terça-feira, 3 de novembro de 2026

Ángel Gonzales: María Corina Machado agradece bombardeios dos EUA e diz que transição na Venezuela é irreversível

Delcy Rodríguez e María Corina Machado dirigiram-se ao país em 29 de outubro, marcando o início de um novo ciclo eleitoral. Rodríguez apresentou-se como a opção necessária para uma transformação que exige “experiência e capacidade real de executá-la”, enquanto Machado afirmou que o “plano de três fases” imposto por Donald Trump está avançando e que “a transição é irreversível”.

Rodríguez divulgou um discurso pré-gravado intitulado “Roteiro para a transformação democrática da Venezuela”. Ela garantiu que no país “haverá eleições”, para, logo em seguida, advertir que “a eleição não deve ser um problema nem nos fazer retroceder aos tempos de confronto”.

A ex-vice-presidente de Maduro não fala em transição, mas em “transformação”. No entanto, estabeleceu um distanciamento claro em relação ao chavismo anterior: “Venho do sistema que estamos transformando e mudando, não escondo isso; transformo essa origem em uma força para impulsionar as mudanças de que a Venezuela precisa”, declarou.

Apresentou-se diretamente como gestora: “Assinar uma reforma, movimentar uma instituição… isso só pode ser feito por quem conhece profundamente o Estado; eu o conheço por dentro, fui ministra em diferentes áreas, chanceler, vice-presidente executiva e hoje sou presidente interina”.

Em tom claramente eleitoral, Rodríguez dirigiu-se “àqueles que pensam diferente” para pedir que a “julguem pelos fatos”, enquanto garantiu “àqueles que nos acompanham” que “nada do que foi construído será perdido, aquilo que funciona será protegido e aquilo que está errado será corrigido”.

<><> Graças a Trump

Pouco depois, María Corina Machado apresentou seu plano político em uma coletiva de imprensa, não sem antes agradecer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelos bombardeios de 3 de janeiro e pelo sequestro de Maduro: “Graças à sua visão, coragem e à sua ação de 3 de janeiro, abriu-se essa passagem para a liberdade… sem isso, não estaríamos aqui hoje”.

Ela afirmou que seu retorno significa que “o plano de três fases apresentado pelo presidente Trump está avançando” e que “os prazos ficaram mais claros”.

Referiu-se ao discurso de Rodríguez, afirmando que ela própria havia estabelecido o rumo: “Parece-me muito bom que a senhora Delcy fale hoje de eleições; isso significa que o efeito está sendo sentido”.

Machado antecipou que um eventual governo seu promoveria “uma reforma ou uma nova Constituição”. Além disso, ofereceu garantias aos dirigentes do chavismo, embora depois tenha ameaçado criar “uma comissão da verdade” para investigar supostos crimes.

Manifestou que não tem interesse em participar da mesa de diálogo, mas sim em que ela cumpra seu objetivo: renovar os poderes Judiciário e Eleitoral e definir uma data para a eleição presidencial.

Em um ato marcado pelo triunfalismo, Machado anunciou assembleias em todo o país para mobilizar seus apoiadores. Por sua vez, Delcy Rodríguez foi vista dois dias antes dançando em um ato de massas, ao estilo de Maduro. O dia 29 de outubro deixou uma coisa clara na Venezuela: a campanha eleitoral começou.

Sem completar três meses no governo, Abelardo de la Espriella terá de explicar à Justiça dos Estados Unidos suas relações com o narcotráfico, após a denúncia documentada apresentada ao Congresso da Colômbia pelo senador e ex-candidato à Presidência Iván Cepeda.

Em um debate de controle político conduzido pelo Pacto Histórico sobre a política agrária, Cepeda direcionou suas acusações contra De la Espriella, de quem afirmou que “tem vínculos comprovados com narcotraficantes ligados à apropriação ilegal de terras, à grande mineração e ao narcoterrorismo”.

“Consequentemente, e como anunciei durante o debate, pretendo iniciar ações penais na Colômbia e também transmitir todas as informações às autoridades estadunidenses (à promotoria) e aos congressistas democratas”, afirmou em sua conta no X, ao explicar que enviará as informações aos Estados Unidos (aos democratas) e ao Departamento de Justiça daquele país, uma vez que De la Espriella é cidadão estadunidense.

O narcotraficante que, segundo a denúncia de Cepeda, mantém vínculos diretos com o presidente da Colômbia atende pelo nome de Hugues Manuel Rodríguez Fuentes, conhecido como “comandante Barbie”. Ele esteve preso em uma penitenciária em Washington e responde a vários processos judiciais em andamento.

No debate documentado realizado pela bancada de esquerda, foram lembrados os vínculos do atual presidente de ultradireita com grupos narcotraficantes e paramilitares, no contexto da tentativa de negociar a submissão dessas organizações criminosas à Justiça durante o governo do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Na época, De la Espriella, como advogado, tornou-se defensor dessas organizações e promotor da legalização de terras que haviam sido tomadas dos camponeses.

Esses fatos e outros que comprovei, afirmou Cepeda, não são simplesmente “casos pessoais ou individuais”.

Com isso, ele conectou a denúncia ao objetivo de seu debate contra o ministro da Agricultura, Indalecio Dangond, a quem advertiu que esses fatos representam as diretrizes estratégicas da contrarreforma agrária empreendida pelo governo de ultradireita.

“Seus objetivos são devolver as terras aos clãs de latifundiários e narcotraficantes que se apropriaram ilegalmente de milhões de hectares pertencentes aos camponeses e às populações rurais. Colocar o uso do solo a serviço da grande mineração e do agronegócio. Atacar os camponeses, os povos originários e as comunidades afrodescendentes”, pontuou Cepeda.

“Deixo isso claro desde já: os democratas nos Estados Unidos e a Promotoria daquele país terão conhecimento desta denúncia, acompanhada de todo o conjunto de provas”, reiterou Cepeda, ao questionar o ministro Dangond, contra quem também apresentará uma denúncia por proteger o pai do presidente, Abelardo de la Espriella Juris, proprietário de uma fazenda cujas terras pertencem à nação.

Após as denúncias feitas por Cepeda durante o debate, o ministro da Agricultura limitou-se a reclamar, por meio de um comunicado, de um “possível uso abusivo dos instrumentos de controle político”.

¨      Iván Cepeda denuncia supostos vínculos de De la Espriella com narcotraficantes e enviará provas aos EUA

Sem completar três meses no governo, Abelardo de la Espriella terá de explicar à Justiça dos Estados Unidos suas relações com o narcotráfico, após a denúncia documentada apresentada ao Congresso da Colômbia pelo senador e ex-candidato à Presidência Iván Cepeda.

Em um debate de controle político conduzido pelo Pacto Histórico sobre a política agrária, Cepeda direcionou suas acusações contra De la Espriella, de quem afirmou que “tem vínculos comprovados com narcotraficantes ligados à apropriação ilegal de terras, à grande mineração e ao narcoterrorismo”.

“Consequentemente, e como anunciei durante o debate, pretendo iniciar ações penais na Colômbia e também transmitir todas as informações às autoridades estadunidenses (à promotoria) e aos congressistas democratas”, afirmou em sua conta no X, ao explicar que enviará as informações aos Estados Unidos (aos democratas) e ao Departamento de Justiça daquele país, uma vez que De la Espriella é cidadão estadunidense.

O narcotraficante que, segundo a denúncia de Cepeda, mantém vínculos diretos com o presidente da Colômbia atende pelo nome de Hugues Manuel Rodríguez Fuentes, conhecido como “comandante Barbie”. Ele esteve preso em uma penitenciária em Washington e responde a vários processos judiciais em andamento.

Continua após o anúncio

No debate documentado realizado pela bancada de esquerda, foram lembrados os vínculos do atual presidente de ultradireita com grupos narcotraficantes e paramilitares, no contexto da tentativa de negociar a submissão dessas organizações criminosas à Justiça durante o governo do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Na época, De la Espriella, como advogado, tornou-se defensor dessas organizações e promotor da legalização de terras que haviam sido tomadas dos camponeses.

Esses fatos e outros que comprovei, afirmou Cepeda, não são simplesmente “casos pessoais ou individuais”.

Com isso, ele conectou a denúncia ao objetivo de seu debate contra o ministro da Agricultura, Indalecio Dangond, a quem advertiu que esses fatos representam as diretrizes estratégicas da contrarreforma agrária empreendida pelo governo de ultradireita.

“Seus objetivos são devolver as terras aos clãs de latifundiários e narcotraficantes que se apropriaram ilegalmente de milhões de hectares pertencentes aos camponeses e às populações rurais. Colocar o uso do solo a serviço da grande mineração e do agronegócio. Atacar os camponeses, os povos originários e as comunidades afrodescendentes”, pontuou Cepeda.

“Deixo isso claro desde já: os democratas nos Estados Unidos e a Promotoria daquele país terão conhecimento desta denúncia, acompanhada de todo o conjunto de provas”, reiterou Cepeda, ao questionar o ministro Dangond, contra quem também apresentará uma denúncia por proteger o pai do presidente, Abelardo de la Espriella Juris, proprietário de uma fazenda cujas terras pertencem à nação.

Após as denúncias feitas por Cepeda durante o debate, o ministro da Agricultura limitou-se a reclamar, por meio de um comunicado, de um “possível uso abusivo dos instrumentos de controle político”.

¨      Fernando Cedeño acusa Noboa de usar prisão de Luisa González para conter oposição no Equador

Em entrevista exclusiva, o destacado parlamentar da Revolução Cidadã, Fernando Cedeño, denuncia que “a prisão arbitrária de Luisa González, recente candidata do movimento à Presidência da República, é uma manobra do governo de Daniel Noboa para desviar o foco da crise econômica e de segurança às vésperas das eleições locais, nas quais os candidatos do neoliberalismo aparecem em nítida desvantagem”. Deputado eleito pela província de Manabí, o proeminente advogado acusa o “regime neofascista de perseguir opositores e jornalistas, de atuar com impunidade em casos de corrupção e de ser subserviente ao governo dos Estados Unidos”.

>>> LEIA A ENTREVISTA

·        Qual o significado da prisão de Luisa González e o real objetivo dessa perseguição?

Fernando Cedeño: Antes de tudo, é preciso entender o contexto. No dia 29 de novembro, domingo, haverá eleições locais, e o governo de Daniel Noboa está muito afetado pelos baixíssimos índices de popularidade e pela altíssima rejeição. São eleições intermediárias para estados e municípios, onde os candidatos governistas não contam com apoio popular.

A detenção de Luisa cumpre dois objetivos. O primeiro é desviar a atenção da grave situação econômica em que o país se encontra mergulhado, pois, apesar da dolarização, a inflação subiu e o desemprego está em alta. A cesta básica custa cerca de 900 dólares, e o salário mínimo gira em torno de 480.

Continua após o anúncio

O segundo objetivo é conter a mobilização popular, pois a revolta com o regime neofascista e sua subserviência ao governo dos Estados Unidos está em ascensão.

O problema é que, neste momento, o governo controla todas as funções do Estado, inclusive o Parlamento, onde sua maioria atua ignorando completamente a Constituição, comprometendo gravemente o processo eleitoral.

·        De que exatamente Luisa está sendo acusada?

Montaram um processo e forjaram uma acusação de lavagem de dinheiro sobre a campanha de 2023. É importante ressaltar que essa questão da gestão dos recursos já foi resolvida e sancionada na esfera administrativa, e pagamos uma multa bastante elevada. O assunto já foi julgado pela Justiça Eleitoral. Há ainda uma assimetria: opositores estão presos preventivamente, enquanto outras figuras políticas com sentença condenatória definitiva permanecem soltas.

Continua após o anúncio

De acordo com as inúmeras denúncias que temos recebido, o caso dela não é isolado.

Exato. A perseguição recai de forma preferencial sobre os militantes e dirigentes da Revolução Cidadã. Jorge Glas, ex-vice-presidente do Equador, foi capturado na embaixada do México, onde estava asilado, o que viola tratados internacionais. Está em prisão de segurança máxima, sem visitas, 23 horas por dia na cela, sem a devida assistência médica, e perdeu muito peso. O prefeito Aquiles Álvarez, de Guayaquil, a maior cidade do país, também está em prisão preventiva, na mesma penitenciária.

·        Qual o impacto deste clima de perseguição nas eleições?

Como organização, a Revolução Cidadã não pôde sequer participar diretamente, pois fomos sancionados pelo órgão eleitoral e tivemos de fazer alianças com outras agremiações. É o caso de Pabel Muñoz, prefeito de Quito, que busca a reeleição e, segundo todas as pesquisas, é o favorito. O governo Noboa dirigiu sua artilharia contra ele, com falsas acusações. Além disso, o pleito, que normalmente ocorre em fevereiro, foi antecipado para novembro, justamente para impedir a participação das principais forças de oposição.

·        O que está em jogo?

Estão em disputa 21 governos provinciais (estaduais), cerca de 220 prefeituras e por volta de 800 juntas paroquiais (nível mais local e descentralizado de administração pública, com autonomia política, administrativa e financeira).

Continua após o anúncio

·         A perseguição atinge só os “correístas”?

Não. O governo tenta construir essa narrativa, mas todo opositor é alvo. As contas bancárias do candidato do Partido Socialista em Guayaquil foram congeladas. Jornalistas são perseguidos independentemente da linha editorial, como Gisella Bayona, Fabricio Vela, María Sol Borja, Hernán Higuera e Roberto Aguilar. O jornal Expreso, com cerca de 60 anos, teve de encerrar a edição impressa por pressão do governo, que o impede de receber publicidade, tanto do setor público como do privado. Ativistas sociais também sofrem repressão, porque o governo controla todo o sistema de Justiça.

·        Como está a segurança pública?

Os decretos de “Estado de Exceção” violam direitos individuais e não surtiram efeito: as mortes violentas continuam crescendo. Vivemos numa sociedade altamente militarizada, com cerca de 53 casos registrados de execuções extrajudiciais por agentes das forças públicas, principalmente das Forças Armadas. O mais emblemático é o desaparecimento forçado e o assassinato das quatro crianças do bairro Las Malvinas, em Guayaquil, em dezembro de 2024.

Nesta quarta-feira (28), organizações da sociedade civil levaram essa preocupação à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), reunida na Cidade do Panamá. Está para entrar em vigor um novo toque de recolher em algumas províncias, entre elas Manabí, onde vivo. Enquanto isso, o fluxo de drogas pelos portos só aumenta, muitas vezes em contêineres de bananas, produto ligado às empresas familiares do presidente Noboa.

·        E como se encontra a situação da saúde, da educação e da infraestrutura do país?

Estamos em período chuvoso, agravado pelo fenômeno El Niño, e o governo não tomou qualquer precaução. Ao contrário, tirou verba dos hospitais: cortou cerca de 75 milhões de dólares do orçamento público, de um total de 1,082 bilhão de dólares. O Hospital Eugenio Espejo, o mais importante do Ministério da Saúde, ficou com menos de 30% do orçamento anterior, e o de especialidades de Portoviejo, com menos de 27%. Este governo neoliberal pretende privatizar a saúde e a educação públicas. A rede viária está muito deteriorada, com a situação se agravando a cada dia. Há uma ausência total de investimento em obras públicas.

·        Enquanto isso, aumentam as denúncias de corrupção?

É o que o governo tenta ocultar. No caso ATM, foram comprados geradores elétricos por cerca de 160 milhões de dólares de duas empresas, uma estadunidense e outra uruguaia, que entregaram sucata. Há também o caso Progen. O Ministério da Saúde contratou a italiana Dalus por 240 milhões de dólares para um software de agendamento de consultas, que até agora não funciona. As contratações são ocultadas por meio de empresas estatais e não aparecem nos portais públicos.

·        Qual o peso de Marco Rubio e do governo dos Estados Unidos nesse processo?

Recebemos com alegria a vitória do presidente Lula, que abre novas perspectivas para a América do Sul. Quanto às eleições de 3 de novembro nos Estados Unidos, tomara que a correlação de forças mude no Congresso, porque o Equador faz parte do “Escudo das Américas” e a política externa do governo Trump é conduzida por Rubio, a partir do Departamento de Estado. Exemplo recente dessa submissão foi a votação na Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual o Equador votou a favor do bloqueio a Cuba, país que sempre nos ajudou com brigadas médicas para melhorar as condições de pobreza da nossa gente. Isso nos envergonha enquanto equatorianos.

Noboa abriu mão da soberania nacional em função dos interesses de Trump.

Denunciamos esse nível de submissão servil. O artigo 5º da Constituição proíbe bases militares estrangeiras e o uso das nossas bases a serviço de outros países, mas nossas bases aéreas estão sendo utilizadas pelo Exército estadunidense. Pescadores equatorianos foram bombardeados pela Marinha dos Estados Unidos em Manabí, nosso mar. Este governo, longe de censurar ou questionar tais ações, acaba apoiando e aplaudindo a prepotência. Portanto, a situação está extremamente crítica. Ela se insere nessa corrente neofascista que percorre o continente: opositores políticos são perseguidos, não há garantias constitucionais nem direitos, e vivemos permanentemente reféns dessa política de medo e perseguição imposta pelo regime.

O governo também adquiriu, e estamos confirmando, o programa Pegasus — um poderoso software espião desenvolvido pela empresa israelense NSO Group —, não para combater o crime organizado, mas para perseguir opositores, numa clara política de terrorismo de Estado.

·        Como fazer frente a esse cenário de horror?

Os meios alternativos no Equador, particularmente os digitais, têm sido porta-vozes da oposição e do povo, porque, nos veículos tradicionais, ligados aos grupos financeiros e às transnacionais, sempre somos vetados. O governo controla os grandes veículos, e qualquer meio crítico é perseguido.

Daí a relevância de podermos contar com o apoio de mídias como a de vocês para fazer um contraponto ao obscurantismo e ao silêncio, possibilitando o acesso à informação veraz e alimentando o combate à política da direita internacional, do sionismo e do trumpismo. Tenho a convicção de que, fortalecendo a organização e ampliando a mobilização popular, como fizeram os brasileiros, seremos vitoriosos.

 

Fonte: Opera Mundi/La Jornada

 

Nenhum comentário: