terça-feira, 3 de novembro de 2026

Depois de tríplice fracasso, candidato de Nikolas na Bahia quer petistas identificados com estrela

O candidato a deputado federal de Nikolas Ferreira na Bahia está agitado.

Rogério Faedo, uma importante liderança do agro no Oeste da Bahia, ficou tão decepcionado com o resultado das eleições de 2026 que decidiu filtrar todos os seus contatos pessoais para falar apenas com quem é bolsonarista.

O município ainda vive o impacto de um vídeo gravado na região por Nikolas Ferreira, com trechos de falas de sete pessoas. O vídeo, em que o presidente Lula é denunciado por supostamente abandonar o Nordeste, teve mais de 165 milhões de visualizações e neste domingo, 1, permanecia fixado no topo da página do deputado mineiro.

O vídeo foi ao ar no dia 20 de outubro, como parte do esforço de Nikolas para impedir o avanço da votação de Lula no segundo turno. A estratégia fracassou, mesmo na capital do agronegócio da Bahia.

<><> Lula cresceu mais de 22%

Aqui, a votação de Lula subiu 22,63% no segundo turno. A abstenção local caiu de 21,1% para 18,8%. Flávio Bolsonaro também avançou, mas bem menos: foi de 38.496 votos para 39.688 no município. Lula saltou de 20.173 para 24.739.

O papel do ruralista Faedo na produção do vídeo está cada vez mais claro. Nikolas passou apenas algumas horas no município. Ao desembarcar, Faedo disse a ele que estava tudo programado: primeiro “na chácara”, depois “na fazenda”.

Uma fonte do grupo político ligado ao ex-prefeito Oziel Oliveira, do PSD, disse à Fórum que Nikolas veio a Luís Eduardo Magalhães sem avisar ao prefeito Junior Marabá, empresário evangélico que é do PP e apoiou Flávio Bolsonaro.

A fonte, que pediu anonimato alegando que todos se conhecem na cidade, disse que uma das pessoas que falaram no vídeo, Ubaldino Simões de Morais Neto, o Binha, trabalha para Faedo como ‘gerente’.

Posteriormente, apesar da aparência um tanto sôfrega no vídeo, revelou-se que Binha dirige uma Hilux e mora em casa com piscina.

Depois da controvérsia, ele apagou suas contas nas redes sociais. Em nome de Binha, um advogado publicou uma nota:

A residência de Binha e as condições materiais de sua família não são são critérios para determinar se suas reivindicações por uma saúde pública de qualidade são legítimas. Ele não apareceu no vídeo para afirmar que não trabalha, que não possui bens ou que vive em situação de miséria.

No vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, no entanto, além de reclamar por Saúde Binha afirma: “Eu quero meu emprego”.

A própria defesa admitiu que ele não está desempregado e tem uma Hilux, alegando que precisa “percorrer longas distâncias e enfrentar estradas de terra, trechos arenosos e locais de difícil acesso para prestar seus serviços nas fazendas da região”.

<><> Aliados de Nikolas fracassam

A presença de Nikolas não impulsionou o candidato: Rogério Faedo, do PL, que armou o vídeo, teve apenas 3.671 votos em Luis Eduardo Magalhães (6.452 no total).

O federal mais votado na cidade foi o ex-prefeito Oziel, com 11.615 de um total de 22.040 votos. Ele ficou como suplente.

O prefeito do município, do PP, conseguiu eleger seu candidato a federal, Ditinho da Avivip, do União Brasil.

A “chácara” que Faedo citou no desembarque de Nikolas na verdade fica no assentamento Rio de Ondas. Os entrevistados foram colocados diante de uma casa de tijolos, sem reboque. Um filtro esmaeceu a cena, dando um aspecto lúgubre aos relatos trágicos.

Além de Rogério Faedo assistiram aos depoimentos o candidato a deputado estadual Richi Átila, o pastor Jonatas Tavares e a pastora Fátima, que abençoou a ocasião.

Átila teve apenas 760 votos em Luís Eduardo Magalhães de um total de 2.447. Não se elegeu, completando o tríplice fracasso da investida de Nikolas Ferreira na cidade.

<><> Desabafos de perdedor

“Eu vou comprar nos comércios bolsonaristas”, disse o ruralista Rogério Faedo em registro feito na mesma fazenda em que recebeu Nikolas para gravar um segundo vídeo, sobre as virtudes do agronegócio.

