sábado, 10 de novembro de 2012

A ÉTICA PETISTA E SUA DEGENERAÇÃO POLÍTICA: pior que o carlismo



Alguns fatores levaram o projeto petista de assumir o comando da capital baiana, principalmente neste período, onde Salvador vai está bastante visível, não só por ser a sede da copa de 2014, mas pelo que ela representa de peso político para o País, ter sido derrotado,
O partido se apresentou com um discurso vazio, sem muito conteúdo, girando basicamente em torno da necessidade do atrelamento aos governos federal e estadual - como só assim se poderia administrar um Estado ou município, ou seja, teria que ser do PT ou de partidos aliados para as verbas federais serem liberadas -, rotulando o adversário como representante do atraso, sucessor do carlismo.
Procurou através de promessas, apelar para uma distinção entre dois projetos de governo, cuja distinção não passava de retórica eleitoreira, sem qualquer substância ideológica.
Apregoavam o terror anticarlista, esquecendo que em seu palanque, estava rodeada com a mais fina flor do carlismo, transformando assim, na marca da degeneração da ética petista.
Além da degeneração política petista, some-se o abandono pelo PT da bandeira de defensores da ética e da moral na política, assumindo após o mensalão, que tudo não passa de uma questão de cálculo para a manutenção, conquista e ampliação do poder, mesmo ao custo de mentiras e do abandono da verdade.
O anticarlismo foi à bandeira desfraldada durante a campanha e os discursos inflamados em relação ao retorno ao atraso político que o carlismo representa, era gritado por todos os cantos da capital. Esquecendo os petistas, que o seu líder maior, o Lula, contou com o apoio de ACM na Bahia no segundo turno das eleições presidenciais de 2002, quando esse coronel político ainda estava entre nós e mandava e desmandava por aqui.
Tradicionalmente a população baiana sempre esteve ao lado das oposições ao carlismo. Mas entre ser oposição ao grupo liderado por ACM e ser burra, está uma distancia muito grande.
Enquanto o candidato a prefeito e sua trupe bradava contra o carlismo, o governador Jaques Wagner vive rodeado deles, trazendo-os para perto de si, o que havia de mais puro sangue do grupo, figuras exponenciais, como seu vice-governador Otto Alencar, os ex-deputados Clovis Ferraz, Pedro Alcântara, Jairo Carneiro e mais recentemente o ex-senador César Borges que, quando governador, ordenou a ação da Polícia Militar de invasão ao campus da UFBA, cuja truculência Pelegrino e o PT apresentavam em sua propaganda eleitoral, sem, contudo, identificar o seu autor ou mesmo o comandante policial da ação, o qual fora promovido pelo mesmo Wagner.
Todos eles estavam no palanque de Pelegrino. Como criticar o carlismo se ao seu lado estava à fina flor carlista? Para complicar, o maior financiador da sua campanha era a OAS, conhecida no meio político como “Obrigado Amigo Sogro”, pelas obras que conseguia, com quem o candidato petista, dizem, teria negociado apoio para um grande empreendimento imobiliário no futuro.
Aliado a tudo, deve ainda ser considerado o fracasso do governo Wagner em políticas de segurança pública, das negociações com os policiais militares e com professores, somado a promessas não cumpridas.
Quando pensávamos que tínhamos rompido com as amarras do coronelismo, eis que o PT se apresenta com a mesma roupagem, tentando transformar Salvador em mais um dos seus currais, e que os soteropolitanos deviam obediência ao seu "rei".
A ética petista é fundamentada no argumento que, ninguém é ruim se estiver ao seu lado, só quem não presta são os que não estão a eles aliados. Isto tem sido visto ao longo destes anos que o PT está no Poder.
Passada a eleições em Salvador, após derrota do seu candidato à prefeitura, diversos artigos e postagens na internet foram colocadas, onde petistas e aliados, criticavam duramente os eleitores soteropolitanos pela escolha de ACM Neto, afirmando que a população havia apostado em candidatos que representavam o passado.
