quinta-feira, 28 de maio de 2026

Marcia Carmo: Impopularidade une 3 presidentes da direita - Milei, Kast, e Paz, têm reprovação popular

Os governos dos presidentes da Argentina, Javier Milei, da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Chile, José Antonio Kast, enfrentam forte queda nos índices de popularidade, de acordo com pesquisas de opinião. De certa forma, os motivos para estes resultados são parecidos. Ajustes que desagradam a população. Na Argentina, a motosserra de Milei provocou queda no consumo, com fechamento de comércios, e na indústria. No mês de março, o consumo caiu 5% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com levantamentos do setor privado. O país registra 14 meses seguidos de dados negativos neste ramo da economia. Desde que Milei tomou posse, em 10 de dezembro de 2023, cerca de 24 mil empresas fecharam as portas, segundo a Fundação Fundar, especializada em políticas públicas e baseada em Buenos Aires. A entidade realizou o relatório a partir de dados oficiais. Com o fim de empresas, mais trabalhadores ficaram sem seus postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, foram perdidos quase 130 mil empregos, informou a Secretaria de Trabalho da Argentina.

<><> Universidade pública e manifestação

O quadro social transformou, na semana passada, uma gigantesca marcha em defesa da universidade pública em ato contra o governo Milei. Os organizadores da manifestação estimaram que 600 mil pessoas participaram da concentração. Nos bastidores da Casa Rosada reconheceram a magnitude do encontro, mas publicamente o governo estimou que pouco mais de 100 mil compareceram ao ato em Buenos Aires. A manifestação reuniu multidões em vários pontos do país. Na Argentina, a universidade pública é vista como patrimônio nacional e um dos poucos pontos de consenso entre a direita e a esquerda. Milei, porém, vetou a lei aprovada – duas vezes – no Congresso Nacional que prevê aumento de recursos para as universidades (aumento que representa menos de 1% do PIB). O caso deverá ser resolvido pela Suprema Corte de Justiça, onde os magistrados costumam ter diploma de universidade pública.

<><> Insultos

Por estas e outras medidas, a popularidade de Milei caiu. Pesquisas apontam que seu apoio varia entre 30% e 38% e que cerca de 60% não votariam nele na eleição presidencial do ano que vem. Nos últimos tempos, Milei retomou seu estilo de insultar publicamente opositores, empresários, jornalistas e eleitores (ele costuma brigar nas redes sociais com eleitores que o criticam). No fim do ano passado, após as eleições legislativas, ele tinha prometido que se controlaria e não insultaria mais ninguém. A promessa não está sendo cumprida.

>>> Bolívia

Seis meses após a posse do presidente Rodrigo Paz, opositor dos ex-presidentes Evo Morales e Luis Arce, multidões passaram a protestar contra seu governo. Nos últimos dias, movimentos indígenas e sindicais bloquearam as estradas de acesso a La Paz, onde está o Palácio presidencial Queimado. A sede da Presidência tem esse nome porque foi literalmente queimada por manifestantes no século 19 em um dos fatos que marcou a trajetória do país andino. Outro momento marcante foi em 1946 quando a revolta popular levou à queda do presidente Gualberto Villarroel, que acabou morto e seu cadáver pendurado na Praça Murillo, em frente ao palácio presidencial.

País com pouco mais de 12 milhões de habitantes, a Bolívia enfrenta escassez de combustíveis, inflação alta (cerca de 20% anual) e perda salarial.

Com a sua produção de gás em baixa, o país ficou com recursos limitados, o que já vinha sendo registrado antes da eleição de Paz. Mas a situação piorou.

Paz, que é filho de um ex-presidente de esquerda e que nasceu na Espanha durante o exílio do pai, aplicou medidas que levaram à reação dos movimentos indígenas e sindicais.

