quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Golpe do amor: Saiba o que fazer se o seu namorado virtual pediu dinheiro e sumiu

Quatro em cada dez mulheres já foram vítimas de golpes de romance online ou conhecem alguém que foi, aponta pesquisa obtida exclusivamente pelo g1 da organização “Era Golpe, Não Amor", uma parceria da empresa Hibou, da Associação Brasileira de EMDR e o Ministério Público de São Paulo.

Um desses golpes é o "romance scammer" ou estelionato sentimental virtual. Nele, grupos de estelionatários estrangeiros se aproximam das vítimas pelas redes sociais, fazem com que se apaixonem e pedem dinheiro emprestado - o valor nunca é devolvido.

Por ser um crime em escala internacional, é difícil para a vítima conseguir recuperar o dinheiro roubado, mas existem algumas dicas que podem auxiliar no processo.

>>> Veja a seguir.

•        O que fazer se for vítima

Para denunciar, é preciso:

•        salvar as conversas, principalmente, aquelas em que há o pedido de dinheiro;

•        guardar os comprovantes de pagamentos e dados bancários de quem recebeu;

•        não apagar fotos que o bandido enviou;

•        fazer um boletim de ocorrência relatando tudo o que aconteceu;

•        contratar um advogado, para ter auxílio em cada etapa, uma vez que se trata de um crime mais complexo.

>>>> O que diz a lei

O estelionato é um crime tipificado no artigo 171 do Código Penal. É considerado estelionato sentimental quando o relacionamento é usado para extorquir dinheiro da vítima.

O artigo diz ainda que: "A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo".

Por ter um princípio semelhante, o "romance scammer" também pode ser enquadrado nesta lei. Mas, por envolver quadrilhas internacionais, fica mais complicado punir o acusado. Primeiramente, porque, muitas vezes, a vítima não sabe a identidade real da pessoa com quem tem conversado.

Mas punir o crime somente como estelionato sentimental não é suficiente, afirma Glauce Lima, caçadora de golpistas e fundadora do Instituto GKScanOnline, de apoio a vítimas de crimes cibernéticos.

Ela começou a procurar os bandidos online após uma amiga ser vítima do golpe em 2011. Em 1 ano, ela conseguiu remover 1.600 perfis falsos de rede social e em 2013 conseguiu prender o golpista que roubou sua amiga, em parceria com a polícia nigeriana, onde vivia o bandido.

“Ele não é só estelionato, ele é uma formação de quadrilha. O dinheiro do "romance scammer", a gente tem prova que ele acaba sendo desviado para o tráfico internacional de drogas”, diz.

Por isso, para ter alguma chance de encontrar os bandidos, é necessário que a Polícia Federal auxilie nos procedimentos e identifique em qual país está o bandido. Isso pode ser feito rastreando o IP, que é o número identificador do computador, ou ainda refazendo o caminho do dinheiro das vítimas até o grupo golpista.

Quando a vítima é mulher, simular um relacionamento para obter vantagens financeiras também pode ser considerado uma violência doméstica financeira e, portanto, ser enquadrado na lei Maria da Penha, explica o promotor Thiago Pieronom do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDF).

Caso o estelionatário possa ser identificado, a vítima pode receber indenização também por danos morais e materiais.

•        Vergonha de denunciar

As vítimas do "romance scammer" têm dificuldades para denunciar. Primeiramente, elas sentem vergonha do que a família irá pensar.

“O segundo obstáculo que a vítima enfrenta é que, muitas vezes, ela começou a mexer no patrimônio da família sem os outros saberem. Então, se ela for denunciar, vai ser exposta", conta Glauce.

Foi o que aconteceu com Isabela*, que vendeu um terreno que havia recebido de herança da sua mãe para enviar para o golpista e nunca contou para o seu marido, por medo da reação dele.

Além disso, há o julgamento da sociedade de que quem cai nesse golpe são pessoas “burras", causando mais vergonha, aponta Desiree Hamuche Montes, fundadora da iniciativa “Era Golpe, Não Amor".

>>> Como evitar ser vítima

•        Nunca envie dinheiro para quem você não conhece pessoalmente e se certifique de que está falando com a pessoa que você pensa estar conversando;

•        Consulte o CPF e caso apareça algum processo, tente entender do que se trata;

•        Dê o máximo de informações erradas da sua vida, por exemplo, informe um salário baixo, não conte nada sobre a sua família;

•        Evite adicionar quem você não conhece no Facebook;

•        Se quiser enviar nudes, não faça fotos em que é possível te identificar, porque o bandido pode usar para chantagear;

•        Não peça para que o golpista “prove que é a pessoa de verdade”. Ele irá arranjar uma forma de fazer isso, ainda que com deepfake, tecnologia que permite mostrar o rosto de uma pessoa em fotos ou vídeos alterados com ajuda de inteligência artificial (IA);

•        Desconfie se você não pode apresentá-lo para amigos e familiares.

 

Fonte: g1

 

De heróis contra covid a 'abandonados': a onda de greves dos profissionais de saúde nos EUA

No dia 23 de outubro, mais de 1,3 mil funcionários do sistema hospitalar PeaceHealth Southwest, na fronteira entre os Estados americanos de Oregon e Washington, entraram em greve.

Eles vinham pedindo ao seu empregador que tomasse medidas contra a falta de funcionários e oferecesse aumentos salariais que compensassem o custo de vida local, que é 16% mais alto que a média nacional dos Estados Unidos.

A PeaceHealth Southwest não atendeu às reivindicações dos funcionários, segundo a tecnóloga de ultrassom Shawna Ross, representante dos técnicos do hospital nas negociações. E, após o anúncio da greve, a PeaceHealth "cancelou todas as nossas rodadas de negociação e disse que, se a greve passasse de 1° de novembro, eles suspenderiam o nosso seguro-saúde", segundo ela.

Profissionais da saúde de todo o país estão vivendo problemas similares, trabalhando em departamentos com poucos funcionários e baixos salários. Eles estão esgotados, saturados e prontos para agir.

Já houve greves em farmácias de todo o país e os funcionários das redes de varejo Walgreens e CVS organizaram uma greve nacional, que teve início em 30 de outubro.

Funcionários de dois hospitais diferentes do condado de Los Angeles, na Califórnia (EUA), entraram em greve e, na primeira semana de outubro, cerca de 75 mil funcionários do sistema de saúde Kaiser Permanente em cinco Estados americanos entraram em greve por três dias. A paralisação foi considerada a maior greve de profissionais de saúde da história dos Estados Unidos.

"Esta é a maior onda de greves de profissionais de saúde que já vi na minha vida", afirma Ingrid Nembhard, professora de gestão de saúde da Escola Wharton da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. "Acho que, realmente, representa um pedido de ajuda – que o que estava represado se rompeu."

•        De heróis para vilões?

Ao contrário do que muitas pessoas podem acreditar, os principais problemas enfrentados pelos profissionais da saúde não começaram com a pandemia, segundo Nembhard: "mesmo antes da covid, os profissionais enfrentavam dificuldades".

"Havia falta de pessoal, que fazia com que o volume de trabalho fosse grande para todos. O ambiente de trabalho não era ideal para muitas pessoas e, culturalmente, havia a sensação de que não podíamos nos manifestar e dizer 'existe um problema nesta área, o que podemos fazer para que melhore?'"

"Então, veio a covid e os profissionais vivenciaram coisas que nunca haviam visto antes, em termos de assistência às pessoas, impacto sobre os pacientes, devastação e doença", explica Nembhard.

A questão da falta de profissionais, particularmente, era prevista pelos trabalhadores de campo, segundo Caroline Lucas, diretora-executiva da Coalizão de Sindicatos da Kaiser Permanente, nos Estados Unidos. Ela afirma que "muitos dos fatores que levaram à crise de falta de profissionais eram previsíveis, questões que vínhamos monitorando há cinco, seis anos".

O número de formandos nas faculdades de medicina e enfermagem não vinha acompanhando as projeções de aposentadorias do setor. Mas, além disso, Lucas afirma que a covid-19 gerou uma "aceleração em massa da saída de funcionários, pessoas se aposentando mais cedo ou abandonando o setor de saúde".

Lucas acrescenta que a falta de profissionais foi agravada pelo aumento da demanda pós-pandemia, o que só agravou a sensação de burnout e exaustão.

"Quando a urgência da pandemia de covid meio que diminuiu e as pessoas que haviam postergado cirurgias ou suspendido tratamentos preventivos começaram a retornar em massa ao sistema de saúde, não havia pessoas que ajudassem a atender aquele fluxo", segundo ela.

Os profissionais das farmácias também enfrentaram a falta de trabalhadores e o drástico aumento da demanda, como resultado dos programas de vacinação e testes de covid-19.

"Os funcionários das farmácias CVS ou Walgreens ficaram sobrecarregados com essa exacerbação das tarefas profissionais, sem o correspondente aumento de contratações", afirma a professora de sociologia Gretchen Purser, da Escola Maxwell de Cidadania e Questões Públicas da Universidade de Siracusa, nos Estados Unidos.

Ela destaca que esses profissionais "se sentem muito assoberbados, muito sobrecarregados, muito exaustos. E nada disso trouxe aumento de salários."

Para Purser, este ritmo é "selvagem", considerando como esses mesmos profissionais foram enaltecidos durante o auge da pandemia.

"Três anos atrás, eles eram saudados como heróis – literalmente, heróis", relembra ela, "e eles estão simplesmente abandonados, agora que tudo passou."

•        Não há opção?

A decisão de entrar em greve não foi tomada de forma leviana, segundo Lucas. Mas os profissionais perceberam que a medida era necessária para melhorar as condições de atendimento.

"As pessoas perguntam se os pacientes não ficarão em risco enquanto você está em greve e nós respondemos que os pacientes estão em risco todos os dias", explica ela. "Se você for ao pronto atendimento, irá esperar por oito horas. Se você receber um encaminhamento para mamografia hoje, irá esperar seis meses. Existe uma crise."

Esta situação, segundo Nembhard, mostra que os profissionais da saúde em greve acreditam que seus pacientes enfrentam maior risco devido ao burnout, exaustão e falta de profissionais das equipes de assistência.

"São muito poucas as pessoas que trabalham no setor de saúde e não se preocupam com as pessoas, não se preocupam com a humanidade e não estão dispostas a se sacrificar para cumprir com a missão de atender os pacientes", ressalta ela. "Ver essas pessoas saindo e dizendo 'não me sinto em posição de poder fornecer bom atendimento aos pacientes e fazer bem o meu trabalho'? Isso é um sinal de alerta."

