terça-feira, 3 de novembro de 2026

Flávio Bolsonaro usou carro diplomático argentino, escolta e fraudou registros migratórios na fuga

ma minuciosa investigação jornalística exibida pelo Fantástico, da TV Globo, trouxe à tona a teia logística e geopolítica montada para retirar do Brasil o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar deixou o território nacional após a expedição de uma ordem do Supremo Tribunal Federal que determinava a entrega imediata de seus passaportes às autoridades policiais. A apuração, fundamentada em documentos de imigração argentinos obtidos via cooperação internacional, revelou uma manobra coordenada que envolveu o uso de estrutura estatal da Argentina, apoio de escolta armada, fraude nos registros de fronteira e a intercessão direta de agentes ligados à política norte-americana.

A complexa operação transfronteiriça mobilizou aviões particulares, empresas de fachada, veículos com placas diplomáticas e contou até mesmo com a presença de um ex-agente do serviço de inteligência de Israel, o Mossad. O destino final foi a Flórida, nos EUA, onde o parlamentar desembarcou sob forte esquema de proteção e silêncio institucional.

<><> Estratégia da saída em duas frentes: do Distrito Federal à fronteira sul

Para driblar os sistemas de controle e dificultar a rastreabilidade por parte dos órgãos de fiscalização brasileiros, o plano de evasão foi executado de forma fracionada nas primeiras horas da terça-feira, 27 de outubro. O senador decolou da capital federal por volta das 5h05 a bordo de um jato executivo Cessna Citation Excel, aeronave associada à estrutura do advogado Willer Tomaz, aliado próximo do parlamentar e acusado de inúmeros crimes. O voo inicial seguiu rumo ao aeroporto de San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires, onde o avião pousou às 8h40. De lá, as investigações apontam que Flávio seguiu em uma segunda ligação aérea privada com destino a Puerto Iguazú, cidade argentina limítrofe com Foz do Iguaçu (PR).

Paralelamente, a esposa do parlamentar, Fernanda Bolsonaro, juntamente com as duas filhas do casal, deixava Brasília em uma segunda aeronave de pequeno porte. O grupo familiar desembarcou no município de Cascavel, no interior do Paraná. No começo da noite, às 20h02, as três embarcaram no hangar do aeroporto paranaense em um utilitário pertencente à empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda.

A checagem do endereço fiscal da referida agência de viagens pelo Fantástico junto aos bancos de dados da Receita Federal expôs inconsistências profundas: no local indicado, funciona apenas um estacionamento comercial sem qualquer relação operacional com turismo. Questionada pela reportagem da TV Globo, a administradora do espaço confirmou ter parentesco com uma das sócias formais da Dallas, limitando-se a declarar que o seu comércio era apenas o estacionamento. Em nota publicada posteriormente nas redes virtuais, a empresa negou ter prestado serviços de translado para a família do político.

<><> Inconsistências migratórias e a controversa escolta governamental

A travessia terrestre entre o Paraná e a província de Misiones revelou indícios contundentes de adulteração e inserção de dados falsos nos sistemas de controle migratório da Argentina. Registros oficiais obtidos pela reportagem mostram que duas vans ligadas à mesma empresa de transporte cruzaram a fronteira em horários próximos naquela noite. No primeiro veículo, constavam os dados válidos de entrada da esposa e das filhas do parlamentar.

No que diz respeito a Flávio Bolsonaro, contudo, o sistema da imigração argentina registrou um fenômeno atípico: a entrada do senador foi computada três vezes em um curto intervalo de 40 minutos na mesma van. Os lançamentos ocorreram às 22h37, com o passaporte italiano, às 22h40, usando apenas a carteira de motorista, e às 23h11, ao apresentando passaporte brasileiro. As autoridades locais cancelaram as duas últimas entradas registradas com documentos brasileiros, mantendo ativa apenas a validação efetuada com a cidadania europeia.

A inconsistência ganha contornos ainda mais graves diante da principal linha de apuração dos investigadores: Flávio jamais esteve no interior daquela van. O parlamentar teria chegado a Puerto Iguazú por via aérea vindo de Buenos Aires e permanecido durante horas aguardando no interior do jato na pista do aeroporto local até a chegada de seus parentes.

Outra van que antecedeu o comboio familiar em sete minutos transportava o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre, integrante da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o cidadão israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do Mossad (serviço de inteligência de Israel). Halevy, que ostenta fotos em compromissos públicos ao lado do primeiro-ministro extremista Benjamin Netanyahu, havia ingressado no Brasil dia 19 de outubro e já registrava sucessivas viagens ao país ao longo do ano.

