quinta-feira, 28 de maio de 2026

A farsa da polarização política

É da natureza da filosofia voltar seu olhar para a realidade política, dado que a filosofia é filha da pólisdemocrática. É no diálogo, no confronto e na livre discussão de ideias que a filosofia se lança na aventura crítica do pensamento. Em regimes políticos autoritários, a filosofia é perseguida, censurada ou cooptada. Como sabemos, a filosofia tem em seu atestado de nascimento um compromisso com o destino comum da sociedade, por isso, não pode ser indiferente diante do poder político. Não só a sobrevivência, o exercício e o desenvolvimento da filosofia dependem de decisões políticas, mas também o destino da sociedade. Entretanto, a relação da filosofia com o poder político é, via de regra, uma relação conflitiva e crítica, porque os interesses que presidem o funcionamento do poder político nem sempre coincidem com os interesses e os princípios da filosofia. A filosofia existe para questionar o porquê das coisas, a fim de poder conhecer e defender a verdade, a justiça, o bem e o belo. Se a aparência coincidisse com a essência das coisas, desnecessária seria a filosofia e a própria ciência. Daí dizer que tudo o que parece óbvio desafia e interpela o pensamento filosófico. Assim, a análise filosófica implica considerar o poder político como um problema a ser compreendido em sua natureza e em sua lógica de funcionamento.

 Ora, o atual cenário político brasileiro revela-se, à primeira vista, enigmático para o cidadão comum, uma vez que vivenciamos os efeitos perversos e as ameaças da ascensão do pensamento político-ideológico de extrema direita ao redor do mundo e no Brasil. Há, entretanto, uma contradição flagrante em nossa realidade política e social, mas que não é percebida por muitos brasileiros. Como entender o fato de que a sociedade brasileira é composta em sua grande maioria por pessoas empobrecidas (trabalhadores de diferentes ofícios, profissões e ocupações) que são explorados e excluídos socialmente, mas uma parcela considerável desses trabalhadores tende a apoiar e a eleger candidatos que representam os interesses das elites econômicas que expressamente ou não pretendem retirar ou reduzir direitos trabalhistas? Existem inúmeros fatores que explicam este fato, mas não será aqui objeto de análise. O que pretendemos analisar é a suposta polarização política que capturou o discurso e o pensamento dos analistas políticos da grande mídia, assim como sua reverberação nas plataformas digitais e nas redes sociais. Para muitos brasileiros, a sociedade está politicamente polarizada (entre esquerda e direita) ou ideologicamente dividida, supondo que o termo esquerda está associado ao socialismo e o termo direita está associado ao capitalismo no espectro político.

Embora sejam de largo uso, os termos, esquerda e direita não retratam a realidade política brasileira e nem explicam a denominada polarização política. Ao contrário, estes termos são usados sem um referencial histórico que pudesse embasar o discurso ideológico e político. Note-se que existem partidos políticos no Brasil que representam ideologias políticas de esquerda e de direita; não existe, porém, um conflito revolucionário entre esquerda e direita que pudesse ameaçar o capitalismo, mas um conflito puramente ideológico entre a “esquerda liberal” – que defende a democracia liberal (representativa) e maior intervenção do Estado na economia e a extrema direita que defende a liberdade de mercado, a privatização, a flexibilização das leis trabalhistas e o autoritarismo político. Se do ponto de vista político, as duas posições em conflito divergem sobre o papel do Estado (do poder político) na direção da economia e na elaboração de políticas públicas, do ponto de vista econômico há uma convergência de ideias, porque as duas posições defendem, ao fim e ao cabo, o sistema econômico capitalista – ou seja, a exploração econômica do trabalhador. Ou seja, só teríamos de fato polarização política se tivéssemos uma extrema esquerda (esquerda radical) no governo e posicionada contra a extrema direita na oposição ou vice-versa.

Ora, se quisermos entender a origem, o uso ou os significados destes termos, será preciso recuar na história, uma vez que em confronto com nossa realidade social, política e econômica os termos esquerda e direita sofreram uma mutação semântica e um esvaziamento de significado. No contexto histórico da Revolução Francesa, duas facções políticas da burguesia estiveram em conflito. Os jacobinos, considerados radicais e violentos, se sentavam à esquerda da mesa diretora da Assembleia legislativa e pretendiam sepultar de vez o antigo regime político (o absolutismo monárquico dos reis) e o regime econômico (o feudalismo) para dar lugar ao capitalismo. Para tanto defendiam mudanças bruscas e transformações revolucionárias na política e na economia. Por outro lado, os girondinos (moderados) sentavam-se à direita, defendiam mudanças lentas e graduais na implantação de governos republicanos (repúblicas constitucionais) e na implementação do capitalismo.

Entretanto, no transcurso da Revolução Francesa, o termo esquerda não tinha conotação socialista, mas apenas antiaristocrática. É com o desenvolvimento da Revolução Industrial (no decorrer do século XIX) que tem origem o proletariado e o aprofundamento das desigualdades sociais e econômicas. No início do séc. XX, a Revolução Russa pretendeu transpor para o plano histórico – social, político e econômico a teoria marxista. Nesse contexto, a teoria socialista de extração marxiana e marxista se apropriou e ressignificou o termo esquerdae se tornou a sua expressão mais radical, porque propõe a luta contra o capitalismo. Vale lembrar que em 1848, Marx e Engels publicaram o Manifesto do partido comunista e, em 1845/1846 redigiram A ideologia alemã (publicada postumamente em 1932). Em 1864 é criada a Associação internacional dos trabalhadores (a Primeira Internacional). A luta política deixou de ser contra a monarquia para ser uma luta revolucionária, a fim de superar o capitalismo.

A Guerra Fria (1947-1991) redefiniu política e ideologicamente o mundo em dois blocos. O bloco capitalista – liderado pelos EUA e o bloco socialista/comunista – liderado pela ex-URSS. O fim da Guerra Fria – marcado pela derrubada do muro de Berlim (1989) e pela desintegração das repúblicas soviéticas em 1991 provocou o colapso da divisão do mundo em dois blocos ideológicos, políticos e econômicos. Assim, o suposto ou aparente triunfo do capitalismo fragmentou e enfraqueceu as lutas políticas da esquerda pela superação do capitalismo em direção ao socialismo. Como efeito da Guerra Fria, no final do século XX, a esquerda foi se distanciando do socialismo científico, de modo que muitos partidos políticos de esquerda abandonaram o ideal revolucionário na Europa (e ao redor do mundo) e aceitaram o capitalismo na versão política de Estado de Bem-estar social. Enfraquecida pelo fim da Guerra Fria e pela crise do socialismo real, a esquerda reformulou sua agenda política e passou a lutar por direitos humanos, inclusão social, democracia, meio ambiente e identidade de gênero. A esquerda deixou de ser marxista para ser liberal ou progressista. Ou seja, já é possível ser de esquerda sem ser socialista e sem pretender abolir o capitalismo.

Porém, sem um adversário externo que pudesse rivalizar e se contrapor ao capitalismo, o sistema capitalista viu na classe trabalhadora um inimigo interno a ser combatido, por isso, intensificou a exploração, a dominação e a subjugação dos trabalhadores para responder à sua crise estrutural. Os direitos trabalhistas passaram a ser vistos como um obstáculo para a exploração capitalista, por isso inúmeras ofensivas neoliberais sobre os trabalhadores promoveram reformas trabalhistas e previdenciárias ao redor do mundo para reduzir os custos da mão de obra e atender às imposições do capital.

