terça-feira, 3 de novembro de 2026

Jamil Chade: Mossad, EUA e jato suspeito - Flávio Bolsonaro era fantoche de interesses estrangeiros

Um ex-agente do Mossad envolvido na fuga. Alertas por parte de ex-agentes da CIA sobre o padrão usado para retirar Flávio Bolsonaro do país. Um avião sob suspeita de ligações com empresários mais que suspeitos. Uma manobra de desinformação e um desembarque num aeroporto que fez parte da história das intervenções da Casa Branca na América Latina.

A operação para permitir que o ex-candidato derrotado na eleição brasileira deixasse o território nacional é reveladora. Se ainda existiam dúvidas para uma parcela da população sobre qual bandeira servia de referência para o clã Bolsonaro, essa manobra escancara o fato de que Flávio Bolsonaro ser, no fundo, apenas um fantoche de interesses estrangeiros no país.

Não deveria ser uma surpresa o que foi revelado pela TV Globo neste domingo sobre os detalhes da operação. Afinal, o filho do ex-presidente golpista prometeu entregar as terras raras do país aos EUA, privatizar bens públicos, abrir mão da soberania nacional na defesa do território e ainda reposicionar o Brasil para alinhar sua política externa aos interesses americanos e israelenses.

Se não bastasse, ofereceu formar uma equipe de transição com a participação do Departamento de Estado norte-americano, algo jamais visto na história do Brasil.

Enquanto isso, se disfarçava de patriota, usurpando a bandeira e a camisa da seleção, como uma fantasia para enganar milhões de eleitores.

Abusou do termo patriota, justamente como camuflagem do que poderia ter sido o maior ato de traição já registrado na alta cúpula da política nacional.

A decisão de americanos e ex-agentes do Mossad de sair ao resgate do brasileiro não foi um ato de generosidade. A manobra apenas tinha como objetivo proteger seu ativo na região.

Ao fugir com a ajuda de potências estrangeiras, Flávio Bolsonaro revelou quem de fato é: um títere destinado a entregar o país, em troca de chegar ao poder.

Ao fugir com a ajuda de serviços secretos estrangeiros, o senador nos mostra o que nos esperava caso fosse eleito presidente. Um golpe que teria solapado, ao mesmo tempo, nossa democracia e nossa soberania.

Foi disso tudo que nos livramos.

•        Quem é o ex-agente do Mossad que atuou na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do Mossad, o serviço secreto de Israel, é um dos personagens identificados na operação que permitiu a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, dois dias depois de sua derrota para Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

Halevy cruzou a fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de 27 de outubro, acompanhado de Roberto Jorge Alexandre, advogado que já atuou na defesa de Jair Bolsonaro (PL). Os dois estavam em uma van que atravessou a fronteira cerca de sete minutos antes de outro veículo associado à entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares em território argentino.

A identificação do israelense foi revelada pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (1º), a partir de documentos migratórios argentinos. A presença de um ex-integrante de um dos mais conhecidos serviços de inteligência do mundo amplia as suspeitas sobre a estrutura montada para retirar o senador do Brasil, apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibia de deixar o território nacional.

<><> Quem é Menachem Booky Halevy

Identificado como ex-integrante do Mossad, Halevy é israelense e também possui cidadania norte-americana.

Seu histórico profissional anterior à operação permanece pouco esclarecido publicamente. As reportagens que o identificam não detalham quando ingressou no serviço de inteligência israelense, quanto tempo permaneceu na instituição nem quais funções exerceu.

O Mossad é a agência responsável pelas operações de inteligência exterior de Israel, incluindo coleta de informações, atividades clandestinas e operações especiais fora do território israelense.

Segundo a CNN Brasil, Halevy chegou ao Brasil em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. A data é relevante porque a operação que culminou na fuga de Flávio Bolsonaro teria começado a ser organizada ainda durante a campanha eleitoral, antes da confirmação da vitória de Lula.

Informações divulgadas posteriormente apontam que o israelense já havia realizado outras três viagens ao Brasil em 2026. O objetivo dessas visitas, os locais por onde passou e os contatos mantidos no país ainda precisam ser esclarecidos.

A retirada do senador como uma operação planejada de exfiltração teria recebido o codinome de “Alba”.