O jornalista argentino Nicolás Munafó, do canal de notícias C5N, testemunhou a chegada do aparato ao aeroporto de Puerto Iguazú e confirmou a presença de carros de Estado. Segundo o repórter, a comitiva contava com batedores da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina, veículos com placas brasileiras e automóveis de órgãos governamentais argentinos, incluindo uma caminhonete de representação diplomática vinculada ao Ministério das Relações Exteriores da nação vizinha.

<><> Questionamentos judiciais em Assunção e Buenos Aires e a rota internacional

A utilização de recursos e credenciais públicas argentinas para facilitar a passagem do parlamentar brasileiro deflagrou uma crise política e judicial no país vizinho. A Justiça da Argentina emitiu ordens de busca e determinou a preservação imediata de todas as gravações das câmeras de monitoramento da ponte internacional e das dependências do aeroporto de Puerto Iguazú.

Em depoimento prestado ao Fantástico, a deputada argentina Marcela Pagano confirmou ter acionado formalmente as instâncias judiciais para exigir esclarecimentos sobre as facilidades concedidas ao político brasileiro. Pagano enfatizou a gravidade da existência de irregularidades nos cartões de migração, do uso de escolta da força policial e do emprego de veículos diplomáticos sem justificativa oficial. Em contrapartida, o Secretário de Comunicação da Presidência da Argentina, Fabian Fernandez, informou que o governo de Javier Milei não se manifestaria sobre a ocorrência.

A etapa transcontinental da fuga foi contratada junto à operadora aérea argentina Baires Fly por meio de um jato de altíssimo luxo Gulfstream G400. O proprietário da empresa de táxi aéreo, Luis Grande, revelou que o afretamento custou 150 mil dólares, algo em torno de R$ 800 mil. O pagamento foi realizado por uma intermediária sediada nos EUA através de transferência bancária internacional. Veículos da imprensa norte-americana e o jornal argentino Clarín apontaram que a contratação e a liberação do espaço aéreo em Puerto Iguazú contaram com a interferência direta de Jason Miller, estrategista e ex-assessor do presidente Donald Trump.

A aeronave decolou da Argentina na madrugada de quarta-feira, 28 de outubro, realizando uma parada técnica para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de seguir viagem rumo ao estado da Flórida. O pouso final ocorreu no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na região metropolitana de Miami. Em manifestações públicas, o presidente Donald Trump alegou neutralidade sobre as eleições brasileiras, enquanto o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou qualquer facilitação direta do governo federal nos trâmites, ressaltando que o senador possuía visto válido e teve seu ingresso autorizado dentro da legalidade.

•        Rota de fuga de Flávio abriga foragido do 8/1 e foi usada por bolsonaristas que deixaram país

Se Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fato entrou na Argentina a partir de Foz do Iguaçu (PR), antes de fugir para Miami, como informou o governo de Javier Milei, o senador e sua família passaram por uma região de forte presença bolsonarista e com histórico de apoio político a integrantes do grupo mesmo depois que ações golpistas os tornaram alvo de ordens de prisão.

Dias depois da eleição que deu a vitória a Lula (PT), carros com adesivos da campanha do senador e bandeiras do Brasil fazem parte da paisagem em Foz. Em algumas cidades da região da tríplice fronteira, o senador chegou a ter 70% dos votos válidos no segundo turno, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Um dos foragidos mais notórios do 8 de Janeiro que permanecem na região é o ex-assessor parlamentar Leonardo Rodrigues de Jesus, 43, o Léo Índio, primo dos filhos mais velhos de Jair Bolsonaro. Ele está em Porto Iguaçu, do lado argentino, desde 2025.

A Folha esteve no endereço que ele declarou ao STF (Supremo Tribunal Federal) em março de 2025. Um homem que estava no local com seu cão disse que nenhum Leonardo vivia ali. No mesmo dia, Léo Índio deu entrevista a uma TV argentina.

“Me alegrou muito saber que meu primo saiu do Brasil, porque o destino dele seria o cárcere”, disse à TV. Na conversa, ele chamou os eventos de 8 de Janeiro de “manifestação pacífica” e, sem evidência alguma, disse que os atos só terminaram em vandalismo por causa da ação de infiltrados.

Ao longo de três dias em Foz, a reportagem ouviu outras histórias de foragidos. A funcionária de uma loja disse que uma vizinha também havia se mudado para a cidade argentina. Uma motorista contou que um amigo, que também cruzou a fronteira, não pôde voltar para o enterro da mãe. Todos afirmaram considerar as penas injustas e criticaram a cobertura jornalística da tentativa de golpe. Nenhum quis dar entrevista.

