sexta-feira, 29 de maio de 2026

Glauco Faria: Classificar PCC e CV como terroristas é tentativa de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

O anúncio feito pelo governo de Donald Trump, no início da noite desta quinta-feira (28), de que vai classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas logo após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca é a primeira tentativa explícita, após o tarifaço, de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026.

Nas redes sociais, a extrema direita comemorou. O deputado federal Nikolas Ferreira disse que foi um “golaço”do pré-candidato à Presidência da República, enquanto Eduardo Bolsonaro agradeceu ao mandatário estadunidense, como fez, aliás, à época em que o Brasil e autoridades do país sofreram sanções econômicas. Há tempos este segmento político vende a ideia, dentro de sua retórica populista penal, que isso seria benéfico ao Brasil e à segurança pública. A lógica é relativamente simples: declarar criminosos como terroristas sugere maior rigor, ainda mais com a suposta “parceria”dos EUA. Mas a realidade é muito diferente.

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Em entrevista à Globo News, o promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-SP) Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há mais de 20 anos, explicou como a classificação da facção como terrorista não ajudaria a combatê-la.

“O discurso político se apropriou desse tema. Então, parte da população, influenciada por uma corrente política, acha que classificar essas facções como terroristas vai nos auxiliar no endurecimento de penas ou na recuperação de ativos”, pontuou. “O que a gente precisa é de cooperação e atuação conjunta, não é meramente uma classificação e uma intervenção de ordem militar que vai auxiliar o combate.”

PCC e CV serem classificados como terrorista pode, inclusive, criar barreiras burocráticas e econômicas que não existiam até agora, segundo o promotor. A troca de dados entre o Ministério Público brasileiro, o FBI e a DEA ocorre atualmente via cooperação policial e de forma fluida, mas a classificação faz com que essas informações subam para o nível “confidencial”, passando à atribuição da CIA. O acesso direto dos investigadores brasileiros aos dados fica prejudicado e o combate ao crime organizado se fragiliza.

<><> Terrorismo redefinido por Trump

No governo Trump, o rol de grupos terroristas designados cresceu a um ritmo sem precedentes, passando a incluir cartéis de drogas de países como México e Venezuela e abrindo caminho para intervenções militares estadunidenses.

“Desde o início de 2025, Trump adicionou impressionantes 26 novos grupos à lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) . Na maioria dos anos desde a criação da lista, em 1997, apenas cerca de dois grupos eram adicionados anualmente. Os últimos 12 meses registraram o maior aumento anual no número de organizações terroristas declaradas pelos EUA”, pontua o professor associado de Relações Internacionais na Universidade de Essex, Brian J. Phillips, em artigo no The Conversation.

O professor observa que a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras impõe sérias consequências aos grupos listados, sendo crime grave para qualquer pessoa, por exemplo, “apoiar materialmente” uma FTO. “Os bancos são obrigados a congelar os fundos de qualquer pessoa associada a um grupo designado. Os supostos associados a organizações designadas também podem ser impedidos de entrar nos EUA ou expulsos se já estiverem no país”, explica.

Isso abre um leque de possíveis sanções que podem ser implementadas de forma discricionária e com um evidente cunho político já manifesto na decisão da Casa Branca. Se antes eram classificados como terroristas os grupos com motivação ideológica que utilizam violência intencional contra civis para atingir objetivos políticos, com Trump a história mudou. Em fevereiro de 2025, o governo Trump adicionou 15 grupos que na prática são cartéis de drogas ou gangues, como o cartel de Sinaloa no México e gangues no Haiti e na América Central, lembra Phillips.

“O que intriga muitos analistas é o motivo pelo qual grupos criminosos seriam adicionados a uma lista de organizações terroristas. Já existem sanções americanas contra organizações criminosas, como a Lei Kingpin, que proíbe transações financeiras com cartéis de drogas e congela seus bens”, pondera. “Além de tudo, isso desvia os recursos das agências americanas de combate ao crime de grupos terroristas reais. E parece dar sinal verde para políticas excessivas e contraproducentes em relação a organizações criminosas. Um número crescente de pesquisas mostra que o contraterrorismo e a contrainsurgência usados ​​contra cartéis de drogas ou gangues frequentemente têm efeito contrário, levando ao aumento da violência.

<><> Interferência disfarçada de cooperação

Essa suposta fusão de guerra ao terror com guerra às drogas promovida pelo governo dos EUA justificou a operação de sequestro do presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. O mandatário foi preso sob o argumento de que seria o chefe do Cartel de los Soles, designado como Organização Terrorista Estrangeira em 2025.

É quase impossível que uma intervenção armada dos EUA aconteça no Brasil como desejou Flávio Bolsonaro, quando, após os Estados Unidos terem promovido um ataque a barcos supostamente carregados com drogas em águas internacionais, em outubro de 2025, o senador foi às redes pedir a Pete Hegseth, secretário da Guerra do governo Donald Trump, para bombardear “barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara”. A intervenção se dá de outra forma.

Em artigo publicado em março deste ano sobre o tema, a professora do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Luísa Leão Soares Pereira, pontuou que “não parece que os EUA farão uso imediato do rótulo de ‘terrorismo’ para empregar força armada ilegal contra o Brasil, como fizeram em outros lugares da América Latina. No entanto, é evidente que o governo Trump está tentando usar o potencial de ameaça de força armada decorrente dessa classificação para interferir nas próximas eleições presidenciais brasileiras. Isso, por si só, constitui uma violação do princípio da não intervenção e da soberania brasileira.”

A família Bolsonaro mostrou que tem influência junto a autoridades próximas a Trump e essa decisão mostra que, ao menos o entorno poderoso do presidente, não ficará alheio às eleições no Brasil. À esquerda e ao governo caberá explicar que a medida é danosa ao Brasil, em um ambiente político no qual a segurança pública é um tema central. E tão mal discutido.

¨      Decisão de Trump ocorre quando PF avança sobre elo de grupo de Bolsonaro com facções que passa por Delaware. Por Plínio Teodoro

Submisso aos interesses de Donald Trump e imerso no mar de lama das investigações da Polícia Federal (PF) no “andar de cima” do crime organizado, que tem abatido aliados muito próximos como o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ) e o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca com a decisão do governo dos EUA, de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma blindagem do próprio grupo político.

O filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) viajou aos EUA para encontrar Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, na mesma semana em que foram divulgadas informações de que Paulo Calixto e Altieris Santana, da Calixsan Capital Management LLC, abriram em 12 de fevereiro, a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, uma offshore em Delaware, conhecido paraíso fiscal dos EUA onde estão listadas ao menos 15 outras offshores que pertencem ao Grupo Refit, do megasonegador Ricardo Magro, recém incluído na lista vermelha da Interpol.

Calixto é advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) desde que o filho “03” de Jair Bolsonaro (PL) buscou abrigo nos EUA para conspirar contra o Brasil. Altieris Santana surgiu em uma conversa de WhatsApp de Eduardo nesta semana, em que o deputado cassado trata do “patrocínio” de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse dizendo que a “solução” seria “enviar o máximo possível de dinheiro” aos EUA.

Calixto e Santana são os controladores do fundo Havengate, que recebia os aportes estimados em 24 milhões de dólares do “patrocínio” de Vorcaro ao filme de Bolsonaro – sendo que 10 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Na mensagem, Eduardo ainda afirma que “o Altieris está à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quer que seja”, mostrando que o controlador dos fundos do filme e de Delaware atua como uma espécie de operador pessoal.

Altieris Santana construiu carreira como corretor de imóveis nos EUA e tornou-se sócio de Calixto na Calixsan, “uma empresa de consultoria que oferece soluções especializadas em gestão, permitindo que nossos negócios imobiliários apresentem estruturas excepcionais”.

“Nosso suporte abrange desde o apoio a startups, estruturação de fundos e análise de mercado, até o monitoramento de conformidade e exceções às exigências do setor”, anuncia a empresa em seu site.

<><> Fator Cláudio Castro

Horas antes de Marco Rubio anunciar a classificação de CV e PCC como organizações terroristas, comemorada com um “grande dia” por Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro abriu mão da candidatura ao Senado após ser alvo de duas operações da PF em 11 dias: a primeira sobre o caso Refit, de Ricardo Magro, no dia 15 de maio, e a segunda sobre o escândalo do Banco Master, do “irmão” Daniel Vorcaro, no dia 26 do mesmo mês.

As duas operações revelam que a PF interligou as duas investigações, que atingem o “andar de cima” do crime organizado e atinge frontalmente o grupo político que engloba políticos do Centrão e da ultradireita, que atuam desde 2019 sob o comando do clã Bolsonaro.

Nesta teia criminosa que une o grupo político às facções e passa pela Faria Lima, a PF descobriu a interlocução direta entre Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a secretaria de Defesa do Consumidor no ex-governo Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, chefe do Comando Vermelho, que seria o responsável pela receptação de armamentos, como fuzis, comprados pela agora “organização terrorista”.

Como a Fórum revelou, a fusão das duas investigações mostra que o grupo Refit usava as offshores de Delaware para como bunkers para ocultação de bens que, segundo a Receita Federal, pertencem de fato ao empresário Ricardo Magro.

De acordo com a PF, além da aquisição de imóveis, o esquema de lavagem de dinheiro do grupo incluía o tráfico de armas pesadas dos EUA, como AK-47 e AR-10, que eram enviadas em contêineres.

As armas eram entregues a “empresários”, como Josias João do Nascimento, agente aposentado da PF, classificado como “Senhor das Armas”, ligado ao brasileiro Frederik Barbieri, condenado por tráfico internacional de armas nos EUA.

Outro receptor seria o CAC Eduardo Bazzana, preso em maio de 2025. Na casa dele, em Americana, interior paulista, foram apreendidas mais de 200 armas e 40 mil munições.

O empresário mantinha interlocução com Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o “Zeus”, do Comando Vermelho, que atuava na Muzema, área antes controlada por milicianos ligados ao clã Bolsonaro. A Muzema foi onde Fabrício Queiroz se abrigou após o escândalo das rachadinhas.

<><> Blindagem

No combate ao PCC há mais de 10 anos, promotor do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakyia afirmou que a decisão anunciada por Marco Rubio, de classificar PCC e CV como organizações terroristas, um dia após encontro com Flávio Bolsonaro, dificulta a cooperação entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado.

“Passando a ser um assunto de defesa, quem vai tratar disso é a CIA e são os militares. Não é mais um assunto que seria tratado internamente pelo FBI e pela DEA, como a gente vem tratando aqui há muito tempo. Isso vai causar um problema, porque essas informações estando sob a guarda da CIA, elas passam a ser secretas ou confidenciais. Aí a gente não tem acesso a esse nível de documento”, disse, em entrevista ao Jornal Nacional.

Na mesma linha, o ex-secretário nacional de Segurança Mário Sarrubo afirma que a medida é “muito ruim para o combate ao crime organizado e, em especial, para algo que o País tem feito muito bem, que é a cooperação internacional, que é o diálogo entre as forças policiais brasileiras e americanas, mas também o diálogo com outras forças dos países vizinhos aqui da América do Sul, da América Latina como um todo”.

Ao Estadão, Sarrubo diz que “a decisão americana deteriora o sistema de cooperação, porque nós deixaremos de tratar a respeito de facções com DEA e com FBI e passaremos a ter que lidar com a CIA, que não conversa com ninguém”.

Na prática, com a medida, a cooperação e a troca de informações passará por instituições subordinadas à Casa Branca, comandada atualmente por Donald Trump, aliado do clã Bolsonaro que deseja um governo submisso no Brasil para avançar sobre o “quintal” na América Latina, especialmente sobre as reservas de petróleo e terras raras.

No documento entregue ao presidente dos EUA, antes da reunião com Rubio, Flávio Bolsonaro teria prometido justamente que, se eleito, cumprirá a risco a agenda de interesses de Trump no Brasil, privatizando a Petrobrás e cedendo a exploração das terras raras às mineradoras transnacionais que atuam a partir de Wall Street.

Em troca, ao que tudo indica, Flávio Bolsonaro obteve a blindagem nas investigações do “andar de cima” do crime organizada durante as eleições para tentar levar os aliados no CV e PCC ao Palácio do Planalto em 2027.

¨      De sanções a invasão armada: os riscos da classificação do PCC e CV como terroristas pelo governo Trump. Por Ivan Longo

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) serão oficialmente classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) a partir de 5 de junho de 2026. A ação, anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi impulsionada em grande parte pelo lobby ativo de Flávio e Eduardo Bolsonaro junto ao governo Trump.

Especialistas e autoridades brasileiras alertam que a medida vai muito além de um instrumento técnico de combate ao crime organizado e tem efeitos políticos, econômicos e jurídicos de longo alcance: fragiliza a cooperação policial existente, expõe o sistema financeiro brasileiro a sanções e cria condições jurídicas que poderiam justificar operações militares ou medidas coercitivas unilaterais dos EUA em solo nacional.

<><> Celso Amorim: cooperação sim, pretexto para intervenção não

O assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, criticou a iniciativa, afirmando que a cooperação internacional é necessária, mas não pode ser usada para justificar ingerência externa.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável.”

Horas antes do anúncio oficial dos EUA, Amorim reforçou:

“Equiparar o crime organizado ao terrorismo não ajuda. Entender as motivações é essencial para a efetividade da luta contra todos os tipos de crime.”

Para ele, o combate deve ser conduzido por meio de instrumentos legais e inteligência policial, não por rótulos que podem abrir espaço para ingerência militar.

<><> O lobby bolsonarista e a disputa política

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, denunciou que Flávio e Eduardo Bolsonaro atuam para subordinar o Brasil a interesses norte-americanos, aproveitando-se do debate sobre o combate ao crime organizado. Em nota publicada em 28 de maio, ele afirmou:

“A manifestação norte-americana representa uma resposta ideológica da extrema direita mundial à proposta séria de cooperação apresentada pelo Brasil. Em vez de cooperação, a extrema direita oferece sanções, ingerência, pressão econômica e submissão do Brasil aos interesses de estrangeiros.”

Uczai lembrou que o PL Antifacção, aprovado pelo Congresso, fortaleceu investigação patrimonial, asfixia financeira das facções, combate à lavagem de dinheiro, cooperação federativa e inteligência, e que a tentativa de equiparar facções criminosas ao terrorismo foi derrotada pelo Parlamento brasileiro. Segundo ele:

“Flávio e Eduardo Bolsonaro tentam agora buscar em Washington aquilo que perderam no Congresso Nacional.”

<><> FBSP: soberania e estratégias nacionais ameaçadas

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) também criticou a medida, ressaltando que, embora seja uma decisão soberana dos EUA, ela captura um tema estratégico do Brasil para fins eleitorais e ideológicos, sem considerar os impactos na economia, sistema financeiro e cooperação internacional:

“O FBSP lamenta que um tema com implicações profundas na soberania e autonomia do Brasil, na sua economia, sistema financeiro e nos mecanismos de cooperação regional e internacional, tenha sido capturado pela disputa eleitoral e a medida norte-americana incentivada como solução de um problema bem mais complexo, sem considerar os riscos de saídas unilaterais de outras nações para uma economia do porte da brasileira.”

O FBSP reforça que Brasil e EUA têm longa tradição de cooperação policial, especialmente na troca de informações de inteligência e combate à lavagem de dinheiro. No entanto, o apoio explícito de políticos brasileiros à medida demonstra visões reducionistas e desconectadas das reais estratégias de combate ao crime, como a retomada de territórios e a regulação de setores explorados pelo crime organizado — fintechs, apostas online, criptoativos, entre outros.

<><> Gakiya: riscos operacionais e estratégicos

O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco/MP-SP, que investiga o PCC há mais de 20 anos sob escolta permanente, também criticou a classificação. Em entrevista à Rádio Nacional, ele alertou:

“A classificação como terroristas abre um flanco para que, no futuro, possa haver algum tipo de operação militar secreta, da CIA ou de forças especiais, na fronteira ou mesmo dentro do território brasileiro.”

Para Gakiya, PCC e CV são organizações criminosas do tipo mafioso, com formação empresarial, infiltração estatal e dominação territorial, características que não se enquadram no conceito da ONU para terrorismo, adotado pela maioria dos países desenvolvidos.

Ele acrescenta que a mudança de status jurídico transfere o combate ao crime da esfera policial para a militar, com consequências diretas para as investigações em curso: os dados atualmente compartilhados entre Ministério Público brasileiro, FBI e DEA passariam a ser classificados como “confidenciais”, migrando para a jurisdição da CIA e dificultando o acesso direto dos investigadores nacionais.

<><> Consequências econômicas e geopolíticas

A decisão dos EUA cria riscos financeiros imediatos: bancos, empresas e intermediários que operem em áreas sob influência do PCC ou CV podem enfrentar fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários, travamento de operações internacionais e restrição de crédito. Além disso, milhões de brasileiros que vivem em regiões dominadas por essas facções podem ter barreiras à circulação, acesso a serviços e crédito, enquanto a cooperação penal internacional corre o risco de ser substituída pela lógica militar.

Analistas em relações internacionais lembram que a classificação como “terrorismo” não encontra respaldo no conceito jurídico internacional adotado pela maioria dos países, e pode ser usada como pretexto para justificar ações extraterritoriais e militares, como já ocorreu historicamente em intervenções norte-americanas na América Latina.

“Possivelmente usarão isso como justificativa para medidas de intervenção política e militar direta no Brasil”, alerta Thomaz Delgado de David, doutorando em Relações Internacionais pela USP.

 

Fonte: Fórum

 

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