Erguida
há cerca de 4,6 mil anos, a Grande Pirâmide de Gizé (também conhecida como
Pirâmide de Quéops), no Egito, resistiu a terremotos sem grandes danos durante
todo esse tempo. Saiu ilesa de tremores como os de 1847, com magnitude de 6,8
pontos, e de 1992, de 5,8 pontos.
Um novo
estudo, conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica
(NRIAG), do Egito e publicado na revista Scientific Reports, analisou essa
façanha.
<><>
Saber acumulado ao longo de gerações
O
estudo demonstra que "os antigos construtores egípcios possuíam
conhecimentos práticos e empíricos excepcionais, acumulados ao longo de
gerações", afirma o primeiro autor do artigo, Mohamed ElGabry, à agência
de notícias EFE.
A
Pirâmide de Gizé, segundo ele, é testemunho da excelência técnica dos antigos
construtores egípcios, capazes de erguer monumentos com estabilidade estrutural
notável. Suas técnicas foram desenvolvidas por tentativa e erro, sem as teorias
modernas da sismologia e da mecânica dos solos.
Não há
provas diretas de que a pirâmide tenha sido projetada especificamente para
resistir a terremotos. O objetivo, explica ElGabry, era construir o monumento
"mais estável e durável possível".
O
pesquisador considera provável que muitas das características que contribuem
para o bom comportamento da pirâmide durante os terremotos tenham sido
escolhidas principalmente por motivos de estabilidade estática e durabilidade.
"Seu
excelente comportamento sísmico parece ser um efeito colateral muito positivo
da extraordinária intuição engenheira [dos construtores]", indica ElGabry.
<><>
Como a pirâmide vibra durante um sismo
Os
pesquisadores registraram as vibrações ambientais geradas pela atividade humana
ou por mudanças climáticas em 37 pontos ao redor da pirâmide, incluindo suas
câmaras internas, blocos de construção e solo adjacente.
Os
resultados indicam que a estrutura tem uma frequência natural de vibração. Ou
seja, a maior parte da grande pirâmide vibra com uma frequência natural muito
semelhante, entre 2 e 2,6 hertz.
Isso
indica que "todo o monumento se comporta como uma estrutura altamente
coerente e bem integrada, em vez de um conjunto de partes conectadas de forma
frouxa". Essa homogeneidade reduz as tensões internas durante os tremores,
explica.
Outra
característica importante que a protege dos terremotos é o fato de a frequência
da pirâmide ser bastante diferente da do solo ao redor, o que ajuda a evitar a
ressonância — uma amplificação perigosa que ocorre quando uma estrutura
"vibra em uníssono" com o solo.
<><>
Geometria, fundações e projeto interno: as chaves da resistência sísmica
Entre
as características que lhe conferem essa resistência, o cientista destacou a
base extremamente larga e o baixo centro de gravidade. A isso soma-se uma
geometria altamente simétrica, a redução gradual da massa em direção ao topo e
a construção sobre um leito de rocha calcária sólida.
Além
disso, o sofisticado projeto interno, em especial das câmaras de alívio
localizadas sobre a Câmara do Rei, desempenha um papel fundamental.
As
medições revelaram que a amplificação das vibrações diminui no interior dessas
câmaras, apesar de estarem em maior altura, o que sugere que elas têm um papel
importante na dissipação da energia sísmica e na proteção da Câmara do Rei.
Além
disso, a base sobre a qual a pirâmide foi construída — um planalto de pedra
calcária sólida e resistente — influencia de forma "muito
significativa" a mitigação dos riscos de um terremoto.
Uma
fundação sólida é um dos fatores mais importantes para a resistência sísmica,
pois minimiza a amplificação do solo e os assentamentos diferenciais.
Nesse
caso, os dados confirmaram que a fundação apresenta um baixo índice de
vulnerabilidade sísmica, declarou o pesquisador.
Mais de
quatro mil milênios após sua construção, a Pirâmide de Quéops permanece em
"muito bom estado estrutural", observa ElGabry. E o estudo confirma
que "seu projeto original continua oferecendo proteção eficaz contra as
forças sísmicas".
Desde
que não haja danos internos graves nem mudanças significativas nas fundações,
conclui, a pirâmide deve continuar resistindo bem a possíveis terremotos
futuros.
• Tumba sob cenário de “Indiana Jones”
encontrada em Petra
Após
receber uma rara autorização para realizar uma escavação sob o icônico Tesouro
de Petra, na Jordânia, uma equipe de pesquisadores jordanianos e americanos
desenterrou um túmulo escondido debaixo do monumento contendo doze esqueletos
humanos completos e uma coleção de oferendas funerárias de bronze, cerâmica e
ferro.
A
descoberta poderá lançar uma nova luz sobre a misteriosa civilização nabateia e
esclarecer dúvidas de longa data sobre essa cultura.
Cercada
por montanhas e famosa por suas impressionantes estruturas esculpidas em pedra
rosa, a cidade de Petra, escavada na rocha pelos nabateus há mais de 2 mil
anos, ganhou notoriedade global quando o Tesouro, também conhecido como Al
Khazneh, apareceu no filme Indiana Jones e a última cruzada, de 1989. Contudo,
a recente descoberta sugere que ainda há muito se a conhecer sob as antigas
fundações.
<><>
Radar de penetração terrestre
Richard
Bates, geofísico da Universidade de Saint Andrews, usou um radar de penetração
terrestre para detectar a presença de cavidades abaixo da estrutura. O
equipamento permitiu a obtenção de “dados surpreendentes” que levaram à
descoberta.
“As
pessoas pensam que conhecem Petra; reconhecem o Tesouro”, afirmou o diretor
executivo do Centro Americano de Pesquisa (Acor) Pearce Paul Creasman, um dos
líderes da escavação, ao jornal americano The New York Times. “Mas há muito
mais debaixo de nossos pés”, acrescentou.
Além
dos doze esqueletos intactos, a tumba – que os pesquisadores dizem que pode ser
anterior à construção do próprio Tesouro de Petra – contém também um tesouro de
objetos de bronze, cerâmica e ferro. Entre as descobertas mais notáveis está
uma rede de muros que dividia a câmara, uma característica estrutural nunca
antes vista na cidade antiga.
<><>
Uma “coincidência” curiosa
A
descoberta também atraiu a atenção do apresentador de televisão Josh Gates, do
programa “Expedition Unknown”, e sua equipe, que documentou parte da escavação.
“A revelação desta câmara oculta nos surpreendeu por completo” disse Gates.
“Levando em conta que quase todas as tumbas de Petra foram encontradas vazias,
esta é talvez a mais importante já encontrada e uma descoberta de proporções
históricas.”
Em uma
surpreendente coincidência, um dos esqueletos apareceu segurando um recipiente
de cerâmica que, à primeira vista, parecia familiar.
“Quando
vimos o que parecia ser um cálice, ficamos paralisados”, explicou Gates. “Era
quase idêntico ao Santo Graal que aparece em Indiana Jones e a última cruzada,
localizado no antigo edifício logo acima da tumba.” Um exame mais atento,
porém, revelou que se tratava da tampa de uma jarra quebrada, provavelmente do
século 1 a.C.
<><>
Petra, capital do reino nabateu
Construída
por volta do século 4 a.C., Petra era a capital do reino nabateu, um povo
nômade que acumulava riquezas através do comércio de incenso e especiarias.
Apesar de sua grandeza e de seu status como uma das sete novas maravilhas do
mundo, e de a cidade ser património mundial da Unesco desde 1985, pouco se sabe
sobre os nabateus.
“Ainda
temos muito o que descobrir sobre o Tesouro, sobre quando e por que foi
construída esta extraordinária estrutura”, refletiu Creasman. “Com o apoio do
governo jordaniano, esta escavação nos aproximará mais do que nunca das
respostas”, acrescentou.
Bates
destacou que existem outras cavidades detectadas pelo radar que ainda não foram
exploradas, o que sugere que poderá haver novas descobertas esperando abaixo da
superfície de Petra. Enquanto isso, os pesquisadores continuam analisando os
restos encontrados, na esperança de desvendar os mistérios da cidade esculpida
em pedra rosa.
Fonte: DW Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário