Daniel
Barreiros: Como os drones transformam a guerra tradicional
Os
primórdios da dronificação da guerra – leia-se do final dos anos 1990 à
primeira década do século XXI – foram marcados por doutrinas centradas em
sistemas de alto custo, reservados para operações de contrainsurgência e
reconhecimento especializado. Era o tempo de ativos como o icônico General
Atomics MQ-1 Predator, e o ainda em operação MQ-9 Reaper,
com expectativa de ser retirado de serviço ao longo da década de 2030. No
entanto, a guerra da Rússia contra a Ucrânia, bem como a movida por Estados
Unidos e Israel contra o Irã, vêm produzindo uma acelerada mudança neste
cenário, deixando para trás a indispensabilidade de ativos não tripulados de
altíssimo custo, e adentrando rápido o campo da massificação, do
emprego em grande volume de sistemas autônomos de baixo custo.
A
convergência entre economias de escala favoráveis e a “democratização”
tecnológica vem permitindo que nesse campo tanto atores estatais quanto não
estatais exerçam poder de ataque operacionalmente decisivo, sem os enormes
investimentos de capital historicamente associados à superioridade aérea
convencional. Está em curso, então, uma evidente inversão da 16ª Lei de
Augustine, segundo a qual o custo unitário de aeronaves militares cresce de
forma exponencial a cada geração1.
Nos
cenários da Ucrânia e do Irã, vemos essa mudança se articular por meio de um
espectro amplo de capacidades, com particular destaque para plataformas
“atritáveis” (unidades descartáveis e de uso massivo). Em uma guerra
prolongada, enquanto a perda de um ativo de vigilância sofisticado representa
um revés estratégico, o emprego de ativos de baixo custo permite a saturação do
teatro de operações, sobrecarregando as defesas pela quantidade. Sistemas
antiaéreos de elevadíssimo custo como o THAAD e o PAC-3 Patriot (US$
12 milhões e US$ 4 milhões de dólares por míssil disparado,
respectivamente) podem ser sobrepujados por centenas de drones, orçados na casa
dos 20 a 50 mil dólares a unidade. Isso produz uma radical assimetria que
coloca forças armadas responsáveis pela defesa de seus territórios do lado
errado da curva de custos.
E se há
uma referência dessa inversão paradigmática no poder aéreo, ela é representada
pelo Shahed-136 iraniano. Apelidado, não sem razão, de “Kalashnikov dos
drones”, ele oferece à Guarda Revolucionária Islâmica uma capacidade de
projeção de força de longo alcance, com raio operacional de até 2.500
quilômetros e carga útil de aproximadamente 50 quilogramas, compensando em
alguma medida a carência de uma força aérea moderna. Com suporte das forças
armadas russas, através de imagens de satélite em tempo real, sistemas de
navegação resistentes a spoofing e jamming (interferências),
e orientação tática sobre dimensionamento e posicionamento de enxames de
drones, o Irã vem sendo muito bem-sucedido em aprofundar esse ecossistema
ofensivo, consolidando a noção de precise mass como
característica permanente do conflito do século XXI.
Em
resposta, os Estados Unidos internalizaram as lições do teatro ucraniano e
desenvolveram o Low-Cost Uncrewed Combat Attack System (LUCAS), produzido em
apenas dezoito meses. O desenvolvimento do LUCAS tornou-se um incrível caso de
inversão de papéis, no qual coube à potência líder em tecnologias militares –
os Estados Unidos – aplicar engenharia reversa ao modelo iraniano, de modo a
copiá-lo e produzir uma versão baseada nele, em larga escala.
Diante
de ondas recordes de drones ofensivos que ameaçam esgotar seus estoques de
mísseis Patriot e NASAMS, as Forças de Defesa
Ucranianas, com suporte da OTAN, vêm, por sua vez, protagonizando uma revolução
no domínio da interceptação, desenvolvendo o conceito de saturação do espaço
por meio de “muros de drones” (drone wall), compostos por plataformas
especializadas como o quadrirrotor Sting e o VB140 Flamingo. Tratam-se de
aparelhos de custo baixíssimo (cerca de US$ 3 mil por unidade), capazes de
negar espaço aéreo a drones atacantes (como o Shahed), virando mais uma vez a
mesa em favor da defesa.
Mas, se
a dronificação em sua etapa atual barateia e “democratiza” o acesso a ativos de
alta letalidade, na outra ponta, o emprego de modelos de linguagem em operações
de C5ISR (comando, controle, comunicações, computadores, ciberdefesa,
inteligência, vigilância e reconhecimento) reforça a dimensão excludente e
hierárquica do poder militar das grandes potências. A Operação Epic Fury contra
o Irã vem representando uma prova de fogo para a integração de grandes modelos
de linguagem (LLMs) na cadeia de tomada de decisão militar, tendo como
protagonistas o Maven Smart System (Palantir Technologies) e
o Claude (da Anthropic, substituído recentemente
pelo ChatGPT da OpenAI, após controvérsia envolvendo o posicionamento da
empresa quanto ao uso do LLM na ação militar contra solo iraniano). Esses
modelos sintetizaram dados de satélites, SIGINT (inteligência de sinais),
drones e sensores terrestres, permitindo que as forças dos EUA atingissem cerca
de mil alvos no Irã nas primeiras 24 horas, um ritmo quase duas vezes superior
ao do primeiro dia da invasão do Iraque, em 2003.
Essa
aceleração vem produzindo o fenômeno da compressão de decisão, no
qual a supervisão humana se torna um ato de “carimbar” as decisões tomadas
pelos sistemas de IA, trocando a qualidade da decisão pela velocidade de
resposta. Análises preliminares indicam que a morte de 160 civis no bombardeio
da escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, foi resultado da classificação
do edifício como alvo legítimo, baseada em informações obsoletas:
sua conversão em escola uma década antes do ataque foi ignorada pelo modelo de
linguagem. Nada sugere que mais mortes de civis serão evitadas, já que o
emprego da inteligência artificial visa justamente reduzir o custo cognitivo da
tomada de decisão por agentes humanos, e acelerá-la.
Assim,
a guerra na terceira década do século XXI apresenta duas faces radicalmente
assimétricas. De um lado, a dronificação massiva e de baixo custo nivela
parcialmente o campo de batalha, permitindo que atores estatais periféricos e
mesmo grupos não estatais desafiem potências convencionais com enxames de
sistemas descartáveis; de outro, a integração de grandes modelos de linguagem
em arquiteturas de C5ISR, que aprofunda um fosso tecnológico que apenas um
punhado de potências tem condições de cruzar, dado o volume de capital,
infraestrutura de dados e expertise institucional exigidos.
¨
Irã cria novo sistema antiaéreo eficaz e barato para
abater drones caros dos EUA, diz mídia
O Irã
empregou um novo sistema de defesa antiaérea para neutralizar um drone MQ-9
Reaper dos Estados Unidos próximo ao estreito de Ormuz, informa a agência de
notícias Al Jazeera.
A
agência destaca que isso demonstra
que, apesar dos ataques a suas instalações militares nos últimos meses,
Teerã ainda tem capacidade de repelir ataques dos EUA e de Israel.
"O
drone foi derrubado perto da ilha Qeshm, no estreito de Ormuz. A interceptação
marcou o primeiro uso em combate de um sistema desenvolvido localmente
chamado Arash-e Kamangir", ressalta a publicação.
Segundo
a matéria, o sistema, descrito como tendo capacidades de detecção furtiva, foi
apresentado como uma mensagem decisiva durante negociações sensíveis de
cessar-fogo.
Analistas
observam que o acontecimento se encaixa em um padrão iraniano de investimento
em soluções móveis de defesa antiaérea de baixo custo,
destinadas a ameaçar drones lentos. O sistema pode utilizar orientação
eletro-óptica ou de busca de calor, além de ser rapidamente movido ou
substituído.
Essas
capacidades da defesa antiaérea iraniana tornam os drones norte-americanos
particularmente vulneráveis, exigindo menos recursos fixos de radar. Ao mesmo
tempo, o sistema pode forçar os oponentes a usar as armas mais caras, conclui a
reportagem.
Anteriormente,
uma mídia ocidental relatou que emmeio à
operação militar contra o Irã, os Estados Unidos perderam um quinto de seu
estoque pré-guerra de drones de ataque MQ-9 Reaper, avaliados em cerca de
US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões).
Segundo
a reportagem, a Força Aérea norte-americana perdeu, durante a operação
militar contra o Irã, um total de 42 aeronaves, incluindo caças F-15E e F-35A,
além de drones MQ-9 Reaper e MQ-4C Triton. Ao todo, 24 drones MQ-9 Reaper foram
destruídos.
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Rostec apresenta 'escudo digital' que monitora e
identifica diversos riscos à segurança
A
corporação estatal russa Rostec desenvolveu um escudo digital contra uma ampla
gama de ameaças, chamado Slava Rossii, informa o serviço de imprensa da
empresa.
A
Rostec destaca que o sistema
permite monitorar e analisar situações, identificar ameaças naturais,
tecnológicas, biológico-sociais, ambientais, de transporte, de conflitos e
informacionais, além de avaliar o grau de perigo.
"Dessa
forma, o Slava Rossii auxilia na previsão e antecipação de situações de crise nos níveis
municipal, regional e de instalação. O sistema recebe informações de
diversas fontes, incluindo sistemas especializados de segurança, serviços
operacionais e sistemas de monitoramento municipal. Ao combinar os dados, ele
os vincula a um mapa interativo da região", detalha o comunicado.
Segundo
a estatal, o complexo pode trabalhar com um grande número de objetos
de dados simultaneamente. O Slava Rossii é baseado em um sistema desenvolvido
com produtos de software instalados em
qualquer equipamento russo padrão.
Dessa
forma, o sistema pode operar em modo tolerante a falhas sem necessidade de
manutenção adicional. O Slava Rossii está sendo apresentado pela primeira vez
no Fórum Internacional de Segurança, que ocorre na região de Moscou entre 26 e
29 de maio, observa a Rostec.
Anteriormente,
a Rostec informou que desenvolveu a
máquina manipuladora Lebed, baseada no chassi do caminhão russo KAMAZ e
projetada para instalar e remover bombas submersas em empresas de extração
de urânio.
Segundo
a publicação, a Lebed permite retirar equipamentos dos poços, realizar sua
substituição ou reparo e, em seguida, devolvê-los à zona de operação. A
nova versão do complexo facilita esses processos tecnológicos, por exemplo, nas
regiões do extremo norte da Rússia.
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Falta de mísseis antiaéreos é razão de danos
significativos na Ucrânia, opina professor
A
escassez de mísseis para sistemas de defesa antiaérea se tornou um grande
problema para a segurança da Ucrânia, disse o professor da Universidade de
Colônia, Thomas Jager, a um canal de TV alemão.
Em entrevista ao canal, o professor afirmou
que está cada vez mais difícil para a Ucrânia usar com eficiência os
meios de defesa antiaérea existentes contra os drones de ataque e mísseis de
cruzeiro.
"As
capacidades de defesa antiaérea que ainda existem estão diminuindo, e este
é o maior problema para a Ucrânia, pois seus sistemas de defesa aérea estão
esgotados", ressaltou Jager.
Ele
acrescentou que o esgotamento desses
meios se
tornou a principal razão para o número significativo de destruições
de instalações no país.
Além
disso, o professor destacou que os ataques de retaliação da Rússia contra as
instalações ligadas à liderança militar
ucraniana são
um "sinal claro" da Rússia tanto para a Ucrânia quanto para os países
europeus que apoiam Kiev.
Segundo
o especialista, Kiev está sofrendo pesadas perdas devido à falta de
oportunidade de fazer algo sobre os ataques russos. A Ucrânia deve entender que
Moscou pode usar ainda mais poder, se for necessário.
Vale
lembrar que, em resposta ao ataque terrorista da
Ucrânia ao
prédio estudantil e dormitório do colégio em Starobelsk, o Exército russo retaliou atingindo alvos
associados à liderança militar da Ucrânia, usando mísseis Oreshnik,
Kinzhal, Iskander e Tsirkon.
