quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ideia de Lula reeleito já não assusta tanto o meio evangélico, diz pastor Zé Barbosa

A Fórum Onze e Meia da sexta-feira (22), o pastor, teólogo e cientista político Zé Barbosa, também colunista da Fórum, analisou os votos evangélicos para as eleições de outubro divididos entre Lula (PT) e deputados de extrema direita. Barbosa analisou que a reeleição do presidente petista tem sido mais positiva entre esse meio e como a extrema direita deve se dividir para conquistar esse voto. 

Para o pastor, Michelle Bolsonaro (PL) tem mais força dentro do grupo evangélico do que Flávio Bolsonaro (PL). “A última pesquisa da Atlas traz alguns dados bem interessantes. Acho que a Michelle está de olho nesse eleitorado evangélico. Ela hoje teria mais força dentro da imagem evangélica do que o Flávio”, afirma o pastor. 

Ele também analisa que entre evangélicos, a aprovação do Lula, por exemplo, cresceu mais do que a média normal. “Então, a aprovação do Lula cresceu entre evangélicos 1.2%. No geral, é 0,6%. Na avaliação do governo entre ótimo e bom melhorou entre evangélicos, 1.6%. E caiu 4,1%. Enquanto, no geral, caiu 2.9%”, diz. 

O pastor ainda acrescenta que nas respostas, entre evangélicos, para a pergunta sobre qual o cenário mais preocupante, se Lula reeleito ou Flávio eleito, o índice para a primeira pergunta caiu 12,3%, enquanto no geral, caiu 6,8%.

“Ou seja, entre evangélicos caiu muito mais. A ideia do Lula reeleito já não está assustando mais tanto”, destaca. 

Portanto, o pastor analisa que, diante desse cenário, a extrema direita pode investir em um nome “mais aceito entre evangélicos” após o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master ter tirado alguns votos do senador, e esse nome seria o de Michelle. 

“A Michelle tem essa prerrogativa de ser mais comunicativa com evangélicos do que o Flávio. Eu acho que ela perde [a eleição], ela não vai ter tanta força. Mas entre evangélicos, sim. Ela vai ter o apelo de ser uma mulher evangélica, que tem aquela coisa da mulher sofredora, que aguenta um marido troncho, aquela coisa toda”, avalia Zé. 

“Então, essa tensão entre Michelle e Flávio vai continuar e vai ter como principal pano de fundo o eleitorado evangélico. Podem ter certeza disso”, acrescenta o pastor. 

O pastor ainda ressalta que apesar da esquerda reforçar muito o passado de Michelle, isso para o meio evangélico é algo positivo, pois reforça a ideia de redenção da mulher. 

“Se a gente ficar batendo nisso, o efeito é contrário. Não adianta bater no passado da Michelle, o que ela foi, o que ela fez. Porque quanto mais pesado, melhor é a imagem da mulher redentora, da mulher que foi redimida e agora está assim”, afirma o pastor. 

<><> Reforçar a mentira de Flávio Bolsonaro

O pastor também acrescentou que essa pesquisa Atlas o surpreendeu positivamente porque mostra um “derretimento” do apoio a Flávio Bolsonaro após o escândalo financeiro envolvendo o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”. O pastor destaca que é preciso reforçar a campanha de que Flávio mentiu sobre esse caso. 

“A gente está sabendo falar dessa coisa da mentira, tem que bater muito nisso. É mentiroso, é mentiroso, é mentiroso. Porque se pegar nele, essa coisa do Flávio mentiroso, aí vem coisa da mentira: ‘o pai do diabo é a mentira’. E a gente tem isso como força de argumento”, diz o pastor, citando um versículo famoso entre os evangélicos. 

“Essa palavra ‘mentira’ para o evangélico é muito forte. Então fazer essa associação é muito importante para que a gente possa trabalhar. E acho que a gente está num momento bom”, finaliza o pastor. 

¨      Flávio derrete, mas ameaça permanece mesmo se Lula vencer. Por Gustavo Tapioca

A candidatura de Flávio Bolsonaro entrou em sua fase mais difícil desde que foi lançada como tentativa de continuidade familiar do bolsonarismo em 2026. O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, que já ganhou o nome de BolsoMaster, produziu o primeiro grande abalo real na campanha da direita liberal e da extrema direita. 

