quinta-feira, 1 de agosto de 2024

E os precarizados que alimentam a IA?

No âmbito da análise do  Projeto de Lei No 2.338 de 2023, que cria um marco legal para a Inteligência Artificial no Brasil, na Comissão Temporária sobre Inteligência Artificial, os signatários desta carta ressaltam tema ainda ausente no texto. Saudamos a importância da análise pelo Senado Federal e pela Comissão Temporária Interna sobre Inteligência Artificial no Brasil (CTIA) do Projeto de Lei. O relatório do senador Eduardo Gomes (PL-TO) avançou e apontou para a fixação de diretrizes e obrigações fundamentais para o desenvolvimento e uso dos sistemas de Inteligência Artificial, incluindo medidas para mitigar riscos e assegurar direitos aos vários grupos afetados, especialmente aqueles mais vulneráveis.

O texto tem ensejado intensos debates, com forte e perigoso lobby de setores empresariais contrários ao estabelecimento de necessárias regras para evitar efeitos prejudiciais da implementação e adoção dessas tecnologias. Esta ofensiva das empresas já tem produzido efeitos, com flexibilizações de obrigações fundamentais para garantir o uso responsável e que mitigue consequências danosas para a população. Por isso, é mais do que urgente que a sociedade se mobilize em torno do tema e que o Senado continue persistente em sua autonomia, determinado a aprovar uma nova lei sobre tema da maior relevância para o presente e o futuro de desenvolvimento e bem-estar da população brasileira. Uma legislação soberana, que considere as oportunidades, mitigando riscos e respeitando direitos, colocará o Brasil em posição favorável na cadeia produtiva da economia digital.

Nas últimas discussões na CTIA no Senado Federal, o relator, senador Eduardo Gomes, incorporou uma emenda fundamental para incluir um tema até então pouco tratado entre as medidas: o do trabalho. O acréscimo é de extrema importância, uma vez que o impacto da IA nas relações laborais tem ensejado preocupações em todo o mundo. Reiteramos a importância  das propostas de proteção dos trabalhadores contra os efeitos prejudiciais da implementação dos sistemas de IA incluídos no texto. Sobretudo, faz-se necessário incluir a avaliação de riscos por órgãos competentes, vinculados a instituições que regem a saúde e o direito do trabalho, bem como  adotar medidas de transparência de gestão e proteção dos trabalhadores com  a obrigação de negociar a implementação desses sistemas junto a  entidades representativas dos trabalhadores.

Contudo, há ainda um tema chave ausente do PL: os direitos de trabalhadores envolvidos no desenvolvimento da Inteligência Artificial. Pesquisas acadêmicas têm demonstrado como este processo envolve uma quantidade enorme de pessoas em todas as fases do ciclo de produção dos sistemas, da coleta e anotação de dados à revisão e aperfeiçoamento dos modelos. Embora se trate de um processo essencial ao aprendizado de máquinas, esse trabalho é externalizado principalmente para plataformas digitais ou para redes especializadas de terceirização, submetendo os trabalhadores a desproteção trabalhista, bem como a formas de vigilância violadoras dos direitos à privacidade e à proteção dos dados pessoais.  Infelizmente, estudos têm revelado como tais trabalhadores têm experimentado condições precárias, especialmente nos países do Sul Global, incluindo o Brasil. Um estudo mostrou que 33% dos trabalhadores neste segmento têm nessas plataformas sua principal fonte de renda; 66% contam com uma quantia mínima de dinheiro a ser obtida nas plataformas para pagar suas contas e possuem rendimento médio 31,5% menor do que a população brasileira.

Outros estudos revelaram que estes trabalhadores sofrem não somente com baixos pagamentos, mas também com trabalho não pago, perfazendo  o montante de 8,5 horas por semana. Grupos enormes de trabalhadores são reunidos em fazendas de cliques sem condições trabalhistas adequadas. A esses trabalhadores é imposta uma condição de autônomo, o que retira o acesso a direitos trabalhistas e do sistema de proteção social, como a seguridade social. De um lado, empresas de IA não revelam quem está sendo contratado nas suas cadeias produtivas, de outro muitas companhias e plataformas que fazem este serviço estão fora do Brasil, o que aumenta a vulnerabilidade destes trabalhadores. Essa situação torna as relações de trabalho e as precárias condições de vida destas pessoas  invisibilizadas, pois ao não existirem perante a lei,  não conseguem sequer reivindicar melhores condições.

A IA é uma tecnologia que se torna cada vez mais relevante na sociedade, mas seu desenvolvimento não pode ser feito às custas da dignidade de trabalhadores. Neste sentido, as evidências dos estudos produzidos pela academia mostram a importância das legislações sobre IA tratarem da proteção ao trabalho e trabalhadores (referente ao Capítulo X, seção II do referido PL) não somente na perspectiva dos efeitos de seu uso e implementação, mas também levando em conta o trabalho envolvido nessa cadeia produtiva, o que implica:

– Estender os normativos e políticas públicas delegados à autoridade competente, autoridades setoriais, o CTIA e o Ministério do Trabalho também aos trabalhadores envolvidos no desenvolvimento dos sistemas de IA.

– Incluir estes trabalhadores nas avaliações de risco e nas obrigações de supervisão humana para decisões tomadas por sistemas automatizados.

– Incluir obrigações de transparência para empresas de IA no tocante às empresas e trabalhadores contratados na sua cadeia produtiva para permitir a fiscalização das autoridades de inspeção do trabalho.

– Assegurar aos trabalhadores envolvidos no desenvolvimento de IA direitos básicos trabalhistas previstos na legislação trabalhista quando cumpridos os requisitos para tal, indicando a necessidade de fiscalização das autoridades nesse setor.

– Delegar à ANPD, em parceria com o CRIA e o Ministério do Trabalho, a emissão de normativos que limitem a coleta abusiva de dados de trabalhadores no âmbito do desenvolvimento e uso de sistemas de IA, incluindo dados psicológicos e relativos a sentimentos.

– Acrescer às diretrizes do capítulo a transparência nos contratos e termos, na definição da alocação de trabalho, na definição de remuneração, na tomada de decisões disciplinares e nos critérios utilizados pelos sistemas de IA, bem como direitos de recurso às decisões tomadas por estes e ou com o auxílio deles. 

Compreendemos que este é um momento crucial e final de tramitação do PL 2.338 de 2023 na CTIA, mas não poderíamos nos furtar de alertar para a importância do assunto uma vez que o tema do trabalho passou a fazer parte do escopo. Ao mesmo tempo, somamo-nos aos alertas contra os riscos do lobby das empresas de vários setores que atuam para descaracterizar o texto do PL.

<><> Assinam esta carta:

Laboratório de Pesquisa DigiLabour

Projeto Fairwork

Laboratório de Trabalho, Saúde e Processos de Subjetivação (LATRAPS)

Laboratório de Pesquisa em Economia, Tecnologia e Políticas da Comunicação (Telas)

Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Universidade de São Paulo.

