quinta-feira, 28 de maio de 2026

Como a Grande Pirâmide de Gizé resiste a terremotos

Erguida há cerca de 4,6 mil anos, a Grande Pirâmide de Gizé (também conhecida como Pirâmide de Quéops), no Egito, resistiu a terremotos sem grandes danos durante todo esse tempo. Saiu ilesa de tremores como os de 1847, com magnitude de 6,8 pontos, e de 1992, de 5,8 pontos.

Um novo estudo, conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica (NRIAG), do Egito e publicado na revista Scientific Reports, analisou essa façanha. 

<><> Saber acumulado ao longo de gerações

O estudo demonstra que "os antigos construtores egípcios possuíam conhecimentos práticos e empíricos excepcionais, acumulados ao longo de gerações", afirma o primeiro autor do artigo, Mohamed ElGabry, à agência de notícias EFE.

A Pirâmide de Gizé, segundo ele, é testemunho da excelência técnica dos antigos construtores egípcios, capazes de erguer monumentos com estabilidade estrutural notável. Suas técnicas foram desenvolvidas por tentativa e erro, sem as teorias modernas da sismologia e da mecânica dos solos.

Não há provas diretas de que a pirâmide tenha sido projetada especificamente para resistir a terremotos. O objetivo, explica ElGabry, era construir o monumento "mais estável e durável possível".

O pesquisador considera provável que muitas das características que contribuem para o bom comportamento da pirâmide durante os terremotos tenham sido escolhidas principalmente por motivos de estabilidade estática e durabilidade.

"Seu excelente comportamento sísmico parece ser um efeito colateral muito positivo da extraordinária intuição engenheira [dos construtores]", indica ElGabry.

<><> Como a pirâmide vibra durante um sismo

Os pesquisadores registraram as vibrações ambientais geradas pela atividade humana ou por mudanças climáticas em 37 pontos ao redor da pirâmide, incluindo suas câmaras internas, blocos de construção e solo adjacente.

Os resultados indicam que a estrutura tem uma frequência natural de vibração. Ou seja, a maior parte da grande pirâmide vibra com uma frequência natural muito semelhante, entre 2 e 2,6 hertz.

Isso indica que "todo o monumento se comporta como uma estrutura altamente coerente e bem integrada, em vez de um conjunto de partes conectadas de forma frouxa". Essa homogeneidade reduz as tensões internas durante os tremores, explica.

Outra característica importante que a protege dos terremotos é o fato de a frequência da pirâmide ser bastante diferente da do solo ao redor, o que ajuda a evitar a ressonância — uma amplificação perigosa que ocorre quando uma estrutura "vibra em uníssono" com o solo.

<><> Geometria, fundações e projeto interno: as chaves da resistência sísmica

Entre as características que lhe conferem essa resistência, o cientista destacou a base extremamente larga e o baixo centro de gravidade. A isso soma-se uma geometria altamente simétrica, a redução gradual da massa em direção ao topo e a construção sobre um leito de rocha calcária sólida.

Além disso, o sofisticado projeto interno, em especial das câmaras de alívio localizadas sobre a Câmara do Rei, desempenha um papel fundamental.

As medições revelaram que a amplificação das vibrações diminui no interior dessas câmaras, apesar de estarem em maior altura, o que sugere que elas têm um papel importante na dissipação da energia sísmica e na proteção da Câmara do Rei.

Além disso, a base sobre a qual a pirâmide foi construída — um planalto de pedra calcária sólida e resistente — influencia de forma "muito significativa" a mitigação dos riscos de um terremoto.

Uma fundação sólida é um dos fatores mais importantes para a resistência sísmica, pois minimiza a amplificação do solo e os assentamentos diferenciais.

Nesse caso, os dados confirmaram que a fundação apresenta um baixo índice de vulnerabilidade sísmica, declarou o pesquisador.

Mais de quatro mil milênios após sua construção, a Pirâmide de Quéops permanece em "muito bom estado estrutural", observa ElGabry. E o estudo confirma que "seu projeto original continua oferecendo proteção eficaz contra as forças sísmicas".

