sexta-feira, 29 de maio de 2026

NPH, regular e glargina: entenda o papel de cada insulina no tratamento do diabetes

O tratamento do diabetes pode incluir diferentes tipos de insulina. Entre as mais conhecidas estão a NPH, a regular e a glargina. Cada uma possui tempo de ação, indicação e forma de uso diferentes. Além disso, o acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também muda conforme o tipo prescrito.

Muitas pessoas recebem o diagnóstico e encontram nomes diferentes nas receitas médicas. Isso costuma gerar dúvidas sobre horários de aplicação, efeito no organismo e disponibilidade no SUS.

<><> O que é a insulina no tratamento do diabetes

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas. Ela ajuda a glicose a entrar nas células para gerar energia. Quando esse processo não acontece de forma adequada, a glicose aumenta no sangue.

No diabetes tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina. Nesses casos, a aplicação diária passa a ser necessária desde o diagnóstico. Já no diabetes tipo 2, parte dos pacientes ainda produz insulina, mas o organismo apresenta dificuldade para utilizá-la.

Com o avanço do diabetes tipo 2, algumas pessoas também passam a precisar de insulina.

<><> Diferença entre NPH, regular e glargina

Os tipos de insulina são classificados conforme o tempo que levam para começar a agir e a duração do efeito no organismo.

>>> NPH

A NPH é uma insulina de ação intermediária. Ela possui aparência leitosa e costuma ser usada para manter o controle da glicose entre as refeições e durante a madrugada. O objetivo da NPH é atuar como insulina basal. Em muitos casos, a aplicação ocorre duas vezes ao dia.

O SUS oferece a insulina NPH gratuitamente nas unidades de saúde. Muitas pessoas ainda utilizam esquemas com NPH e regular várias vezes ao dia, dependendo da resposta do organismo ao tratamento do diabetes.

>>> Regular

A insulina regular é uma insulina de ação curta. Ela começa a agir entre 30 e 60 minutos após a aplicação. Esse tipo costuma ser utilizado antes das refeições para ajudar no controle da glicose após o consumo de carboidratos. Como o efeito não é imediato, a aplicação geralmente precisa acontecer algum tempo antes da alimentação. A insulina regular também está disponível gratuitamente no SUS para o tratamento do diabetes.

>>> Glargina

A glargina é uma insulina de ação prolongada. Ela foi desenvolvida para manter o controle basal da glicose durante aproximadamente 24 horas. Diferente da NPH, a glargina apresenta ação mais estável e menor risco de hipoglicemia. Normalmente, ela exige apenas uma aplicação diária em horário fixo.  A glargina faz parte do grupo conhecido como análogos de insulina.

<><> SUS começou a substituir a NPH pela glargina

O Ministério da Saúde iniciou um processo de transição da insulina NPH para a glargina no SUS. A mudança começou em formato de projeto-piloto no Paraná, Paraíba, Amapá e Distrito Federal. Inicialmente, o foco está em crianças, adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos acima de 80 anos.

Segundo reportagem publicada pelo Portal Um Diabético, a substituição ocorreu por causa da ampliação do acesso aos análogos de insulina e pelas dificuldades no fornecimento de insulinas humanas.

A troca não acontece automaticamente. O médico precisa avaliar dose, rotina e resposta glicêmica antes da substituição.

Outra diferença envolve a rotina de aplicação. A NPH precisa ser homogeneizada antes do uso e possui picos de ação ao longo do dia. Já a glargina libera insulina de forma contínua.

<><> Como pegar insulina pelo SUS

A NPH e regular fazem parte da rede básica do SUS. A retirada normalmente acontece em Unidades Básicas de Saúde ou farmácias públicas, mediante apresentação de receita médica, documento pessoal e cartão do SUS.

Já a glargina costuma exigir cadastro em programas estaduais ou municipais. Em muitos locais, o paciente precisa apresentar laudo médico e exames.

Parte das pessoas ainda enfrenta dificuldades no acesso a endocrinologistas e acompanhamento especializado no sistema público.

<><> Insulinas mais modernas já fazem parte da rotina de alguns pacientes

Além da NPH, regular e glargina, existem insulinas ultrarrápidas e opções de ação prolongada mais recentes. Entre elas estão lispro, asparte, glulisina e degludeca. Algumas começam a agir em poucos minutos e são utilizadas antes das refeições.

