domingo, 2 de dezembro de 2012

MENTIRA: SALÁRIO NÃO GERA INFLAÇÃO NEM QUEBRA NINGUÉM



Já cansei desse papo que aumento do salário, principalmente o mínimo, é causa de inflação. Chega. Procurem outros argumentos.
Entre os diversos equívocos da política econômica brasileira, a que tem alcançado mais notoriedade, está diretamente relacionado ao modelo utilizado para os reajustes salariais, principalmente quando se refere ao salário mínimo, cujos índices normalmente são abaixo do necessário, com argumentos bisonhos, de que os índices praticados, se maiores do que o proposto pelo governo trará reflexo negativo na taxa de inflação, poderá gerar desemprego e que a Previdência Social não irá suportar, podendo quebrar, etc.
São argumentos insistentemente utilizados pela equipe econômica e tratado  com prioridade pela grande imprensa, espalhando terror, através de dados falseados, cujos interesses sempre tem prejudicado os trabalhadores, querendo dar uma roupagem de forma que transforme o alarde terrorista em  verdade indiscutível e absoluta.
Porém, entra ano e sai ano, entra governo sai governo, os argumentos são os mesmos, e nenhuma ação é tomada de forma que possa reverter o possível “caos propagado” e possamos tratar os reajustes salariais de forma que venha atender as necessidades para quem os percebe.
Os argumentos utilizados pelos “gênios das equipes econômicas” são no mínimo providos de fundamentos, pois trazem no seu bojo critérios sem nenhuma lógica capaz de convencer a população, que não entende como há recursos para tudo, menos para garantir um salário mínimo digno, conforme determina a legislação que o instituiu, para o seu cálculo.
Nada mais é mentiroso o argumento de que a alteração dos índices e da sistemática utilizada seriam fatores que poderiam elevar as taxas da inflação e o nível de desemprego, alinhado a uma possível quebra da Previdência.
Em relação à Previdência, o problema é sabido por todos os estudiosos do assunto, não está nos salários pagos e sim na gestão amadora e indicação de dirigentes despreparados, quando não aventureiros ou defensores da sua privatização. Se assim não fosse, não veríamos quase que diariamente escândalos de bilhões roubados da previdência.
Como se rouba tanto dinheiro de uma instituição que dizem ser deficitária?
Quanto a gerar inflação e aumentar a taxa de desemprego, são argumentos que o próprio tempo tem desmentido, pois o que gera inflação são outros fatores, que nada tem a ver com o salário mínimo, e o desemprego, ocorre muito mais por políticas econômicas equivocadas, onde se prioriza o capital especulativo em lugar do produtivo, impedindo assim a geração de novos postos de trabalho. 
Portanto, corrigir os salários a nível que venha atender as necessidades mínimas dos trabalhadores, não necessariamente será fator de elevação da taxa da inflação, uma vez que já está por demais comprovados que este não tem sido um fator que faça cair à rentabilidade do setor produtivo, pelo contrário, este seria mais um item a ser agregado na realimentação do mercado, gerando uma melhoria no consumo e consequentemente aumento da produção, que traria como conseqüência a geração de novos postos de trabalho. 
O que precisamos é acabar com esta cultura enraizada no segmento empresarial, que o aumento da demanda de bens tem que obrigatoriamente vir com a elevação dos preços e não com o aumento da produção?
Outro argumento facilmente contestável é de que os municípios não suportariam. 
Ora, estes mesmos municípios que não suportam o aumento do salário mínimo, são os mesmos que diariamente vemos os prefeitos envolvidos em desvios de dinheiro público; de efetuarem obras superfaturadas; que desfilam na capital com veículo luxuosos e se hospedam em hotéis 05 estrelas com as amantes; que empregam filhos, irmãos, cunhados e cachorros com altos salários, e por aí vai.
Ao implantar uma política salarial que traga ganhos significativos para o salário mínimo, estará o governo beneficiando aquelas categorias de trabalhadores que se encontram na base da pirâmide social, trazendo como efeito positivo, melhoria na distribuição de renda e levando o País ao patamar dos mais desenvolvidos.
