quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Como diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico? Entenda

O AVC (Acidente Vascular Cerebral) se divide em dois tipos principais: o isquêmico e o hemorrágico. Enquanto o primeiro é responsável por cerca de 80% a 85% dos casos, o segundo representa entre 15% e 20% das ocorrências. As diferenças entre eles vão além da frequência — os mecanismos, os sintomas e os tratamentos também variam significativamente.

No programa CNN Sinais Vitais, Dr. Roberto Kalil conversou com a neurologista Cristine Cukiert e o cardiologista e diretor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Ronaldo Rosa, sobre os dois tipos de AVC, os sinais de alerta e a relação entre coração e cérebro.

<><> Isquêmico versus hemorrágico: entenda a diferença

Segundo Cristine Cukiert, o AVC isquêmico ocorre quando há uma obstrução em uma artéria do cérebro — mecanismo semelhante ao que acontece no infarto, mas a nível cerebral.

"Na realidade, quando a gente tem uma obstrução, o entupimento de uma das artérias, que é a mesma coisa que acontece no infarto", explicou a neurologista.

Já no AVC hemorrágico, o processo é inverso: um vaso sanguíneo se rompe, formando um coágulo e provocando sangramento naquele território afetado.

<><> Atenção especial aos idosos após pancadas na cabeça

Cristine também alertou para um tipo específico de sangramento cerebral causado por traumatismo, conhecido como hematoma subdural ou extradural. Diferente do AVC hemorrágico espontâneo, esse quadro pode ser desencadeado por uma pancada aparentemente leve — como bater a cabeça no criado-mudo — e os sintomas podem surgir semanas ou até meses depois do ocorrido.

"Às vezes a pessoa teve uma batida, uma pancada, bateu no criado-mudo, duas semanas antes, dois meses antes", destacou a especialista.

A neurologista ressaltou que, na população idosa, o hematoma tende a crescer mais lentamente antes de causar sintomas, justamente porque há mais espaço intracraniano disponível por conta da atrofia cerebral.

Por isso, qualquer queda ou pancada na cabeça em pessoas idosas deve ser investigada com exame de imagem, independentemente do tempo decorrido. "No idoso, sempre, isso é um alerta muito importante, precisa procurar o pronto-atendimento para fazer um exame de imagem", orientou Cristine.

<><> Tratamentos variam conforme o tipo de AVC

No caso do AVC hemorrágico, Cristine explicou que o tratamento depende do tamanho do hematoma e pode envolver drenagem cirúrgica realizada pela equipe de neurocirurgia.

Já para o AVC isquêmico, o fator tempo é determinante. A janela de tratamento é de quatro horas e meia, período no qual é possível utilizar medicamentos trombolíticos para desobstruir o vaso afetado. Em casos de obstrução de artérias de grande calibre, pode ser realizada a trombectomia, procedimento que consiste em passar um cateter para remover o coágulo.

"A gente tem janelas de tratamento em que a gente vai usar justamente essa medicação para desobstrução do vaso", afirmou Cristine.

A especialista foi enfática ao ressaltar que não se deve aguardar a melhora espontânea dos sintomas: "Não pode ficar esperando passar. Tem que ser na hora, e o quão mais rápido for, maior a chance que eu tenho de ter um sucesso nesse tratamento."

•        Apenas 30% dos hipertensos seguem o tratamento, dizem médicos

Apenas 30% dos pacientes hipertensos diagnosticados e medicados no Brasil seguem o tratamento de forma contínua. O dado foi destacado no programa CNN Sinais Vitais, onde Cristine Cukiert, neurologista, e Ronaldo Rosa, cardiologista e diretor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo alertaram sobre os riscos de interromper medicamentos ao perceber melhora nos exames ou ausência de sintomas.

Em conversa com o Dr. Roberto Kalil, Ronaldo Rosa explicou que a hipertensão, na maioria dos casos, não apresenta sintomas visíveis, o que leva muitos pacientes a acreditarem que podem suspender o uso dos medicamentos após a normalização da pressão arterial.

"A hipertensão é uma doença que na maioria das vezes não apresenta sintomas. O paciente começa a tomar medicamento, entende que normalizou a pressão e acha que pode parar", afirmou.

<><> Erro comum se repete com colesterol e diabetes

O mesmo comportamento equivocado se observa em relação ao colesterol e ao diabetes.

Segundo Rosa, pacientes que atingem os níveis-alvo dessas condições frequentemente abandonam o tratamento, sem perceber que os fatores de risco continuam agindo silenciosamente no organismo.

"Mesmo sem o paciente sentir nada, aqueles fatores lentamente vão estragando a sua vasculatura e aumentando o risco cardiovascular", destacou.

O especialista reforçou que o objetivo do tratamento é manter essas condições controladas de forma contínua, o que vale para hipertensão, diabetes e colesterol.

Rosa também chamou atenção para um comportamento ainda mais preocupante: a interrupção dos medicamentos para consumir bebidas alcoólicas.

"Tem uma situação em que o paciente diz que vai beber uma cerveja no final de semana e para de tomar o remédio para isso. Isso é pior", alertou.

<><> Prevenção de doenças neurológicas começa cedo

A neurologista Cristine Cukiert destacou que é possível reduzir o risco de desenvolver doenças neurológicas ao longo da vida por meio de hábitos saudáveis adotados desde jovem.

"Você começa a prevenir a sua doença degenerativa dos 80 agora", disse ela, ressaltando que jovens que praticam atividade física e mantêm uma alimentação equilibrada chegam à terceira idade com melhores condições cognitivas e cardiovasculares.

 Fonte: CNN Brasil

 

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