Diante disso, resulta necessário retornarmos à questão inicial: existe de fato polarização política no Brasil ou se trata de um instrumento ideológico para impedir a organização e a luta revolucionária da classe trabalhadora? Pode existir polarização política que não seja expressão dos antagonismos ou dos conflitos de classe? Ora, se tomarmos como referencial de análise a teoria marxiana (Manifesto do partido comunista – 1848, escrito em parceria com Engels; O Capital – Livro I – 1867, obra escrita por Marx) veremos que a luta de classes é o motor da história; conflito que deriva da exploração econômica e do processo de produção do capital. A luta de classe é fundamentalmente econômica – diz respeito às condições de trabalho – emprego, desemprego, exploração e precarização e se projeta na superestrutura (política, cultural e ideológica). Porém, a tese de que há uma polarização política sem luta revolucionária pela superação do capitalismo no Brasil encobre as contradições de classe no interior da sociedade capitalista. Trata-se de um dispositivo ideológico para desviar a atenção da classe trabalhadora sobre as causas estruturais e materiais dos problemas econômicos e sociais. Desloca-se, desta forma, o problema econômico (a exploração dos trabalhadores) para a esfera política ou para a superestrutura – que é a esfera das ideias, dos valores, dos costumes e da cultura. A disputa política passa a ser puramente ideológica, cultural e moral. Rompe-se o vínculo que une e subordina o poder político ao poder econômico. Oculta-se, desta forma, as causas estruturais da exploração do trabalhador, de modo que a desigualdade econômica permanece intocada. Em outros termos, o discurso político atua como uma estratégia ideológica para a manutenção do poder econômico.

Contudo, não é possível compreender a política por ela mesma, como se fosse uma esfera autônoma ou independente da economia. No sistema capitalista, a política funciona como extensão ou braço operacional dos interesses das elites econômicas, cujos representantes fazem do parlamento um espaço de barganha ou um balcão de negócios. Nas democracias liberais, a argumentação cede à negociação, o interesse privado se sobrepõe ao interesse público. Neste contexto, a grande mídia reforça e amplifica a polarização e a divisão ideológica da sociedade, escondendo a divisão em classes. Antagonismos superficiais (conflito sobre pautas morais, costumes e identidade de gênero, entre outros) deixam em segundo plano o antagonismo ou o conflito de classe – a raiz de todos os problemas sociais, razão pela qual os políticos necessitam transformar a política num espetáculo ou numa encenação. Nesse sentido, a disseminação de desinformação funciona como combustível para propagar narrativas e manter a falsa polarização da sociedade. Sacrifica-se a verdade e esconde-se a realidade para manter a estrutura perversa e injusta da sociedade capitalista.

De acordo com a análise marxista, a extrema direita e os partidos de esquerda de maior representatividade (liderados pelo PT) não são projetos políticos contraditórios, mas posições ou oposições ideológicas diferentes na defesa do sistema capitalista. Existe uma polarização partidária (e eleitoral) que se limita a disputar ideologias, símbolos, versões de fatos ou narrativas. A esquerda radical, porque tem baixa representatividade política e social não constitui uma ameaça real ao capitalismo. Já a extrema direita (capitaneada pelo bolsonarismo) defende a liberdade econômica, a ordem estabelecida, a tradição e o autoritarismo político, por isso, é denominada de conservadora, retrógrada e neofascista. Defende a reinstauração da ditadura no Brasil para conter ou reprimir possíveis levantes ou insurreições da classe trabalhadora. Por sua vez, a “esquerda liberal” foi cooptada e domesticada pelo capital; defende o papel do Estado na valorização do salário mínimo e na ampliação de políticas públicas compensatórias para abrandar problemas sociais e reduzir o fosso que separa os ricos dos pobres, mas sem propor uma ruptura revolucionária. Assim, a “esquerda liberal” imagina ser possível avançar na direção de uma sociedade mais justa, igual e humana lutando pela inclusão dos excluídos no mercado de bens de consumo. É o gradualismo – a falsa ideia de que é possível consertar ou reformar o capitalismo e humanizá-lo que impede a “esquerda liberal” de defender a revolução proletária. A luta política e ideológica da esquerda (liderada pelo PT) não é pela revolução socialista, mas pela defesa da democracia liberal-burguesa e pela soberania nacional. Assim, o projeto nacional-desenvolvimentista da “esquerda neoliberal” que contrasta com o projeto neoliberal ou ultraliberal da direita e da extrema direita (de privatização das empresas públicas) e de transformação dos direitos em serviços confluem na defesa do sistema capitalista. A ideia de que a correlação de forças do ponto de vista histórico ou conjuntural é desfavorável para os trabalhadores induz os governos ditos de esquerda a agir em nome da governabilidade e não em nome da sociedade. Nesse sentido, concessões são feitas aos capitalistas, assim como medidas impopulares são implementadas para atender a insaciável voracidade do capital.