De fato, Purser afirma que, durante as negociações entre os profissionais de saúde e os executivos dos hospitais, a preocupação com o atendimento aos pacientes pode ter se tornado uma prioridade maior do que os próprios salários.

"Eles sabem que os pacientes não estão recebendo a assistência que merecem e de que precisam. Como se eles estivessem, na verdade, negociando em nome do atendimento aos pacientes", ela conta.

"Eles estão dizendo 'bem, se temos falta crônica de pessoal e estamos sobrecarregados, este empregador é incapaz de fazer o que diz que é sua função'. Por isso, o ponto mais importante da estratégia dos sindicatos no momento é pensar no atendimento aos pacientes."

•        Ações coletivas podem fazer a diferença

A greve na Kaiser Permanente acabou resultando em um acordo que, segundo Lucas, foi considerado muito promissor pelo sindicato.

O acordo aguarda para ser ratificado pelos funcionários e, se for implementado, irá elevar os salários em 21% ao longo de quatro anos e fornecer investimentos na contratação de novos funcionários e no treinamento dos empregados atuais.

"Existe um pacote de salários e benefícios que realmente ajuda a acompanhar o custo de vida, atraindo e mantendo as pessoas", afirma Caroline Lucas, "e serão formados diversos comitês para definir como podemos contratar melhor, quais vagas devem ser preenchidas com mais urgência e como podemos mudar o fluxo de trabalho para garantir que as pessoas consigam consultar seus médicos de forma rápida e eficiente."

Para ela, o acordo deverá ser um modelo para outras organizações de assistência médica. Não é uma panaceia para os problemas do sistema, mas o sentimento dos funcionários é de orgulho e esperança.

"Estes problemas não surgiram da noite para o dia e também não serão resolvidos da noite para o dia", explica Lucas. "Mas, pelo menos, as pessoas agora sentem que estão sendo ouvidas."

Para Ingrid Nembhard, a parte mais empolgante do acordo da Kaiser Permanente é o compromisso assumido pelos gestores de utilizar o conhecimento e a visão dos funcionários sobre o que realmente é preciso no trabalho de campo.

"Acho que os profissionais de saúde e as pessoas da linha de frente têm muitas ideias criativas", segundo ela, mas essas ideias, muitas vezes, não são ouvidas, nem implementadas.

"Precisamos do apoio dos gestores para poder fazer alguns desses experimentos e descobrir quais devem ser priorizados. Também será preciso que os profissionais tenham paciência. É o que se espera que saia dessas greves: uma parceria para fazer a diferença. Nenhum dos lados tem todas as respostas, mas acho que temos o potencial para um novo dia."

Gretchen Purser afirma que, em primeiro lugar, é provável que ocorram novas greves para forçar os empregadores a ouvir e atender às necessidades dos profissionais.

"De forma geral, existe um forte aumento da atividade dos sindicatos e greves nos Estados Unidos, o que é realmente empolgante", afirma ela.

"Acho que existe uma espécie de efeito de contágio, com as pessoas vendo ganhos reais que são obtidos em diversos setores. Elas também se sentem mal remuneradas, sobrecarregadas, não reconhecidas, não recompensadas e decidem tomar suas próprias ações", conclui Purser.

 

Fonte: BBC Worklife

 

Ex-senador bolsonarista fugitivo, Telmário Mota, suspeito de mandar matar ex-companheira foi preso pela PM-GO

O ex-senador Telmário Mota foi preso na noite de segunda-feira, 30, pela Polícia Militar de Goiás, em uma residência na cidade de Nerópolis (GO). O ex-parlamentar, alvo de uma operação da Polícia Civil de Roraima, é suspeito de ter mandado assassinar Antônia Araújo de Sousa, de 52 anos, mãe de uma de suas filhas.

Antônia Araújo foi morta com um disparo na cabeça, em 29 de setembro deste ano, quando saía de casa para ir ao trabalho, no bairro Senador Hélio Campos, na zona oeste de Boa Vista (RR). O crime ocorreu três dias antes de uma audiência em que a mulher estaria sendo ouvida na Justiça contra o ex-senador.

De acordo com a PMGO (Polícia Militar de Goiás), durante as buscas por Telmário Mota, os agentes observaram uma movimentação suspeita envolvendo um veículo que tentou ingressar em uma residência, mas empreendeu fuga ao perceber a presença das autoridades. Em nota à ISTOÉ, a PMGO informou que perseguiu o carro e deu ordem de parada para o mesmo. Durante a abordagem, confirmou-se que o motorista do veículo era, de fato, o ex-senador.

Após a detenção, Telmário Mota foi apresentado às autoridades competentes da cidade de Nerópolis e agora será apresentado à Delegacia de Investigação de Homicídios, visando o cumprimento do mandado de prisão. O delegado João Evangelista, da Polícia Civil de Roraima, informou que está solicitando a autorização judicial para fazer o recambiamento dele para Roraima.

•        Operação Caçada Real

Além do ex-senador, outras duas pessoa foram alvos de mandados de prisão na segunda-feira, 30.Os agentes também cumpriram sete mandados de busca e apreensão.

A Operação, denominada Caçada Real, prendeu em Caracaraí  o acusado de ser o executor do assassinato. Já em Boa Vista, foram aplicadas as medidas cautelares diversas da prisão, contra uma assessora do ex-senador.

