Evandro
Menezes de Carvalho: Trump e a Síndrome de Gulliver
No
balanço da visita de Estado de Trump à China, um dos assuntos comentados foi o
alerta de Xi Jinping contra a “Armadilha de Tucídides”, expressão popularizada
pelo cientista político norte-americano Graham T. Allison para descrever a
inevitabilidade do conflito entre a potência dominante e a potência emergente.
O conceito inspira-se nos escritos do historiador grego Tucídides sobre a
Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta. Ao recorrer a uma analogia
histórica, Allison chama a atenção para uma tendência estrutural à ocorrência
de um confronto bélico direto entre as duas maiores potências. “Será que a
China e os Estados Unidos conseguirão superar a chamada ‘Armadilha de
Tucídides’ e forjar um novo paradigma para as relações entre grandes
potências?”, questiona Xi em seu discurso de boas-vindas ao presidente dos EUA
no dia 15 de maio passado.
Eu
gostaria de acrescentar uma outra metáfora para uma compreensão mais ampla do
desafio desta relação entre a China e os EUA. É o que entendo ser a “Síndrome
de Gulliver”, que acomete o presidente americano. No clássico “As viagens de
Gulliver” (1726), do irlandês Jonathan Swift, o gigante Gulliver é imobilizado
por inúmeras pessoas minúsculas que habitam a ilha de Lilliput. A aliança dos
mais fracos prevaleceu sobre o mais forte. A lógica da “união faz a força” nos
remete às fábulas de Esopo (século VI a.C.) e à lição de que uma vara, sozinha,
é frágil, mas várias juntas tornam-se inquebráveis. Trump nunca escondeu a
preferência por negociações bilaterais em vez de cúpulas globais ou reuniões
multilaterais. Sendo a maior potência do mundo, os EUA sabem que, numa
negociação bilateral, estarão sempre em posição de vantagem e,
consequentemente, terão maior poder de barganha. Entretanto, fora da ilha de
Lilliput, alguns Estados não são tão pequenos; muitos estão unidos em torno de
agendas comuns, e outros — é o caso da China — estão quase na mesma altura dos
EUA.
Em
2005, o economista americano C. Fred Bergsten, que atuou como assistente de
assuntos econômicos internacionais de Henry Kissinger, utilizou o conceito de
G-2 (Grupo dos Dois) para se referir ao agrupamento informal composto pelos
Estados Unidos e pela China. O conceito ganhou força durante a administração
Obama e ressoou bem na China. Havia muitas razões para isso: são as duas
maiores potências industriais, comerciais e, também, os dois maiores poluidores
do mundo. Naquele momento, havia um ambiente diplomático ainda propício à
cooperação entre as duas nações para lidar com a crise financeira de 2008, as
alterações climáticas, o conflito Israel-Palestina, entre outros temas. Mas a
proposta de um G-2 não foi bem recebida pelos demais países do G-7 nem pelos do
G-20, que receavam ser rebaixados ou escanteados na discussão das grandes
questões globais.
Nos
últimos anos, a competição estratégica entre as duas potências tem se
intensificado — sobretudo, é preciso admitir, pelas atitudes protecionistas e
unilateralistas dos EUA contra a China. O governo de Xi Jinping, mais
cauteloso, não embarca na ideia de um G-2 e desenvolve o conceito de
“diplomacia de grandes potências com características chinesas”, que preconiza
um papel mais ativo da China nas relações externas, baseado nos princípios de
“não confronto”, “respeito mútuo” e “cooperação de ganhos mútuos”. Além disso,
o governo chinês abraçou o Sul Global, em total convergência com o compromisso
da diplomacia chinesa com os princípios da Conferência de Bandung (1955). A
visita de Estado de Putin, quatro dias depois da visita de Trump a Beijing, é
outro sinal claro de que a ideia de um G-2 é rejeitada pela China. Contudo,
estaríamos diante de um G-3? A Europa dos 27 não iria gostar. E Trump tampouco.
Ao ser
levado por Xi para conhecer Zhongnanhai, o lugar onde os líderes do governo
central vivem e trabalham, Trump pergunta se alguma outra autoridade
estrangeira teria sido levada para conhecer aquele local. “Muito raramente”,
respondeu Xi, complementando: “Putin esteve aqui.” Em várias ocasiões antes
deste encontro, Trump referiu-se aos encontros entre ele e Xi como o G-2. Em
uma de suas mensagens, escreveu: “O G-2 SE REUNIRÁ EM BREVE!” Trump parece
gostar dessa ideia pelo que ela traz de “exclusividade” na relação com a China.
