"EUA
vão classificar milícia do RJ ligada aos Bolsonaro como terrorista?",
questiona Boulos
O
ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, questionou a
decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC e Comando
Vermelho como organizações terroristas e associou o debate às milícias do Rio
de Janeiro. A decisão do Departamento de Estado dos EUA deverá entrar em vigor
em 5 de junho.
“Será
que os EUA também vão classificar como terrorista a milícia do Rio de Janeiro
ligada aos Bolsonaro?”, questionou Boulos ao SBT News, em reação ao anúncio feito pelo secretário de
Estado Marco Rubio. Integrantes das áreas política e jurídica do governo
avaliam que a iniciativa teve influência da articulação de Flávio Bolsonaro
junto a autoridades estadunidenses .
O
anúncio da classificação das facções como organizações terroristas ocorreu uma
dia após uma reunião entre Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O
próprio Flávio Bolsonaro admitiu que solicitou formalmente a mudança de
classificação das facções brasileiras para organizações terroristas. Eduardo
Bolsonaro, deputado cassado que atualmente reside nos Estados Unidos, também
vem atuando junto a autoridades norte-americanas em defesa da medida.
O
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se posicionado contra
a classificação e avalia que ela pode abrir precedentes para ingerência
estrangeira em assuntos internos do Brasil.
Diplomatas
brasileiros argumentam que a legislação brasileira não enquadra facções
criminosas como organizações terroristas e temem que a decisão seja utilizada
politicamente em meio ao cenário eleitoral brasileiro, além de abrir caminho
para sanções e possíveis ações militares contra o Brasil
A
iniciativa do governo Trump também gerou reação nos próprios Estados Unidos.
Parlamentares democratas enviaram carta ao secretário Marco Rubio alertando que
a classificação poderia prejudicar as relações diplomáticas entre Brasil e EUA
e abrir espaço para interferências políticas no país sul-americano.
A
estratégia de enquadrar cartéis e facções latino-americanas como organizações
terroristas vem sendo ampliada pelo governo Trump desde 2025, incluindo grupos
ligados ao narcotráfico na Venezuela e na Colômbia.
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Orlando Silva: 'família Bolsonaro será responsável por
qualquer ato de guerra dos EUA contra o Brasil. Canalhas imundos'
O
deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) reagiu com duras críticas à decisão
do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital
(PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em publicação
nas redes sociais nesta quinta-feira (28), o parlamentar afirmou que a medida
representa uma “ameaça gravíssima à soberania nacional” e responsabilizou
integrantes da família Bolsonaro pela iniciativa.
“Contrariando
os mais básicos pressupostos do Direito, os EUA acabam de classificar
organizações criminosas brasileiras como terroristas”, escreveu Orlando Silva.
Segundo ele, a legislação norte-americana permitiria ações militares fora do
território dos EUA sob o argumento de combate ao terrorismo. “A lei
norte-americana autoriza ataques físicos, logo, atos de guerra, contra o
território de países em que tais organizações atuam, de acordo com os ditames
dos EUA”, afirmou.
Na
postagem, o deputado também atacou diretamente os filhos do ex-presidente Jair
Bolsonaro. “A famiglia mafiosa Bolsonaro, com o corrupto Flávio e o traidor
Eduardo à frente, serão responsáveis diretos por qualquer ato de guerra dos EUA
contra o Brasil. Canalhas imundos”, destacou o parlamentar.
A
decisão do Departamento de Estado dos EUA foi anunciada pelo secretário Marco
Rubio e deverá entrar em vigor em 5 de junho. Rubio informou que PCC e CV
passarão a ser enquadrados como “terroristas globais especialmente designados”
(“Specially Designated Global Terrorists”).
O
anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o
presidente Donald Trump e com o próprio Marco Rubio, em Washington. Segundo
relatos divulgados pela imprensa, o parlamentar teria solicitado formalmente a
mudança de classificação das facções brasileiras para organizações terroristas.
Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que atualmente reside nos Estados Unidos,
também vem atuando junto a autoridades norte-americanas em defesa da medida.
O
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posiciona contra a
classificação e avalia que ela pode abrir precedentes para ingerência
estrangeira em assuntos internos do Brasil. Diplomatas brasileiros argumentam
que a legislação brasileira não enquadra facções criminosas como organizações
terroristas e temem que a decisão seja utilizada politicamente em meio ao
cenário eleitoral brasileiro.
A
iniciativa do governo Trump também gerou reação nos próprios Estados Unidos.
Parlamentares democratas enviaram carta ao secretário Marco Rubio alertando que
a classificação poderia prejudicar as relações diplomáticas entre Brasil e EUA
e abrir espaço para interferências políticas no país sul-americano.
A
estratégia de enquadrar cartéis e facções latino-americanas como organizações
terroristas vem sendo ampliada pelo governo Trump desde 2025, incluindo grupos
ligados ao narcotráfico na Venezuela e na Colômbia.
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Celso Amorim critica EUA por classificar PCC e CV como
terroristas: "pretexto para intervenção é inaceitável"
A
decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Comando Vermelho (CV) e o
Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas provocou reação
do governo brasileiro. O assessor especial da Presidência para Assuntos
Internacionais, Celso Amorim, criticou a medida anunciada nesta quinta-feira
(28).
Em
nota, segundo o jornal O Globo, o diplomata afirmou que o combate ao crime
organizado exige cooperação internacional, mas rejeitou qualquer possibilidade
de interferência externa em assuntos internos do Brasil.
"Segurança
pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime
organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é
bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de
armas. Pretexto para intervenção é inaceitável", declarou.
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Departamento de Estado detalha classificação
O
anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio,
por meio das redes sociais. Segundo comunicado divulgado pelo Departamento de
Estado, PCC e CV foram enquadrados como Terroristas Globais Especialmente
Designados (SDGTs) e passarão a integrar também a lista de Organizações
Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026.
Na
"justificativa" da medida, o governo estadunidense classificou as
duas facções como "duas das organizações criminosas mais violentas do
Brasil". O texto afirma ainda que os grupos possuem milhares de
integrantes e que "orquestraram ataques brutais contra policiais,
funcionários públicos e civis brasileiros".
De
acordo com o comunicado, as atividades das organizações ultrapassam as
fronteiras brasileiras e alcançam outros países da região, além dos próprios
Estados Unidos.
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Pressão política e preocupação com soberania
A
decisão foi anunciada após a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos
Estados Unidos. Durante a visita, ele se reuniu com o presidente Donald Trump e
com o vice-presidente J.D. Vance e com o próprio Marco Rubio. Em março, o
jornal The New York Times informou que Flávio e Eduardo Bolsonaro defendiam
junto ao governo estadunidense a adoção da classificação para as facções
brasileiras.
Nos
últimos meses, integrantes do governo brasileiro tentaram evitar a medida.
Autoridades do país avaliam que a classificação pode gerar questionamentos
relacionados à soberania nacional. O tema foi tratado em conversas entre o
ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Rubio.
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O que muda com a classificação
A
inclusão de PCC e CV nas listas de organizações terroristas dos Estados Unidos
permite ao governo estadunidense adotar medidas jurídicas, financeiras e
operacionais específicas contra os grupos.
Entre
as consequências previstas estão o bloqueio de ativos financeiros, a proibição
de transações envolvendo integrantes ou associados, restrições migratórias e a
criminalização de qualquer forma de apoio material às organizações em
território estadunidense.
A
classificação também amplia a utilização de instrumentos de inteligência e de
capacidades operacionais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, conforme
a aplicação da legislação vigente.
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Riscos à soberania brasileira
Integrantes
do governo brasileiro avaliam que a medida pode abrir margem jurídica para
sanções e intervenções militares dos EUA em território nacional. Há também
preocupação com o potencial uso político do tema por setores bolsonaristas
durante a campanha eleitoral.
Nos
bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha
tentando evitar que os Estados Unidos adotassem esse enquadramento. Segundo
avaliação de integrantes do Palácio do Planalto, a classificação das facções
como organizações terroristas poderia abrir espaço para medidas mais rígidas
por parte do governo estadunidense.
A Lei
Antiterrorismo, sancionada em 2016, estabelece que terrorismo envolve atos
motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou
religião, com o objetivo de provocar terror social ou generalizado. A avaliação
do governo brasileiro é de que as organizações criminosas brasileiras não
possuem motivação ideológica, política ou religiosa, nem atuam para derrubar o
sistema institucional.
Nesta
linha, as facções criminosas atuam prioritariamente para obter lucro por meio
de crimes e esquemas de lavagem de dinheiro. Por essa razão, pela legislação
brasileira, facções como PCC e Comando Vermelho são classificadas como
organizações criminosas, e não como grupos terroristas.
O PCC e
o Comando Vermelho são apontados por autoridades brasileiras e estrangeiras
como organizações envolvidas em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes
transnacionais.
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"Querem abrir espaço para intervenção", alerta
Lindbergh após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a decisão do governo dos
Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital
(PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em vídeo divulgado
nas redes sociais nesta quinta-feira (28), o parlamentar afirmou que a medida
anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, poderá provocar
prejuízos econômicos ao Brasil, além de criar riscos à soberania nacional.
Segundo
Lindbergh, "essa classificação do CV e PCC como organizações terroristas
pelos EUA terá consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, os
investimentos estrangeiros e é um ataque brutal à nossa soberania". Ao
comentar o combate às organizações criminosas, o deputado afirmou que as
facções já vêm sendo alvo de ações das autoridades brasileiras.
De
acordo com ele, "CV e PCC estão sendo combatidos pelo governo do
presidente Lula", citando operações da Polícia Federal e da Receita
Federal contra estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.
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Interferência externa
Lindbergh
também direcionou críticas ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e ao
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), associando a decisão do governo estadunidense
à atuação dos dois junto à gestão do presidente estadunidense, Donald Trump.
Segundo o deputado, "Eduardo e Flávio Bolsonaro são irresponsáveis e não
querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir
espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil
colônia".
Na
avaliação do parlamentar, a medida anunciada por Washington tem potencial para
gerar impactos econômicos negativos. "O anúncio feito pelo Marco Rubio de
que vai classificar Comando Vermelho e PCC como organização terrorista, o
objetivo deles é trazer imensos prejuízos à economia brasileira", afirmou.
A
decisão dos Estados Unidos foi anunciada na mesma semana em que Flávio
Bolsonaro esteve no país e se reuniu com Trump, com o vice-presidente, J.D.
Vance, e com o próprio Rubio. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) vinha tentando evitar a adoção da classificação por considerar que ela
poderia trazer consequências para a soberania brasileira.
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Impactos econômicos
Ao
detalhar suas críticas, Lindbergh argumentou que o enquadramento das facções
como organizações terroristas poderá alterar a percepção de investidores
estrangeiros sobre o Brasil. Segundo ele, "quando os Estados Unidos dizem
que aqui tem organizações que são terroristas, vários fundos de investimento,
vários grupos empresariais passam a calcular o risco de investir".
O
deputado acrescentou que a medida tende a elevar o risco atribuído ao país.
"Você aumenta o risco brasileiro, você diminui o grau de investimento.
Você pode ter instituições financeiras atingidas. É um prejuízo
gigantesco", declarou.
Lindbergh
também rejeitou qualquer possibilidade de atuação militar estrangeira em
território nacional. "Nós não aceitamos que o Trump e os Estados Unidos
venham entrar com ação armada contra o Brasil", afirmou.
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Cooperação internacional
O
parlamentar ainda sustentou que a decisão poderá afetar mecanismos de
cooperação entre autoridades brasileiras e estadunidenses no combate ao crime
organizado. Segundo ele, "o que essa família Bolsonaro está fazendo
fragiliza a nossa economia, abre vulnerabilidades na área de segurança nacional
e é um retrocesso também na cooperação contra organizações criminosas".
O
governo brasileiro tem defendido que PCC e Comando Vermelho não se enquadram na
definição de terrorismo prevista na legislação nacional. Autoridades da área de
segurança argumentam que as facções têm finalidade econômica e não atuam com
motivações ideológicas, políticas ou religiosas, requisitos previstos na Lei
Antiterrorismo para caracterização desse tipo de crime.
Fonte:
Brasil 247

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