Jamil
Chade: Mossad, EUA e jato suspeito - Flávio Bolsonaro era fantoche de
interesses estrangeiros
Um
ex-agente do Mossad envolvido na fuga. Alertas por parte de ex-agentes da CIA
sobre o padrão usado para retirar Flávio Bolsonaro do país. Um avião sob
suspeita de ligações com empresários mais que suspeitos. Uma manobra de
desinformação e um desembarque num aeroporto que fez parte da história das
intervenções da Casa Branca na América Latina.
A
operação para permitir que o ex-candidato derrotado na eleição brasileira
deixasse o território nacional é reveladora. Se ainda existiam dúvidas para uma
parcela da população sobre qual bandeira servia de referência para o clã
Bolsonaro, essa manobra escancara o fato de que Flávio Bolsonaro ser, no fundo,
apenas um fantoche de interesses estrangeiros no país.
Não
deveria ser uma surpresa o que foi revelado pela TV Globo neste domingo sobre
os detalhes da operação. Afinal, o filho do ex-presidente golpista prometeu
entregar as terras raras do país aos EUA, privatizar bens públicos, abrir mão
da soberania nacional na defesa do território e ainda reposicionar o Brasil
para alinhar sua política externa aos interesses americanos e israelenses.
Se não
bastasse, ofereceu formar uma equipe de transição com a participação do
Departamento de Estado norte-americano, algo jamais visto na história do
Brasil.
Enquanto
isso, se disfarçava de patriota, usurpando a bandeira e a camisa da seleção,
como uma fantasia para enganar milhões de eleitores.
Abusou
do termo patriota, justamente como camuflagem do que poderia ter sido o maior
ato de traição já registrado na alta cúpula da política nacional.
A
decisão de americanos e ex-agentes do Mossad de sair ao resgate do brasileiro
não foi um ato de generosidade. A manobra apenas tinha como objetivo proteger
seu ativo na região.
Ao
fugir com a ajuda de potências estrangeiras, Flávio Bolsonaro revelou quem de
fato é: um títere destinado a entregar o país, em troca de chegar ao poder.
Ao
fugir com a ajuda de serviços secretos estrangeiros, o senador nos mostra o que
nos esperava caso fosse eleito presidente. Um golpe que teria solapado, ao
mesmo tempo, nossa democracia e nossa soberania.
Foi
disso tudo que nos livramos.
• Quem é o ex-agente do Mossad que atuou
na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil
israelense
Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do Mossad, o serviço secreto de
Israel, é um dos personagens identificados na operação que permitiu a fuga de
Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, dois dias depois de sua
derrota para Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Halevy
cruzou a fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, na
noite de 27 de outubro, acompanhado de Roberto Jorge Alexandre, advogado que já
atuou na defesa de Jair Bolsonaro (PL). Os dois estavam em uma van que
atravessou a fronteira cerca de sete minutos antes de outro veículo associado à
entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares em território argentino.
A
identificação do israelense foi revelada pelo Fantástico, da TV Globo, neste
domingo (1º), a partir de documentos migratórios argentinos. A presença de um
ex-integrante de um dos mais conhecidos serviços de inteligência do mundo
amplia as suspeitas sobre a estrutura montada para retirar o senador do Brasil,
apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), que o proibia de deixar o território nacional.
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Quem é Menachem Booky Halevy
Identificado
como ex-integrante do Mossad, Halevy é israelense e também possui cidadania
norte-americana.
Seu
histórico profissional anterior à operação permanece pouco esclarecido
publicamente. As reportagens que o identificam não detalham quando ingressou no
serviço de inteligência israelense, quanto tempo permaneceu na instituição nem
quais funções exerceu.
O
Mossad é a agência responsável pelas operações de inteligência exterior de
Israel, incluindo coleta de informações, atividades clandestinas e operações
especiais fora do território israelense.
Segundo
a CNN Brasil, Halevy chegou ao Brasil em 19 de outubro, seis dias antes do
segundo turno das eleições presidenciais. A data é relevante porque a operação
que culminou na fuga de Flávio Bolsonaro teria começado a ser organizada ainda
durante a campanha eleitoral, antes da confirmação da vitória de Lula.
Informações
divulgadas posteriormente apontam que o israelense já havia realizado outras
três viagens ao Brasil em 2026. O objetivo dessas visitas, os locais por onde
passou e os contatos mantidos no país ainda precisam ser esclarecidos.
A
retirada do senador como uma operação planejada de exfiltração teria recebido o
codinome de “Alba”.
