sexta-feira, 29 de maio de 2026

"EUA vão classificar milícia do RJ ligada aos Bolsonaro como terrorista?", questiona Boulos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, questionou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e associou o debate às milícias do Rio de Janeiro. A decisão do Departamento de Estado dos EUA deverá entrar em vigor em 5 de junho.

“Será que os EUA também vão classificar como terrorista a milícia do Rio de Janeiro ligada aos Bolsonaro?”, questionou Boulos ao SBT News, em reação ao anúncio feito pelo secretário de Estado Marco Rubio. Integrantes das áreas política e jurídica do governo avaliam que a iniciativa teve influência da articulação de Flávio Bolsonaro junto a autoridades estadunidenses .

 O anúncio da classificação das facções como organizações terroristas ocorreu uma dia após uma reunião entre Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).  O próprio Flávio Bolsonaro admitiu que solicitou formalmente a mudança de classificação das facções brasileiras para organizações terroristas. Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que atualmente reside nos Estados Unidos, também vem atuando junto a autoridades norte-americanas em defesa da medida.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se posicionado contra a classificação e avalia que ela pode abrir precedentes para ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil. 

Diplomatas brasileiros argumentam que a legislação brasileira não enquadra facções criminosas como organizações terroristas e temem que a decisão seja utilizada politicamente em meio ao cenário eleitoral brasileiro, além de abrir caminho para sanções e possíveis ações militares contra o Brasil

A iniciativa do governo Trump também gerou reação nos próprios Estados Unidos. Parlamentares democratas enviaram carta ao secretário Marco Rubio alertando que a classificação poderia prejudicar as relações diplomáticas entre Brasil e EUA e abrir espaço para interferências políticas no país sul-americano.

A estratégia de enquadrar cartéis e facções latino-americanas como organizações terroristas vem sendo ampliada pelo governo Trump desde 2025, incluindo grupos ligados ao narcotráfico na Venezuela e na Colômbia.

¨      Orlando Silva: 'família Bolsonaro será responsável por qualquer ato de guerra dos EUA contra o Brasil. Canalhas imundos'

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) reagiu com duras críticas à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (28), o parlamentar afirmou que a medida representa uma “ameaça gravíssima à soberania nacional” e responsabilizou integrantes da família Bolsonaro pela iniciativa.

“Contrariando os mais básicos pressupostos do Direito, os EUA acabam de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas”, escreveu Orlando Silva. Segundo ele, a legislação norte-americana permitiria ações militares fora do território dos EUA sob o argumento de combate ao terrorismo. “A lei norte-americana autoriza ataques físicos, logo, atos de guerra, contra o território de países em que tais organizações atuam, de acordo com os ditames dos EUA”, afirmou.

Na postagem, o deputado também atacou diretamente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A famiglia mafiosa Bolsonaro, com o corrupto Flávio e o traidor Eduardo à frente, serão responsáveis diretos por qualquer ato de guerra dos EUA contra o Brasil. Canalhas imundos”, destacou o parlamentar.

A decisão do Departamento de Estado dos EUA foi anunciada pelo secretário Marco Rubio e deverá entrar em vigor em 5 de junho. Rubio informou que PCC e CV passarão a ser enquadrados como “terroristas globais especialmente designados” (“Specially Designated Global Terrorists”).

O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o presidente Donald Trump e com o próprio Marco Rubio, em Washington. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o parlamentar teria solicitado formalmente a mudança de classificação das facções brasileiras para organizações terroristas. Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que atualmente reside nos Estados Unidos, também vem atuando junto a autoridades norte-americanas em defesa da medida.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posiciona contra a classificação e avalia que ela pode abrir precedentes para ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil. Diplomatas brasileiros argumentam que a legislação brasileira não enquadra facções criminosas como organizações terroristas e temem que a decisão seja utilizada politicamente em meio ao cenário eleitoral brasileiro.

A iniciativa do governo Trump também gerou reação nos próprios Estados Unidos. Parlamentares democratas enviaram carta ao secretário Marco Rubio alertando que a classificação poderia prejudicar as relações diplomáticas entre Brasil e EUA e abrir espaço para interferências políticas no país sul-americano.

A estratégia de enquadrar cartéis e facções latino-americanas como organizações terroristas vem sendo ampliada pelo governo Trump desde 2025, incluindo grupos ligados ao narcotráfico na Venezuela e na Colômbia.

¨      Celso Amorim critica EUA por classificar PCC e CV como terroristas: "pretexto para intervenção é inaceitável"

A decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas provocou reação do governo brasileiro. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, criticou a medida anunciada nesta quinta-feira (28).

Em nota, segundo o jornal O Globo, o diplomata afirmou que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional, mas rejeitou qualquer possibilidade de interferência externa em assuntos internos do Brasil.

"Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável", declarou.

<><> Departamento de Estado detalha classificação

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, por meio das redes sociais. Segundo comunicado divulgado pelo Departamento de Estado, PCC e CV foram enquadrados como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e passarão a integrar também a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026.

Na "justificativa" da medida, o governo estadunidense classificou as duas facções como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil". O texto afirma ainda que os grupos possuem milhares de integrantes e que "orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros".

De acordo com o comunicado, as atividades das organizações ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países da região, além dos próprios Estados Unidos.

<><> Pressão política e preocupação com soberania

A decisão foi anunciada após a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. Durante a visita, ele se reuniu com o presidente Donald Trump e com o vice-presidente J.D. Vance e com o próprio Marco Rubio. Em março, o jornal The New York Times informou que Flávio e Eduardo Bolsonaro defendiam junto ao governo estadunidense a adoção da classificação para as facções brasileiras.

Nos últimos meses, integrantes do governo brasileiro tentaram evitar a medida. Autoridades do país avaliam que a classificação pode gerar questionamentos relacionados à soberania nacional. O tema foi tratado em conversas entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Rubio.

<><> O que muda com a classificação

A inclusão de PCC e CV nas listas de organizações terroristas dos Estados Unidos permite ao governo estadunidense adotar medidas jurídicas, financeiras e operacionais específicas contra os grupos.

Entre as consequências previstas estão o bloqueio de ativos financeiros, a proibição de transações envolvendo integrantes ou associados, restrições migratórias e a criminalização de qualquer forma de apoio material às organizações em território estadunidense.

A classificação também amplia a utilização de instrumentos de inteligência e de capacidades operacionais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, conforme a aplicação da legislação vigente.

<><> Riscos à soberania brasileira

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a medida pode abrir margem jurídica para sanções e intervenções militares dos EUA em território nacional. Há também preocupação com o potencial uso político do tema por setores bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha tentando evitar que os Estados Unidos adotassem esse enquadramento. Segundo avaliação de integrantes do Palácio do Planalto, a classificação das facções como organizações terroristas poderia abrir espaço para medidas mais rígidas por parte do governo estadunidense.

A Lei Antiterrorismo, sancionada em 2016, estabelece que terrorismo envolve atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, com o objetivo de provocar terror social ou generalizado. A avaliação do governo brasileiro é de que as organizações criminosas brasileiras não possuem motivação ideológica, política ou religiosa, nem atuam para derrubar o sistema institucional.

Nesta linha, as facções criminosas atuam prioritariamente para obter lucro por meio de crimes e esquemas de lavagem de dinheiro. Por essa razão, pela legislação brasileira, facções como PCC e Comando Vermelho são classificadas como organizações criminosas, e não como grupos terroristas.

O PCC e o Comando Vermelho são apontados por autoridades brasileiras e estrangeiras como organizações envolvidas em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes transnacionais.

¨      "Querem abrir espaço para intervenção", alerta Lindbergh após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta quinta-feira (28), o parlamentar afirmou que a medida anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, poderá provocar prejuízos econômicos ao Brasil, além de criar riscos à soberania nacional.

Segundo Lindbergh, "essa classificação do CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA terá consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, os investimentos estrangeiros e é um ataque brutal à nossa soberania". Ao comentar o combate às organizações criminosas, o deputado afirmou que as facções já vêm sendo alvo de ações das autoridades brasileiras.

De acordo com ele, "CV e PCC estão sendo combatidos pelo governo do presidente Lula", citando operações da Polícia Federal e da Receita Federal contra estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

<><> Interferência externa

Lindbergh também direcionou críticas ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), associando a decisão do governo estadunidense à atuação dos dois junto à gestão do presidente estadunidense, Donald Trump. Segundo o deputado, "Eduardo e Flávio Bolsonaro são irresponsáveis e não querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil colônia".

Na avaliação do parlamentar, a medida anunciada por Washington tem potencial para gerar impactos econômicos negativos. "O anúncio feito pelo Marco Rubio de que vai classificar Comando Vermelho e PCC como organização terrorista, o objetivo deles é trazer imensos prejuízos à economia brasileira", afirmou.

A decisão dos Estados Unidos foi anunciada na mesma semana em que Flávio Bolsonaro esteve no país e se reuniu com Trump, com o vice-presidente, J.D. Vance, e com o próprio Rubio. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha tentando evitar a adoção da classificação por considerar que ela poderia trazer consequências para a soberania brasileira.

<><> Impactos econômicos

Ao detalhar suas críticas, Lindbergh argumentou que o enquadramento das facções como organizações terroristas poderá alterar a percepção de investidores estrangeiros sobre o Brasil. Segundo ele, "quando os Estados Unidos dizem que aqui tem organizações que são terroristas, vários fundos de investimento, vários grupos empresariais passam a calcular o risco de investir".

O deputado acrescentou que a medida tende a elevar o risco atribuído ao país. "Você aumenta o risco brasileiro, você diminui o grau de investimento. Você pode ter instituições financeiras atingidas. É um prejuízo gigantesco", declarou.

Lindbergh também rejeitou qualquer possibilidade de atuação militar estrangeira em território nacional. "Nós não aceitamos que o Trump e os Estados Unidos venham entrar com ação armada contra o Brasil", afirmou.

<><> Cooperação internacional

O parlamentar ainda sustentou que a decisão poderá afetar mecanismos de cooperação entre autoridades brasileiras e estadunidenses no combate ao crime organizado. Segundo ele, "o que essa família Bolsonaro está fazendo fragiliza a nossa economia, abre vulnerabilidades na área de segurança nacional e é um retrocesso também na cooperação contra organizações criminosas".

O governo brasileiro tem defendido que PCC e Comando Vermelho não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação nacional. Autoridades da área de segurança argumentam que as facções têm finalidade econômica e não atuam com motivações ideológicas, políticas ou religiosas, requisitos previstos na Lei Antiterrorismo para caracterização desse tipo de crime.

 

Fonte: Brasil 247

 

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