Kast
amplia cortes sociais e inflação explode no Chile em apenas dois meses
Dois
meses de “Kastigo” no Chile e estamos pior do que pensávamos. Em março, a inflação foi
de 1% e, em abril, de 1,3%. Em apenas dois meses, José Antonio Kast acumulou
mais do que Gabriel Boric em dez meses.
Supunha-se que a economia era um ponto forte, mas demonstrou ser sua principal
debilidade. O impacto do preço do petróleo atingiu diretamente o bolso das
famílias de nosso país, gerando um aumento de preços que começou pelo
transporte, mas já virou um efeito dominó.
A
reforma tributária apresentada ao Congresso por José Antonio Kast foi elaborada
sob medida para o grande empresariado: redução de impostos para as grandes
empresas; permissão para que grandes fortunas planejem suas heranças em vida
mediante a redução do imposto sobre doações; concessão de invariabilidade
tributária por 30 anos às grandes empresas; estabelecimento de um subsídio ao
emprego por meio das empresas, caríssimo; e eliminação das franquias do Serviço
Nacional de Capacitação e Emprego (Sence). E, no Ministério de Obras Públicas,
a prioridade é permitir que empresas de familiares de pessoas que trabalham
nesse ministério possam obter contratos e concessões. Nenhuma medida para a
classe média ou para os trabalhadores.
A
reforma tributária é tão ruim que até o Fundo Monetário Internacional (FMI), o
Conselho Fiscal Autônomo e a Corte Suprema disseram que ela apresenta graves
problemas. Mais dura foi Evelyn Matthei, que qualificou a
reforma como “inútil, hiper super ruim e ineficiente”. Mais claro, impossível.
Os
anúncios de investimentos tampouco chegam. O principal investimento destravado
até o momento foi o do Grupo Errázuriz — para o qual trabalhava o ministro da
Fazenda Quiroz. Esse projeto no Salar de Atacama foi rejeitado em quatro
governos — incluindo os de Sebastián Piñera — por não cumprir condições
ambientais mínimas.
E, na
segurança, não fez melhor. A ministra Steinert está sendo questionada por
extrapolação de funções pela Controladoria e pela Corte de Apelações de
Valdivia. Já não se perguntam como chegou a ser ministra, mas como chegou a ser
promotora. Enquanto desmonta o ministério, não conta com nenhum plano de
segurança e os homicídios continuam aumentando.
Após
dois meses de governo, já não se fala do fosso, que acabou sendo uma péssima
cortina de fumaça. A migração irregular não foi controlada e, em tom de piada,
diz-se que já saíram mais secretários regionais ministeriais do que migrantes
irregulares.
Na área
da moradia, foram reduzidos US$ 421 bilhões do orçamento, o que significará
ampliar o tempo de espera pela casa própria para mais de 8 mil famílias em todo
o país. O corte fiscal no orçamento da saúde aumentará as filas de espera e
dificultará o atendimento nos centros públicos de saúde. Na educação, um ofício
do ministro da Fazenda informava que o “Programa de Alimentação Escolar (PAE)”
deveria ser descontinuado; no entanto, depois disseram que descontinuar
significava “reformular”. O que é consistente com a posição do presidente, que
despreza a ciência e a educação. Tanto dinheiro para ser tão ignorante.
Todos
os ministérios estão reduzindo gastos, muitas vezes às custas dos
trabalhadores. As taxas de desemprego continuam aumentando, assim como as
tarifas do transporte, embora a frequência dos ônibus tenha diminuído.
Continua
após o anúncio
E agora
entramos na trama da Hungria: a campanha do presidente Kast foi financiada com
recursos provenientes do governo de Viktor Orbán? A pergunta é relevante
porque, enquanto se acumulam as dúvidas, faltam explicações. Já quase não
ouvimos a porta-voz do governo e o Palácio de La Moneda parece mais ocupado em
apagar incêndios do que em dar respostas.
E sim,
senhoras e senhores, ainda que pareça incrível: passaram-se apenas dois meses
de Kastigo.
¨ Universidades
argentinas iniciam greve de uma semana pelo corte de verbas de Milei
Esta
semana começou mais uma greve de professores
das universidades nacionais na Argentina. O protesto, convocado pela Confederação
Nacional de Professores Universitários da Argentina (Conadu), seguirá até
sexta-feira (29/05).
Milhares
de estudantes e professores de universidades públicas nacionais reuniram-se
nesta terça-feira (26/05) na Plaza Lavalle, em frente ao Palácio da Justiça,
para exigir que o Supremo Tribunal de Justiça emita uma decisão em favor do
cumprimento da Lei de Financiamento Universitário.
