quarta-feira, 27 de maio de 2026

João Antonio Filho: O mercado como fé e o poder como negócio

Fico aqui a pensar: o dinheiro talvez tenha sido uma das invenções mais revolucionárias da humanidade — para o bem e para o mal. A história da cunhagem das moedas representa um marco decisivo da organização econômica das civilizações.

Antes delas, predominava o escambo, um sistema limitado pelas dificuldades naturais de equivalência entre produtos. Com a expansão do comércio, surgiram formas primitivas de valor, como sal, metais e pedras preciosas. A cunhagem propriamente dita nasceu por volta do século VII a.C., na região da Lydia, onde passaram a circular moedas metálicas padronizadas em ouro e prata, com símbolos que garantiam autenticidade e confiança. A inovação espalhou-se pelo mundo mediterrâneo, tornando-se essencial para o comércio, a tributação e a consolidação do poder político.

Mas a moeda nunca foi apenas um instrumento econômico. Ela também moldou valores, comportamentos e formas de organização social. Se, por um lado, permitiu a ampliação das trocas e aproximou povos e culturas, por outro incentivou a ambição humana e aprofundou a corrida incessante pela acumulação material. Talvez esteja aí uma das raízes do individualismo competitivo tão celebrado por setores liberais e, nos tempos contemporâneos, frequentemente abençoado por parcelas expressivas do neopentecostalismo. A lógica é simples: transformar o sucesso econômico em medida absoluta de mérito e virtude. O poder deixa de ser instrumento de organização coletiva para tornar-se mecanismo de concentração de riqueza e privilégios.

Faço essa introdução para chegar ao caso do Banco Master, hoje envolto em um escândalo que movimenta a política brasileira. Não me surpreendem certos gestos de proximidade entre agentes políticos liberais e setores financeiros. Eles compartilham, em grande medida, a mesma visão de mundo: a supremacia da livre iniciativa como valor quase absoluto, a sacralização da propriedade privada e a meritocracia apresentada como consequência exclusiva do esforço individual. Nessa lógica, a desigualdade deixa de ser compreendida como problema estrutural e passa a ser interpretada como fracasso pessoal dos que ficaram para trás.

Quem pensa assim costuma enxergar a solidariedade como um valor secundário. Mas solidariedade não é fraqueza moral; é exatamente o contrário. É reconhecer a vulnerabilidade do outro e compreender que nenhuma sociedade se sustenta apenas pela competição permanente entre indivíduos. Solidariedade é empatia transformada em ação concreta. É ela que fortalece os laços sociais, cria redes de proteção e dá sentido coletivo à ideia de comunidade. O individualismo competitivo, ao contrário, estimula a lógica segundo a qual cada um deve salvar apenas a si mesmo e aos seus mais próximos.

No universo ultraliberal, quase sempre prevalece a defesa dos próprios interesses, ainda que travestida de discurso moderno ou meritocrático. Quando determinados setores se aproximam dos excluídos, muitas vezes o fazem apenas como estratégia retórica — uma maneira eficiente de instrumentalizar a pobreza enquanto mantêm o poder concentrado nas mãos das elites econômicas. O escândalo do Banco Master, ao meu sentir, insere-se justamente nesse contexto mais amplo: o da captura do Estado por interesses privados disfarçados de racionalidade econômica.

Por isso, não surpreendem os movimentos de aproximação política envolvendo figuras públicas de orientação liberal e setores financeiros ligados ao caso. Há entre eles uma linguagem comum, símbolos compartilhados e trânsito confortável no mesmo ambiente ideológico. Compartilham, em grande medida, uma concepção de sociedade que transforma o mercado no eixo organizador da vida social e reduz a política à administração dos interesses econômicos dominantes.

Em termos mais diretos: os pedidos de dinheiro feitos por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro não podem ser interpretados como um gesto isolado ou meramente circunstancial. Expressam, antes, uma afinidade estrutural de visão de mundo: a que transforma o poder político e o poder econômico em instrumentos complementares de preservação de privilégios e acumulação de riqueza.

