Como
diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico? Entenda
O AVC
(Acidente Vascular Cerebral) se divide em dois tipos principais: o isquêmico e
o hemorrágico. Enquanto o primeiro é responsável por cerca de 80% a 85% dos
casos, o segundo representa entre 15% e 20% das ocorrências. As diferenças
entre eles vão além da frequência — os mecanismos, os sintomas e os tratamentos
também variam significativamente.
No
programa CNN Sinais Vitais, Dr. Roberto Kalil conversou com a neurologista
Cristine Cukiert e o cardiologista e diretor da Santa Casa de Misericórdia de
São Paulo, Ronaldo Rosa, sobre os dois tipos de AVC, os sinais de alerta e a
relação entre coração e cérebro.
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Isquêmico versus hemorrágico: entenda a diferença
Segundo
Cristine Cukiert, o AVC isquêmico ocorre quando há uma obstrução em uma artéria
do cérebro — mecanismo semelhante ao que acontece no infarto, mas a nível
cerebral.
"Na
realidade, quando a gente tem uma obstrução, o entupimento de uma das artérias,
que é a mesma coisa que acontece no infarto", explicou a neurologista.
Já no
AVC hemorrágico, o processo é inverso: um vaso sanguíneo se rompe, formando um
coágulo e provocando sangramento naquele território afetado.
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Atenção especial aos idosos após pancadas na cabeça
Cristine
também alertou para um tipo específico de sangramento cerebral causado por
traumatismo, conhecido como hematoma subdural ou extradural. Diferente do AVC
hemorrágico espontâneo, esse quadro pode ser desencadeado por uma pancada
aparentemente leve — como bater a cabeça no criado-mudo — e os sintomas podem
surgir semanas ou até meses depois do ocorrido.
"Às
vezes a pessoa teve uma batida, uma pancada, bateu no criado-mudo, duas semanas
antes, dois meses antes", destacou a especialista.
A
neurologista ressaltou que, na população idosa, o hematoma tende a crescer mais
lentamente antes de causar sintomas, justamente porque há mais espaço
intracraniano disponível por conta da atrofia cerebral.
Por
isso, qualquer queda ou pancada na cabeça em pessoas idosas deve ser
investigada com exame de imagem, independentemente do tempo decorrido. "No
idoso, sempre, isso é um alerta muito importante, precisa procurar o
pronto-atendimento para fazer um exame de imagem", orientou Cristine.
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Tratamentos variam conforme o tipo de AVC
No caso
do AVC hemorrágico, Cristine explicou que o tratamento depende do tamanho do
hematoma e pode envolver drenagem cirúrgica realizada pela equipe de
neurocirurgia.
Já para
o AVC isquêmico, o fator tempo é determinante. A janela de tratamento é de
quatro horas e meia, período no qual é possível utilizar medicamentos
trombolíticos para desobstruir o vaso afetado. Em casos de obstrução de
artérias de grande calibre, pode ser realizada a trombectomia, procedimento que
consiste em passar um cateter para remover o coágulo.
"A
gente tem janelas de tratamento em que a gente vai usar justamente essa
medicação para desobstrução do vaso", afirmou Cristine.
A
especialista foi enfática ao ressaltar que não se deve aguardar a melhora
espontânea dos sintomas: "Não pode ficar esperando passar. Tem que ser na
hora, e o quão mais rápido for, maior a chance que eu tenho de ter um sucesso
nesse tratamento."
• Apenas 30% dos hipertensos seguem o
tratamento, dizem médicos
Apenas
30% dos pacientes hipertensos diagnosticados e medicados no Brasil seguem o
tratamento de forma contínua. O dado foi destacado no programa CNN Sinais
Vitais, onde Cristine Cukiert, neurologista, e Ronaldo Rosa, cardiologista e
diretor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo alertaram sobre os riscos de
interromper medicamentos ao perceber melhora nos exames ou ausência de
sintomas.
Em
conversa com o Dr. Roberto Kalil, Ronaldo Rosa explicou que a hipertensão, na
maioria dos casos, não apresenta sintomas visíveis, o que leva muitos pacientes
a acreditarem que podem suspender o uso dos medicamentos após a normalização da
pressão arterial.
"A
hipertensão é uma doença que na maioria das vezes não apresenta sintomas. O
paciente começa a tomar medicamento, entende que normalizou a pressão e acha
que pode parar", afirmou.
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Erro comum se repete com colesterol e diabetes
O mesmo
comportamento equivocado se observa em relação ao colesterol e ao diabetes.
Segundo
Rosa, pacientes que atingem os níveis-alvo dessas condições frequentemente
abandonam o tratamento, sem perceber que os fatores de risco continuam agindo
silenciosamente no organismo.
"Mesmo
sem o paciente sentir nada, aqueles fatores lentamente vão estragando a sua
vasculatura e aumentando o risco cardiovascular", destacou.
O
especialista reforçou que o objetivo do tratamento é manter essas condições
controladas de forma contínua, o que vale para hipertensão, diabetes e
colesterol.
Rosa
também chamou atenção para um comportamento ainda mais preocupante: a
interrupção dos medicamentos para consumir bebidas alcoólicas.
"Tem
uma situação em que o paciente diz que vai beber uma cerveja no final de semana
e para de tomar o remédio para isso. Isso é pior", alertou.
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Prevenção de doenças neurológicas começa cedo
A
neurologista Cristine Cukiert destacou que é possível reduzir o risco de
desenvolver doenças neurológicas ao longo da vida por meio de hábitos saudáveis
adotados desde jovem.
"Você
começa a prevenir a sua doença degenerativa dos 80 agora", disse ela,
ressaltando que jovens que praticam atividade física e mantêm uma alimentação
equilibrada chegam à terceira idade com melhores condições cognitivas e
cardiovasculares.
Fonte: CNN Brasil

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