Saúde
na correria: praticidade sem perder a qualidade
Os
compromissos do dia, muitas vezes, roubam o tempo de qualquer outra atividade,
inclusive algumas essenciais, como se sentar para fazer uma refeição. Muitos
acabam recorrendo a lanches rápidos, inclusive a comidas pouco nutritivas e que
não saciam a fome de fato, apenas servem como enganadores. Além da queda
nutricional, essa prática pode fazer com que a pessoa não registre no cérebro
que se alimentou, não reconhecendo a saciedade e fazendo a fome voltar pouco
tempo depois, o que leva a um excesso de refeições.
"Ao
comer em movimento, o corpo entende que a locomoção está associada à pressa,
então o fluxo sanguíneo pode acabar sendo desviado do trato gastrointestinal
para outros músculos, atrapalhando a digestão", explica Carla Bispo,
nutricionista da Clínica IESA. Ela destaca a necessidade da mastigação correta,
pausada e com calma. "A gente tem que mastigar devagar, de forma
concentrada, soltando as mãos na mesa, para poder digerir muito bem aquele
alimento, e não causar refluxo. Não dá para comer andando, porque você vai
mastigando rápido, de uma vez, não está nem concentrando no que está
comendo".
Se não
for possível fazer uma refeição mais demorada, com comida de fato, o ideal é
fugir dos ultraprocessados. "Um lanche pode, sim, constituir uma refeição
nutricionalmente completa, desde que combine alimentos variados e forneça
energia, proteínas, fibras, vitaminas e minerais em quantidades compatíveis com
as necessidades individuais", afirma a nutricionista Vanêssa Melo, do
Hospital Santa Lúcia.
Ela
explica que o real problema está em constantemente substituir boas opções
alimentares por biscoitos, salgadinhos e outros produtos com poucos
micronutrientes e baixo teor de fibras. "Ao longo do tempo, essa rotina
pode contribuir para a ingestão insuficiente de nutrientes importantes, como
ferro, cálcio, folato e vitaminas. Portanto, não é o formato da refeição que
determina sua qualidade, mas sua composição e a variedade da alimentação ao
longo do dia", explica Vanêssa.
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Parece, mas não é
Não
significa, porém, que todo produto vendido no mercado é ruim. Muitas opções
prontas podem ter uma boa qualidade nutritiva. "Hoje, o mercado facilita a
vida com opções práticas, mas boa parte delas é ultraprocessada e, mesmo que a
propaganda sugira que são uma solução para a refeição, continuam sendo
alimentos processados", comenta Ana Teixeira, nutricionista da Clínica
Evoá.
Alguns
itens não industrializados, como frutas e iogurtes com poucos ingredientes,
podem ser ótimo para ajudar na rotina corrida, mas ainda assim não saciam a
fome. "Sou a favor da praticidade, mas é importante saber escolher essas
opções com atenção ao rótulo", destaca a nutricionista.
Especialistas
alertam para outra característica: nem todo produto que se diz light ou
integral é, necessariamente, a melhor opção. Vanêssa indica que os termos podem
guiar a escolha, mas nem sempre garantem que ele seja nutricionalmente
superior. "O termo light indica uma redução de determinado nutriente ou do
valor energético em relação a um produto de referência. Conforme os critérios
regulatórios, um produto integral pode conter quantidades relevantes de sódio,
açúcar ou gorduras, enquanto a alegação fonte de fibras informa uma
característica específica, não a qualidade global do alimento", ensina.
Por
isso, o mais importante é observar a tabela nutricional, a lista de
ingredientes e o tamanho da porção. Lembrando que os ingredientes aparecem
listados conforme sua quantidade — ou seja, o que aparece primeiro possui uma
quantidade mais significativa.
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Lanches caseiros
A
nutricionista Carla Bispo sugere preparar opções para a semana inteira em casa.
Com os ingredientes certos, é possível manter uma alimentação equilibrada, sem
deficit nutritivo e capaz de saciar a fome. "O mais importante é a
densidade nutricional. Incluir ovos, iogurte natural, shakes nutricionais,
sanduíches naturais feitos com frango ou atum são boas opções", indica a
nutricionista.
Vanêssa
afirma que é possível montar lanches com tortilhas, por exemplo. A pessoa deve
avaliar qual a melhor opção baseando-se na quantidade de fibras, nutrientes,
sódio e gorduras. "Para transformar esse lanche em uma refeição mais
completa, a recomendação é combinar diferentes grupos alimentares. Uma opção é
rechear a tortilha com frango desfiado ou ovos, acrescentar folhas, tomate e
cenoura e incluir uma fonte de gordura insaturada, como abacate",
recomenda.
A
especialista reforça que a ideia é evitar que o lanche seja composto apenas
pela massa e por um recheio pouco nutritivo. "A combinação de proteínas,
fibras, vegetais e outros alimentos variados contribui para uma refeição mais
equilibrada e satisfatória", finaliza.
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Se a correria falar mais alto...
Maria
Eduarda Gentil é estudante de marketing e, muitas vezes, recorre a opções
práticas que nem sempre são ideais. Como acorda muito cedo, acaba não
preparando algo para comer e compra um crepe ou salgado em bancas ao lado da
faculdade.
Os
alimentos são, frequentemente, baixos em nutrientes e, muitas vezes, acabam
substituindo um café da manhã. A jovem de 20 anos afirma que sente diferença em
seu rendimento nos dias em que come algo mais rápido em comparação aos dias que
faz uma refeição melhor.
Para
compensar, Maria Eduarda busca fazer uma refeição mais completa no almoço.
"Eu como essas coisas antes de trabalhar, na faculdade, mas costumo sempre
levar almoço. Quando não dá, levo uma salada ou legumes, assim não me sinto tão
mal", relata a estudante. Ela percebe que os alimentos são apenas
enganadores e não sustentam de verdade, mas que a correria "acaba falando
mais alto" na hora de escolher o que comer.
Montar
um lanche rápido já pensando na rotina ajuda Rebeca Apolinário, social media de
23 anos, a não perder a qualidade nutritiva quando precisa trocar alguma
refeição por algo mais prático. Ela opta sempre por alimentos energéticos e de
alto valor nutricional. "Costumo priorizar opções integrais, ricas em
proteínas e com zero adição de açúcar, como um sanduíche natural de pão
integral recheado com frango desfiado, requeijão light ou pasta de ricota com
azeitona e azeite", detalha.
Já nos
dias em que adere ao jejum intermitente, costuma consumir uma bebida energética
natural à base de beterraba em pó, guaraná e suco em pó zero açúcar e de baixa
caloria. Para Rebeca, não é necessário misturar a praticidade com a má
alimentação. Mesmo assim, reconhece que fazer uma refeição completa sempre é a
melhor opção, que a deixa mais saciada, e é "insubstituível".
Fonte:
Correio Braziliense

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