quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Diabetes tipo 1: teste na ponta do dedo pode ajudar a identificar risco antes dos sintomas

O rastreamento do diabetes tipo 1 antes do aparecimento dos sintomas foi um dos assuntos discutidos no primeiro dia do EASD 2026, em Milão, na Itália. A proposta apresentada envolve um teste feito com uma gota de sangue da ponta do dedo para identificar autoanticorpos associados à doença.

Durante a cobertura do congresso pelo Um Diabético, a endocrinologista Denise Franco conversou com o médico Márcio Krakauer sobre a possibilidade de ampliar o acesso a esse tipo de rastreamento. Segundo Krakauer, um dos testes já recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.

No entanto, ainda não há informação confirmada sobre quando esse teste estará disponível comercialmente no país. A expectativa apresentada durante a conversa é que a comercialização ocorra em breve.

<><> Como o teste pode ajudar a identificar o diabetes tipo 1

O diabetes tipo 1 pode apresentar alterações antes que os sintomas apareçam. Uma das formas de investigar esse período envolve a identificação de autoanticorpos relacionados à doença.

Atualmente, esses anticorpos podem ser pesquisados por meio de exames realizados com sangue. Segundo Márcio Krakauer, os planos de saúde cobrem alguns desses exames, mas não necessariamente todos.

Essa diferença pode dificultar o rastreamento. Isso acontece porque a identificação de uma fase de risco depende da combinação de resultados, segundo a explicação apresentada durante o congresso.

De acordo com Krakauer, é necessário encontrar dois anticorpos positivos associados a uma alteração glicêmica para identificar uma fase em que alguma intervenção pode ser realizada.

Nesse contexto, o teste com sangue obtido na ponta do dedo pode ampliar as possibilidades de rastreamento. A proposta é realizar a investigação de forma mais simples e com menor custo no consultório.

<><> Teste de ponta de dedo já recebeu aprovação no Brasil

Durante a conversa, Márcio Krakauer informou que um dos testes apresentados já recebeu aprovação no Brasil. A autorização foi concedida pela Anvisa.

A aprovação, porém, não significa que o teste já esteja disponível para a população. Segundo as informações apresentadas no vídeo, ainda não existe uma data confirmada para o início da comercialização no país.

O objetivo é disponibilizar uma alternativa que permita detectar os anticorpos por meio de uma gota de sangue. Com isso, profissionais poderiam ter uma ferramenta para ampliar o rastreamento do diabetes tipo 1.

A disponibilidade do teste também pode ser relevante diante das dificuldades relacionadas ao acesso aos exames de anticorpos realizados atualmente. Como explicou Krakauer, os planos de saúde podem cobrir alguns exames, mas não necessariamente todos.

<><> O que significa detectar o diabetes tipo 1 antes dos sintomas

A identificação de autoanticorpos não significa que uma pessoa já apresente os sintomas do diabetes tipo 1. O rastreamento busca identificar alterações relacionadas ao processo da doença antes de sua manifestação clínica.

Segundo a explicação apresentada no EASD, a presença de dois anticorpos positivos, associada a uma alteração glicêmica, pode identificar uma fase em que alguma intervenção pode ser realizada.

Por isso, o teste não deve ser interpretado isoladamente como um diagnóstico baseado apenas em uma gota de sangue. A avaliação depende dos resultados encontrados e da combinação de informações clínicas e laboratoriais.

A possibilidade de realizar esse rastreamento na ponta do dedo busca facilitar o acesso à investigação. No entanto, o uso do teste na prática depende da disponibilidade comercial e da aplicação definida pelos profissionais de saúde.

<><> Brasil participa de estudo sobre rastreamento

Durante a cobertura, Márcio Krakauer também citou a participação do Brasil em um estudo de rastreamento. Segundo ele, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) está conduzindo a iniciativa.

A pesquisa acompanha justamente o tema da identificação do diabetes tipo 1 antes do aparecimento dos sintomas. O estudo deve contribuir para ampliar as informações sobre o rastreamento no país.

O debate realizado no primeiro dia do EASD 2026 mostra que a identificação de pessoas em risco envolve não apenas a existência dos exames, mas também a possibilidade de ampliar o acesso a eles.

A chegada de um teste de ponta de dedo ao mercado brasileiro ainda depende da comercialização. Até o momento, a informação apresentada durante a cobertura é de que um dos testes recebeu aprovação da Anvisa, mas não há data confirmada para sua disponibilidade.

<><> O que acompanhar sobre o teste no Brasil

O tema deve continuar entre os assuntos acompanhados pelo Um Diabético durante o EASD 2026. A cobertura busca explicar como funciona o rastreamento, quem pode ser investigado e quais informações os novos testes podem oferecer.

Para quem acompanha o diabetes tipo 1, a principal questão neste momento envolve a transformação da aprovação regulatória em acesso ao teste. A comercialização no Brasil ainda não tem data confirmada.

•        Diabetes tipo 2: por que os pés devem ser avaliados uma vez por ano? Especialistas explicam

Pessoas com diabetes tipo 2 devem incluir a avaliação dos pés na rotina de acompanhamento. O exame ajuda a identificar alterações de sensibilidade e outros sinais que podem aumentar o risco de feridas.

A recomendação foi reforçada pela enfermeira especializada em diabetes Gabriela Cavicchioli durante o DiabetesCast. Segundo ela, a avaliação deve ocorrer uma vez por ano para pessoas com diabetes tipo 2.

O objetivo é verificar se existe alteração na sensibilidade protetora dos pés. Essa sensibilidade permite perceber estímulos que podem indicar uma lesão ou outro problema.

<><> Por que o diabetes exige atenção aos pés?

O diabetes pode estar associado à neuropatia, uma alteração que compromete os nervos. Quando isso acontece nos pés, a pessoa pode deixar de perceber estímulos que normalmente provocariam uma reação.

O ortopedista Eduardo Araújo, especialista em cirurgias do pé e tornozelo, explicou que a perda da sensibilidade muda a forma como a pessoa deve cuidar dos pés.

Segundo o especialista, a dor funciona como um sinal de alerta. Quando a neuropatia reduz essa percepção, uma pessoa pode continuar apoiando o pé sobre uma região que recebe pressão excessiva sem perceber o problema.

Esse processo pode favorecer a formação de calosidades e, em alguns casos, de feridas.

<><> Como funciona a avaliação dos pés?

A avaliação começa pela observação dos pés. O profissional verifica a presença de calosidades, alterações na pele, frieiras, feridas e mudanças nas unhas.

Além disso, o profissional pode avaliar a sensibilidade protetora. Gabriela explica que uma das formas de realizar esse teste utiliza o monofilamento de 10 gramas.

O instrumento toca pontos específicos do pé. A pessoa precisa informar ao profissional quando percebe o contato.

O exame não deve provocar dor. A avaliação ajuda a identificar se a pessoa mantém a sensibilidade necessária para perceber determinados estímulos nos pés.

Segundo Gabriela, quando o monofilamento não está disponível, o profissional pode realizar uma avaliação do toque com o próprio dedo.

A recomendação, no entanto, é que a avaliação seja feita por um profissional capacitado, dentro do acompanhamento de saúde.

<><> O que o profissional procura no pé?

A avaliação não se limita ao teste de sensibilidade, ele também observa a pele, as unhas e possíveis alterações na estrutura do pé.

Calosidades merecem atenção porque podem indicar pontos de pressão. Eduardo explica que o corpo pode produzir uma camada maior de pele como resposta a uma região que recebe pressão repetidamente.

Por isso, um calo novo pode indicar uma mudança na forma como a pessoa distribui o peso durante a pisada.

A neuropatia pode alterar essa percepção. Sem a dor como sinal de alerta, a pessoa pode continuar colocando pressão sobre o mesmo ponto. Nesse contexto, uma região de hiperpressão pode evoluir para uma ferida.

<><> A avaliação anual vale para todas as pessoas com diabetes?

A recomendação apresentada no episódio diferencia o momento de início da avaliação entre os tipos de diabetes.

No diabetes tipo 2, a avaliação dos pés deve começar a partir do diagnóstico e ocorrer pelo menos uma vez ao ano.

No diabetes tipo 1, Gabriela explica que a avaliação deve começar cerca de cinco anos após o diagnóstico ou depois do início da puberdade.

A frequência pode mudar quando o profissional identifica alterações. Pessoas que apresentam perda de sensibilidade ou outros fatores de risco podem precisar de acompanhamento mais frequente.

As recomendações da American Diabetes Association também indicam avaliação dos pés pelo menos uma vez ao ano e exames mais frequentes para pessoas com maior risco.

<><> O que a pessoa com diabetes pode observar em casa?

A orientação apresentada pelos especialistas é criar uma rotina de observação dos pés.

Entre os pontos que podem ser observados estão:

• Calosidade nova ou aumento de uma área endurecida

• Feridas ou alterações na pele

• Vermelhidão

• Fissuras e rachaduras

• Unha encravada

• Alterações entre os dedos

• Mudanças na sensibilidade

A pessoa também deve observar os pés diariamente quando apresenta perda de sensibilidade.

A avaliação em casa, porém, não substitui o exame feito por um profissional de saúde.

 

Fonte: Um Diabético

 

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