quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Obesidade infantil pode aumentar o risco de diabetes tipo 2;  saiba quando investigar

A obesidade infantil está associada a um risco maior de desenvolver diabetes tipo 2, condição que faz o nível de açúcar no sangue subir. No Brasil, 572 mil crianças apresentam níveis elevados de glicose associados ao índice de massa corporal (IMC) elevado, segundo dados citados no Posicionamento Brasileiro sobre Avaliação e Tratamento da Obesidade Pediátrica.

O documento, elaborado com participação da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), reúne orientações para identificar problemas de saúde relacionados à obesidade na infância e na adolescência.

Entre as recomendações está a avaliação do nível de glicose no sangue, exame que ajuda a identificar alterações que podem indicar pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

<><> Como a obesidade infantil se relaciona com o diabetes tipo 2?

A obesidade infantil pode estar associada a mudanças no funcionamento do organismo, incluindo dificuldades no controle da glicose no sangue. O diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não consegue utilizar adequadamente a insulina, hormônio que ajuda a glicose a entrar nas células.

Quando esse processo não funciona como deveria, a quantidade de açúcar no sangue pode aumentar. A obesidade é um dos fatores relacionados ao risco de desenvolver a doença, mas isso não significa que toda criança com obesidade terá diabetes tipo 2.

Segundo o posicionamento, o risco de problemas de saúde aumenta conforme a idade e o grau de obesidade. Por isso, o acompanhamento médico deve considerar o conjunto das condições de saúde da criança, e não apenas o peso.

<><> Quantas crianças brasileiras têm obesidade?

O Atlas Mundial da Obesidade 2026, citado no documento, estima que 17 milhões de crianças e adolescentes brasileiros tinham sobrepeso ou obesidade em 2025. Desse total, 7 milhões viviam com obesidade.

O levantamento também aponta que 572 mil crianças apresentam níveis elevados de glicose associados ao IMC elevado. Esse dado não significa que todas tenham diabetes tipo 2, já que a confirmação da condição depende de avaliação médica e exames específicos.

O documento também estima que cerca de 50% da população pediátrica brasileira poderá apresentar excesso de peso até 2035.

<><> Quando a criança precisa fazer exames de glicose?

O posicionamento recomenda que crianças com obesidade a partir dos 10 anos façam exames para avaliar o nível de glicose no sangue, o colesterol, os triglicerídeos e a saúde do fígado.

Um dos exames utilizados é a glicemia de jejum, que mede a quantidade de açúcar no sangue após um período sem comer. Outros testes podem ser solicitados conforme a avaliação médica.

Para crianças de 2 a 9 anos com obesidade, o documento orienta que a realização de exames de glicose e de avaliação do fígado seja considerada principalmente quando existem outros fatores de risco.

A avaliação também pode incluir a medição da pressão arterial, o acompanhamento do crescimento e a análise de outros sinais clínicos.

<><> Quais exames ajudam a identificar pré-diabetes e diabetes tipo 2?

O documento apresenta critérios laboratoriais da Associação Americana de Diabetes (ADA), referentes a 2024, para identificar alterações nos níveis de glicose.

Os valores indicados são:

•        Glicemia de jejum: de 100 a 125 mg/dL pode indicar pré-diabetes. A partir de 126 mg/dL, pode indicar diabetes.

•        Teste oral de tolerância à glicose: de 140 a 199 mg/dL após duas horas pode indicar pré-diabetes. A partir de 200 mg/dL, pode indicar diabetes.

•        Hemoglobina glicada: entre 5,7% e 6,4% pode indicar pré-diabetes. A partir de 6,5%, pode indicar diabetes.

A hemoglobina glicada, também chamada de HbA1c, é um exame que mostra uma estimativa da média dos níveis de glicose no sangue nos últimos dois a três meses.

Os resultados não devem ser interpretados isoladamente. O diagnóstico depende da avaliação profissional e, em determinadas situações, da confirmação por novos exames.

<><> Como acompanhar a saúde da criança?

O posicionamento recomenda medir o peso e a altura e calcular o índice de massa corporal (IMC) pelo menos uma vez por ano, a partir dos 2 anos de idade, durante as consultas pediátricas de rotina.

O IMC é calculado a partir do peso e da altura. Em crianças e adolescentes, o resultado precisa ser interpretado de acordo com a idade e o sexo, utilizando curvas de crescimento específicas.

O documento também recomenda que o tratamento da obesidade infantil considere a alimentação, a atividade física, o sono e a saúde mental, com acompanhamento de diferentes profissionais quando necessário.

Para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, a recomendação apresentada é de pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa.

A orientação é que o cuidado envolva também a família e considere as condições de vida da criança, sem atribuir a obesidade à falta de força de vontade.

Farofa, farinha de mandioca ou panko: o que muda na glicose de quem tem diabetes?

Farofa sobre o arroz e o feijão, farinha de mandioca para acompanhar a carne ou aquele frango empanado com farinha panko. Essas opções fazem parte do almoço de muitos brasileiros, mas será que todas têm o mesmo efeito na glicose de quem tem diabetes?

Embora tenham características diferentes, as três fornecem carboidratos que podem aumentar a glicose no sangue. Não existe, porém, uma opção que necessariamente provoque uma elevação maior em todas as situações. A quantidade, o preparo e os acompanhamentos ajudam a determinar o impacto de cada escolha.

