O
que pode acontecer com Flávio e Eduardo Bolsonaro após a derrota de Trump nas
eleições de meio de mandato nos EUA
A
proteção de Donald Trump a Flávio e Eduardo Bolsonaro pode se transformar em
alvo de investigações se os democratas conquistarem o controle da Câmara ou do
Senado nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3). A mudança pode
ampliar a cobrança por documentos, depoimentos e explicações sobre o tratamento
oferecido aos irmãos nos Estados Unidos.
Trump
continuará na presidência mesmo diante de uma derrota republicana. Para os
Bolsonaro, porém, o acolhimento estadunidense pode passar a representar uma
fonte de desgaste e escrutínio parlamentar. Medidas como deportação, prisão ou
extradição dependeriam de fundamentos legais e decisões específicas.
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Democratas já miram a proteção de Trump
Em
entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, a deputada Pramila Jayapal afirmou que
os democratas pretendem investigar a proteção oferecida pelo governo Trump a
Flávio, que fugiu do Brasil e está nos EUA, e a atuação da Meta nas eleições
brasileiras. Segundo ela, a apuração poderá ocorrer “mesmo que tenhamos apenas
a Câmara”.
As
deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus já lideraram uma cobrança ao
Departamento de Estado sobre eventual participação estadunidense na fuga de
Flávio do Brasil. Na segunda-feira (2), Robert Garcia, principal democrata na
Comissão de Supervisão da Câmara, também pediu a Marco Rubio documentos sobre a
viagem, autorizações migratórias, possíveis exceções aos procedimentos
habituais e eventuais gastos federais. O prazo para esclarecimentos é 13 de
novembro.
Rubio
negou que o governo tenha participado dos preparativos para a saída do senador.
Confirmou, entretanto, que Trump autorizou sua entrada nos EUA por meio de uma
permissão temporária conhecida como parole.
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Eduardo tem mandado de prisão; Flávio é investigado
Eduardo
foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de
prisão por coação no curso do processo, por tentar interferir no julgamento do
pai, Jair Bolsonaro. Em outubro, Alexandre de Moraes determinou a execução da
pena e a expedição de mandado de prisão.
Flávio
fugiu do Brasil após ser proibido de sair do país e intimado a entregar seus
passaportes. É investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o
advogado Willer Tomaz e pelo financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair
Bolsonaro.
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Investigações podem alcançar dinheiro e articulações políticas
Uma
maioria democrata pode ampliar audiências, pedidos de documentos e intimações
pelas comissões competentes. Os irmãos poderiam ser chamados a depor se suas
informações fossem pertinentes. A fiscalização pode alcançar os critérios do
acolhimento e da concessão de residência permanente a Eduardo.
Eventuais
indícios poderiam ser encaminhados ao Departamento de Justiça. Uma frente
possível envolve operações financeiras: a carta de Garcia menciona suspeitas
relacionadas a um fundo nos EUA. A legislação estadunidense permite investigar,
sob condições específicas, lavagem de recursos provenientes de determinados
crimes estrangeiros, incluindo corrupção.
Outra
possibilidade é examinar a aplicação da FARA, lei que exige registro para
certas atividades de representação de interesses estrangeiros. Tanto essa
hipótese quanto uma investigação financeira exigiriam demonstração dos
requisitos legais e da participação individual.
O
tratado de assistência jurídica entre Brasil e EUA também permite solicitar
documentos, depoimentos, buscas e medidas relacionadas a bloqueio e confisco de
bens. Assim, investigações podem avançar mesmo sem o retorno dos irmãos ao
Brasil.
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A permanência nos EUA pode ser questionada?
Flávio
entrou por parole, autorização temporária que não equivale a asilo ou
residência permanente. Democratas podem fiscalizar sua concessão e pressionar
por revisão, mas seu término ou cancelamento depende das autoridades
migratórias e das regras aplicáveis.
Eduardo
recebeu residência permanente em julho. Retirar o benefício exigiria fundamento
individualizado, como inelegibilidade na concessão ou fraude material, e
procedimento próprio. A derrota republicana não cancela seu green card, e a
condenação brasileira não gera deportação automática.
Se
houver pedido de asilo, será necessário demonstrar perseguição pelos motivos
previstos em lei. Responder a investigação ou cumprir pena não comprova,
isoladamente, perseguição política.
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Extradição passa pela Justiça e por Rubio
A
extradição depende dos requisitos do tratado bilateral, de análise judicial nos
EUA e de decisão de entrega pelo secretário de Estado. Uma maioria democrata
não assume esse poder de Rubio. Um eventual pedido precisaria estar acompanhado
das decisões e dos documentos exigidos.
Também
podem surgir discussões sobre o enquadramento dos fatos no tratado e a exceção
para crimes políticos. Uma eventual difusão vermelha da Interpol, isoladamente,
não é fundamento suficiente para prisão nos EUA.
O
efeito mais direto de uma vitória democrata seria ampliar a investigação sobre
a proteção oferecida aos Bolsonaro. Medidas migratórias, criminais ou
patrimoniais dependeriam dos fatos apurados e das autoridades competentes. A
nova legislatura assume em 3 de janeiro de 2027.
• Jason Miller, Rubio, Caputo, Luis
Grande: quem ainda falta identificar no plano de fuga de Flávio Bolsonaro
Quem
pagou os US$ 150 mil pelo jatinho que levou Flávio Bolsonaro (PL), a mulher,
Fernanda, e as duas filhas do casal aos Estados Unidos, após a derrota para
Lula (PT) nas eleições presidenciais? A pergunta central sobre o plano de fuga
do senador permanece sem resposta, apesar de já terem sido identificados
personagens ligados a Donald Trump na Casa Branca, à diplomacia dos EUA e ao
círculo mais próximo do presidente argentino Javier Milei na articulação que
permitiu a saída de Flávio do Brasil.
Jason
Miller, assessor de Donald Trump, confirmou que providenciou a aeronave. Marco
Rubio, secretário de Estado dos EUA, recomendou ao presidente norte-americano
que autorizasse a entrada da família no país. Santiago Caputo, principal
estrategista político de Milei, aparece entre os interlocutores da articulação
argentina. Já Luis Grande, proprietário da Baires Fly, empresa responsável pelo
Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, revelou que recebeu o pagamento de um
intermediário radicado na Flórida, cuja identidade não divulgou.
A
operação, realizada após a determinação judicial para que Flávio entregasse
seus passaportes, envolveu uma estrutura de contatos políticos, transporte
privado e procedimentos migratórios em diferentes países. Embora parte dessa
engrenagem tenha sido identificada, ainda faltam os nomes de quem contratou
efetivamente o avião, financiou a viagem e participou dos contatos com
autoridades americanas e argentinas.
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Jason Miller e a articulação na Casa Branca
Um dos
principais conselheiros políticos de Trump, Jason Miller integrou um pequeno
grupo que, em contato com Eduardo Bolsonaro, organizou a contratação do avião
particular, segundo revelou o The Wall Street Journal.
Os
preparativos começaram na segunda-feira, 26 de outubro, depois da determinação
para que Flávio entregasse seus passaportes. Dois dias depois, o senador
desembarcou na Flórida com a esposa, Fernanda, e duas filhas do casal, após
sair da Argentina e fazer uma escala em Guayaquil, no Equador.
Miller,
que retornou à Casa Branca em agosto na condição de special government
employee, categoria de funcionário federal temporário, mantém relações antigas
com a família Bolsonaro.
Em 29
de outubro, ele confirmou ao Metrópoles que providenciou o jatinho, mas não
esclareceu se foi responsável apenas pela contratação ou se também participou
das negociações financeiras.
Não há
comprovação pública de que Miller tenha desembolsado os recursos ou de que o
pagamento tenha sido realizado por uma empresa vinculada a ele.
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Luis Grande e o intermediário misterioso da Flórida
A
identidade de quem efetivamente contratou e pagou pela aeronave começou a
ganhar contornos com as declarações de Luis Grande, proprietário da Baires Fly,
à agência France-Presse (AFP), em 29 de outubro.
O
empresário revelou que o voo foi contratado por um corretor do setor de aviação
executiva com quem mantém relações comerciais há cerca de dez anos.
Esse
intermediário, que possui dupla nacionalidade argentina e norte-americana e
reside na Flórida, transferiu US$ 150 mil de uma conta empresarial em um banco
dos Estados Unidos para uma instituição financeira argentina.
Grande
não revelou o nome do corretor e afirmou desconhecer a identidade do
contratante final. Segundo ele, o próprio intermediário teria relatado que não
conhecia anteriormente o cliente que solicitou a viagem.
A
declaração deixa duas perguntas em aberto: quem acionou o corretor e qual a
relação dele com Jason Miller, responsável por providenciar o avião?
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Marco Rubio e os contatos com o governo dos EUA
A
participação de Marco Rubio acrescenta uma dimensão diplomática à operação. O
secretário de Estado recomendou a Trump que autorizasse a entrada de Flávio e
de seus familiares nos Estados Unidos. A decisão foi tomada enquanto o senador
deixava o Brasil e se dirigia à Argentina.
Segundo
a Reuters, durante o voo, funcionários do Departamento de Estado discutiram com
representantes do Departamento de Segurança Interna (DHS) qual seria o
mecanismo jurídico adequado para permitir o desembarque.
A
solução encontrada foi o humanitarian parole, autorização temporária de entrada
concedida em situações que envolvem razões humanitárias urgentes ou interesse
público significativo.
A
agência revelou ainda que Flávio manteve contato com diversos funcionários
americanos durante o deslocamento entre Brasília e a fronteira argentina. A
identidade desses interlocutores não foi divulgada.
Rubio
negou que o governo Trump tenha participado diretamente dos preparativos para a
viagem, mas a atuação de Miller, que integra a administração estadunidense, e
os contatos mantidos pelo senador com funcionários dos Estados Unidos levantam
questões sobre a extensão do conhecimento das autoridades norte-americanas.
Ainda
não está esclarecido se houve coordenação entre a organização privada do
transporte e os procedimentos oficiais que permitiram a entrada de Flávio no
país.
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Santiago Caputo e a articulação argentina
Na
Argentina, as atenções se voltam para Santiago Caputo, um dos principais
assessores políticos de Javier Milei e figura influente no governo
ultraliberal.
O braço
direito do presidente argentino foi apontado pelo The Wall Street Journal como
um dos interlocutores da operação, que envolveu contatos entre Eduardo
Bolsonaro, Jason Miller e integrantes do círculo político de Milei.
A
atuação argentina ganhou novos contornos depois que o Fantástico, da TV Globo,
revelou registros migratórios com três entradas atribuídas a Flávio Bolsonaro
em um intervalo de aproximadamente 40 minutos, utilizando documentos
diferentes.
A
reportagem também identificou uma segunda van que atravessou a fronteira com o
advogado Roberto Jorge Alexandre, o motorista Neri Luiz Dala Corte e Menachem
Booky Halevy, apontado como ex-integrante do Mossad, a agência de inteligência
israelense.
Os
registros levantaram questionamentos sobre a logística utilizada e a possível
participação de agentes públicos argentinos. A Justiça local determinou a
preservação de imagens de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto
Iguazú.
A
identidade de eventuais autoridades que tenham autorizado acessos especiais ao
aeroporto e a extensão da participação de Caputo ainda precisam ser
esclarecidas.
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Quem são os nomes que ainda faltam?
A
reconstrução da operação deixa pelo menos cinco pontos que dependem da
identificação de novos personagens.
O
financiador: quem forneceu os recursos para pagar o jatinho que transportou
Flávio e sua família?
O
corretor da Flórida: quem é o intermediário argentino-americano que contratou a
Baires Fly e realizou a transferência bancária?
O
contratante: quem solicitou o fretamento ao corretor e qual sua relação com
Jason Miller?
Os
funcionários americanos: quem são os representantes do governo dos Estados
Unidos que mantiveram contato com Flávio durante o deslocamento até a
Argentina?
Os
operadores argentinos: quem coordenou os acessos ao aeroporto, os veículos
utilizados na travessia da fronteira e eventuais procedimentos especiais?
Esses
grupos não representam necessariamente cinco pessoas diferentes. O contratante
final, o cliente do corretor e o financiador podem ser uma mesma pessoa ou
integrar uma única estrutura empresarial.
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Congresso americano cobra explicações
As
dúvidas sobre a participação do governo Trump também chegaram ao Congresso dos
Estados Unidos.
Em 30
de outubro, um grupo de 25 deputados democratas encaminhou uma carta a Marco
Rubio cobrando esclarecimentos sobre a autorização concedida a Flávio
Bolsonaro.
A
iniciativa, liderada pelas deputadas democratas Sydney Kamlager-Dove e Dina
Titus, questiona se o governo dos EUA tinha conhecimento das investigações
contra o senador, como ocorreu a coordenação entre os órgãos responsáveis pela
imigração e se autoridades americanas participaram da organização da viagem.
Os
parlamentares também querem esclarecimentos sobre eventuais contatos com os
governos da Argentina e do Equador.
A
cobrança pode abrir caminho para a divulgação de documentos oficiais capazes de
esclarecer as conexões entre os personagens envolvidos.
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As peças que faltam
A
investigação já identificou parte dos responsáveis pela logística do voo, pela
articulação política na Argentina e pela autorização de entrada nos Estados
Unidos. Mas ainda não está esclarecida a extensão da participação de cada
personagem.
A
identificação dos contratantes, dos funcionários americanos que mantiveram
contato com Flávio e dos responsáveis pela operação na Argentina pode revelar
como a saída do senador foi coordenada entre os diferentes países.
São
esses nomes, além dos documentos bancários e contratuais, que faltam para
completar a reconstrução do plano de fuga de Flávio Bolsonaro.
Fonte:
Fórum

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