terça-feira, 3 de novembro de 2026

Por que Trump enfrenta o mesmo problema econômico que derrubou Biden?

A Casa Branca enfrenta um dilema conhecido. Os indicadores econômicos não são necessariamente ruins, mas a opinião pública nos Estados Unidos é negativa. Essa desconexão perseguiu Joe Biden em 2024, quando os principais indicadores, embora sólidos, não conseguiram convencer muitos eleitores de que a economia estava funcionando a seu favor.

Agora, Donald Trump enfrenta uma versão diferente do mesmo desafio.

Durante a campanha de 2024, Trump prometeu aos eleitores um alívio rápido para a inflação."Quando eu vencer, vou baixar os preços imediatamente", disse. Cumprir essa promessa tem sido mais difícil do que o esperado.

O crescimento econômico permanece estável, o desemprego continua baixo e o mercado de ações está perto de suas máximas históricas. Mas o relatório mais recente sobre a inflação antes das eleições de meio de mandato confirma o que os eleitores já sabem: os preços continuam altos. As causas são diferentes.

Biden lidava com as consequências da pandemia de covid. Trump enfrenta preços mais altos da energia, relacionados ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, além dos efeitos de algumas de suas próprias políticas comerciais e migratórias.

A realidade política, no entanto, é muito semelhante. Os eleitores não avaliam a economia pelos números do PIB ou pelas máximas históricas do mercado de ações. Eles a avaliam pelo que pagam no supermercado, pelo preço da gasolina e pela capacidade de arcar com suas despesas.

<><> Os números contam apenas parte da história

Um crescimento econômico de 2,2% nos Estados Unidos seria respeitável pelos padrões de muitas economias ricas. A Alemanha, por exemplo, tem enfrentado dificuldades para alcançar um dinamismo semelhante. E uma taxa de desemprego estável de 4,2% nos EUA dificilmente indica uma economia em queda livre. Trump argumenta que herdou de Biden um desastre econômico e aponta o forte crescimento, os investimentos e o bom desempenho do mercado de ações como provas de que suas políticas estão funcionando.

Após a divulgação do relatório mais recente sobre a inflação, o porta-voz da Casa Branca, Matthew Middleton, afirmou que a "agenda econômica favorável ao crescimento" do governo havia amenizado "a crise inflacionária de Biden". Larry Kudlow, aliado de Trump e comentarista econômico, descreveu a atual expansão como "a melhor história já contada" e afirmou que "ninguém será demitido".

Os eleitores parecem estar interpretando uma história diferente: Trump venceu a eleição presidencial prometendo enfrentar o alto custo de vida, mas os preços continuam subindo. Parte do problema é que os aumentos salariais não acompanharam o ritmo da alta dos preços. O salário médio por hora subiu 3% no último ano, enquanto os preços ao consumidor aumentaram 3,7%. Isso ajuda a explicar por que as pesquisas continuam mostrando que os eleitores avaliam negativamente a atuação de Trump na economia.

<><> Mesmo idioma, diferentes significados

Para os democratas, essa dinâmica é familiar.

Celinda Lake, uma experiente pesquisadora de opinião pública ligada ao Partido Democrata, afirma que o problema começa na maneira como economistas e eleitores usam as mesmas palavras para falar de coisas diferentes. "Quando os economistas dizem que a inflação está caindo, querem dizer que o ritmo de aumento dos preços diminuiu", afirma. "Quando os eleitores dizem que a inflação caiu, querem dizer que os preços voltaram ao patamar anterior. Bem, é claro que isso nunca acontece", explica.

O governo Biden passou boa parte de 2024 destacando o baixo desemprego, o crescimento sólido e a queda da inflação. Ainda assim, muitos eleitores continuavam pensando nos preços elevados que enfrentavam diariamente. Lake, que assessorou a campanha de Biden em 2020, mas não participou da disputa de 2024, afirma que os eleitores avaliam a economia com base em suas experiências pessoais, e não nos indicadores econômicos. "Não é possível discutir com as pessoas sobre a realidade da vida delas", afirma. Isso pode ajudar a explicar por que o desafio de Trump se parece tanto com o de Biden.

<><> O efeito Trump

Os críticos de Biden o responsabilizaram pela inflação. Mas ele poderia apontar fatores que estavam, em grande parte, fora de seu controle, como a pandemia e seus efeitos sobre as cadeias de abastecimento. Trump tem menos margem para fazer isso.

