Derrota
nas eleições de meio de mandato o que significará para a política externa de
Trump?
Com o
controle do Congresso em jogo, as próximas eleições de meio de mandato nos EUA
estão sendo observadas menos pelo que poderiam mudar e mais pela forma como
poderiam aprofundar a paralisia e a polarização que já definem Washington.
A
Sputnik conversou com especialistas norte-americanos de diversas áreas para entender melhor como os resultados
da votação desta terça-feira (3) poderiam impactar a política externa dos EUA.
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Uma vitória democrata 'limitaria profundamente' Trump
Se os
democratas recuperarem o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do
Senado, eles terão a capacidade de limitar o poder de Trump de financiar uma guerra contra o Irã e a
ajuda militar a Israel, ao mesmo tempo em que forçam o governo a retomar a
ajuda ao regime de Zelensky em Kiev, disse o juiz Andrew Napolitano à Sputnik.
"O
Congresso detém o poder sobre o orçamento, e isso funciona nos dois sentidos. O
Congresso pode limitar a forma como o presidente gasta o dinheiro, mas também
pode obrigar o presidente a gastar", afirmou o jornalista e especialista
jurídico norte-americano.
"Existe,
por exemplo, a possibilidade de forçar o presidente a gastar recursos que ele
não deseja — como enviar mais verbas para o regime mais corrupto
do planeta,
que é o de Kiev", explicou. "Se Trump se recusar a fazê-lo, existem
precedentes na Suprema Corte que permitem ao Congresso forçar essa ação."
Ao
mesmo tempo, uma nova onda de "investigações intermináveis" tornará
difícil para Trump manter o foco na política externa.
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Mais instabilidade, não menos
Dan
Lazare, historiador constitucional e comentarista político norte-americano,
avalia que uma eventual conquista de qualquer uma das casas legislativas pelos
democratas seria uma receita para uma polarização ainda maior e para uma
política externa mais assertiva, especificamente, mais voltada contra a
Rússia e a China.
"É
impossível prever como as coisas vão se desenrolar. Mas estou certo de que
haverá mais instabilidade, e não menos", diz Lazare, acrescentando que um
confronto com Pequim em torno de Taiwan provavelmente fará parte da agenda do
Partido Democrata. "Independentemente do que aconteça, as divisões, sem
dúvida, se aprofundarão."
Se os
democratas conquistarem cadeiras suficientes, Lazare acredita que eles usarão
seu recém-adquirido poder para criar obstáculos à
administração Trump
"a cada passo". A Casa Branca, por sua vez, responderá com
contramedidas e ameaças, elevando potencialmente as tensões "ao ponto de
ebulição".
Não há
como escapar dessa "dialética negativa", argumenta ele, pois o
problema está enraizado no próprio sistema político: "Os EUA possuem um
sistema de caráter minoritário, no qual um pequeno número de congressistas
consegue tirar proveito de diversos pontos de estrangulamento para paralisar as atividades. A paralisia,
portanto, é um fato recorrente."
Embora
a separação de poderes tenha sido concebida para evitar a concentração de
autoridade e garantir a devida fiscalização de decisões importantes, seus
mecanismos de freios e contrapesos tornaram-se, cada vez mais, armas na batalha
política entre republicanos e democratas, observa o analista.
"A
situação começou a se deteriorar após o caso Watergate, a derrota no Vietnã e
as políticas de livre mercado de Ronald Reagan e Margaret Thatcher. Em meados
da década de 1990, os dois partidos já estavam em guerra. Esse colapso se
intensificou com a eleição de Trump em 2016, o Russiagate entre 2017 e 2020, e
a tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021", afirmou.
Em vez
de amenizar as tensões, cada eleição sucessiva apenas acirra ainda mais o
conflito político, conclui Lazare.
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O curso permanece o mesmo
O
tenente-coronel reformado do Exército dos EUA, Earl Rasmussen, apresenta uma
perspectiva diferente, para ele é improvável que o resultado das
eleições
de meio de mandato altere, de alguma forma, o rumo das relações dos EUA com a
Rússia ou com o Irã. "É preciso lembrar que existem interesses poderosos
nos bastidores que continuam a sustentar os conflitos, sejam eles interesses de
lobby, geopolíticos ou financeiros", afirma ele.