•        Lennita Lee: Vidente prevê que Bolsonaro será encontrado sem vida e assusta

Declarações de vidente sobre Jair Bolsonaro gera apreensão; Veja tudo o que ela disse e entenda a real situação de saúde do ex-presidente.

E uma previsão alarmante de vidente famosa envolvendo a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o qual se encontra sob medidas restritivas e cuidados médicos específicos, acabou assustando diante da mensagem contendo um suposto alerta de morte.

A previsão ocorreu ainda no dia 7 de maio de 2026, durante a transmissão do programa Chupim, da rádio Metropolitana FM, por meio de Lena Sensitiva, uma das mais conceituadas da atualidade.

>>> Declarações sinistras:

Ela iniciou a previsão afirmando sobre o futuro e a integridade física do ex-presidente. Segundo a leitura apresentada por ela, a transição da posição de Jair Bolsonaro para a condição de reclusão impõe uma severa carga sobre a saúde mental do indivíduo, apontando que o confinamento nessa faixa etária acaba gerando uma deterioração acentuada.

“O Bolsonaro, ele não está bem ali. Então, a tendência de encontrá-lo sem vida é muito grande. É muito grande”.

Em seguida, ela destacou que grande parte desse perigo envolve questões psicológicas que podem ser agravadas durante a sua reclusão:

“Qualquer pessoa na idade dele, né, dentro de um presídio, sabendo que teve liberdade, foi um presidente, meu, como que fica a mentalidade da pessoa? Entendeu? Então, assim, a tendência dele é ser encontrado dessa forma, ou ser tirado às pressas, mas… É a vida, né? Todo mundo, uma hora, vai.” – Afirmou ela.

>>> MAS ATENÇÃO!

É fundamental esclarecer que existe uma separação clara entre as manifestações do campo esotérico e os fatos validados pela ciência e pelas instituições oficiais.

Previsões, leituras intuitivas e conjecturas de natureza espiritual não possuem fundamentação factual, metodológica ou científica, não integrando a realidade dos fatos nem servindo como indicador para a avaliação de cenários reais.

Logo, ainda mais no âmbito da saúde pública e de figuras de relevância nacional, apenas relatórios assinados por juntas médicas registradas e comunicados emitidos pelas autoridades competentes detêm validade legal e informativa, devendo ser o único norte para a compreensão da realidade de qualquer cidadão.

<><> Qual é o real estado de saúde de Jair Bolsonaro, segundo o relatório médico?

De acordo com o portal O Globo, os dados concretos a respeito das condições clínicas do ex-presidente constam no relatório oficial detalhado e submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme exposto pelo boletim médico, o ex-presidente apresenta um quadro “persistente e inalterado de instabilidade do equilíbrio corporal”, o que demanda o acompanhamento e a realização de sessões diárias de fisioterapia.

O documento também registrou “quadros recorrentes e persistentes de soluços nos últimos dias, com considerável melhora e estabilização após ajuste terapêutico”.

O quadro atual decorre de um histórico que inclui uma internação prévia para tratar uma broncopneumonia e uma posterior intervenção cirúrgica no ombro, que durou cerca de cinco horas e ocorreu sem intercorrências, exigindo atualmente o uso de tipoia para imobilização parcial do membro superior direito.

<><> Qual é a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro?

Vale relembrar que o ex-presidente cumpre pena após ter sido condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

Ele está em prisão domiciliar desde o fim de março, devendo usar tornozeleira durante todo o período da domiciliar. O descumprimento das regras pode levar à revogação da medida e ao retorno ao regime anterior.

Conforme o mandado judicial, ele está proibido de utilizar celular, telefone ou qualquer meio de comunicação, direta ou indireta, e não pode acessar redes sociais nem gravar ou divulgar vídeos e áudios, ainda que por intermédio de terceiros.

•        Bolsonaro não adere aos livros nem para reduzir pena

Jair Bolsonaro (PL), que já declarou não ter o hábito de ler, não aderiu à possibilidade de remição de pena por meio da leitura, mesmo após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o site Amado Mundo.

A medida foi autorizada em 15 de janeiro e permitiria a Bolsonaro abater dias de sua sentença a partir da leitura de livros. No entanto, os relatórios semanais enviados pela Polícia Militar do Distrito Federal ao ministro do STF indicam que Bolsonaro não realizou atividades de leitura no período analisado.

Desde a autorização, a PM do Distrito Federal encaminhou doze relatórios sobre as atividades de Bolsonaro enquanto cumpre pena. Em todos os documentos, o campo destinado às leituras aparece preenchido com a mesma informação: “não houve”.

O registro chama atenção porque Bolsonaro nunca escondeu a falta de familiaridade com os livros. Ao longo de sua trajetória pública, ele afirmou mais de uma vez que não tinha tempo para ler, postura que não se alterou nem diante da possibilidade concreta de reduzir a pena.

A situação contrasta com a de outros condenados pela trama golpista, que passaram a utilizar a leitura como forma de remição. Entre eles está o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que leu “A metamorfose”, obra clássica de Franz Kafka.

Também citado nos relatórios, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira escolheu livros de autores brasileiros. Entre as obras lidas por ele estão “Vidas secas” e “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, além de “Reminiscências da campanha do Paraguai”, de Dionísio Cerqueira.

O ex-comandante da Marinha Almir Garnier também aparece entre os condenados que aderiram à leitura. Segundo o levantamento mencionado, ele leu títulos como “A bordo do contratorpedeiro Barbacena”, de João Carlos Gonçalves Caminha, “Como Deus transforma a tristeza em alegria” e “O agir invisível de Deus”, ambos do pastor Luciano Subirá, além de “O vinho novo é melhor”, de Robert Thom.

A possibilidade de reduzir a pena por meio da leitura é um mecanismo aplicado no sistema prisional brasileiro e depende do cumprimento de critérios formais, entre eles a comprovação da atividade realizada. No caso de Bolsonaro, os registros enviados até agora indicam que ele ainda não utilizou esse recurso, apesar da autorização concedida pelo STF.

•        Só a cura nos salva do terror do nosso fim. Artigo de Massimo Recalcati

Nenhum outro tempo como o nosso, após a imensa tragédia da Segunda Guerra Mundial, questionou o tema da salvação com tamanha angústia. Sairemos vivos dessa situação? E como? São perguntas recorrentes que fazemos continuamente, esquecendo, porém, que nenhum de nós poderá sair realmente vivo disso. Os seres humanos estão, de fato, destinados a terminar no pó de onde vieram. É uma verdade inapelável, expressa também no texto bíblico do Eclesiastes.

Embora soluções possíveis até poderiam ser encontradas para os conflitos mais duros e irracionais, para a precariedade e as dificuldades sociais, para a crise econômica, resta o fato imutável de que ninguém sairá vivo daqui: o pó que nós somos retornará irreversivelmente ao pó. A questão é que essa verdade é constantemente removida pelos seres humanos.

Mais ainda, poderíamos até dizer que o homem não é apenas um animal mortal — consciente, como tal, diferentemente dos outros animais, da inevitabilidade de seu fim — mas que é um animal mortal constantemente empenhado na remoção individual e coletiva da realidade da morte. Somente a doença e o sofrimento o lembram dessa realidade da qual gostaria de escapar ou simplesmente esquecer. Caso contrário, os seres humanos dedicam seu tempo a ocultar esse trauma. Fazem isso inventando filosofias ou religiões como se fossem remédios, tentando se distrair de todas as maneiras, em diversões de todos os tipos, no culto higienista do próprio corpo sempre em forma, em refazê-lo por meio de cirurgias estéticas para remover os sinais de sua deterioração, nas mais diversas paixões que parecem adiar o fim, mesmo que momentaneamente, imaginando as vozes no além, sacrificando-se sem reservas ao trabalho ou aos ideais. Mas a maneira mais inverossímil e, ao mesmo tempo, dramaticamente mais humana de desviar o pensamento da morte é matar-se uns aos outros. Isso pode acontecer por muitas razões. Por puro prestígio, por dinheiro, pela sede de poder. A história dos homens é a história de suas contínuas guerras.

Não somos nada além de um "bando de assassinos", declarou Freud, desesperançoso diante da tragédia da Primeira Guerra Mundial. Nenhum evento revela, tanto quanto a guerra, a mais profunda insensatez do ser humano. A guerra transfere para o inimigo a angústia coletiva diante do nosso fim? Poderia tratar-se, como teorizava Franco Fornari, da rejection paranoica do luto. Em vez de encararmos a inevitabilidade da nossa própria morte, infligimos a morte a outrem. E se, em vez disso, tentássemos mudar nossa maneira de ver as coisas? Se tentássemos enxergar na natureza inescapável da morte o que nos une como seres humanos, não poderíamos encontrar nesse mesmo trauma o fundamento mais sincero de uma possível irmandade? Não seria esse o ensinamento mais verdadeiro de Jó?

Vamos relembrar sua história. Ele é o homem justo que o Deus bíblico quer pôr à prova, tirando-lhe tudo. Sua fé resistirá ou desaparecerá, dando lugar ao ressentimento e à vingança? É demasiado fácil acreditar que a retidão é sempre recompensada pela fortuna. Vamos tentar, em vez disso, dar uma sacudida nas coisas, pensa seu Deus, instigado pelo demônio. Vamos tentar ver como o homem justo reage diante da perda, da doença e do fracasso. Vamos tentar ver o que acontece se toda forma de justiça retributiva for abalada desde seus alicerces. Pode a fé perdurar diante da injustiça e da insensatez da dor?

Mas, se realmente levássemos a sério a lição de Jó, não nos perderíamos na luta fratricida de um contra o outro. Se nos lembrássemos, junto com ele, do pó que carregamos em nossa carne, não inflaríamos nossos peitos de soberba e insulto, de agressão e acusação constante dirigida ao outro. Se nos lembrássemos de Jó, poderíamos, quem sabe, realmente encontrar um caminho para a salvação. Não aquele que remove a morte, mas, ao contrário, aquele que o reconhecimento de nossa própria morte poderia tornar possível.

Vamos reler A Peste, de Camus, sob essa perspectiva. O que está em jogo não é, como Sartre injustamente acreditava em sua leitura, uma "moral abnegada", mas uma ética da misericórdia que envolve o reconhecimento daquele que cai como nosso irmão e nossa irmã. O desprezo aristocrático por essa ética ignora o fato de que nosso destino mortal nos torna a todos necessitados de cuidado, que sem a presença do outro, já seríamos pó mesmo antes de morrer. Quem declara isso mais uma vez é o Eclesiastes: "Ai daquele que cai e está sozinho!" Se tudo é um "sopro", se a vida é uma breve corrida sob o sol, não deveríamos acreditar menos na guerra? Se realmente reconhecêssemos nosso destino mortal comum, poderíamos realmente ser irmãos e irmãs. Enquanto a pulsão de morte que domina o impulso para a guerra conduz para a destruição de qualquer laço em nome do Um contra o Outro, lembrar-se de nosso próprio pó deveria nos mostrar o quanto nossa vida depende da existência desses laços, como o tempo sempre breve que nos resta para viver mereceria ser dedicado a algo maior do que o impulso para destruir. Diante da tragédia da peste, os homens descritos por Camus reconhecem-se como irmãos e irmãs diante do absurdo do mal que os atinge. Somente não nos esquecermos do nosso próprio pó poderia nos salvar: se não da morte, ao menos do horror da guerra de todos contra todos.

 

Fonte: Brasil 247/TV Foco UAI/La Repubblica

 

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