“Agora eu quero ver esses petistas que tão perdendo emprego, que o Bolsa Família vai ser cortado […] vocês que fizeram o L estão lascados”, afirmou.

Desde que sua tentativa de se eleger fracassou, Faedo já publicou vários desabafos:

Todos aqueles que tem comércio, restaurante, principalmente restaurante, que coloquem na porta de seu estabelecimento a estrela do PT, que daí eu não vou ali, que se eu for almoçar ali o risco de eu ser envenenado por esse comerciante é muito grande. Então, ele tem que se identificar.

Curiosamente, a bandeira de Luis Eduardo Magalhães tem uma estrela branca no centro e as cores vermelha e azul.

Nos vídeos, Faedo denunciou fraude e pediu voto impresso. Faedo, que é originário do Rio Grande do Sul, sugeriu que o povo da Bahia é “tapado” por votar no PT e anunciou:

Eu só vou entrar em estabelecimento, eu só vou aceitar na minha casa, eu só vou conversar com pessoas que se identifiquem que são Flávio Bolsonaro.

Em sua declaração de bens ao TSE, Faedo disse ter patrimônio de R$ 8.756.950,00.

Ele declarou sua fazenda Maria das Águas Santas, no município vizinho de Barreiras, com 1.596 hectares, com o valor de R$  345.292,45. Outra propriedade rural, também em Barreiras, com 450 hectares, foi avaliada em apenas R$ 185,00.

A Calculadora Rural estima o preço de um hectare de terra nua em Barreiras em R$ 13.800,00.

O valor de venda das duas fazendas declaradas por Faedo seria, portanto, superior a R$ 28 milhões, apesar de terem sido declaradas por menos de 350 mil reais.

•        Cozinheiro do Bem, Júlio Ritta rebate Nikolas Ferreira e serve picanha a pessoas em vulnerabilidade; entenda

cozinheiro Júlio Ritta, fundador do projeto social Cozinheiros do Bem – Food Fighters, respondeu com picanha, risoto e comida na mesa aos ataques do deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG), que ironizou perda de patrocinadores bolsonaristas da iniciativa após o chef manifestar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em vídeo divulgado neste domingo (1º), Ritta mostrou a preparação de refeições para mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade social no Viaduto da Conceição, em Porto Alegre (RS), e mandou um recado direto ao parlamentar.

“Vocês acharam que iam me derrubar, hein, ô seu moleque, Nikolas Ferreira? Eu nem conheço a tua história, sabe por quê? Porque eu não tenho tempo pra isso! Eu acho que tu ainda estava nas fraldas quando eu comecei a servir comida nesse viaduto”, disparou o cozinheiro, que há 11 anos distribui refeições a pessoas que passam fome na capital gaúcha.

A resposta veio depois que Nikolas usou suas redes sociais para ironizar o boicote de empresários e doadores ao projeto, relatado por Ritta após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.

Em reação ao boicote, o cozinheiro reuniu voluntários e preparou um cardápio especial: risoto à parisiense, picanha ao molho demi-glace, tomate-cereja, alface, suco gelado e cuca.

“Mais de 500 pessoas hoje aqui no Viaduto da Conceição não vão precisar meter a mão numa lata de lixo pra comer. E essa é a porra da nossa vitória!”, comemorou.

<><> Entenda como começou a polêmica

A disputa começou após Júlio Ritta denunciar que empresários e apoiadores haviam suspendido doações e patrocínios destinados ao Cozinheiros do Bem em razão de seu posicionamento político nas eleições.

Na quinta-feira (29), Nikolas Ferreira compartilhou um vídeo do cozinheiro nos stories do Instagram e fez uma publicação ironizando a perda dos recursos.

“O cara tem um projeto ‘Cozinheiros do Bem’. Tem uma festa programada para dia 14 onde terá o cantor MV Bill. Ele fez esse vídeo xingando a direita (no mínimo 60 milhões de pessoas) e agora os patrocinadores e doadores cancelaram toda verba”, escreveu o deputado.

Nikolas também questionou por que Ritta continuaria recebendo contribuições de empresários que, segundo a interpretação do parlamentar, haviam sido chamados de “milicianos, extremistas, fascistas e genocidas”.

“Afinal, por que receber o dinheiro de quem é miliciano, extremista, fascista e genocida? Coerência, né? Simples”, escreveu.

O deputado ainda recorreu a um argumento religioso, afirmando que a verdadeira caridade deveria nascer de uma alma voltada à santidade.

Ritta respondeu ainda na quinta-feira, também pelas redes sociais. “Late mais alto, moleque. Aproveita e pega o próximo voo e não esquece de pegar a peruca”, escreveu, em referência ao episódio em que Nikolas utilizou uma peruca rosa durante um discurso na tribuna da Câmara dos Deputados.

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A discussão ganhou repercussão e mobilizou apoiadores do projeto social. Ritta relatou ter recebido novas doações e manifestações de solidariedade depois do episódio.

<><> “Ao invés de propagar fake news, eu resolvi servir a tal da picanha”

No vídeo divulgado no domingo, o cozinheiro transformou a picanha, símbolo explorado na disputa política em torno das promessas de Lula, em resposta concreta às provocações da extrema direita.

“Então, ao invés de propagar fake news, viajar com jatinho emprestado, eu resolvi servir a tal da picanha que vocês falavam que era a picanha do Lula. Se o Lula serve ou não, não tô nem aí, meu irmão! O Júlio Ritta há 11 anos serve comida nesse viaduto em Porto Alegre”, afirmou.

O cozinheiro também convidou Nikolas a conhecer a realidade das pessoas atendidas pelo projeto.

“Quem sabe tu não faz o mesmo? Tu é novo ainda, ainda tem muito que aprender. E não é prepotência, não. É porque quem vive na rua sabe como é a realidade da nossa população.”

Ritta lembrou que a fome não atinge apenas pessoas em situação de rua. Segundo ele, famílias inteiras procuram as refeições distribuídas pelos voluntários porque não têm sequer condições de preparar comida em casa.

“Enquanto tiver uma pessoa numa fila nossa, e não só pessoas em situação de rua, muitas e muitas famílias vêm até aqui porque elas não têm gás dentro de casa. E aí vocês vêm com a pachorra de dizer: ‘Faz o L’, ‘Pede pro teu presidente’.”

<><> “O que o teu Cristo faria?”

Um dos momentos mais contundentes do vídeo ocorre quando Júlio Ritta questiona a utilização da religião pelo deputado bolsonarista.

“Então, tu gosta tanto de falar sobre dados, hein, cristão? O que o teu Cristo faria se estivesse vivo hoje? Andaria só com quem tem dinheiro? Com os empresários que vocês disseram que eu ataquei? Ou ia tá aqui embaixo desse viaduto?”, questionou.

Em seguida, o cozinheiro apresentou sua própria concepção de solidariedade cristã.

“O meu Cristo é esse, e ele não carrega uma cruz; ele carrega um monte de cooler cheio de comida!”

A provocação contrapôs o discurso religioso do parlamentar ao trabalho de assistência alimentar realizado pelos voluntários nas ruas de Porto Alegre.

Ritta também rejeitou a tentativa de transformar a distribuição de comida em uma disputa entre governos de esquerda e de direita.

“Há 11 anos eu faço isso. Só que o Brasil não tem apenas vinte anos de governo de esquerda. São mais de quinhentos anos de sofrimento de uma nação”, afirmou.

<><> Mais de 8 milhões de marmitas em 11 anos

O Cozinheiros do Bem atua há 11 anos no combate à fome, com distribuição de refeições e mobilização de voluntários. Segundo o balanço apresentado por Ritta, o projeto já distribuiu mais de 8 milhões de marmitas desde sua criação.

Durante a pandemia de Covid-19, a iniciativa teria atendido 96 comunidades e atuado em mais de 36 cidades do interior do Rio Grande do Sul. Nas enchentes que devastaram o estado em 2024, o grupo também participou da assistência às famílias desabrigadas.

Ritta afirma que os voluntários atenderam mais de 1.200 pessoas no maior abrigo da capital gaúcha, com a produção de 4.800 refeições diárias, além de outras 3.800 refeições no Parque Olímpico de Canoas.

Os números foram apresentados pelo próprio cozinheiro e mostram a dimensão da atuação reivindicada pelo projeto.

“São mais de 8 milhões de marmitas servidas nesses 11 anos. Eu tenho um orgulho da porra disso! Mas uma felicidade plena eu vou ter no dia que não tiver uma pessoa nessa fila. Mas até lá, a gente segue”, afirmou.

Para Ritta, o objetivo do Cozinheiros do Bem vai além de distribuir alimentos. “A comida é e sempre será só a ponte”, resumiu.

O cozinheiro encerrou o vídeo cercado de voluntários e das refeições preparadas para a população em vulnerabilidade, com uma mensagem coletiva: “Eu sou o que eu sou porque somos todos nós! Todos nós!”

•        Kassab rifa clã Bolsonaro e sinaliza “relação mais profunda” com Lula em entrevista

m movimentos calculados que costumam prever o ritmo da política institucional em Brasília, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, traçou um diagnóstico pragmático sobre o reposicionamento das forças partidárias no país. Em entrevista concedida à newsletter do jornal O Globo, conduzida pelo jornalista Thiago Prado, o articulador paulista descartou a viabilidade de uma nova postulação presidencial encabeçada diretamente por membros da família Bolsonaro no pleito de 2030. Paralelamente, o dirigente abriu caminho para uma aproximação formal e mais robusta com o Palácio do Planalto no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na avaliação do cacique político, a sucessão presidencial de 2030 não deverá contar com nomes do núcleo familiar da extrema direita no topo da chapa. Kassab lembrou a condenação e a inelegibilidade mantida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a saída do país de Flávio (PL) e Eduardo Bolsonaro, que minou a capacidade de articulação direta dos irmãos no cenário nacional, além da falta de inclinação eleitoral de Carlos Bolsonaro e da ausência de coesão interna em torno do nome de Michelle Bolsonaro. Para o líder do PSD, embora a figura do ex-mandatário continue sendo um polo de atração inevitável para qualquer candidatura do campo conservador, a hegemonia direta da dinastia sobre as urnas sofreu um desgaste decisivo.

Questionado sobre as alternativas para a liderança da oposição nos próximos anos, o ex-prefeito de São Paulo pontuou que nomes como o do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) possuem supostamente habilidade política para ler o cenário, mas ressaltou que a construção de uma alternativa competitiva dependerá, fundamentalmente, do desempenho administrativo em seus respectivos estados e da capacidade de diálogo com o centro.

<><> Diálogo com o Planalto e exigências fiscais

Se por um lado Kassab decreta o esgotamento do clã familiar na disputa majoritária, por outro ele estende pontes em direção à governabilidade federal. Historicamente reticente em classificar o PSD como um membro formal da base aliada, a despeito de a sigla ter comandado três ministérios ao longo do terceiro mandato de Lula, o dirigente sinalizou uma mudança de tom para o novo ciclo.

Kassab revelou que emissários do Executivo federal já iniciaram contatos para formatar a composição ministerial e a sustentação no Congresso. De acordo com o presidente da legenda, o PSD está disposto a construir uma “relação mais profunda” com a gestão petista, condicionando esse apoio a um aceno claro ao eleitorado de centro e à adoção de diretrizes econômicas ortodoxas. Como referência de governabilidade, o articulador citou a condução econômica da primeira gestão de Lula, mencionando quadros como Antonio Palocci e Henrique Meirelles como modelos de responsabilidade fiscal e previsibilidade capazes de pacificar os mercados e atrair setores moderados.

O dirigente argumentou que a heterogeneidade da bancada do PSD, composta por diretórios regionais alinhados tanto ao campo progressista quanto à direita, exige que o governo federal emita sinais concretos de responsabilidade fiscal e moderação ideológica. Segundo ele, essa postura é o elemento capaz de unificar o apoio do partido em votações decisivas no Legislativo.

<><> Debate sobre anistia e pacificação nacional

Outro ponto central abordado por Gilberto Kassab na entrevista à newsletter de O Globo foi o debate sobre medidas de anistia e pacificação política. Em meio às articulações conduzidas no Senado Federal por Davi Alcolumbre tendo em vista a eleição para a presidência da Casa em 2027, Kassab posicionou-se favoravelmente à discussão do tema a título pessoal, ressaltando que a sigla não fechou questão regimental sobre a matéria.

Para o líder político, o contexto aberto com a reeleição de Lula abre margem para gestos de reconciliação por parte do vencedor do pleito. Kassab rebateu as críticas de que a pauta significaria uma normalização de investidas contrárias ao Estado Democrático de Direito, sustentando que, diante do novo arranjo político e do afastamento dos principais atores extremistas do debate eleitoral imediato, a busca por uma saída negociada pode contribuir para a estabilidade das instituições republicanas.

 

Fonte: Fórum

 

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