quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Michelle Bolsonaro articula ida ao Republicanos para tomar protagonismo da ultradireita de Flávio e enteados

Com a fugas de Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA, Michelle Bolsonaro estaria articulando a filiação ao Republicanos, partido que tem Tarcício Gomes de Freitas (Republicanos) como principal nome, para assumir o protagonismo sobre a ultradireita e colocar em marcha o Michellismo, movimento que começou a ser articulado quando ainda buscava ser candidata a vice-presidente na chapa encabeçada pelo governador paulista – que contava com apoio da Faria Lima, Centrão e mídia liberal.

A ex-primeira-dama assumiu publicamente a briga com Flávio Bolsonaro após o enteado ser alçado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), como presidenciável do clã em 5 de dezembro passado, um dia após o senador se reunir com Daniel Vorcaro na mansão do ex-dono do Banco Master em São Paulo.

Michelle chegou a gravar um vídeo atacando Flávio e os irmãos, especialmente Carlos e Eduardo Bolsonaro, que articulavam a queda da madrasta nos bastidores.

Após a derrota para Lula, Michelle, que não foi a nenhum ato público de campanha do enteado, foi uma das primeiras a confirmar, ao site Metrópoles, que Flávio Bolsonaro teria fugido para os EUA. Horas depois, ela negou a informação nas redes.

Com a fuga consolidada, a ex-primeira-dama foi às redes na sexta-feira (30) e praticamente ignorou a situação do enteado, se limitando a dizer que Jair Bolsonaro “sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que – dentro das possibilidades – cada um fez em prol da campanha do Flávio”.

No texto, publicado nos stories de seu perfil no Instagram, Michelle já sinaliza que busca tomar o protagonismo sobre o bolsonarismo e teria conversado com Jair sobre o tema.

“Vivemos tempos difíceis. Precisamos refletir e, só depois, agir. Eu e o Jair (meu galego e nosso líder) temos conversado sobre isso”, inicia.

Mais adiante, Michelle sai em defesa de Damares Alves (Republicanos), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Silas Malafaia, que estariam sendo apontados como “supostos culpados” pela derrota de Flávio e estariam sendo alvos de ataques.

A afirmação é um recado aos enteados que, comandados por Eduardo Bolsonaro (PL) dos EUA, estariam atacando os quatro aliados há tempos. Com a declaração, Michelle se colocou ao lado dos desafetos dos filhos de Bolsonaro.

A articulação para filiação de Michelle ao Republicanos, segundo o colunista Lauro Jardim, d’O Globo, estaria sendo feita justamente por Damares Alves.

A senadora foi uma das que ignoraram a campanha de Flávio Bolsonaro à presidência após denunciar, ainda em julho, na tribuna do Senado, que estaria sendo alvo do “exército da direita”.

“Eu queria dizer para esse exército da direita: parem de atacar os seus soldados. Não é dessa forma que vocês vão mostrar para o Brasil que é muito bom ser conservador. Não. Tem muita gente rejeitando a nossa proposta, porque estão dizendo: é isso que é ser conservador? Atacar seu próprio soldado, atacar seu próprio exército?”, disparou.

“E eu estou apanhando, porque eu supostamente abandonei o candidato da direita. Bem, a direita tem mais de um pré-candidato agora. A direita não tem só um pré-candidato, tem mais de um, mas o pré-candidato indicado pelo ex-presidente Bolsonaro é o Flávio. Eu sou uma bolsonarista e o Flávio Bolsonaro ainda é o meu pré-candidato. Ele é o indicado pelo (ex-)presidente Bolsonaro e eu sou do time”, emendou.

No discurso, Damares ainda falou do Michellismo e saiu em defesa da ex-primeira-dama.

“Estão dizendo que ela criou um novo partido, que ela criou um novo movimento, que ela quer destruir o Flávio… Gente, conheçam antes de falar. A Michele tem inúmeros grupos de fã-clubes e os ex-assessores montaram mais um, chamado Imparáveis. Que loucura! Que momento difícil nós estamos vivendo no Brasil”, afirmou.

<><> Michellismo

Em julho, após ser enxotada do comando nacional e a extinção da presidência do PL Mulher, cargo que era ocupado no movimento criado por ela a pedido de Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro enviou novo recado nas redes ao criar o movimento “imparáveis” para confrontar o enteado.

O anúncio da criação do movimento se deu pelo perfil “Imparaveis.mb” – de Michelle Bolsonaro – em collab com a página do PL Mulher.

“Em meio as dificuldades, é preciso coragem para avançar. Mulheres e Homens de Bem jamais desistem de lutar por justiça e liberdade. Para seguir adiante, é preciso ser IMPARÁVEL”, diz a publicação, que usa um vídeo da heroína Mulher Maravilha.

Junto às imagens, a heroína se protege dos “mentirosos” e das “metralhadoras de mentiras” e diz que “a tropa do bem” vai avançar “vencendo as mentiras”.

•        Michelle Bolsonaro revela o que pensa sobre PL Mulher

A senadora eleita pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) respondeu, na noite de sexta-feira (30), publicação que apontava que ela estaria negociando o retorno ao comando do PL Mulher.

Em nota divulgada nas redes, ela negou qualquer negociação, indicou a secretária nacional Ana Muñoz como responsável pelo movimento e encerrou com uma declaração de prioridades: mandato e família.

“Eu não voltei à presidência do PL Mulher nem negociei meu retorno. Hoje, quem está à frente do movimento é a nossa secretária nacional, Ana Muñoz. Coloquei-me à disposição do partido para contribuir com o fortalecimento da participação das mulheres nas eleições municipais. Vou focar no meu mandato e no cuidado com o meu marido”, disse ela.

A declaração, além de desmentir o conteúdo publicado, deixou claro que Michelle não pretende assumir qualquer cargo de gestão no movimento partidário neste momento.

<><> Primeiro cargo eletivo

Aos 44 anos, Michelle ocupará um cargo eletivo pela primeira vez. Sua única experiência institucional anterior foi como secretária parlamentar na Câmara dos Deputados entre 2006 e 2007, justamente o período em que conheceu o então deputado Jair Bolsonaro.

•        Michelle Bolsonaro manda recado à direita após fuga de Flávio e detalhe chama atenção

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou na sexta-feira (30) um longo comunicado nas redes sociais em que defende a união do bolsonarismo após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial.

A manifestação ocorre em meio às disputas internas da direita e à repercussão da fuga de Flávio do Brasil, após o resultado das urnas. O senador está nos Estados Unidos, para onde viajou acompanhado da esposa e das duas filhas.

Apesar de mencionar a campanha presidencial do enteado, Michelle não faz qualquer referência à sua fuga aos EUA nem comenta seu futuro político. Em vez disso, concentra a mensagem na necessidade de preservar a unidade do movimento e reafirma Jair Bolsonaro como sua principal liderança.

“Vivemos tempos difíceis. Precisamos refletir e, só depois, agir”, escreveu a ex-primeira-dama.

<><> Michelle reafirma liderança de Jair Bolsonaro

Ao longo da publicação, Michelle recorre repetidamente à figura do marido para transmitir suas posições sobre o momento político.

“Eu e o Jair (meu galego e nosso líder) temos conversado sobre isso”, afirmou.

Segundo ela, o ex-presidente reconhece o esforço daqueles que participaram da campanha de Flávio e demonstra gratidão pela mobilização dos apoiadores.

“Ele sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que – dentro das possibilidades – cada um fez em prol da campanha do Flávio. Ele lembra de cada um e reconhece com muita gratidão a mobilização de todos.”

A referência à campanha do senador, no entanto, é a única menção direta a Flávio no comunicado.

Michelle não manifesta apoio à decisão do enteado de fugir do Brasil, tampouco apresenta qualquer orientação sobre seus próximos passos políticos.

A ausência chama atenção porque a ex-primeira-dama dedica boa parte da mensagem justamente ao futuro do bolsonarismo após a derrota eleitoral.

<><> Michelle sai em defesa de Tarcísio, Nikolas e Malafaia

Outro ponto de destaque é a defesa de lideranças que passaram a ser alvo de críticas dentro do próprio campo bolsonarista.

Michelle afirma que Jair Bolsonaro está entristecido com notícias que atribuem a ele declarações contra aliados e tentam responsabilizar determinadas figuras políticas pela derrota de Flávio.

“Por outro lado, ele se entristece quando vê notícias falsas, atribuindo a ele manifestações mentirosas, que pregam a divisão, apontam injustamente supostos ‘culpados’ e afirmam exatamente o contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como Damares, Tarcísio, Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados: muito respeito, carinho e gratidão.”

Ao citar nominalmente Damares Alves, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e Silas Malafaia, Michelle procura afastar a responsabilização dessas lideranças pelo resultado eleitoral.

A ex-primeira-dama também transmite um recado atribuído diretamente ao marido:

“O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados.”