Conforma a Polícia Civil de Roraima, os agentes seguem em diligências para cumprir o mandado de prisão contra um sobrinho do ex-senador, apelidado de “Ney Mentira”.

Na fazenda do ex-senador, as autoridades também prenderam em flagrante um caseiro que estava com uma espingarda em seu quarto, por posse ilegal de arma de fogo.

No local foram apreendidos, além da arma, dinheiro, documentos, telefones celulares, ipad, alvos de tiros e quatro projéteis que estavam fincados em uma árvore. Segundo depoimentos dados à Polícia Civil, dias antes do crime contra Antônia Araújo houve um treinamento de tiros nesta árvore, pelo executor do crime.

Os projéteis apreendidos foram encaminhados ao ICPDA (Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida), para ser realizada comparação balística.

“Houve um planejamento, houve uma análise de riscos, eles verificaram as possibilidades, monitoraram, acompanharam, identificaram a rotina da vítima justamente para que a execução fosse realizada com o menor risco de eles serem pegos em flagrante naquele momento. Hoje nós temos a convicção de que os elementos de informação do inquérito apontam pelo menos um executor, que é que foi preso hoje [ontem], um sobrinho do ex-senador Telmário Mota, apontam uma ex-assessora dele e ele, como o beneficiário com a morte, o sujeito no qual, o planejamento foi orquestrado na própria fazenda dele e que provavelmente, tudo leva a crer que ele foi o mandante”, detalhou o delegado João Evangelista em entrevista coletiva.

Segundo o delegado, a motivação da execução do crime diz respeito a uma série de circunstâncias. “A vítima foi responsável, juntamente com a filha dele, por informações que iniciaram uma investigação policial no ano de 2022 e alcançaram um processo criminal pelo crime de estupro e fez com que ele passasse a ser réu, por esse crime. A mãe, no caso a vítima, seria ouvida, seria inquerida, era testemunha daquele processo. Não apenas isso, havia outros processos dando conta de pensão alimentícia e de valores que ela estaria cobrando para ele na Justiça. Então com a morte dela, em tese cessariam essas situações. Por si só, isso nos garante que ele teria sim, motivos para matá-la”, afirmou o delegado.

<<<< Quem é Telmário?

•        Telmário Mota é formado em economia e contabilidade. Ele iniciou a sua carreira política em 2007 na Câmara Municipal de Boa Vista, quando assumiu como primeiro suplente na eleição municipal de 2004;

•        Porém apenas em 2015 foi eleito como senador. Já nas eleições de 2018, Telmário se lançou como candidato do governo de Roraima, mas não se elegeu;

•        Além da ocupação política, Telmário ficou conhecido por se envolver em algumas polêmicas. Em agosto de 2022, a sua filha com Antônia Araújo o acusou de ter tocado nas partes íntimas dela e arrancado as roupas. A jovem tinha 17 anos na época em que o crime teria acontecido;

•        Enquanto ocupava o cargo de senador, em 2021, Telmário promoveu uma festa durante a fase mais grave da pandemia de Covid-19. À época, ele chegou a afirmar que o evento já estava programado e que os convidados usaram máscaras;

•        Já em 2016, ele foi condenado em segunda instância a seis anos e oito meses de prisão por envolvimento no esquema de desvio de verbas públicas conhecido como “Escândalo dos gafanhotos”;

•        No ano de 2015, Maria Aparecida Nery de Melo, que tinha 19 anos à época e mantinha um relacionamento com Telmário, o denunciou por agressão. Como ele tinha foro privilegiado em razão do cargo parlamentar, o caso foi investigado pela PGR (Procuradoria Geral da República).

 

       Prisão de ex-senador nos lembra que coronelismo segue vivo

 

Nas aulas de história do Brasil, estudamos sobre o coronelismo, uma época em que homens poderosos andavam armados e mandavam matar seus desafetos ou mulheres que criassem “problemas demais”.

Esses sujeitos eram também os poderosos da política, que muitas vezes era feita na base do tiro. Pois bem. O ano é 2023. Mas alguns fatos nos mostram que a época dos coronéis, que data do início do século 20, continua viva.

Esta semana, tivemos um triste exemplo disso. O político Telmário Mota, que foi senador por Roraima de 2015 a 2023, foi preso pela polícia em Goiás na noite desta segunda-feira (30/10), depois de ser considerado foragido pela polícia. Ele é acusado de mandar matar Antônia Araújo de Souza, sua ex-companheira e mãe de uma de suas filhas.

A mulher foi assassinada com um tiro na cabeça em 29 de setembro, quando saía de casa para trabalhar em Boa Vista, Roraima. Seus matadores, segundo testemunhas, passaram numa moto.

A decisão de “mandar matar”, segundo os investigadores, teria sido tomada numa reunião numa fazenda do senador, no maior estilo coronelismo. A moto usada pelo crime teria sido preparada por uma ex-assessora do político. Sim, uma mulher que trabalhou no Senado seria cúmplice desse crime.

Acusação de estupro pela filha

O “motivo” do assassinato (entre aspas, mesmo, já que não existe razão para mandar matar alguém) torna tudo ainda mais triste: o senador teria mandado matar a ex por ela ser testemunha numa denúncia de estupro que sua filha fez contra ele. Como esse homem foi senador por oito anos?