Alguns economistas afirmam que os preços mais altos de hoje são, pelo menos em parte, resultado de suas próprias políticas, incluindo as tarifas comerciais, além das consequências econômicas da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. "A inflação é claramente atribuível a Donald Trump", avalia Peter Morici, economista da Universidade de Maryland alinhado aos republicanos. "São as tarifas dele e a guerra. As pessoas sabem disso. Elas veem", acrescenta.

As tarifas do chamado "Dia da Libertação" de Trump, anunciadas em abril de 2025, elevaram os custos para os consumidores. Um estudo do Federal Reserve de Nova York concluiu que as tarifas aumentaram os preços dos bens de consumo em aproximadamente 2,9%. O impacto poderia ter sido maior se Trump não tivesse suspendido posteriormente algumas tarifas, fechado novos acordos comerciais e se a Suprema Corte não o tivesse impedido de usar poderes de emergência para impor muitas outras taxas sobre importações.

Então veio outro revés.

O conflito com o Irã elevou os preços do petróleo, encarecendo a gasolina e pressionando ainda mais o orçamento das famílias. A Casa Branca aponta os cortes de impostos, o crescimento do emprego e a redução do custo dos medicamentos vendidos sob prescrição como provas de que está cumprindo seus compromissos com as famílias americanas. Além disso, o governo vem adotando cada vez mais políticas destinadas a aliviar as pressões econômicas.

Trump pediu que seja estabelecido um limite para as taxas de juros dos cartões de crédito e levantou a possibilidade de um pagamento de US$ 5 mil aos adultos americanos caso os republicanos mantenham o controle do Congresso. Essas medidas refletem uma realidade política familiar aos dois partidos: quando os eleitores estão preocupados com os preços, argumentos sobre crescimento sólido e baixo desemprego raramente são suficientes. Biden nunca encontrou uma maneira de diminuir a distância entre o desempenho da economia e a confiança dos eleitores nela.A pergunta às vésperas das eleições de meio de mandato é se Trump conseguirá fazer isso.

Se a história política recente servir de referência, a percepção sobre a economia pode importar mais do que os próprios indicadores econômicos.

¨      A crise de identidade que ameaça ambição dos democratas 

James Stevens se autodenomina um socialista democrata. Estudante de cinema com 24 anos, ele é o tipo de democrata que lembra um comentarista de esquerda americano provocador, Hasan Piker, seis anos atrás, "antes que ele ganhasse relevância na política". No ano passado, Stevens saiu da sua casa no Estado americano da Geórgia para Nova York, para trabalhar na campanha do atual prefeito da cidade, Zohran Mamdani.

Sua mãe, Tamara, tem 56 anos e também é fiel aos democratas. Mas ela é diferente.

Ela era republicana quando jovem e passou a ser democrata ao assistir ao ex-presidente Barack Obama no programa de Oprah Winfrey na TV. Atualmente, ela é leal ao partido, defende os direitos reprodutivos, participa dos comícios de campanha e faz doações aos candidatos locais. Mãe e filho desejam que os democratas conquistem o controle do Congresso, nas eleições de meio de mandato (midterms, em inglês) de terça-feira (3/11). Mas eles não estão totalmente de acordo em relação ao que desejam para o seu partido. "Estou muito cansada de ver como os democratas são flexíveis quanto às políticas dos republicanos que não beneficiam um grande grupo de pessoas", conta Stevens, sob o olhar de sua mãe. "É preciso haver uma visão corajosa entre os democratas."

Ela acredita que o partido deveria adotar políticas defendidas pelos Socialistas Democratas da América (DSA, na sigla em inglês), um grupo dissidente de esquerda. Para ele, isso significa antissionismo, retirada do financiamento corporativo da política e saúde pública gratuita administrada pelo governo. A visão convencional em Washington é que os democratas se encontram em posição favorável para assumir o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, até do Senado, nas eleições de 3 de novembro. As condições estruturais favorecem o Partido Democrata. Afinal, o índice de aprovação do republicano Donald Trump encontra-se no mínimo histórico para um presidente em meio de mandato. É um nível comparável ao do ex-presidente George W. Bush em 2006, durante seu segundo mandato.

A guerra no Irã ainda não acabou e está se mostrando impopular junto ao eleitorado americano. E o conflito gerou aumento dos preços da gasolina, o que vem decepcionando um eleitorado já preocupado com a alta do custo de vida. Tradicionalmente, as midterms são um referendo sobre o presidente que está no poder. O partido do governo perdeu assentos na Câmara em 18 das últimas 20 eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Ainda assim, apesar de todas estas circunstâncias, o Partido Democrata também é impopular em todo o país.

