sexta-feira, 29 de maio de 2026

Moraes encaminha à PGR pedido para incluir Flávio e Jair Bolsonaro na ação contra Eduardo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, abriu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o pedido de inclusão de Jair Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A solicitação foi apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e mira a possibilidade de ampliar os alvos da investigação em curso no Supremo, informa a CNN Brasil.

Eduardo Bolsonaro já é réu no Supremo após ser acusado de articular sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras a partir dos Estados Unidos. O ex-deputado está em território norte-americano desde fevereiro de 2025 e, conforme a denúncia, teria atuado para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

<><> Pedido busca ampliar alcance da investigação

A movimentação de Lindbergh Farias ocorre após revelações do portal Intercept Brasil envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por fraudes financeiras. De acordo com o material citado na petição enviada ao Supremo, Vorcaro teria financiado um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com produção nos Estados Unidos.

Ainda segundo a publicação mencionada no pedido, Eduardo Bolsonaro seria o principal operador dos valores repassados pelo banqueiro para o projeto. Com base nessas informações, Lindbergh pede que o inquérito contra Eduardo seja ampliado para apurar uma eventual conexão entre o financiamento do filme, a atuação internacional do ex-deputado e a campanha de sanções contra autoridades brasileiras.

<><> Petição cita Banco Master e fluxos financeiros

No documento encaminhado ao STF, o deputado também solicita o compartilhamento, com a ação contra Eduardo Bolsonaro, de todas as provas produzidas na investigação relacionada ao Banco Master. A petição pede ainda a análise de fluxos financeiros envolvendo Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e pessoas ou empresas ligadas à produção do filme biográfico.

O objetivo, segundo o pedido apresentado ao Supremo, é verificar se valores formalmente destinados ao filme teriam sido desviados, total ou parcialmente, para “financiar a campanha internacional de sanções, restrições de vistos, tarifas e coação contra autoridades brasileiras”.

<><> Jair e Flávio podem ser incluídos no mesmo processo

Caso o pedido seja aceito, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro passarão a ser investigados no mesmo processo que envolve Eduardo Bolsonaro. Antes de decidir sobre a ampliação dos alvos, Moraes determinou que a PGR apresente parecer sobre a solicitação.

A manifestação da Procuradoria-Geral da República será uma etapa decisiva para definir se o Supremo dará prosseguimento ao pedido de Lindbergh Farias e se a apuração será formalmente estendida para incluir Jair e Flávio Bolsonaro.

•        Quanto vale a foto de Flávio com Trump. Por Moisés Mendes

Flávio e Eduardo tiram uma foto com Trump. As redes sociais e os tios do zap espalham que o filho ungido tem o apoio do americano. O Datafolha faz uma pesquisa sobre o impacto da foto na campanha eleitoral. Os resultados da pesquisa se transformam em controvérsias infindáveis. E daí?

Daí que, depois do encontro na Casa Branca, se acontecer, teremos centenas de abordagens variadas, sempre com um componente: a lacração. Direita e esquerda competem hoje para saber quem lacra mais do que as manchetes da Folha com as suas pesquisas do Datafolha.

Cientistas, jornalistas, colunistas, influencers profissionais, palpiteiros amadores, todos querem saber quem é capaz de fazer as análises mais assertivas, conclusivas e inquestionáveis. Poucos fazem perguntas e todos têm opinião formada sobre tudo o que envolve a família.

Só a inteligência artificial recua, ao consagrar uma postura cada vez mais presente em suas respostas. Se for apertada por quem pergunta e se sentir confrontada com as próprias informações, a inteligência revisa o que disse e admite, pedindo desculpas: "você está certo".

A lacração encurralou até a inteligência artificial. Flávio e Eduardo tentarão lacrar com a foto no Salão Oval, assim como os bebedores de detergente tentaram lacrar bebendo sabão na cozinha. E se sabe agora que a maioria dos lacradores do Ypê com bactérias era robô, eram ypesistas fakes.

É um fenômeno que será intensificado até a eleição. Zema tenta lacrar com a marmita fake com quatro tipos de carne. Luciano Huck lacra falando para cúmplices da sabotagem ao Bolsa Família. E este texto vai, aos poucos, assumindo feições de lacração.

Porque será inútil e passará despercebido quem falar em voz baixa hoje. O que não significa que os gritões terão sucesso, mas que os moderados não têm chance alguma. O crescimento de Renan Santos nas pesquisas é parte desse fenômeno.

O Missão de Kim Kataguiri chega gritando para os jovens desamparados pela descoberta de que Flávio será sempre mais um dinheirista viciado em rachadinhas do que um cara antissistema. Nós é que somos disruptivos, gritam os missionários.

Por isso, a foto de Flávio com Trump só terá algum valor se produzir gritaria e certezas na extrema direita insegura com o filho que só pensa em rolos de milhões. Uma foto como essa que está sendo esperada não pode acionar dúvidas sobre o que o fascismo pode ganhar ou perder com o americanismo da família e o apoio do gângster da Casa Branca.

A imagem terá que transmitir uma mensagem certeira, de que Trump ama os Bolsonaros e apenas finge gostar de Lula. E sugerir que a extrema direita americana está pronta para interferir na eleição brasileira a mando de Trump e em nome das liberdades.

Poderá dar errado se os irmãos saírem divulgando uma foto com Marco Rubio. Nem o pai deles sabe quem é Marco Rubio. A única foto possível é a dos dois com Trump, e só se Trump estiver sorrindo.

Lembrem-se de que Lula fez Trump sorrir. Mas Flávio não pode, de jeito nenhum, aparecer na foto dando aquela gargalhada nervosa.

•        Eduardo Bolsonaro leva vida de luxo em mansão de R$ 6 milhões nos EUA

 O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vive em uma mansão de luxo na cidade de Southlake, no Texas, avaliada em mais de R$ 6 milhões, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (27) pelo Intercept Brasil. A publicação afirma ter identificado o imóvel por meio de registros públicos, dados comerciais e cruzamento de informações divulgadas pela própria família Bolsonaro nas redes sociais.

De acordo com o Intercept Brasil, Eduardo mora na residência desde que se mudou para os Estados Unidos, em fevereiro de 2025. O imóvel, descrito em anúncios imobiliários como um local que oferece “uma vida de resort”, conta com quatro quartos, piscina e acesso a clube com quadras de tênis e lagoa privativa.

A esposa do ex-deputado, Heloísa Bolsonaro, confirmou à reportagem que a família reside no local, mas recusou conceder entrevista. O imóvel fica em Southlake, uma das regiões mais ricas dos Estados Unidos.

Segundo os anúncios imobiliários citados pela reportagem, a casa esteve disponível para aluguel até fevereiro deste ano por 5.950 dólares mensais — cerca de R$ 30 mil na cotação atual. O portal Zillow, especializado no mercado imobiliário norte-americano, avalia a propriedade em aproximadamente 1,22 milhão de dólares, equivalente a mais de R$ 6 milhões.

A divulgação do alto padrão de vida de Eduardo Bolsonaro ocorre em meio a questionamentos sobre suas fontes de renda nos Estados Unidos. O ex-parlamentar teve bens bloqueados pela Justiça brasileira e é investigado pela Polícia Federal. Conforme informou o portal G1, a apuração busca esclarecer se ele teria recebido recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Em vídeo publicado nas redes sociais no último dia 17 de maio, Eduardo negou ser proprietário de outro imóvel nos Estados Unidos, localizado em Arlington. Na gravação, afirmou que mora “de aluguel” e declarou enfrentar dificuldades financeiras. “Moro de aluguel”, disse Eduardo Bolsonaro no vídeo divulgado em suas redes sociais

Na mesma data, durante uma transmissão ao vivo ao lado do influenciador Paulo Figueiredo, Eduardo afirmou que vive nos Estados Unidos com “renda passiva” e citou ter recebido R$ 2 milhões provenientes de uma campanha organizada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A transferência via Pix havia sido confirmada por Jair Bolsonaro em junho de 2025.

A reportagem do Intercept também detalha que Eduardo Bolsonaro declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), antes das eleições de 2022, patrimônio de R$ 1,76 milhão. Segundo os dados apresentados à Justiça Eleitoral, o montante incluía um imóvel financiado avaliado em R$ 1 milhão, outro imóvel quitado no valor de R$ 160 mil e cerca de R$ 600 mil em depósitos bancários provenientes da venda de um curso online.O endereço da residência em Southlake foi confirmado pelo Intercept Brasil após um repórter comparecer ao local para solicitar entrevista. Segundo a publicação, Eduardo Bolsonaro acionou a polícia local após a visita do jornalista. Em boletim de ocorrência citado pela reportagem, as autoridades informaram que não houve crime nem investigação aberta sobre o episódio.

Nos Estados Unidos, a liberdade de imprensa é protegida pela Primeira Emenda da Constituição norte-americana.

A mansão onde Eduardo vive pertence, desde 2019, ao Bunce Family Trust, fundo familiar privado administrado por Christopher Bunce e Natalie Bunce. O Intercept afirma ter tentado contato com os responsáveis pelo imóvel, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria.

A reportagem ainda relembra que Eduardo Bolsonaro é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por articulações realizadas a partir dos Estados Unidos contra instituições brasileiras. Segundo registros da Câmara dos Deputados, ele se licenciou do mandato em março de 2025 alegando motivos médicos e questões pessoais.

O Intercept Brasil também menciona mensagens obtidas pela publicação envolvendo Eduardo Bolsonaro, o empresário Thiago Miranda e o banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme a reportagem, as conversas tratariam do envio de recursos milionários aos Estados Unidos relacionados à produção do filme “Dark Horse”, projeto sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Segundo o veículo, Daniel Vorcaro teria se comprometido a investir R$ 134 milhões no longa-metragem. Documentos obtidos pela reportagem indicariam que ao menos R$ 61 milhões foram enviados entre janeiro e maio de 2025.

•        Vídeo desmente Eduardo Bolsonaro sobre "invasão" à sua casa nos EUA

Vídeo divulgado pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira (27) contradiz a versão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre uma suposta "invasão" à sua casa nos EUA e mostra uma abordagem cordial de um repórter do portal à residência onde o ex-deputado federal vive com a família no Texas.

Na última sexta-feira (22), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acionou a polícia dos Estados Unidos depois que um jornalista do Intercept Brasil foi até o imóvel onde ele mora com a esposa, Heloísa Bolsonaro, e a filha do casal. Segundo Heloísa, o repórter tocou a campainha, foi recebido pela criança, de 5 anos, apresentou-se e tentou confirmar se a família residia no local.

De acordo com o relato feito por Heloísa nas redes sociais, ela se recusou a responder ao jornalista e fechou a porta. A polícia foi chamada, mas, quando os agentes chegaram ao endereço, o repórter já não estava mais no local. Eduardo afirmou ter enviado imagens do jornalista às autoridades norte-americanas.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro disse que a conduta do repórter poderia ser enquadrada como invasão de privacidade e de domicílio. Ele também fez uma ameaça velada ao comentar o episódio: “aqui no Texas muitas pessoas têm arma em casa”.

<><> Imagens mostram abordagem cordial

O vídeo divulgado pelo Intercept nesta quarta-feira (27) mostra, porém, uma abordagem sem confronto. Nas imagens, o jornalista caminha por uma rua de acesso público, vai até a casa, toca a campainha e é atendido por Heloísa Bolsonaro.

O repórter se identificou como profissional do Intercept, perguntou se Eduardo Bolsonaro estava no local e se o casal estaria disponível para uma entrevista. Diante da negativa, agradeceu e deixou o endereço.

“Ao chegar até a mansão, em uma rua que tem acesso público e livre, ele [repórter] caminhou pela calçada e tocou a campainha. Heloísa, esposa de Eduardo, abriu. O repórter informou que trabalhava para o Intercept, perguntou se o ex-deputado estava e se o casal estava disponível para uma entrevista. Após a negativa, agradeceu e foi embora”, relatou o Intercept.

•        Jornalista do Intercept rebate Eduardo Bolsonaro após ataques e acusações sobre ligação com o PCC

O jornalista Steven Monacelli, do Intercept, reagiu aos ataques feitos por Eduardo Bolsonaro após ir à residência do ex-deputado no Texas durante a apuração de reportagens sobre repasses milionários ligados a Daniel Vorcaro. A resposta ocorreu depois de o bolsonarista afirmar que pessoas "ligadas ao PCC" teriam ido até sua casa para constranger sua esposa e sua filha de 5 anos.

Em publicação nas redes sociais, Monacelli negou qualquer ligação com o PCC, afirmou que não invadiu a residência do parlamentar e cobrou uma retratação pública. "Não estou ligado ao PCC, não invadi sua casa, não falei com sua filha e o Departamento de Polícia de Southlake me disse que não há investigação aberta relacionada à sua chamada à polícia depois que toquei sua campainha", escreveu o jornalista. Em seguida, acrescentou: "Eu o encorajo a retirar essas falsas declarações".

<><> Ataques de Eduardo Bolsonaro

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro relatou que um jornalista identificado como profissional do Intercept Brasil tocou a campainha da casa onde vive com a família e, posteriormente, teria procurado vizinhos para fazer perguntas sobre a rotina do local.

Segundo o Metrópoles, Eduardo Bolsonaro acionou a polícia após a ida do repórter à residência da família no Texas. Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-deputado, afirmou que o jornalista foi atendido pela filha do casal, apresentou-se como profissional de imprensa e perguntou se a família morava no endereço. Ela disse que encerrou a conversa logo em seguida.

A declaração de Eduardo Bolsonaro ocorreu em meio à repercussão de reportagens envolvendo mensagens sobre repasses milionários ligados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a apuração, recursos negociados por Flávio Bolsonaro teriam sido destinados a um fundo administrado por um advogado de Eduardo nos Estados Unidos, levantando suspeitas sobre eventual uso dos valores pelo ex-parlamentar, que vive no país desde 2025.

Ao comentar o episódio, Eduardo Bolsonaro também mencionou o acesso a armas no Texas. "Aqui no Texas muitas pessoas têm armas em casa e, normalmente, as pessoas que você recebe na sua casa são pessoas que você conhece. Não estou fazendo ameaça a ninguém, estou só falando que é uma situação totalmente grave", declarou.

O Intercept Brasil divulgou nota afirmando acompanhar "ameaças, mentiras e exposição pública relacionadas ao exercício da atividade jornalística". O veículo informou ainda que monitora os desdobramentos do caso e as questões relacionadas à segurança do profissional envolvido.

 

Fonte: Brasil 247/JB

 

Nenhum comentário: