sábado, 30 de maio de 2026

Daniel Barreiros: Como os drones transformam a guerra tradicional

Os primórdios da dronificação da guerra – leia-se do final dos anos 1990 à primeira década do século XXI – foram marcados por doutrinas centradas em sistemas de alto custo, reservados para operações de contrainsurgência e reconhecimento especializado. Era o tempo de ativos como o icônico General Atomics MQ-1 Predator, e o ainda em operação MQ-9 Reaper, com expectativa de ser retirado de serviço ao longo da década de 2030. No entanto, a guerra da Rússia contra a Ucrânia, bem como a movida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, vêm produzindo uma acelerada mudança neste cenário, deixando para trás a indispensabilidade de ativos não tripulados de altíssimo custo, e adentrando rápido o campo da massificação, do emprego em grande volume de sistemas autônomos de baixo custo.

A convergência entre economias de escala favoráveis e a “democratização” tecnológica vem permitindo que nesse campo tanto atores estatais quanto não estatais exerçam poder de ataque operacionalmente decisivo, sem os enormes investimentos de capital historicamente associados à superioridade aérea convencional. Está em curso, então, uma evidente inversão da 16ª Lei de Augustine, segundo a qual o custo unitário de aeronaves militares cresce de forma exponencial a cada geração1.

Nos cenários da Ucrânia e do Irã, vemos essa mudança se articular por meio de um espectro amplo de capacidades, com particular destaque para plataformas “atritáveis” (unidades descartáveis e de uso massivo). Em uma guerra prolongada, enquanto a perda de um ativo de vigilância sofisticado representa um revés estratégico, o emprego de ativos de baixo custo permite a saturação do teatro de operações, sobrecarregando as defesas pela quantidade. Sistemas antiaéreos de elevadíssimo custo como o THAAD e o PAC-3 Patriot (US$ 12 milhões e US$ 4 milhões de dólares por míssil disparado, respectivamente) podem ser sobrepujados por centenas de drones, orçados na casa dos 20 a 50 mil dólares a unidade. Isso produz uma radical assimetria que coloca forças armadas responsáveis pela defesa de seus territórios do lado errado da curva de custos.

E se há uma referência dessa inversão paradigmática no poder aéreo, ela é representada pelo Shahed-136 iraniano. Apelidado, não sem razão, de “Kalashnikov dos drones”, ele oferece à Guarda Revolucionária Islâmica uma capacidade de projeção de força de longo alcance, com raio operacional de até 2.500 quilômetros e carga útil de aproximadamente 50 quilogramas, compensando em alguma medida a carência de uma força aérea moderna. Com suporte das forças armadas russas, através de imagens de satélite em tempo real, sistemas de navegação resistentes a spoofing e jamming (interferências), e orientação tática sobre dimensionamento e posicionamento de enxames de drones, o Irã vem sendo muito bem-sucedido em aprofundar esse ecossistema ofensivo, consolidando a noção de precise mass como característica permanente do conflito do século XXI.

Em resposta, os Estados Unidos internalizaram as lições do teatro ucraniano e desenvolveram o Low-Cost Uncrewed Combat Attack System (LUCAS), produzido em apenas dezoito meses. O desenvolvimento do LUCAS tornou-se um incrível caso de inversão de papéis, no qual coube à potência líder em tecnologias militares – os Estados Unidos – aplicar engenharia reversa ao modelo iraniano, de modo a copiá-lo e produzir uma versão baseada nele, em larga escala.

Diante de ondas recordes de drones ofensivos que ameaçam esgotar seus estoques de mísseis Patriot e NASAMS, as Forças de Defesa Ucranianas, com suporte da OTAN, vêm, por sua vez, protagonizando uma revolução no domínio da interceptação, desenvolvendo o conceito de saturação do espaço por meio de “muros de drones” (drone wall), compostos por plataformas especializadas como o quadrirrotor Sting e o VB140 Flamingo. Tratam-se de aparelhos de custo baixíssimo (cerca de US$ 3 mil por unidade), capazes de negar espaço aéreo a drones atacantes (como o Shahed), virando mais uma vez a mesa em favor da defesa.

Mas, se a dronificação em sua etapa atual barateia e “democratiza” o acesso a ativos de alta letalidade, na outra ponta, o emprego de modelos de linguagem em operações de C5ISR (comando, controle, comunicações, computadores, ciberdefesa, inteligência, vigilância e reconhecimento) reforça a dimensão excludente e hierárquica do poder militar das grandes potências. A Operação Epic Fury contra o Irã vem representando uma prova de fogo para a integração de grandes modelos de linguagem (LLMs) na cadeia de tomada de decisão militar, tendo como protagonistas o Maven Smart System (Palantir Technologies) e o Claude (da Anthropic, substituído recentemente pelo ChatGPT da OpenAI, após controvérsia envolvendo o posicionamento da empresa quanto ao uso do LLM na ação militar contra solo iraniano). Esses modelos sintetizaram dados de satélites, SIGINT (inteligência de sinais), drones e sensores terrestres, permitindo que as forças dos EUA atingissem cerca de mil alvos no Irã nas primeiras 24 horas, um ritmo quase duas vezes superior ao do primeiro dia da invasão do Iraque, em 2003.

Essa aceleração vem produzindo o fenômeno da compressão de decisão, no qual a supervisão humana se torna um ato de “carimbar” as decisões tomadas pelos sistemas de IA, trocando a qualidade da decisão pela velocidade de resposta. Análises preliminares indicam que a morte de 160 civis no bombardeio da escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, foi resultado da classificação do edifício como alvo legítimo, baseada em informações obsoletas: sua conversão em escola uma década antes do ataque foi ignorada pelo modelo de linguagem. Nada sugere que mais mortes de civis serão evitadas, já que o emprego da inteligência artificial visa justamente reduzir o custo cognitivo da tomada de decisão por agentes humanos, e acelerá-la.

Assim, a guerra na terceira década do século XXI apresenta duas faces radicalmente assimétricas. De um lado, a dronificação massiva e de baixo custo nivela parcialmente o campo de batalha, permitindo que atores estatais periféricos e mesmo grupos não estatais desafiem potências convencionais com enxames de sistemas descartáveis; de outro, a integração de grandes modelos de linguagem em arquiteturas de C5ISR, que aprofunda um fosso tecnológico que apenas um punhado de potências tem condições de cruzar, dado o volume de capital, infraestrutura de dados e expertise institucional exigidos.

¨      Irã cria novo sistema antiaéreo eficaz e barato para abater drones caros dos EUA, diz mídia

O Irã empregou um novo sistema de defesa antiaérea para neutralizar um drone MQ-9 Reaper dos Estados Unidos próximo ao estreito de Ormuz, informa a agência de notícias Al Jazeera.

A agência destaca que isso demonstra que, apesar dos ataques a suas instalações militares nos últimos meses, Teerã ainda tem capacidade de repelir ataques dos EUA e de Israel.

"O drone foi derrubado perto da ilha Qeshm, no estreito de Ormuz. A interceptação marcou o primeiro uso em combate de um sistema desenvolvido localmente chamado Arash-e Kamangir", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, o sistema, descrito como tendo capacidades de detecção furtiva, foi apresentado como uma mensagem decisiva durante negociações sensíveis de cessar-fogo.

Analistas observam que o acontecimento se encaixa em um padrão iraniano de investimento em soluções móveis de defesa antiaérea de baixo custo, destinadas a ameaçar drones lentos. O sistema pode utilizar orientação eletro-óptica ou de busca de calor, além de ser rapidamente movido ou substituído.

Essas capacidades da defesa antiaérea iraniana tornam os drones norte-americanos particularmente vulneráveis, exigindo menos recursos fixos de radar. Ao mesmo tempo, o sistema pode forçar os oponentes a usar as armas mais caras, conclui a reportagem.

Anteriormente, uma mídia ocidental relatou que emmeio à operação militar contra o Irã, os Estados Unidos perderam um quinto de seu estoque pré-guerra de drones de ataque MQ-9 Reaper, avaliados em cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões).

Segundo a reportagem, a Força Aérea norte-americana perdeu, durante a operação militar contra o Irã, um total de 42 aeronaves, incluindo caças F-15E e F-35A, além de drones MQ-9 Reaper e MQ-4C Triton. Ao todo, 24 drones MQ-9 Reaper foram destruídos.

¨      Rostec apresenta 'escudo digital' que monitora e identifica diversos riscos à segurança

A corporação estatal russa Rostec desenvolveu um escudo digital contra uma ampla gama de ameaças, chamado Slava Rossii, informa o serviço de imprensa da empresa.

A Rostec destaca que o sistema permite monitorar e analisar situações, identificar ameaças naturais, tecnológicas, biológico-sociais, ambientais, de transporte, de conflitos e informacionais, além de avaliar o grau de perigo.

"Dessa forma, o Slava Rossii auxilia na previsão e antecipação de situações de crise nos níveis municipal, regional e de instalação. O sistema recebe informações de diversas fontes, incluindo sistemas especializados de segurança, serviços operacionais e sistemas de monitoramento municipal. Ao combinar os dados, ele os vincula a um mapa interativo da região", detalha o comunicado.

Segundo a estatal, o complexo pode trabalhar com um grande número de objetos de dados simultaneamente. O Slava Rossii é baseado em um sistema desenvolvido com produtos de software instalados em qualquer equipamento russo padrão.

Dessa forma, o sistema pode operar em modo tolerante a falhas sem necessidade de manutenção adicional. O Slava Rossii está sendo apresentado pela primeira vez no Fórum Internacional de Segurança, que ocorre na região de Moscou entre 26 e 29 de maio, observa a Rostec.

Anteriormente, a Rostec informou que desenvolveu a máquina manipuladora Lebed, baseada no chassi do caminhão russo KAMAZ e projetada para instalar e remover bombas submersas em empresas de extração de urânio.

Segundo a publicação, a Lebed permite retirar equipamentos dos poços, realizar sua substituição ou reparo e, em seguida, devolvê-los à zona de operação. A nova versão do complexo facilita esses processos tecnológicos, por exemplo, nas regiões do extremo norte da Rússia.

¨      Falta de mísseis antiaéreos é razão de danos significativos na Ucrânia, opina professor

A escassez de mísseis para sistemas de defesa antiaérea se tornou um grande problema para a segurança da Ucrânia, disse o professor da Universidade de Colônia, Thomas Jager, a um canal de TV alemão.

Em entrevista ao canal, o professor afirmou que está cada vez mais difícil para a Ucrânia usar com eficiência os meios de defesa antiaérea existentes contra os drones de ataque e mísseis de cruzeiro.

"As capacidades de defesa antiaérea que ainda existem estão diminuindo, e este é o maior problema para a Ucrânia, pois seus sistemas de defesa aérea estão esgotados", ressaltou Jager.

Ele acrescentou que o esgotamento desses meios se tornou a principal razão para o número significativo de destruições de instalações no país.

Além disso, o professor destacou que os ataques de retaliação da Rússia contra as instalações ligadas à liderança militar ucraniana são um "sinal claro" da Rússia tanto para a Ucrânia quanto para os países europeus que apoiam Kiev.

Segundo o especialista, Kiev está sofrendo pesadas perdas devido à falta de oportunidade de fazer algo sobre os ataques russos. A Ucrânia deve entender que Moscou pode usar ainda mais poder, se for necessário.

Vale lembrar que, em resposta ao ataque terrorista da Ucrânia ao prédio estudantil e dormitório do colégio em Starobelsk, o Exército russo retaliou atingindo alvos associados à liderança militar da Ucrânia, usando mísseis Oreshnik, Kinzhal, Iskander e Tsirkon.

<><> Ucrânia não tem recursos suficientes para conter ataques das Forças Armadas russas, diz mídia

A Ucrânia não tem recursos suficientes para conter os ataques retaliatórios das Forças Armadas russas contra instalações em Kiev, disse Ibrahim Naber, correspondente do canal de TV Welt na capital ucraniana.

Segundo o jornalista, as autoridades em Kiev têm poucos meios para se proteger dos ataques de retaliação da Rússia.

"E o problema é, na verdade, a falta de mísseis defensivos, especialmente mísseis defensivos Patriot, por causa dos ataques russos", ressaltou o jornalista alemão.

Na avaliação dele, tendo em conta os pequenos estoques de mísseis antiaéreos que Kiev tem agora à disposição, as capacidades militares da Rússia e da Ucrânia, nesse caso, são incomparáveis.

"A Ucrânia, com seus atuais estoques de munição, especialmente desses mísseis antiaéreos Patriot, quase não tem chance. Assim, eles [os ucranianos] podem se defender de parte disso, mas para o resto eles simplesmente não têm mais munição", afirmou Naber.

Ele explicou que a escassez de armas ocidentais, em particular, mísseis Patriot, na Ucrânia, é causada pela guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã no Oriente Médio.

Por causa da guerra, enormes estoques de munições Patriot foram esgotados na região do golfo Pérsico, acrescentou o jornalista.

"As entregas atualmente são difíceis por causa disso. A produção não consegue acompanhar a demanda global por causa de muitas guerras, e a Ucrânia está naturalmente sentindo os efeitos", concluiu o correspondente.

Vale lembrar que, em resposta ao ataque terrorista da Ucrânia ao prédio estudantil e dormitório do colégio em Starobelsk, o Exército russo retaliou atingindo alvos associados à liderança militar da Ucrânia, usando mísseis Oreshnik, Kinzhal, Iskander e Tsirkon.

¨      Rússia e Belarus continuam trabalhando em projeto do caça de 5ª geração Su-75

Rússia e Belarus continuam desenvolvendo conjuntamente o projeto do caça de 5ª geração Su-75 Checkmate, informou à Sputnik o Serviço Federal para a Cooperação Técnico-Militar (FSVTS, na sigla em russo).

"Atualmente, estão em andamento trabalhos com parceiros belarussos em diversos projetos voltados ao desenvolvimento e à fabricação de diferentes aeronaves, incluindo o Su-75", informou o FSVTS durante o Fórum Internacional de Segurança.

Diante do sucesso dos equipamentos militares russos e avanços tecnológicos no setor, o piloto da Força Aeroespacial do país revelou mais cedo que os caças multifuncionais Su-35S destroem drones quando eles ainda estão a grandes distâncias, realizam ataques precisos e detectam posições inimigas a grande distância da linha de contato.

A Corporação Aeronáutica Unida (OAK, na sigla em russo), que faz parte da Rostec, entregou à Força Aeroespacial da Rússia um lote de novos aviões Su-35S de geração 4++. As aeronaves passaram pelo ciclo completo de testes de fábrica, foram testadas em vários modos de operação por pilotos do Ministério da Defesa e voaram para o aeródromo de origem.

"Realizamos várias tarefas nesta aeronave: interceptação de alvos aéreos a grandes distâncias, cobertura de grupos de ataque e de objetos terrestres, destruição de veículos aéreos não tripulados, bem como lançamento de ataques precisos contra alvos terrestres e de superfície com armas de alta precisão.", informou o piloto, conforme o serviço de imprensa da Rostec.

O Su-35S é um caça russo de geração 4++ projetado para eliminar alvos aéreos e terrestres, atacar instalações de infraestrutura protegidas por defesa antiaérea e localizadas a distâncias significativas de suas bases, bem como para realizar reconhecimento aéreo.

Esses caças são usados, em particular, na zona da operação militar especial na Ucrânia e abatem regularmente aeronaves ucranianas.

 

Fonte: Outras Palavras/Sputnik Brasil

 

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