A média das pesquisas do portal Real Clear Politics mostra que o público americano considera os democratas apenas um pouco melhores que os republicanos. E pesquisas recentes concluíram que o Partido Democrata ainda detém saldo desfavorável na sua avaliação pelos cidadãos americanos. Analistas políticos afirmam que, se os republicanos conseguirem contrariar as tendências e sobreviver às eleições de novembro com liderança no Congresso, um dos principais motivos será porque a maioria dos eleitores americanos também não aprecia o Partido Democrata (ou a marca dos democratas).

Por trás das manchetes sobre qual partido ou quais candidatos irão vencer nesta terça-feira, há também uma história sobre a identidade democrata levantada por esta eleição. Existe uma luta entre os institucionalistas e os reformistas — as pessoas que querem mudanças paulatinas e as que exigem transformações profundas. A questão é: quem irá vencer no longo prazo?

<><> O partido que não é de Trump?

Cobri todas as eleições nacionais americanas dos últimos 12 anos. E este é um pleito incomum. Entrevistei eleitores antes das midterms de 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, e fiquei surpresa com a união de muitos eleitores democratas, em sua oposição ao presidente. Desta vez, percebi que, sob a fachada da união, há uma luta em andamento. Existem questionamentos sistemáticos sobre o papel do Partido Democrata. E estas divisões surgiram durante as primárias desta campanha eleitoral. "A identidade do partido é bastante nebulosa", segundo o pesquisador Ruy Teixeira, do centro de estudos de centro-direita Instituto Empresarial Americano. "Ele está todo concentrado na reação ao governo Trump e aproveitando o que é uma reação termostática ao governo... Fora disso, existem todas essas facções diferentes no partido."

Parte do motivo desta luta interna entre os democratas é que o partido nunca teve a possibilidade de ter esta disputa durante a corrida presidencial de 2024, com a súbita desistência de Joe Biden, meses antes da eleição, e a nomeação de Kamala Harris como candidata. Os analistas concordam que, se os democratas tiverem grandes vitórias nesta eleição, o partido não irá solucionar questões não resolvidas mais profundas. Eles tentarão se manter coesos para reunir votos no Congresso ou ficarão de olho na campanha presidencial de 2028. De forma simplista, a divisão do partido se dá entre a sua ala centrista, mais moderada, e seu grupo mais à esquerda.

Mas operadores e analistas afirmam que existe também uma divisão entre os institucionalistas e aqueles que querem subverter totalmente a instituição existente. E os dois lados acreditam ter melhor leitura do que os eleitores realmente querem.

Usamah Andrabi, do proeminente grupo de esquerda Democratas pela Justiça, culpa o establishment democrata pela eleição de um Congresso e de um presidente republicanos. "Por isso, acho que as pessoas que nos trouxeram a este caos simplesmente não serão os que nos tirarão dele", segundo Andrabi. "A crise do custo de vida... é imensa e não será resolvida com ajustes marginais." Ele defende que ela será resolvida com políticas como assistência médica e à infância universal e redistribuição do dinheiro, reduzindo o orçamento do Pentágono para pôr fim ao que ele chama de "guerras sem fim".

Sua organização foi criada em 2017 para recrutar e apoiar os membros do Congresso que ficaram conhecidos como "o Esquadrão", a ala mais à esquerda da Câmara dos Representantes, que inclui membros como as deputadas Alexandria Ocasio-Cortez e Ilhan Omar.

A assistência médica será um dos principais cenários onde esta luta provavelmente será travada, segundo Carrie Dann, editora da newsletter apartidária The Cook Political Report, que prevê a competitividade das campanhas. "Existe muita disposição, pelo menos, para mais transparência, maior compreensão dos motivos por que os custos da assistência médica são tão altos", explica Dann. "Basta dar um passo em falso, quebrar uma perna e uma imensa parcela dos americanos terão sua vida virada do avesso, devido ao formato atual do sistema de assistência médica."

Diversos candidatos democratas nesta eleição divulgaram ideias para reduzir os custos diretos para as pessoas que já possuem seguro-saúde. Arcar com custos adicionais além dos pagamentos regulares de seguro é algo comum no sistema de saúde dos Estados Unidos.

Mas existe uma outra ala do partido que está cansada de mudanças graduais e quer um sistema nacional de saúde pública com serviços gratuitos: o Medicare para Todos.

