UM
FANTASMA DO FIFAGATE NA INVESTIGAÇÃO DO MASTER
Localizado
a duas quadras da Avenida Faria Lima, o edifício Heritage, em São Paulo, exala
sofisticação e riqueza. Sua fachada é feita de curvas contínuas e
aerodinâmicas, um traço marcante da Pininfarina, empresa de design italiana que
assina o projeto arquitetônico. São 31 apartamentos, um por andar, que
privilegiam a vista ampla da parte mais rica da capital paulista, com seu
horizonte de prédios envidraçados. O apartamento de número 231, no 23º andar,
tem 564 m², seis dormitórios – sendo quatro suítes –, sete banheiros e seis
vagas na garagem. Em março de 2021, a construtora Cyrela, responsável pela
obra, vendeu o apartamento para a Grip Negócios Imobiliários por 17 milhões de
reais, em valores corrigidos.
A Grip
é uma das 21 empresas de Rafael de Menezes Hawilla, o caçula dos três filhos de
José Hawilla, dono da empresa de marketing esportivo Traffic e um dos
protagonistas do Fifagate, o maior escândalo de corrupção da história do
futebol. Para escapar da cadeia nos Estados Unidos, J. Hawilla, como era
conhecido, fechou um acordo de delação com a Justiça americana em 2013. Admitiu
o pagamento de milhões de dólares em propinas para dirigentes de futebol. Parte
do suborno foi pago pela Traffic em setembro de 2013, quando Rafael já era um
dos diretores da empresa, ao lado do irmão Stefano. Apesar disso, nenhum dos
filhos foi denunciado – condição exigida por J. Hawilla para assinar o acordo
de delação, no qual também se comprometeu a pagar uma multa de 151 milhões de
dólares.
Com a
morte do delator, em maio de 2018, aos 74 anos, a ação penal na Justiça de Nova
York foi extinta e a família ficou com todo o seu patrimônio intacto, no Brasil
e nos Estados Unidos. A fortuna era estimada pelo próprio patriarca em 500
milhões de dólares, na época. Desde então, Rafael e Stefano deixaram para trás
os negócios no futebol e passaram a investir na construção civil e no setor
imobiliário. O apartamento adquirido no Heritage foi apenas mais um no
portfólio da família.
Em
março de 2024, exatos três anos depois da compra, Rafael Hawilla revendeu o
apartamento por 51,7 milhões de reais (também em valores corrigidos) para a
Super Empreendimentos e Participações, empresa de Fabiano Zettel, cunhado do
banqueiro Daniel Vorcaro. Um lucro, portanto, de 34 milhões de reais. O valor
impressiona não só pela rápida valorização, mas pela comparação com outros
apartamentos do mesmo prédio. A cobertura do Heritage, um apartamento duplex
com o dobro da área, foi vendida em agosto de 2022 por 32,5 milhões de reais.
Para
fins fiscais, como o cálculo do IPTU, o apartamento vendido por Rafael Hawilla
era estimado em apenas 7 milhões de reais. Por isso, o 9º Tabelionato de Notas
de São Paulo, onde a escritura de compra e venda foi assinada, comunicou a
transação ao Coaf, apontando uma suspeita de lavagem de dinheiro. Ao fazer
isso, estava obedecendo à lei: desde 2019, por decisão do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), os cartórios devem informar ao Coaf transações imobiliárias cujo
valor supere em 100% a avaliação fiscal do imóvel, para coibir casos de lavagem
de dinheiro. No caso do apartamento de Zettel, a diferença era de mais de 600%.
A piauí
obteve acesso ao relatório do Coaf produzido com base nesse alerta. Ele consta
em um dos inquéritos sobre o Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal
Federal. Além da valorização altíssima sem justificativa aparente, o relatório
chama atenção para um outro ponto: a escritura diz que a empresa de Zettel
pagou uma entrada de 5 milhões de reais, mas não esclarece como foi feito o
pagamento. Em geral, escrituras de compra e venda, sobretudo quando envolvem
valores na casa dos milhões, detalham o método de pagamento – se foi por
transferência bancária, financiamento, cheque, dinheiro em espécie. É uma forma
de dar lastro financeiro à transação. Omitir essa informação, segundo
especialistas ouvidos pela piauí, é um recurso que costuma ser adotado por quem
quer disfarçar a origem do dinheiro usado na compra do imóvel, já que dessa
forma não se pode rastreá-lo.
A Grip,
uma sociedade de Rafael Hawilla com a esposa Adriana, possui capital social de
10 mil reais, mas seu patrimônio imobiliário vale ao menos 38,4 milhões de
reais em valores atualizados, segundo um levantamento feito pela piauí em bases
de dados de cartórios. Fazem parte desse patrimônio duas casas no Jardim
América e um apartamento no Jardim Paulista, bairros ricos de São Paulo, e uma
casa em um condomínio privado de Bragança Paulista, no interior do estado.
