Três
ciclos e três desafios
No
futuro, a história analisará com a devida profundidade o curto período entre os
dias 5 e 25 de outubro de 2026. Em poucos dias a população brasileira viu
nascer e se entregou com a alma a uma verdade revolução democrática, uma
revolução cujo objetivo principal era a defesa da nossa ainda frágil democracia
pós-1988.
A noite
anterior ao dia 5 havia se escurecido de tal forma que não víamos nenhum
horizonte possível. O fascismo venceu o primeiro turno com práticas políticas
clássicas: ódio, violência e mentiras. O amanhecer do dia 5 de outubro foi
doloroso e desesperançoso. No entanto, a longa e amarga noite do dia 4 de
outubro de 2026 fez ressurgir algo que havíamos perdido para o ódio e a
violência do pensamento bolsonarista.
Ela
será lembrada com um daqueles momentos típicos na história da humanidade nos
quais as placas tectônicas sociais começam a se movimentar. E foi exatamente
nesse dia que essas placas começaram a se movimentar com uma potência profunda
e crescente. Uma revolução democrática começou a ser construída e de lá se
propagou por todo o território nacional como uma “onda tsunâmica” carregada de
energia afetiva e esperançosa.
Essa
onda tomou conta do país e se espalhou por ruas, praças, avenidas, parques,
esplanadas, todos e todas vestidos/as de vermelho, verde, amarelo e as
infinitas outras cores que tão bem representam a nossa dimensão popular,
festiva e carnavalesca. O Brasil estava renascendo e o povo brasileiro estava
ali assumindo seu protagonismo em defesa do nosso direito de vivermos em um
país livre do ódio e da violência que essa família miliciana e fascista de
sobrenome Bolsonaro tentava, novamente, impor ao país.
Chegamos
no dia 25 de outubro, o nosso dia D, o dia no qual responderíamos para nós
mesmos que povo somos e que país queremos. Milhares de brasileiros/as cruzaram
cidades, estados e até países para se juntarem à grande batalha democrática do
segundo turno das eleições. Esse dia foi tenso e intenso, mas a despeito de
todos os desafios e improbidades durante o período de votação, terminamos o dia
novamente nas ruas, agora para celebrar e gritar com muita força que vencemos o
projeto autoritário.
O que
virá não será fácil, a luta política, desde agora, deve ser diária, cotidiana,
em todos os ambientes possíveis. É preciso reconectar o mundo
político-partidário com o mundo social, o mundo das ruas, recuperar as relações
e articulações com a população trabalhadora, ou seja, conosco, todos/as os/as
trabalhadores/as. Como compreender históricamente a atual conjuntura política
do Brasil? Em que momento o país entrou nessa roda gigante totalmente
descontrolada e distópica?
Como
exercício interpretativo eu proponho pensar o Brasil em três ciclos políticos
distintos, mas totalmente associados: o primeiro período se inicia no governo
FHC e vai até o impeachment de Dilma Rousseff, na realidade um golpe
parlamentar; o segundo ciclo se inicia com a apropriação do poder, “com supremo
e com tudo”, pelo “mesócliso” Michel Temer e termina com o intento de Golpe de
Estado de 8 de janeiro. O terceiro ciclo se abre com o terceiro mandato
presidencial de Luis Inácio Lula da Silva e se fecha no dia 25 de outubro, ao
vencer as eleições, resultado que deixaria o candidato miliciano desprotegido
juridicamente. Fez o que sempre fizeram os fascistas bolsonaristas: fugiu.
O
primeiro ciclo histórico contém três importantes inflexões. As duas primeiras
inflexões estão associadas os governos de FHC e Lula entre 1995 e 2010. A
terceira inflexão passa pela eleição da primeira mulher, Dilma Rousseff, como
Presidenta do Brasil em 2010. O pressuposto da análise desse primeiro ciclo
está baseado no entendimento de que constituiu-se por contradições, que são
inúmeras, e especificidades históricas que vislumbravam a construção e o
desenvolvimento de um novo Brasil.
