André
Lara Resende: Eu acuso
Às
vésperas das eleições presidenciais, mesmo diante do desmoronar da ordem
política internacional e da crise das instituições nacionais, o tema dominante
na grande mídia é o “descontrole fiscal”. É aparentemente a mais grave ameaça
ao país. Tudo mais deve estar subordinado ao restabelecimento do “equilíbrio
fiscal”, sem o que uma hecatombe econômico-financeira será inevitável.
Que
fique claro: o país gasta mal, aloca recursos de forma irracional,
patrimonialista, como no caso das emendas parlamentares e das vantagens
pecuniárias do judiciário, e demagógica, como no caso das vinculações de
receitas, isenções e subsídios de toda ordem. Ainda assim, tem apenas um
pequeno déficit fiscal primário, entre os menores do mundo segundo o FMI.
Quando
se exclui o serviço da dívida, as contas estão praticamente equilibradas. A
grande despesa do Estado é com os juros sobre a dívida. Uma dívida expressiva,
sim, em torno de 80% do PIB, mas quase que integralmente em moeda nacional e
nas mãos de residentes no país. Não vou retomar aqui os argumentos sobre a
falácia de equiparar a dívida interna em moeda nacional à dívida externa em
moeda estrangeira. Já tratei do tema em inúmeras oportunidades, aqui mesmo no
meu Substack.
O cerne
do problema fiscal está no serviço da dívida. Todo o resto é secundário. O
custo médio da dívida chegou a 12,68% ao ano em junho deste ano. Sobre uma
dívida bruta (DBGG) de R$ 10,9 trilhões, equivalente a 82,5% do PIB, significa
um custo de R$ 1,4 trilhão, ou 10,5% do PIB ao ano. Mesmo sobre a dívida
líquida, a conta de juros chega a 8,7% do PIB.
Só com
a conta de juros, sem contar um eventual déficit primário, a dívida bruta
cresce 12,7% ao ano, enquanto o PIB nominal cresce cerca de 7% ao ano (menos de
3% em termos reais). A relação dívida/PIB cresce, portanto, a uma taxa
aproximadamente igual à diferença entre as duas, algo em torno de 5,7% ao ano.
Não é preciso muita elaboração para concluir que a situação é insustentável. A
trajetória explosiva da dívida em relação ao PIB deve ser interrompida o quanto
antes.
Os
números são contundentes: nos últimos anos, exceto durante a Covid, o resultado
primário foi apenas ligeiramente negativo; já o déficit nominal, puxado pelos
juros, foi sempre alto e agora aproxima-se de 10% do PIB.
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A taxa básica de juros é instrumento do Banco Central
O
aumento da relação dívida/PIB tem um único motor: a absurda taxa de juros
fixada pelo Banco Central. Todos estão de acordo: a taxa de juros é um
problema. Inviabiliza o crédito para a produção e o consumo, provoca o
endividamento insustentável das famílias e das empresas e desestimula o
investimento produtivo.
Além
disso, dado que a dívida pública está nas mãos da parcela mais rica da
população, agrava a concentração de renda e riqueza, como parece ter finalmente
percebido a grande imprensa, a julgar pelo recente editorial do jornal Folha
de S. Paulo.
Não se
contesta que a taxa básica de juros é fixada pelo Banco Central. A taxa Selic,
que baliza as operações de liquidez do BC com os bancos, é o principal
instrumento de política do BC. O Banco Central anuncia e controla integralmente
a taxa básica de juros, que é o principal determinante do custo da dívida. É o
parâmetro que baliza toda a estrutura a termo da dívida.
Outros
fatores, como a incerteza sobre a sua trajetória futura, as expectativas de
inflação e o risco político da dívida, também influenciam a formação de preços,
sobretudo dos papéis mais longos, mas a taxa básica é o principal determinante
do custo da dívida.
Até
aqui, não há grande discordância. O problema, afirmam os que dizem não haver
alternativa, é que, se o Banco Central reduzir a taxa básica, inviabilizará o
cumprimento da meta e perderá o controle da inflação. A relação inversa entre o
juro básico e a inflação está estabelecida na teoria macroeconômica e
profundamente enraizada no imaginário dos agentes financeiros. Já teve razão de
ser.
A Curva
de Phillips, uma relação empírica inversa entre a inflação e o desemprego, dava
sustentação à tese de uma relação inversa entre o juro e a inflação. O caminho,
ou o mecanismo de transmissão no vocabulário da teoria econômica, é da alta do
juro para a redução do crescimento, da redução do crescimento para o aumento do
desemprego, e do aumento do desemprego para a moderação da inflação.
Desde
os anos 1990, a Curva de Phillips tornou-se praticamente horizontal: o
trade-off entre inflação e desemprego desapareceu em quase toda parte,
provavelmente por causa da perda de importância do emprego formal e da redução
do poder dos sindicatos. Desapareceu assim a sustentação empírica da relação
inversa entre crescimento e inflação, mas o modelo novo-keynesiano, baseado na
Curva de Phillips, com uma relação inversa entre o hiato de produto e a
inflação, ainda é prevalente entre a grande maioria dos analistas.
Sem a
Curva de Phillips e dada a inexistência de canais de transmissão bem
especificados, as expectativas se tornaram protagonistas nos modelos dos bancos
centrais. Na prática, a inflação passou a ser entendida como determinada
primordialmente pelas expectativas e as expectativas supostamente formadas pelo
que reza o próprio modelo.
Um
raciocínio circular tautológico: o modelo diz que as expectativas determinam a
inflação; que a inflação responde, por mecanismos não especificados,
inversamente à taxa de juros; e que as expectativas são formadas pelo que diz o
modelo; logo a inflação responde inversamente à taxa de juros. CQD.
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Uma macroeconomia anacrônica
A
fragilidade conceitual e empírica deste modelo macro convencional que pauta a
política dos Bancos Centrais é tão flagrante que, apesar de ainda dominante e
repetido na mídia como verdade incontestável, passou a ser criticado até mesmo
pelos economistas mais conservadores. É o caso de John H. Cochrane, da Hoover
Institution, da Universidade de Stanford. Cochrane é um macroeconomista
ortodoxo altamente qualificado, mas que, em vez de repetir fórmulas prontas,
insiste em pensar por conta própria.
Há mais
de dez anos John Cochrane, um dos principais formuladores da Teoria Fiscal do
Nível de Preços (TFNP; FTPL, na sigla em inglês), defende que a política
monetária, se dissociada da política fiscal, é ineficaz e pode ter efeitos
perversos, contrários aos pretendidos. A alta dos juros não reduz a inflação;
ao contrário, se não houver uma contração fiscal simultânea, irá elevar a
inflação.
Como já
tive oportunidade de expor e comentar, trata-se de conclusão lógica inescapável
do modelo macro convencional, DSGE, usado pelos próprios Bancos Centrais, com
expectativas racionais. Em seu livro The fiscal theory of the price level,
de 2023, John Cochrane expõe, de forma rigorosa e acessível, a inseparável ação
das políticas monetária e fiscal.
Nos
seus dois últimos posts no seu Substack, John Cochrane vai além e
defende a redução da taxa de juros com a concomitante redução do prazo de
maturidade da dívida. Quanto mais curto o prazo médio da dívida, a “duration”,
mais a redução do juro irá reduzir a inflação no curto prazo.
Esta é
justamente a situação do Brasil hoje, em que mais da metade da dívida está em
LFTs, títulos de remuneração atrelada à Selic, a taxa básica diária, portanto,
de curtíssima “duration”. O que é convencionalmente percebido como fator
detrator da eficácia da política monetária é, na realidade, um potencializador
do efeito deflacionário da redução do juro.
Sugiro
aos interessados que leiam os trabalhos recentes de John Cochrane. Resumo aqui
apenas o essencial do que ele chamou, há aproximadamente dez anos, de efeito
“neofisheriano”, segundo o qual, no longo prazo, a inflação é igual à diferença
entre a taxa nominal e a taxa real de juros. O resultado é deduzido das
equações do modelo, mas pode ser inferido diretamente da identidade,
inicialmente apontada por Irving Fisher, entre o juro nominal e a soma do juro
real com a inflação, i = r + π.
A
neutralidade da moeda garante que a taxa nominal não afeta o juro real no longo
prazo, ou seja, r é independente de i. Como o BC fixa a taxa nominal, i, a
inflação, π, é dada por i − r. Supondo-se, como é padrão nos modelos de
crescimento, que no longo prazo o juro real tenda à taxa de crescimento real, a
inflação é igual à taxa nominal de juros menos o crescimento real da economia.
Portanto, a taxa nominal de juros e a inflação estão positivamente, e não
inversamente, correlacionadas como se convencionou acreditar.
No
longo prazo, o fato de que a taxa de juros e a inflação estão positivamente
correlacionadas é inescapável. No curto prazo, é possível que a redução do juro
eleve a inflação, antes de levá-la a convergir para um nível mais baixo. Esta é
a razão pela qual a proposta de reduzir o juro para reduzir a inflação tem
pouco apelo na prática.
A
redução do juro vai efetivamente trazer a inflação para baixo, mas só depois de
um repique da inflação no curto prazo, e é muito provável que o banqueiro
central que tentar reduzir a inflação através da redução do juro perca o
emprego antes de ver a inflação se reduzir. A razão pela qual a redução do juro
eleva a inflação no curto prazo, um efeito que John Cochrane reconhece ter sido
difícil de introduzir no seu modelo, é que, com a redução do juro, o valor
presente da dívida se eleva, e de acordo com a Teoria Fiscal do Nível de
Preços, a inflação deve aumentar para voltar a reduzir o valor presente
redescontado da dívida.
No
entanto, se a dívida for toda indexada à taxa de overnight – exatamente como no
caso das LFTs –, a redução do juro não aumenta o valor presente redescontado da
dívida, portanto, não provoca um aumento da inflação no curto prazo. A inflação
inicia imediatamente sua convergência para um nível mais baixo dado pela taxa
de juros.
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A importância da credibilidade institucional
John
Cochrane insiste em associar toda a dinâmica da inflação à TFNP, que postula
que o valor de todo o passivo financeiro do Estado, dívida e moeda, deve
equivaler ao valor presente redescontado dos superávits fiscais futuros. A
inflação é o fator de ajuste, a variável dependente. Se o passivo do Estado
supera a expectativa de superávits fiscais, a inflação aumenta para reduzir o
valor real do passivo público e garantir que seja equivalente aos superávits
fiscais futuros.
Reconhece
que déficits fiscais e dívidas públicas não são sempre a causa da inflação. Faz
uma observação crucial: déficits e dívidas só são inflacionários se associados
a expectativas de que possam não ser honradas. Depois de muitas equações em
busca de uma âncora para a inflação, John Cochrane volta ao ponto de partida:
tudo depende das expectativas, da confiança nas instituições.
É
evidente que uma dívida que cresce a uma taxa muito superior à da renda, numa
trajetória explosiva da relação dívida/PIB, provoca desconfiança de que possa
vir a não ser honrada. Logo pode provocar inflação. Déficits e dívida não
provocam necessariamente inflação, mas dívidas que possam vir a não ser
honradas, sim.
Recapitulemos.
A relação inversa entre inflação e desemprego deixou de existir. Recessão e
capacidade ociosa não reduzem a inflação, assim como crescimento e baixo
desemprego não pressionam a inflação. Com reservas bancárias abundantes e
remuneradas – o regime geral desde 2008, no caso brasileiro por meio das
operações compromissadas –, a moeda é endógena.
O
instrumento de política dos bancos centrais é a taxa básica que remunera as
reservas bancárias. Com moeda endógena, não existe âncora nominal nos agregados
monetários. Na ausência de choques de preços de oferta ou de expectativas, a
inflação é inercial – tende a ficar onde está. A âncora passa a ser a própria
taxa básica de juros, combinada com a confiança na solvência do Estado.
O que
garante a estabilidade da inflação no longo prazo é a confiança de que o
passivo financeiro do Estado, moeda e dívida, será honrado. A TFNP pressupõe
que para isso o valor redescontado dos superávits fiscais futuros seja ao menos
igual ao passivo financeiro do Estado. Trata-se de uma pressuposição
questionável se levada a ferro e fogo, como determinante da inflação corrente,
mas que faz sentido como condição de confiança na dívida pública.
No
longo prazo a inflação converge para a diferença entre a taxa básica de juros e
a taxa de crescimento real da economia. No curto prazo, a relação entre a taxa
de juros e a inflação pode ser inversa, como convencionalmente aceito. A
redução do juro pode efetivamente pressionar a inflação, mas é apenas um
repique transitório.
John
Cochrane reconhece não ter uma base teórica sólida para justificar a relação
inversa, efetivamente observada no curto prazo, entre o juro e a inflação. Por
trabalhar com modelos de economia fechada, não considera o efeito do juro sobre
o câmbio e do câmbio sobre a inflação. O câmbio como canal de transmissão do
juro para a inflação é bem reconhecido na literatura e bem documentado na
experiência das economias financeiramente abertas que passaram por altas taxas
de inflação.
A
desvalorização cambial é o principal sinalizador da inflação no curto prazo,
como bem sabem todos que tiveram que lidar com uma inflação crônica. A redução
do juro doméstico, através da arbitragem com o juro externo, pode levar a uma
saída de capitais especulativos.
Sem uma
intervenção compensatória do Banco Central, o câmbio irá se desvalorizar e
provocar uma alta da inflação. Esta é a explicação para o efeito inverso no
curto prazo entre a taxa de juros e a inflação, que é difícil de encontrar no
quadro teórico do modelo novo-keynesiano conjugado à TFNP.
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Uma proposta para o Brasil
Voltemos
ao Brasil. Temos uma das mais altas taxas reais de juros do mundo, com a taxa
básica em mais do dobro da taxa de crescimento nominal da economia. O serviço
da dívida equivale a mais de 10% do PIB ao ano e é o responsável pela
trajetória ascendente e insustentável da relação dívida/PIB. Sem uma redução do
juro para algo em torno da taxa de crescimento nominal da economia, não há
ajuste fiscal possível que interrompa o crescimento da dívida em relação ao
PIB.
