Fuga
de Flávio deixa vácuo na extrema - direita
A
derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), seguida de sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos, abriu
uma disputa pelo comando da oposição a partir de 2027. Com o primogênito do
ex-presidente Jair Bolsonaro distante do Congresso e às voltas com
investigações, lideranças da direita já se movimentam para ocupar o espaço
deixado pelo parlamentar. Nas articulações, três nomes ganham destaque: o
governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a
ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a deputada
federal Bia Kicis (PL-DF), também eleita ao Senado. A sucessão, porém, está
longe de ser consensual.
O
principal desafio será conciliar a influência política de Jair Bolsonaro sobre
o eleitorado conservador com a necessidade de construir uma oposição capaz de
ampliar sua interlocução para além do núcleo mais fiel ao ex-presidente. A fuga
de Flávio, em meio às medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), acrescentou um novo componente à equação: o desgaste provocado
pela decisão do candidato derrotado de deixar o país, enquanto seus aliados
precisam reorganizar a atuação política em Brasília.
Entre
os nomes cotados, membros da oposição apontam que Tarcísio reúne as melhores
condições para assumir uma posição de liderança nacional. Governador do maior
colégio eleitoral do país, o ex-ministro de Jair Bolsonaro mantém interlocução
com setores empresariais, partidos de centro-direita e integrantes do
bolsonarismo. Sua principal vantagem está na capacidade de transitar entre
diferentes grupos políticos, sem depender exclusivamente da retórica de
confronto com o Supremo. O movimento, contudo, exige cautela para não ser
interpretado pelos aliados mais ideológicos como um rompimento com o antigo
padrinho político.
Ao
comentar o pleito, Tarcísio reconheceu o resultado das urnas e não adotou o
discurso de Flávio e seus aliados mais próximos. "Entendo o sentimento do
Flávio, sua indignação e revolta. Esse sentimento é o de muitos brasileiros
também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em
frente", declarou em vídeo nas redes sociais.
Michelle
Bolsonaro aparece como alternativa para preservar a identidade do movimento.
Com influência sobre o eleitorado evangélico e participação ativa nas campanhas
do PL, a ex-primeira-dama representa uma possibilidade de manter o sobrenome
Bolsonaro no centro da oposição. Seu desafio será transformar a popularidade
entre os conservadores em capacidade efetiva de articulação política. A relação
com diferentes alas do partido e a disputa pelo espólio eleitoral do marido
também devem pesar nas definições.
Também
no Congresso, Bia Kicis surge como um dos nomes capazes de vocalizar a oposição
mais combativa. Aliada histórica de Jair Bolsonaro, a parlamentar tem trânsito
entre deputados conservadores e experiência na articulação de pautas caras ao
bolsonarismo, especialmente aquelas relacionadas ao Judiciário. Diferentemente
de Tarcísio, sua força está menos na possibilidade de construir uma alternativa
eleitoral de alcance nacional e mais na capacidade de organizar a resistência
ao governo Lula dentro da Câmara.
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Disputa nos bastidores
A
reorganização também passa pelos dirigentes partidários e por parlamentares
que, embora não apareçam, necessariamente, como candidatos ao comando da
oposição, terão influência sobre os próximos movimentos. O presidente do PL,
Valdemar Costa Neto, permanece como peça importante na distribuição de espaços
e na definição das estratégias da legenda. Já lideranças como Nikolas Ferreira
(PL-MG) e outros representantes da ala mais ideológica podem funcionar como
instrumentos de mobilização nas redes sociais e nas ruas.
Há,
ainda, uma diferença entre herdar os votos de Flávio e assumir o comando
político da oposição. Enquanto Tarcísio pode concentrar o diálogo com
governadores e setores econômicos, Michelle tende a disputar a representação
simbólica do bolsonarismo. Bia Kicis, por sua vez, tem condições de ocupar a
linha de frente parlamentar. A divisão de tarefas pode evitar um confronto
imediato, mas não elimina a competição por influência, recursos partidários e
protagonismo nas eleições seguintes.