<><> A travessia com advogado de Bolsonaro

A identificação de Halevy ganhou novos contornos com a divulgação dos registros de imigração argentinos. Segundo o Fantástico, o israelense atravessou a fronteira acompanhado de Roberto Jorge Alexandre, advogado que participou da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os dois estavam em uma van conduzida por Neri Luiz Dala Corte, motorista contratado para transportar os passageiros de Foz do Iguaçu até o aeroporto de Puerto Iguazú.

O veículo passou pelo controle migratório aproximadamente sete minutos antes de outra van associada à entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina.

Ainda não está esclarecido quem contratou os serviços de Halevy, qual foi sua participação no planejamento da viagem e se ele manteve contato com representantes dos governos argentino ou norte-americano.

<><> Uma operação internacional

A fuga de Flávio Bolsonaro envolveu deslocamentos terrestres e aéreos entre Brasil, Argentina, Equador e Estados Unidos. Após atravessar a fronteira, o senador embarcou com a família em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly.

A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de aterrissar no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, na manhã de 28 de outubro.

Reportagens do The New York Times e do Wall Street Journal atribuíram a Jason Miller, aliado e assessor político de Donald Trump, participação na organização do transporte aéreo. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nega que os Estados Unidos tenham participado da organização da fuga.

Na Argentina, o nome de Santiago Caputo, um dos principais assessores do presidente Javier Milei, também apareceu em reportagens sobre os bastidores da operação.

<><> Os mistérios que cercam o ex-agente

A presença de Menachem Booky Halevy na operação deixa questões centrais sem resposta. A primeira é saber quem acionou o israelense e qual relação ele mantinha anteriormente com Flávio Bolsonaro ou seus aliados. Há ainda a possibilidade da participação direta do governo sionista de Benjamin Netanyahu no plano do clã Bolsonaro.

Outra questão envolve suas viagens anteriores ao Brasil e a possibilidade de ter participado de reuniões ou preparativos relacionados à retirada do senador.

Também permanece desconhecida a origem dos recursos utilizados para custear a operação, incluindo os transportes terrestres, a logística internacional e o fretamento do avião.

A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro, que ocorreu apesar de uma determinação judicial que o impedia de deixar o país.

A identificação de Halevy e de seu acompanhante na travessia da fronteira representa uma nova pista para reconstruir a rede de pessoas que participaram da operação. Até o momento, porém, não há decisão judicial que estabeleça a responsabilidade criminal do israelense nem comprovação de participação institucional do Mossad na fuga.

•        Nos EUA, Flávio Bolsonaro vai a culto de igreja de pastor citado na CPMI do INSS e pivô de briga entre Damares e Malafaia

ivendo nos EUA, para onde fugiu após perder as eleições presidenciais para Lula, Flávio Bolsonaro e a esposa, Fernanda, participaram de um culto na noite deste domingo (1º) na base Flórida da Igreja Celeiro House of Prayer, fundada pelo pastor André Fernandes, que foi alvo de convite para depoimento na CPMI do INSS e pivô de uma briga pública entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia, apoiadores do clã Bolsonaro.

Flávio e Fernanda foram acompanhados de Eduardo Bolsonaro e da esposa, Heloísa Bolsonaro, se fugiram para os EUA em março de 2025. Imagens do culto, comandado pelo pastor Jose Mauricio Fernandes, o Maurício Paizão, que se dirigiu diretamente ao candidato derrotado.

“Se ganhou ou perdeu, porque com Jesus você não perde. E se perdeu, você está ganhando”, afirmou o pastor a Flávio Bolsonaro em vídeo divulgada pela esposa do religioso, Alice Fernandes.

Flávio, Fernanda, Eduardo e Heloísa participaram do culto na primeira fileira e foram tietados pelo pastor, que publicou foto com os Bolsonaro nas redes sociais da igreja de André Fernandes, que havia declarado apoio ao senador nas eleições no Brasil.

“Hoje tivemos a honra de receber a família Bolsonaro aqui na Celeiro Flórida Casa de Oração”, diz o texto no perfil da igreja no Instagram.

<><> André Fernandes e os Golden Boys

Fundador da igreja Celeiro após comandar a Igreja da Lagoinha em Alphaville e Miami e romper com André Valadão em 2025, André Fernandes foi alvo de um convite feito pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) na CPMI no INSS para explicar uma “doação” de R$ 200 mil de Felipe Macedo Gomes, integrante do grupo que ficou conhecido como Golden Boys. Composto por jovens ricos, os chamados Golden Boys comandavam organizações investigadas nas fraudes a aposentados.

“André Fernandes é próximo a Felipe Macedo Gomes, integrante do grupo Golden Boys. Enquanto pastor da Igreja Lagoinha Alphaville, André Fernandes teria recebido de Felipe Macedo, a título de “doação”, o valor de R$ 200.000,00. Essa movimentação, ocorrida no auge da chamada Farra do INSS, em razão de sua expressividade e volume, carece de melhor esclarecimento. A Controladoria-Geral da União (CGU), no âmbito das investigações relativas à Farra do INSS, identificou a utilização de igrejas evangélicas por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas, como possível mecanismo para a prática de lavagem de dinheiro”, diz Correia no requerimento para o convite ao líder religioso, que foi obstruído pelo presidente da CPMI, o bolsonarista Carlos Viana (PSD-MG).

André Fernandes também foi um dos pivôs de um bate-boca público entre Damares Alves e o pastor Silas Malafaia, ambos aliados do clã Bolsonaro.

Em entrevista ao SBTNews em 12 de janeiro, Damares, que é evangélica, afirmou que “a CPMI do INSS vai colocar muita gente na cadeia” e que igrejas e pastores apareciam entre os investigados.

“Nós estamos identificando igrejas no esquema de fraude com aposentados. Há pastores que pedem para não investigar, não decepcionar os fiéis”, disse a senadora.

A declaração despertou a fúria de Silas Malafaia que atacou Damares em vídeo nas redes sociais chamando-a de “leviana linguaruda” e desafiando a senadora a revelar os nomes dos líderes religiosos envolvidos na fraude aos aposentados.

Damares, no entanto, reagiu aos ataques de Malafaia divulgando nota com os nomes de lideres religiosos citados na CPMI do INSS, entre eles o de André Fernandes, líder da Celeiro, igreja que recebeu Flávio Bolsonaro neste domingo (1º) nos EUA.

“A senadora já manifestou que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS causa profundo desconforto e tristeza, considerando o relevante papel social e espiritual dessas instituições. Ainda assim, a CPMI tem o dever

constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”, afirmou a senadora, listando as lideranças religiosas investigadas pela Comissão.

Na tréplica, Malafaia soltou novo vídeo dizendo que a senadora “tenta tirar proveito político do que não fez”.

“Não é Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz, junto dos outros deputados e senadores, é assinar requerimento de convocação. Ela não denuncia pastores, tampouco igrejas”, afirmou.

No vídeo, Malafaia diz ainda que havia falado com Carlos Viana e que “a Damares mente”.

“Primeiro, diz que tem grandes igrejas, e não tem. E segundo, ela está desafiada a dar o nome de pastores evangélicos que fizeram lobby para ela se calar, como se esse documento fosse secreto. Ela quer tirar vantagem política”, atacou Malafaia, que apagou os dois vídeos de suas redes.

<><> Golden Boys

Felipe Macedo, que doou R$ 200 mil a André Fernandes, faz parte do grupo conhecido como “Golden Boys”, que mantinham quatro entidades envolvidas nas irregularidades investigadas pela CPMI do INSS.

Além da Amar Brasil Clube de Benefícios, que tinha Macedo Gomes como vice-presidente, entraram no radar das investigações a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (AASAP), a Master Prev e a Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDDAP).

Segundo as investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), a Amar Brasil movimentou R$ 143 milhões entre 2022 e 2024. De acordo com as autoridades, 96,9% dos aposentados afirmaram não ter autorizado os débitos. Juntas, as entidades comandas pelos Golden Boys, faturaram R$ 700 milhões com descontos indevidos de aposentados e pensionistas.

Segundo as investigações, também fazem parte do esquema: Américo Monte, Anderson Cordeiro e Igor Delecrode.

A PF identificou uma frota milionária de carros de luxo registrada em nome dos quatro. Entre os veículos, estão uma Ferrari, cinco BMWs e 16 Porsches.

“Documentos indicam, ainda, que Felipe Macedo Gomes utilizou recursos desviados para aquisição de veículos de luxo, sendo incompatível sua evolução patrimonial com a renda declarada antes da constituição da ABCB”, completou o deputado Rogério Correia no requerimento.

 Fonte: ICL Notícias/Fórum


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