Mas a China parece entender que ela se impõe por necessidade. São visões e
abordagens diferentes. E a China, diferentemente dos EUA, aposta no
multilateralismo e no desenvolvimento de iniciativas que ampliam parcerias. É
aqui que a Síndrome de Gulliver de Trump pode se agravar.
A China
foi o primeiro grande país a adotar uma política de tarifas zero para todos os
países africanos com os quais mantém laços diplomáticos. Na América Latina, tem
sido um parceiro confiável e adotado uma agenda diplomática baseada na promoção
do desenvolvimento econômico e social por meio de projetos de infraestrutura,
investimentos e intercâmbios nas mais diversas áreas. O Brasil foi o principal
destino dos investimentos chineses no mundo em 2025, desbancando os EUA. Os
aportes chineses foram distribuídos principalmente para transição energética,
infraestrutura, mineração e setor automotivo. Na Quarta Reunião Ministerial do
Fórum da China e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Fórum
China-CELAC), Xi Jinping lançou cinco programas para um futuro comum: Programa
de Solidariedade, Programa de Desenvolvimento, Programa de Civilização,
Programa de Paz e Programa de Conectividade Interpessoal. Todos esses programas
visam promover uma cooperação mais estreita entre a China e os países latino-americanos.
Por
ocasião do Fórum China-CELAC, Xi Jinping enfatizou que a China estará sempre ao
lado dos países da América Latina e do Caribe e trabalhará em conjunto para
escrever um novo capítulo na construção de uma comunidade de futuro
compartilhado. Afinal, como ensina a fábula “O Velho e o Feixe de Varas”, a
união faz a força. Não há dificuldade em perceber que a política externa
chinesa contrasta totalmente com o Corolário Trump exposto na Estratégia de
Segurança Nacional dos EUA, divulgada no final do ano passado. A China não
exige alinhamento incondicional nem ameaça com intervenção armada. A China tem
sido, para a América Latina, uma potência construtora — com seus investimentos
e projetos de infraestrutura — e construtiva, com sua diplomacia pacífica e de
benefícios mútuos, e não uma potência destrutiva. Um caminho para desarmar a
Armadilha de Tucídides é ajudar os EUA a se livrar da Síndrome de Gulliver.
Ninguém quer amarrar o gigante. Mas também ninguém quer ser pisado por ele. O
que se deseja é o bom convívio entre os países, não importa o quão pequenos
sejam. Simples assim.
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Dívida, IA e conflitos globais podem tornar EUA
“irreconhecíveis” em cinco anos, prevê bilionário
O bilionário
Ray Dalio, fundador da gestora Bridgewater Associates, voltou a fazer um duro
alerta sobre a economia dos Estados Unidos e afirmou que o país caminha para um
período de turbulência profunda que poderá transformá-lo em uma nação “quase
irreconhecível” nos próximos cinco anos. As declarações foram feitas em
entrevista ao colunista Ross Douthat, do jornal The New York Times,
repercutidas em reportagem da revista Fortune e publicada no
Brasil pelo InfoMoney.
Há anos
Dalio sustenta que o crescimento acelerado da dívida pública norte-americana
representa um risco estrutural para a maior economia do mundo. Agora, porém,
ele afirma que a questão fiscal é apenas parte de um processo muito mais amplo,
marcado por tensões políticas internas, disputas geopolíticas, impactos
climáticos e o avanço da inteligência artificial.
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Segundo
o investidor, os Estados Unidos estão entrando em uma fase de “grande
turbulência”, marcada por mudanças rápidas e profundas. Dalio descreveu o
momento como uma espécie de “salto no tempo”, expressão usada para transmitir a
velocidade e a dimensão das transformações que, na visão dele, já começaram a
remodelar a sociedade americana.
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Dívida pública preocupa investidores
O
alerta de Dalio se concentra, em primeiro lugar, no crescimento contínuo da
dívida dos Estados Unidos. Atualmente, o governo norte-americano gasta cerca de
US$ 7 trilhões por ano, mas arrecada aproximadamente US$ 5 trilhões, ampliando
o déficit fiscal e pressionando o pagamento de juros da dívida.