Pesquisas recentes indicam que a maioria dos democratas é a favor deste tipo de sistema de saúde, que sofre oposição da maior parte dos republicanos. Mas alguns democratas afirmam que existem nuances a serem discutidas. "As pessoas querem ter assistência médica universal e também poder manter seu seguro-saúde", afirma Neera Tanden, ex-consultora de política doméstica de Joe Biden e, agora, CEO (diretora-executiva) do centro de estudos liberal Centro para o Progresso Americano.

Os democratas comuns reconhecem que muitos consideram que a assistência médica é um direito, mas insistem que outras pessoas se opõem firmemente a um programa que seja totalmente gerido pelo governo. Elas receiam que os padrões de assistência sejam inferiores e defendem a opção de manter seu seguro-saúde particular.

Os custos de assistência médica subiram em toda a cadeia de serviços. O seguro-saúde, os gastos diretos, as despesas hospitalares e os preços dos remédios receitados dispararam nos últimos anos, acima dos índices de inflação. Com o aumento das despesas médicas, pesquisas indicam que a ideia de saúde pública universal não é algo tão extravagante nos Estados Unidos como no passado. E esta campanha mostra que a defesa aberta deste sistema, por parte dos políticos, passou a ser um tabu muito menor.

Na Geórgia, Tamara e James Stevens estão de acordo nesta questão. Ambos querem saúde pública universal. Mas sua principal discordância é em relação a Israel. Tamara se denomina sionista. "Meus filhos ficam malucos comigo quando digo isso", ela conta. E eles estão longe de serem os únicos democratas a discutir esta questão.

Para Dann, do The Cook Political Report, uma das maiores lições deste ciclo eleitoral é que os eleitores democratas não procuram apenas candidatos que possam desafiar Trump. Eles desejam candidatos dispostos a enfrentar o establishment. Ela indica o importante Estado-pêndulo de Michigan. Nas primárias locais, Abdul El-Sayed (crítico ferrenho de Israel e de suas ações na Faixa de Gaza) venceu as objeções do establishment democrata. "Acho que uma razão foi porque ele não falava apenas em enfrentar Donald Trump, mas o establishment democrata... o establishment de Washington como um todo", explica ela. E parte deste posicionamento contra o establishment tem relação com o apoio americano a Israel.

<><> A questão de Israel

As pessoas que saíram do partido em 2024 por acreditarem que Biden apoiava demais as ações de Israel em Gaza, agora, estão retornando, incentivadas pelo tom firme de El-Sayed. "Minha linha vermelha tem sido Gaza", afirma a ativista árabe-americana Samraa Luqman, de Michigan. Ela votou em Trump na última eleição presidencial, por ter se sentido traída pelos democratas naquele ano. "2023 e 2024 realmente ensinaram a esta comunidade uma lição de que não queremos mais ficar em cima do muro sobre esta questão. É Gaza ou nada", declarou ela. "Se você não for bom sobre Gaza, Israel e a Palestina, não precisamos de você. Não precisamos de você no poder e não precisamos votar em você, não importa qual seja a sua filiação partidária."

Mas, da mesma forma que estimulou alguns eleitores, El-Sayed também afastou outros, particularmente os que consideram que o apoio a Israel estaria relacionado à segurança dos judeus nos Estados Unidos. Estes eleitores acreditam que o antissemitismo no seu partido aumentou, depois dos ataques mortais do Hamas em 7 de outubro de 2023.Zach Nessel é um desses democratas. Ele receia cada vez mais que pode acabar ficando politicamente sem partido. "Temos pessoas que acham que os sionistas não devem ter lugar no nosso partido, que devem ser expulsos", conta ele. "E, como sou sionista com orgulho, não quero ser expulso da coalizão democrata por esta única questão do Oriente Médio."

O apoio a Israel passou a ser uma prova de fogo em algumas eleições primárias dos democratas nesta campanha eleitoral. A questão fez crescer a resistência ao antigo e influente grupo de lobbyistas Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel (Aipac, na sigla em inglês).

<><> Teste ideológico

Mas Dann conta que Israel não a única prova de fogo. A campanha de El-Sayed, também. "A teoria de Abdul El-Sayed é que ele pode concorrer como progressista inabalável em um Estado-pêndulo e vencer, porque as ideias progressistas não são apenas populares quando comunicadas corretamente, mas também estimulam os eleitores que não fazem necessariamente parte normal do processo político, particularmente os jovens", explica ela. Se El-Sayed vencer, os candidatos da esquerda irão considerá-lo um modelo, segundo Dann. E, se perder, os democratas da ala mais centrista do partido acreditarão que esta é uma prova de que as ideias de esquerda estão fora do alcance dos eleitores comuns.