Desde que não haja danos internos graves nem mudanças significativas nas fundações, conclui, a pirâmide deve continuar resistindo bem a possíveis terremotos futuros.

•        Tumba sob cenário de “Indiana Jones” encontrada em Petra

Após receber uma rara autorização para realizar uma escavação sob o icônico Tesouro de Petra, na Jordânia, uma equipe de pesquisadores jordanianos e americanos desenterrou um túmulo escondido debaixo do monumento contendo doze esqueletos humanos completos e uma coleção de oferendas funerárias de bronze, cerâmica e ferro.

A descoberta poderá lançar uma nova luz sobre a misteriosa civilização nabateia e esclarecer dúvidas de longa data sobre essa cultura.

Cercada por montanhas e famosa por suas impressionantes estruturas esculpidas em pedra rosa, a cidade de Petra, escavada na rocha pelos nabateus há mais de 2 mil anos, ganhou notoriedade global quando o Tesouro, também conhecido como Al Khazneh, apareceu no filme Indiana Jones e a última cruzada, de 1989. Contudo, a recente descoberta sugere que ainda há muito se a conhecer sob as antigas fundações.

<><> Radar de penetração terrestre

Richard Bates, geofísico da Universidade de Saint Andrews, usou um radar de penetração terrestre para detectar a presença de cavidades abaixo da estrutura. O equipamento permitiu a obtenção de “dados surpreendentes” que levaram à descoberta.

“As pessoas pensam que conhecem Petra; reconhecem o Tesouro”, afirmou o diretor executivo do Centro Americano de Pesquisa (Acor) Pearce Paul Creasman, um dos líderes da escavação, ao jornal americano The New York Times. “Mas há muito mais debaixo de nossos pés”, acrescentou.

Além dos doze esqueletos intactos, a tumba – que os pesquisadores dizem que pode ser anterior à construção do próprio Tesouro de Petra – contém também um tesouro de objetos de bronze, cerâmica e ferro. Entre as descobertas mais notáveis está uma rede de muros que dividia a câmara, uma característica estrutural nunca antes vista na cidade antiga.

<><> Uma “coincidência” curiosa

A descoberta também atraiu a atenção do apresentador de televisão Josh Gates, do programa “Expedition Unknown”, e sua equipe, que documentou parte da escavação. “A revelação desta câmara oculta nos surpreendeu por completo” disse Gates. “Levando em conta que quase todas as tumbas de Petra foram encontradas vazias, esta é talvez a mais importante já encontrada e uma descoberta de proporções históricas.”

Em uma surpreendente coincidência, um dos esqueletos apareceu segurando um recipiente de cerâmica que, à primeira vista, parecia familiar.

“Quando vimos o que parecia ser um cálice, ficamos paralisados”, explicou Gates. “Era quase idêntico ao Santo Graal que aparece em Indiana Jones e a última cruzada, localizado no antigo edifício logo acima da tumba.” Um exame mais atento, porém, revelou que se tratava da tampa de uma jarra quebrada, provavelmente do século 1 a.C.

<><> Petra, capital do reino nabateu

Construída por volta do século 4 a.C., Petra era a capital do reino nabateu, um povo nômade que acumulava riquezas através do comércio de incenso e especiarias. Apesar de sua grandeza e de seu status como uma das sete novas maravilhas do mundo, e de a cidade ser património mundial da Unesco desde 1985, pouco se sabe sobre os nabateus.

“Ainda temos muito o que descobrir sobre o Tesouro, sobre quando e por que foi construída esta extraordinária estrutura”, refletiu Creasman. “Com o apoio do governo jordaniano, esta escavação nos aproximará mais do que nunca das respostas”, acrescentou.

Bates destacou que existem outras cavidades detectadas pelo radar que ainda não foram exploradas, o que sugere que poderá haver novas descobertas esperando abaixo da superfície de Petra. Enquanto isso, os pesquisadores continuam analisando os restos encontrados, na esperança de desvendar os mistérios da cidade esculpida em pedra rosa.

 

Fonte: DW Brasil 

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