Na
Argentina, o Supremo Tribunal Federal é a última instância na longa jornada da
Lei nº 27.757 sobre o Financiamento das Universidades. Ela foi aprovada pelo
Congresso Nacional em 2024, após a forte queda no orçamento das universidades
nacionais em decorrência da prorrogação do orçamento de 2023. O presidente Javier
Milei vetou a lei por
meio do Decreto nº 879/2024, e o Congresso a ratificou em setembro de 2025, em
meio a uma mobilização massiva.
Como o
governo se recusa a cumprir a lei, mesmo nessas circunstâncias, o caso foi
levado à Suprema Corte do país. Nesse sentido, a comunidade universitária, após
quatro marchas em todo o país, transferiu seu protesto para o Palácio da
Justiça.
Os
principais sindicatos de professores do país convocaram conjuntamente este
protesto, que também contou com o apoio dos reitores das universidades
nacionais através do Conselho Interuniversitário Nacional (CIN).
“Após a
mobilização massiva em defesa das universidades públicas, o governo federal
continua ignorando a Lei de Financiamento Universitário e se recusa a convocar
negociações coletivas”, denunciou o Sindicato dos Professores da Universidade
de Buenos Aires (FEDUBA). Acrescentaram que intensificarão seu plano de ação
com uma “greve nacional do corpo docente universitário”.
A
situação levou cerca de 10% dos professores a abandonarem seus cargos, enquanto
7 em cada 10 professores permanecem com contratos de meio período, com um
salário líquido de 250.000 pesos (cerca de US$ 178). A greve visa garantir a
alocação legal de verbas para a educação.
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Lei de Financiamento Universitário
A lei
declarou estado de emergência orçamentária para o sistema universitário,
estabeleceu atualizações bimestrais das rubricas orçamentárias pela inflação
(combinando IPC, dólar e taxas) e garantiu um percentual mínimo para as
despesas operacionais.
O
projeto de lei recebeu amplo apoio em ambas as casas legislativas (sendo
aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado com 57 votos a favor), mas foi
vetado integralmente pelo presidente Milei. O principal argumento foi a sua
incompatibilidade com a meta de déficit zero e o seu impacto fiscal.
Segundo
um relatório do Centro de Economia Política da Argentina (CEPA), o sistema
universitário sofreu um corte orçamentário de 45,6% em comparação com 2023. O
documento indica que os salários, que representam 87% do gasto total das
universidades, caíram 43,2%, e as despesas operacionais sofreram uma redução de
57,1%. Os programas de ciência e desenvolvimento das universidades são os mais
afetados.
¨ Bolívia aprova lei
que amplia ação das Forças Armadas em conflitos internos
A
Câmara dos Deputados da Bolívia aprovou nesta terça-feira (26/05) uma lei que elimina as restrições à
intervenção das Forças Armadas em conflitos internos. A nova lei
amplia o escopo da ação militar, facilitando o controle direto de distúrbios
civis por parte das tropas. A medida foi aprovada em meio a protestos e bloqueios de
estradas por
grupos que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
A nova
legislação revoga a Lei 1341, também conhecida como Lei Copa, que estava em
vigor desde outubro de 2020, após ter sido promulgada durante o governo da
então presidente do Senado, Eva Copa. A proposta havia sido previamente
aprovada pelo Senado e encaminhada ao Poder Executivo para a sanção
presidencial, o que não configura automaticamente a declaração de estado de
emergência.
O
debate durou mais de cinco horas e ocorreu em sessão virtual, com início às
11h. O formato digital foi utilizado porque vários legisladores não puderam se
deslocar até La Paz, sede dos Poderes Legislativo e Executivo, devido aos 26
dias de bloqueios que isolaram a região.
O
projeto não constava da agenda inicial, mas foi incorporado à sessão plenária
por meio de uma exceção processual apoiada por mais de dois terços dos
legisladores presentes.
O autor
do projeto de lei, Carlos Alarcón (da aliança de oposição Unidad), justificou a
medida chamando a revogada Lei 1341 de “criminosa” e afirmando que ela
“distorcia” os estados de emergência. Segundo esse grupo, a lei protecionista
acobertava supostos “grupos violentos”, e sua eliminação visa conceder às
Forças Armadas maior capacidade operacional quando a Polícia estiver
sobrecarregada.
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‘Mais violência’
O
deputado Edwin Valda, de uma facção dissidente do partido governista Democrata
Cristão (PDC), afirmou que a revogação irá gerar “mais violência” e deixar as
reivindicações sociais desprotegidas.