Em 2024, o STF contabilizou 61 foragidos na Argentina em decorrência da tentativa de golpe, mas não detalhou quantos haviam entrado no país por terra nem por onde.

Dos 5 bolsonaristas mais notórios que buscaram o exterior para evitar a Justiça, 3 escolheram passar por Foz: Flávio, Carla Zambelli e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal.

Os outros dois chegaram aos Estados Unidos de avião: Eduardo Bolsonaro, diretamente, e Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, depois de cruzar por terra a fronteira de Roraima com a Guiana.

Zambelli e Silvinei foram de carro até Foz. A ex-deputada dirigiu de São Paulo até o oeste paranaense, cruzou a ponte para a Argentina e, de lá, seguiu para os Estados Unidos e depois para a Itália. Tal qual Flávio, valeu-se de um passaporte italiano — que permitiu que ela permanecesse na Europa até o momento.

Já Silvinei foi preso no aeroporto de Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador. Sua tornozeleira foi encontrada três dias depois na rodoviária de Ciudad del Este, vizinha a Foz.

No caso de Flávio, não está claro como ele chegou à Argentina. Na terça (27), emissoras argentinas filmaram uma van brasileira no aeroporto de Porto Iguaçu e disseram tratar-se da van do senador e de sua família.

A empresária dona da van, procurada pela Folha, recusou-se a dar entrevista. Queixou-se de que o nome da empresa estava nos jornais e relatou ter sido ameaçada por petistas, sem dar detalhes. Também não quis dar explicações detalhadas e disse não saber por que o advogado Willer Tomaz — sócio de Flávio e, como ele, alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro –, segue a empresa nas redes sociais.

Foz do Iguaçu, cidade turística, tem uma comunidade conectada de guias de viagem e operadores de turismo — como a dona da van filmada na Argentina, cuja empresa tem dois veículos. Nos grupos de WhatsApp, mensagens a que a reportagem teve acesso são de saudade do tempo de Jair Bolsonaro e de elogio à pessoa que de fato levou Flávio ao aeroporto.

Motoristas que já disseram ter transportado bolsonaristas como Nikolas Ferreira (PL-MG) ou o ex-ministro Paulo Guedes passaram a ser “suspeitos” da condução da viagem nestes grupos. Um deles, Paulo Barbosa Oliveira Neto, 36, depois de conversar com a reportagem e tratar a suspeita como piada, publicou no Instagram que havia dado entrevista. Em seguida, publicou na mesma rede uma foto antiga dele com Flávio.

Ainda há lacunas sobre as circunstâncias da saída do senador. Não se sabe como ele deixou Brasília, que percurso fez, com ajuda de quem e que meios de transporte usou. Passados mais de três dias, a Polícia Federal divulgou apenas um comunicado sobre o caso, no qual tratou das limitações para detê-lo sem ordem de prisão.

A Folha apurou que a unidade da PF em Foz, voltada para coibir o transporte de mercadorias ilegais — do contrabando ao tráfico de drogas e armas –, não foi acionada para apoiar a apuração, conduzida em Brasília.

O prefeito de Foz, general Joaquim Silva e Luna (PL), foi ministro da Defesa no governo Michel Temer (MDB) e, sob Bolsonaro, dirigiu a Itaipu Binacional e presidiu a Petrobras. Em uma das principais avenidas da cidade funcionou no segundo turno o “QG 100% Bolsonaro”, loja pintada de verde e amarelo, com a foto do ex-presidente e o lema “Deus, Pátria, Família”.

A iniciativa, que funcionou como ponto de concentração de apoiadores da eleição de Flávio, foi do deputado federal Vermelho (PL-PR), que tem base eleitoral na região, com apoio do senador eleito Filipe Barros (PL-PR) e de outros bolsonaristas. Nem o prefeito nem os dois parlamentares responderam aos pedidos de entrevista, feitos diretamente ou por meio de suas assessorias de imprensa.

Eleito deputado federal mais votado do Paraná, Jeffrey Chiquini (Novo), disse avaliar que o sucesso da direita na região se deve à ligação da população com o agro. “A sensação térmica no oeste paranaense é que todo mundo é de direita. Quem é de esquerda não põe a cabeça para fora”, afirmou.

Ele avalia ainda que o apoio da região a Flávio, mantido mesmo após a fuga e a carta golpista do senador, decorre da percepção de que o momento é de conflito. “Eles entenderam que o momento é de perseguição. É um momento de guerra e, na guerra, vale tudo.”