ILO Essex Observatory for Work in the Digital Economy, capítulo Brasil 

Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM)

Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej)

Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN)

Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE.BR)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo

Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (ABRASTT)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)

ADUFC – Seção Sindical dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará

Compolítica – Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política 

Frente Ampla em Defesa da Saúde dos Trabalhadores

Rede de Pesquisa Trabalho e Identidade do Jornalista (Retij – SBPJor)

Rede Lavits

Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD)

União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura, Capítulo Brasil (ULEPICC-Brasil)

Instituto Distributed AI Research (DAIR)

Grupo de Pesquisa Digital Platform Labour (DiPLab)

Cátedra Luiz Beltrão de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap)

Centro de Estudos Subjetividade, Saúde e Trabalho (CESST)

ComunicAtivistas

Coordenação Coletiva Setorial de C&T,I e TI PR RS

CPCiente

Departamento de Técnicas Profissionais e Conteúdos Estratégicos – FACOM/UFJF

EMERGE-UFF – Centro de Pesquisa e Produção em Emergência, Universidade Federal Fluminense

Grupo de Estudos e Pesquisas para o Trabalho (GEPT/UnB)

Grupo de Pesquisa Classes Sociais e Trabalho

Grupo de Pesquisa CPCienTE – Interfaces em Comunicação Pública da Ciência, Tecnologias e Educação: políticas públicas, Comunicação digital e métricas, divulgação científica

Grupo de Pesquisa e Estudos das Poéticas do Cotidiano – EPCO/UEMG

Grupo de Pesquisa Economia Polìtica da Comunicação da PUC-Rio/CNPq

Grupo de Pesquisa em Comunicação, Economia Polítia e Diversidade – Grupo Comum – UFPI

Grupo de Pesquisa Trabalho e Teoria Social (GPTTS) da UnB

GT Inteligência Artificial e Trabalho da Cátedra Oscar Sala do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP)

InfoCom – Grupo de Pesquisa em Competências InfoComunicacionais

Instituto Brasileiro de Políticas Digitais – Mutirão

Instituto de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas

International Center for Information Ethics

Laboratório ARIDA (Advanced Research in Databases)

Laboratório de Investigação em Comunicação Comunitária e Publicidade Social (Laccops/UFF)

Laboratório de Metodologias de Ensino e Tratamento de Resíduos da Universidade Federal do Ceará

Laboratório de Psicologia Social Jurìdica (UFMG)

Laboratório de Tecnologias Livres -UFABC

MediaLab.UFRJ

Movimento FeliciLab

Núcleo de Jornalismo e Audiovisual (PPGCOM UFJF)

Núcleo de Tecnologia do MTST

Núcleo de Estudos Organizacionais Sociedade e Subjetividade

Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Comunicação-nujoc-UFPI

Observatório de Economia e Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (OBSCOM-UFS)

Observatório da Ética Jornalística (objETHOS/UFSC)

Observatório das Plataformas Digitais (OPD/UFMG)

Observatório dos Impactos das Novas Morfologias do Trabalho sobre a Vida e Saúde da Classe Trabalhadora (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo)

Observatório do Futuro do Trabalho

SETORIAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PT-RS

Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho – SINAIT

SINDPD-PE – Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados, Informática e Tecnologia da Informação do Estado de Pernambuco

SOS Viamão

Trab21 – Grupo de Pesquisa Trabalho no Século XXI

TRAMPO Pesquisa

University of Salento

 

Fonte: Outras Palavras

 

Por que Japão, 'carrasco' do Brasil na Olimpíada, é tão bom nos esportes

No futebol feminino, o Japão fez gol nos acréscimos e venceu a seleção brasileira. No skate, Rayssa Leal, medalha de bronze, só não esteve em um lugar mais alto no pódio porque duas japonesas ficaram na frente.

No judô, a campeã olímpica Rafaela Silva perdeu a disputa do bronze para uma judoca japonesa. E esses são só alguns exemplos dos primeiros dias de Jogos Olímpicos...

O Japão tem se mostrado um "carrasco" para os atletas brasileiros nos Jogos de Paris 2024 — o que, como tudo no Brasil, deu origem a uma onda de memes nas redes sociais.

Até o perfil oficial do Comitê Olímpico do Brasil (COB), o @Time Brasil, entrou na brincadeira e anunciou que "bloqueou" o perfil oficial dos japoneses, o @TeamJapan.

Até esta terça-feira, 30/7, o Japão era o primeiro no quadro de medalhas em Paris, com sete ouros e 13 medalhas no total.

Na última Olimpíada, em Tóquio, o Japão terminou em terceiro lugar, com 27 medalhas de ouro e 58 no total, um recorde para o país,

O desempenho de destaque dos japoneses ocorre em meio a investimentos na área de esportes, impulsionados pelos Jogos de Tóquio, e uma cultura que valoriza o esporte desde as escolas.

"Não é apenas e edição de 2020 dos Jogos, em Tóquio, que leva o Japão a esse lugar. Isso começa com os primeiros jogos no país, em 1964, quando se criou uma cultura esportiva", diz o professor Nelson Todt, coordenador do Grupo de Pesquisa em Estudos Olímpicos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e presidente do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin, dedicado ao francês que criou os Jogos da era moderna.

"E essa cultura se sustenta pelo sistema educacional, por uma política que investe no esporte, patrocinadores... Não é algo só de agora."

Desde 2015, o país mantém ainda projetos como o chamado "melhoria da capacidade esportiva", segundo o Ministério de Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia.

Isso acontece em meio a um crescente orçamento do governo japonês para o setor de esportes, segundo dados reunidos no site Statista.

Mas como o país se tornou uma potência olímpica?

•        Esportes ocidentais chegam ao Oriente (e às escolas)

A história do país com a prática de esportes começa bem antes da chegada das modalidades "ocidentais" - que hoje são a maioria em competições como os Jogos Olímpicos -, segundo a Embaixada do Japão no Brasil.

Os esportes tradicionais do Japão, muitos nascidos por volta do século 12, eram chamados de "budo", com destaque para o kendo (esgrima japonesa com bastões de bambu), jujutsu (que deu origem ao judô e ao jiu-jitsu), kyudo (arco e flecha japonês) e o karatê.

Após a chamada Restauração Meiji, em 1868, quando imperador Meiji chegou ao trono e iniciou o processo de modernização e internacionalização mais vertiginoso da história japonesa, varias modalidades esportivas do Ocidente foram introduzidas, como beisebol, atletismo, rugby, futebol e patinação no gelo.

A popularização veio principalmente pelo sistema educacional a partir de 1870, com a inclusão da educação física no currículo escolar, com esportes como remo e tênis. Os esportes, segundo o texto da embaixada, também vieram acompanhados da ideia de "de que eram maneira de se obter disciplina mental".

A Associação de Esportes Amadores do Japão (JASA) foi organizada em 1911, em preparação para os 5º Jogos Olímpicos, que aconteceram no ano seguinte em Estocolmo, na Suécia. O Brasil viria a participar dos jogos a partir de 1920.

Além das aulas de educação física, desde o século 20 as escolas japonesas realizam eventos esportivos anuais nos quais todos os alunos participam. São os chamados undokai.

Até hoje, eles ocorrem no início de outubro, num feriado nacional conhecido como Dia dos Esportes.

Esses eventos escolares incluem uma variedade de atividades, como caminhadas, corridas, natação, competições de esportes com bola, esqui e escalada.

Segundo pesquisadores, os eventos escolares oferecem aos participantes oportunidades "de cultivar virtudes como cooperação, solidariedade, trabalho em equipe e responsabilidade".

Os esportes também fazem parte das chamadas bukatsu - algo que poderia ser traduzido como "atividades extracurriculares".

Esses clubes escolares preenchem o horário livre das crianças, que escolhem qual atividade esportiva ou cultural pretendem seguir. Dependendo do bukatsu, as crianças podem treinar durante um turno e participar de jogos amistosos nos finais de semana ou dias de folga.

•        O papel das grandes empresas

Na segunda metade dos anos 1940, o Japão estava devastado após a derrota na Segunda Guerra ao lado da Alemanha nazista e da Itália fascista. O país também tinha sido arrasado pelas bombas atômicas jogadas pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki.

Os anos que se seguiram ficaram conhecidos como o "milagre econômico japonês", com o apoio dos americanos em meio à Guerra Fria. Esse período de reconstrução teve um grande impulso com o surgimento de empresas locais, que passaram a exportar produtos inovadores e relativamente baratos para o mundo.

Nesse cenário, surgem grandes empresas japonesas de eletrônicos, como a Toshiba, e de carros, como a Honda.

Essas novas grandes empresas também tiveram papel importante no fortalecimento do esporte no país, segundo mostra artigo da revista Nipponia, mantida pelo Ministério das Relações Exteriores japonês nos anos 2000.

"Após a Segunda Guerra Mundial, um número crescente de graduados desejava continuar participando de esportes. Eles foram atraídos por grandes corporações, que usaram parte dos lucros obtidos durante os períodos de crescimento para estabelecer clubes esportivos internos", escreveu Tamaki Masayuki, respeitado escritor de esportes no país.

"Os times corporativos competiam entre si, e logo se percebeu que os melhores jogadores eram uma excelente propaganda para suas empresas. Em pouco tempo, os programas esportivos corporativos estavam treinando os melhores atletas do Japão”.

No livro Japanese Sports: A History (Esportes no Japão, um história, em tradução livre), os autores Allen Guttmann e Lee Thompson escrevem que, no país que se reerguia no pós-guerra, a população também buscava o reconhecimento em "esportes modernos" que ganhavam espaço no mundo.

"Apesar da devastação, as crianças brincavam entre as ruínas e os adultos começavam, timidamente, a reconstruir as organizações e a infraestrutura material dos esportes japoneses. Como seus avós no período Meiji, eles queriam não apenas a oportunidade de participar em esportes tradicionais e modernos, mas também o reconhecimento internacional de suas conquistas atléticas", dizem os autores no livro.

O esporte que atraiu cada vez mais atenção após a guerra foi o beisebol, esporte em que o Japão levou o ouro nos Jogos de Tóquio (em Paris, a modalidade não está no programa). Os patrocinadores corporativos utilizaram o esporte como uma "ferramenta de publicidade e promoção", segundo Masayuki.

Mas a relação íntima entre empresas e esporte japoneses arrefeceu desde os anos 1990, já que crises econômicas levaram a menos investimentos nos clubes esportivos das companhias.

•        Grandes eventos e investimentos

Se as empresas ajudaram a popularizar alguns esportes, foram os grandes eventos que atraíram os japoneses para o esporte de alto rendimento.

Foi justamente no cenário pós-Guerra que o Japão sediou a Olimpíada de 1964 - o país chegou a ser excluído das competições em 1948, em Londres, mas foi readmitido em 1952, em Helsinque.

"Nesse Jogos de Tóquio, foi feita toda uma política esportiva para colocar o Japão como uma força mundial depois da Segunda Guerra", explica Nelson Todt, do Grupo de Pesquisa em Estudos Olímpicos da PUCRS.

A edição de 1964, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI), ocorreu "em meio a um novo movimento político para enfatizar a importância da educação física entre os jovens da nação. Políticas educacionais que promoviam esportes ao longo da vida foram introduzidas antes do evento, uma abordagem que continuou nas décadas seguintes".

Além desse esforço olímpico, desde 1946, o Japão sedia anualmente o chamado Kokumin Taiiku Taikai (Festival Nacional de Esportes). A ideia era reerguer as modalidades e levantar o moral da população.

Em 1951, o Japão participou dos primeiros Jogos Asiáticos, realizados em Nova Délhi, Índia, onde já se consagrou como maior medalhista da região.

Esses eventos são encarados por pesquisadores como exemplos que promoveram "entusiasmo dos japoneses pelas grandes competições esportivas".

Na esteira da segunda edição dos jogos de verão em solo japonês, realizados em Tóquio em 2021 em meio a pandemia de covid-19, o governo japonês lançou uma série de programas para incentivar o esporte.

"Nenhuma edição sozinha de Jogos vai melhorar a longo prazo a cultua esportiva. A curtíssimo prazo melhora, como o Brasil em 2016, o Reino Unido em 2012, porque tem investimento, atenção da mídia. Isso potencializa os resultados", diz Todt.

Para o professor, os Jogos de 2020 no fim serviram mais "para modernizar o Japão, com pelo menos oito anos de preparo em novos esportes". "O país se atualizou e entendeu a lógica que precisa 'mudar para não ser mudado', compreendendo a necessidade de adaptação a novas culturas esportivas", diz o pesquisador, com exemplos como o sucesso no skate.

O Japão também sediou os Jogos Olímpicos de inverno 1972 e 1998, além da Copa do Mundo de futebol em 2002, junto com a Coreia do Sul.

Segundo os dados, o investimento em esporte foi crescendo ano após ano, com um grande aumento principalmente em 2016, na preparação para os Jogos Olímpicos.

O chamado "projeto de melhoria da capacidade esportiva" de 2015 determina recursos para que "cada organização esportiva realize acampamentos de treinamento para a equipe nacional japonesa, enviar atletas para competições internacionais, nomear treinadores nacionais".

Outro programa, chamado J-STAR, apoia jovens que almejem competir em competições internacionais. O site oficial do programa diz que "através de medições e avaliações de sua força física e capacidade atlética, os participantes encontrarão o esporte que melhor se adapta a eles e passarão por treinamentos, como acampamentos de treinamento conduzidos por treinadores de alto nível".

O governo japonês também oferece benefícios para o setor privado investir, como deduções fiscais para doadores de atividades esportivas.

Para Todt, a visão japonesa de longo prazo pode ensinar ao Brasil. O professor avalia que o Time Brasil faz "milagre", com aumento de atletas, medalhas e participação feminina a cada edição."Temos uma monocultura, do futebol. Não adianta o foco nos atletas só a cada quatro anos, com mídia e investidores. Tem que pensar no 'olimpismo 365', todos os dias do ano".

 

Fonte: BBC News Brasil

 

Cresce entre jovens índice de ansiedade no Brasil

De acordo com análise da Folha de S.Paulo a partir de dados da Raps (Rede de Atenção Psicossocial) do SUS de 2013 a 2023,  pela primeira vez no Brasil, os números de casos entre pessoas com 10 a 19 anos superaram os dos adultos. Enquanto a incidência de transtornos de ansiedade entre pessoas com mais de 20 anos está 112,5 a cada 100 mil habitantes, este número salta para 125,8 entre jovens de dez a 14 anos e alcança 157 entre adolescentes. Essa mudança coloca os jovens na dianteira de uma crise de saúde mental que escalou de forma alarmante, superando os adultos em 2022.

A psicóloga Laryssa Galvão ressalta que o quadro é responsável por afetar, não apenas o bem-estar emocional dos jovens, mas também seu desempenho acadêmico e suas relações pessoais. Por conta deste quadro, a especialista aponta que entender as causas e os impactos desse fenômeno é crucial para oferecer o suporte necessário e promover um desenvolvimento saudável durante a adolescência.

"Embora a maioria dos adolescentes desfrute de boa saúde mental, diversas transformações físicas, emocionais e sociais, como exposição à pobreza, abuso ou violência, podem aumentar a vulnerabilidade deles a problemas de saúde mental. Por isso, é essencial promover o equilíbrio psicológico e protegê-los de experiências adversas e fatores de risco que possam prejudicar sua capacidade de se desenvolver plenamente", alerta.

Os adolescentes podem experimentar uma variedade de sintomas ao lidar com a ansiedade, como dificuldades para adormecer ou insônia, sentimentos frequentes de inquietação ou nervosismo, dores de cabeça, dificuldade de concentração, desconfortos abdominais ou sensação de náusea.

"Além disso, você pode se sentir irritável, suar excessivamente, ter batimentos cardíacos acelerados, formigamento nas mãos ou sensação de tontura. Outro sintoma comum é a dificuldade em controlar preocupações persistentes ou pensamentos intrusivos, além de evitar situações cotidianas por causarem ansiedade. Esses sinais indicam a importância de buscar apoio para gerenciar a ansiedade e promover o bem-estar mental", pontua a psicóloga.

De acordo com o último grande mapeamento global de transtornos mentais, realizado pela Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui a população com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo. Aproximadamente 9,3% dos brasileiros sofrem de ansiedade patológica. Em seguida, aparece o Paraguai (7,6%), Noruega (7,4%), Nova Zelândia (7,3%) e Austrália (7%).

A especialista esclarece que a ansiedade frequentemente surge de uma combinação entre fatores genéticos (histórico familiar) e ambientais (eventos de vida). "Os transtornos de ansiedade são comuns e afetam muitas pessoas. A melhor atitude que você pode tomar é compartilhar seus sentimentos com alguém de confiança. Conversar com pais ou responsáveis, professores, amigos ou outro adulto próximo, além de consultar um médico. Eles podem oferecer suporte e ajudá-lo a encontrar estratégias para lidar com isso", observa.

Já sobre o tratamento, Laryssa explica que deve existir a oferta de serviços por equipes supervisionadas e treinadas para lidar com as necessidades específicas dos adolescentes, enquanto a prescrição de medicamentos psicotrópicos deve ser cuidadosa e reservada apenas para casos de saúde mental moderada a grave.

"Quando as intervenções psicossociais se mostrarem ineficazes e forem clinicamente recomendadas, sempre com consentimento informado. O tratamento deve ser supervisionado por especialistas e acompanhado de perto para mitigar potenciais efeitos adversos", alerta.

 

•        Transformação digital na saúde revoluciona a divulgação de médicos com novas estratégias de marketing

Impactando os mais diversos setores do mercado, a transformação digital está transformando a área da saúde. Com a criação de novas tecnologias e o aumento do uso da internet, médicos e clínicas passaram a adotar novas estratégias para se conectar com pacientes e promover seus serviços.

Consultas online, telemedicina e agendamentos digitais tornaram-se comuns, criando uma demanda por maior presença online por parte dos profissionais de saúde. A adaptação a essas mudanças não é apenas uma questão de conveniência, mas uma necessidade para manter a competitividade e atrair novos pacientes.

Segundo um levantamento do New York Times, em 2022, os gastos em publicidade de saúde nos EUA foram de US$22,4 bilhões. Espera-se que esse valor aumente para US$29,2 bilhões até 2028.

De acordo com Eduardo Rodriguez, CEO da M.SEO Marketing, agência com foco na área da saúde, o marketing digital oferece uma variedade de ferramentas e estratégias que podem ajudar médicos a se destacarem no mercado. “A criação de sites otimizados para motores de busca como Google, a produção de páginas informativas para o público em geral, blogs educativos e o uso de mídias sociais para engajamento com pacientes são apenas algumas das inúmeras possibilidades. Essas estratégias aumentam a visibilidade, além de estabelecer credibilidade e confiança entre os pacientes”, revela.

<><> A nova fronteira da divulgação

O especialista em marketing e comunicação acredita que as redes sociais têm um papel crucial na divulgação de médicos e clínicas. “Plataformas como Instagram, Facebook e LinkedIn permitem que os profissionais de saúde compartilhem informações, publiquem depoimentos de pacientes e interajam diretamente com o público. Postagens regulares, vídeos educativos e lives atraem seguidores e transformam visitantes em pacientes”, afirma.

O SEO (search engine optimization) é uma estratégia fundamental para que médicos sejam encontrados facilmente em buscas online. “Produzir conteúdo de qualidade, como artigos para blogs e vídeos informativos, além de implementações de tecnologia e códigos específicos aplicados estrategicamente ao site, ajudam a melhorar o seu posicionamento nos motores de busca e atrai tráfego orgânico para os sites dos profissionais de saúde. Além disso, responder a perguntas frequentes e fornecer informações úteis estabelece o médico como uma autoridade no assunto”, declara.

Para Eduardo, as avaliações online são um fator decisivo na escolha de um profissional de saúde. “Sites de avaliação e feedback de pacientes são consultados por muitos antes de agendar uma consulta. Incentivar pacientes satisfeitos a deixarem avaliações positivas pode aumentar significativamente a credibilidade e atrair novos usuários”, pontua.

<><> O futuro do marketing na medicina

Segundo o CEO, a transformação digital na saúde é uma realidade inevitável, e o marketing digital está no centro dessa mudança. “Médicos e clínicas que adotam essas estratégias se adaptam às novas demandas, encontrando novas oportunidades de crescimento e engajamento com pacientes. Implementar de vez essas ferramentas é um movimento indispensável para o sucesso no setor”, finaliza.

 

Fonte: Carmen Comunicação/Carolina Lara Comunicação

 

Medellín, um laboratório do urbanismo social

Nasci em Medellín, na Colômbia, e tenho vivido boa parte dos meus 62 anos nesta cidade. Disso, talvez o leitor deduza: estou habituado a viver em um país em guerra. Um país tomado por guerrilhas rurais e urbanas, por grupos paramilitares, por gangues de narcotraficantes de enorme poderio bélico e tudo o que essa mistura explosiva costuma gerar: medo e sangue, em razão de milhares de mortes violentas todos os anos.

A Colômbia é uma das nações com maior iniquidade do mundo: o índice de Gini, que mede a concentração de renda, foi, em 2023, de 0.546 (quanto mais alto, pior). Houve uma ligeira melhora na comparação com o ano anterior, em que o país marcou 0.556 pontos. A Colômbia registrou, no ano passado, uma taxa de mortes violentas de 25,7 por 100 mil habitantes, o que nos alçou à posição de número 12 dentre as nações com maiores índices de violência da América Latina e Caribe. O Brasil ficou na 16ª posição.

Medellín já foi símbolo do pior: teve, durante vinte anos, a mais alta taxa de mortes violentas do mundo. Em 1991, o número de homicídios chegou a 6700, uma taxa de 383 casos por 100 mil habitantes, dezoito por dia. Foram mais de 66 mil mortes violentas em duas décadas. O cartel liderado por Pablo Escobar ostentava o título de maior grupo criminoso do planeta.

Medellín, hoje, não é mais símbolo do pior, muito pelo contrário: de uns anos para cá, tem sido reconhecida como uma cidade-exemplo mundo afora. Em 2016, ganhou o que alguns chamam de “o Nobel das cidades”: o prêmio Lee Kuan Yew World City, em razão de suas profundas mudanças sociais, educativas, culturais e urbanas. As metrópoles que chegaram à final desse prêmio foram Auckland, Sydney, Toronto e Viena. Em 2013, Medellín já havia conquistado o prêmio de “cidade mais inovadora” do mundo, em disputa, na derradeira etapa, contra Nova York e Tel Aviv.

Esses e outros prêmios vêm nos convertendo em referência para muitas metrópoles, que nos tomam como modelo. Insistimos, porém, que, mais do que modelos, somos um laboratório social e urbano, pois levamos três décadas ensaiando soluções estruturais e conjunturais para as nossas imensas pobreza e desigualdade, para as nossas atrozes violências políticas e urbanas.

Conseguimos uma diminuição radical em nossas taxas de homicídio nos últimos trinta anos. Como foi possível? Graças a ambiciosos projetos público-privados-comunitários e ao entendimento de que Medellín tinha que se converter no que é atualmente: um exemplo de que é possível superar, de maneira coletiva, o fracasso social de uma cidade. Mudamos de pele. Por sorte – e não sem enormes dificuldades –, estamos mudando também de alma.

O que ocorre na Colômbia não é o mesmo que na Europa, onde a desigualdade social se manifesta de formas mais amenas e a violência é menor. Não se trata, aqui, de um simples projeto de melhoramento de bairros. Trata-se de um caminho para aprimorar as cidades e, com isso, as mazelas de nosso país. Nossa ferramenta, nesse processo, foi e segue sendo o urbanismo social.

Quando se fala em urbanismo social, é normal que as pessoas prestem mais atenção à primeira parte da expressão: “urbanismo”. Afinal, é um substantivo, a essência do que se quer dizer. A palavra “social”, um adjetivo, é tomada como mero complemento, uma qualificação. Isso se reflete nos projetos focados em comunidades pobres: antes de qualquer coisa, discutem-se obras físicas. O que proponho, a partir de agora, é que seja dada a mesma força às duas palavras. É preciso entender que o social, tanto quanto o urbanismo, é essencial na transformação das cidades.

Durante muito tempo, em Medellín, nós dissemos que precisávamos de projetos físicos, urbanos, que dessem resultados sociais. Com o passar do tempo, notei que estávamos equivocados. Aquilo que realmente queríamos soava parecido com isso, mas era na verdade uma inversão: um projeto de transformação social, educativa e cultural que desse resultados urbanos.

O que sempre buscamos foi ampliar a inclusão e a coesão social em nossas cidades, costumeiramente excludentes e indiferentes. Por isso, constatamos que, no urbanismo, as obras físicas devem sempre estar submetidas ao projeto social, e não o contrário. É preciso pensar a sociedade em todas as suas dimensões – educativas, culturais, ambientais, esportivas, recreativas, de saúde, econômicas, de gênero – e moldar com base nelas um projeto urbanístico.

Sempre que Medellín é lembrada em foros urbanísticos, vangloriam-se seus avanços puramente físicos: a arquitetura de nossos novos edifícios públicos, os parques-bibliotecas, as Unidades de Vida Articulada (UVA), os colégios, os centros culturais, os jardins infantis. Por trás desse urbanismo fotogênico, no entanto, corre um profundo trabalho social, educativo, cultural, de comunicação pública e de construção de uma nova história de cidade. É nisso que reside a verdadeira transformação de Medellín.

Muitos projetos de urbanismo social fracassam devido ao fato de serem projetos meramente urbanos, onde o social é um fraco complemento, convertido em simples ferramenta ocasional. Penso que a Habitat III (Quito, 2016), conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento urbano sustentável, se equivocou ao definir uma Nova Agenda Urbana mundial, pois a urgência deveria ser projetar uma Nova Agenda Social Mundial. Como seria uma cidade projetada a partir de uma perspectiva social, que almeje a convivência e a coesão de todas as classes?

Quem quer que ande hoje por Medellín pode fazê-lo seguindo o mapa das transformações. Sem que tenhamos planejado isso, nos tornamos a cidade com maior turismo estrangeiro da Colômbia e um dos principais destinos para nômades digitais. Um dos motivos para isso é que em Medellín se pode andar por todos os cantos, incluindo os bairros que durante anos foram impenetráveis devido aos alarmantes índices de violência. Essa paisagem de transformações inclui o “mapa das maravilhas”: edifícios e equipamentos públicos de alta qualidade em termos de arquitetura e de impacto na vida cotidiana das comunidades.

Tudo o que é público deve contribuir para a equidade social. O acesso a equipamentos e serviços públicos de qualidade foi uma das fórmulas empregadas em Medellín: aumentou-se a cobertura de fornecimento de água, esgoto, energia, telefonia e gás; mais ruas foram asfaltadas; e instalou-se equipamentos educativos, culturais, esportivos e recreativos de máxima excelência em todas as regiões da cidade. O sistema de mobilidade pública virou um elemento de integração territorial. O sistema de metrô, em funcionamento desde 1995 e sem o qual não teríamos boa parte das dinâmicas sociais e culturais de Medellín, inclui duas linhas de trem, uma transvia (VLT), seis metrocables (teleféricos urbanos) e várias linhas de Metroplus (BRT, com integração ao metrô). Um detalhe de extraordinária relevância: o melhor transporte público em Medellín está justamente nas zonas de maior pobreza.

Nestes tempos em que o urbanismo social anda na moda, acho importante frisar que essa política não se faz por meio de um mero “retoque” em bairros pobres. Não se trata de embelezar uma favela. Urbanismo social não é Photoshop. Seu impacto, mais do que estético, é ético. Ele é chave para que alcancemos profundas transformações sociais em nossas cidades.

Uma das grandes dificuldades da gestão municipal, tanto na Colômbia quanto em outros países, é conseguir fazer com que haja integração de todo o gabinete – ou seja, articular as secretarias de modo que elas deixem de trabalhar somente em sua própria dimensão setorial (de saúde, educação, cultura) e se coordenem também de forma territorial. Em Medellín, estruturamos em 2004 os PUI, Projetos Urbanos Integrais, uma ferramenta que busca precisamente o trabalho conjunto, com objetivos compartilhados, de todas as instâncias municipais. Os PUI tiveram um bom antecedente nos anos 1990: o Primed, Programa Integral de Melhoramento de Bairros Informais de Medellín. O Primed, por sua vez, se inspirou, e muito, no programa Favela-Bairro, implementado no Rio de Janeiro no início daquela década, e que depois de alguns anos passou a ter apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Para definir em quais bairros de Medellín deveríamos implantar os PUI, levamos em conta quatro critérios:

•          Menor índice de desenvolvimento humano;

•          Maior índice de violência;

•          Maior densidade populacional (especialmente, maior quantidade de crianças com menos de 6 anos);

•          Que a localidade em questão representasse algo de especial para a cidade, por sua história, ou porque trouxesse à tona algum feito relevante. Bairros que gerassem nas pessoas a sensação de que, “se foi possível aqui, pode ser em qualquer outro lugar”.

A característica principal dos PUI é a simultaneidade das intervenções: vários grandes projetos urbanos e sociais são conduzidos ao mesmo tempo. Os PUI, além disso, permitem que o poder público tenha um diagnóstico preciso dos bairros e de seus problemas. Com isso, o programa se converte em uma ferramenta para conhecer, reconhecer, valorizar e potencializar o que já existe na cidade. Os projetos não são desenhados em um escritório de engenheiros e arquitetos – são pensados por profissionais de todas as áreas, com participação constante da comunidade.

Os PUI não buscam melhor a qualidade de vida em um bairro apenas, mas num conjunto de bairros – as “comunas”, como dizemos na Colômbia. Entre seus objetivos está promover a conexão urbana e social dessas áreas com o restante da cidade, e vice-versa. Coesão urbana e social deveria ser um critério, sempre, no urbanismo social. Trata-se de integrar, de conectar, e não de intervir em um bairro para mantê-lo como um gueto social e cultural. Não podemos pensar a cidade de forma desarticulada.

Nos Projetos Urbanos Integrais de Medellín, foi fundamental a construção de edifícios públicos de alta qualidade arquitetônica. Eles se tornaram símbolo dos processos de transformação da cidade; uma nova referência de dignidade. São prédios que resultaram de concursos nacionais e internacionais, assim como das oficinas de projetos da EDU, a Empresa de Desenvolvimento Urbano de Medellín. Centenas de profissionais de arquitetura e engenharia têm sido formados pela EDU, e seu trabalho se faz perceber na geografia não apenas de Medellín, mas também de outras cidades pelo mundo.

Vinte anos atrás, os edifícios mais importantes de Medellín pertenciam à iniciativa privada ou a organizações religiosas, especialmente a católica. Que hoje sejam as edificações públicas as mais visadas é uma das conquistas da cidade. E é especialmente relevante que esses edifícios estejam localizados em bairros onde era impensável que houvesse investimentos dessa natureza.

A maioria desses novos edifícios públicos – que hoje são os nossos cartões-postais – é formada por centros educativos e culturais. Entre eles estão dez biblioteca-parques, 21 UVAs, a Casa da Música, o Centro de Desenvolvimento Cultural de Moravia, a Biblioteca de EPM (Empresas Públicas de Medellín), 34 jardins infantis do programa Buen Comienzo, vinte colégios públicos de alta qualidade, o Rota N (edifício-base de nossos desenvolvimentos tecnológicos), o Centro da Quarta Revolução Industrial (no lugar onde durante 120 anos funcionou uma prisão para mulheres), o Museu de Arte Moderna (que é privado, mas tem sua sede principal em um prédio público que foi durante anos parte da siderúrgica da cidade), o Mova – Centro de Inovação para Professores, o Museu Casa da Memória, a Plaza Mayor (centro de convenções), parques arborizados e muito mais.

Todas essas edificações são parte da busca por inclusão social; dão à cultura e à educação um papel preponderante na transformação de nossa sociedade. Não são meteoritos de concreto caídos do céu: são fruto de um longo processo de participação popular, de acordos, de valorização das identidades territoriais e de “concertações” entre muitas áreas do governo municipal, sem contar alianças com empresas, fundações privadas e centenas de organizações comunitárias.

O trabalho conjunto em favor da cidade foi a chave principal da transformação de Medellín. Por isso o que ocorreu aqui chama tanto a atenção de outras metrópoles. E por isso temos insistido para que não olhem só o que temos feito, mas também, e especialmente, como temos feito; tudo o que há por trás de cada uma dessas obras, tudo o que conforma nossos projetos.

Nossa arquitetura simbólica, recheada de significado social, tem inspirado projetos que hoje são muito relevantes em outras cidades, com os Compaz (Centros Comunitários da Paz), de Recife, as Usinas da Paz, de Belém, os Nido (Núcleos de Innovación y Desarrollo de Oportunidades), na Argentina, e as Utopías (Unidades de Transformación y Organización para la Inclusión y la Armonía Social), de Iztapalapa, na Cidade do México.

Temos ainda muito o que fazer na América Latina, uma das regiões com maior iniquidade e violência do mundo. Um urbanismo social que não se limite ao estético e se empenhe em transformações éticas – pois, como sociedade, não podemos mais tolerar uma vida tão desigual – é ferramenta indispensável para alcançarmos maior dignidade para todos os que habitam a maior das invenções humanas: as cidades.

 

Fonte: Por Jorge Melguizo,  na revista Piauí

 

Assassinato 'flagrante' de Haniya 'pode ter cruzado a linha vermelha', adverte ex-oficial da CIA

O movimento Hamas já prometeu vingar-se após o chefe do gabinete político do grupo militante palestino, Ismail Haniya, ter sido assassinado em Teerã.

O assassinato de Ismail Haniya "teve claramente o apoio e conhecimento prévio dos Estados Unidos e do Reino Unido," disse em entrevista à Sputnik Larry Johnson, ex-agente da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA.

"Digo isso porque também temos notícias, que chegam agora, de que navios de guerra dos EUA e do Reino Unido estão a caminho do Mediterrâneo. Em um dos navios americanos provavelmente está uma Unidade Expedicionária de Fuzileiros", disse Johnson.

Então, a situação "agora aumentou as tensões na região além do que eram, mesmo após o ataque ao consulado iraniano em abril", segundo ele.

Em resposta a esse ataque, o Irã "enviou uma mensagem muito clara para Israel de que, no futuro, quaisquer novas provocações como esta seriam enfrentadas com força, e agora tanto o Hezbollah como o Irã foram incitados a responder e Israel está calculando que pode suportar os golpes", acrescentou o ex-oficial de inteligência da CIA.

"Isso é extremamente perigoso. [...] Este ataque [contra Haniya] foi tão descarado que não acho que haverá qualquer contenção por parte do Irã ou do Hezbollah. Acho que isso pode ter realmente cruzado a linha vermelha. É extremamente preocupante porque isso tem a característica de ser capaz de sair fora do controle. E tem mesmo, estamos agora em uma situação de esperar para ver", enfatizou Johnson.

Anteriormente, o grupo militante palestino Hamas confirmou em um comunicado que Haniya foi morto no que o Hamas disse ser um ataque israelense em sua residência em Teerã, após ele ter participado da tomada de posse do novo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

¨      Rússia condena veementemente assassinato do líder político do Hamas em Teerã

Moscou condena veementemente o assassinato do líder político do movimento palestino Hamas Ismail Haniya, na sequência do ataque de projétil ao prédio onde estava alojado em Teerã, informa o comunicado emitido nesta quarta-feira (31) pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

É de salientar que o ataque foi realizado quando o líder do Hamas se encontrava no Irã, com convite oficial para participar da cerimônia de posse do presidente iraniano eleito, Masoud Pezeshkian, diz a nota.

A chancelaria russa aponta para o impacto negativo do assassinato de Haniya nas negociações entre o Hamas e Israel.

"Os organizadores deste assassinato político estavam claramente conscientes das perigosas consequências que esta ação teria para toda a região. Não há dúvida de que o assassinato de Ismail Haniya terá um impacto muito negativo no progresso dos contatos indiretos entre o Hamas e Israel no âmbito dos quais eram conduzidas negociações sobre condições mutuamente aceitáveis do cessar-fogo na Faixa de Gaza", detalha o comunicado.

A chancelaria exorta mais uma vez todas as partes envolvidas "a mostrar moderação e abandonar passos que poderiam levar a uma degradação dramática da situação de segurança na região, e provocar um confronto armado em larga escala", conclui a declaração do ministério.

O Hamas confirmou nesta quarta-feira (31) que o chefe do gabinete político do movimento palestino, Ismail Haniya, se hospedava em uma residência de veteranos no norte de Teerã e foi morto ao ser atingido por um "objeto no ar".

¨      Irã jura vingança pelo assassinato de líder do Hamas; Israel diz estar pronto para todos os cenários

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, alertou nesta quarta-feira (31) que vingar o assassinato do líder do Hamas, Ismail Haniya, é "dever de Teerã", uma vez que o assassinato ocorreu na capital iraniana.

Khamenei emitiu uma mensagem após a morte de Haniya em Teerã. O aiatolá ofereceu suas condolências à Ummah, ou ao mundo mulçumano, à frente de resistência e à nação palestina pelo martírio do "valente líder e proeminente mujahid".

"O regime sionista criminoso e terrorista, com esta medida, preparou o terreno para uma punição severa para si mesmo. Consideramos a vingança de sangue por ele [Haniya], que foi martirizado dentro do território da República Islâmica do Irã, o nosso dever", disse o aiatolá Khamenei, citado pela agência Tasnim.

Ele acusou Israel de ter feito a ação, no entanto, à Sputnik, um representante do Exército israelense disse que Tel Aviv não assumiu a responsabilidade pelo assassinato de Haniya.

O líder do Hamas, que estava em Teerã para participar da cerimônia de posse do novo presidente iraniano, foi martirizado em uma residência especial no norte de Teerã após ser atingido por um projétil aéreo nas primeiras horas desta quarta-feira (31).

Também nesta quarta-feira (31), ao comentar o ataque feito em Beirute, no Líbano, na terça-feira (30), o ministro da Defesa israelense Yoav Gallant disse que Tel Aviv não está buscando intensificar a guerra, mas está se preparando para lidar com todos os cenários.

"A apresentação [ontem] à noite em Beirute foi focada, de alta qualidade e contida. Não queremos guerra, mas estamos nos preparando para todas as possibilidades, e isso significa que vocês devem estar preparados conforme necessário, e faremos nosso trabalho em todos os níveis acima de vocês", afirmou Gallant ao elogiar as forças que realizaram um ataque a um comandante do Hezbollah em Beirute durante a noite, segundo a Reuters.

Israel realizou um ataque em Beirute, que disse ter matado um comandante de alto escalão do Hezbollah que supostamente estava por trás de um ataque de foguetes no fim de semana que matou 12 pessoas nas Colinas de Golã. O ataque na capital libanesa matou pelo menos uma mulher e duas crianças e feriu dezenas de pessoas.

O Hezbollah não confirmou imediatamente a morte do comandante. A ação ocorreu em meio a hostilidades crescentes com o grupo militante libanês.

 

¨      Combates se aproximam e ameaçam hospital Nasser, em Gaza

Em Khan Younis, no sul de Gaza, os combates estão se aproximando cada vez mais do hospital Nasser, colocando-o sob ameaça e arriscando o acesso das pessoas a cuidados médicos. Apenas em julho, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) nos hospitais Nasser e Al-Aqsa responderam a 10 incidentes com múltiplas vítimas gravemente feridas após bombardeios na região.

MSF pede urgentemente a todas as partes em conflito que garantam o acesso seguro das pessoas a cuidados médicos e evitem a evacuação do hospital Nasser, o que colocaria em risco centenas de pacientes.

“Qualquer escalada dos combates perto do hospital obstruiria o acesso de pacientes e equipes médicas, impossibilitando a prestação de cuidados”, alerta Jacob Granger, coordenador de projeto de MSF em Gaza. “O sistema de saúde está completamente dizimado, e evacuar centenas de pacientes e suprimentos médicos, às pressas ou não, seria uma tarefa impossível.”

"As consequências seriam devastadoras para as pessoas da região, que não têm para onde ir", diz Granger. "Fechar o hospital Nasser não é uma opção."

O hospital Nasser está prestando atendimento a cerca de 550 pacientes, incluindo pessoas com queimaduras graves e lesões traumáticas, recém-nascidos e mulheres grávidas. As pessoas atualmente internadas no hospital precisam de tratamento contínuo para sobreviverem, incluindo pacientes que requerem um alto nível de cuidados, oxigenoterapia ou monitoramento rigoroso. Como o último hospital de maior porte ainda ativo no sul de Gaza, o Nasser também fornece apoio essencial a outras instalações de saúde na região, incluindo a produção de oxigênio.

