quinta-feira, 28 de maio de 2026

Submissão e proximidade política: especialistas avaliam diferenças entre fotos de Trump com Flávio Bolsonaro e Lula

O presidente Donald Trump é peça importante no tabuleiro eleitoral do Brasil. No começo do mês, o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou o mandatário norte-americano para discutir interesses de Brasil e Estados Unidos. Na tarde de terça-feira, 26, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato ao Planalto, também esteve na Casa Branca e posou ao lado do estadounidense. 

Porém, apesar de ambos os encontros terem acontecidos na Casa Branca, os registros foram diferentes e transmitem mensagens bem distintas. Na imagem divulgada por Flávio, ele aparece em pé no Salão Oval, enquanto Trump está sentado atrás da mesa presidencial.

No registro do encontro entre Lula e Trump, ambos aparecem em pé, apertando as mãos, formato mais comum em reuniões entre chefes de Estado. O presidente dos Estados Unidos, inclusive, apareceu recebendo o brasileiro e posaram sorridentes para fotos. 

De acordo com o cientista político Valdir Pucci, a foto de Flávio com Trump transmite uma relação menos horizontal, já que o presidente americano aparece sentado enquanto o senador está em pé, o que pode sugerir hierarquia ou submissão.

“A imagem parece mais o registro de uma visita rápida do que de uma negociação entre líderes e, por isso, teria menos força simbólica do que a foto entre Lula e Trump, marcada por aperto de mãos e posição de igualdade”, explicou. 

Para Deividi Lira, analista político e especialista em marketing político, a foto entre Flávio e Trump foi construída para sinalizar proximidade política, mas tem alcance limitado fora da base bolsonarista. “A imagem, com Trump sentado e expressão protocolar, difere do padrão adotado em encontros entre chefes de Estado.”

<><> PCC e CV como terroristas

Para os analistas, a defesa de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode consolidar a segurança pública como uma das principais bandeiras de uma eventual campanha presidencial de Flávio em 2026.

Durante entrevista coletiva após o encontro, o senador afirmou ter pedido a Trump que avalie a possibilidade de enquadrar as facções brasileiras como grupos terroristas, medida que, segundo ele, fortaleceria a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Segundo Pucci, a proposta dialoga diretamente com a base bolsonarista e pode fortalecer a fidelização desse eleitorado. O desafio, porém, é ampliar o alcance da pauta para além dos apoiadores mais próximos. “O discurso reforça o eleitor que ele já possui. A dúvida é se isso consegue atingir outros segmentos da sociedade, principalmente os indecisos”.

Já Deividi Lira avalia que o encontro com Trump e a defesa da classificação das facções como terroristas ajudam Flávio a construir a imagem de um candidato associado ao endurecimento do combate ao crime. “A segurança pública pode ser um mote para a campanha eleitoral. Ele vai utilizar essa reunião com Trump para reforçar a narrativa de que é um candidato preocupado com o tema”.

Para Lira, o assunto ganha relevância porque a segurança pública ainda é considerada um ponto vulnerável para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar disso, ambos os especialistas avaliam que o discurso enfrenta limites. Além das dúvidas sobre efetividade, existe o risco de a aproximação com Trump ser interpretada por parte do eleitorado como alinhamento excessivo aos Estados Unidos, e não necessariamente como fortalecimento da soberania brasileira.

Na avaliação dos analistas, medidas mais rígidas contra o crime organizado tendem a permanecer no centro da narrativa bolsonarista, mas o impacto eleitoral dependerá da capacidade de transformar propostas simbólicas em soluções percebidas como concretas pelos eleitores.

Para Pucci, a segurança pública deve ocupar espaço central na estratégia eleitoral da direita nos próximos anos.

“Com certeza, a segurança pública será um dos grandes motes da oposição nesta eleição. Hoje, parte dos brasileiros aponta corrupção e outra parte aponta segurança pública como os principais problemas do país, e a direita já possui um discurso consolidado nessa área”, afirmou.

Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira, 25, mostrou que corrupção, saúde pública e segurança pública (violência e criminalidade) são considerados, respectivamente, os principais problemas do Brasil.