Lula cresceu. Flávio caiu. O empate técnico começou a se desfazer. A candidatura, que até poucos dias atrás era vendida como alternativa competitiva da direita contra Lula, passou a carregar uma marca difícil de apagar: a de um Bolsonaro enredado em explicações contraditórias, relações perigosas e uma proximidade incômoda com o centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. 

Mas é exatamente nesse ponto que o campo progressista precisa ter cuidado. 

Flávio Bolsonaro, o candidato da direita e da extrema direita derreteu. Mas ainda não morreu. 

<><> A Faria Lima começa a fechar a porta 

A notícia de que um banqueiro influente da Faria Lima se recusou a receber o filho de Jair Bolsonaro depois da divulgação do áudio com Daniel Vorcaro tem peso simbólico enorme. Não se trata apenas de uma agenda cancelada. Trata-se de um sinal. 

A pequena história revelada por Fernando Nakagawa, da CNN Brasil, vale mais que muitos discursos. Flávio Bolsonaro teria negado a um grande banqueiro da Faria Lima qualquer relação com Daniel Vorcaro. Depois, o áudio mostrou o contrário. Ao tentar se explicar, Flávio já não encontrou a mesma porta aberta. Não conseguiu agenda.  

O episódio é simbólico: a Faria Lima não rompe com o bolsonarismo por razões morais, mas quando sente cheiro de risco, contaminação e prejuízo reputacional. O problema de Flávio deixou de ser apenas eleitoral. Passou a ser também financeiro, político e tóxico. 

Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, o cientista político Carlito Neto declarou que o principal problema enfrentado por Flávio seria a perda de confiança de setores ligados à Faria Lima. 

“Eu acho que (o derretimento na campanha) não para, porque o Flávio fez o que nenhum candidato que se diz conservador e de direita deve fazer: roubar a Faria Lima de alguma maneira, e foi o que o Flávio fez”, disse Carlito. 

Flávio tentava construir a imagem de candidato aceitável para o mercado. Queria aparecer como o Bolsonaro “civilizado”, o herdeiro menos estridente, o nome capaz de reunir o voto bolsonarista, o da direita liberal, o dinheiro conservador do andar de cima, os grandes interesses econômicos e a velha mídia que sonha com uma alternativa capaz de derrotar Lula sem parecer uma aventura golpista. O áudio com Vorcaro atrapalhou essa operação. 

A Faria Lima não tem problema moral com o bolsonarismo. Nunca teve. Conviveu muito bem com Paulo Guedes, Jair Bolsonaro, a destruição ambiental, o ataque às instituições, a pandemia tratada com crueldade e a tentativa de golpe. 

O problema, agora, é outro. 

É risco. É contaminação. É custo reputacional. É medo de estar ao lado de uma candidatura que pode se transformar em sinônimo de dinheiro nebuloso e mentira pública, o BolsoMaster. Flávio não perdeu apenas pontos nas pesquisas. Perdeu parte da aura de viabilidade. 

<><> A mentira como problema político 

O caso Vorcaro é devastador porque não se limita à pergunta sobre dinheiro. O problema também é a mentira. 

Flávio tentou reduzir sua relação com Daniel Vorcaro a uma operação privada, supostamente limitada ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. Depois vieram mensagens, áudios, contradições, negativas desmentidas e a revelação de que a relação era muito, muito mais próxima do que o senador havia admitido. 

O problema não é apenas ter conversado com Vorcaro. É ter tentado convencer o país de que quase não o conhecia. Quando dele era íntimo. Amigo de longas datas. Amigo “irmão”, com quem teria feito tenebrosas transações. 

Agora, Flávio Bolsonaro aparece colado a um banqueiro preso, a um banco sob investigação, a contratos milionários e a explicações que não fecham. E condenado a ver diariamente seu passado nada republicano de rachadinhas, Fabrício Queiroz, Adriano da Nóbrega e a cumplicidade com o crime organizado, compras de casa com empréstimo privilegiados do BRB e muito mais. 

<><> Lula avança, a base bolsonarista continua viva 

As pesquisas mais recentes mostram uma mudança importante. Lula passou à frente de Flávio em levantamentos divulgados depois da crise. A vantagem do presidente cresceu justamente quando a candidatura bolsonarista passou a sangrar.  

A nova pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta terça-feira, 25, confirma a liderança do presidente Lula, tanto nos cenários de primeiro quanto de segundo turno.  

Esses números importam. 

Eles mostram que o escândalo furou a bolha. Mostram que a candidatura do “Zero Um” do papai Jair Bolsonaro deixou de parecer inevitável. Mostram que a extrema direita, pela primeira vez em meses, passou a jogar na defesa. Mostram também que Lula volta a se aproximar do patamar que pode consolidar sua reeleição. 

Mas há um dado que impede qualquer euforia: a base bolsonarista continua viva. Fanatizada. Mobilizada. Blindada contra fatos. Acostumada a transformar denúncia em perseguição, escândalo em conspiração e prova em narrativa. 

Flávio pode ter perdido mercado. Pode ter perdido o centro e o norte. Pode ter perdido a máscara e a maquiagem de bom moço. Mas ainda não perdeu a base. 

E enquanto essa base permanecer organizada, nenhum democrata tem o direito de dormir tranquilo. 

<><> O alerta de Marcos Nobre 

É nesse ponto que a avaliação do filosofo e cientista político Marcos Nobre, em entrevista à BBC, precisa ser levada a sério. Segundo ele, o momento do escândalo pode ter sido, paradoxalmente, favorável a Flávio Bolsonaro, porque ainda haveria tempo até a eleição para tentar reconstruir a candidatura. 

A frase incomoda, mas não deve ser descartada. 

Na política brasileira, escândalos que parecem fatais em maio podem ser reorganizados até outubro. A máquina de desinformação da extrema direita ainda não entrou em sua fase máxima. O dinheiro ainda circulará. Os púlpitos e altares ainda serão acionados. Os algoritmos ainda serão inundados. Os influenciadores ainda fabricarão novas cortinas de fumaça. E a família Bolsonaro ainda tentará transformar Flávio em vítima de uma suposta conspiração do sistema. 

Esse roteiro é conhecido. 

Foi assim em 2018. Foi assim durante a pandemia. Foi assim depois do 8 de janeiro. Foi assim com a tentativa de golpe. Foi assim com Jair Bolsonaro condenado e ainda tratado por parte da imprensa como liderança política normal. 

A extrema direita não precisa provar inocência. Precisa apenas manter sua base em estado de guerra. 

<><> O erro seria baixar a guarda 

O campo progressista tem razões para reconhecer o bom momento. Lula avança. Flávio sangra. A direita tradicional se inquieta sem saber ainda como substituir Flávio. A Faria Lima começa a hesitar. A candidatura bolsonarista, que parecia embalada, agora precisa explicar sua intimidade e cumplicidade com Vorcaro e os crimes do BolsoMaster. 

Mas seria um erro grave transformar esse quadro em euforia. 

Flávio Bolsonaro ainda é o herdeiro direto do sobrenome que organiza a extrema direita brasileira e ainda carrega a direita que não quer Lula de jeito nenhum. Ainda tem o apoio de parte decisiva do PL. Ainda tem a máquina digital bolsonarista. Ainda tem a blindagem emocional de milhões de eleitores. Ainda tem setores religiosos, parlamentares, empresariais e midiáticos interessados em impedir a reeleição de Lula. 

Além disso, se Flávio cair, o bolsonarismo tentará reorganizar a chapa em torno de outro nome — Michelle, Caiado, Zema, Renan Santos, os novatos na fila, Aécio Neves, Joaquim Barbosa e outros menos votados — ou qualquer figura capaz de preservar o núcleo do projeto: derrotar Lula, anistiar os golpistas, recompor o pacto com a extrema direita internacional e recolocar o Brasil na órbita política de Donald Trump. 

Portanto, o problema não é apenas Flávio. O problema é o projeto que Flávio representa. 

<><> E se Lula vencer? 

O campo progressista não deve descansar enquanto o resultado da eleição não for proclamado. E nem depois. 

A candidatura de Flávio derreteu, mas ainda não morreu. Lula avança, mas ainda não venceu. A extrema direita está ferida, mas continua organizada. E, mesmo que Lula conquiste um quarto mandato, a luta democrática entrará em uma fase ainda mais difícil. 

É este o novo alerta feito por Marcos Nobre na entrevista à BBC. O cientista político chama atenção para um problema que vai muito além da disputa presidencial: a correlação de forças no Congresso. 

Lula governa com minoria. Para aprovar medidas, negocia com o Centrão. Para conter abusos do Congresso, recorre ao Supremo Tribunal Federal. Esse arranjo, já instável, pode se tornar ainda mais frágil depois das eleições de 2026. 

A estratégia do bolsonarismo, segundo Nobre, é clara: conquistar maioria no Senado. Não apenas para bloquear Lula, mas para colocar o STF sob ameaça permanente. Um Senado dominado pela extrema direita poderia transformar o impeachment de ministros do Supremo em instrumento de chantagem institucional. 

O objetivo não seria apenas derrotar o governo. Seria paralisar a democracia por dentro. 

Mesmo que Lula vença, poderá encontrar uma Câmara ainda mais hostil e um Senado ainda mais agressivo. Poderá governar sob cerco permanente. Poderá enfrentar um Congresso decidido a capturar o orçamento, sabotar políticas públicas, blindar interesses privados e transformar cada votação em chantagem. 

O alerta é simples: é preciso derrotar Flávio Bolsonaro nas urnas. Mas será preciso derrotar também o projeto que ele representa — antes, durante e depois da eleição. 

A pior resposta do campo progressista seria confundir o barulho do tombo com o fim da ameaça. Mesmo ganhado a eleição de outubro, a célebre frase que Lula usava desde o final dos anos 1970 nas greves do ABC, em plena ditadura militar, nunca soou tão forte: A luta continua, companheiro. E vai continuar sendo muito dura.  

¨      Zema diz que eleitor de Flávio Bolsonaro “entregará eleição para Lula”

Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República, Romeu Zema (Novo), adotou, definitivamente, uma postura ofensiva contra a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele voltou a fazer duras críticas ao filho do presidente condenado, Jair Bolsonaro (PL).

Depois de afirmar que “não posso ficar calado sobre quem se envolve com banqueiro bandido. Quem se aproximou dele, sabendo que fazia, merece ser visto com toda reserva”, em referência às ligações perigosas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, Zema pariu para o ataque frontal, com objetivo de deslegitimar a já desgastada pré-candidatura do senador.

“Eu fico muito preocupado em que nós estejamos entregando para a esquerda, mais uma vez, essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio, muito provavelmente vai estar entregando a eleição para o Lula, que manteve o seu posicionamento, enquanto ele caiu. E isso se não surgir mais nada daqui por diante”, declarou Zema, nesta segunda-feira (25), durante evento da Câmara Americana de Comércio Para o Brasil (AmCham), em São Paulo.

O pré-candidato relembrou a disputa eleitoral de 2022, quando Lula venceu por 50,90% dos votos válidos diante de Bolsonaro. Segundo Zema, a tendência é que a briga em 2026 seja mais complicada ainda para a direita.

¨      Zema volta a atacar Flávio Bolsonaro por dinheiro de Vorcaro

O cenário político nacional voltou a registrar forte turbulência na disputa interna pelo eleitorado de direita e pelos rumos da sucessão presidencial. Em entrevista concedida, nesta segunda-feira (25,) à Band News, Zema subiu o tom e renovou as críticas frontais ao senador e também presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Rompendo o ensaio de trégua que vinha mantendo com o clã do ex-presidente condenado, Zema abandonou a postura defensiva e disparou uma frase que caiu como uma bomba nos bastidores do Congresso: “Não posso ficar calado sobre quem se envolve com banqueiro bandido. Quem se aproximou dele, sabendo que fazia, merece ser visto com toda reserva”.

A declaração contundente mexe diretamente com o tabuleiro eleitoral de curto prazo e isola ainda mais o filho “zero um” de Jair Bolsonaro, que tenta se equilibrar em meio às denúncias de favorecimento financeiro. A fala do ex-mandatário mineiro sinaliza que a ala mais pragmática e de perfil técnico da direita não pretende carregar o desgaste ético associado aos recentes escândalos de corrupção, transformando o debate ético no principal divisor de águas entre os pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

 

Fonte: Fórum

 

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