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A travessia com advogado de Bolsonaro
A
identificação de Halevy ganhou novos contornos com a divulgação dos registros
de imigração argentinos. Segundo o Fantástico, o israelense atravessou a
fronteira acompanhado de Roberto Jorge Alexandre, advogado que participou da
defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os dois
estavam em uma van conduzida por Neri Luiz Dala Corte, motorista contratado
para transportar os passageiros de Foz do Iguaçu até o aeroporto de Puerto
Iguazú.
O
veículo passou pelo controle migratório aproximadamente sete minutos antes de
outra van associada à entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina.
Ainda
não está esclarecido quem contratou os serviços de Halevy, qual foi sua
participação no planejamento da viagem e se ele manteve contato com
representantes dos governos argentino ou norte-americano.
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Uma operação internacional
A fuga
de Flávio Bolsonaro envolveu deslocamentos terrestres e aéreos entre Brasil,
Argentina, Equador e Estados Unidos. Após atravessar a fronteira, o senador
embarcou com a família em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela
empresa argentina Baires Fly.
A
aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de aterrissar no
aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, na manhã de 28 de
outubro.
Reportagens
do The New York Times e do Wall Street Journal atribuíram a Jason Miller,
aliado e assessor político de Donald Trump, participação na organização do
transporte aéreo. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nega que
os Estados Unidos tenham participado da organização da fuga.
Na
Argentina, o nome de Santiago Caputo, um dos principais assessores do
presidente Javier Milei, também apareceu em reportagens sobre os bastidores da
operação.
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Os mistérios que cercam o ex-agente
A
presença de Menachem Booky Halevy na operação deixa questões centrais sem
resposta. A primeira é saber quem acionou o israelense e qual relação ele
mantinha anteriormente com Flávio Bolsonaro ou seus aliados. Há ainda a
possibilidade da participação direta do governo sionista de Benjamin Netanyahu
no plano do clã Bolsonaro.
Outra
questão envolve suas viagens anteriores ao Brasil e a possibilidade de ter
participado de reuniões ou preparativos relacionados à retirada do senador.
Também
permanece desconhecida a origem dos recursos utilizados para custear a
operação, incluindo os transportes terrestres, a logística internacional e o
fretamento do avião.
A
Polícia Federal apura as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro, que
ocorreu apesar de uma determinação judicial que o impedia de deixar o país.
A
identificação de Halevy e de seu acompanhante na travessia da fronteira
representa uma nova pista para reconstruir a rede de pessoas que participaram
da operação. Até o momento, porém, não há decisão judicial que estabeleça a
responsabilidade criminal do israelense nem comprovação de participação
institucional do Mossad na fuga.
• Nos EUA, Flávio Bolsonaro vai a culto de
igreja de pastor citado na CPMI do INSS e pivô de briga entre Damares e
Malafaia
ivendo
nos EUA, para onde fugiu após perder as eleições presidenciais para Lula,
Flávio Bolsonaro e a esposa, Fernanda, participaram de um culto na noite deste
domingo (1º) na base Flórida da Igreja Celeiro House of Prayer, fundada pelo
pastor André Fernandes, que foi alvo de convite para depoimento na CPMI do INSS
e pivô de uma briga pública entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e
o pastor Silas Malafaia, apoiadores do clã Bolsonaro.
Flávio
e Fernanda foram acompanhados de Eduardo Bolsonaro e da esposa, Heloísa
Bolsonaro, se fugiram para os EUA em março de 2025. Imagens do culto, comandado
pelo pastor Jose Mauricio Fernandes, o Maurício Paizão, que se dirigiu
diretamente ao candidato derrotado.
“Se
ganhou ou perdeu, porque com Jesus você não perde. E se perdeu, você está
ganhando”, afirmou o pastor a Flávio Bolsonaro em vídeo divulgada pela esposa
do religioso, Alice Fernandes.
Flávio,
Fernanda, Eduardo e Heloísa participaram do culto na primeira fileira e foram
tietados pelo pastor, que publicou foto com os Bolsonaro nas redes sociais da
igreja de André Fernandes, que havia declarado apoio ao senador nas eleições no
Brasil.
“Hoje
tivemos a honra de receber a família Bolsonaro aqui na Celeiro Flórida Casa de
Oração”, diz o texto no perfil da igreja no Instagram.
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André Fernandes e os Golden Boys
Fundador
da igreja Celeiro após comandar a Igreja da Lagoinha em Alphaville e Miami e
romper com André Valadão em 2025, André Fernandes foi alvo de um convite feito
pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) na CPMI no INSS para explicar uma
“doação” de R$ 200 mil de Felipe Macedo Gomes, integrante do grupo que ficou
conhecido como Golden Boys. Composto por jovens ricos, os chamados Golden Boys
comandavam organizações investigadas nas fraudes a aposentados.
