quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Brasil é um dos países mais afetados por AVC no mundo; entenda riscos

O Brasil é um dos países com a maior população afetada por AVC (Acidente Vascular Cerebral) no mundo, segundo dados da SBAV (Sociedade Brasileira de AVC). No país, a doença se tornou uma das principais causa de mortes, ultrapassando a média global.

Segundo a associação, entre janeiro e março de 2026, o total de mortes por AVC foi de 20.461, o que representa cerca de 229 por mês, ou seja, 9 mortes a cada uma hora pela doença.

No ano passado, este número chegou ao total de 89.490, perdendo apenas para óbitos por infarto, que totalizaram 91.912 casos, segundo o levantamento do Ministério da Saúde.

<><> Mas, afinal, o que é um AVC?

Recentemente, a doença voltou aos holofotes após a influenciadora Maya Massafera ser hospitalizada para investigar uma suspeita do diagnóstico. O Acidente Vascular Cerebral ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando uma paralisia da área cerebral.

Existem dois tipos de AVC, que ocorrem por motivos diferentes:

  • AVC hemorrágico: Ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. Esta hemorragia pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge. É responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas pode causar a morte com mais frequência do que o AVC isquêmico.
  • AVC isquêmico: Ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos.

No caso de Maya, ela não chegou a ter um AVC. A influenciadora teve uma suspeita, que é chamada de Ataque Isquêmico Transitório (AIT). No caso dela, o  médico identificou níveis muito altos de colesterol, impulsionado pelo uso de hormônios.

O uso de hormônios pode aumentar o risco de AVC?

Para a Dra. Renata Bussuan, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Transgênero e endocrinologista, o risco associado à terapia hormonal depende de fatores, como o tipo de hormônio utilizado, a dose e a via de administração.

“Pessoas com obesidade, com diabetes ou com hipertensão têm maior risco de AVC em uso de hormônios. E a terapia hormonal também varia muito, tanto a feminilizante quanto a masculinizante, e aí você vai ter padrões diferentes de risco. Por exemplo, o estrogênio aumenta o risco de trombose; a testosterona aumenta o hematócrito, e aí alguns eventos vasculares realmente podem acontecer”, explica a Dra. Renata.

Ainda de acordo com a médica, no caso do estrogênio, a principal preocupação está relacionada ao aumento do risco de trombose. Já em pessoas que utilizam testosterona, é importante monitorar o hematócrito, especialmente quando há uso de doses elevadas ou intervalos muito curtos entre as aplicações.

“Então, isso é mais um ponto de atenção para o paciente estar sempre em contato com o seu médico, sempre fazendo a avaliação do hemograma, dos níveis hormonais, da função hepática, de tudo que tem que ser controlado”, diz Dra. Renata.

<><> Como prevenir um AVC?

A neurologista Carolina Alvarez aponta que uma vida saudável é o principal fator para evitar acidente vascular cerebral, também conhecido como derrame. “Hábitos como não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e controlar pressão alta, diabetes e colesterol ajudam a reduzir o risco cardiovascular”, explicou a neurologista.  

Segundo a médica, um possível aumento de risco não significa que a terapia hormonal deva ser evitada. “Com avaliação individualizada e acompanhamento adequado, é possível escolher o tipo, a dose e a via de administração mais apropriados para cada pessoa”, ressalta.  

¨      Seus hábitos podem aumentar o risco de AVC? Saiba como prevenir doença

O AVC (Acidente Vascular Cerebral) é uma das principais causa de mortes no Brasil, além de ser considerado um dos países com a maior população afetada pela doença, de acordo com dados da SBAVC (Sociedade Brasileira de AVC). Uma grande parcela desses casos, no entanto, pode ser evitada com o controle de fatores de risco modificáveis e mudanças sustentáveis no estilo de vida.

No Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, o neurologista Aquiles José Vasconcellos Mamfrim, do Hospital Pró-Cardíaco da Rede Américas, detalhou à CNN Brasil as principais recomendações das diretrizes mais recentes para prevenir o AVC.

Uma parcela expressiva dos casos de AVC está diretamente associada a fatores de risco modificáveis. Cuidar da alimentação, praticar exercícios e controlar a pressão arterial não é apenas uma recomendação genérica, mas a estratégia mais eficaz que temos para proteger o cérebro ao longo da vida.Dr. Aquiles José Vasconcellos Mamfrim

<><> O que mudar na alimentação?