Para o deputado, a região tem origens no agro e é muito conservadora, e esses seriam os motivos do sucesso do bolsonarismo. Na sexta-feira (30), entretanto, o QG 100% Bolsonaro montado pelos parlamentares havia sido pichado com ataques ao bolsonarismo.

•        Paraguai retoma “mutirões” para receber bolsonaristas após vitória de Lula

Direção Nacional de Migrações (DNM) do Paraguai inicia nesta segunda-feira (2) uma nova etapa de atendimento itinerante para estrangeiros que buscam regularizar sua situação documental ou fixar residência no país. Batizada de MigraMóvil, a força-tarefa concentrará seus trabalhos iniciais em Ciudad del Este, polo comercial limítrofe com Foz do Iguaçu (PR), estendendo-se até o dia 6 de novembro. Na sequência, a estrutura móvel será deslocada para Pedro Juan Caballero, cidade vizinha a Ponta Porã (MS), com atendimentos agendados entre 16 e 20 de novembro.

O reinício do programa ocorre em meio a um forte avanço no interesse de cidadãos brasileiros pela obtenção de vistos temporários e definitivos em solo paraguaio. O movimento registrou uma aceleração expressiva no ambiente digital logo após a confirmação do resultado das urnas no Brasil, em 25 de outubro, que culminou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nas redes sociais e em plataformas de busca, o fluxo de pesquisas sobre trâmites migratórios para o país vizinho saltou em múltiplos dígitos, impulsionado por discursos de oposição e relatos de influenciadores digitais.

Essa busca acelerada reflete um imaginário construído ao longo dos últimos meses por setores da extrema direita brasileira, que passaram a retratar o Paraguai como um suposto refúgio ideológico e tributário. A narrativa apoia-se no fato de o país ser governado por Santiago Peña, economista de perfil conservador eleito em 2023. No entanto, analistas políticos apontam que a caracterização do país como “paraíso” distorce a realidade institucional local: Peña lidera um governo de centro-direita de corte pragmático e moderado se comparado aos movimentos radicais da região, mantendo relações diplomáticas produtivas, estáveis e de respeito mútuo com o governo brasileiro liderado por Lula.

<><> Impacto nas estatísticas e perfil dos requerentes

Os números consolidados pelas autoridades migratórias em Assunção indicam que a atratividade do Paraguai para os brasileiros já apresentava trajetória ascendente bem antes do pleito presidencial. Em 2025, o órgão registrou 47.687 solicitações formais de residência, o que representou uma expansão de 63% em comparação com o exercício anterior. Daquele total, mais de 23 mil autorizações foram concedidas especificamente a nacionais do Brasil.

Para o ano corrente, a projeção aponta para um novo teto histórico, aproximando-se da marca de 50 mil requerimentos. O diretor-geral da DNM, Jorge Kronawetter, confirmou ao jornal paraguaio ABC Color que os brasileiros respondem por mais de 70% de todo o volume de pedidos processados no país. Na última passagem do mutirão por Ciudad del Este, realizada no primeiro trimestre, quase 1.500 expedientes foram abertos em apenas cinco dias de atendimento.

Apesar da coincidência temporal entre o pico de buscas na internet e a consolidação do cenário político brasileiro, a cúpula da migração paraguaia adota um tom institucional cauteloso. Kronawetter pondera que associar o afluxo de estrangeiros exclusivamente ao resultado eleitoral no Brasil é uma avaliação fruto de mera suposição. Segundo o dirigente, a motivação central reside no ambiente econômico do Paraguai, caracterizado “por previsibilidade inflacionária e carga tributária reduzida”, atraindo um perfil heterogêneo que engloba desde investidores e produtores agrícolas até estudantes universitários de medicina.

<><> Dinâmica da comunidade brasileira no exterior

Atualmente, o Paraguai abriga a terceira maior comunidade de brasileiros residentes no exterior, atrás apenas dos EUA e de Portugal, somando mais de 263 mil pessoas registradas formalmente junto às instâncias consulares. A presença histórica de colonos, conhecidos como “brasiguaios”, no setor agropecuário da faixa fronteiriça estabeleceu pontes econômicas e familiares profundas entre as duas nações ao longo das últimas décadas.

Os mutirões operados pela DNM visam desburocratizar a concessão de documentos com base nos acordos de residência do Mercosul, permitindo a emissão de cédulas de identidade estrangeira, certidões de permanência e renovações de prazos. A realização da força-tarefa nas cidades de fronteira seca nas próximas semanas servirá como um termômetro prático para medir em que proporção o engajamento virtual observado nas redes se converterá em mudanças efetivas de domicílio fiscal e civil.

 

Fonte: Fórum/ICL Notícias

 

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