A guerra que invade o hospital Nasser ocorre enquanto as equipes de MSF no Nasser e no hospital Al-Aqsa têm sido inundadas por um grande número de pacientes feridos que têm chegado ao mesmo tempo. Somente em julho, isso ocorreu em 10 ocasiões distintas, após ataques e combates, muitas vezes em áreas onde as pessoas deslocadas estão abrigadas.

“Todos os dias de julho têm sido um choque após o outro”, diz Javid Abdelmoneim, líder da equipe médica de MSF.  “[Em 24 de julho] durante a última varredura no pronto-socorro, pensei em ir lá e verificar por mim mesmo, só para ter certeza de que nenhum paciente havia sido deixado para trás. Entrei atrás de uma cortina e havia uma garotinha sozinha, morrendo sozinha. Não havia ninguém lá”, relata Abdelmoneim.

“Sua perna esquerda estava torcida. Ela ainda respirava, mas foi deixada para morrer porque aqui, agora, o sistema não consegue lidar. E este é o resultado de um sistema de saúde em colapso: uma garotinha de 8 anos, morrendo sozinha em uma maca na sala de emergência. Em um sistema de saúde em funcionamento, ela teria sido salva.”

De acordo com o Ministério da Saúde, os níveis no banco de sangue do hospital Nasser estão criticamente baixos após cinco fluxos sucessivos de pacientes que chegaram, com cerca de 180 pessoas mortas e 600 feridas. Uma em cada dez pessoas que se voluntariaram para doar sangue durante uma atividade de coleta de sangue promovida pelo Ministério da Saúde e apoiada por MSF não estava apta para doar devido a anemia ou desnutrição.

No hospital Al-Aqsa, o setor de emergência não foi capaz de funcionar corretamente, pois está sobrecarregado de pacientes. Antes da guerra, o hospital Al-Aqsa tinha cerca de 220 leitos. Atualmente, o hospital tem entre 550 e 600 pacientes internados.

“O hospital Al-Aqsa já tem várias centenas de pacientes acima da capacidade de leitos”, diz Alice Worsley, coordenadora de enfermagem de MSF. A instalação está sobrecarregada dessa maneira após receber pacientes de um ataque israelense à escola Khadija, em Deir Al-Balah, em 27 de julho. “A situação era desesperadora: mesmo a resposta mais dedicada nem sempre pode salvar vidas sem suprimentos, leitos e equipe médica suficientes.”

“Cerca de 50% dos pacientes que atendemos eram crianças, muitas com lesões significativas que exigiam cuidados intensivos. Recebemos um menino de 6 anos de idade que teve 80% do corpo queimado. Recebemos um outro menino de 3 ou 4 anos de idade que sofreu uma lesão facial significativa e tivemos que colocar um tubo para ajudá-lo a respirar”, relata Worsley.

“O enfermeiro que estava me ajudando com esse paciente era um familiar da criança. Ele me disse que a mãe do menino havia sido morta no mesmo ataque. A criança tinha um gesso no braço, o que significa que obviamente já havia sido ferida nesta guerra há pouco tempo. Portanto, essa foi, pelo menos, a segunda vez que essa criança foi ferida em um incidente”, contou Worsley.

Em 22 e 27 de julho, as forças israelenses emitiram duas ordens de evacuação em Khan Younis, resultando em mais um deslocamento em massa reduzindo ainda mais o espaço disponível para que as pessoas possam dormir.  De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário (OCHA), de 22 a 25 de julho aproximadamente 190 mil palestinos foram deslocados em Khan Younis e Deir Al-Balah.

Desde o início da guerra, estima-se que 1,7 milhão de pessoas foram alertadas para que se mudassem para uma área de 48 quilômetros quadrados, o que representa 13% da Faixa de Gaza, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. 

Embora as chamadas zonas humanitárias tenham se mostrado inseguras em Gaza, a existência de tais áreas não elimina as obrigações das partes em conflito de proteger os civis – onde quer que estejam. Por quase 10 meses, o que temos visto é que nenhum lugar é seguro em Gaza.

MSF pede a todas as partes que garantam acesso seguro aos cuidados e evitem a evacuação do hospital de Nasser, o que colocaria em risco centenas de pacientes.

As equipes de MSF no hospital Nasser fornecem cirurgia ortopédica, cuidados com traumas e queimaduras, apoiam os setores de maternidade e pediatria e uma unidade de terapia intensiva neonatal. Em julho, equipes de MSF no hospital Nasser, no sul de Gaza, responderam a grandes fluxos de pacientes causados por incidentes com múltiplas vítimas gravemente feridas nos dias 1, 13, 16, 17 e 22 de julho.

No hospital Al-Aqsa, estamos oferecendo cuidados de reabilitação, cirurgia de trauma, cuidados avançados de feridas e pós-operatórios, fisioterapia e apoio à saúde mental. Em julho, equipes de MSF no hospital, na região central de Gaza, responderam a grandes fluxos de pacientes causados por incidentes com múltiplas vítimas gravemente feridas nos dias 9,13, 14, 16 e 27 de julho.

¨      Itamaraty condena ataque a Beirute e cita "extrema preocupação" com Israel e Hezbollah

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu uma nota nesta quarta-feira (31) repudiando o bombardeio israelense em Beirute, capital do Líbano, na terça-feira (30). As Forças de Defesa de Israel anunciaram que realizaram um ataque no subúrbio sul da capital libanesa visando um "comandante responsável pelo assassinato de crianças em Majdal Shams e pela morte de vários outros civis israelenses". No último sábado, as IDF disseram que 12 pessoas haviam sido mortas em um ataque de foguetes nas Colinas de Golã, que atribuiu ao Hezbollah. O movimento libanês negou a acusação. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que Israel não deixaria o ataque nas Colinas de Golã sem resposta e que o Hezbollah pagaria um preço "que nunca pagou antes".

Em nota, o Itamaraty manifesta "extrema preocupação" diante da "escalada de hostilidades entre Israel e o braço armado do partido libanês Hezbollah". Leia:

Ataque aéreo israelense a Beirute

O governo brasileiro condena o ataque aéreo conduzido por Israel ontem, 30/07, em área residencial de Beirute.

O Brasil acompanha com extrema preocupação a escalada de hostilidades entre Israel e o braço armado do partido libanês Hezbollah. A continuidade do ciclo de ataques e retaliações leva a espiral de violência e agressões com danos cada vez maiores, sobretudo às populações civis dos dois países.

Desse modo, exorta as autoridades israelenses e o Hezbollah a se absterem de ações que possam vir a expandir o conflito, com consequências imprevisíveis para a estabilidade do Oriente Médio e a segurança internacional.

O governo brasileiro apela à comunidade internacional para que se valha de todos os instrumentos diplomáticos à disposição para conter imediatamente o agravamento do conflito.

 

Fonte: Sputnik Brasil/MSF-Imprensa/Brasil 247