Espiritualidade
e inteligência emocional para uma vida mais próspera
Por
mais de duas décadas, Shanna Marun esteve inserida no mercado de luxo,
convivendo diariamente com dinheiro, status, poder, metas e alta performance. A
experiência profissional, porém, também a colocou diante de uma constatação que
acabaria mudando os rumos de sua trajetória: conquistas externas não
necessariamente significam realização pessoal. “Eu conheci pessoas extremamente
bem-sucedidas que, apesar de terem conquistado muito do lado de fora,
continuavam vivendo conflitos importantes do lado de dentro. E também vivi isso
na minha própria história”, conta.
A
inquietação levou Shanna a aprofundar os estudos em desenvolvimento humano e
espiritualidade. Com o tempo, ela percebeu que também não bastava ampliar a
consciência. Era necessário fazer com que aquilo aprendido se refletisse nas
escolhas e comportamentos cotidianos. Dessa busca nasceu o Método
Life-Changing, que reúne espiritualidade, inteligência emocional e
reprogramação mental.
A
proposta é trabalhar justamente a distância entre saber o que precisa ser feito
e conseguir transformar esse conhecimento em ação. Segundo Shanna, muitas
pessoas chegam a seus processos depois de anos acumulando informações, cursos,
terapias e experiências, mas continuam paralisadas diante das mudanças que
desejam realizar.
“Eu
chamo isso de conhecimento parado. Muitas vezes, a pessoa já sabe o que precisa
fazer. Não precisa necessariamente aprender mais. Precisa identificar o que
está impedindo aquilo que já sabe de se transformar em decisão, comportamento e
resultado”, explica.
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Da consciência para a vida prática
No
método desenvolvido por Shanna, a inteligência emocional ajuda a identificar
padrões, gatilhos e mecanismos de proteção. A reprogramação mental trabalha
comportamentos e crenças que foram repetidos ao longo dos anos, enquanto a
espiritualidade amplia a percepção sobre identidade, propósito e sentido. Para
ela, entretanto, nenhum desses elementos produz uma transformação completa se
permanecer apenas no campo das ideias.
“Consciência
precisa virar evidência”, afirma Shanna. A partir dessa perspectiva, o processo
de transformação deve ser percebido em situações concretas: uma decisão que
finalmente é tomada, um limite estabelecido, uma mudança de comportamento, uma
nova postura profissional ou até alterações na maneira como a pessoa se
relaciona consigo mesma.
“Não me
interessa que uma pessoa termine um processo somente dizendo ‘eu me conheço
melhor’. Eu quero saber o que mudou. Qual decisão ela finalmente tomou? Que
limite colocou? O que aconteceu com sua relação, seu trabalho, sua renda, seu
corpo, sua rotina?”, questiona a mentora.
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Mulheres que já chegaram longe
Parte
importante do trabalho de Shanna é direcionada a mulheres que já conquistaram
espaço profissional, mas continuam enfrentando insegurança, necessidade de
aprovação e autossabotagem.
Para a
mentora, competência profissional não elimina automaticamente padrões
emocionais construídos ao longo da vida. Uma mulher pode ocupar uma posição de
liderança, administrar equipes e tomar decisões complexas e, ainda assim,
sentir culpa ao priorizar a si mesma ou acreditar que precisa provar
constantemente que merece o lugar que conquistou. “Eu era esta pessoa”, revela.
Shanna
acredita que muitas mulheres foram ensinadas a entregar, cuidar, corresponder e
dar conta de tudo. O desafio passa a ser sustentar a própria identidade sem
precisar diminuir o próprio valor para continuar pertencendo. “Vejo mulheres
brilhantes que não precisam de mais competência. Precisam parar de negociar o
próprio valor”, afirma.
A
percepção também se relaciona a um momento de revisão de vida que, segundo ela,
costuma surgir quando a mulher percebe que não deseja repetir na próxima década
os mesmos padrões da anterior. É nesse ponto que uma pergunta pode ganhar
força: se já existe tanto conhecimento acumulado, por que justamente a mudança
mais desejada continua sendo adiada?
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Uma visão mais ampla de prosperidade
Ao
longo da carreira como mentora e terapeuta, Shanna afirma já ter impactado mais
de 2.500 pessoas em diferentes países. A atuação internacional também ampliou
sua compreensão sobre prosperidade.
Embora
culturas e condições econômicas sejam diferentes, ela percebe padrões
emocionais semelhantes em pessoas de contextos distintos, como medo, culpa,
necessidade de aprovação, dificuldade de receber e sensação de não ser
suficiente.
A
experiência fez com que ela passasse a defender uma visão mais ampla sobre o
conceito de prosperidade. O dinheiro, segundo Shanna, é parte importante da
equação, mas não deve ser o único indicador de uma vida próspera. “Para mim,
prosperidade é expansão com sustentação. É ter recursos, saúde, relações,
liberdade de escolha, propósito e capacidade de usufruir aquilo que se
construiu”, define.
A ideia
também está relacionada à capacidade de estar presente na própria vida. “Porque
não adianta conquistar uma vida extraordinária e não conseguir estar presente
dentro dela. Você não pode acrescentar dias na sua vida, mas você pode
acrescentar vida aos seus dias”, diz.
Atualmente,
Shanna também conduz programas voltados ao desenvolvimento emocional e à
prosperidade, entre eles, o Processo de Reprogramação Mental da Prosperidade
5X, uma jornada de 12 meses direcionada à transformação de crenças limitantes e
ao fortalecimento da mentalidade próspera.
Para
ela, o ponto de partida para uma mudança consistente não está necessariamente
em adquirir mais conhecimento, mas em transformar o que já foi aprendido em
movimento. “Existe uma indústria inteira nos ensinando a buscar o próximo
livro, o próximo curso, a próxima técnica, a próxima resposta. Tudo isso pode
ser valioso, mas chega um momento em que continuar aprendendo também pode se
transformar em uma forma sofisticada de adiar uma decisão”, avalia.
Em sua
visão, prosperidade começa quando existe coerência entre identidade, crenças e
escolhas. “Você não manifesta o que quer; você manifesta quem você é”, resume
Shanna.
Fonte:
Correio Braziliense

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