O
próprio Flávio, apesar da distância, não deve ser descartado das articulações.
Nos Estados Unidos, o senador pode tentar preservar influência sobre a
militância e manter interlocução com aliados do presidente Donald Trump,
repetindo parte da estratégia adotada pelo irmão Eduardo Bolsonaro. A
possibilidade de comandar a oposição a partir do exterior, entretanto, esbarra
nas dificuldades políticas e jurídicas decorrentes de sua saída do país e na
resistência de setores da direita a prolongar uma crise que pode comprometer os
planos para 2027.
O
resultado é uma oposição que inicia sua reorganização sem um sucessor natural.
A direita terá de decidir se aposta na continuidade do confronto institucional,
na construção de uma alternativa mais pragmática ou numa composição entre essas
duas estratégias. Com Flávio fora do tabuleiro presencial, a disputa pelo
espaço político deixado pelo senador promete expor as diferenças de um campo
que conseguiu se unir nas urnas, mas terá de encontrar uma nova liderança capaz
de enfrentar o quarto mandato do presidente Lula.
• Depois de fugir, Flávio diz que tem
"coragem" para disputar outra eleição
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
no segundo turno da eleição presidencial, afirmou que tem “coragem” para
disputar novamente a Presidência da República antes de 2030. A declaração foi
feita nesta sexta-feira (30), durante uma transmissão ao vivo no Instagram. É a
primeira manifestação do parlamentar a apoiadores desde que deixou o Brasil, na
terça-feira (27), com destino aos Estados Unidos.
“Isso
[os cerca de 60 milhões de votos] me dá muita força, muita consciência, ainda
mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for, para
resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para
presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não, eu estou falando de
antes disso”, declarou.
Durante
a transmissão, que durou aproximadamente 20 minutos, Flávio voltou a questionar
o resultado das eleições e insinuou que houve fraude, mas não apresentou
provas. O senador afirmou que não concorda com a proclamação do resultado pelo
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e classificou como “matematicamente
impossível” o desempenho de Lula no segundo turno.
“É uma
honra que poucos no Brasil podem carregar, ser tão bem votado assim, sabendo
que meus votos realmente vieram de eleitores reais”, afirmou.
O
parlamentar também acusou o adversário de cometer irregularidades durante a
campanha. “Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram
anulados pelo VAR [árbitro de vídeo]. Jogou completamente fora da legislação
eleitoral”, disse.
Na
segunda-feira (26), Flávio anunciou que pretende apresentar uma ação eleitoral
por abuso de poder político e econômico contra Lula. Entre as alegações está a
de que o presidente teria utilizado a máquina pública para obter vantagem na
disputa. A título de exemplo, o senador citou o aumento do valor do Bolsa
Família às vésperas da votação.
O
senador também mencionou casos de governadores que perderam os mandatos por
abuso de poder econômico e político e defendeu a adoção de mais mecanismos de
segurança no sistema eleitoral. “Enquanto nós não tivermos mais camadas de
segurança para as eleições, elas vão continuar acontecendo diante do manto da
desconfiança”, afirmou.
No
segundo turno, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de
Flávio Bolsonaro. O petista reverteu a vantagem do adversário, que havia
terminado o primeiro turno na frente.
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Flávio fala em queda do governo Lula
Na
transmissão, o senador também projetou um possível enfraquecimento do governo
Lula e comparou o cenário econômico atual ao período que antecedeu o
impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.
“Se ele
[Lula] fizer aquilo que ele prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido.
Então, infelizmente, o Brasil está fadado a quebrar. Eu acho que esse é um dos
fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República, muito antes
do que muita gente imagina”, declarou.
“A
minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do
atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”,
acrescentou.
Flávio
também afirmou que pretende atuar no Congresso Nacional para fazer oposição ao
governo. Segundo ele, o Senado será uma das principais frentes de resistência a
partir de 2027, quando a direita deverá contar com uma bancada expressiva.
O
parlamentar declarou apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN),
que coordenou sua campanha presidencial, à presidência do Senado. A eleição
para o comando da Casa está prevista para fevereiro de 2027.
“É a
única forma de a gente conseguir ter uma resistência para impedir ou retardar o
grande caos que o atual presidente da República vai instaurar no nosso país”,
afirmou.
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Saída do Brasil e críticas a Moraes
Flávio
Bolsonaro contou que decidiu deixar o país após visitar o pai, o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar, na segunda-feira (26), em Brasília.
Na ocasião, agentes da Polícia Federal o comunicaram sobre o cancelamento de
seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF).
Segundo
o senador, a abordagem foi uma tentativa de intimidação. “Então, eu olhei para
a cara dele e falei: 'Pai, começou a perseguição'. Até um pouco antes do que eu
imaginava que começaria, porque todos sabem que o Brasil hoje vive um regime de
exceção”, relatou.
Flávio
afirmou que conversou com a mulher, Fernanda Bolsonaro, antes de viajar e que a
decisão foi tomada sem envolver aliados na organização da saída do país.
“Eu
perdi para o sistema, não perdi para meu adversário. [...] Então eu falei que
eu não me submeteria a isso. Isso não é nenhum sinal de fraqueza, não, gente.
Eu posso ser tudo, menos burro. Eu soube fazer análise de cenário e entendi
onde é que eles chegariam — e rápido, mais rápido do que eu imaginava”,
declarou.
O
senador também negou envolvimento em irregularidades relacionadas a contas
bancárias do advogado Willer Tomaz, investigado em um caso de suspeita de
lavagem de dinheiro. Flávio classificou o advogado como amigo e disse ser alvo
de acusações falsas.
O
parlamentar também é investigado em um inquérito no STF relacionado ao
financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro que recebeu ao
menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
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Críticas a negociações sobre Bolsonaro
Durante
a live, Flávio criticou as articulações do presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (União Brasil-AP), envolvendo uma possível anistia ou indulto ao
ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por
tentativa de golpe de Estado.
O
senador classificou como “nojentas” as tentativas de negociação que, segundo
ele, utilizariam a liberdade do pai como moeda de troca para obter apoio da
direita à reeleição de Alcolumbre ao comando do Senado.
Flávio
também repetiu o discurso de que pretende exercer sua liderança política a
partir dos Estados Unidos. Em carta divulgada anteriormente, chegou a se
apresentar como “presidente eleito” do Brasil, mas posteriormente recuou da
declaração.
• Michelle diz que Bolsonaro pede
"união" e rejeita busca por "culpados"
Senadora
recém eleita pelo Partido Liberal (PL), Michelle Bolsonaro, esposa do
ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, contou ter tido conversas recentes
com o companheiro sobre a necessidade "refletir e, só depois, agir",
diante do que chamou de "tempos difíceis". A ex-primeira dama se
refere à derrota do enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições
de 2026 diante de Lula (PT), eleito à Presidência pela quarta vez.
Em
postagem feita nas redes sociais, Michelle expôs conversas com o marido sobre o
momento vivido. De acordo com ela, Jair acredita que "é momento de união,
e não de procurar culpados". "É momento de se unir. Eu e o Jair (meu
galego e nosso líder) temos conversado sobre isso. Ele sempre diz que é muito
grato pelo empenho e sacrifício que - dentro das possibilidades - que cada um
fez em prol da campanha do Flávio. Ele lembra de cada um e reconhece com muita
gratidão a mobiização de todos", escreveu.
Ainda
de acordo com a senadora, Jair, durante as conversas entre os dois, manifesta
carinho e gratidão a todos os apoiadores que "acreditam em um futuro
melhor para o Brasil e para os brasileiros".
No
entanto, contou que o marido se entristesse ao ver notícias falsas,
responsáveis por atribuir a ele "manifestações mentirosas, que pregam a
divisão, apontam injustamente supostos 'culpados' e afirmam exatamente o
contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como Damares, Tarcísio,
Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados: muito respeito,
carinho e gratidão".