Apesar de avaliarem que a direita leva vantagem no debate sobre segurança, os especialistas consideram que as conversas entre Vorcaro e Flávio podem prejudicar o senador em outro tema central: corrupção. Para eles, o caso Banco Master passou a ser associado a esse debate.

¨      Trump fez elogios a Lula em conversa com Flávio Bolsonaro

A jornalista Mariana Sanches, do UOL, revelou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o presidente Lula (PT) diante do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e também comentou reformas na Casa Branca durante encontro no Salão Oval na terça-feira (26).

Segundo o relato de Sanches, Trump fez uma avaliação pessoal do presidente brasileiro mesmo na presença de um aliado do bolsonarismo. Para a jornalista, o episódio contrasta com a tentativa de transformar a imagem do encontro em um ativo político-eleitoral. “O Trump teria dito que o Lula aparentava ser muito velho, mas que, quando ele falava e agia, ele passava uma impressão diferente, de uma pessoa muito dinâmica e de uma pessoa muito esperta. Portanto, Donald Trump fez elogios ao Lula diante de Flávio Bolsonaro, foi isso que aconteceu”, afirmou Mariana Sanches.

A declaração, de acordo com a jornalista, indica que Trump teria feito comentários positivos sobre Lula em um contexto considerado sensível para apoiadores de Jair Bolsonaro (PL). O relato também acrescenta um novo elemento aos bastidores da conversa, ao mostrar que o presidente norte-americano teria se afastado da leitura política esperada por seus interlocutores.

¨      Bajulação de Flávio Bolsonaro a Trump reforça posição de Lula em defesa da soberania brasileira

Aliados do presidente Lula (PT) pretendem transformar a reunião do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um novo elemento da disputa política sobre soberania nacional, em meio à estratégia do governo de contrastar a postura diplomática do presidente brasileiro com a movimentação do clã Bolsonaro nos Estados Unidos, relata a Folha de São Paulo.

A avaliação entre governistas é que o encontro do senador com o presidente norte-americano pode ser usado para reforçar a posição de Lula em defesa dos interesses brasileiros, enquanto adversários buscam interlocução externa em temas sensíveis para o país.

<><> Recepção a Lula e Flávio deve ser comparada

Integrantes do PT pretendem explorar a diferença entre a recepção oferecida por Trump a Lula, no início do mês, e o tratamento dispensado a Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro nesta terça-feira (26). A leitura entre aliados do presidente é que a visita oficial de Lula teve sinais políticos mais fortes, como tapete vermelho, registro de aperto de mãos e declarações positivas de Trump após a conversa.

No caso de Flávio, a imagem divulgada pelo próprio senador mostrou Trump sentado à mesa, em uma composição considerada mais fria por governistas. Para interlocutores do Palácio do Planalto, o episódio tende a mobilizar sobretudo a base mais fiel ao bolsonarismo, sem alterar de forma relevante o cenário para Lula.

<><> Crise na pré-campanha de Flávio

A viagem ocorre em um momento delicado para Flávio Bolsonaro, que enfrenta desgaste em sua pré-campanha após revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador negociou cerca de R$ 134 milhões para o patrocínio de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

Petistas avaliam que a agenda nos Estados Unidos busca deslocar o foco político do caso, que teria afetado o desempenho de Flávio nas pesquisas. Levantamento do Datafolha mostrou Lula com 40% das intenções de voto em uma simulação de primeiro turno, contra 31% do senador.

<><> Negociações com os EUA entram na disputa

Auxiliares do governo também veem risco para Flávio Bolsonaro caso o encontro passe a ser associado a eventuais dificuldades nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. O senador afirmou ter tratado com Trump de temas já discutidos oficialmente entre os dois governos, como o tarifaço e o crime organizado.

A tendência, segundo interlocutores governistas, é que qualquer recuo de Trump no diálogo com o Brasil seja politicamente vinculado à atuação de Flávio. Nesse enquadramento, Lula buscaria se apresentar como o líder que defende a soberania nacional diante de pressões externas.

Nos últimos meses, o presidente tem associado a família Bolsonaro a uma postura de subordinação aos Estados Unidos. A visita de Flávio, portanto, deve ser incorporada ao discurso político do Planalto em um contexto de disputa eleitoral e de tensão em torno da relação bilateral.