<><> Trump

A tentativa de mudar as regras na reforma agrária em vigor foi um estopim para a atual revolta. O aumento salarial para ele e seus ministros, segundo informou a imprensa local, contribuiu ainda mais para turbinar a insatisfação e os pedidos de sua renúncia. Visivelmente abatido, ele disse, em entrevista a uma televisão argentina, que busca o diálogo com os manifestantes. Nas últimas horas, trocou ministros e recebeu apoio de Milei e do governo Trump. Cristopher Landau, que é da equipe do secretário de Estado, Marco Rubio, disse que “há uma tentativa de golpe de Estado a partir de uma aliança entre a política e o narcotráfico”. O respaldo externo não impediu que o vice-presidente boliviano e seus aliados no parlamento criticassem Paz abertamente. Não está fácil para ele reverter este quadro de insatisfação popular.

>>> Chile

O presidente chileno José Antonio Kast tomou posse há pouco mais de dois meses, no dia 11 de março. Hoje, segundo pesquisa da Cadem, de Santiago, somente 36% dos chilenos o apoiam. O índice de rejeição é de 57%, de acordo com o mesmo levantamento. Kast, amigo de Milei, também já fez mudanças no seu ministério, na tentativa de recuperar apoio popular.

<><> Estudantes

Nos últimos dias, foram realizados protestos multitudinários de estudantes contra suas medidas de arrocho. A polícia os reprimiu fortemente. Em sua gestão, o presidente chileno já fez discurso na fronteira com o Peru, rodeado de militares, onde mandou construir valas para impedir a passagem de imigrantes dos países vizinhos. Também acionou um avião da Força Aérea chilena que transportou imigrantes expulsos. As medidas, que fazem parte de suas promessas de campanha, não contribuem, porém, para melhorar sua imagem. Desde o retorno da democracia no Chile, em 1990, após 17 anos de ditadura de Augusto Pinochet, Kast, da extrema-direita, é o primeiro presidente eleito que votou pela continuidade do ditador no plebiscito de 1988. No plebiscito, venceu o ‘no’ (não) a Pinochet, abrindo caminho para a eleição presidencial pelo voto direto, popular.

¨      Governo Milei afunda 25 mil pequenas e médias empresas

A crise das pequenas e médias empresas na Argentina voltou ao centro do debate público nesta quarta-feira (20), com uma mobilização liderada pela Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) em Buenos Aires para denunciar o fechamento de 25 mil empresas durante a gestão de Javier Milei.

De acordo com a Telesur, a manifestação reúne organizações sociais, entidades sindicais, representantes do setor público, educacional, político e empresarial em meio ao agravamento da situação econômica, que tem pressionado trabalhadores argentinos para a informalidade, o trabalho autônomo e a insegurança laboral.

A ATE informou que a Argentina acumula 17 meses consecutivos de queda nos registros junto à Superintendência de Riscos Ocupacionais (SRT). Segundo o sindicato, a retração no número de empresas registradas supera o impacto observado durante a pandemia de Covid-19.

“Em termos econômicos, Milei causou mais danos do que a pandemia; ele foi mais letal do que a covis. Durante a pandemia, pouco mais de 14 mil empresas fecharam, e sob este governo, mais de 25 mil já faliram”, afirmou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE Nacional.

Os dados citados pela entidade resultam de uma comparação entre novembro de 2023 e março de 2026, com base em informações publicadas pela Superintendência de Riscos Ocupacionais. Desde o início da atual gestão, alguns setores aparecem entre os mais atingidos. Transporte e armazenagem registraram queda de 15,7% no número de empresas. Atividades imobiliárias tiveram retração de cerca de 12%, enquanto a construção civil caiu 9,6%.

Aguiar também alertou para a perda de mais de 300 mil empregos registrados nos últimos dois anos. Segundo ele, a capacidade industrial instalada caiu para menos de 50%, quadro que aprofunda a preocupação de sindicatos e entidades produtivas com os efeitos da recessão sobre o mercado de trabalho.

A deterioração da atividade econômica tem levado parte dos trabalhadores a buscar alternativas de sobrevivência fora do emprego formal. A informalidade, o trabalho por conta própria e vínculos mais precários passaram a ganhar espaço diante do fechamento de empresas e da redução de postos registrados.

Um relatório do centro de pesquisas Fundar também aponta a gravidade da crise na estrutura produtiva argentina. O estudo registra 24 quedas consecutivas, ano após ano, no número de empresas em atividade, com perda de 266 mil empregos formais. A situação afetou 23 das 24 jurisdições do país, com impacto mais forte em La Rioja, Catamarca e Chaco.

Segundo o levantamento, a tendência negativa segue em curso. Apenas no último mês analisado, 257 empresas encerraram suas atividades. No acumulado de doze meses, o país passou a contar com 13.166 empresas a menos.

Além da perda de 266 mil empregos formais, o relatório menciona crescimento de 346 postos no trabalho por conta própria e aumento de 33 mil empregos informais. O estudo associa o cenário à abertura das importações e à redução de tarifas oficiais, medidas que favoreceriam produtos estrangeiros em detrimento da produção nacional.

Entre os setores mais afetados aparecem transporte, armazenagem, atividades imobiliárias e construção civil, especialmente em razão da recessão e da desaceleração das obras públicas. O texto também cita fechamentos de fábricas e filiais de empresas como Cabot Argentina, Cocot, Dufour, Dabra, Electrolux e a rede de farmácias Farmacias del Doctor Ahorro.

A crise empresarial ocorre em paralelo à erosão do poder de compra provocada pela inflação, deixando milhares de famílias sem renda ou dependentes de ocupações mais instáveis. Para a ATE, o fechamento de pymes e a queda do emprego formal representam um sinal de deterioração profunda da economia real.

A mobilização desta quarta-feira deve culminar na assinatura de um documento conjunto por organizações sindicais, entidades públicas e educacionais, figuras políticas, setores produtivos e câmaras empresariais. O objetivo é denunciar o avanço da crise e cobrar respostas para a destruição de empresas e postos de trabalho na Argentina.

¨      Colômbia: extremista cresce na reta final da campanha e ameaça vitória da esquerda

As últimas pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia têm levantado uma dúvida sobre o resultado do primeiro turno, que até a semana passada pareciam indicar uma vitória, ao menos nesta primeira instância, do candidato Iván Cepeda, representante da coalizão governista de esquerda Pacto Histórico, que defende a continuidade do projeto do presidente Gustavo Petro.

Nesta segunda-feira (26/05), foi publicada uma nova pesquisa do instituto Atlas Intel mostrando um cenário de forte crescimento do candidato ultraliberal Abelardo de la Espriella, que alcançou 36,3% das intenções de voto – 3,4% a mais, em comparação com os números da semana anterior.

Segundo o mesmo instituto, Cepeda passou de 37,6% para 37,7% durante a mesma semana. Com isso, se estabeleceu um empate técnico entre o governista e o candidato independente de extrema direita, que não existia na medição anterior.

A pesquisa também sugere que boa parte dos votos conquistados por De la Espriella podem ter vindo de Paloma Valencia, candidata da direita tradicional, que caiu de 16,7% para 13,9% no mesmo período. Valencia representa o partido Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).

<><> Cenários divergentes

O cenário obtido pela Atlas Intel mostra um contraste significativo com a pesquisa do instituto Invamer, na qual Cepeda aparece liderando com 44,6%, com possibilidade de vencer já no primeiro turno. Em segundo está De la Espriella, com 31,6%, seguido por Valencia, com 14,1%.

As duas pesquisas foram realizadas em períodos similares: a da Atlas Intel entrevistou pessoas entre 18 e 21 de maio, enquanto a Invamer o fez entre 13 e 20 deste mês.

Vale destacar, entretanto, que o Invamer também captou o crescimento da candidatura de Abelardo de la Espriella. Na sondagem anterior feita pelo instituto no final de abril, o ultraliberal aparecia com 22,9% – o que significa que ele cresceu 8,7% em um mês, segundo essa medição.

Também pelo Invamer, Paloma Valencia tinha 21,2% em abril. Portanto, segundo essa metodologia, ela perdeu 7,1% no último mês.

A Colômbia viverá sua jornada de primeiro turno das eleições presidenciais no próximo domingo (31/05). Caso seja necessário um segundo turno, ele acontecerá em 21 de junho.

 

Fonte: Brasil 247/Opera Mundi

 

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