Ora, não vimos às mesmas análises quando Lula se aliou a Sarney, Renan Calheiros, Collor de Melo e por último a Paulo Maluf,entre outros, no afã de eleger o seu candidato em São Paulo, como um retrocesso, muito pelo contrário, Lula com isto é considerado pelos petistas como grande estrategista.
Ninguém ousou tecer críticas quando o governador Jaques Wagner optou por governar com antigos aliados do carlismo (PP, PR, PTB, etc.), ou seja, como dizem alguns analistas políticos,  “lulistas genéricos” e “carlistas transgênicos”, mantendo a surrada e velha fórmula clientelista e patrimonialista de governar, para orgulho de Malvadeza I, que lá onde estiver se sentirá orgulhoso dos amigos que aqui deixou.
Aquele sonho de mudanças na política, com o governo Wagner acabou, quando este optou pela continuidade do modelo de governar que a população já estava acostumada a ver, ou seja, descaso com os serviços públicos, principalmente na saúde, educação; criminalização da pobreza; investimento em repressão como política de segurança pública; tratamento autoritário nas diversas reivindicações dos servidores públicos quando em greve; privatizações, etc.
Diante dessa conjuntura, aqueles que sempre lutaram contra o carlismo, como o ex-governador Valdir Pires assiste desolado,  Wagner se cercar de carlistas e adesistas por todos os lados..
Só para recordar: quando Waldir foi governador, enfrentou uma oposição ferrenha, comandada nada mais nada menos que por Antonio Carlos Magalhães e por aqueles que hoje estão ao lado de Wagner. Mesmo com uma oposição ferrenha, Waldir resistiu, sem jamais se socorrer dos adesistas como faz Wagner agora.
Hoje, apenas para lembrar, podemos citar o caso de Otto Alencar, que foi condecorado por Wagner com o título de "o melhor dos carlistas": As chicotadas com que ACM ameaçava dar aos inimigos foram aplicadas sem dó e piedade por Otto Alencar contra Waldir. Àquela época Waldir apanhou de Otto, hoje feito vice-governador de Jaques Wagner, como só ele sabe a dor.
O pior ainda, é ver o ex-deputado Clóvis Ferraz, carlista doente e que agora representa Wagner até em solenidade na Assembleia Legislativa, desfilar como representante de um governo que se diz de esquerda. Este é o quadro que desfila hoje na política baiana, que não deixa de ser desalentador. E ninguém ouve qualquer crítica de parte do PT e dos antigos aliados.
Voltando a derrota em Salvador, o maior cabo eleitoral de ACM Neto, foi o próprio governador Jaques Wagner, o único dos grandes governadores nordestino que não elegeu o seu candidato, fomentando o sentimento e o  nascimento de um antipetismo no Estado, que tende a crescer na mesma proporção em que as pessoas se decepcionam com  a gestão Wagner.
O sentimento hoje, é o de considerar Wagner um governador estranho.
De militante sindicalista se transformou num dos governadores mais apáticos e cruel que pode existir. Deixou de dialogar com o povo, de andar pelas ruas da cidade – aliás, optou por andar de helicóptero -, não visita bairros, nem sequer vai mais às portas das fábricas, onde começou sua trajetória política.
Ao contrário, escolheu Jaques Wagner em conviver com "antigos carlistas", que em um passado recente sempre combateu - como Otto Alencar, Cesar Borges, entre outros já citados a cima -, em lugar de estimular o arejamento e a qualificação do partido, de quadros limitados,
Enquanto vemos surgir lideranças em outros estados nordestinos, transformando os seus governos com a marca do desenvolvimento, da inovação, da transformação na educação do crescimento e de uma gestão bem pensada, na Bahia assiste-se o contrário.
A população baiana cansou da falta de renovação dos quadros petistas e desse esse jogo de comadres onde se revezam os nomes de Wagner, Pelegrino e Pinheiro. Sempre os mesmos, sem que haja qualquer alternância.
Diante da mesmice petista, a tendência, realmente, é pelo ressurgimento do carlismo, até porque a grande maioria do seu quadro, hoje se encontra  lado a lado com Wagner, o qual tem exercido um papel fundamental para o seu retorno, através da cooptação e das alianças espúria em seu governo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

EM LUGAR DE SONHOS, PESADELOS.



Todos sabem que pesquisas ao serem divulgadas podem ocasionar um efeito devastador, independente das suas intenções, objetivos e da área em que foi realizada.
Qualquer pesquisa é preciso que se entenda, o seu resultado indicam tendências do momento atual, cujas tendências podem ser alteradas de forma radical, em outros momentos.
O Blog PalavradeSá, postou entre 15 de agosto 25 de setembro de 2012, pesquisa espontânea, onde o leitor deveria opinar sobre o governo Wagner.
A pergunta era: VOCÊ APROVA O ATUAL GOVERNO DE JAQUES WAGNER?  As opções eram: 1) Sim; 2) Não; e 3) Tanto faz, todos são iguais.
Deixamos de apresentar e comentar o seu resultado na época, por nos encontrarmos em plena efervescência eleitoral e, que a sua publicação pudesse ser alvo de questionamentos ou até mesmo de desculpas por possíveis insucessos.
A preocupação tem sentido, pois apesar de ser um blog opinativo, o que não traz grande curiosidade do grande público o que não lhe dá um grande acesso, mas se levarmos em consideração que hoje o blog possui mais de 5000 visitas/mês fieis, não deixa de ser formador de opinião.
Analisando a última pesquisa publicada pelo IBOPE em Salvador a respeito da administração estadual, a qual demonstra que o governador Wagner segue a sua sina crescente de baixa popularidade, sendo o gestor estadual com a segunda menor pontuação, com apenas 18% de aprovação dos soteropolitanos, fato inédito entre os últimos gestores da Bahia, podemos concluir que os números levantados pelo blog, então se aproxima da realidade pesquisada cientificamente por aquele instituto.
Encerrada a pesquisa, chegou-se aos seguintes resultados:
SIM = 11,65%
NÃO = 79,61%
TANTO FAZ. TODOS SÃO IGUAIS = 8,74%.  
Assim, os índices levantados nessa pesquisa vêm apenas confirmar a baixa popularidade do governador Wagner, agora não só em Salvador, mas em todo Estado, haja vista que, o blog é acessado por toda a Bahia, conforme estatísticas.
Os números  infelizmente não mentem e o resultado obtido  dessa pesquisa servem para eliminar a ilusão de que, Wagner estaria com a bola toda e que sua administração estaria sendo bem avaliada, e seguindo assim, não sabemos até onde será um bom cabo eleitoral em 2014, continuando com este baixo índice.
Portanto, dentro da situação atual, é necessário que o governador, PT- partido do governador -, aliados e assessores comece a repensar e analisar os erros cometidos, senão em 2014 o governo será enterrado em caixão preto com vela apagada e parafusado. Com os sonhos e projetos partidários e pessoais inclusive.
Ainda dá tempo do governo estadual procurar se reaproximar dos seus servidores, que muito prometeu e após eleito lhes virou a costa. É preciso repensar a fraca equipe  que montou, aproveitando o momento de reflexão para fazer uma ampla reforma dos seus quadros, colocando profissionais com capacidade técnica e conceito profissional reconhecido, afastando aqueles que pouco contribuíram ou que a sociedade os vê como péssimos profissionais.
Assim, fora James Correa, Petintinga, Gabrielli, Newton e Jorge Solla, todos os demais pouco tem contribuído para sua administração, sendo um fardo a ser carregado.
Há inclusive alguns que se afastado, só trará satisfação, como por exemplo, o atual titular da Secretaria de Administração, que, da mesma forma como ocorreu da sua saída do antigo IPRAJ, só traria alegria aos servidores, já que ele em nada contribuiu em sua passagem para trazer benefícios ao funcionalismo, muito pelo contrário, irá passar para história como o pior secretário que já assumiu aquela pasta, pelo desprezo e perseguição com que tem tratado a categoria.
Esta, portanto, é a realidade do governo Wagner, uma administração capenga, apresentando um retrato triste que o estado atravessa.
Diante dos números levantados, todos podem observar o tamanho da insatisfação daqueles que espontaneamente responderam a pesquisa. Praticamente todos reprovando a atual gestão estadual.
Infelizmente, o Estado considerado um dos mais importantes do País está passando por este momento de descrédito, onde se tem um governo com alto índice de reprovação e a situação se agrava quando não se observa ações visando uma mudança de postura.
Com esta avaliação, fica claro que para haver uma gestão pública de qualidade é fundamental que haja comprometimento das autoridades políticas, que se tenha envolvimento e foco nas ações de sua equipe e permanentemente se buscar por alternativas que realmente promovam a qualidade de vida da população. E sinceramente, isto não se tem visto na atual gestão.
Portanto, o governador Jaques Wagner deveria aproveitar o momento atual, onde os problemas estão aí, visíveis a qualquer leigo, para mudar. Buscar se fortalecer junto a sociedade. Encontrar fórmulas de se reaproximar dos servidores públicos, categoria que tem significado peso eleitoral e formadora de opinião.
Efetivar ações visando a melhoria nos  serviços de saúde, com médicos e atendimento adequado; oferecer um educação publicada qualificada,  valorizando os seus profissionais; repensar a cultura estadual; lutar em defesa do meio ambiente; procurar desenvolver economicamente todas as regiões; levar segurança às cidades  baianas; fortalecer o turismo, esporte e lazer; realizar a  promoção social e por fim, modernizar da Administração Pública. 
Enfim, realizar tudo o que for preciso para que o cidadão baiano tenha orgulho do seu estado, coisa que o governo não tem feito.
E tudo isto sabemos ser possível, basta ter uma equipe competente, focada nos interesses da sociedade com a visão orientada pelo pensamento de que o progresso reside nas pessoas e, desta forma, elaborar políticas públicas voltadas para os interesses da coletividade e não para satisfazer o seu ego, ouvindo a sociedade nas suas necessidades, praticando ações voltadas para o bem estar de todos. 
Para concluir, podemos dizer que tanto a pesquisa do Ibope, como a realizada pelo blog, tiveram como objetivo avaliar o grau de satisfação da população baiana em relação a administração do governo Wagner  e obteve como resultado após a análise dos números, que o grau de insatisfação está bastante elevada, e não venham com a desculpa que são efeitos das greves dos policiais militares e dos professores, que pelo tempo em que ocorreram já eram para terem sido diluídos, e sim, pela inércia administrativa, pelos maus tratos dados aos seus servidores; por uma propaganda institucional em grande parte enganosa, por um governo que trouxe muitos sonhos e que até o momento só tem oferecido pesadelos.

sábado, 27 de outubro de 2012

A OMISSÃO DO ESTADO NA QUESTÃO DOS INDIOS GUARANI-KAIOWÁ



A situação enfrentada pela tribo guarani-kaiowá,  no Mato Grosso do Sul, tem mobilizado a população brasileira, diante da omissão do Estado, a quem cabe a tutela e pela decisão da Justiça Federal, cuja ação tem gerado o aumento da violência contra a vida desse povo, além de ignorar os direitos de sua sobrevivência..
Mesmo sem muita divulgação de parte da imprensa, por não dá audiência e nem vender jornal, talvez, se o ocorrido fosse o contrário, aí sim estariam bradando, chamando-os de invasores e outros adjetivos ainda mais pejorativos, como fazem contra os Sem Terras, este povo  vem  enfrentando uma  luta, que já dura anos, contra as investidas de latifundiários do agronegócio, de multinacionais e dos pistoleiros contratados pelos fazendeiros, sem contar com o mínimo apoio dos governos federal ou estadual.
A difícil situação que os guarani-kaiowá têm enfrentado, não é muito diferente do que podemos assistir em  outras regiões brasileira, ou seja, um processo organizado e calculado de expropriação territorial, que tem como único objetivo, apropriar-se dos recursos naturais existentes, sem respeitar os básicos direitos das populações ali já instaladas, violando-os sem o mínimo pudor, e que é pior, muitas vezes,  com o apoio do judiciário, quando não do próprio governo.
Quando nossas autoridades irão compreender que, quando o Brasil foi “descoberto” quem recepcionou os portugueses foram os índios? Que eles estão aqui a mais de 1.600 anos, e que não deveriam permitir que o “homem branco”  os desrespeitassem? Será que o governo federal não entende que o que os índios querem não é  toda a extensão de terra a que teriam direito e sim, uma quantidade de terra que seja suficiente para eles se estabelecerem e poderem se desenvolverem e crescerem, além de produzir o necessário para a sua sobrevivência hoje e futura e cujas áreas sejam agricultáveis e próximas aos rios, como o era antes do descobrimento?
Que os nossos índios querem é ter um tratamento de humanos e que sejam estabelecidos programas sociais voltados para a causa indígena, além de que seja combatida  a corrupção e os desvios de recursos pela Funai.
Hoje o que se vê é que mesmo nas áreas já demarcadas o atendimento é feito de forma precária. São escolas caindo aos pedaços, com uma grade curricular que busca aculturar os povos e  prefeitos de diversas cidades  demitindo professores indígenas sem consultar às comunidades, substituindo por brancos para seus postos.  Na saúde, as denúncias de desvios e ineficiência são uma constante. Na área de habitação, casas são construídas com verba federal, entregues cheias de defeitos e com acabamento precário, sem que a Funai assuma a mínima responsabilidade pela sua fiscalização.
O que impressiona na causa da tribo guarani-kaiowá é, a dimensão que o problema assumiu e o grau de acirramento dos conflitos. Quem trabalha ou estuda as causas indígenas, sabe que no Mato Grosso do Sul, depois da Amazônia é onde está localizada a segunda maior população indígena do País, com  73.295 pessoas. São grupos indígenas que por falta de demarcação de suas terras vivem distribuídas por mais de 30 terras indígenas e 31 acampamentos à beira de estradas ou em pequenas porções de terra dentro de fazendas.
Relatórios de diversas entidades nacionais e internacionais a respeito da situação dos guarani-kaiowá, apontam como um dos maiores desafios atuais do governo brasileiro na área dos direitos humanos.
É do conhecimento dos envolvidos com a causa indígena, que um dos fatores que tem contribuído para o agravamento da situação no Mato Grosso do Sul e particularmente dos guarani-kaiowás é o grande poder político das elites, acentuado na conjuntura atual, onde o agronegócio se tornou um dos pilares da política econômica.
O que se vê na região é um mar de soja, cana-de-açúcar e pastagens para o gado bovino, explorados por grandes empresas nacionais e multinacionais, todos eles implantados sobre as terras reivindicadas pelos nativos, cujas terras outrora, fora uma região de grande biodiversidade, com matas ricas em madeiras nobres, como a peroba, o cedro e a aroeira.
Este poder econômico e político hoje  fortemente associado ao capital transnacional e maior financiador do agronegócio, tem demonstrado sua força e protelado ao máximo o processo de demarcação das terras na região.
O que se tem visto de forma clara é que desde que o movimento indígena Aty Guasu passou a organizar ocupações de terra como estratégia para pressionar o Estado brasileiro a agir na região, o governo federal através da Funai tem atuado de forma pontual, procurando apenas minimizar o problema, sem buscar uma solução estrutural definitiva  para os conflitos.
Como exemplo desta situação inusitada é que, quando uma área é ocupada,  somente a partir daí é que a Funai age, iniciando o processo de identificação e delimitação, apenas daquela área, sem se preocupar com as demais. Se não é um crime pelo menos uma alta irresponsabilidade ou conveniência com as elitas locais..
O movimento guarani-kaiowá luta pela recuperação das terras, não é de agora, ele surgiu na década 80, no bojo da redemocratização, ao mesmo tempo em que se organizavam os setores populares de todo o País.
Ao longo de sua luta, os guarani-kaiowá tem assistido seu território ser invadido por milhares de colonos, fazendeiros, empresas nacionais e até multinacionais, contando com incentivo oficial, tanto federal quanto estadual, sem que pudessem reagir a espoliação que estavam sendo submetidos, sob pena de serem tachados pelos órgão que se diziam indigenistas, de “comunistas” ou “subversivos, por estarem impedindo o desenvolvimento do estado.  
