Ansiedade
responde por 40% dos afastamentos do trabalho por saúde menta
A
ansiedade se tornou a principal causa de afastamentos do trabalho por
transtornos mentais no Brasil, respondendo a cerca de 40% do número total de
ausências, cerca de 157 mil registros, segundo o último levantamento da ANAMT
(Associação Nacional de Medicina do Trabalho). Já a síndrome de Burnout, ligada
ao esgotamento profissional, registrou mais de 6 mil afastamentos no último
ano, o triplo do obtido em 2023 quando foram contabilizados 1760 casos, o maior
crescimento percentual entre todas as condições analisadas.
Os
transtornos de ansiedade são caracterizados por medo excessivo, preocupação
persistente e sensação constante de ameaça. No ambiente de trabalho, costumam
estar associados à sobrecarga, à pressão por resultados, a jornadas extensas e
à baixa previsibilidade das rotinas, fatores que favorecem a evolução
silenciosa do Burnout.
Os
benefícios concedidos por esses e outros problemas psicológicos, com duração
superior a 15 dias, saltaram de 219.850 em 2023 para 393.670 em 2025. O volume
representa um aumento de 79% no período, com um custo que chega a R$ 954
milhões.
O
assunto está no centro das discussões do 23º Congresso da ANAMT (Associação
Nacional de Medicina do Trabalho), que acontece em Salvador, entre a próxima
terça-feira (3) a sexta-feira (6). O evento, realizado em parceria com a SBMT
(Sociedade Baiana de Medicina do Trabalho), ocorre no Centro de Convenções da
cidade.
No
evento também será debatido a reformulação da NR-1 (Norma Regulamentadora 01).
Houve uma inclusão, por meio da Portaria nº 765/2025 do Ministério do Trabalho,
dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais no ambiente de
trabalho. A atualização entrou em vigor em maio deste ano. Na prática, fatores
que podem afetar a saúde mental dos funcionários passaram a fazer parte das
medidas de prevenção que devem ser adotadas pelas empresas, assim como os
riscos físicos, químicos e ergonômicos.
Entre
os exemplos estão assédio moral, excesso de trabalho, jornadas prolongadas,
pressão constante e problemas na organização das atividades. As companhias que
não identificarem e nem avaliarem situações que possam prejudicar a saúde dos
trabalhadores, podem ser punidas.
Para o
presidente da ANAMT, Francisco Cortes Fernandes, o encontro em Salvador é uma
oportunidade para o médico do trabalho se manter atualizado diante das
constantes transformações das mudanças regulatórias e das demandas da saúde
ocupacional. “O evento sempre reúne especialistas renomados, pesquisadores e
profissionais com ampla bagagem, o que contribui diretamente para o
aprimoramento técnico, científico e ético da atuação profissional”, afirma
Fernandes
Participam
do congresso especialistas de diversos estados e de países como Peru,
Argentina, México e Estados Unidos, que vão debater ações e políticas de
proteção da saúde e do bem-estar do trabalhador brasileiro.
• Preocupação com saúde mental das
empresas atinge 2º maior nível histórico
No
Brasil, cerca de 72% dos brasileiros trabalham em "modo de
sobrevivência", segundo estudo da Starbem realizado em junho deste ano. O
número corresponde aos níveis mais altos de uma escala de tensão aguda.
Por
outro lado, o anuário "Saúde Mental das Empresas", lançado pelo
Instituto Philos Org neste sábado, revela que, de 2025 para cá, os maiores
grupos corporativos do país atingiram o segundo maior nível de preocupação em
relação ao bem-estar de seus funcionários da série histórica.
Em uma
escala de pontuação máxima de 16, o índice atingiu 8,02 pontos em 2026, com um
leve recuo de 0,17 ponto em relação a 2025, quando o índice geral atingiu 8,19.
Apesar da baixa, o número ainda é maior que em 2023, quando o índice apontava
5,40, e em relação a 2024, quando o indicador era de 5,06 pontos.
O
anuário tem como base principal os relatos integrados, que são documentos
elaborados pelas próprias organizações para prestar contas à sociedade e gerar
valor ao negócio.
O
levantamento também leva em consideração a área em que cada empresa está
inserida. Neste ano, e pelo segundo ano seguido, o Setor Financeiro despontou
como a área com maior pontuação do índice, com 10,8 pontos.
A
empresa com maior avaliação no ranking desse grupo foi o Banco do Brasil
(13,78), seguido por Bradesco (13,22) e Itaú Unibanco (12,57).
Nos
demais setores, o ranking segue com TI, Telecom, Tecnologia e Comunicação em
segundo lugar (8,77) e Indústria em terceiro (8,69). Confira o restante da
classificação:
• Comércio: 8,43;
• Energia e Recursos Naturais: 7,98;
• Serviços, Transportes e Logística: 6,67;
• Alimentos e Bebidas: 6,09;
• Agronegócio: 5,78.
Entre
as empresas de destaque, em um recorte geral, a Renner aparece como líder do
ranking geral, com um índice de 14,35. Em seguida, o Banco do Brasil se destaca
não só no seu grupo, mas também em um contexto maior. O Bradesco, por sua vez,
fecha o pódio em terceiro lugar.
Em
seguida, Arcelor Mittal (12,61), Itaú Unibanco (12,57), Vibra (12,17) figuram
em quarto, quinto e sexto lugar. Completam o ranking das dez empresas com
melhor desempenho no anuário: Petrobras (11,30), Suzano (10,96), Globo (10,95)
e Embraer (10,91).
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Custo sobre saúde mental do trabalhador
O
aumento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil custou cerca de R$ 1
bilhão ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), segundo dados do início
deste ano.
Ainda
de acordo com o instituto, 1 em cada 7 trabalhadores foi afastado por
transtornos mentais e comportamentais ao longo do ano passado - o equivalente a
546 mil trabalhadores, o maior número registrado historicamente e alta superior
a 14,5% em relação a 2024.
O
cenário alerta para a necessidade de mudança na cultura organizacional, que
ainda falha em reconhecer elementos como carga de trabalho, modelo de gestão,
metas e ambiente como potenciais geradores de adoecimento.
Nesse
contexto, a atualização da Norma Regulamentadora n°1, há poucos meses do Dia
Mundial da Saúde Mental, aproxima a legislação brasileira de padrões
internacionais e reforça que a saúde mental também é saúde do trabalhador.
Assim,
desde maio deste ano, a NR-1 passa a exigir oficialmente o gerenciamento de
riscos psicossociais. Na prática, a norma coloca fatores como assédio moral,
metas abusivas, jornadas excessivas e pressão constante no centro das
obrigações corporativas, ao lado de riscos físicos, químicos e ergonômicos.
Os
fatores de prevenção que passam a ser obrigatórios são os mesmos que ajudam o
trabalhador a não passar pelo processo conhecido por "Burnout",
síndrome caracterizada pelo esgotamento físico e emocional do trabalhador.
Os
principais pilares que caracterizam a síndrome incluem a exaustão, o
distanciamento do ambiente profissional e a queda de produtividade. Uma pessoa
que antes tinha uma relação produtiva, feliz e prazerosa com suas atividades
laborais passa a demonstrar um comportamento distanciado e uma sensação de
perda de eficiência.
O
Brasil, por exemplo, além de passar por uma crise de afastamentos por questões
de saúde mental, também passa por uma queda em sua produtividade - refletida,
ainda, em sua competitividade frente aos demais países.
Um
levantamento do FGV Ibre aponta queda de 0,5% na produtividade por horas
trabalhadas no primeiro trimestre de 2026, reforçando uma tendência que já
preocupa há décadas.
Nessa
linha, a atualização da NR-1 representa uma mudança estratégica no sistema de
trabalho. Segundo Amanda Bittencourt, gerente da operadora de saúde Care Plus
Ocupacional, fatores como ambiente corporativo, pressão emocional, relações de
liderança e organização do trabalho ganham peso formal após a medida.
"A
partir do momento em que a norma exige um olhar estruturado para os riscos
psicossociais, as empresas passam a ter mais condições de identificar padrões
antes do esgotamento, agindo preventivamente para tratar a raiz do problema, e
não apenas os seus sintomas."
Fonte:
CNN Brasil

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