O caso é pavoroso. Em agosto de 2022, sua filha com Antônia, então com 17 anos, acusou o pai de estupro. Segundo a menina, que registrou boletim de ocorrência junto com a mãe, Telmário teria “tocado suas partes íntimas” e “tentado arrancar sua roupa” dentro do carro, em pleno Dia dos Pais. O horror absoluto.

Ao ler essa história, nos perguntamos: mas como Telmário Mota, um homem acusado desses crimes bárbaros contra mulheres, pode ter ocupado uma cadeira no Senado Federal por oito anos? A resposta é triste: porque nos parlamentos brasileiros, suspeitos de agredirem mulheres ainda circulam pelos corredores numa boa.

•        Deputado federal réu por agressão

Na semana passada, tivemos outro exemplo que prova que ser acusado de violência contra mulher não é o suficiente para destruir a carreira de um político. O deputado federal e youtuber Carlos Alberto da Cunha, do PP, virou réu por lesão corporal decorrente de violência doméstica, ameaça e dano qualificado a uma mulher.

Da Cunha é acusado de agredir sua ex-namorada, a nutricionista Betina Grusiecki, no dia 14 de outubro. Segundo ela, o ex a teria espancado, ameaçado de morte e destruído seus pertences. O deputado nega as acusações.

Até o fechamento desta coluna, o delegado ainda não havia sido suspenso da Câmara dos Deputados nem do seu partido. Em nota, o PP informou que vai esperar o resultado final do inquérito. Ele também, pasmem, não perdeu o direito de andar armado. Sim, o juiz do caso afirmou que Da Cunha, por ser deputado e delegado, continuava tendo direito de portar uma arma.

Já é absurdo que parlamentares andem por aí no parlamento, a casa do povo, armados. O que dizer de um acusado de uma violência dessas? Você se sentiria tranquila sabendo que um colega de trabalho seu, réu por violência doméstica, está indo trabalhar carregando uma arma? Isso seria absurdo em qualquer lugar. No parlamento, onde são votadas as leis, incluindo aquelas que dizem respeito às mulheres, é ainda mais escandaloso. As leis que podem nos proteger serão votadas por agressores? Como assim?

No país onde uma mulher é vítima de violência doméstica a cada quatro horas, os agressores ocupam lugares de destaque até nas instituições públicas de poder. Isso precisa mudar. É hora de enterrar, de uma vez, o coronelismo no Brasil.

 

       Polícia diz que assessora ajudava ex-senador Telmário com informações sobre ex-esposa antes do crime

 

A Polícia Civil de Roraima investiga a participação de Cleidiane Gomes da Costa, assessora do ex-senador Telmário Mota (sem partido-RR), no assassinato de Antônia Araújo de Souza, ex-esposa do político.

Cleidiane, que trabalha com Telmário há cerca de duas décadas, foi inquirida na condição de interrogada.

O ex-senador é suspeito de mandar matar Antônia, de 52 anos, mãe de uma de suas filhas. Em 2022, a filha do casal acusou o pai de tentativa de abuso sexual.

•        Monitoramento

Segundo a polícia, a assessora confirmou que monitorou a vítima nos dias que antecederam o crime, tendo utilizado um veículo locado pelo senador. Cleidiane passava informações diretamente a ele sobre Antônia e a filha.

“Ela confirmou que passava informações diretamente ao senador, acerca não apenas do monitoramento, mas do cotidiano da vítima e da filha da vítima”, disse o delegado João Evangelista, que conduz a investigação. A juíza do caso ordenou que Cleidiane seja monitorada por tornozeleira eletrônica.

A reportagem entrou em contato com o senador e sua assessora, mas até o momento não obteve retorno.

•        Suspeito preso

Leandro Luz, suspeito de ter atirado na vítima, foi preso na Operação Caçada Real. A arma do crime ainda não foi localizada.

Conforme os investigadores, trata-se de uma pistola, com possibilidade de ser calibre 380 ou 9mm. “A pessoa que efetuou o disparo precisaria ter manejado essa arma ou outra próximo ao crime, porque o exame pericial no local demonstrou que a vítima foi executada de forma muito singular. De forma cirúrgica, com apenas um disparo”, relatou.

Já a motocicleta utilizada pela dupla de executores foi localizada através da placa. O veículo teria sido recebido por Harrison Nei Correa Mota, sobrinho do ex-senador. Ele também é considerado foragido.

“A moto passou algum tempo na casa da Cleidiane, assessora do parlamentar. Na véspera do crime, dia 28, a moto foi repassada para os executores pelo sobrinho de Telmário”, disse o delegado.

•        Fazenda do ex-senador

Segundo os investigadores, o local onde o crime foi planejado foi a fazenda Caçada Real — nome que deu origem à Operação. A propriedade pertence ao ex-senador Telmário Mota e foi um dos locais alvos de busca na operação.

A Polícia Civil concluiu que a vítima já tinha uma relação com o provável mandante, que passou a ser desastrosa nos últimos 12 meses, especialmente por conta de conflitos judiciais.

“Temos a circunstância que envolve um processo criminal. A vítima desse crime era uma testemunha importante para o processo. Alguns dias antes dela ser ouvida, ela foi executada”, destacou Evangelista. Segundo a investigação, há indicativos de que a execução foi planejada, houve uma logística necessária, bem como um treinamento.

Antônia foi assassinada em 29 de setembro, com um tiro na cabeça. Seu depoimento no processo criminal que investiga o ex-senador pelo crime de estupro estava marcada para 2 de outubro.

As imagens das câmeras de segurança veiculadas mostravam uma dupla de motoqueiros que faz um disparo certeiro contra a ex-mulher do senador.

Mota foi senador da República por oito anos, de 2015 a 2023. Era vinculado ao Partido Republicano da Ordem Social (PROS), partido que foi incorporado ao Solidariedade. Ele pediu a desvinculação do partido no último dia 17.

 

       Assassinos usaram a fazenda de Telmário Mota para treinar tiro

 

O ex-senador Telmário Mota, preso na segunda-feira (30) por suspeita de ter mandado matar Antônia Araújo de Sousa , mãe de uma das filhas dele, cedeu uma fazenda de sua propriedade para servir de “centro de treinamento” de tiro. A informação é da Polícia Civil de Roraima.

A Fazenda Caçada Real - mesmo nome da operação policial que levou à prisão do ex-senador - foi utilizada pelos assassinos de Antônia, morta no dia 29 de setembro, com um único tiro na cabeça, enquanto saía de sua casa, no bairro Senador Hélio Campos, na zona oeste de Boa Vista (RR).

 “Identificamos muitos elementos e informações que indicam que houve planejamento da execução. O nome da operação se refere a um local onde houve não só planejamento e reunião do grupo, como também um treinamento antes da execução”, declarou a Polícia.

A motivação do crime foi a participação de Antônia como testemunha no processo em que a filha de 17 anos do ex-casal acusou Telmário de tê-la forçado a beber álcool e entrar num carro, onde foi assediada e sofreu uma tentativa de estupro em agosto, no Dia dos Pais.

Telmário foi senador da República entre 2015 e 2023. Ele era do partido Solidariedade - do qual se desfiliou em outubro - e tentou se reeleger no ano passado, mas não conseguiu.

Além das acusações de ser mandante do assassinato de Antônia e de ter tentado estuprar a própria filha, Telmário Mota também respondeu a processos por agredir uma jovem de 19 anos com quem se relacionava desde que ela tinha 16 e por promover rinhas de galos e um evento com aglomeração no auge da pandemia de Covid-19.

 

Fonte: IstoÉ/Deutsche Welle/iG

 

A violenta repercussão na Cisjordânia da guerra em Gaza

A guerra na Faixa de Gaza reflete-se cada vez mais no outro território palestino: a Cisjordânia.

Um total de 122 palestinos morreram de forma violenta na Cisjordânia desde o início do conflito, em 7 de outubro, segundo o Ministério da Saúde da Autoridade Palestina responsável por esta região de 5.600 km² (equivalente à área do Distrito Federal do Brasil), onde vivem quase três milhões de pessoas.

A maior parte das mortes ocorreu em ataques das forças israelenses contra supostos membros do Hamas e da Jihad Islâmica — ambas organizações são consideradas grupos terroristas pelos Estados Unidos e pela União Europeia — embora também sejam frequentes os confrontos entre civis de ambos os lados.

O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro, no qual membros desta organização mataram 1,4 mil pessoas e raptaram mais de 220, gerou uma dura resposta de Israel, que iniciou uma campanha de bombardeamentos em Gaza que já matou mais de 8 mil pessoas.

E isso gera uma repercussão na Cisjordânia, onde a guerra intensifica a tensão: segundo as Nações Unidas, de janeiro até o início de outubro, cerca de 179 palestinos morreram em incidentes violentos. O ano de 2023 já é o mais mortal no território em duas décadas.

A Cisjordânia tem sido parcialmente ocupada por Israel desde a Guerra dos 6 Dias, em 1967. Os assentamentos israelenses, que são ilegais do ponto de vista do direito internacional, aumentaram nos últimos anos.

·         Choques constantes

Em Jenin, no norte da Cisjordânia, foram realizados na segunda-feira (30/10) os funerais de quatro membros da Jihad Islâmica, mortos por ataques do exército israelense durante a noite.

Os moradores do local disseram à BBC que um ataque de drone israelense atingiu uma casa no centro do campo de refugiados da cidade. Depois, houve uma trocas de tiros entre soldados israelenses e homens armados palestinos.

Na semana passada, outros quatro palestinos morreram num ataque israelense a Jenin. Além disso, foi registrada uma morte na cidade de Kalkilia, também no norte, e outra em Kalandia, ao norte de Jerusalém.

No caso de Jenin, o exército israelense afirma que "terroristas armados dispararam tiros e atiraram explosivos contra as forças de segurança" do país a partir do sobrelotado campo de refugiados.

Nos outros dois episódios, as tropas de Israel alegaram que abriram fogo contra pessoas que atiraram pedras, coquetéis molotov e explosivos improvisados.

Além das operações militares, há constantes confrontos violentos entre civis israelenses e palestinos.

O caso mais recente é o de Bilal Saleh, um agricultor palestino de 40 anos que morreu no último fim de semana devido a um tiro no peito na cidade de Nablus, ao norte de Jerusalém e Ramallah.

Segundo a versão palestina, um grupo de colonos israelenses atacou o homem quando ele estava com a família no olival onde trabalhava. Ele foi alvo de um tiro antes que pudesse fugir.

Os colonos, por sua vez, alegaram que o atirador agiu em legítima defesa quando foi agredido por um grupo de agricultores palestinos, incluindo Saleh, que atiraram pedras contra ele.

A BBC não conseguiu verificar de forma independente o que aconteceu de fato.

·         Alegações de ataques de colonos

Multiplicaram-se os relatos sobre incidentes em que colonos israelenses teriam atacado e confiscado terras e gado de cidadãos palestinos em toda a Cisjordânia.

"Hoje, dezenas de colonos da [colônia de] Yitzhar invadiram as terras de Burin [em Nablus], atacaram agricultores, incendiaram veículos e destruíram ou roubaram equipamentos e produtos", denunciou Yesh Din, uma organização israelense de direitos humanos.

A ONG alegou que "a política israelense que permite e até apoia atos de vingança dos colonos contra palestinos inocentes na Cisjordânia continua".

Esta questão começou a ser outro motivo de preocupação dentro da grave situação humanitária desencadeada pela guerra atual.

O presidente dos EUA, Joe Biden, pediu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que "a defesa de Israel e dos seus cidadãos esteja em conformidade com o direito humanitário internacional".

Biden disse na semana passada que os ataques de "colonos extremistas" apenas contribuíram para "derramar gasolina" nas chamas do conflito.

"Eles têm que ser responsabilizados. Eles têm que parar agora", disse ele, referindo-se aos ataques dos colonos.

O editor internacional da BBC, Jeremy Bowen, conversou recentemente com representantes de um grupo de ultranacionalistas judeus que dirigem um posto de controle nos arredores de Hebron, no sul da Cisjordânia.

Os seus testemunhos refletem o clima de tensão vivido nas últimas semanas.

"Numa guerra você tem uma arma e um gatilho. E para aqueles que ainda não entendem, estamos em guerra; uma guerra na qual o outro lado não mostra piedade e devemos fazer o mesmo. Não há escolha", disse Meir Simcha, líder do grupo.

·         Como é a Cisjordânia?

A Cisjordânia é o maior dos territórios ocupados por Israel.

Ela se localiza na margem oeste do rio Jordão, e faz fronteira com Israel ao norte, oeste e sul, e com a Jordânia a leste.

O Hamas governa Gaza. E na Cisjordânia, a Autoridade Palestina de Mahmoud Abbas exerce um autogoverno limitado desde os Acordos de Oslo assinados em 1993.

Os acordos conferiam à Autoridade Palestina soberania parcial sobre partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, que juntamente com Jerusalém Oriental fariam parte de um futuro Estado Palestino.

Abbas foi eleito pela primeira vez em 2005 para um mandato de quatro anos mas, 18 anos depois, ainda não foram realizadas novas eleições no território.

Embora o presidente tenha o apoio do Ocidente, ele é impopular nos territórios palestinos, algo que se agravou desde o início desta nova guerra.

Abbas opôs-se ao Hamas, o movimento islâmico que nega o direito de existência de Israel e que desde o início rejeitou o processo de paz e a solução de dois Estados.

O Hamas assumiu o controle de Gaza em 2007, depois de vencer forças do partido Fatah, de Abbas.

Anos de negociações para uma reconciliação entre os dois grupos não conseguiram qualquer progresso até o momento.

Entretanto, os assentamentos israelenses — que são considerados ilegais pelo direito internacional, mas não por Israel — continuaram a se expandir pela área.

 

       Exército de Israel avança entre ruínas em Gaza e Netanyahu descarta cessar-fogo

 

As tropas israelenses avançaram nesta terça-feira (31) com tanques e buldôzeres dentro da Faixa de Gaza entre os escombros dos edifícios bombardeados, ao mesmo tempo que prosseguem os combates com os milicianos do movimento palestino Hamas.

As imagens divulgadas pelo Exército israelense mostram os soldados avançando em um cenário de desolação, entre edifícios que foram reduzidos e pilhas de pedras e metal retorcido pelos incessantes bombardeios de represália efetuados por Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro.

Israel afirmou que atacou 300 alvos na quarta noite de ofensivas terrestres em Gaza, em que suas tropas enfrentaram fogo antitanque e tiros dos combatentes do Hamas, que governa este território palestino desde 2007.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descartou na segunda-feira os apelos internacionais por um cessar-fogo.

Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, os bombardeios israelenses mataram 8.525 pessoas desde 7 de outubro, incluindo mais de 3.500 menores de idade.

Correspondentes da AFP em Gaza registraram imagens de palestinos escavando os escombros em uma tentativa desesperada de encontrar sobreviventes após os ataques, enquanto outros rezavam ao lado dos corpos dos mortos, protegidos por mortalhas brancas.

Netanyahu ignorou as pressões internacionais para um cessar-fogo por considerar que seria o equivalente a uma “rendição”, depois que prometeu “aniquilar” o movimento palestino devido ao ataque de 7 de outubro em território israelense, que deixou 1.400 mortos, a maioria civis.

No ataque, o Hamas tomou 240 pessoas como reféns, segundo os números atualizados divulgados pelas autoridades israelenses.

A “nova fase” da guerra, anunciada por Israel no sábado, aumenta a preocupação com uma escalada regional do conflito.

O Exército israelense atacou a Síria e na fronteira com o Líbano aumentaram os confrontos com o grupo Hezbollah.