No entanto, temos que reconhecer a inegável capacidade de convencimento da equipe econômica em defesa dos seus argumentos, cujos discursos bem elaborados e unificado, tem sido “competente” e em muitas vezes até “convincente”, levando segmentos da população a crer na justeza dessa injustiça social.
Por outro lado, devemos considerar que o critério utilizado e os argumentos usados, não satisfazem à maioria da população, haja vista, serem abordagens que contradizem a linha metodológica utilizadas nos discursos, diante das afirmações falsas e equivocadas, os quais não possuem nenhuma sustentação científica, pois se assim o fosse, os países com melhores índices salariais teriam altas taxas de inflação e de desemprego, mas, coincidentemente, os países com altas taxas inflacionárias e de desempreego,  são os que praticam os piores índices salariais.
Diante deste fato, os seus defensores quase sempre fogem das discussões aprofundada do tema. Navegam na superficialidade sem aprofundar os debates.
Àqueles que utilizam argumentos sobre o caráter inflacionário que porventura o salário mínimo possa ocasionar, esquece maldosamente de analisar as características das economias capitalistas, ou seja, da sua diversidade da matriz produtiva, tanto no que se refere à produção quanto ao tamanho das empresas, e, é sabido, quanto maior a empresa, mais os salários são maiores, cabendo o salário mínimo em sua grande parte às pequenas empresas, as quais possuem folha salarial pequena, portanto refletindo muito pouco ou quase nada os aumentos do salário mínimo no custo da sua produção.
Outro fator relevante e que os “terroristas” de plantão  esquecem de abordar, é que os preços dos produtos são ditados pelas grandes empresas, empresas estas como já dito, normalmente pagam maiores salários, desta forma, a incidência do salário mínimo nos preços e sua respectiva elevação precisam ser mais bem esclarecidas e mais debatidas.
Portanto, é importante termos uma política de reajuste do salário mínimo menos injusto. 
É importante que se tenha uma política salarial que permita ao trabalhador chegar até o final do mês com algum recurso. É fundamental que se tenha uma política salarial que traga evolução nos seus ganhos e que exerça a cada aumento um ganho relativo e proporcional ao crescimento da economia. Enfim, é preciso repartir melhor este bolo, que já cresceu.
A lógica das economias em franco desenvolvimento é acabar com o arrocho salarial e, infelizmente, em nosso País, esta lógica não tem sido posta em prática pelas diversas equipes econômicas.
Interessante é que não se ver qualquer discussão quanto ao aumento das taxas inflacionárias causados pela alta carga tributária imposta neste País.
A carga tributária  é tão responsável pela alta inflacionária, que temos produtos que se reduzisse a metade dos impostos, seu custo para o consumidor equivaleria a 60% do valor pago hoje.
Aí não é inflacionário, pois o governo precisa arrecadar, para gastar e gastar mal, como estamos assistindo no dia a dia.
Falar da carga tributária não é permitido, pois o governo tem necessidade de arrecadar para manter 37 ministérios, a maioria supérfluos, cujos ministérios em sua quantidade são tão importantes e relevantes, que a população desconhece pelo menos 20 ministérios e nome dos seus titulares; tem que ter recursos para manter um Congresso Nacional, considerado um dos mais caros do mundo, cujos congressistas tem a cara de pau de só trabalharem três dias na semana, isto quando trabalham.
Precisamos ter uma carga tributária elevada, cujos índices é responsável por pelo menos 30% da taxa de inflação, para que os Poderes Executivos, Legislativos e Judiciários possam continuar superfaturando suas obras; para que o tesouro permita os desvios do dinheiro público, enriquecendo cada vez mais os nossos políticos e a classe empresarial. Enfim temos que ter uma carga tributária elevada, para que possamos  manter as mordomias que hoje impera na capital federal.
Portanto, afirmar que aumentar o salário mínimo é um fator que gera  aumento da taxa da inflação e do desemprego é querer brincar com a inteligência do povo brasileiro. 
Colocar a nossa Previdência nesta discussão é querer nos fazer passar por palhaços ou até mesmo achar que somos imbecis, pois ao mesmo tempo em que este aumento poderá vir a quebrá-la é querer negar  os bilhões e bilhões de dinheiro desviados dos seus cofres.

sábado, 24 de novembro de 2012

SERIA PEDIR MUITO?



Não dá para entender o ufanismo de alguns, ao afirmarem que estamos acabando com a miséria e na primeira calamidade, os Institutos Médicos Legais se vêem à volta com amontoados de mortos, as famílias começam a procurar os desaparecidos e a defesa civil contar os milhares de desabrigados.
Neste momento aparece a realidade nua e crua, apesar das autoridades insistirem em negar, porém, verão que a maioria dos envolvidos são pessoas que não tem onde morar ou foram se abrigar em áreas de risco, pois foi esta a única opção que lhe deram.
Ora, é muito fácil para o gestor público omisso e irresponsável culpar as condições climáticas ou mesmo transferi-la para as famílias que sem opção foram residir em áreas de riscos, não acha? O difícil é assumirem a responsabilidade pela omissão em nada fazerem para modificar a situação, uma vez que as intempéries são fatos que tem ocorrido todos os anos, não se tratando de algo raro, são previsíveis.
São situações que tem se repetido anos após anos, mudando apenas sua intensidade, em locais repetidos e a cada tragédia tem levado a vida de várias pessoas e deixado milhares de famílias desabrigadas.
Fatos como as enchentes em São Paulo há décadas vem se repetindo, e que tem feito o poder público paulista para solucionar?  E no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, entre outros?
Pergunta-se: os problemas não têm ocorrido anualmente, sempre no mesmo período? O que tem feito os  dirigentes, para de forma planejada e organizada encontrar uma saída para situação?
Como sempre nada, pois se não são incompetentes então são mal intencionados, se assim não o fossem, já se teria encontrado uma saída.
Claro, esta situação normalmente ocorre em bairros pobres. Nos das elites os problemas são rapidamente equacionados e para eles nunca falta recursos.
Quando falamos das calamidades, também queremos incluir as secas cíclicas que tem ocorrido no sul e no nordeste do Brasil, sem que os governantes de plantão se dignem a apresentar soluções que não só minimizem os seus efeitos, mas que sejam dadas as condições das famílias de enfrentá-las.
Exemplos de irresponsabilidades praticadas existem as mãos cheias, só que os governantes de hoje, para se eximirem da culpa, preferem transferir a responsabilidade para o passado, transferindo a sua omissão para aqueles que já se foram.
Quer um exemplo? A catástrofe que ocorreu no Rio de Janeiro e que arrasou a região serrana era do conhecimento do governo carioca da possibilidade de vir a ocorrer, desde novembro de 2008, através de estudos técnicos, que apontava o risco de deslizamentos de terras naquela área.
Porém, mesmo com estudos em mãos, o que o governo fez para proteger aquela população? Nada, exceto, depois do fato ocorrido, jogar a culpa nos governos passados. Muito fácil, mas o crime cometido  fica impune.
É mais fácil jogar a culpa no passado ou na natureza do que assumir a responsabilidade, mesmo tendo em mãos pareceres técnicos que aponte para o problema. Culpar o passado é fácil, até porque muitos daqueles do passado já não tem como responder e outros, por acordos ou adesões encontram-se bem aquinhoados na atual administração e não irá desagradar o chefe com desmentidos ou defesas.
Culpar a natureza é muita cara de pau, até porque esta não tem como se defender e, transferir para as famílias pobres é chover no molhado.
Mas o que deixa indignado, é ver a imprensa que dá tanto espaço aos políticos, não aproveitar o momento, para transformar a situação em uma peça de investigação jornalística e ir a fundo para ver de quem é realmente a culpa, que com certeza não será dos pobres ou da natureza.
Ao jogar a culpa nas famílias pobres pelas tragédias, é querer tripudiar com a inteligência do povo brasileiro. É simplesmente fugir das suas responsabilidades.
Senão vejamos: dados divulgados pelo Ministério das Cidades, mostra que existem 10 milhões de moradias em condições precárias. Se conseguiram identificar a situação então sabe onde estão localizadas.
Agora pergunto: o que tem feito os nossos gestores em fomentar ações e políticas públicas para minorar estas condições de precariedade? Pelo que se sabe e se tem conhecimento, nada ou quase nada. Ficam sempre a espera de uma nova calamidade, para justificar a gastança e o desvio dos recursos públicos, em proveito próprio.
Ninguém procura morar em condições precárias ou em áreas de riscos, pelo espírito de aventura ou por querer aparecer para a sociedade como heróis, são as condições que lhe deram que o fizeram ou o forçaram a buscar estes locais, pois são os únicos que lhe restam.
Ou alguém em sã consciência acha que a pessoa procura construir um barraco em uma  área de risco, levando mulher e filhos, apenas pelo simples fato de gostar de aventura? Ora isto é uma piada de mau gosto. Estas são as condições  e as oportunidades que lhes são dadas.
Esta tem sido a dura realidade que estas famílias têm que enfrentar, apesar dos discursos bonitos.
São pessoas desempregadas, muitas sem educação, que vivem basicamente da renda da bolsa família, ou quando conseguem trabalho se sujeitam a receberem salário inferior ao mínimo necessário para a subsistência sua e de sua família. São pessoas que vivem na miséria, em estado de penúria, e ainda vem os nossos governantes culpá-las? É muita maldade.
Apenas para que sirva de analise, vejamos alguns dados de fundamental importância e cujas informações são inquestionáveis: no Brasil temos cerca de 30 milhões de pessoas  que sobrevivem com menos de R$ 150,00 por mês, sendo que deste total cerca de 12 milhões vivem com R$ 70,00. Acrescido a este 30 milhões, temos mais cerca de 40 milhões de trabalhadores e ou aposentados que percebem um salário mínimo. Desta forma, temos 70 milhões de pessoas e ou famílias, que conseguem sobreviver com até um salário mínimo.
Se acrescentarmos as crianças e adolescentes, mais os desempregados então chegarão a uma população próxima dos 130 milhões de pessoas no País, que sobrevivem com esta renda.
Então, será este o tipo de populismo a que querem se referir alguns dirigentes? Será que com este rendimento, estariam dadas as condições para que as pessoas possam residir em locais que não lhes traga algum risco?
Está na hora dos nossos dirigentes públicos de assumirem a responsabilidade pela sua omissão.
Quando será que teremos governantes que reconhecerá que apesar de estarmos em um País rico, porém, conscientemente pagamos um dos piores salários ao trabalhador brasileiro? Quando será que teremos governantes que em lugar de jogar a culpa para os antecessores, chamará a responsabilidade para si e buscará encontrar as soluções para os problemas estruturais? Quando será que teremos gestores públicos que em lugar de culpar os pobres ou o populismo praticado por alguns, irá ter a coragem de assumir publicamente que a culpa está na superexploraçao a que está submetido o trabalhador e na ganância insaciável de nossa elite empresarial, com o aval do Poder Público, cuja sede pelo lucro tem transformado o trabalhador brasileiro em escravos?
Seria pedir muito à classe dirigente deste País que continua deitado em berço esplêndido?


sábado, 17 de novembro de 2012

CORRUPÇÃO NÃO É EXCLUSIVIDADE NOSSA. MAS IMPUNIDADE, SIM.



A corrupção em nosso país tem feito história e exemplos não tem faltado principalmente no meio político e, este cancro só tem crescido devido à falta de cumprimento e de execução da lei, que tem deixado os envolvidos impunes. 
Antes acusávamos o longo período da ditadura militar onde tudo era proibido desde comentar, denunciar ou exigir a apuração dos  atos de corrupção.
