas atitudes praticadas pela ditadura Medici.
Foram dezenas de pessoas presas sem que nem para que, manifestações perseguidas com um aparato policial desproporcional, e tal como  o corria na ditadura sem o nome que o identique na farda, autorizando-o a praticar todo tipo de desmando, escudado pelo anonimato, impedindo a livre manifestação do seu povo.
Assistimos durante os meses de junho e julho, a mais brutal repressão. A mesma repressão e as mesmas técnicas militares utilizada no período mais triste da ditadura militar. Até as leis para o embasamento jurídico dos seus atos, foram buscar nos porões da ditadura, para impor aos movimentos sociais e ao povo brasileiro.
Não sei o que foi pior, a ditadura na década de 70 a quem conhecíamos os adversários e os seus métodos, ou a ditadura de 2014, de Dilma e do PT, que atuou às escondidas e na calada das noites, perseguindo, prendendo e rasgando a Constituição Federal  e o Tratado dos Direitos Humanos.
A Copa do Mundo pode até ter sido a Copa das Copas, mas também será a Copa das Marcas da repressão dura e até injusta e da passagem por nossa mente de um filme, que pensávamos já ter sido apagado pelo tempo.
E olhando hoje, para os grandes expoentes e homens políticos que o PT idolatra, ouso perguntar de que lado estavam: Cesar Borges, Otto Alencar, James Correia, Osvaldo Barreto, Manoel Vitório, Marcos Medrado e seu Pimpolho, Luis Argollo, Pedro Alcântara, Reinaldo Braga, Mário Negromente, João Leão, Eduardo Sales, Jairo Carneiro, Pedro Galvão e tantos outros que hoje comem e dormem na suíte presidencial do PT na Bahia, durante a década de 70.
A nível nacional, apenas para lembrar, pois o tempo e a idade me fez esquecer, onde andavam nos anos de chumbo de Medici, os iluminados José Sarney e toda família, Paulo Maluf, Collor de Melo, o senador Jucá, Kátia Abreu, Henrique Alves, Garibaldi Alves, Delfin Netto, Kassab, Guilherme Afiff, Edison Lobão, Marcelo Crivella, Manoel Dias, Gastão Vieira e tantos outros.
Depois do que assitimos durante a Copa do Mundo em termos repressão, podemos afirmar que só tivemos similar na década de 70.

E aí me pergunto: Será que valeu a pena a luta lá atrás, para ver alguns dos mesmos com quem estivemos lado a lado, hoje com o Poder na mão, efetuar os mesmos atos e atitudes de Médici e companhia?