Rasmussen
observa que "um ponto positivo é o engajamento [da administração Trump]
com a Rússia", que, no entanto, enfrenta agora "obstáculos internos,
além de resistências por parte de muitos líderes europeus e da Ucrânia".
Paralelamente, a situação envolvendo o Irã, o apoio contínuo à guerra de Israel
em Gaza e o conflito em curso no Iêmen "deixaram a Ásia Ocidental à beira
de um colapso total, expondo os EUA e o Ocidente a uma situação
humilhante".
Segundo
o veterano militar norte-americano, nenhuma mudança futura no equilíbrio de
poder no Congresso deve alterar esse curso; para isso, seria necessária nada
menos que uma transformação cultural profunda dentro de setores da
administração dos EUA, do Congresso e entre seus aliados.
Sobre a
Ucrânia, Rasmussen argumenta que a liderança dos EUA precisa reconhecer as causas fundamentais do conflito, que remontam a um
período anterior a 2014. Ele ressalta que Washington rompeu acordos
internacionais e "levou a Rússia ao limite, enquanto muitos russos étnicos
na Ucrânia sofriam durante os frágeis cessar-fogos de Minsk 1 e 2".
"Os
EUA deveriam aceitar abertamente que a Ucrânia não fará parte da Organização do
Tratado do Atlântico Norte [OTAN], nem será um membro 'de fato' e que o país
será, constitucionalmente, um Estado neutro. Precisamos aceitar, em nível
internacional, as novas fronteiras. Deveríamos buscar um novo engajamento e
desenvolver oportunidades de negócios conjuntas que beneficiem a todos",
afirmou.
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'Não existe política externa'
O
analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos
EUA, Scott Ritter, questiona a própria premissa de que as eleições de meio de
mandato vão moldar a política externa, pois, em sua visão, não existe uma
política externa coerente a ser moldada.
Sobre o
Irã, Ritter descarta relatos de que Trump estaria planejando novos
ataques
após as eleições de meio de mandato. Ele observa que o conflito começou em
fevereiro, sem que houvesse eleições à vista "e, ainda assim, mudamos
nosso plano dez vezes em duas semanas". A única visão estratégica,
argumenta ele, era a mudança de regime — e ela fracassou.
"Estamos
tentando lidar com as consequências de uma guerra fracassada, de uma política
fracassada." Essas consequências se manifestam internamente por meio dos
preços da energia. O foco central de Trump no Oriente Médio, sustenta Ritter,
resume-se agora a "como reduzir o custo da
energia
dentro dos Estados Unidos".
Quanto
ao suposto plano dos Democratas de investigar a condução, por parte de Trump,
das sanções sobre o diesel russo, Ritter é contundente:
"Os
Democratas não possuem uma agenda de política externa mais ampla. Eles têm uma
agenda de política interna voltada, essencialmente, para se vingar de Donald
Trump." Ele ressalta que a Lei Lindsey Graham [Lindsey Graham Act] confere
explicitamente ao presidente a discricionariedade de não impor sanções,
"portanto, literalmente, ele não violou lei alguma".
Qualquer
investigação, diz ele, não passa de "política norte-americana estúpida, em
seu nível mais rasteiro [...]. Eles tentarão disfarçar isso com argumentos
bonitos, como 'estamos fazendo isso pelo povo da Ucrânia' ou 'estamos fazendo
isso pela democracia'. Mas estão fazendo por vingança política. É só isso".
Olhando
para o futuro, Ritter prevê que uma Câmara dos Representantes sob controle
democrata estaria "exclusivamente focada no impeachment de
Donald Trump",
em vez de na política externa. "O presidente pode sobreviver a um
impeachment. Ele já provou isso duas vezes", acrescentou.
Quanto
à questão mais ampla de saber se as eleições mudarão a política externa dos
EUA, Ritter prevê "mais caos", com a política externa continuando a ser
formulada "dentro de um círculo muito restrito de pessoas ao redor de
Donald Trump".
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A economia orienta o voto e não o cenário mundial
Larry
Johnson, ex-oficial de inteligência da CIA e funcionário do Departamento de
Estado, argumenta que a política externa influencia a opinião dos eleitores
apenas de forma indireta, por meio da inflação e das dificuldades
econômicas geradas por uma eventual guerra com o Irã. O conflito na Ucrânia,
por outro lado, "não tem sido, de fato, o que eu chamaria de uma questão
decisiva que leve as pessoas a se sentirem fortemente a favor ou contra algo, porque,
na prática, isso não afeta a vida delas".
"Não
há unidade entre os republicanos, especialmente no que diz respeito à política
externa. Existe uma divisão crescente, notadamente em questões relacionadas a
Israel", afirmou. Vale destacar que os esforços diplomáticos de Trump em
relação à Rússia "estão sendo duramente criticados tanto pelo
establishment republicano quanto pelos democratas".
Ele
duvida que a eleição traga mudanças significativas em relação à Rússia, uma vez que "a
russofobia, esse antagonismo em relação à Rússia infelizmente, deve
persistir".
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Analista: eleições parlamentares nos EUA são ferramenta
de gestão da opinião pública
As
eleições parlamentares nos Estados Unidos são uma ferramenta para gerenciar a
opinião pública, uma maneira de encontrar desculpas ou nomear bodes expiatórios
para as consequências mais negativas da política externa e interna, disse à
Sputnik Brian Berletic, analista geopolítico veterano e ex-fuzileiro naval dos
EUA.
Berletic
afirmou que a política externa do seu país é determinada por poderosas
corporações não eleitas e instituições financeiras que controlam ambos os
partidos políticos por meio de um extenso lobby, a fim de promover a supremacia
norte-americana e, assim, obter lucros e alcançar o mundo inteiro.
"Até
que esses interesses especiais sejam expostos e deslocados do cenário político
da América, nenhuma mudança significativa ocorrerá, a não ser a que o mundo
multipolar possa impor de fora", destacou o analista.
Desta
forma, as mudanças no Congresso após as eleições não
afetarão de forma alguma a política externa dos EUA, assim como o presidente Trump, ao assumir o cargo,
não fez nada para acabar com as guerras, já que ele mesmo prometeu falsamente
que iria pará-las ou impedi-las durante a campanha eleitoral.
"As
eleições norte-americanas servem principalmente como um meio de gerenciar a
percepção pública e criar desculpas e bodes expiatórios para os piores
resultados da política externa e interna dos EUA", sublinhou.
Ao
mesmo tempo, o especialista enfatizou que os Estados Unidos estão
deliberadamente envolvendo países europeus no conflito ucraniano, buscando que
a Europa suporte o peso dessa luta com a Rússia na Europa, enquanto
eles próprios estão se voltando para o confronto nas regiões da Ásia e do Oriente Médio.
"Ao
retratar a 'diplomacia' em relação à
Rússia, os Estados Unidos podem reformular sua própria guerra por procuração
com a Rússia na Ucrânia como uma guerra
'europeia' e evitar as consequências da guerra que os próprios Estados Unidos
estão, de fato, ainda travando contra a Rússia", afirmou Berletic.
Ao
incumbir a Europa de continuar a guerra por procuração dos EUA com a Rússia na
Ucrânia, e ao consolidar o controle militar sobre os fantoches dos EUA na Ásia Ocidental em relação ao Irã e seus aliados, bem como na Ásia-Pacífico contra a China, Washington cria uma versão
global e multifrontal desse conflito já devastador e perigoso.
Atraindo
assim mais nações diretamente para pagar os custos e os combates nessas
guerras, a Casa Branca vem aumentando o
risco para a paz global e a estabilidade para todo o mundo, concluiu o
especialista.
As
eleições de meio de mandato nos Estados Unidos em 3 de novembro determinarão o
equilíbrio de poder no Congresso pelos próximos dois
anos e se tornarão um dos principais eventos políticos do segundo mandato
presidencial de Trump em meio a dificuldades econômicas e ao agravamento da
situação internacional.
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Após 'conversas positivas', EUA e Irã estudam novas
propostas para um acordo de paz
Os EUA
e o Irã estão analisando separadamente novas propostas dos mediadores com o
objetivo de chegar a um acordo, informou uma agência de notícias europeia,
citando uma fonte a par das discussões.
De
acordo com a publicação da Breitbart, após a reunião em Teerã com os mediadores
do Catar, uma nova base para um acordo de paz entre o Irã e os Estados Unidos está sendo
delineada. A fonte, que conhece o conteúdo das discussões, descreveu as
conversas como "positivas".
"Os
Estados Unidos e o Irã estão atualmente analisando separadamente as últimas
sugestões feitas pelos mediadores com o objetivo de aproximá-los do lançamento
de um novo acordo", diz o texto.
Segundo
a matéria, essa atualização sobre as conversas diplomáticas veio logo depois
que o presidente norte-americano, Donald Trump, publicou uma
mensagem sobre o Irã no Truth Social
nesta segunda-feira (2).
O chefe
da Casa Branca afirmou que o Irã
quer chegar a um acordo o mais rápido possível e admitiu a possibilidade de um
entendimento. Ele atribuiu a queda nos preços do petróleo à confiança do
mercado de que não haverá uma retomada de um conflito em grande escala com o
Irã.
Teerã afirmou
anteriormente que ofereceu aos Estados Unidos um plano de sete
condições com opções para abrir o estreito de Ormuz em troca do levantamento do
bloqueio naval e de restrições às exportações de petróleo. No entanto, Trump
rejeitou a proposta.
O Ministério das
Relações Exteriores do Irã informou que recebeu a reação oficial dos EUA ao plano e
forneceu sua avaliação da resposta de Washington por meio dos mediadores do Catar.
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Vitória democrata pode abrir investigações sobre entrada
de Flávio nos EUA, diz mídia
As
eleições legislativas dos EUA podem ampliar a pressão sobre a permanência de
Flávio Bolsonaro no país caso os democratas conquistem maioria no Congresso.
Especialistas, porém, afirmam que o Legislativo não tem poder para deportá-lo,
embora possa abrir investigações e cobrar explicações do governo Trump.
Nesta
terça-feira, as eleições
legislativas
de meio de mandato nos Estados Unidos podem alterar a correlação de forças no
Congresso e gerar impactos indiretos sobre a permanência do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) no país. A possibilidade de vitória democrata mobilizou
brasileiros nas redes sociais, que passaram a cobrar de parlamentares do
partido medidas para deportar o senador, alvo da hashtag #DeportTheBolsonaros.
Flávio chegou aos EUA na semana passada
(28 de outubro) após deixar o Brasil, e sua situação passou a ser tema de
debate entre opositores de Donald Trump. A eventual conquista de maioria
democrata na Câmara e no Senado alimentou especulações sobre a adoção de
medidas contra o parlamentar brasileiro.
Especialistas
ouvidos pela mídia
brasileira, porém, afirmam que o Congresso
norte-americano
não possui poder para deportar ou expulsar estrangeiros. Decisões desse tipo
cabem a órgãos do Poder Executivo, como o Departamento de Estado e o
Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), ambos subordinados
ao governo Trump.
Segundo
analistas consultados pela apuração, uma vitória democrata poderia ampliar a
pressão política sobre a Casa Branca, mas não garantir medidas concretas contra
Flávio. Ainda assim, parlamentares teriam instrumentos para exigir esclarecimentos sobre sua entrada e
permanência em território norte-americano.
De
acordo com Roberto Uebel, da ESPM, o Congresso não tem jurisdição para deportar
indivíduos, enquanto Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense
(UFF), lembra que a concessão e a revogação de vistos são atribuições
exclusivas do Departamento de
Estado dos EUA.
Ele
ressalta ainda que revogação de visto, deportação e expulsão são procedimentos
distintos, com consequências e trâmites legais diferentes.
Mas,
uma possível maioria democrata também poderia abrir investigações para apurar
se autoridades do governo Trump ofereceram tratamento privilegiado a Flávio
Bolsonaro e sua família e poderiam examinar a emissão de vistos, a autorização de
entrada
no país e eventuais favorecimentos relacionados ao seu status migratório.
Brustolin
observa que apenas a Câmara dos Deputados já teria poder para instaurar uma
investigação parlamentar, sem depender de maioria simultânea no Senado, e, de
acordo com Uebel, convocar o secretário de Estado, Marco Rubio, para prestar
esclarecimentos sobre a atuação do governo no caso.
Mesmo
que irregularidades fossem identificadas, os especialistas enfatizam que o
Congresso não poderia determinar a revogação do visto nem ordenar a saída do
senador dos EUA.
Apesar
da impossibilidade de ação direta e de o tema estar longe das prioridades da
oposição a Trump, os democratas já iniciaram movimentações sobre o tema.
De
acordo com a mídia, um grupo de 25 deputados enviou uma carta a Marco Rubio
questionando se o governo norte-americano auxiliou Flávio Bolsonaro a viajar
para os EUA ou ingressar no país apesar de restrições judiciais brasileiras.
Fonte:
Sputnik Brasil

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