Apesar de alguns organismos acreditarem que os casos de morte dos índios não estão relacionados com a disputa judicial, coincidentemente, os problemas começaram a surgir, a partir do momento que os recursos naturais das antigas áreas se esgotarma, há cerca de 30 anos. A partir daí, os guarani-kaiowá vem enfrentando situações constrangedoras, como: conflitos entre as famílias, suicídios dos jovens, desnutrição infantil, motivados pela falta de terras, o que tem obrigados aos homens, saírem em busca de trabalho, muitas vezes para longe da família, principalmente nas usinas de cana-de-açúcar, cujas denúncias da precariedade das condições trabalhistas, tem sido comum. Isto sem contar com a situação de faltas de oportunidades para os jovens, levando-os ao desespero.
Hoje vivem confinados em pequenas porções de terras insuficientes para as necessidades das comunidades, fruto de uma política perversa de demarcação praticada pela Funai, de pequenos lotes, para não prejudicar o agronegócio.
A partir do instante que as demarcações passaram a contemplar áreas maiores, os fazendeiros contaram com o apoio do judiciário. Das três áreas homologadas no governo Lula, duas foi barrada por liminares de ministros do Supremo Tribunal Federal. Uma em 2005, suspensa por Nelson Jobim, e, em 2009, embargada por Gilmar Mendes. Com essas decisões, os fazendeiros da região se sentiram fortalecidos, tornando as disputas cada vez mais violentas.
Os assassinatos de lideranças ocorreram e tem ocorrido sem que esferas policiais e jurídicas ajam contra os culpados. São crimes que tem alcançado repercussão internacional, como o da morte de Marçal de Souza, em 1983, e de Marcos Verón em 2003, lideranças de destaque no movimento. Entre 2005 e 2006, ganhou destaque as mortes das crianças indígenas em decorrência da desnutrição infantil. Como forma de combater o problema, o governo intensificou a distribuição de cestas básicas. Porém, a solução definitiva, que é a demarcação de área que lhes dê condições de sobreviverem, esta não é tomada.
Em 2007, a Funai assina com o testemunho das lideranças indígenas, Compromisso de Ajuste de Conduta se comprometendo resolver definitivamente a situação. Em julho de 2008, tem início os trabalhos para identificar e delimitar as terras indígenas, divididas de acordo com as bacias hidrográficas da região. Estamos chegando ao final de 2012, e os problemas persistem por omissão do governo, através da Funai.
Na época, fazendeiros e políticos do estado difundiram a versão, desmentida pela Funai, de que as terras a serem demarcadas poderiam chegar a 12 milhões de hectares, quase um terço do Estado, quando na verdade não passava de 600.000.
Enquanto os políticos pressionavam o governo federal, os fazendeiros buscavam impedir o trabalho das equipes da Funai usando todo tipo de artifício jurídico. E assim tem sido a situação até os dias atuais. O resultado da omissão tem sido uma série de conflitos sangrentos, desde 2009. Sem uma ação mais contundente do poder público, certamente os problemas continuarão a ocorrer.
Cada vez mais fortalecidos, os fazendeiros se rodearam de pistoleiros, que ameaçam diuturnamente os índios, quando não os “requisitam” para exercerem o trabalho as escravo, enquanto as mulheres são estupradas e ou transformadas em prostitutas para servirem aos bandidos armados. Esta é a situação e o gverno, de quem se espera uma ação, continua omisso.  

sábado, 20 de outubro de 2012

NOVO FENÔMENO BRASILEIRO. Classe Média que ganha 291 reais.

É incrível como os bur(r)ocratas brasileiros são criativos, principalmente quando estes profissionais estão a serviço do governo e este governo tem como meta não acabar a miséria, mas estabelecer critérios “técnicos” que visa enganar ou iludir a população para uma “realidade” que não existe. 
E porque estamos a dizer isto. 
Não é que o governo brasileiro, sobre a administração petista, anda a se vangloriar que durante a sua gestão, de pouco mais de 11 anos, tirou mais de 50 milhões de famílias da pobreza colocando-as na classe média? 
Claro que este fato mereceria aplausos se não fosse irreal. 
E porque estamos a dizer que este fato é irreal! 
Ora, não dá para acreditar que o governo possa se vangloriar de tal fato, quando para chegar a este número, este mesmo governo, através dos seus institutos técnicos, define como renda mínima familiar para está na nova classe média valores entre R$ 291 e R$ 1.091 per capita/mês, conforme estabeleceu uma comissão de "especialistas" formada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. 
Esta renda estabelecida posso afirmar sem medo de errar, não é praticada em nenhum país do mundo, principalmente naqueles que se diz em desenvolvimento. 
Fica uma pergunta: em que país em desenvolvimento ou desenvolvido uma pessoa que percebe até 02 salários mínimos é considerado como classe média? 
Apenas para citar como exemplo, nos EUA, a renda da classe C é de até US$ 123 mil. Aqui não chega a R$ 30 mil. Dá pra comemorar então? 
Pelo que se observa, a realidade é bem diferente. 
Na verdade, a nova classe média brasileira está bem distante de ser chamada de média de fato, porque o governo ao considerar a renda familiar de R$ 2 mil com sendo classe média, nos EUA ou na França ou Alemanha, seria considerada miserável, mesmo com toda a crise que se defrontam essas nações. Diante do fato comemorado pelos governistas, poderíamos considerar como um fenômeno inédito e impressionante. 
Reconhecemos que nos últimos anos ocorreu um aumento da renda de uma grande parte da população situada na a área de risco, melhorando o seu padrão de vida e oferecendo acessibilidade à segurança alimentar, recursos tecnológicos e conforto. 
Devemos reconhecer ainda, que a ascensão desse contingente populacional está diretamente ligada às mudanças econômicas ocorridas desde a implantação do Plano Real, que teve como meta o controle da inflação, a valorização do salário mínimo, aliado aos programas de transferência de renda e ao crescimento econômico dos últimos anos que possibilitou um impulso na renda para os trabalhadores.
Entretanto a classificação dessa nova classe média brasileira é ilusória frágil e perigosa, pois nada a diferencia da população de baixa renda dos demais países da América Latina. 
Ao estabelecer os critérios de renda mínima, cujo valor sequer permite uma sobrevivência digna, esquecem os seus idealizadores de outros fatores essenciais para a evolução social. 
Itens como educação, saneamento, saúde pública, energia, transportes e segurança, entre outros, que compõem o Colchão Social são bem mais eficazes e duradouros que, somente, a renda. 
Seria importante lembrar que os itens acima especificados inevitavelmente levam ao aumento da renda, evitando gastos desnecessários, qualificando a mão-de-obra e melhorando a saúde pública. 
É obrigação de qualquer governo estabelecer políticas públicas que visem a elevação e ou manutenção da renda e do consumo, entretanto é necessário que paralelo a esse processo, seja fortalecido o Colchão Social e que os recursos sociais sejam universalizados e colocados como prioridades pelos governantes, setor produtivo e pela própria classe em ascensão. 
E neste critério, o Brasil está bem distante. 
Ora, se levarmos em consideração que país para ser considerado desenvolvido, segundo os padrões das sociedades consumistas deve ter um PIB per capita superior e possuir um índice de desenvolvimento humano (IDH) elevado, logo veremos que os países da nossa América Latina não preenche ainda estes critérios, assim, levando em conta alguns deles como Brasil, Chile, Argentina e México possuem um elevado IDH e um PIB grande, logo são considerados como países em processo de desenvolvimento ou emergentes, mesmo enfrentando diversos problemas sociais, como a desigualdade, grandes bolsões de pobreza e alta concentração de renda. 
Analisando por este ângulo, entende-se o interesse governamental de sair por aí bradando feitos e ascensões sociais fora da realidade, estabelecendo novos conceitos sociais, com isso estabelece novas linhas de consumo, a tentativa de incorporação de novos hábitos, de forma a levar a acreditar que o Brasil possui um mercado consumidor robusto, atraente, mais sofisticado e urbanizado, demandando não só quantidade, mas também qualidade no consumo. 
Aí fica sub-entendido o conceito dado a nova classe média. 
São por estes feitos, pelas previsões em sua grande maioria furadas, sem que tenham a paciência e o cuidado de se munirem de dados técnicos consistentes e pelas alquimias laboratoriais, que a classe dos economistas anda tão desacreditada e desprestigiada pela sociedade.