A dieta desempenha um papel central na saúde cardiovascular. O sódio (sal) é o item mais associado ao aumento do risco de AVC, e a sua redução deve ser feita consistentemente no dia a dia.

Também é necessário limitar o consumo de:

  • Carne vermelha e ultraprocessados;
  • Bebidas açucaradas;
  • Alimentos ricos em gordura saturada.

Já um exemplo a seguir, segundo o especialista, é a dieta mediterrânea — rica em frutas, vegetais, legumes, fibras, azeite de oliva, oleaginosas e laticínios.

<><> Atividade física como prevenção

A prática regular de exercícios é um fator modificável comprovado no combate ao AVC isquêmico e hemorrágico, além de reduzir a mortalidade cardiovascular geral.

De acordo com as diretrizes de 2024 da American Stroke Association (ASA), a combinação de atividade aeróbica com treinamento de força é um dos pilares da prevenção.

Para quem era sedentário e deseja mudar de rotina, porém, há a necessidade de uma avaliação médica prévia, que deve considerar o nível atual de atividade física, presença de sinais, sintomas ou doenças prévias (cardiovasculares, metabólicas ou renais) e a intensidade do exercício pretendido.

Veja quem precisa passar por consulta antes de inicar exercícios físicos constantes:

  • Homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos que pretendem praticar exercícios vigorosos e apresentam diabetes ou dois ou mais fatores de risco cardiovascular;
  • Pessoas com sintomas sugestivos de doença cardiovascular (como dor no peito, falta de ar, tontura ou claudicação) ou com doenças crônicas diagnosticadas, independentemente da idade;
  • Indivíduos com histórico familiar de morte súbita precoce ou fatores de risco mal controlados.

<><> Tabagismo e vapes

O cigarro convencional é um causador direto e comprovado de AVC, com risco que aumenta proporcionalmente ao volume e tempo de uso.

Já quanto aos cigarros eletrônicos (vapes), os impactos de longo prazo continuam sob investigação. No entanto, dados de estudos populacionais como o National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) apontam para riscos cardiovasculares significativos, principalmente em usuários "duais" (que utilizam tanto o cigarro comum quanto o eletrônico).

Mesmo que o riscos dos vapes ainda não seja comprovado, o conselho médico é evitar qualquer produto de tabaco ou nicotina, incluindo narguilés. Para fumantes, a interrupção do hábito deve ser acompanhada por profissionais, combinando aconselhamento e, se necessário, suporte farmacológico.

<><> Consumo abusivo de álcool e qualidade do sono

O álcool e o sono são dois fatores que aumentam de forma direta o risco de ocorrência do AVC:

  • Consumo abusivo de álcool: Definido como mais de 4 doses por dia (ou 14 por semana) para homens e mais de 3 doses por dia (ou 7 por semana) para mulheres. Esse padrão está associado a todos os tipos de AVC (isquêmico, hemorragia intracerebral e hemorragia subaracnóidea).
  • Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): A falta de oxigenação intermitente gera disfunção endotelial, hipertensão não controlada, arritmias como a fibrilação atrial e hipercoagulabilidade. O tratamento com CPAP mostra redução de risco importante na prevenção primária (cerca de 27% em estudos observacionais), embora a adesão ao dispositivo ainda seja um desafio em ensaios clínicos.

<><> O check-up ideal

O médico afirma que não existe um pacote fixo ou genérico de exames válido para todos. No entanto, a diretriz de 2024 da ASA estabelece que, a partir dos 40 a 50 anos, o acompanhamento médico de rotina deve focar rigorosamente em rastrear e monitorar:

  • Pressão arterial;
  • Perfil lipídico (colesterol e triglicérides);
  • Glicemia e hemoglobina glicada;
  • Peso corporal, IMC e circunferência abdominal;
  • Rastreio de fibrilação atrial;
  • Estilo de vida (sono, atividade física, alimentação, álcool e tabagismo).

Pessoas com parentes de primeiro grau (pai, mãe ou irmãos) que sofreram um AVC correm risco de duas a três vezes maior de apresentar a doença ao longo da vida. Nesses casos, a atenção precisa ser redobrada.

Além dos fatores modificáveis meniconados, o manejo clínico de pacientes diabéticos de alto risco cardiovascular pode incluir intervenções farmacológicas modernas, como os medicamentos GLP-1, apenas sob orientação médica.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: