João
dos Reis Silva Júnior: O tabuleiro de 2026
Para
compreender a posição dos candidatos à presidência em 2026, não basta observar
pesquisas eleitorais, alianças partidárias, rejeição, aprovação de governo ou
desempenho nas redes sociais. Esses elementos pertencem à superfície imediata
da disputa. A questão mais profunda é outra: que tipo de cidadão a formação
histórica brasileira produziu em cada período e sob cada sistema político?
A
eleição presidencial não expressa apenas uma escolha conjuntural entre nomes.
Ela condensa uma longa história de inclusão incompleta, cidadania desigual,
modernização dependente e participação social mediada pelo Estado, pelo favor,
pela tutela, pelo medo ou pela promessa de futuro.
Desde o
período colonial, a sociedade brasileira formou-se sem a constituição plena de
um cidadão moderno. A colônia não existia para produzir autonomia política, mas
para integrar o território ao circuito externo de acumulação. A terra, o
trabalho escravizado, a monocultura e a administração metropolitana organizaram
uma sociedade hierárquica, patrimonial e profundamente desigual.
Nesse
sistema, não havia propriamente cidadão, mas súditos, senhores, escravizados,
indígenas submetidos à violência colonial, homens livres pobres dependentes de
proteção e autoridades locais vinculadas à Coroa. A formação colonial produziu
uma figura anterior ao cidadão: o indivíduo situado em relações de mando,
favor, dependência pessoal e exclusão jurídica.
Com a
Independência e o Império, o Brasil tornou-se formalmente um Estado nacional,
mas não rompeu com a estrutura social herdada da colônia. A monarquia
constitucional criou instituições, Parlamento, eleições censitárias e uma
linguagem liberal, mas manteve a escravidão como fundamento da vida econômica e
social durante quase todo o século XIX.
O
cidadão imperial era restrito, masculino, proprietário ou qualificado por
renda. A maioria da população – mulheres, escravizados, libertos pobres,
indígenas e trabalhadores sem propriedade – permanecia fora da cidadania
efetiva. Formou-se uma cidadania de fachada liberal: havia Constituição,
representação e Estado nacional, mas a sociedade continuava organizada por
hierarquias profundas.
A
Primeira República ampliou a forma republicana, mas não democratizou
substantivamente a cidadania. O voto era limitado pelo analfabetismo, pelo
coronelismo, pela fraude eleitoral e pela dependência local. A figura do
cidadão republicano nasceu marcada pela tutela dos poderes regionais. O eleitor
não aparecia plenamente como sujeito autônomo de direitos, mas como parte de
redes de mando, clientela e obediência. A República Velha produziu uma
cidadania oligárquica: formalmente republicana, mas socialmente controlada.
Com a
Revolução de 1930 e o período Vargas, a cidadania passou a ser reorganizada
pelo Estado nacional-desenvolvimentista. A grande novidade foi a incorporação
parcial dos trabalhadores urbanos por meio da legislação trabalhista, da
sindicalização controlada, da previdência e da construção de uma identidade
nacional-popular. O cidadão varguista foi, sobretudo, o trabalhador reconhecido
pelo Estado. A cidadania deixou de ser apenas liberal-formal e passou a incluir
direitos sociais. Mas essa inclusão veio acompanhada de tutela. Nasceu aí uma
cidadania social regulada: mais ampla que a anterior, porém dependente da
autorização estatal.
No
período democrático de 1946 a 1964, a cidadania brasileira ganhou maior
densidade política. A urbanização, a industrialização, os sindicatos, os
partidos, os movimentos sociais e as lutas por reformas de base ampliaram a
presença popular na vida pública. O cidadão começou a aparecer como sujeito de
reivindicação coletiva.
Entretanto,
essa cidadania expandida encontrou limites na estrutura agrária, na dependência
econômica, na desigualdade social e no medo das elites diante da participação
popular. A democracia de 1946 produziu um cidadão em formação, mais ativo e
reivindicativo, mas ainda bloqueado por uma sociedade que não aceitava
plenamente a democratização das massas.
A
ditadura militar interrompeu esse processo. Entre 1964 e 1985, o sistema
político reorganizou a cidadania sob o signo da segurança nacional, do controle
social e da modernização autoritária. O cidadão foi reduzido a administrado,
consumidor potencial ou trabalhador disciplinado. A participação política foi
reprimida, os partidos foram controlados, os movimentos sociais perseguidos e a
crítica tratada como ameaça. Ao mesmo tempo, a ditadura promoveu crescimento
econômico, expansão urbana, tecnificação do Estado e integração subordinada ao
capitalismo internacional. Formou-se uma cidadania mutilada: modernizada em
certos aspectos materiais, mas politicamente bloqueada.
A
redemocratização e a Constituição de 1988 abriram o momento mais importante de
reconstrução cidadã da história brasileira. A Constituição reconheceu direitos
sociais, ampliou liberdades civis, fortaleceu instituições democráticas,
universalizou o voto, consolidou o SUS, ampliou direitos trabalhistas,
educacionais e previdenciários, e reconheceu novas formas de participação. O
cidadão de 1988 é, em sentido jurídico-político, o cidadão mais amplo que o
Brasil já havia produzido.
Mas
essa cidadania constitucional nasceu em tensão com a crise fiscal do Estado, a
financeirização, a desigualdade persistente e, depois, o avanço neoliberal. A
Constituição prometia uma cidadania social ampla, enquanto a economia
frequentemente restringia suas condições materiais.
Nos
anos 1990, com a hegemonia neoliberal, a cidadania passou a ser tensionada por
outra lógica: mercado, eficiência, privatização, responsabilidade individual e
redução do Estado social. O cidadão foi cada vez mais interpelado como
consumidor, empreendedor de si mesmo e indivíduo responsável por sua adaptação.
A
política social não desapareceu, mas passou a conviver com a linguagem da
focalização, da austeridade e da competitividade. A cidadania neoliberal não
elimina direitos formalmente, mas desloca sua base: em vez de sujeito coletivo
de direitos, o indivíduo é estimulado a se perceber como gestor privado de sua
sobrevivência.
Nos
governos petistas, especialmente a partir de 2003, houve ampliação importante
da cidadania social pela via do consumo, da renda, da inclusão educacional, do
acesso ao ensino superior, da valorização do salário mínimo, dos programas de
transferência de renda e de políticas públicas voltadas aos setores
historicamente excluídos. Formou-se uma cidadania de inclusão social tardia:
milhões de brasileiros passaram a experimentar possibilidades antes negadas. No
entanto, essa cidadania permaneceu vulnerável porque não rompeu plenamente com
a estrutura dependente, com a financeirização, com a concentração de riqueza e
com a fragilidade dos serviços públicos. Ampliou o acesso, mas não consolidou
integralmente a duração histórica dessa inclusão.
A crise
aberta a partir de 2013, aprofundada pelo impeachment de 2016, pela Lava Jato,
pela recessão econômica, pela polarização e pela ascensão da extrema direita,
revelou a fragilidade da cidadania democrática brasileira. Parte da sociedade
passou a desconfiar das instituições, dos partidos, da mediação política, da
universidade, da imprensa e da própria linguagem democrática. O cidadão foi
disputado por afetos de ressentimento, medo, antipolítica, moralismo punitivo e
promessa de ordem. A cidadania deixou de ser apenas uma questão de direitos e
passou a ser também uma disputa pela percepção da realidade.
O
bolsonarismo expressou uma forma nova e regressiva de cidadania política: o
cidadão armado simbolicamente contra o Estado democrático, contra os direitos
sociais, contra as mediações institucionais e contra o pacto constitucional de
1988. Não se trata apenas de conservadorismo tradicional.
Trata-se
de uma subjetividade política formada pela crise da democracia, pela
precarização da vida, pela comunicação digital, pela religião política, pela
desconfiança das instituições e pela promessa de autoridade direta. O cidadão
bolsonarista não se vê necessariamente como súdito; muitas vezes se percebe
como alguém “liberto” das mediações. Mas essa liberdade aparece como adesão a
formas autoritárias de simplificação da vida social.
A
eleição de 2022 e o governo Lula posterior recolocaram a cidadania democrática
no centro da disputa. A questão passou a ser reconstruir instituições, recompor
políticas públicas, enfrentar a fome, recuperar a presença internacional do
Brasil e conter a ameaça autoritária. Mas o país já não era o mesmo da
redemocratização. A cidadania brasileira estava fragmentada entre direitos
constitucionais, precarização do trabalho, comunicação digital desregulada,
crise da verdade pública, endividamento das famílias, insegurança social e
disputa moral permanente.
O
cidadão contemporâneo é atravessado por contradições: quer proteção social, mas
desconfia do Estado; quer estabilidade, mas vive sob precariedade; quer
democracia, mas muitas vezes se sente seduzido por soluções autoritárias; quer
futuro, mas experimenta a compressão cotidiana da duração.
É nesse
processo histórico que a eleição de 2026 deve ser compreendida. Cada
candidatura se dirige a uma camada distinta dessa formação cidadã. As
candidaturas democráticas tentam falar ao cidadão constitucional de 1988, ao
trabalhador incluído, ao sujeito de direitos, ao eleitor que teme a volta do
autoritarismo e ao brasileiro que deseja estabilidade social.
As
candidaturas de direita e extrema direita falam ao cidadão ressentido com as
instituições, ao indivíduo que se sente abandonado, ao empreendedor
precarizado, ao eleitor moralmente mobilizado e ao sujeito que interpreta a
crise como decadência da ordem. As candidaturas liberais ou de centro procuram
falar ao cidadão consumidor, fiscal do Estado, preocupado com eficiência,
estabilidade econômica e previsibilidade institucional. Já as candidaturas de
esquerda mais programática tentam recuperar o cidadão social, coletivo,
organizado em torno de direitos, trabalho, igualdade e soberania.
No
cenário atual, a eleição de 2026 se organiza a partir de uma assimetria
decisiva: Lula aparece como o nome mais consolidado do campo governista,
enquanto a oposição de direita ainda precisa resolver a sucessão de Jair
Bolsonaro. O ex-presidente permanece como força simbólica e eleitoral, mas está
juridicamente impedido de disputar a eleição, pois o TSE o declarou inelegível
por oito anos, em 2023, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de
comunicação. Bolsonaro continua organizando afetos, fidelidades e identidades
políticas, mas a direita precisa transformar essa herança em candidatura
viável.
Lula
representa o polo mais definido da eleição. Como presidente em exercício,
carrega a máquina do governo, a memória de inclusão social dos anos 2000, a
defesa da democracia após a crise institucional recente e a tentativa de
reconstrução de políticas públicas. Sua força está na capacidade de falar ao
cidadão que reconhece no Estado uma forma de proteção social: salário mínimo,
programas de renda, SUS, universidade, moradia, emprego e presença pública. Sua
dificuldade está em governar com Congresso conservador, juros elevados,
inflação pressionada e sociedade fragmentada. Isso limita a memória política
como adesão automática.
Além do
governo e dos partidos, a esquerda chega a 2026 apoiada por movimentos sociais,
sindicais, estudantis, feministas, negros, indígenas, ambientais, culturais,
populares e religiosos progressistas. Eles não substituem a candidatura, mas
dão capilaridade ao campo democrático-popular.
Falam
ao cidadão que não se reconhece apenas como eleitor, mas como sujeito coletivo
de direitos: trabalhador, estudante, mulher, negro, indígena, morador de
periferia, agricultor familiar, servidor público, professor, artista ou jovem
precarizado. Sua força está em manter viva a memória das lutas da Constituição
de 1988; seu limite está em converter organização social em maioria eleitoral
num ambiente de redes digitais, desinformação e trabalho fragmentado.
As
redes sociais são mediação decisiva em 2026. Não funcionam apenas como
instrumentos de campanha, mas como ambientes de formação política cotidiana.
Nelas, muitos eleitores recebem notícias, confirmam crenças, expressam
ressentimentos e interpretam a realidade. A direita aprendeu antes a
transformá-las em máquina afetiva de mobilização, articulando indignação,
moralidade, medo, religião, antipolítica e ataque às instituições. A esquerda
ainda enfrenta o desafio de traduzir política pública, direitos sociais e
democracia em linguagem rápida, sensível e compartilhável. Nas redes, não vence
apenas quem comunica melhor; vence quem faz o eleitor sentir que sua vida
concreta foi compreendida.
As
pesquisas recentes mostram quadro competitivo. No campo bolsonarista, Flávio
Bolsonaro aparece como herdeiro direto da identidade política construída pelo
pai. Sua candidatura fala ao eleitor de lealdade, isto é, ao cidadão que
interpreta o bolsonarismo como resistência contra o sistema, contra a esquerda,
contra a imprensa, contra o Judiciário e contra o pacto político da
redemocratização. Sua força está na continuidade simbólica. Seu limite está na
dificuldade de ampliar para além do núcleo fiel. Quanto mais se apresenta como
continuidade familiar, mais preserva a base; quanto mais precisa disputar o
centro, mais carrega a rejeição associada ao próprio bolsonarismo.
Tarcísio
de Freitas ocupa outra posição na direita. Ele aparece como possibilidade de
tradução gerencial do campo conservador: menos centrada na guerra cultural
direta, mais vinculada à administração, obras, segurança, previsibilidade
econômica e eficiência. Seu eleitor potencial é o cidadão da ordem gerencial:
aquele que deseja estabilidade, controle, crescimento e redução do conflito
político aberto. Mas sua posição também é contraditória. Para ser competitivo,
precisa manter conexão com a base bolsonarista; para ampliar, precisa parecer
mais institucional do que Jair Bolsonaro. Essa tensão define seu lugar no
tabuleiro.
Michelle
Bolsonaro, caso se mantenha como possibilidade eleitoral ou figura ativa na
campanha, expressa a cidadania moral-religiosa. Sua força está na comunicação
afetiva com setores conservadores, especialmente religiosos, familiares e
moralmente mobilizados. Fala ao eleitor que percebe a política como defesa de
valores, fé, ordem e pertencimento. Seu limite está na dependência do capital
político de Jair Bolsonaro e na necessidade de demonstrar capacidade de
governar além da linguagem simbólica.
Outros
nomes da direita e do centro-direita – governadores, lideranças regionais e
quadros liberais – funcionam como peças de composição. Mesmo que não se
consolidem como candidatos principais, serão importantes para palanques
estaduais, alianças parlamentares, tempo de campanha, financiamento político e
segundo turno. Em 2026, os governadores terão peso porque a eleição também
passará por segurança pública, custo de vida, emprego regional, infraestrutura,
agronegócio, religião, redes digitais e máquinas locais.
A
economia será um dos eixos centrais da disputa. O governo chega ao ciclo
eleitoral com indicadores contraditórios. Há crescimento e emprego em
determinadas áreas, mas também inflação pressionada, juros altos e forte
sensibilidade popular ao preço de alimentos, combustíveis, crédito e
endividamento das famílias. O Ministério da Fazenda elevou a previsão de
inflação de 2026 para 4,5%, enquanto expectativas de mercado indicavam IPCA
próximo de 4,92% e Selic projetada em 13,25% ao fim do ano. Esses números importam
politicamente porque o cidadão vota também a partir da experiência cotidiana do
bolso.
Isso
significa que a eleição não será decidida apenas pela memória de governos
anteriores, nem apenas pela rejeição ao adversário. Ela será decidida pela
capacidade de cada campo transformar experiência social em linguagem política.
Para Lula, o desafio é mostrar que a democracia pode produzir proteção
concreta. Para a direita bolsonarista, o desafio é transformar ressentimento,
insegurança e moralização da política em maioria eleitoral. Para uma direita
mais gerencial, o desafio é converter a promessa de eficiência em confiança
nacional. Para o centro, o desafio é existir como alternativa real num país
organizado pela polarização.
O
eleitor de 2026 é fragmentado, desconfiado e digitalizado. Vive entre trabalho
precário, endividamento, redes sociais, insegurança pública, religião política,
medo da perda social e desejo de reconhecimento. Pode defender direitos sociais
e repetir discursos contra o Estado; desejar democracia e aceitar atalhos
autoritários; rejeitar a política tradicional e, ainda assim, depender de
políticas públicas.
Por
isso, a disputa de 2026 será menos uma eleição entre programas plenamente
apresentados e mais uma disputa pela interpretação do mal-estar brasileiro.
Lula tentará dizer que esse mal-estar decorre da desigualdade, da destruição de
políticas públicas, da ameaça autoritária e da necessidade de reconstrução
social. O bolsonarismo tentará dizer que ele nasce da corrupção, da desordem,
da decadência moral, da insegurança e da ação de elites institucionais contra o
povo. A direita gerencial tentará dizer que ele resulta da ineficiência do
Estado, da instabilidade econômica e da falta de comando administrativo.
O
tabuleiro pode ser resumido assim: Lula é o polo governista mais estável; o
bolsonarismo segue como principal força oposicionista; Flávio Bolsonaro
representa a continuidade direta da identidade bolsonarista; Tarcísio
representa a tentativa de institucionalizar e ampliar a direita; Michelle
Bolsonaro mobiliza a dimensão moral-religiosa; os movimentos sociais sustentam
a capilaridade histórica da esquerda; as redes sociais organizam afetos,
percepções e pertencimentos; e o centro permanece pressionado entre aderir a
uma das grandes forças ou construir uma alternativa difícil em ambiente
polarizado.
Assim,
a eleição presidencial não é apenas uma comparação entre nomes. Ela é uma
disputa entre formas históricas de cidadania acumuladas no Brasil: o cidadão
tutelado pelo favor, o cidadão oligárquico, o trabalhador regulado pelo Estado,
o cidadão democrático de 1988, o consumidor neoliberal, o incluído socialmente
pelos governos populares, o sujeito precarizado da crise, o cidadão ressentido
da extrema direita e o cidadão que ainda busca uma forma plena de democracia
social.
O
Brasil chega a 2026 carregando todas essas camadas ao mesmo tempo. Por isso a
disputa é tão instável: ela não se dá apenas entre partidos, mas entre memórias
históricas, expectativas frustradas, experiências de inclusão, medo de perda,
desejo de ordem e necessidade de futuro.
A
questão decisiva é saber qual candidatura conseguirá falar ao cidadão real
produzido por essa história: não o cidadão abstrato dos manuais liberais, nem o
eleitor idealizado pelas campanhas, mas o brasileiro concreto, formado pela
dependência, pela desigualdade, pela promessa recorrente de futuro, pelos
direitos incompletos e pela sensação de que sua vida precisa provar valor antes
de amadurecer.
Por
isso, a disputa de 2026 se liga ao problema mais profundo da modernidade
dependente: o Brasil formou cidadãos antes de lhes garantir plenamente as
condições históricas da cidadania.
Fonte:
A Terra é Redonda

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