Em
seguida, ela convida os seguidores a prestar atenção para que não caiam em
"enganações daqueles que sempre semeiam o ódio", e que provocam a
"nossa divisão" por meio de trocas de likes e engajamento".
"Deus está conosco e a Ele cabe o Julgamento e a Justiça!", escreveu,
no fim da postagem.
Após o
fim do primeiro turno das eleições de 2026, Michelle Bolsonaro foi eleita a um
cargo político pela primeira vez. Somou 938.496 mil votos (29,05% do total) e
garantiu uma cadeira no Senado Federal pelo Partido Liberal (PL).
O
marido, Jair Bolsonaro, enquanto isso, cumpre prisão domiciliar humanitária na
casa onde mora, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Em
2025, foi condenado por crimes que incluem tentativa de golpe de Estado e plano
de assassinato de autoridades a 27 anos e 3 meses de prisão.
• Valdemar diz que Flávio se despediu do
pai e depois nega que Jair soubesse de fuga
O
presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, se contradisse nesta
quinta-feira (29/10) ao falar sobre o que o ex-presidente Jair Bolsonaro sabia
a respeito da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Questionado
se Flávio havia se despedido do pai durante uma visita na véspera de deixar o
país, Valdemar respondeu inicialmente que sim. Depois, porém, voltou atrás e
afirmou que Bolsonaro não sabia dos planos do senador. Flávio deixou o Brasil
com destino aos Estados Unidos e desembarcou em Miami, na Flórida, na manhã de
quarta-feira (28/10).
Valdemar
visitou Bolsonaro nesta quinta-feira. Na saída, disse que não gostou da carta
divulgada por Flávio após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) no segundo turno das eleições. Segundo o dirigente do PL, “ninguém
concorda” com a manifestação do senador. Valdemar também afirmou que é
necessário “tocar o partido para frente” e disse que não conversou com
Bolsonaro sobre a carta. De acordo com ele, os dois falaram sobre a eleição.
Na
primeira versão da carta, divulgada depois que Flávio deixou o Brasil, o
senador se declarou “presidente eleito do Brasil”, apesar do resultado das
urnas. Em uma segunda versão, passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Nos dois textos, Flávio afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude nas
urnas.
Depois
de chegar aos Estados Unidos, Flávio agradeceu aos presidentes Donald Trump,
dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento. O senador
também anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do
território americano, onde está com a família. Ele prometeu apresentar, nos
próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores.
A saída
de Flávio do Brasil e as declarações de Valdemar ocorrem em meio à repercussão
da carta divulgada pelo senador e às divergências sobre a condução do PL após a
derrota eleitoral. O presidente nacional do partido, porém, afirmou que não
tratou do documento com Jair Bolsonaro durante a visita.
• Carlos diz que Bolsonaro sente 'muita
saudade’ de Flávio após ida aos EUA
O
senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) disse, neste sábado (31/10), que o
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está sentindo saudade do filho Flávio
Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após ser derrotado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições
presidenciais. A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais
após uma visita de Carlos ao pai.
“Ele
falou que tá com muita saudade do Flávio. Não é muito falar isso, mas as coisas
vão cada vez pesando mais”, disse Carlos, mencionando o irmão Eduardo
Bolsonaro, que também está nos Estados Unidos.
Durante
a gravação, Carlos evitou comentar diretamente o cenário político e disse temer
possíveis consequências para o pai. Ele também classificou a saída de Flávio do
Brasil como um exílio. O parlamentar eleito também demonstrou preocupação com a
saúde de Jair Bolsonaro. Segundo ele, o pai voltou a apresentar episódios de
soluço, além de mudanças no peso e no volume abdominal.
“O
soluço dele voltou. É claro que, devido às circunstâncias que acabam afetando o
psicológico dele, essas coisas acontecem. Me assusta um pouquinho o crescimento
da barriga dele e o emagrecimento”, relatou.
Fonte:
Correio Braziliense

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