Mas existem outros que acreditam que Michigan não deve ser o foco, como Jim Kessler, do centro de estudos Terceira Via, de tendência centrista. Ele indica que, se os democratas assumirem o controle do Senado, será devido aos candidatos mais de centro: Roy Cooper na Carolina do Norte, Mary Peltola no Alasca, James Talarico no Texas, Josh Turek em Iowa e Adam Hamilton em Kansas.

Estes, para ele, são os candidatos que estão fazendo crescer as possibilidades dos democratas nesta eleição. "Por isso, quanto maior for a vitória democrata, mais provável parece ser a eleição de democratas de centro, não dos candidatos do DSA", segundo Kessler.

Os candidatos apoiados pelo DSA obtiveram ganhos durante as primárias neste ciclo eleitoral, mas suas ideias ainda são polêmicas para muitas pessoas. "Não acho... que a ampla maioria das pessoas da classe trabalhadora americana seja formada por uma espécie de minissocialistas", afirma Tanden. Ele indica relatos que indicam que a maior parte dos apoiadores do DSA são eleitores com formação universitária. "As pessoas da classe trabalhadora são bastante moderadas em questões como criminalidade e imigração", destaca ela.

Ainda assim, se os democratas conquistarem a maioria no Congresso americano, seus líderes precisarão enfrentar um grupo de democratas no qual, provavelmente, haverá um aumento das vozes mais veementes à esquerda. "O maior desafio dos democratas é descobrir como realmente conduzir melhor a economia e reduzir o custo de vida, pois eles disseram muitas vezes, em alto e bom tom, que é o que eles irão fazer", afirma Teixeira.

<><> Aproveitar o momento

Muito provavelmente, as pessoas começarão a pensar seriamente sobre o próximo candidato à Presidência no dia seguinte às midterms. Mas de quem é o momento, na verdade? Da esquerda ou do centro?

"Acho que, depois da eleição, observaremos muita luta entre as facções reivindicando o crédito", avalia Teixeira. "E isso, naturalmente, aumentará a disputa pela indicação presidencial para 2028."

De volta à Geórgia, Tamara e James Stevens podem discordar em alguns pontos, mas ambos desejam que os democratas tenham uma grande vitória na terça-feira.

"Sou muito pragmático quando o assunto é a política progressista", afirma James Stevens. Ele quer deixar claro que não concorda com todos os pontos defendidos pelos membros do DSA. Por isso, grande parte da campanha destas eleições de meio de mandato se resumiu à qualidade dos candidatos. Não apenas à mensagem, mas ao mensageiro. Por isso, perguntei a mãe e filho quem seria o seu democrata "ideal". Tamara respondeu instantaneamente Jon Ossoff, o senador democrata que concorre à reeleição na Geórgia. E os dois estão de acordo. Ambos realmente gostam do seu senador.

Muitos consideram Ossoff uma estrela em ascensão no seu partido. The Cook Political Report classifica sua cadeira como "provavelmente democrata" na eleição, o que os analistas consideram uma conquista impressionante em um Estado-pêndulo que votou em Trump em 2024. "Ele sabe falar com os republicanos moderados, com os democratas moderados e com os membros do DSA", segundo Tamara. "Ele não tem medo de pegar leve... Gosto do quanto ele fala sobre corrupção." Na noite de quarta-feira passada (28/10), ela e milhares de outras pessoas compareceram a um comício perto da cidade de Atlanta, para aplaudir o senador ao lado do ex-presidente Barack Obama, em campanha pelos democratas. Quando Ossoff pegou o microfone, ele falou longamente sobre o que considera "corrupção" no governo Trump e na política americana, assistência médica e dinheiro corporativo.

Ouvi esta preocupação de eleitores da Geórgia na semana passada. Não só no comício de campanha, mas nos locais de votação antecipada em condados republicanos e democratas. "Temos uma crise de corrupção", disse Richard Schosky enquanto saíamos da cabine de votação no norte de Atlanta. Ele depositou seu voto antecipadamente.Este é um problema que parece repercutir profundamente entre os eleitores, embora a Casa Branca tenha negado repetidamente todas as acusações de irregularidades.De fato, para Dann, do The Cook Political Report, "a corrupção se tornou uma das questões centrais desta eleição". "Os democratas seriam ingênuos se acreditassem que uma noite muito boa para eles daria poder ao Partido Democrata", prossegue ela. "Eles são quase tão impopulares quanto os republicanos e o presidente."

 

Fonte: BBC News em Nova York

 

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