domingo, 13 de julho de 2014

Artigo: “Ainda bem que tivemos “los ticos”!”. Por Aleksander Aguilar


Ah, Costa Rica! O que teria sido de nós, brasileiros, nesta Copa sem ti. Pensar na tua história neste Mundial, especialmente depois do trauma do Brasil na semifinal “Mineiraço”, é um alento e uma inusitada forma de olhar a toda nuestra América. Exemplo, sim, que futebol mistura-se com política, que só aumentou o imprevisto, mas merecido, reconhecimento da tua seleção por parte desta “impávida” nação sul-americana – e por extensão do teu país, e por ampliação de toda a região da América Central.
Para mim, filho de salvadorenho, a Costa Rica era, sim, a América Central no Mundial! Admito que cada vez que eu ouvia a massa gritar em coro, meu orgulho centro-americano silenciosamente se manifestava: "¡oé-oé-oé-oé, ticos, ticoooos!". Eram os anfitriões, nas ruas durante as partidas costarriquenhas, entoando o nome, com tanta empolgação e carinho quanto com sotaque brasileiro, que para eles é o apelido da seleção costarriquenha – a equipe de um país da América Central! Mas não, não, compatriotas. Ticos é um gentilício coloquial para todo o povo da Costa Rica, algo que ocorre com vários países centro-americanos. Os hondurenhos são os Catrachos, os salvadorenhos são os Guanacos, os guatemaltecos são os Chapines, e cada um desses apelidos possui uma explicação sociohistórica. 
Quem no Brasil, além de um grupo muito específico como aqueles que estudamos esta região quase invisível do mapa-mundi, saberia disso ou se importaria? No Brasil, nação onde a paixão por futebol não é apenas um simples cliché, a seleção desse país centro-americano tornou-se um xodó nesta Copa, pelo incontestável brilhantismo do seu desempenho, deixando o campeonato de forma invicta após enfrentar, e vencer a maioria, grandes potências do esporte mais popular do planeta. Ao derrotar Uruguai e Itália, empatar com Inglaterra, eliminar a Grécia e levar a Holanda para a decisão nos pênaltis numa quarta-de-final, a imprensa mundial aborrecidamente insistiu que ninguém imaginava que a seleção deste pequeno e “exótico” país iria tão longe num campeonato de grandes potências esportivas. E para a maioria da mídia aqui no Brasil, o importante era justamente esse feito. E só. Ao ponto de para muitos a Costa Rica ser uma seleção “caribenha” (afinal, América Central e Caribe é tudo igual, tudo perto por ali no mapa...)
Ocorre que o significado da participação da Costa Rica neste Mundial nunca fez tão evidente a oposição ao adágio popular de que política e futebol não se discutem. Na América Latina discutem-se, inclusive e de preferência, conjuntamente. Importa mesmo é constatar que importantes meios de comunicação no Brasil destacam de repente a história e os índices de desenvolvimento deste país da América Central. Surpresa mesmo, e satisfação, é ver os brasileiros pela primeira vez curiosos com fatos como a Costa Rica não ter exército (mais de 60 anos de sua extinção) mas ter um ganhador do PRÊMIOhttp://cdncache1-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png Nobel. O Brasil, via futebol, desenvolveu quase sem querer um sentimento de latino-americanidade, expresso neste caso precisamente pela invisibilizada região centro-americana, e demonstra ter mais interesse em saber quem são esses países do istmo.
Muito futebol, muita política
E por isso o atual futebol da Costa Rica fez-se uma dupla metáfora nessa fronteira futebol/política: enfeixa por um lado o paralelo das relações geopolíticas centro-periferia no mundo com o das disputas dos grandes atores globais do futebol no contexto – quadrado – dos meganegócios desse esporte na globalização hipercapitalista; e por outro o paralelo dos imbricados debates entre nacionalismos e identidade nacional com a questão da integração regional centro-americana e a projeção internacional dessa região. 
A Costa Rica é um país da América Central. E enquanto através desse momentum no esporte demarcou para si mesmo uma janela de visibilidade e presença nas cartografias geopolíticas desse mundo cada vez mais multipolar – em que a articulação entre países do chamado Sul Global torna-se uma via para um sistema internacional mais igualitário – trouxe a reboque para uma pequena, mas importante, vitrine toda a região deste istmo socialmente convulsionado. Aos poucos, os centro-americanos passaram a ver o país Tico, que deixava mais e mais potências esportivas boquiabertas, como um representante de todos, permitindo o mundo ver que nem só de terremotos e guerras civis vive uma região. Devagar, porque, claro, internamente na América Central há rivalidades, ranços, já que historicamente as relações no istmo viram-se em altos e baixos, com divisões por conflitos políticos e limítrofes. 
Entende-se. Em nome de uma suposta identidade regional, um gaúcho colorado torceria para o Grêmio durante uma Libertadores, e vice-versa? Um pernambucano torcedor do Sport apoiaria o Náutico num campeonato brasileiro, e vice –versa? De sociologia do futebol deixa-se para os especialistas, mas não se pode negar a força desse esporte em todo o continente como fator de unidade. No caso da Costa Rica, o país verdadeiramente possui diferenças enquanto Estado democrático de direito bem marcadas de vizinhos como os do chamado grupo CA-4. El Salvador, Nicarágua, Guatemala e Honduras, o que coloca o próprio debate sobre centro-americanidade e integração regional do istmo como questão.
A América Central hoje
Designada por uma espécie de destino geográfico, uma das especificidades da América Central no contexto latino-americano é justamente a de uma região de trânsito entre os dois oceanos, posição que marcou sua história sociopolítica no passado e lhe influencia no presente, dando-lhe peso geopolítico e características identitárias que a colocam em condições particulares para converter-se em um âmbito que merece análise especifico. Mesmo na América Latina, contudo, esse istmo é frequentemente abordado de forma marginal ou omissa, tangencial ou superficialmente, deixando-se de tratar, precisamente, seus singulares problemas e especificidade sociopolítica no continente. É a situação que levou o crítico literário guatelmateco Arturo Arias a caracterizá-la como “una región marginal dentro de la marginalidad”.
A chamada América Central, a que o poeta Pablo Neruda denominou “la dulce cintura de América” tem pouco mais de 500 mil km² (o Brasil sozinho tem mais de oito milhões de km²) abrigam sete Estados – (Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá) com uma população de quase 50 milhões de habitantes. Atualmente, cerca de 47% dos centro-americanos vivem em condição de pobreza e 18.6% em pobreza extrema. Mais de quatro milhões de centro-americanos e descendentes moram fora do istmo, especialmente nos Estados Unidos. Ditos emigrantes enviam anualmente cerca de US$ 13 bilhões aos seus familiares nos países de origem, o que no caso de El Salvador, por exemplo, chega representar 17% do total do PIB do país. 
Ao longo da história centro-americana, e depois da declaração de independência em 1821, o tema da integração regional – primeiro em suas manifestações unionistas e mais tarde nos esquemas comerciais, econômicos, políticos e institucionais – tem sido uma constante. No entanto, nas últimas décadas, especialmente depois do estabelecimento do Sistema de la Integración Centroamericana (SICA), em 1991, o interesse pelo processo integracionista aumentou e tem chamado a atenção de um número crescente de setores sociopolíticos e econômicos no istmo. Hoje a violência e as migrações, conforme entende o acadêmico da Guatemala radicado na Costa Rica, Rafael Cueva Molina, são grandes e poderosos traços que caracterizam a região e que tem como uma de suas causas primordiais as guerras civis dos anos 1980, embora certamente não a única. As guerras civis centro-americanas conformam uma fase arrebatadora da história sociopolítica do istmo cujas consequências constituíram-se como o principal marco contemporâneo para os sentidos de centro-americanidade.
Essas diversidades de sentidos expressam-se nessa diferença da Costa Rica do seu entorno. Os ticos queixam-se das deficiências dos seus serviços sociais básicos, como saúde e educação, das má-condições das suas estradas, persistência da desigualdade e da pobreza e, mais recentemente, igualmente a outros países centro-americanos, da crescente força do narcotráfico internacional no seu território. Ainda assim, a Costa Rica é um país chamado de renda média, como o Brasil, e tem alguns melhores índices econômicos e sociais do istmo e de todo o continente, com uma expectativa de vida alta de 79,4 anos (a do Brasil é de 74,6) e uma média de homicídios baixa de 8,9 por 100.000 habitantes (a de Honduras é dez vezes maior). O país atrai pela sua estabilidade política, tendo recebido diversos exilados políticos das ditaduras anos 70 e 80, tanto da América do Sul como dos vizinhos da América Central que efervesciam em guerras. Foi classificado em 2011 como o de maior liberdade de imprensa da América Latina, ocupando a posição 19 em nível mundial, de acordo com o ranking da Organização Repórteres Sem Fronteiras, e impressiona até hoje aqueles que ainda desconhecem que aboliu o seu exército em 1948, em nome de uma proposta, fruto de anos de trabalho, de aumentar a participação cidadã e evitar golpes militares de estado. 
Contudo, a Costa Rica ainda não conseguiu articular respostas para alterar a tendência dos últimos anos de lentos e incertos progressos em desenvolvimento humano. Como lembra, entretanto, a acadêmica e analista política salvadorenha, Carmen Elena Villacorta, chama a atenção sobre o atual contexto político centro-americano que os partidos das chamadas esquerdas em vários países da região, como El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, algumas antes guerrilhas e agora no poder pela via eleitoral, movam-se cada vez mais ao centro ao verem-se confrontadas por sociedades civis cada vez mais plurais e diversas, mais politizadas e exigentes, e menos leais em termos ideológicos, conscientes do poder político do voto. 
No momento, por cima das limitações, sua seleção de futebol, “os filhos prediletos da nação”, como foram chamados no país, mantem ainda mais por cima a autoestima dos ticos, e de toda a América Central. Porém, acima ainda do futebol, a Costa Rica, e todo o istmo, veem-se hoje num lugar em que, como assevera o jornalista e acadêmico costarriquenho Andrés Mora Ramirez, nunca, desde a sua independência da Espanha, a região teve que enfrentar uma necessidade tão marcada de seguir por entre diferentes padrões de crescimento e de desenvolvimento para buscar sua inserção internacional.



Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais, candidato a escritor, e viajante à Ítaca