Mas, desde a década de 80, vivemos sob o manto da ‘democracia’, onde já se passaram três décadas e, teoricamente, nos é permitido denunciar, cobrar providências e pedir punição dos corruptos.
Mas, o que temos visto pelos atos do dia-a-dia, parece que em vez de diminuir, a corrupção só tem aumentado em todos os níveis da administração pública. A situação chegou a tal ponto, que tem sido tema frequente nos meios  comunicação.
Nomes como Paulo Maluf, Fernando Collor, Palocci, José Sarney, Jader Barbalho, Anthony Garotinho entre tantos outros, nos traz tristes lembranças sobre a corrupção no Brasil. E tem sido triste ver esses homens posarem de gente bem e de pessoas honestas, chegando ao extremo de querer da aula e exemplo de correção.
Apesar de aparentemente vivermos em um caminho sem volta, existem medidas e atitudes que poderia combater com eficácia e eficiência a corrupção no Brasil, desde que a sociedade se conscientizasse de que se ela não estiver organizada, comprometida e envolvida dificilmente iremos banir de vez essas práticas, que só tem prejudicado o País, principalmente a população pobre.
Apesar da corrupção ser considerada uma prática corriqueira das elites dirigentes, porém, não é uma exclusividade sua, sendo praticada por todos, cuja criatividade, em nosso País, são praticamente inesgotáveis envolvendo problemas estruturais, sociais e pessoais, diante de uma sociedade passiva, que permite ver se instalar a mais nociva e perversa da ação política – a corrupção -, que deteriora as próprias estruturas.
A corrupção impune chegou a tal ponto, que há quem ouse afirmar que um terço do que é arrecadado no país escorre pelos ralos da corrupção.
Se esta afirmativa for verdadeira, então podemos dizer que um terço do PIB nacional vai para o bolso dos corruptos.
Diante disso, a população ver faltar recursos para que tenhamos  uma sociedade mais assistida pelo poder público, com a oferta de uma educação e serviços de saúde de qualidade, por exemplo.
Mais afinal, o que é corrupção, tão cantada em versos e prosa em todos os recantos do País?
Para responder, iremos direto ao assunto, sem rodeios. 
Corrupção política é o ato praticado pelo homem político, que busca aproveitar-se e apropriar-se do que é da sociedade, em benefício próprio. Na linguagem popular, corrupção significa roubar o que é do povo.
Portanto, não há nenhuma diferença entre o assaltante de banco e o político corrupto. 
A única diferença é que se  o primeiro for pego, ele será punido pela justiça, já o segundo.... Para eles não há justiça. 
E cientes da sua impunidade, os nossos dirigentes o fazem abertamente, sem qualquer escrúpulo.
E este mal que atacou as nossas instituições, faz com que caminhemos em passos vagos. Apesar do País arrecadar trilhões de reais por ano, temos uma perversa distribuição de renda e uma péssima oferta dos serviços públicos, fruto da roubalheira, sem que o Estado, através dos dirigentes, tome qualquer medida visando não só extirpar este mal, mas, também, obrigar que os recursos roubados retornem aos cofres públicos. 
Até parece que o Estado brasileiro apoia estes trambiqueiros.
Diante de tanta corrupção que assola o País de norte a sul e de leste a oeste, não há como deixar de se indignar, principalmente por estarmos conscientes que o dinheiro desviado pelos corruptos, não nos tira apenas a dignidade, mas também a merenda do estudante da escola pública, o medicamento do homem pobre e os serviços públicos de qualidade para a sociedade.
Com a corrupção, ganha o corrupto e perde a maioria da população, que vê a falta de investimentos em educação e em saúde, por exemplo. 
Enquanto a mídia vive a noticiar fraudes dos governos, dos políticos e das empresas, a educação sofre por falta de recursos; a saúde enfrenta dificuldades com a falta de medicamentos, de leitos e médicos; a segurança pública é punida, com a sociedade assistindo seus jovens entregues às drogas e a criminalidade e as autoridades nos enganando dizendo estarem fazendo o necessário para melhorar os serviços públicos prestados à sociedade.
Vivemos hoje em um País, que as palavras política, corrupção e superfaturamento viraram sinônimos. Todos os dias lemos inúmeras matérias que abordam sobre os desvios de verbas públicas, de superfaturamento de obras além de tantos outras  falcatruas praticadas pelos políticos, os quais deveriam usar o poder para ajudar a população.
As constantes e continuadas denúncias de desvio das verbas, divulgadas pela imprensa diariamente, até parece ser uma coisa orquestrada. De tão repetidas, fazem com que a indignação dos cidadãos diminua a cada dia e, sem ser pressionados pela sociedade, os corruptos se sentem fortalecidos e encontram métodos para se livrar das acusações. Para isso bancam os melhores advogados.
Enquanto a sociedade não tomar consciência de que a corrupção produz pobreza e impede o desenvolvimento do país, ela não irá se mobilizar e se indignar para dar um basta. Ela não irá pressionar o Judiciário a agir contra esses ladrões de colarinho, paletó, calça e sapato branco. Chega dos presídios ser apenas locais para abrigar Pobre, Preto e Prostituta.
Apesar de que, após a os envolvidos no Mensalão do PT serem apenados pelo STF, o ministro da Justiça, a quem cabe  a responsabilidade  da administração penitenciária do País, afirma que os nossos presídios degradam o ser humano e que, ele preferia morrer a ir para lá, cujo modelo remontam a idade média. Quando só eram os três P’s que o utilizavam, ninguém havia observado esta situação de degradação, muito pelo contrário. Mas todos sabemos o sentido das suas palavras.

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Salvador: uma cidade oposicionista



O segundo turno das eleições seguramente servirá para analisarmos a conformação dos blocos políticos que se movimentam na cidade de Salvador, suas contradições, e a ocupação da cena política por um sujeito coletivo de caráter indefinido: as massas fatigadas pelo comportamento errático dos pólos governistas, que praticam conluios e disputas momentâneas.
Salvador, marcadamente oposicionista no começo da década de 80 do século passado, elegeu, em 1982, uma grande bancada de vereadores, fazendo o enfrentamento ao carlismo e ao prefeito biônico da época. Salvador era um baluarte da mudança, que tinha a oposição do imenso interior baiano, que havia acabado de eleger o representante da ditadura, o indicado do líder político, ACM.
Em 1986, nas eleições para governador, Salvador lideraria a luta oposicionista do Estado, elegendo Waldir Pires. O campo oposicionista, já havia tido um grande reforço com a eleição de Mário Kestész, um desafeto de ACM, em 1985. Consolidava-se, assim, um projeto de oposição, agora na gerência do aparato de Estado. No entanto, em terras baianas, a ação de “cooptação” não guarda respeito ao que se pensa do ponto de vista político-ideológico. Os novos aliados vêm para garantir maiorias e, sendo assim, Waldir Pires governou com o mesmo bloco do poder.
Em 1988, as massas oposicionistas, na contramão dos acertos sem princípios, escolheram Fernando José, a voz do rádio, o comunicador que a todos satisfazia sem precisar dizer o que pensava sobre o poder local.
Novos acertos fatiaram o bloco que saíra coeso da ditadura militar. Tivemos várias posições naquele momento: Waldir Pires, comunistas, o campo da frente democrática e ex-carlistas, ficaram com Virgildásio de Senna.  ACM, sobreviventes da Arena, aliados de Sarney e congêres, com Manoel Castro. O prefeito Mário Késtesz, segmentos de negócios (Pedro Irujo) e o fisiologismo da pequena política, com o vitorioso. E o PT, sem qualquer influência no processo, apenas querendo marcar posição para se consolidar à esquerda.
O governo Waldir Pires, conformou-se em um projeto sem substância política, indefinido ideologicamente e frágil do ponto de vista da gerência do aparato de Estado; foi assim identificado pelas massas, que cerrou fileiras, em toda a Bahia, ao lado do modelo conservador de operar e gestar a política e, novamente, liderado por uma Salvador oposicionista, votou em ACM.
A velha política retornou ao governo. Rearticulou o bloco no poder e partiu para reafirmar o consórcio do empresariado local, no controle do Estado. Exercitando a truculência como forma de mediação, a velha política consolidou um “jeito de governar”, de triste memória para a Bahia.
Nas eleições de 1992, pautada pelas lutas nacionais, a oposição encontrou ressonância para as suas palavras nas massas insatisfeitas com o poder local: a gestão de Fernando José havia sido um caos e o governo do Estado assistiu de camarote. A pauta nacional, as contradições do grupo carlista e o caos em Salvador fizeram com que o aceno da oposição encontrasse na subjetividade das massas soteropolitanas, um forte alento que levou ao governo Lídice da Mata.
O cerco do governo ACM a gestão de Lídice, a incapacidade da administração municipal de romper, via articulação política e social, esse cerco, levou a derrota das forças contraditórias ao carlismo em Salvador, em 1996. Novamente as massas, pautadas pelo caráter despolitizado da alternância, votavam enquanto oposição no projeto que feria gravemente os interesses populares. No campo da esquerda não sobressaía nenhuma perspectiva de poder: nem na social democracia tardia, representada pelo PT, muito menos no espólio pessedista representado por Waldir Pires, comunistas e variantes do centro democrático.
As contradições do capitalismo, a fadiga das massas com o projeto conservador representado por FHC e seus aliados, o avanço das lutas sociais, a esperança dos trabalhadores na possibilidade de um futuro melhor e a capitulação da social democracia tardia (PT) aos ditames da ordem, permitiram o surgimento de uma política que movimentava o alicerce oposicionista de Salvador. E assim ocorreu: a cidade votou em João Henrique e em Wagner.
A gestão de João Henrique avançou para o caos gerencial, e a população tem sido penalizada. Ao lado desta questão, temos um governo estadual que age de forma errática do ponto de vista político, quando pauta-se pela acumulação de aliados, sem observar as contradições desses grupos e personagens no processo político e social; sendo incapaz de compreender a subjetividade dos subalternos diante da crise em que se encontra a cidadania soteropolitana.  O PT, partido chefe da coalizão no governo, faz uma articulação política conservadora, típica do presidencialismo de coalizão, onde o mais importante é colocar ao seu lado parlamentares e grupos políticos custeados pela pequena política. Afastando-se da sua base social originária, e agindo de forma truculenta no processo de relação com os lutadores sociais: seja no setor público ou forçando no setor privado, o apassivamento daqueles que reivindicam melhorias.
Que fazer diante de uma força política que aposta, em tão curto período, em aliados tão contraditórios e diferenciados? O PT apoiou João Henrique, participou do governo, saiu do governo, disse que aceitaria o apoio do prefeito, atacou o prefeito. O deputado Pelegrino, há muito se afastou da base social de onde falava, operando no campo dos interesses policlassistas. Sem entender o sinal que as massas oposicionistas lançavam reiteradamente, continuava a política de somar apoios sem olhar para o que representavam esses grupos e políticos. Nesse cenário, as massas oposicionistas souberam fazer o seu tradicional discernimento: votaram naquele que entendeu o sinal de alerta.
Com a eleição de ACM Neto, não muda o bloco no poder na gestão municipal, apenas vai ser dirigido por um segmento mais à direita do espectro político.
Os programas que disputaram a prefeitura se pautaram no atendimento ao interesse de consumo manifestado pelo cliente. Sendo assim, o povo escolheu um projeto que entendeu o seu desejo de alternância, por mais conservadora que seja. Por outro lado, se afirma, com pequenas diferenciações, uma política e dois partidos. O povo novamente perdeu, mas continua oposicionista.


Artigo de autoria de Milton Pinheiro
* Cientista Político e professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).