Como
vimos, a elevada participação das LFTs na dívida pública, vista no quadro
convencional como um problema para a eficácia da política monetária, é uma
vantagem no quadro da TFNP: diminui o risco de que a redução do juro provoque
um repique da inflação no curto prazo.
Um novo
Conselho Fiscal e Monetário Nacional, CFMN, definiria metas fiscais e
monetárias para um período de quatro a cinco anos à frente. As metas fiscais
seriam pautadas pela racionalização e simplificação da arrecadação e dos gastos
de custeio e de investimentos. As metas de inflação seriam anunciadas em
conjunto com metas para a taxa básica de juros.
O Banco
Central se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de
inflação, 3,0%, e taxa de crescimento nominal potencial, ou seja, a meta da
inflação somada ao crescimento real potencial, o que hoje seria em torno de
5,5% ao ano (3% de inflação mais 2,5% de crescimento). Só em casos
excepcionais, autorizados pelo CFMN, a taxa básica poderia ser inferior ao piso
– a meta de inflação – ou superior ao teto – o crescimento nominal do PIB
potencial – do intervalo.
Para
dar início ao novo regime fiscal e monetário, o Banco Central anunciaria a
redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de
crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%,
isto é, perto de 7,5% ao ano. Este spread de segurança seria
periodicamente reavaliado e gradualmente reduzido até ser eliminado. Anunciaria
ainda que se necessário atuará no câmbio para suavizar toda depreciação mais
acentuada, devido à possível redução do volume de carry-trade de
capitais especulativos.
Com
reservas internacionais de mais de US$ 350 bilhões, o Banco Central tem munição
de sobra para isso. Os dois canais pelos quais a redução do juro poderia
pressionar a inflação no curto prazo estão, assim, neutralizados no Brasil: o
fiscal, pela dívida curta; o cambial, pelas reservas.
A
redução do custo médio da dívida de quase 13% para 7,5% ao ano, numa dívida que
corresponde a 80% do PIB, equivale a uma economia fiscal de cerca de 4% do PIB
ao ano. A economia não é instantânea: as LFTs, mais da metade da dívida, passam
a render menos imediatamente; os títulos prefixados e os indexados à inflação,
à medida que forem rolados.
Eis por
que a dívida curta é uma vantagem, e não um problema. Por mais radical que
seja, nenhum ajuste fiscal é capaz de produzir um superávit primário dessa
magnitude, sem provocar uma profunda recessão. A redução do déficit fiscal
nominal de mais de 10% do PIB para algo em torno de 6% do PIB restabelece a
credibilidade fiscal de longo prazo, condição para que a inflação venha a
convergir para a diferença entre o juro básico e a taxa de crescimento real da
economia.
A
redução do juro básico é a solução do desequilíbrio fiscal. Garante a
sustentabilidade e dissipa a desconfiança sobre a possibilidade de a dívida não
vir a ser honrada. Não se trata de dominância fiscal, mas de coordenação
transparente e anunciada de políticas monetária e fiscal. Juros que tornam a
dívida explosiva são a verdadeira ameaça à credibilidade fiscal.
O
Brasil tem problemas sociais e institucionais graves. Nenhum deles tem solução
fácil. Exigem inteligência na formulação de propostas, bom senso na costura de
apoio político e competência na implementação. A economia tem um problema
básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros. Um problema que tem
solução clara. Só é preciso vencer os preconceitos associados a uma teoria
monetária e fiscal anacrônica.
Em 13
de janeiro de 1898, o escritor Émile Zola publicou no jornal L’Aurore
uma carta aberta ao presidente da França, Félix Faure. Sob o título “Eu acuso”,
denunciava a injustiça cometida em relação ao oficial do exército Alfred
Dreyfus, falsamente acusado de espionagem. O Caso Dreyfus se tornou o paradigma
de um equívoco judicial motivado por preconceitos, pelo antissemitismo, em que
o sistema de poder e as instituições de Estado, mesmo diante de provas
irrefutáveis, insistem em não reconhecer o erro, para preservar a reputação.
Guardadas
as devidas proporções, o mesmo padrão – instituições que preferem sustentar o
erro a reconhecê-lo – se repete na insistência do Banco Central do Brasil em
sua absurda política de juros. Por isso, eu acuso.
Acuso o
Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros
que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater. Acuso a
grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário,
quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o
interesse dos rentistas com a racionalidade econômica.
E acuso
todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizam o país, preferem o
conforto do consenso ao incômodo da verdade.
Fonte:
A Terra é Redonda

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