A
Bolívia registrou três semanas de manifestações e
bloqueios de estradas promovidos
por sindicatos camponeses, setores ligados ao ex-presidente Evo Morales e
outros grupos que pedem a renúncia de Rodrigo Paz, que está no governo há pouco
mais de seis meses.
A
revogada Lei 1341 regulamentava quatro artigos da Constituição Política do
Estado referentes aos estados de emergência. A lei estipulava que as Forças
Armadas só interviriam para controlar distúrbios civis se a Polícia estivesse
sobrecarregada e não existissem outros meios eficazes. Também estabelecia um
limite de 60 dias para a duração da medida.
A
Constituição em vigor desde 2009 confere ao presidente o poder de declarar
estado de emergência por decreto em caso de agitação interna, sem suspender
direitos ou garantias fundamentais. A validade do decreto depende da aprovação
legislativa em até 72 horas . O Governo de Paz sustentou que essa medida é um
último recurso, caso o diálogo falhe.
Os
protestos e bloqueios estão concentrados em La Paz e na cidade vizinha de El
Alto , e se espalharam para as regiões de Oruro, Cochabamba, Potosí, Santa Cruz
e Chuquisaca.
Os
bloqueios de estradas estão causando escassez de alimentos, combustível e
suprimentos médicos, como oxigênio medicinal. As autoridades relatam que os
bloqueios resultaram na morte de quatro pessoas devido à falta de atendimento
médico oportuno.
¨ Sheinbaum denuncia
ofensiva da direita internacional e pressão dos EUA contra o México
A
presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta quarta-feira (27/05) que
a direita mexicana está organizando uma campanha coordenada com a direita
internacional, especialmente com grupos da Argentina, Espanha e Estados
Unidos, com o objetivo de “atacar o governo e
o povo mexicano”,
já que neste domingo (31/05) será apresentado o tradicional Informe Anual de
Governo.
Durante
sua tradicional coletiva de imprensa matinal, a mandatária mexicana destacou
que a ofensiva está sendo manifestada por meio de redes sociais, tendo como
palavras-chave “pátria, família e liberdade”, que, segundo ela, são utilizadas.
Vale
ressaltar que o Informe de Governo , um relatório apresentado tradicionalmente
uma vez por ano, funciona como uma prestação de contas obrigatória, já prevista
na Constituição mexicana (artigo 69), em que o governo detalha seus feitos e
quais são suas próximas prioridades.
Além de ser transmitido
nacionalmente, no governo de Sheinbaum esses eventos servem como uma grande
apresentação direta à população e ao Congresso, além de destacar os atuais
posicionamentos no cenário nacional e global.
Sheinbaum
esclareceu que seu relatório não será apenas uma celebração do segundo ano de
seu governo, “mas também uma forma de dizer: precisamos estar atentos e ativos,
denunciando essa ofensiva que se dirige contra nós”.
A mandatária mexicana alertou que os
governos de transformação estão sujeitos a ataques, o que exige que estes se
mantenham “próximos do povo mobilizado, defendendo a soberania, a
independência, a liberdade e a democracia”, esta última entendida como
representação do povo, não a democracia das elites.
Ademais,
a presidente afirmou que os Estados Unidos pressionam para que o México tenha
um “governo fantoche”, semelhante ao de Porfirio Díaz, conhecido por sua
política externa ditada de fora. No entanto, Sheinbaum reafirmou a disposição
de seu governo em colaborar com o governo dos Estados Unidos, com base no
respeito à soberania nacional.
A
mandatária mexicana afirmou ainda que esses grupos defendem a formação de um
governo alinhado a interesses externos, disposto a ceder os recursos naturais
do país e a acatar determinações sem contestação.
Do
mesmo modo, Sheinbaum enfatizou que “no México, quem decide é o povo, não há
interferência externa no processo eleitoral”, e expressou sua preocupação com
as tentativas de usar o país como plataforma para concorrer às eleições
norte-americanas em novembro ou para interferir nas eleições nacionais de 2027.
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Parceria com o Governo brasileiro
Ainda
nesta quarta, o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, disse em
discurso no Estaleiro Bertolini, em Manaus, que Sheinbaum propôs uma parceria
com a Petrobrás na exploração de petróleo em águas profundas.
Durante seu discurso, Lula afirmou
que a Petrobras e Pemex (estatal mexicana) atuarão no “Golfo do
México, para ver se o companheiro do Trump vai se meter”.
Cabe
destacar que o presidente brasileiro não forneceu informações detalhadas sobre
valores, prazos ou o andamento das negociações.
Além
disso, a Petrobras e o governo federal também não tornaram públicos
documentos, protocolos ou manifestações formais sobre uma possível intenção de
acordo com o México
Fonte:
Diálogos do Sul Global/Opera Mundi

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