O
que é o Pentecostes?
Na
Alemanha, a primavera (de 20 de março a 20 de junho) é marcada por feriados
cujas origens remontam à tradição cristã: a Sexta-feira Santa e a Páscoa, que
celebram a crucificação e a ressurreição de Cristo; a Ascensão, que comemora a
subida de Cristo aos céus; e o Pentecostes, considerado o aniversário da igreja
cristã.
Também
conhecido como Whitsun em algumas tradições religiosas, ele marca o momento em
que se acredita que o Espírito Santo tenha descido sobre os apóstolos, Maria e
outros seguidores de Cristo, 50 dias após a Páscoa – daí o nome, que vem de uma
palavra do grego helenístico que significa "quinquagésimo". A data
cai sempre em um domingo, mas a segunda-feira seguinte costuma ser feriado em
vários países europeus, como na Alemanha (Pfingstmontag).
Hoje o
feriado é importante para os cristãos, mas suas raízes estão no judaísmo. Os
seguidores de Cristo haviam se reunido em Jerusalém para celebrar a Festa das
Semanas (Shavuot em hebraico), um festival da colheita realizado sete semanas e
um dia após o primeiro dia da Páscoa judaica, também celebrado como o dia em
que os Dez Mandamentos foram revelados a Moisés.
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Milagre da compreensão
"Os
discípulos estavam um pouco perdidos após a morte e a ressurreição de Jesus e,
depois, após a Ascensão. Eles não sabiam o que fazer. Tinham vivido momentos
tão bons com Jesus, que já não estava mais ao alcance deles, e haviam se
recolhido em uma casa em Jerusalém. E então o Espírito Santo desceu sobre eles,
esse poder de Deus que (…) simplesmente veio sobre eles e eles sentiram uma
espécie de vitalidade, uma espécie de força que haviam perdido", explica a
reverenda Aljona Hofmann, pastora da Igreja Protestante Getsêmani, em Berlim.
Essa
força os inspirou a falar com outras pessoas sobre o que haviam vivenciado.
"Foi, na verdade, um milagre de compreensão", diz Hofmann. "Cada
um falava sua própria língua e, ainda assim, eles conseguiam se entender."
Segundo
o relato bíblico, os discípulos que testemunharam o evento milagroso foram às
ruas e começaram a atrair uma grande multidão. Eles inspiraram cerca de 3 mil
pessoas a também se tornarem seguidores batizados de Cristo – os primeiros
passos rumo a uma igreja organizada.
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Tornar o abstrato tangível
Como
origem da Igreja, o Pentecostes é celebrado em todas as tradições cristãs,
tanto orientais quanto ocidentais. Em mais de 30 países é um feriado, que os
não religiosos simplesmente aproveitam como um dia de folga.
A cor
associada ao Pentecostes é o vermelho, considerada símbolo da alegria e do fogo
do Espírito Santo.
Na
Itália, isso ganha uma dimensão a mais e é associado às rosas, cujas pétalas
são frequentemente jogadas do teto das igrejas católicas. Elas representam as
línguas de fogo que tocaram Maria e os apóstolos durante o Pentecostes.
Um dos
exemplos mais impressionantes dessa prática acontece no Panteão, em Roma, onde
os bombeiros deixam cair milhares de pétalas de rosas pelo óculo do edifício ao
final da missa de Pentecostes.
Algumas
igrejas barrocas na Áustria, no sul da Alemanha e na França também possuem
aberturas no teto, embora muito menores que o óculo do Panteão, chamadas de
"buracos do Espírito Santo", que simbolizam a descida do Espírito
Santo. Além das pétalas de rosas, algumas igrejas descem uma figura de pomba
por essa abertura durante as celebrações de Pentecostes, pois a pomba é o
principal símbolo do Espírito Santo na tradição cristã.
Essas
são tentativas de tornar os conceitos abstratos do Pentecostes mais fáceis de
compreender. Esse caráter abstrato pode ser uma das razões pelas quais ele é
menos conhecido do que outros feriados cristãos.
"É
uma festa em que você não tem nada concreto. Como descrever um espírito? O
Natal é muito figurativo: nasce uma criança. Isso é familiar, já vivemos isso
em nossas famílias. A ressurreição é mais difícil, mas o ovo nos ajuda um
pouco, como símbolo de nova vida. Mas um espírito, como explicar isso?",
observa Hofmann.
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Presentes pequenos, mas significativos
Além
disso, o Pentecostes não está ligado a tradições seculares que favoreçam a
comercialização. "Existe um ditado curioso de que os presentes são os
menores no Pentecostes", observa Hofmann. Não há coelho da Páscoa nem
Papai Noel, apenas o "dom do Espírito Santo".
A
igreja de Hofmann celebra o feriado há anos com uma comemoração ecumênica da
qual participam várias confissões cristãs. O evento inclui um culto seguido de
café com bolo e salsichas grelhadas, num estilo tipicamente alemão.
Para
ela, a celebração representa o "milagre da compreensão" do
Pentecostes. "Eu não preciso me tornar como você. Não preciso falar sua
língua para que possamos nos entender, eu posso permanecer fiel ao que me é
mais importante, onde me sinto confortável, onde estou em casa. E, ainda assim,
podemos nos reunir. Acho que também é um milagre que as pessoas se aproximem e
se compreendam, apesar de todas as suas diferenças."
Fonte:
DW Brasil

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