Para
explicar o cenário, o bilionário comparou a situação financeira do país ao
“acúmulo de placas” em uma artéria. Segundo ele, o “ataque cardíaco” econômico
ainda não aconteceu, mas os sinais indicam que a crise poderá se tornar
inevitável caso os gastos não sejam controlados.
Dados
citados pela reportagem mostram que os Estados Unidos pagaram cerca de US$ 970
bilhões em juros da dívida em 2025, enquanto projeções do Congressional Budget
Office (CBO) apontam que esse valor pode superar US$ 1 trilhão em 2026, o
equivalente a aproximadamente US$ 20 bilhões por semana.
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Risco de estagflação e perda do poder do dólar
Na
avaliação de Dalio, o desfecho mais provável é uma espiral de estagflação
semelhante à vivida pelos Estados Unidos na década de 1970, combinando inflação
elevada, baixo crescimento econômico e perda do poder de compra da moeda.
Ao
comentar os impactos da dívida sobre as futuras gerações, o investidor afirmou:
“Meus netos e bisnetos que ainda nem nasceram vão acabar pagando essa dívida em
dólares desvalorizados”.
Para
Dalio, a emissão de dinheiro pelo Federal Reserve para sustentar o pagamento
das obrigações públicas pode acelerar a desvalorização do dólar e comprometer a
confiança global na moeda norte-americana, considerada atualmente a principal
reserva financeira do planeta.
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Cinco forças pressionam os Estados Unidos
O
fundador da Bridgewater afirmou que a dívida pública é apenas uma das cinco
forças que estão convergindo simultaneamente e aumentando o risco de
instabilidade nos Estados Unidos.
Entre
os fatores apontados por ele estão o agravamento da polarização política, a
desigualdade social crescente e o que definiu como “diferenças
irreconciliáveis” entre esquerda e direita. Segundo Dalio, esse ambiente pode
evoluir para uma desordem mais ampla antes da próxima eleição presidencial.
O
investidor também citou a rivalidade internacional envolvendo Estados Unidos e
China, além das tensões no Oriente Médio, especialmente em torno do Irã e do
Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
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Inteligência artificial e mudanças estruturais
Dalio
também destacou os efeitos da inteligência artificial sobre a economia global.
Na visão dele, a tecnologia pode impulsionar ganhos de produtividade capazes de
compensar parte do avanço da dívida pública, mas também representa um fator
potencial de desestabilização social.
Em
artigo publicado anteriormente na revista Fortune, o investidor
afirmou que “os dias em que as pessoas tomavam decisões apenas na própria
cabeça estão chegando ao fim”, em referência ao impacto crescente da IA sobre
empresas, governos e estruturas de poder.
Segundo
Dalio, a automação em larga escala poderá deslocar milhões de trabalhadores e
alterar profundamente o equilíbrio econômico entre as potências globais,
ampliando ainda mais as tensões internacionais.
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Comparação com a crise de Suez
Um dos
pontos mais sensíveis do alerta do bilionário envolve a possibilidade de perda
de influência global dos Estados Unidos. Para explicar o risco, Dalio fez uma
comparação com a Crise de Suez, em 1956, considerada um marco do declínio do
poder britânico no pós-guerra.
Na
avaliação dele, um eventual fracasso dos Estados Unidos em demonstrar força
geopolítica poderá fazer o mundo questionar a posição privilegiada do dólar
como principal moeda de reserva internacional.
Reportagens
publicadas por veículos como Politico, The Telegraph e Middle
East Eye também discutiram recentemente a possibilidade de que um
confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã possa representar um momento
equivalente ao vivido pelo Reino Unido durante a crise de Suez.
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Ceticismo sobre a classe política
Dalio
demonstrou forte pessimismo em relação à capacidade da classe política
norte-americana de enfrentar os problemas estruturais do país. Segundo ele, o
próprio sistema democrático cria incentivos para evitar medidas impopulares,
como aumento de impostos, cortes de benefícios e redução de gastos públicos.
Na
avaliação do investidor, políticos que tomam decisões duras acabam perdendo
apoio eleitoral, o que dificulta qualquer tentativa de ajuste fiscal profundo.
Como
alternativa, Dalio defende o surgimento de “um líder forte do centro”, capaz de
construir consenso político em um país cada vez mais dividido e implementar
reformas estruturais nas áreas fiscal e educacional.
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Estratégia para investidores
Diante
do cenário de incerteza, Dalio recomenda que investidores ampliem a
diversificação das carteiras e busquem proteção contra a perda de valor do
dólar.
O
bilionário defende uma redução da dependência da estratégia tradicional de
investimentos baseada em 60% de ações e 40% de renda fixa. Em vez disso, sugere
que parte do patrimônio seja direcionada para ativos considerados reservas de
valor, como ouro e criptomoedas.
Segundo
ele, até 15% das carteiras poderiam ser destinados a esses ativos como forma de
proteção em um cenário de inflação persistente, desvalorização monetária e
turbulência econômica global.
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China amplia protagonismo diplomático, diz editorial do
Global Times
A China
amplia o protagonismo diplomático, em meio a uma nova rodada de visitas de alto
nível, enquanto, segundo editorial do Global Times, o país oferece
estabilidade, cooperação e novas oportunidades ao mundo em um cenário
internacional marcado por turbulências e incertezas.
De
acordo com o jornal, Pequim registrou em maio uma nova onda de visitas à China,
com pelo menos uma dúzia de intercâmbios bilaterais de alto nível e eventos
multilaterais realizados no país. Para o jornal, o movimento dá continuidade a
uma sequência iniciada entre o fim do ano passado e o começo deste ano, quando
líderes europeus e dirigentes de países vizinhos passaram a visitar a China com
maior frequência.
O
editorial afirma que a sucessão de encontros em Pequim não é um fenômeno
isolado. Segundo o texto, a intensificação da agenda diplomática chinesa
reflete a capacidade do país de atrair lideranças estrangeiras em busca de um
ambiente de desenvolvimento mais estável, especialmente diante das mudanças
profundas na ordem internacional.
O
Global Times menciona que, no início deste ano, a revista norte-americana
Forbes observou que a China vinha “estendendo o tapete vermelho” quase
diariamente para receber líderes estrangeiros. Meses depois, afirma o
editorial, esse movimento teria se ampliado, tornando-se um sinal do apelo
diplomático chinês e da força de atração exercida por Pequim no cenário das
grandes potências.
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Agenda diplomática intensa
Segundo
o editorial, a agenda internacional da China se tornou tão movimentada que
“acompanhar a agenda diplomática da China” passou a ganhar espaço no debate
público. O texto cita estatísticas divulgadas pela mídia segundo as quais todos
os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU visitaram
a China. Entre os países do G7, todos, com exceção do Japão, também teriam
enviado representantes ou líderes ao país.
A lista
de autoridades de países em desenvolvimento mencionada pelo Global Times inclui
o secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista do Vietnã e
presidente vietnamita, To Lam, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled
bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, e o
presidente do Tajiquistão, Emomali Rahmon.
Para o
jornal, a concentração de compromissos diplomáticos em Pequim não deve ser
vista apenas como coincidência de agendas. O editorial sustenta que, em um
momento de instabilidade global, os países tendem a voltar sua atenção para
lugares onde percebem perspectivas de desenvolvimento mais claras, direção
política mais definida, soluções de governança mais eficazes e estabilidade
mais duradoura.
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Responsabilidade entre grandes potências
O
Global Times afirma que a nova onda de encontros em Pequim também expressa um
senso de responsabilidade da China diante das relações entre grandes potências.
Segundo o editorial, a estabilidade global depende, em grande medida, da
trajetória das relações entre os principais atores internacionais.
O texto
sustenta que, sob a orientação da diplomacia conduzida pelos chefes de Estado,
a China tem buscado defender a paz mundial e promover um novo modelo de
relações entre grandes potências. O editorial cita o encontro entre os líderes
da China e dos Estados Unidos, no qual os dois lados teriam concordado em
definir a relação bilateral como “uma relação construtiva China-EUA de
estabilidade estratégica”.
O
jornal também afirma que o encontro entre os líderes da China e da Rússia
marcou uma nova etapa de desenvolvimento mais dinâmico nas relações bilaterais.
Para o Global Times, tanto o “novo posicionamento” nas relações com os Estados
Unidos quanto a “nova etapa” nas relações com a Rússia se afastam da lógica da
Guerra Fria, dos jogos de soma zero e dos confrontos entre blocos.
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Oriente Médio e busca por estabilidade
O
editorial destaca ainda o encontro entre o presidente Xi Jinping e o xeque
Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, dos
Emirados Árabes Unidos. Segundo o Global Times, Xi apresentou uma proposta de
quatro pontos voltada à promoção da paz e da estabilidade no Oriente Médio.
De
acordo com o jornal, a China também tem oferecido assistência ativa a países em
desenvolvimento afetados por interrupções nas rotas marítimas do Estreito de
Ormuz. O editorial apresenta essas ações como parte de uma política chinesa
voltada ao diálogo, à resolução política de disputas e à oposição ao uso da
força e ao confronto entre blocos.
O texto
argumenta que a diplomacia chinesa procura transformar princípios em ações
concretas. Para o Global Times, essa postura revela um compromisso de Pequim
com a paz, o desenvolvimento e o bem comum em escala internacional.
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Cooperação e experiência de desenvolvimento
Outro
ponto central do editorial é a avaliação de que mais países têm buscado a China
como referência de desenvolvimento e governança. O Global Times afirma que
muitas lideranças estrangeiras passaram a “olhar para o Oriente” e a procurar
Pequim para conhecer experiências chinesas e identificar novas oportunidades de
cooperação.
O texto
menciona o chanceler alemão Friedrich Merz, que teria feito uma viagem voltada
ao estudo das indústrias chinesas de manufatura inteligente e robótica
industrial. Também cita o presidente moçambicano Daniel Chapo, que visitou
locais como Hunan e Qinghai para observar experiências chinesas no equilíbrio
entre proteção ecológica e combate à pobreza.
O
editorial destaca ainda a visita de To Lam à Nova Área de Xiong’an e sua viagem
no trem de alta velocidade Fuxing. Segundo o Global Times, esses deslocamentos
permitiram ao dirigente vietnamita observar diferentes dimensões da
modernização chinesa.
Para o
jornal, esses exemplos demonstram o reconhecimento internacional das conquistas
da China em desenvolvimento e governança. O editorial sustenta que o modelo
chinês oferece lições relevantes e que as oportunidades criadas pelo
crescimento do país são inclusivas e possuem amplo potencial.
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Governança global e propostas chinesas
O
Global Times também relaciona a intensificação das visitas a Pequim ao momento
de pressão sobre a ordem internacional. Segundo o editorial, o avanço do
unilateralismo e do protecionismo amplia a necessidade de uma nova visão de
governança global, capaz de reduzir diferenças e construir consensos.
O texto
cita os resultados da cooperação no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota e as
chamadas quatro principais iniciativas globais propostas pela China. Para o
jornal, essas iniciativas têm como eixo os temas da paz e do desenvolvimento.
O
editorial afirma que a China não interfere nos assuntos internos de outros
países nem impõe sua vontade a outras nações. Segundo o Global Times, Pequim
defende a igualdade entre países, independentemente de tamanho, força ou
riqueza.
O
jornal apresenta essa posição como uma ruptura com a ideia de que uma potência
em ascensão necessariamente buscaria hegemonia. Para o editorial, a proposta
chinesa oferece um caminho alternativo para o aperfeiçoamento do sistema de
governança global.
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Relação com países africanos
O
editorial também menciona que, em 1º de maio de 2026, a China começou a
implementar um tratamento tarifário zero ampliado para importações de todos os
53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas.
Segundo
o Global Times, a medida se soma ao fortalecimento da cooperação em áreas como
comércio, novas energias e economia inteligente. O texto também cita o
incentivo a intercâmbios culturais, educacionais, científicos e esportivos,
além da busca por mecanismos de cooperação capazes de gerar benefícios mútuos.
O
jornal afirma que Pequim busca manter cadeias industriais e de suprimentos
estáveis e desobstruídas. Para o editorial, a confiança conquistada pela China
na comunidade internacional decorre de sua atuação como grande potência
responsável.
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China se apresenta como parceira confiável
Na
avaliação do Global Times, a China não exportou turbulência nem confrontos ao
mundo. O editorial sustenta que o país oferece estabilidade, oportunidades e
esperança, em contraste com um cenário internacional marcado por tensões e
incertezas.
O texto
conclui que a onda diplomática observada em maio revelou uma China vibrante,
aberta e inclusiva, capaz de preservar princípios fundamentais, buscar inovação
e assumir responsabilidades relevantes. Para o jornal, independentemente das
mudanças no ambiente internacional, a China permanece como um parceiro
confiável para outros países.
Fonte:
Brasil 247

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