•        Farinha de mandioca, farofa e panko: quais são as diferenças?

A farinha de mandioca é produzida a partir da raiz da mandioca e tem o amido como principal componente. Mesmo sem apresentar sabor doce, fornece carboidratos que são digeridos e transformados em glicose.

A farofa tradicional costuma utilizar essa mesma farinha como base, mas recebe outros ingredientes, como manteiga, óleo, ovos, bacon ou vegetais. Dependendo da receita, pode apresentar quantidades maiores de gordura e sódio.

Já a farinha panko é feita de pão, geralmente produzido com farinha de trigo refinada. Muito utilizada para empanar frango e peixe, proporciona uma textura crocante e também acrescenta carboidratos à refeição.

Por isso, não existe uma opção automaticamente melhor para todas as pessoas com diabetes. Uma farofa caseira com vegetais, por exemplo, pode ter uma composição diferente de uma versão industrializada, assim como um peixe empanado e assado apresenta características diferentes de um alimento frito por imersão.

<><> O problema pode estar na combinação do prato

Imagine um almoço com arroz, feijão, batata e uma porção generosa de farofa. Embora todos esses alimentos possam fazer parte de uma alimentação equilibrada, a soma dos carboidratos merece atenção.

Durante uma participação no DiabetesCast, a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos explicou que o efeito dos alimentos depende de diferentes fatores, incluindo as combinações realizadas.

“A gente não come nutriente, a gente come comida.”

Na prática, uma pequena porção de farofa acompanhada de salada, feijão, arroz em quantidade adequada e uma proteína pode produzir uma resposta na glicose diferente daquela observada após uma refeição com grandes porções de alimentos ricos em amido.

A resposta também varia conforme o tratamento, a quantidade consumida e as características individuais.

<><> Quem tem diabetes pode comer farofa todos os dias?

A farofa pode fazer parte da rotina alimentar, desde que a porção seja adequada às necessidades de cada pessoa. Não existe uma quantidade universal que funcione para todos.

Para quem gosta desse acompanhamento, uma alternativa é preparar versões caseiras, controlando a adição de óleo, manteiga e sal. Acrescentar cenoura, couve, cebola ou sementes também ajuda a diversificar os nutrientes da preparação, mas não elimina os carboidratos presentes na farinha.

Nas versões industrializadas, vale observar a lista de ingredientes e a tabela nutricional, especialmente as quantidades de carboidratos, gorduras saturadas e sódio.

Outra possibilidade é experimentar farofas preparadas com farelo de aveia, sementes ou farinha de amêndoas. Essas adaptações podem oferecer mais fibras, dependendo da receita, mas também exigem atenção às porções.

<><> E o frango empanado com farinha panko?

A farinha panko merece atenção não apenas pelos carboidratos, mas também pela maneira como costuma ser utilizada.

Quando o alimento é frito em óleo, a preparação pode absorver gordura e aumentar seu valor calórico. Já o preparo no forno ou na airfryer, com pouco óleo, pode reduzir essa adição.

Isso não significa que o empanado assado deixe de conter carboidratos. A camada de panko continua fazendo parte da quantidade total consumida.

Uma alternativa é utilizar uma camada mais fina de farinha e acompanhar o alimento com vegetais, considerando também a presença de arroz, batata ou outros carboidratos no almoço.

<><> Como montar um almoço mais equilibrado?

Algumas atitudes podem ajudar quem deseja manter a farinha ou a farofa na alimentação:

•        Observe a quantidade: comece com uma pequena porção e ajuste conforme a orientação nutricional e a resposta da glicose.

•        Considere o prato inteiro: arroz, batata, macarrão e farofa são fontes de carboidratos que precisam ser avaliadas em conjunto.

•        Inclua vegetais: saladas, legumes e verduras fornecem fibras e ajudam a compor uma refeição equilibrada.

•        Combine com proteínas: ovos, frango, peixe e carnes podem fazer parte do almoço, respeitando as necessidades individuais.

•        Prefira preparações caseiras: sempre que possível, controle a quantidade de óleo, sal e outros ingredientes adicionados.

A ordem de consumo também pode influenciar a glicose após a refeição. Começar pelos vegetais e consumir proteínas antes dos alimentos ricos em carboidratos pode ajudar a reduzir a elevação glicêmica em algumas pessoas, embora essa estratégia não substitua o tratamento.

É preciso cortar os carboidratos para controlar a glicose?

Durante o DiabetesCast, Tarcila Campos explicou que os carboidratos têm uma função importante no organismo, principalmente no fornecimento de energia. Por isso, a orientação nutricional deve considerar as necessidades e a rotina de cada pessoa.

“Eu diria que no mundo do carboidrato a gente não precisa restringir, mas a gente precisa adaptar e individualizar a quantidade que essa pessoa pode receber desse alimento e encontrar melhor combinação e, às vezes, até horário.”

A nutricionista reforçou ainda que o controle da glicose não depende exclusivamente da alimentação, mas também do funcionamento da insulina, do tratamento e de outros fatores.

Portanto, quem tem diabetes não precisa necessariamente abrir mão da farofa no almoço ou daquele frango empanado. Mais importante do que proibir esses alimentos é entender a quantidade adequada, equilibrar os acompanhamentos e observar como a glicose responde às escolhas alimentares.

 

Fonte: Um Diabético

 

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