<><> Silêncio sobre Flávio chama atenção

A mensagem de Michelle sinaliza uma tentativa de reorganizar o discurso do bolsonarismo após a derrota nas urnas, deixando de lado a busca por culpados e preservando as principais lideranças do grupo.

O silêncio sobre a situação de Flávio nos Estados Unidos, porém, é um dos aspectos mais significativos da publicação.

Embora o comunicado não represente um rompimento explícito com o senador, Michelle evita colocar sua situação pessoal ou seu futuro político no centro das preocupações do movimento.

Em vez disso, reforça a autoridade de Jair Bolsonaro e defende que os aliados permaneçam unidos, independentemente dos desdobramentos da derrota presidencial.

“Não caiamos nas enganações daqueles que sempre semeiam o ódio, a mentira e provocam a nossa divisão em troca de likes e engajamento”, escreveu.

Michelle encerrou a publicação com uma mensagem religiosa:

“Deus está conosco e a Ele cabe o Julgamento e a Justiça!”

•        Racha no PL: Bolsonaristas denunciam pagamentos de ala do partido para atacar aliados nas redes

poiadores de Jair Bolsonaro denunciaram, em transmissões ao vivo e publicações no X, ter recebido ofertas de pagamento para atacar virtualmente integrantes de correntes rivais do próprio Partido Liberal. As denúncias, divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo, vieram a público na live Space Arena, fórum organizado pelo bolsonarista Rafael Cavalcanti em 25 de agosto, e incluem relatos sobre uma lista de 50 perfis a serem atacados mediante pagamento de R$ 100 por nome, com instruções para bloquear contas, silenciar usuários e acionar bots contra adversários do mesmo campo político.

<><> Perfis bolsonaristas denunciam ofertas de pagamento para ataques

As denúncias foram feitas publicamente na live Space Arena, transmissão no X organizada por Rafael Cavalcanti que reuniu 58 participantes ao longo do dia 25 de agosto. No fórum, um dos usuários confirmou ter recebido uma lista com 50 nomes de apoiadores que deveriam ser alvos de ações coordenadas nas redes sociais.

Questionado sobre o valor envolvido, o participante confirmou a oferta de R$ 100 por cada perfil e declarou que recusou a proposta: “Não me vendi”. As instruções que acompanhavam a lista incluíam bloquear contas, silenciar usuários e usar bots para ampliar os ataques, com o objetivo explícito de enfraquecer alas rivais dentro da própria coalizão bolsonarista.

Os perfis que fizeram as denúncias são de pessoas reais, ativas nas redes desde ao menos 2021, e não contas automatizadas, segundo apuração da Folha de S.Paulo. A transmissão foi pública e ficou salva no perfil de Cavalcanti, que chegou a ser temporariamente desativado antes de ser restabelecido.

<><> O envolvimento de figuras do PL e as reações

Parte das orientações para os ataques teria partido de Eduardo Bolsonaro, segundo um dos usuários identificados na live. A reportagem da Folha de S. Paulo procurou o ex-deputado por mensagem enviada a seu número pessoal e por meio de seu aliado Paulo Figueiredo, que respondeu que Eduardo afirmou desconhecer o episódio.

O mesmo participante que rejeitou os ataques remunerados admitiu, no entanto, ter recebido dinheiro para fazer campanha presencial, fora das redes, em favor de pré-candidatos do PL ainda na fase de pré-campanha. Ele se recusou a identificar os políticos beneficiados: “Tinha alguns pré-candidatos do PL, eram figuras carimbadas. Não vou citar esses nomes, não sou bobo”, disse durante a transmissão. Os pagamentos por campanha fora das redes e a identidade dos financiadores dos ataques virtuais não foram comprovados de forma independente.

<><> A disputa interna e o ‘fogo amigo’ na direita

As acusações se inserem em um conflito mais amplo entre alas do bolsonarismo, que aliados do PT identificaram ao monitorar plataformas digitais em busca de possíveis ataques a nomes da esquerda, segundo a Folha de S.Paulo. O que encontraram foi, em parte, um “fogo amigo” dentro do próprio campo conservador.

O racha tem endereço conhecido: as tensões entre Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Aliados de Eduardo acusaram Nikolas de priorizar o próprio protagonismo em vez de se engajar na campanha do irmão. Já Nikolas e seus apoiadores defendiam que o foco deveria ser o enfrentamento ao governo Lula, não a mobilização interna pelo nome de Flávio. A disputa entre as duas alas transformou a militância digital bolsonarista em campo de batalha, com ferramentas de desinformação e ataque coordenado voltadas não para adversários da esquerda, mas para dentro do próprio partido.

 

Fonte: Fórum

 

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