Portanto, a farsa da polarização política consiste em reduzir a política a um jogo de aparências onde a lógica binária e maniqueísta funciona como dispositivo ideológico; petismo versus antipetismo e bolsonarismo versus antibolsonarismo; progressistas versus conservadores; comunistas versus fascistas; amigos versus inimigos, o bem versus o mal, “nós contra eles” –, onde o medo, a hostilidade, a indignação, o ressentimento, a intolerância mútua predominam entre os opositores. Disputa-se não um novo projeto de sociedade ou uma nova forma de sociabilidade, mas opiniões ou versões de um mesmo fato. Bolhas ideológicas impedem a construção de um projeto coletivo. O discurso da polarização política fragmenta a classe trabalhadora, porque instaura uma divisão ideológica entre os trabalhadores que não se percebem como pertencentes a mesma classe ou condição social. A consciência de classe que é condição de unidade, de organização e deação revolucionária sucumbe em favor dos capitalistas. Ou seja, a polarização política funciona para impedir processos revolucionários. 

Por outro lado, o ativismo político e ideológico da grande mídia e das plataformas digitais atua para manipular e massificar a classe trabalhadora. O que está em causa não é a organização e a mobilização dos trabalhadores, mas o engajamento, o senso de pertencimento a um grupo social. Ou seja, a ideologia da polarização política transforma trabalhadores ou cidadãos em multidão (massa) – que se mobiliza mediante discursos emotivos que deixam transbordar ódio e ressentimento para com aqueles que defendem políticas públicas – programas sociais, cotas sociais, raciais, Bolsa família etc. para os trabalhadores mais vulneráveis. Incapazes de perceber que o trabalho meritocrático é um discurso que só vale para os trabalhadores e não para as elites econômicas que vivem de privilégios parasitando o Estado, os próprios trabalhadores lutam contra seus próprios interesses. Não são os argumentos ou o entendimento racional, mas a reação emocional, os insultos, a agressividade verbal (e até física) e a rotulagem discursiva que mobilizam trabalhadores para lutarem contra si mesmos. Disputa-se não o melhor projeto político, mas uma posição ideológica que ilusoriamente possa satisfazer seus desejos, suas crenças e interesses. Destrói-se desta forma, a esfera política que passa a funcionar apenas em vista dos interesses da classe capitalista (dos proprietários dos meios de produção). Desarticulada e manipulada, a classe trabalhadora vê-se impotente ou incapaz de fazer frente às imposições do poder econômico e promover a transformação revolucionária do capitalismo. 

A erosão da política tem como causa primeira a despolitização da sociedade. Ou seja, o teatro político representa a morte da verdadeira política. Enquanto a luta política não for travada entre capital versus trabalho e entre capitalismo versus socialismo não haverá verdadeira polarização e transformação social. Ora, é pela práxis social que podemos não só formar a consciência de classe, mas promover a transformação da sociedade. Para tanto, será preciso que a questão econômica readquira relevância social e política, ou seja, as contradições de classe precisam ser percebidas como a raiz dos problemas que afligem a classe trabalhadora. A verdadeira polarização política não é entre esquerda e direita abstratas ou imaginárias, mas concretas (reais). As condições materiais da produção de nossa existência determinam nosso modo de pensar. Ou seja, todo pensamento político está vinculado a interesses econômicos, uma vez que a superestrutura não existe sem a infraestrutura.  Porém, na ação da ideologia ocorre a inversão da percepção da realidade – a falsificação da consciência. 

Contudo, o que podemos divisar da política brasileira transformada em polarização ideológica? Não há dúvida de que a “esquerda liberal” sob a batuta de Lula representa a rendição política de uma ala do pensamento progressista face aos ditames do capitalismo. Por sua vez, a esquerda radical deve, para além da crítica teórica e política e de suas frustradas esperanças mobilizar as forças revolucionárias. Somente o processo revolucionário da classe trabalhadora poderá pôr fim a este estado de coisas (expropriação e exploração do trabalho) que o capitalismo instaurou e continua perpetrando contra os trabalhadores. A transformação ou a superação da sociedade capitalista que a esquerda radical deseja não pode vir de cima (de decisões políticas) ou por meio dos instrumentos políticos e eleitorais da democracia liberal. A mudança estrutural do sistema capitalista brasileiro é tarefa da classe trabalhadora. Cabe à esquerda radical organizar e promover com a classe trabalhadora o processo revolucionário já preconizado por Marx. A revolução socialista está na cabeça de muitos intelectuais, mas não a encontramos na práxis social e histórica. Para tanto, será preciso uma análise de conjuntura, a fim de saber das reais condições da revolução socialista. O processo histórico não está livre de contradições, por isso, somente a luta no plano teórico, partidário ou sindical não será suficiente para desencadear a revolução. De outra sorte, se não podemos esperar da “esquerda liberal” a transformação estrutural da sociedade capitalista, da direita e da extrema direita ultraliberal pode-se esperar a permanência e a intensificação da polarização ideológica, dado que para estas facções políticas e ideológicas os trabalhadores são meras forças de trabalho, por isso, defendem a escravidão assalariada e não o fim da exploração do trabalhador.

 De acordo com Gramsci (Os intelectuais e a organização da cultura – 1926-1937; Cadernos do cárcere – 1929-1935), a classe trabalhadora é subjugada não apenas no âmbito da esfera do poder econômico ou da infraestrutura – das forças produtivas e das relações sociais de produção, mas também na esfera da superestrutura (do poder político e da cultura) – onde atuam a força e a ideologia, responsáveis pela percepção da realidade, pela visão de mundo e pela fabricação e controle do senso comum da sociedade civil. A classe capitalista detém não apenas os meios de produção material, mas também os meios de produção intelectual – imprensa, meios de comunicação, internet, mídia, plataformas digitais para disseminar sua ideologia (ideias, princípios e valores) pela sociedade (escolas, igrejas, universidades, sindicatos etc.). Ora, assim como a classe capitalista tem seus intelectuais orgânicos – jornalistas, líderes religiosos, militantes, literatos, tecnocratas, economistas, hoje também influencers), a classe trabalhadora necessita de intelectuais orgânicos – líderes intelectuais e morais – professores, padres, sindicalistas, artistas etc. para liderar e organizar a luta ideológica, disputar e conquistar a hegemonia cultural – passando de classe subalterna a classe dirigente (hegemônica).  Porém, a luta política e ideológica pressupõe a formação da consciência de classe. 

Como se vê, não será pelo voto ou pela eleição que podemos superar as contradições de classe da sociedade capitalista. Porém, na democracia liberal, a participação política dos cidadãos é, via de regra, reduzida ao voto popular. Embora existam outros mecanismos de participação popular (referendo, plebiscito, orçamento participativo etc.), é somente pelo voto que podemos mudar os atores do poder político. Reduzido à condição de eleitor, o cidadão supõe que sua tarefa e seu papel tenham sido cumpridos no momento em que depositar seu voto na urna. Ora, esta é a forma como as democracias liberais ou representativas controlam e impedem a organização de forças revolucionárias que possam ameaçar o sistema capitalista. A eleição majoritária deste ano será plebiscitária, não porque todos os cidadãos de forma consciente e crítica vão aprovar ou reprovar a gestão do atual governo, mas porque uma grande parcela será influenciada pela desinformação e pela incapacidade intelectual de compreender a política como expressão de interesses econômicos conflitantes.

 

Fonte: Por Claudinei Luiz Chitolina, em A Terra é Redonda

 

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