Os rebeldes huthis do Iêmen reivindicaram um ataque com drones contra Israel, enquanto as Forças de Defesa do Estado hebreu anunciaram que interceptaram um míssil lançado da região do Mar Vermelho.

– “Uma questão de vida ou morte” –

O sofrimento dos civis em Gaza provoca críticas e as agências humanitárias da ONU afirmam que o tempo está acabando para muitos dos 2,4 milhões de habitantes do território palestino que está sob um cerco total, sem acesso a fornecimento de água, alimentos, combustíveis e medicamentos.

A ONG Médicos do Mundo denunciou que os profissionais de saúde em Gaza precisam “operar no chão” e realizar cesáreas ou amputações “sem anestesia” por falta de material.

Rizeq Abu Rok, motorista de ambulância do Crescente Vermelho palestino, de 24 anos, contou à AFP que seu trabalho é transportar mortos e feridos, mas que recentemente um bombardeio atingiu um local em que sabia que estavam alguns parentes.

“Encontrei meu pai, estava com um ferimento na cabeça. Entendi imediatamente que estava morto”, disse.

Israel acusa o Hamas de usar os hospitais como bases militares e os civis como “escudos humanos”, o que o movimento islamista nega.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) fez um alerta sobre uma grave crise humanitária no sul de Gaza, onde afirma que não há ajuda suficiente para suprir as necessidades sem precedentes e que 36 caminhões com insumos aguardam para entrar no território.

O diretor da UBRWA, Philippe Lazzarini, afirmou que a entrega de ajuda “é uma questão de vida ou morte para milhões de pessoas.

O Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém culpou Israel por um bombardeio que atingiu um centro cultural da igreja em Gaza e considerou o ataque de “injustificável”.

– “Um inferno” –

A incursão terrestre das tropas israelenses permitiu o resgate de Ori Megidish, uma soldado que havia sido sequestrada pelo Hamas. O Exército israelense celebrou a libertação na segunda-feira e afirmou que a militar apresentou informações de inteligência que poderão ser utilizadas em futuras operações.

Mas outras famílias vivem uma espera angustiante, sem notícias dos parentes.

Hadas Kalderon, de 56 anos, morava no kibutz israelense de Nir Oz, perto da fronteira com a Faixa de Gaza. Ela conta que durante o ataque 7 de outubro os milicianos do Hamas mataram sua mãe e sua sobrinha. Seu filho de 12 anos e a a filha de 16 foram levados como reféns.

“Não tenho controle nem conhecimento sobre as ações militares. Sei apenas que meus filhos ainda estão lá no meio de uma guerra”, lamenta. “É um desastre, um inferno. Não é possível expressar com palavras”.

O Hamas divulgou um vídeo na segunda-feira que apresentou como os depoimentos de três reféns. Nas imagens, uma das mulheres sequestradas pede ao governo de Israel que aceite uma troca de prisioneiros para obter sua libertação. Netanyahu chamou o vídeo de “propaganda psicológica cruel”.

·         'Vitória é a única opção', diz chefe das Forças Armadas de Israel

As Forças Armadas de Israel divulgaram um áudio enviado pelo chefe do Comando Sul, major-general Yaron Finkelman, às tropas, dizendo que "não pode haver outro resultado além da vitória" sobre o grupo armado palestino Hamas na Faixa de Gaza.

“Estações de Comando do Sul, o comandante está falando. Estamos lançando um ataque ao Hamas e aos grupos terroristas na Faixa de Gaza. Nosso objetivo é um só, a vitória. Não importa quão longa seja a luta, quão difícil seja, não há outro resultado senão a vitória”, diz Finkelman.

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“Lutaremos de forma profissional e poderosa à luz dos valores da a Forças de Defesa de Israel, nos quais fomos criados. O principal deles é manter a missão e lutar pela vitória”, diz ele.

Ele confirmou que as operações terrestres irão procurar terroristas nos túneis do Hamas.

“Vamos lutar nos becos, vamos lutar nos túneis, vamos lutar onde for necessário. Atingiremos o terrível inimigo que está diante de nós”, continua Finkelman.

“Meus irmãos combatentes, os residentes de Be’eri, Sderot, Nir Oz, Kfar Aza e as comunidades ocidentais do Negev, e com eles toda a nação de Israel, estão todos olhando para nós agora. Assim como eu, eles também confiam em você e acreditam em você. Vocês são a geração da vitória”, diz ele.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) disseram ter atacado 300 alvos ligados ao Hamas nas áreas ao redor da Faixa de Gaza . Nesta terça-feira (31), os militares ainda divulgaram um vídeo mostrando a atuação das tropas dentro do enclave, na operação terrestre que vendo sendo expandida nos últimos dias.

Nessa segunda (30), o  primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, negou qualquer possibilidade de interromper os bombardeios na Faixa de Gaza.

"Pedir por um cessar-fogo é pedir para Israel se render ao Hamas, se render ao terrorismo, se render à barbárie. Isso não vai acontecer. Senhoras e senhores, a Bíblia diz que há o tempo de paz e o tempo de guerra. Esse é o tempo da guerra", disse.

Na última sexta (27), a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, por ampla maioria, uma resolução que determina o cessar-fogo imediato.

O conflito iniciou no último dia 7 de outubro, quando o Hamas lançou um ataque surpresa em território israelita.

 

Fonte: BBC News Brasil/AFP/iG