<><>
Ucrânia não tem recursos suficientes para conter ataques das Forças Armadas
russas, diz mídia
A
Ucrânia não tem recursos suficientes para conter os ataques retaliatórios das
Forças Armadas russas contra instalações em Kiev, disse Ibrahim Naber,
correspondente do canal de TV Welt na capital ucraniana.
Segundo o jornalista, as autoridades em
Kiev têm poucos meios para se proteger dos ataques de retaliação da
Rússia.
"E
o problema é, na verdade, a falta de mísseis defensivos, especialmente
mísseis defensivos Patriot, por causa dos ataques russos", ressaltou
o jornalista alemão.
Na
avaliação dele, tendo em conta os pequenos estoques de mísseis
antiaéreos que Kiev tem agora à disposição, as capacidades militares da
Rússia e da Ucrânia, nesse caso, são incomparáveis.
"A
Ucrânia, com seus atuais estoques de munição, especialmente desses mísseis antiaéreos
Patriot,
quase não tem chance. Assim, eles [os ucranianos] podem se defender de parte
disso, mas para o resto eles simplesmente não têm mais munição",
afirmou Naber.
Ele
explicou que a escassez de armas ocidentais, em particular, mísseis Patriot, na
Ucrânia, é causada pela guerra de Israel e Estados Unidos contra o
Irã no Oriente Médio.
Por
causa da guerra, enormes estoques de munições Patriot foram esgotados na
região do golfo Pérsico, acrescentou o jornalista.
"As
entregas atualmente são difíceis por causa disso. A produção não consegue
acompanhar a demanda global por causa de muitas guerras, e a Ucrânia está
naturalmente sentindo os efeitos", concluiu o correspondente.
Vale
lembrar que, em resposta ao ataque terrorista da
Ucrânia ao
prédio estudantil e dormitório do colégio em Starobelsk, o Exército russo retaliou atingindo alvos
associados à liderança militar da Ucrânia, usando mísseis Oreshnik,
Kinzhal, Iskander e Tsirkon.
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Rússia e Belarus continuam trabalhando em projeto do caça
de 5ª geração Su-75
Rússia
e Belarus continuam desenvolvendo conjuntamente o projeto do caça de 5ª geração
Su-75 Checkmate, informou à Sputnik o Serviço Federal para a Cooperação
Técnico-Militar (FSVTS, na sigla em russo).
"Atualmente,
estão em andamento trabalhos com parceiros belarussos em diversos
projetos voltados ao desenvolvimento e à fabricação de diferentes aeronaves,
incluindo o Su-75", informou o FSVTS durante o Fórum Internacional
de Segurança.
Diante
do sucesso dos equipamentos militares russos e avanços tecnológicos no setor, o
piloto da Força Aeroespacial do país revelou mais cedo que os caças
multifuncionais Su-35S destroem drones quando eles ainda estão a grandes
distâncias, realizam ataques precisos e detectam posições inimigas a grande
distância da linha de contato.
A
Corporação Aeronáutica Unida (OAK, na sigla em russo), que faz parte da
Rostec, entregou à Força Aeroespacial da Rússia um lote de novos aviões Su-35S de geração 4++.
As aeronaves passaram pelo ciclo completo de testes de fábrica, foram testadas
em vários modos de operação por pilotos do Ministério da Defesa e voaram para o
aeródromo de origem.
"Realizamos
várias tarefas nesta aeronave: interceptação de alvos aéreos a grandes
distâncias, cobertura de grupos de ataque e de objetos terrestres, destruição
de veículos aéreos não
tripulados, bem
como lançamento de ataques precisos contra alvos terrestres e de superfície com
armas de alta precisão.", informou o piloto,
conforme o serviço de imprensa da Rostec.
O
Su-35S é um caça russo de geração 4++ projetado para eliminar alvos
aéreos e
terrestres, atacar instalações de infraestrutura protegidas por defesa
antiaérea e localizadas a distâncias significativas de suas bases, bem como
para realizar reconhecimento aéreo.
Esses
caças são usados, em particular, na zona da operação
militar especial na Ucrânia e abatem regularmente aeronaves ucranianas.
Fonte:
Outras Palavras/Sputnik Brasil

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