sábado, 30 de maio de 2026

Brasil vive nova onda industrial? Chegada de multinacionais reacende debate

Especialistas apontam que interesse estrangeiro cresce por escala, recursos e energia, mas alertam para entraves estruturais da economia brasileira.

No final de abril, a Whirlpool, dona de marcas de eletrodomésticos como Brastemp, fechou uma fábrica na Argentina, em Pilar, e transferiu a produção para Rio Claro, no interior de São Paulo. A escolha, feita para melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos segundo um comunicado da empresa, no entanto, não alteraria o fornecimento de produtos para o mercado argentino.

O movimento, porém, ocorre em um contexto mais amplo de reposicionamento industrial na América do Sul e coincide com a chegada e expansão de outras multinacionais no Brasil.

Nos últimos anos, o país tem atraído investimentos de grupos estrangeiros interessados tanto no mercado consumidor brasileiro quanto na possibilidade de transformar o território nacional em uma plataforma regional de produção. Em dados, o setor industrial brasileiro passa por um processo de recuperação e modernização, com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrando crescimento de 1,8% na produção industrial e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetando alta de 1,6% para o setor em 2026.

Entre os casos mais emblemáticos está a expansão da chinesa BYD em Camaçari, na Bahia, onde a companhia assumiu o antigo complexo industrial da Ford para instalar aquela que promete ser uma das maiores fábricas de veículos elétricos da América Latina.

Outro exemplo é a GWM, também chinesa, que iniciou operações na antiga planta da Mercedes-Benz em Iracemápolis, no interior paulista, além de novos aportes internacionais em setores como energia, mineração, infraestrutura e tecnologia.

<><> O que atrai empresas para o Brasil?

Juliana Inhasz, professora e coordenadora do curso de graduação em economia do Insper, afirma que o principal ponto atrativo para essas companhias é o tamanho do mercado brasileiro — mais de 200 milhões de potenciais consumidores —, ressaltando também a posição do Brasil como uma das maiores economias do mundo e maior da América Latina.

"O segundo ponto é o fato de nós termos uma base agro muito forte, com muitos recursos naturais, energia relativamente diversificada e muitas possibilidades de projetos em transição energética", diz Inhasz, pontuando também preços relativamente baratos de produção no Brasil. Ou seja, além do grande mercado consumidor — que ainda possui demanda reprimida em alguns setores —, o país oferece vantagens como proximidade da matéria-prima, custos salariais relativamente menores e condições geográficas favoráveis, explica.

"É um lugar atrativo, com clima relativamente bom, grande extensão territorial e sem problemas extremos, como terremotos."

Para a especialista, o conjunto desses fatores reforça a atratividade econômica do país, mas o tamanho do mercado interno e a disponibilidade de recursos seguem sendo os principais diferenciais para investidores e empresas.

Complementando, Haroldo da Silva, presidente do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP), diz que o atual cenário de incerteza política e geopolítica internacional também tem sido outro ponto que tem levado empresas multinacionais a enxergarem o Brasil como alternativa estratégica para investimentos. "O Brasil não está envolvido diretamente nesses conflitos, tem autonomia em relação ao petróleo e uma matriz energética relativamente verde", afirma.

Haroldo destaca ainda a disponibilidade de serviços industriais e logísticos, especialmente no Sudeste, citando o caso da Whirlpool como exemplo desse movimento. "Não é uma fábrica nova, mas um incremento de investimentos naquela região", observa. Na avaliação dele, a junção de todos esses elementos traz "algum nível de vantagem comparativa para o Brasil" em relação a outros países na América Latina.

<><> Potencial industrial

Agora, poderia o Brasil converter esse interesse em um novo ciclo de reindustrialização? Inhasz explica que, embora o país reúna fatores atrativos para investidores, ainda enfrenta barreiras estruturais importantes que limitam a capacidade de transformar esse cenário em uma industrialização mais robusta e duradoura.

Segundo a especialista, o principal desafio é o baixo ganho de produtividade, considerado por ela o "calcanhar de Aquiles" da economia brasileira. Para Inhasz, avanços nessa área dependem diretamente de investimentos em inovação, tecnologia e aumento da competitividade — fatores que também ampliariam a inserção internacional da indústria nacional.

Juros elevados, alto custo da dívida pública e financiamento caro reduzem o apetite ao risco dos investidores, que também precisam lidar com incertezas fiscais e oscilações da demanda.

"Apesar de todos os pontos positivos, existem muitos poréns."

Outro obstáculo apontado por Inhasz é a burocracia brasileira, que se soma aos custos econômicos e institucionais enfrentados pelo setor produtivo. Para a economista, embora parte das empresas consiga aproveitar as oportunidades existentes, muitas indústrias ainda dependem de uma base institucional mais sólida para expandir investimentos e consolidar resultados.

Sem enfrentar essas fragilidades, avalia Inhasz, o país pode deixar escapar parte do atual interesse internacional sem convertê-lo plenamente em benefícios para a indústria e para a economia. Ela compara o cenário brasileiro ao mexicano que, segundo sua avaliação, tem atraído investimentos em manufatura e logística por contar com uma indústria de transformação mais integrada e competitiva.

Por outro lado, o presidente do Corecon-SP ressalta que, apesar dos entraves ligados à produtividade, juros e burocracia, o Brasil possui ativos estruturais importantes que podem sustentar um processo de reindustrialização. Segundo ele, o país conta com uma engenharia industrial relevante e já alcançou níveis expressivos de complexidade econômica em determinados segmentos produtivos.

Ele cita empresas como WEG e Embraer como exemplos da capacidade nacional de desenvolver tecnologia e produção sofisticada. Para ele, essa força está ligada não apenas ao parque industrial, mas também à formação técnica da mão de obra brasileira, apoiada por universidades, centros de pesquisa e instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) — presente em diversas regiões do país.

Na avaliação dele, a recorrente instabilidade política, tributária e econômica brasileira acabou criando um setor produtivo mais resiliente e habituado a operar sob condições de incerteza. Essa flexibilidade seria um dos diferenciais do país para atrair e sustentar investimentos industriais.

Por outro lado, ele reconhece que o setor segue enfrentando gargalos estruturais, dizendo que políticas de financiamento e juros — como a Nova Indústria Brasil (NIB) — ainda limitam o potencial industrial. A NIB, por exemplo, prevê cerca de R$ 600 bilhões em recursos ao longo de quatro anos, envolvendo instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Para ele, embora o montante seja expressivo, o setor recebe menos proporcionalmente do que outros setores, como o agronegócio, que recebe R$ 500 bilhões ao longo de um ano. Haroldo destaca ainda que a indústria tem peso significativo na arrecadação da Previdência Social, contribuindo com cerca de 25% do total devido ao pagamento de salários mais elevados. "A indústria paga melhores salários do que o agro e do que o setor de serviços", afirma.

Inhasz, por outro lado, pondera que o agronegócio não deve ser visto como responsável pelas dificuldades da indústria brasileira. Segundo ela, o principal obstáculo está no Custo Brasil — conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarece a produção e a contratação do país, estimado em cerca de R$ 1,7 trilhão ao ano —, que reduz produtividade e competitividade.

Para a economista, o agro é um ativo estratégico por atrair capital e impulsionar exportações. Em 2025, o setor respondeu por quase metade das vendas externas brasileiras, com US$ 169 bilhões (cerca de R$ 852 bilhões) exportados —, enquanto a indústria depende de uma infraestrutura e coordenação mais complexas, historicamente insuficientes no país.

"Não é que o agro seja o vilão. A infraestrutura necessária para a indústria ficou faltando."

<><> Reforma tributária e escala de trabalho

Haroldo da Silva avalia que a reforma tributária pode contribuir para melhorar o cenário da indústria brasileira nos próximos anos. Segundo ele, a redistribuição da carga tributária entre os setores tende a beneficiar a atividade industrial, hoje mais pressionada pelo pagamento de tributos.

"O cenário para a indústria pode melhorar também por conta da reforma tributária", afirma. Para o economista, a mudança deve tornar os produtos industriais gradualmente mais baratos e competitivos, embora o processo seja lento e só esteja totalmente consolidado em 2033.

Ainda assim, ele observa que a perspectiva de alívio tributário já aparece nas pesquisas de percepção empresarial e ajuda a sustentar expectativas mais positivas para o setor.

Sobre a possível substituição da escala 6 x 1 pela 5 x 2, Haroldo afirma que os impactos serão diferentes entre setores e companhias. "Dizer que vai ser bom ou ruim para a indústria seria uma desonestidade intelectual", diz, citando estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre o tema.

Segundo ele, parte da indústria já opera em modelos semelhantes, enquanto segmentos mais dependentes da presença contínua do trabalhador podem enfrentar maiores dificuldades, especialmente micro e pequenas empresas. Para o presidente do Corecon-SP, a transição pode ser suportável se houver negociação entre empresas e sindicatos e o apoio do Estado para a adaptação dos negócios.

Haroldo argumenta que, apesar das dificuldades e turbulências esperadas no curto prazo, a redução da jornada pode trazer ganhos de produtividade e melhorar as condições de trabalho no longo prazo, sobretudo diante da crescente atenção aos riscos psicossociais no ambiente laboral.

"O Estado brasileiro deveria ajudar nesse processo de transição, especialmente as pequenas e micro empresas."

•        Política industrial: qual a escolha brasileira? Por Celso Pinto de Melo

A rivalidade entre Estados Unidos e China deixou de ser apenas diplomática, militar ou comercial. Ela se tornou estruturalmente produtiva. O conflito central deslocou-se para o terreno da capacidade industrial, da densidade tecnológica e do controle de cadeias estratégicas.

Em 2022, os Estados Unidos aprovaram o CHIPS and Science Act, mobilizando cerca de US$ 280 bilhões para fortalecer a produção doméstica de semicondutores e ampliar o investimento científico. No mesmo ano, o Inflation Reduction Act destinou aproximadamente US$ 369 bilhões a incentivos para a transição energética e a manufatura verde. Não se trata de políticas anticíclicas convencionais. Trata-se de reorganização deliberada da base produtiva em escala histórica .

A China, por sua vez, intensificou sua estratégia de autossuficiência tecnológica, reforçando investimentos em semicondutores, baterias, inteligência artificial e equipamentos industriais avançados.

 A disputa por litografia de ponta e chips avançados tornou-se explícita, com restrições comerciais e sanções tecnológicas.

A globalização dispersiva dos anos 1990, baseada na fragmentação de cadeias produtivas e na primazia do custo, está sendo substituída por uma reorganização seletiva e estratégica.

Como observa Gala, a promessa dos anos 1990 de que bastaria “abrir a economia” para alcançar convergência revelou-se historicamente inconsistente: as economias que hoje lideram a reorganização produtiva global nunca abandonaram a coordenação estratégica do investimento.

O centro da geopolítica voltou a se organizar em torno da capacidade produtiva. É nesse novo terreno que a posição relativa dos países está sendo redefinida.

<><> A variável que quase ninguém discute

No debate econômico brasileiro, inflação, juros e resultado fiscal dominam o noticiário. São variáveis relevantes, mas de horizonte curto. Pouco se discute a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o investimento em ativos produtivos – máquinas, equipamentos, fábricas, infraestrutura, tecnologia – e, portanto, a expansão da capacidade futura de produção.

Segundo dados do IBGE e do World Development Indicators, a FBCF brasileira oscilou majoritariamente entre 17% e 22% do PIB nas últimas quatro décadas. Em 2017 e 2020, aproximou-se de 15%. Em 2022, situava-se em torno de 18% do PIB .

No mesmo intervalo – aproximadamente as últimas quatro décadas – a Coreia do Sul sustentou taxas de investimento superiores a 30% do PIB por longos períodos, enquanto a China manteve patamares frequentemente acima de 35%, alcançando picos superiores a 45% nos anos 2000.

A mesma figura permite observar não apenas a diferença de investimento, mas também sua consequência acumulada: a divergência das trajetórias de renda per capita ao longo do período.

Em termos analíticos, esse processo é conhecido como convergência: a capacidade de economias de menor renda de crescer de forma sistematicamente mais rápida do que as economias avançadas, reduzindo ao longo do tempo a distância que as separa. Mais do que crescer, convergir significa alterar a posição relativa no sistema internacional.

A evidência empírica é consistente com o diagnóstico apresentado por Gala: países que sustentaram regimes persistentes de investimento elevado e orientado à complexificação produtiva foram capazes de multiplicar sua renda per capita; aqueles que mantiveram patamares baixos e voláteis ficaram presos à chamada armadilha da renda média.

Entre investir 18% e 35% do PIB há uma diferença de 17 pontos percentuais. Mantida por décadas, essa diferença transforma o estoque de capital, a produtividade e a renda per capita.

Naturalmente, em macroeconomia, a correlação entre dois indicadores não implica causalidade automática. O crescimento econômico depende de múltiplos fatores institucionais, tecnológicos e demográficos. Ainda assim, a persistência de níveis elevados de investimento produtivo constitui um dos traços mais consistentes nas experiências históricas de convergência bem-sucedida.

<><> O custo da persistência

Um baixo investimento não resulta em um colapso imediato. Produz crescimento medíocre persistente.

Entre 1980 e 2023, o Brasil apresentou um crescimento médio anual do PIB substancialmente menor que o das economias asiáticas que adotaram regimes persistentes de investimento elevado. A renda per capita brasileira, que nos anos 1970 superava amplamente a chinesa e era comparável à sul-coreana, passou a divergir estruturalmente.

Segundo o Banco Mundial, a renda per capita chinesa ultrapassou a brasileira em termos de paridade de poder de compra ao longo da década de 2010. A Coreia do Sul multiplicou sua renda per capita por várias vezes nesse período, distanciando-se de forma irreversível.

O Brasil deixou de convergir quando interrompeu a expansão sistemática de sua capacidade produtiva e passou a depender crescentemente de ciclos de commodities, confundindo prosperidade conjuntural com desenvolvimento estrutural.

A divergência não decorreu de um evento isolado. Decorreu da manutenção de regimes de investimento distintos ao longo de décadas.

Além da magnitude, a composição do investimento importa. No Brasil, a construção civil representa uma parcela significativa da FBCF, enquanto máquinas e equipamentos mantêm participação menor do que em economias que realizaram o salto tecnológico. Construção impulsiona ciclos. Máquinas, equipamentos e tecnologia alteram produtividade estrutural e densidade industrial.

Essa diferença é menos visível no curto prazo, mas decisiva no longo.

<><> O mundo não está esperando

Enquanto o Brasil mantém um regime de investimento baixo e volátil, as grandes economias coordenam políticas industriais explícitas. Os Estados Unidos subsidiam semicondutores e baterias. A China investe pesadamente em manufatura avançada. A União Europeia cria mecanismos para evitar uma dependência tecnológica excessiva.

Semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, hidrogênio verde e baterias não são apenas setores econômicos. São instrumentos de poder nacional.

A política industrial deixou de ser tabu. Tornou-se linguagem comum das potências.

A experiência coreana, ilustra que proteção temporária combinada com exigência de desempenho e disciplina institucional pode produzir transformação estrutural quando sustentada ao longo do tempo. A neutralidade produtiva, nesse contexto, revela-se uma abstração.

Se grandes economias reorganizam suas bases produtivas e o Brasil permanece sob regime estruturalmente insuficiente de acumulação, a divergência tende a ampliar-se.

<><> A janela brasileira

O Brasil possui vantagens estruturais relevantes. Sua matriz energética é relativamente limpa. Detém reservas importantes de minerais estratégicos. Reúne condições especialmente favoráveis para expandir a produção de biocombustíveis e hidrogênio verde. Possui mercado interno de grande escala e sistema universitário consolidado.

Mas vantagens estruturais não se convertem automaticamente em poder econômico.

O sucesso do agro brasileiro – tecnicamente sofisticado e competitivo – não resolve, por si, o problema estrutural do câmbio valorizado e da perda relativa de densidade industrial. Sem contrapeso estratégico, o êxito setorial pode reforçar a especialização primária.

Sem um regime consistente de investimento produtivo, as oportunidades tendem a se traduzir em exportação de commodities e dependência tecnológica.

Nesse contexto, o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), em 2024, representa uma inflexão relevante ao recolocar a política industrial no centro da agenda. Ao definir missões estratégicas e instrumentos de financiamento direcionado, o programa reconhece explicitamente que a reorganização produtiva exige coordenação.

A questão decisiva, contudo, não é a existência formal da estratégia, mas sua escala e sua compatibilidade com o regime macroeconômico vigente. Sem elevação estrutural da taxa de investimento e redução do custo do capital, a política industrial tende a operar na margem, com impacto limitado sobre a trajetória de longo prazo.

<><> A decisão que ainda não foi tomada

Elevar gradualmente a FBCF brasileira para um patamar entre 25% e 27% do PIB ao longo de uma década não seria exceção internacional. Seria aproximação ao padrão observado em economias que realizaram o salto estrutural.

Ampliar o investimento público direto para cerca de 4% do PIB – com foco em infraestrutura logística, digital e energética – poderia funcionar como indutor de investimento privado e eixo coordenador de expectativas.

Reequilibrar a composição da FBCF, elevando a participação de máquinas e equipamentos, teria impacto direto na produtividade e na capacidade tecnológica.

Não se trata de voluntarismo, mas de mudança de regime. O desenvolvimento não emerge espontaneamente da abertura irrestrita; resulta de estratégia persistente, coordenação institucional e investimento contínuo .

<><> O que está em jogo

No século XX, as grandes inflexões históricas ocorreram quando as nações alteraram deliberadamente seu padrão de investimento. Hoje, em um mundo marcado pela reconfiguração de cadeias produtivas e pela disputa tecnológica, essa lógica retorna ao centro da dinâmica global.

O Brasil não atravessa uma crise aguda. O que se observa é algo mais sutil – e talvez mais preocupante: um processo contínuo de deslocamento relativo no sistema internacional.

Se persistir operando sob um padrão de acumulação baixo e volátil, essa trajetória tende a se aprofundar. A perda de posição não se dá por ruptura, mas por erosão gradual.

Nesse contexto, a ausência de decisão não é neutralidade – é, na prática, uma escolha.

O regime de investimento costuma aparecer como um tema técnico, restrito a especialistas. Mas, no plano histórico, ele expressa uma decisão fundamental sobre o tipo de economia que se deseja construir.

É essa decisão – frequentemente implícita – que define o lugar de um país na geopolítica produtiva do século XXI.

No próximo artigo, o foco se desloca para o interior desse problema: se a necessidade de investir mais parece evidente, por que o Brasil tem encontrado tanta dificuldade em sustentar, de forma persistente, um regime de investimento compatível com essa transformação?

 

Fonte: Sputnik Brasil/Outras Palavras

 

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