Também existe expectativa sobre a chegada de insulinas semanais no Brasil. Essas versões já existem em outros países e seguem em análise regulatória.  A troca de dose, tipo ou horário da insulina não deve ser feita sem orientação médica.

•        Médica revela se beber água ajuda quando a glicose acorda alta

Acordar com a glicose alta faz parte da rotina de muitas pessoas que convivem com diabetes. Nesses momentos, uma dúvida costuma aparecer rapidamente: beber água ajuda a baixar a glicose? Segundo a endocrinologista Denise Franco, a hidratação pode auxiliar o organismo, mas não substitui o tratamento necessário para corrigir a hiperglicemia.

As orientações foram dadas pela médica durante participação no DiabetesCast. No episódio, Denise explicou os principais fatores ligados à glicose alta pela manhã e como entender o que aconteceu durante a madrugada.

<><> Água ajuda na hidratação, mas não corrige a glicose sozinha

Durante o DiabetesCast, Denise Franco afirmou que beber água ajuda principalmente a evitar desidratação quando a glicose está elevada.

Segundo ela, a hidratação pode auxiliar o organismo naquele momento. No entanto, a água não resolve sozinha a glicose alta.

A endocrinologista explicou que muitas pessoas precisam ajustar a terapia para controlar a hiperglicemia. Nesse contexto, quem utiliza insulina rápida pode precisar fazer correção conforme orientação médica.

Além disso, Denise alertou que quanto mais alta estiver a glicose pela manhã, mais difícil pode ser o controle ao longo do dia.

<><> Glicose alta pela manhã pode ter relação com o jantar

Segundo Denise Franco, um dos motivos mais comuns para acordar com glicose alta envolve o que foi consumido antes de dormir.

Ela explicou que pessoas com diabetes tipo 1 podem esquecer a aplicação da insulina rápida do jantar ou do lanche noturno. Enquanto isso, pessoas com diabetes tipo 2 podem consumir mais alimento do que o habitual sem perceber o impacto glicêmico.

Ainda assim, a médica destacou que até pequenas refeições podem interferir no resultado da manhã seguinte.

<><> Gordura na refeição pode alterar glicemia durante a madrugada

Outro ponto citado por Denise Franco envolve refeições com gordura. Segundo ela, alimentos gordurosos podem elevar a glicose horas depois da alimentação.

A endocrinologista usou como exemplo pratos como macarrão com molho. Ela explicou que o molho pode conter gordura por causa do azeite usado no preparo.

Portanto, a glicose pode permanecer controlada no início da noite e subir durante a madrugada.

Além disso, Denise afirmou que muitas pessoas calculam apenas os carboidratos e deixam de considerar o impacto da gordura na glicemia.

<><> Hipoglicemia noturna pode causar aumento da glicose ao acordar

Durante a conversa, Denise Franco também explicou que o medo da hipoglicemia pode influenciar a glicemia da manhã seguinte.

Segundo ela, algumas pessoas comem mais do que o necessário antes de dormir por receio de uma queda glicêmica durante a madrugada.

A médica contou o caso de uma paciente que estava com glicemia em 100 mg/dL antes de dormir. Com medo de hipoglicemia, ela consumiu um alimento sem avaliar quantidade ou impacto glicêmico. Na manhã seguinte, acordou com glicemia em 210 mg/dL.

Nesse contexto, Denise explicou que a correção inadequada da hipoglicemia pode contribuir para episódios de glicose alta.

<><> Sensor de glicose ajuda a entender padrões

Para Denise Franco, pessoas que usam sensor de glicemia precisam analisar mais do que o valor mostrado na tela.

Segundo ela, observar gráficos e tendências ajuda a identificar o momento em que a glicose começou a subir.

Enquanto isso, quem não utiliza sensor pode recorrer à glicemia capilar em horários diferentes da noite e da madrugada.

Além disso, a endocrinologista afirmou que identificar padrões facilita ajustes no tratamento e ajuda a diferenciar alimentação, basal inadequada ou fenômeno do alvorecer.

<><> Fenômeno do alvorecer também pode influenciar

Denise Franco também explicou que hormônios liberados durante a madrugada podem aumentar a resistência à insulina pela manhã. Esse processo recebe o nome de fenômeno do alvorecer.

Segundo ela, o quadro costuma aparecer de forma repetitiva e pode ser mais frequente em determinadas fases da vida, como a puberdade.

Ainda assim, a médica alertou que nem toda glicemia alta ao acordar pode ser explicada apenas pelo fenômeno do alvorecer.

 

Fonte: Um Diabético

 

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