A
família, além disso, é dona da TV TEM, rede de afiliadas da TV Globo no
interior de São Paulo. Tem também muitos projetos imobiliários em São José do
Rio Preto, cidade natal de J. Hawilla, onde o empresário virou nome de praça e
de anel viário, além de ter sido homenageado com uma estátua, em 2021. A
Traffic, empresa que deu fama à família, continua ativa, com capital social de
381,7 milhões de reais, segundo os dados da Receita Federal. No quadro
societário, Rafael Hawilla aparece como administrador, ao lado do irmão Stefano
e da viúva de J. Hawilla, Eliani Maria Menezes Hawilla. A empresa, porém, não
tem site nem perfil em redes sociais.
Indagado
pela piauí sobre a valorização fabulosa do apartamento, Rafael Hawilla afirmou
que o imóvel foi vendido no modelo “porteira fechada” – isto é, com tudo o que
estava dentro, o que incluía mobília e decoração. Não esclareceu se esse foi o
motivo da valorização – o que, caso tenha ocorrido, significaria que a mobília
valia o dobro do que o apartamento em si. O empresário disse desconhecer o
relatório do Coaf e negou qualquer irregularidade na transação. Segundo ele, o
apartamento não estava à venda, mas um corretor o procurou e propôs a compra
nesses termos.
“Diante
disso, por livre acordo entre as partes, foi realizada a venda do imóvel,
juntamente com sua mobília e decoração, em conformidade com a legislação
brasileira aplicável, tendo sido devidamente formalizada, com recolhimento dos
tributos incidentes e a correspondente declaração às autoridades brasileiras.
Desta forma, tanto a aquisição quanto a posterior alienação do imóvel foram
realizadas de forma regular, com a devida observância das obrigações legais,
fiscais e declaratórias aplicáveis”, diz a nota, assinada pela Grip. Rafael não
respondeu às perguntas da piauí sobre o pagamento de 5 milhões de reais feito
por Zettel e a discrepância entre os valores do patrimônio imobiliário e do
capital social da Grip.
A
suspeita de lavagem de dinheiro apontada pelo cartório é reforçada pelo fato de
que, segundo a investigação da Polícia Federal, a Super Empreendimentos e
Participações era usada por Daniel Vorcaro para “formalizar contratos
fictícios” e “viabilizar operações patrimoniais potencialmente simuladas
destinadas a ocultar a origem de recursos”. Era por meio desse CNPJ, por
exemplo, que o banqueiro transferia 1 milhão de reais por mês para Luiz
Phillipi Mourão, o “Sicário”, apontado pela investigação como líder da chamada
“Turma”, a milícia privada de Vorcaro.
Os
inquéritos do Master incluem muitos outros indícios de que Vorcaro e Zettel
inflaram artificialmente o valor de empresas e imóveis para captar recursos no
mercado financeiro. Um caso notório é o da Global Carbon e da Golden Green,
empresas do ecossistema do Master. Embora fossem avaliadas em 45,5 bilhões de
reais, seus créditos de carbono eram registrados em terras da União – e,
portanto, jamais poderiam ter sido contabilizados, como mostrou a Folha de
S.Paulo. Um outro exemplo foi revelado pela piauí em julho de 2025: um terreno
que havia valorizado 11 mil% em apenas 36 dias estava sendo usado pelo Master
como garantia de um empréstimo milionário. Na época, Vorcaro ainda não havia
sido preso e tentava provar que seu banco era rentável, para vendê-lo ao BRB.
Agora,
a piauí encontrou indícios de que esse mesmo modus operandi se repetiu em Minas
Gerais, em transações ocorridas entre 2017 e 2020. Nessa época, Vorcaro já era
sócio do Master, que ainda tinha o nome de Banco Máxima. Um caso que se
enquadra nesse padrão é o da Fazenda da Várzea, uma propriedade de 76,6
hectares em Esmeraldas, município próximo a Belo Horizonte. O imóvel foi
vendido duas vezes em um único dia, em junho de 2018, numa estranha sequência.
Primeiro, a empresa MVN Transportes o vendeu por 6 milhões de reais para a
Espaço Engenharia e Construção – que, em seguida, o revendeu para a VM
Participações por 27 milhões de reais, em valores da época. Ou seja: em questão
de horas, o valor da fazenda cresceu 350%. Dois meses depois, a VM Participações
jogou a cifra ainda mais alto: estimou que o imóvel valia 37,5 milhões de reais
e, com isso, o ofereceu como garantia para obter um empréstimo do banco de
Daniel Vorcaro. Como o empréstimo não foi quitado, o Master em 2020 se tornou
dono do terreno – um ativo milionário que ajudou a engordar seus balanços
contábeis.
O mesmo
ocorreu com uma fazenda de 60 hectares em Jaboticatubas, Norte do estado: no
mesmo dia em que comprou o imóvel por 3,8 milhões de reais, em outubro de 2018,
a Vista da Serra Empreendimentos Imobiliários assinou um contrato de empréstimo
com Máxima/Master, oferecendo o imóvel como garantia. Mas, ao fazer isso,
inflou o valor do terreno em 887%, chegando a 37,5 milhões de reais. Dois anos
depois, como esse empréstimo também não foi quitado, o imóvel acabou
incorporado ao patrimônio do Master com o valor de 40,4 milhões de reais.
Em
outros casos, as transações envolvem empresas associadas aos esquemas
criminosos de Vorcaro, como a Diedro Empreendimentos Imobiliários e
Participações. Em dezembro de 2020, a empresa adquiriu uma fazenda de 142
hectares em Itamarandiba, Norte de Minas, por 465 mil reais, em valores da
época. No mês seguinte, o imóvel foi avaliado em 16,8 milhões de reais (uma
diferença de 3.600%) em um contrato de empréstimo da Diedro com o Master. Uma
outra empresa, a Diedro Paulistana, foi utilizada por Vorcaro para pagar um
grupo de milicianos ligados ao jogo do bicho no Rio de Janeiro, de acordo com a
PF.
A piauí
encaminhou à assessoria de imprensa de Vorcaro questionamentos sobre todas as
transações imobiliárias descritas nesta reportagem, mas não obteve resposta.
¨
'Turma do KN': veja quem é quem na rede investigada no
Caso Master
A
expressão "Turma do KN" emergiu em investigações da Polícia Federal
(PF) a partir da análise de mensagens, documentos e registros extraídos do
celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master.
De acordo com os investigadores, a sigla "KN" faz referência ao
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.
As
apurações apontam para uma rede de relações envolvendo magistrados, advogados e
familiares em torno de decisões judiciais e contratos de honorários milionários
ligados a precatórios de R$ 8,5 bilhões do setor sucroalcooleiro.
As
investigações também revelaram a organização de um pacote
de regalias de luxo no Rio de Janeiro custeado por Vorcaro --avaliado em cerca
de R$ 1,5 milhão--, com registro de assessores afirmando que no local "o
KN funciona bem". Além disso, diálogos mostram executivos do banco
celebrando placares de julgamentos no STF (como no caso da destilaria Alcídia
por 3 a 2) e enviando o contato do filho do ministro com a expressão
"dominado aqui".
O
ministro Kassio Nunes Marques negou qualquer irregularidade ou vínculo indevido
com o grupo. Ele afirmou que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco
Master, jamais trocou mensagens com o ex-banqueiro e nunca autorizou qualquer
pessoa a falar em seu nome. Nunes Marques ressaltou ainda que seu filho, o
advogado Kevin Marques, nunca prestou serviços nem recebeu qualquer valor do
Banco Master.
>>>>
Veja abaixo quem é quem no grupo e os papéis atribuídos a cada personagem:
1.
Daniel Vorcaro (O banqueiro e articulador)
- Quem é: Ex-presidente e
controlador do Banco Master (instituição financeira subsequentemente
liquidada pelo Banco Central).
- Papel no caso: Preso no âmbito
do Caso Master, Vorcaro é apontado pelas mensagens apreendidas pela PF
como o articulador financeiro das operações. De acordo com as apurações,
ele negociou contratos com honorários de êxito milionários e bancou
regalias de luxo para interlocutores e pessoas ligadas a magistrados com o
objetivo de obter decisões favoráveis para os precatórios do banco.
2.
Kassio Nunes Marques / "KN" (O ministro do STF)
- Quem é: Ministro do
Supremo Tribunal Federal.
- Papel no caso: Apontado pela
PF como a figura a quem a sigla "KN" se refere nas mensagens de
Vorcaro e de seus assessores. O nome do ministro aparece citado em trocas
de mensagens sobre julgamentos na Segunda Turma do STF --como o caso da
destilaria Alcídia, aprovado por 3 a 2 a favor de interesses do Master-- e
na organização de hospedagens de luxo no Rio de Janeiro.
- O que diz a
defesa:
O ministro nega veementemente qualquer irregularidade, afirma que nunca
trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou ninguém a falar em seu nome.
Sustenta que jamais votou a favor do banqueiro ou do Banco Master e que
seu filho nunca prestou serviços à instituição.
3.
Newton Pereira Ramos Neto (O desembargador do TRF-1)
- Quem é: Desembargador
do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), sediado em Brasília.
- Papel no caso: Identificado
como amigo íntimo de Nunes Marques e integrante da "Turma do
KN". Proferiu ao menos dois votos favoráveis aos interesses do Banco
Master em sessões virtuais do TRF-1 no caso da usina Cansanção de Sinimbu,
envolvendo a aquisição de direitos creditórios para inflar a liquidez do
banco. Foi alvo de operação de busca e
apreensão extraordinária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em seu gabinete
nesta quinta-feira (24).
- O que diz a
defesa:
Afirma que a correição do CNJ é um procedimento "natural e
regular", ressalta que permanece no pleno exercício de sua jurisdição
e nega ter julgado irregularmente processos do Master, embora admita ter
relação pessoal com Vorcaro.
4.
Camila Rose Ramos / Camilla Ramos (A advogada)
- Quem é: Advogada,
esposa do desembargador Newton Ramos e sócia do escritório Queiroga,
Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia.
- Papel no caso: Apontada nas
conversas como integrante da "Turma do KN". Seu escritório
celebrou um contrato com o Banco Master prevendo o pagamento de honorários de êxito
de até R$ 427 milhões (taxa de 5%) caso obtivesse vitória em ações
referentes a precatórios do setor sucroalcooleiro avaliadas em R$ 8,5
bilhões. Suas visitas frequentes a
Vorcaro na prisão para atualizá-lo sobre processos geraram estranheza em
outros defensores, por ela não atuar na área penal e
pelo fato de o banco já estar sob liquidação.
- O que diz a
defesa:
Afirma que não possui qualquer vínculo com o ministro Nunes Marques e que
os contratos firmados com o Banco Master são lícitos, regulares e
continuam sob apreciação do Poder Judiciário.
5.
Gabriel Ramos (O filho e advogado)
- Quem é: Advogado e
filho do desembargador Newton Ramos com a advogada Camila Ramos.
- Papel no caso: Aparece como
coassinante do contrato de honorários advocatícios de até R$ 427 milhões
celebrado com o Banco Master de Daniel Vorcaro.
6.
Kevin Marques (O filho do ministro)
- Quem é: Advogado e
filho do ministro Kassio Nunes Marques.
- Papel no caso: Teve seu
contato telefônico compartilhado em mensagens entre o diretor jurídico do
Master e Vorcaro acompanhado da frase "dominado aqui" e menções
a pagamentos mensais. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (Coaf) identificou que ele recebeu R$ 282 mil da empresa
Consult, a qual havia recebido mais de R$ 6,5 milhões do Banco Master
entre 2024 e 2025.
- O que diz a
defesa:
Afirma que os valores recebidos foram decorrentes de serviços jurídicos
efetivamente prestados à empresa Consult e nega ter recebido recursos
diretamente do Banco Master ou de Vorcaro.
7.
Luiz Rennó (O diretor jurídico do Master)
- Quem é: Diretor
jurídico do Banco Master.
- Papel no caso: Executivo que
mantinha diálogo direto com Vorcaro sobre as estratégias judiciais. Após a
decisão favorável no caso da destilaria Alcídia no STF por 3 a 2,
comemorou o resultado via mensagem registrando os votos dos ministros e
enviando o contato de Kevin Marques.
8.
Léo Serrano (O agente de viagens)
- Quem é: Operador de
viagens contratado por Vorcaro.
- Papel no caso: Responsável por
organizar e intermediar o pacote de luxo no Rio de Janeiro durante o
Carnaval. Trata com Vorcaro o aluguel de uma mansão de R$
250 milhões no Joá (de propriedade do ator Márcio Garcia) com a observação
de que no local "o KN funciona bem". O pacote de regalias,
avaliado em cerca de R$ 1,5 milhão, incluiu passeios de helicóptero,
motoristas à disposição e camarotes.
Desdobramentos
do Caso
- Bloqueio e
cancelamento pelo CNJ: Em virtude das irregularidades e dos contratos
revelados nas investigações da PF, o corregedor nacional de Justiça,
Benedito Gonçalves, determinou o cancelamento de R$
4,7 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro negociados com o Banco
Master que
haviam sido expedidos pelo TRF-1 sem o devido trânsito em julgado.
- Apurações
disciplinares e criminais: O desembargador Newton Ramos foi
mantido no cargo, mas teve o HD de seu gabinete copiado pela Polícia
Federal durante correição do CNJ. As investigações seguem em andamento
para apurar a extensão do uso de estruturas públicas e de contratos
advocatícios no esquema do Banco Master.
Fonte:
Revista Piauí/Band.com

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