<><> Divergência sobre facções criminosas

Após a reunião, Flávio afirmou ter pedido a Donald Trump que classifique o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como grupos terroristas. O tema é visto como ponto de divergência entre os governos brasileiro e americano.

A posição defendida pelo senador contraria o conceito adotado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que conta com apoio público da diplomacia brasileira. Lula afirmou que o assunto não foi tratado em sua reunião com Trump, realizada no último dia 7.

<><> Ironia entre governistas

Antes da confirmação pública da reunião, Flávio publicou nas redes sociais um vídeo dizendo que estava em Washington e que teria uma conversa "muito bacana". Em seguida, acrescentou: "Daqui a pouquinho vocês vão saber com quem".

O senador também afirmou que a embaixada do Brasil nos Estados Unidos não autorizou que sua fala a jornalistas depois da reunião ocorresse no local. Entre governistas, a agenda foi recebida com ironia.

Questionado sobre a visita, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que já bastava "um da família Bolsonaro" trabalhando contra o Brasil. Nas redes sociais, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que o encontro buscava esconder o escândalo e chamou o episódio de "Três patetas com Trump".

Para aliados de Lula, a agenda de Flávio na Casa Branca não necessariamente fortalece sua pré-campanha. A avaliação no entorno do presidente é que o encontro pode ampliar a exploração política do tema da soberania nacional e reforçar a estratégia governista de apresentar Lula como defensor dos interesses do Brasil nas negociações com Washington.

¨      "Cara de pau", diz Zarattini sobre Flávio Bolsonaro "preocupado com o combate ao crime no Brasil"

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou, nesta quarta-feira (27), a postura do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, e afirmou que o parlamentar usa o tema da segurança pública como palanque político.

Em postagem nas redes sociais, Zarattini reagiu à declaração de Flávio Bolsonaro de que pediu a Trump que as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas.

“A demagogia do clã Bolsonaro chega a níveis impressionantes. Flávio Bolsonaro vai aos Estados Unidos posar como alguém preocupado com o combate ao crime organizado no Brasil. É muita cara de pau”, escreveu o deputado.

Segundo Zarattini, o senador tenta explorar o medo da população diante da violência para construir uma imagem de “defensor da segurança”. Para o parlamentar petista, Flávio Bolsonaro transforma um tema grave em instrumento de disputa política. “Na prática, ele tenta explorar o medo real da população diante da violência para construir uma imagem de ‘defensor da segurança’, enquanto transforma um tema grave em palanque político”, afirmou.

O deputado também criticou a ausência, segundo ele, de uma proposta efetiva para enfrentar o crime organizado no país. Zarattini mencionou temas como facções criminosas, lavagem de dinheiro, corrupção policial e expansão das organizações criminosas. “Não existe projeto consistente para enfrentar facções criminosas, lavagem de dinheiro, corrupção policial ou expansão do crime organizado. O objetivo é outro: manter poder político, mobilizar a própria base e tentar criar condições para proteger Jair Bolsonaro dos problemas judiciais que enfrenta”, declarou.

Flávio Bolsonaro afirmou na terça-feira (26) que viajou aos Estados Unidos após ser convidado para uma reunião com Trump na Casa Branca. Em coletiva de imprensa realizada logo após o encontro, o senador disse que tratou com o presidente norte-americano de temas como segurança pública, tarifas e terras raras.

¨      Foto de Flávio Bolsonaro com Trump rende enxurrada de memes nas redes

A foto que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou ao lado do presidente Donald Trump, na Casa Branca, inspirou uma enxurrada de memes nas redes sociais.

Na maior parte das montagens, Flávio é mostrado como alguém subserviente ao presidente dos Estados Unidos e aparece como se fosse garçom ou entregador de delivery.

A percepção é de que o presidenciável do PL fez de tudo para conseguir um rápido encontro com Trump apenas para obter a foto que vai usar como promoção pessoal, mesmo sem ter participado de qualquer reunião com o governante estadunidense.

Nos dois retratos divulgados, Trump não se deu ao trabalho de levantar para cumprimentar Flávio, o irmão Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo.

 

Fonte: Portal Terra/Brasil 247/ICL Notícias

 

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