Nesta
análise, o Brasil em desenvolvimento não é aquele restrito às ações de um ou
outro partido político, mas fundamentalmente produto da sociedade brasileira em
todas as suas aproximações e distanciamentos, sejam econômicas, políticas,
sociais e culturais. E mais, as trajetórias pessoais e profissionais de FHC,
Lula e Dilma Rousseff oferecem matéria prima para análise do Brasil como
espelho e reflexo de si mesmo, do seu povo.
Suas
escolhas, democraticamente implementadas pelo resultado das urnas, explicitvam
os movimentos da sociedade brasileira. A cada processo histórico-eleitoral, os
desejos da população (ainda que contraditórios) enunciavam o amadurecimento
político para aceitar os encaminhamentos deliberados pela maioria, sem que isso
representasse o silêncio daquelas que, também democraticamente, mantiveram suas
posições e reivindicações.
De FHC,
passando por Lula, e depois Dilma, não se configurou um processo aleatório ou
algo equivalente a uma “evolução natural”. O que vimos foram processos em
contínua construção, constituídos por conflitos e pelo que a democracia
apresentava de mais rico, que é o direito à expressão, o direito à oposição. É
fato, contudo, como nesse período, a despeito da melhora nas condições de vida,
avançamos pouco contra as permanentes injustiças nacionais. Parte importante da
população seguia e segue sem direito à existência mínima digna de moradia,
trabalho, saúde e educação.
O
governo de FHC abriu o primeiro ciclo. Intelectual e acadêmico, assumiu papel
importante na estabilização monetária e na contenção da histórica e degradante
inflação da economia nacional, ainda que ao custo social da recessão e inibição
da economia interna, pois pautou seu governo pela articulação internacionalista
e exportadora da produção, demarcando a dimensão característicamente neoliberal
desse período. Essa foi a primeira inflexão no primeiro ciclo.
O
segundo, Luís Inácio Lula da Silva, nordestino e retirante, seguiu em seu
retiro o caminho da concentração espacial do capital produtivo na região
sudeste do Brasil, particularmente a Região Metropolitana de São Paulo. Por
óbvio, esse movimento migratório se deslocou em direção à base locacional
central da industrialização da economia pós-1930.
Sua
inserção profissional, igual a muitos milhares de brasileiros/as que
enfrentaram a migração para as áreas urbanas em industrialização, foi
justamente na atividade produtiva secundária, como operário, construindo aí sua
trajetória política inicialmente sindical, até ocupar a cadeira da Presidência
da República. Essa foi a segunda inflexão da histórica política nacional.
Por
fim, uma mulher, Dilma Rousseff, cuja vida pessoal esteve atrelada aos
movimentos sociais e políticos que se opuseram bravamente à Ditadura Militar.
Sua eleição representou importante indicativo de que aos processos políticos e
de governança não cabiam mais à unicidade masculina dos coronéis que sempre
caracterizou a vida pública e política brasileira. Eleita em 2010, seu governo
foi iniciado em 2011 com um importante corte orçamentário e a aprovação de um
valor do salário-mínimo que, no fundo, contribuiu (apenas) para a reforçar a
desigualdade entre a renda do capital e a renda do trabalho.
A
eleição de Dilma Rousseff foi a terceira e mais importante inflexão desse
ciclo, pela potente simbologia que representava uma mulher na Presidência da
República. A despeito de todas as críticas possíveis às decisões governamentais
e aos muitos problemas de sua gestão, nada se pode dizer em relação à
honestidade e ao caráter ético e republicano de Dilma Rousseff. Sua destituição
nas tais “pedaladas fiscais” foi apenas a estratégia ardilosamente inventada
pelos coronéis do Congresso Nacional com a conivência covarde e silenciosa do
vice-presidente.
E ainda
que travestivo de “processo legal”, o que se deu, como todos sabemos, foi um
golpe parlamentar. Golpe esse que começou a se construir quando o PSDB e Aécio
Neves se recusaram a reconher a vitória de Dilma Rousseff. Esse foi o movimento
decisivo na direção da instabilidade que até hoje transtorna a vida nacional. A
atual insignificância de Aécio Neves e do PSDB no quadro governamental e
político nacional diz muitas coisas, nem é preciso gastar nenhuma linha escrita
com ambos.
O
segundo ciclo se inicia com a infame articulação golpista “com supremo e com
tudo” tal qual profetizada por Romero Jucá. A destituição de Dilma Rousseff
alçou o seu “mesócliso” vice-presidente, aquele que jamais seria presidente se
se apresentasse como candidato, ao cargo de Presidente da República. Da gestão
do Presidente “mesócliso” restou apenas a famosa, segundo FHC, “pinguela para o
futuro”, pois de “Ponte” não tinha nada. A “Ponte para o Futuro” produziu uma
passagem direta para o governo fascista-militar-religioso do Inominável. E o
“futuro” foi implacável com o Brasil: 700 mil mortos durante o descalabro
governamental na pandemia Covid-19 e um intento de golpe de Estado no dia 8 de
janeiro de 2023.
“O caminho foi duro” até a vitória de
Lula da Silva em 2022. O Brasil resistiu e não aceitou pactuar com um novo
governo inominável. A memorável e histórica subida da rampa do Palácio do
Planalto com o Presidente eleito acompanhado de pessoas representativas do povo
brasileiro eral o sinal simbólico de uma retomada da necessária reconstrução
social, institucional econômica e política do país que fora perdida na ruptura
provocada por Aécio Neves.
Um
simbologia que seria rompida pouco tempo depois: uma manada ensandecida de
fanáticos bolsonaristas, após semanas acampados no Quartel General em Brasília
com a conivência criminosa das Forças Armadas, deu início a uma destruição dos
espaços públicos e edificados representativos dos Três Poderes na Esplanada.
Essa era a face visível e imagética do intento golpista, pois os verdadeiros
mentores e intelectuais desse Golpe vinham operando de dentro dos palácios em
Brasília. O tal “Punhal Verde e Amarelo” seria a face mortal e secreta desse
projeto, cujo objetivo era assassinar Lula, Geraldo Alckmin e o Ministro do STF
Alexandre de Morais.
Os
golpistas foram julgados e condenados. Generais truculentos, saudosos dos
porões da Ditadura Militar e dos torturadores Ustras, o covarde e misógino
inominável, aquele que fez piada com pessoas mortas na Pandemia ao dizer “e
daí, não sou coveiro, tá?”, e tantos outros da manada de fanáticos/as
bolsonaristas compartilham entre si uma qualidade imposta nos termos da lei e
do devido processo legal: presidiários.
Esse
terceito ciclo foi todo consumido não apenas pelas incertezas e instabilidades
do longo processo judicial que responsabilizou e condenou esses golpistas, mas
por dificuldades internas e externas que ainda caractertizam o terceiro mandato
do Presidente Lula, especialmente os tensionamentos com o imperialismo dos EUA.
Foram quatro anos difíceis em todos os aspectos, não apenas na dimensão
nacional, mas, sobretudo, internacional. As guerras entre Ucrânia e Rússia,
entre os EUA e o Irã e suas implicações nos custos do petróleo, a criminosa
aniquilação da Faixa de Gaza promovido por Benjamin Netanyahu, entre outros
eventos potencializam as fortes turbulência do período.
A
despeito dessas dificuldades, o atual governo Lula conseguiu, novamente, tirar
o Brasil do mapa da fome. Essas dificuldades também não impediram que o país
tivesse uma melhora nos seus índices econômicos. Já no contexto das eleições de
2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu a resistência e
projeções positivas para a economia brasileira no relatório “Perspectivas da
Economia Mundial”, divulgado em outubro de 2026.
O
terceiro governo Lula segue sendo um governo do possível. As inerentes
contradições da Frente Ampla construída para vencer o inominável nas eleições
de 2022 terminou esvaizada. Para muitos críticos, um governo que ao longo dos
anos perdeu ou abandonou a força simbólica da histórica subida da rampa do
Plalácio do Planalto na posse em janeiro de 2023, pois se autarquizou e se
fechou nos gabinetes palacianos.
O fato
de a sala presidencial no Palácio do Planalto estar voltada para os fundos, com
o horizonte idílico do Lago Paranoá e do Cerrado, e não de frente para a Praça
dos Três Poderes, espaço público simbólico das manifestações políticas do povo
brasileiro, é algo que explica, como metáfora, a “desconexão” do governo,
qualquer governo, com a realidade social.
O
período final desse terceiro ciclo ultrapassou todos os limites imagináveis. O
terceiro governo Lula entrou no atual ciclo eleitoral com os olhos no passado,
com estratégias analógicas e desconectadas da população, esquecendo-se de que
era preciso apresentar projetos para o futuro a serem politizados não apenas
nas ruas, mas nas esferas digitais.
O
inominável, mesmo preso, conduziu e orientou a escolha daquele que o
representaria como candidato: seu filho, um fascista igual ao pai. Mais, numa
estratégia inteligente, é preciso reconhecer, articulou a construção de
candidaturas de Senadores/as e Deputados/as Federais por todo o país para
controlar o Congresso Nacional. Estretégia que alcançou seu objetivo e elegeu
partidários do golpismo e do fascismo bolsonaristas.
A
esquerda brasileira, por sua vez, seguiu atada ao “messianismo presidencial”,
ainda que avanços eleitorais importantes ocorreram no Congresso, especialmente
com a eleição de jovens como Ana Elisa do PT. A esgotada estratégia
messiânico-presidencialista foi construída sem ponderação de um aspecto hoje
estrutural da realidade social e política do país: o antipetismo. Era (e é)
imprescindível compreender o antipetismo para que
possamos (re)começar,
mas a opção pela construção de alternativas políticas havia sido simbolicamente
descartada pelo próprio Lula ainda no início do seu terceiro mandato: ele seria
o candidato. Quem ousaria a formular qualquer contraponto a essa premissa?
A
vitória do candidato fascista no primeiro turno das eleições provocou um
“choque de realidade”. O horizonte de vitória desse candidato no segundo turno
das eleições, o domínio do Congresso Nacional por idelogias fascistas e
autoritárias e uma futura composição do STF por juristas ideologicamente
alinhados com o bolsonarista teriam potencial para jogar o país num ciclo
obscuro e autoritário sem predecentes.
Esse
“choque de realidade” fez com que as placas tectônicas sociais iniciassem um
movimento profundo e intenso de reação popular contra o fascismo logo após o
primeiro turno. Foi, portanto, uma grande ruptura em relação ao imobilismo
político-partidário da campanha eleitoral do campo progressista. O povo
brasileiro assumiu para si a responsabilidade de se contrapor ao fascismo. As
ruas ocupadas e os espaços digitais operados com maestria pelo deputado André
Janones promoveram a “onda tsunâmica carregada de energia afetiva e
esperançosa”. A vitória de Lula e Geraldo Alckmin só foi possível porque o povo
brasileiro a fez possível.
Terminado
o tumultuado segundo turno e após a declaração de que o povo brasileiro venceu
o fascismo bolsonarista, explodimos de emoção e alívio. O roteirista das
alegrias e tragédias dessa alucinante, complexa e contraditória nação Brasil
não deixou por menos e estamos agora ante uma cena tosca e farsesca
protagonizada pela família miliciana Bolsonaro: a fuga, com apoio logístico e
ideológico de EUA e Argentina, do candidato derrotado.
Mais,
esse candidato se declarou “presidente eleito” assim que chegou no decadente
império do norte. A alucinação do miliciano fascista é tão profunda que ele se
autoproclamou presidente dos “Estados Unidos do Brasil”, ou seja, um país que
não existe. Depois tentou corrigir, mas era tarde, a burrice estrutural e
autoritária dessa gente já havia promovido o escárnio.
Isso
tudo pode até parecer engraçado, mas é trágico e perigoso. Como já nos alertou
outro gênio da canção popular, Belchior, “cuidado, meu bem. Há perigo na
esquina”. O problema é que o perigo não está apenas na esquina, mas nos
gabinetes dos fascistas eleitos e nas ideias difundidas nas profundezas das
redes sociais “viralizadas” com os algorítmos da Inteligência artificial.
Para
enfrentar esse perigo, para derrotarmos de uma vez por todas essa familia
criminosa, para que a seita de fanáticos/as bolsonaristas possa novamente
voltar a ver a luz, se é que isso será possível, vislumbro três importantes
desafios. O primeiro é romper com o messianismo presidencialista, o que não
significa desconsiderar a importância história do estadista Luis Inácio Lula da
Silva e de tudo que ele fez pelo país, especialmente pelos mais pobres.
Isso
implica, necessariamente, repensar a já desgastada e burocratizada hegemonia
político-partidária do campo progressista, de tal forma que outras lideranças
possam assumir o desafio de governar o Brasil com a participação e colaboração
de todo a esquerda brasileira.
O
segundo desafio tem relação direta com o sistema presidencialista de governo
esvaziado e fragilizado pelo orçamento secreto. É urgente construirmos uma
estratégia política para recuperarmos e ampliarmos o espaço de representação
progressista no Congresso Nacional. Ao recuperamos a relevância estrutural do
campo congressista no parlamento nacional, recuperaremos a capacidade de
aprovação de projetos e leis que realmente interessam ao desenvolvimento
nacional, ao meio ambiente, à saúde pública, educação, à produção da cidade e
da habitação, etc.
O
terceiro desafio é, talvez, o ponto mais difícil, complexo e aparentemente
contraditório de todos, provavelmente impossível. É preciso reconstruir o campo
conservador e democrático que se perdeu quando Aécio Neves e o PSDB abriram os
esgotos de onde saíram os fascistas que destituíram Dilma Rousseff e que hoje
controlam o Congresso Nacional.
Essa
reconstrução deve contemplar a eliminação definitiva da familia Bolsonaro da
vida pública brasileira para que o país volte a se organizar politicamente de
tal forma que as divergências políticas sejam enunciadas numa arena pública
civilizada, democrática e respeitosa. A família Bolsonaro transformou essa
arena num ring de luta livre cheia de ódio, violência, mentiras e crimes
de toda ordem. Um projeto de poder organizando mediante o funcionamento do
partido digital bolsonarista.
O risco
de não nos empenharmos nessas tarefas é a volta dessa família miliciana ao
poder. Não podemos subestimar o fascismo bolsonarista e seus tentáculos
nacionais e internacionais. “Há perigo na esquina” e há perigo nas redes
sociais controladas pelos braços financeiro e tecnológico do fascismo
internacional. Não fosse o povo brasileiro, estaríamos hoje mergulhados/as em
uma crise emocial, depressiva e de ansiedade generalizada diante do tenebroso
horizonte que nos seria imposto de forma autoritária, violenta e odiosa a
partir de janeiro de 2027.
O
Brasil precisa reconstruir as tramas e fundamentos da vida pública e
democrática que foram rompidas com o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff.
Não deixa de ser uma rearticulação com um determinando ponto do nosso passado
recente, mas desde que isso não represente uma ideia de “progresso” tal qual
formulada pela crítica benjaminiana, que, no fim e ao cabo, culmine numa
distopia destrutiva.
A
histórica vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, ou melhor, a vitória do povo
brasileiro, nas atuais eleições de 2026 é o marco de abertura do quarto ciclo.
Ele será construído a partir de 2027. Essa vitória nacional tem potencial para
mudar não apenas o Brasil, mas o mundo todo, todos os países que hoje estão
mergulhados nas distopias fascistas e financistas.
O “L”
de Lula que nós brasileiros/as inventamos é também o “L” de liberdade que vemos
se propagar por todos os cantos do planeta como símbolo de oposição radical ao
fascismo e ao neoliberalismo do nosso tempo histórico. Uma janela histórica foi
aberta e não poderá ser desperdiçada.
Fonte:
Por Rodrigo de Faria, em A Terra é Redonda

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