“André
Fernandes é próximo a Felipe Macedo Gomes, integrante do grupo Golden Boys.
Enquanto pastor da Igreja Lagoinha Alphaville, André Fernandes teria recebido
de Felipe Macedo, a título de “doação”, o valor de R$ 200.000,00. Essa
movimentação, ocorrida no auge da chamada Farra do INSS, em razão de sua
expressividade e volume, carece de melhor esclarecimento. A Controladoria-Geral
da União (CGU), no âmbito das investigações relativas à Farra do INSS,
identificou a utilização de igrejas evangélicas por suspeitos de desviar
recursos de aposentados e pensionistas, como possível mecanismo para a prática
de lavagem de dinheiro”, diz Correia no requerimento para o convite ao líder
religioso, que foi obstruído pelo presidente da CPMI, o bolsonarista Carlos
Viana (PSD-MG).
André
Fernandes também foi um dos pivôs de um bate-boca público entre Damares Alves e
o pastor Silas Malafaia, ambos aliados do clã Bolsonaro.
Em
entrevista ao SBTNews em 12 de janeiro, Damares, que é evangélica, afirmou que
“a CPMI do INSS vai colocar muita gente na cadeia” e que igrejas e pastores
apareciam entre os investigados.
“Nós
estamos identificando igrejas no esquema de fraude com aposentados. Há pastores
que pedem para não investigar, não decepcionar os fiéis”, disse a senadora.
A
declaração despertou a fúria de Silas Malafaia que atacou Damares em vídeo nas
redes sociais chamando-a de “leviana linguaruda” e desafiando a senadora a
revelar os nomes dos líderes religiosos envolvidos na fraude aos aposentados.
Damares,
no entanto, reagiu aos ataques de Malafaia divulgando nota com os nomes de
lideres religiosos citados na CPMI do INSS, entre eles o de André Fernandes,
líder da Celeiro, igreja que recebeu Flávio Bolsonaro neste domingo (1º) nos
EUA.
“A
senadora já manifestou que a eventual participação de igrejas ou líderes
religiosos em esquemas de fraude no INSS causa profundo desconforto e tristeza,
considerando o relevante papel social e espiritual dessas instituições. Ainda
assim, a CPMI tem o dever
constitucional
de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”,
afirmou a senadora, listando as lideranças religiosas investigadas pela
Comissão.
Na
tréplica, Malafaia soltou novo vídeo dizendo que a senadora “tenta tirar
proveito político do que não fez”.
“Não é
Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz, junto dos outros
deputados e senadores, é assinar requerimento de convocação. Ela não denuncia
pastores, tampouco igrejas”, afirmou.
No
vídeo, Malafaia diz ainda que havia falado com Carlos Viana e que “a Damares
mente”.
“Primeiro,
diz que tem grandes igrejas, e não tem. E segundo, ela está desafiada a dar o
nome de pastores evangélicos que fizeram lobby para ela se calar, como se esse
documento fosse secreto. Ela quer tirar vantagem política”, atacou Malafaia,
que apagou os dois vídeos de suas redes.
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Golden Boys
Felipe
Macedo, que doou R$ 200 mil a André Fernandes, faz parte do grupo conhecido
como “Golden Boys”, que mantinham quatro entidades envolvidas nas
irregularidades investigadas pela CPMI do INSS.
Além da
Amar Brasil Clube de Benefícios, que tinha Macedo Gomes como vice-presidente,
entraram no radar das investigações a Associação de Amparo Social ao Aposentado
e Pensionista (AASAP), a Master Prev e a Associação Nacional de Defesa dos
Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDDAP).
Segundo
as investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União
(CGU), a Amar Brasil movimentou R$ 143 milhões entre 2022 e 2024. De acordo com
as autoridades, 96,9% dos aposentados afirmaram não ter autorizado os débitos.
Juntas, as entidades comandas pelos Golden Boys, faturaram R$ 700 milhões com
descontos indevidos de aposentados e pensionistas.
Segundo
as investigações, também fazem parte do esquema: Américo Monte, Anderson
Cordeiro e Igor Delecrode.
A PF
identificou uma frota milionária de carros de luxo registrada em nome dos
quatro. Entre os veículos, estão uma Ferrari, cinco BMWs e 16 Porsches.
“Documentos
indicam, ainda, que Felipe Macedo Gomes utilizou recursos desviados para
aquisição de veículos de luxo, sendo incompatível sua evolução patrimonial com
a renda declarada antes da constituição da ABCB”, completou o deputado Rogério
Correia no requerimento.

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